sexta-feira, 12 de março de 2010

Há-de flutuar uma cidade - Al Berto

Assunto: O LAGO
Data: 10/Mar 18:03
TENHO O MEU BARCO BALOUÇANDO LEVEMENTE NO LAGO QUE EU MESMA INVENTEI...ÁGUAS MANSAS, AZUIS OU VERDES CONFORME O OLHAR, A HORA DO DIA, A VONTADE DA BRISA OU O CALOR DO RAIO DE SOL. EM VOLTA, FRONDOSAS ÁRVORES, ENTRE AS QUAIS O VENTO BRINCA CANTANDO BAIXINHO. SIMPLES E COLORIDAS FLORES SILVESTRES SALPICAM A RELVA FÔFA, QUE CONVIDA A DEITAR E ADMIRAR A DELICADA DANÇA DAS NUVENS BRANCAS NUM CÉU TÃO AZUL QUE ENTRA PELO OLHAR E SEGUE ATÉ AO CORAÇÃO. UMA HARMONIOSA SINFONIA COMPOSTA PELAS NOTAS MUSICAIS DE BANDOS DE PÁSSAROS QUE PASSAM EM REVOADAS TRANSPORTA-NOS PARA OUTRAS ESFERAS. A PAZ MORA ALI. O MUNDO, A VIDA... FIQUE LÁ FORA, BEM LONGE....E EU AQUI, NO MEIO DO SONHO QUE CONSTRUI....TUDO O QUE SEJA DIFERENTE ME MATA...E EU QUERO VIVER!!!...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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HÁ-DE FLUTUAR UMA CIDADE

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há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
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por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
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e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
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(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
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um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
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AL BERTO
 

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