quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Carlos Dias - Vereador do PS de Beja critica mural alusivo a Catarina Eufémia


O mural dedicado a Catarina Eufémia Ana Rodrigues

 Vereador do PS de Beja critica mural alusivo a Catarina Eufémia porque diz que os tempos mudaram

* Carlos Dias

Autarca alega que o país vive um tempo diferente daquele em que a ceifeira de Baleizão foi assassinada. “Já não há tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes.”

Paulo Arsénio foi categórico na reunião do executivo municipal de 23 de Setembro: “Se fôssemos nós (socialistas) a decidir, não autorizaríamos o mural a Catarina Eufémia, digo-o de uma forma muito clara, muito directa e muito objectiva.”

E para justificar o seu posicionamento disse que o país “vive, felizmente, um tempo muito diferente do que se vivia em 1954”, quando Catarina Eufémia foi assassinada em Baleizão no decorrer de uma manifestação por melhores salários para quem trabalhava na ceifa das searas de trigo.

Como tal, mesmo que o propósito expresso na pintura do mural seja o enaltecimento “da luta das mulheres alentejanas pela emancipação, igualdade de oportunidades, salariais e outras, não nos parece que tenha sido de facto o mais adequado nesta altura e em Beja”, sentencia o autarca socialista, convicto de que “já não há tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes”.

Em síntese, considera que o mural com a imagem de Catarina “não é o gesto mais adequado para reflectir toda essa luta das mulheres alentejanas e das mulheres do país em 2026”, contrasta Paulo Arsénio, com um reparo: por detrás da pintura “há uma opção ideológica demasiado forte e desadequada aos nossos tempos”, interpretando a iniciativa como um precedente que pode vir a incentivar num futuro próximo a pintura na fachada da biblioteca de Beja de um “mural dedicado a Karl Marx” ou no edifício da câmara municipal “o desenho de Lenine”.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Pedro Candeias - O ChatGPT devia ser banido das escolas?

 * Pedro Candeias

É inevitável que o uso de IA seja discutido brevemente, porque as sociedades estão mais sensibilizadas para o tema, mais bem preparadas para o discutir – e porque há uma desconfiança generalizada.

O trabalho de Jonathan Haidt influenciou decisivamente o debate que se gerou à volta do uso desregulado do smartphone, sobretudo entre os mais jovens, argumentando que a exposição prolongada a estas tecnologias tinha criado A Geração Ansiosa.

No livro seminal sobre o tema, o psicólogo norte-americano traçou causalidades entre o crescente consumo do TikTok ou do Instagram e o aumento de casos de depressão, isolamento e ansiedade, e defendeu que as crianças e os adolescentes não deveriam ter acesso a nenhuma destas plataformas.

Agora, Haidt volta-se para a Inteligência Artificial (IA) e alerta para os riscos que as crianças podem correr se abusarem nas interacções com os modelos OpenAI, Google ou Anthropic. Citemos alguns: a 'natureza' hiper-responsiva da IA, que está programada para agradar, cria vínculos emocionais artificiais capazes de rivalizar com as relações familiares; a externalização do trabalho intelectual, que atrofia o pensamento crítico; e a falha sistemática das tecnológicas em cumprir os protocolos de segurança que haviam prometido.

Por isso, propõe que a IA seja banida das escolas até ao secundário, que os chatbots para menores funcionem apenas como ferramentas de pesquisa e com perguntas limitadas, e que as empresas sejam juridicamente responsáveis por garantir a segurança.

Ora, tal como aconteceu no caso das redes sociais, é inevitável que o uso dos modelos de linguagem seja discutido brevemente, porque as sociedades estão mais sensibilizadas para o tema, mais bem preparadas para o discutir – e porque há uma desconfiança generalizada sobre a IA. Sim, é verdade que uma conversa com o chatbot pode tornar-se tão viciante como um scroll no Instagram; e sim, é verdade que a máquina, ao reduzir o atrito ao máximo, responde a perguntas feitas até no português mais deficitário.

Mas a tentação de proibir por proibir ignora a realidade: a IA vai revolucionar o mercado de trabalho. Uma proibição por decreto nas escolas públicas, por exemplo, não iria impedir o uso pelos mais novos e criaria uma nova linha de fractura social. Enquanto as famílias com maiores recursos poderiam continuar a fornecer aos seus filhos os modelos mais recentes, que aprenderiam a dominar, os estudantes desfavorecidos seriam duplamente penalizados. Se há uma virtude na IA, é a possibilidade de democratizar e universalizar o acesso ao conhecimento complexo e a ferramentas tecnológicas.

Uma democracia não ergue muros, mesmo os digitais, e deve garantir que todos partem de uma mesma base para enfrentar o futuro.

PÚblico 2026 Outubro 06

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

(105) Hoàng Hà - O País Repleto de Alegria (Đất nước trọn niềm vui)


O maior muro de flores do Vietnã: quando os muros contam histórias  

Este mural vietnamita celebra a libertação do Vietbame. Na parte inferior da composição, destaca-se em letras douradas em relevo a frase: «Đất nước trọn niềm vui» (que significa em português "O país em plena alegria" ou "País de alegria total"), inspirada no célebre título da canção patriótica homônima do compositor Hoàng Hà que celebra a reunificação do Vietname

A canção "Đất nước trọn niềm vui" (O país em plena alegria), composta por Hoàng Hà, é uma das obras musicais mais emblemáticas e comemorativas da história do Vietname. Escrita e estreada na rádio nacional logo após o anúncio da queda de Saigão a 30 de abril de 1975, a música captura a imensa euforia, o alívio e a alegria transbordante da reunificação do país após décadas de guerra.


ĐẤT NƯỚC TRỌN NIỀM VUI - NSND Trung Kiên

Temas centrais da letra:

  • A celebração da vitória e da paz: O texto descreve as ruas repletas de bandeiras com estrelas douradas, as multidões em marcha e a emoção do reencontro e da libertação de Saigão.

  • A memória e o legado: Evoca a figura inspiradora do Presidente Hồ Chí Minh e a resiliência indómita do povo vietnamita face à destruição causada pelos conflitos.

  • O orgulho nacional: Exalta a soberania recuperada e a beleza de uma pátria unificada. (Gemini)

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

(104) - Malcolm X e Yuri Kochiyama (citações)

 

 ' De Harlem com Amor - Um Projeto de Mural para Yuri e Malcolm'', situa-se em Nova Iorque, homenageando também às lutas contra o racismo, colonialismo, violência e drespectivamente de uma de Malcom X  (o histórico líder e orador dos direitos civis dos afro-americanos.e de  Yuri Kochiyama (a ativista nipo-americana de direitos civis e direitos humanos). Destes são nele reproduzidas citações dos homenageados.

Citação de Malcolm X (no lado direito): « A única maneira de conseguirmos a liberdade para nós mesmos é nos identificarmos com todos os povos oprimidos do mundo » (A única maneira de conseguirmos a liberdade para nós próprios é identificarmo-nos com todos os povos oprimidos do mundo).

Frase de Yuri Kochiyama (no lado esquerdo): «Keep expanding your horizon, decolonize your mind, and cross borders» (Continuem a expandir os vossos horizontes, descolonizem a vossa mente e cruzem fronteiras).

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Gustavo Carneiro - Neutralidade?

Gustavo Carneiro

O rapper norte-ame­ri­cano Mac­kle­more foi ex­cluído da di­gressão de Ed She­eran por ex­pressar o seu apoio a uma Pa­les­tina livre da ocu­pação e do ge­no­cídio. Dos 10 es­pec­tá­culos pre­vistos, par­ti­cipou apenas em dois, mas não se ar­re­pende: nu­ma­men­sagem par­ti­lhada nas redes so­ciais, va­lo­rizou essas «duas opor­tu­ni­dades para dizer pe­rante 90 mil pes­soas as pa­la­vras que de al­guma forma se tor­naram de­ma­siado pe­ri­gosas de serem ditas: Pa­les­tina livre! E se essas pa­la­vras me cus­tarem o palco ao mesmo tempo que re­co­locam a atenção na Pa­les­tina, então foi a minha di­gressão mais bem su­ce­dida».


O caso deu que falar e não se ficou por aqui. A banda Beoga, que também acom­pa­nhava She­eran, so­li­da­rizou-se com Mac­kle­more e aban­donou a di­gressão, a maior em que al­guma vez es­teve en­vol­vida: «Nós somos ir­lan­deses que per­cebem o que é co­lo­ni­a­lismo. Como fun­da­dores do mo­vi­mento Ar­tistas Ir­lan­deses pela Pa­les­tina, somos ac­ti­vistas com­pro­me­tidos com a jus­tiça e con­ti­nu­a­remos a sê-lo. Todo este epi­sódio está a servir no­va­mente para dis­trair da ver­da­deira questão: mais de 1000 pa­les­ti­ni­anos foram mortos desde o cha­mado cessar-fogo.»


Da mú­sica pas­samos para o ci­nema. “Naza”, dos is­ra­e­litas Yuval Abraham e Ra­chel Szor, ga­nhou o Prémio Es­pe­cial do Júri da edição deste ano do Fes­tival de Ve­neza e me­receu o aplauso do pú­blico du­rante longos 25 mi­nutos. «Fil­mado à noite a partir dos te­lhados de Te­la­vive, este do­cu­men­tário de in­ves­ti­gação exa­mina as ví­timas civis das ope­ra­ções mi­li­tares is­ra­e­litas em Gaza e os sis­temas por de­trás dos as­sas­si­natos se­lec­tivos de pa­les­ti­ni­anos», lê-se na si­nopse do filme que tem es­treia mar­cada para hoje na salas por­tu­guesas. Ao re­ceber o ga­lardão, Yuval Abraham re­feriu-se ao ge­no­cídio em curso como um pro­jecto cons­ci­ente, as­sente na «total de­su­ma­ni­zação dos pa­les­ti­ni­anos». Os re­a­li­za­dores foram ame­a­çados com a perda de na­ci­o­na­li­dade is­ra­e­lita e as suas fa­mí­lias já re­ce­beram di­versas ame­aças.


Por cá, o ma­estro e com­po­sitor César Viana deixou a di­recção ar­tís­tica do Fes­tival In­ter­na­ci­onal de Mú­sica Re­li­giosa de Gui­ma­rães por «ra­zões de cons­ci­ência», dada a apro­xi­mação ins­ti­tu­ci­onal e co­mer­cial da Câ­mara Mu­ni­cipal a Is­rael. No con­texto da si­tu­ação que se vive em Gaza, jus­ti­ficou, não lhe era pos­sível «per­ma­necer in­di­fe­rente».


Todos estes gestos – e tantos ou­tros ha­veria a des­tacar por esse mundo fora – con­frontam a “neu­tra­li­dade” exi­gida pelos in­te­resses po­lí­ticos e eco­nó­micos que de forma as­su­mida ou en­ver­go­nhada apoiam o ge­no­cídio e a ocu­pação.

Nos úl­timos três anos, mais de 20 mil cri­anças foram as­sas­si­nadas na Faixa de Gaza pelo exér­cito de Is­rael, bem ar­mado pela maior po­tência mi­litar do pla­neta. A que se somam as so­bre­vi­ventes – am­pu­tadas, fa­mintas, órfãs, ir­re­me­di­a­vel­mente trau­ma­ti­zadas. Como bem afirmou Mac­kle­more na sua de­cla­ração, de­nun­ciar o ge­no­cídio já não é um acto de co­ragem, mas de mera hu­ma­ni­dade. Não há neu­tra­li­dade pos­sível!

Avante n.º 2757 (1/10/2026)

https://www.avante.pt/pt/2757/opiniao/185234/Neutralidade.htm


Discurso de Donal Trump a ONU (2026)

*  Donald Trump 

( 00:04 ):

Muito obrigado. Senhor Presidente, Senhor Secretário-Geral, Primeira-Dama dos Estados Unidos, distintos delegados, embaixadores e colegas líderes. É uma grande honra dar as boas-vindas ao mundo à América, enquanto celebramos 250 anos de gloriosa liberdade e independência. Dois séculos e meio depois de a Causa da Liberdade ter encontrado seu lar neste continente, posso afirmar com orgulho que a América está de volta e nosso país está mais forte hoje do que nunca. Nossa economia é a inveja do mundo. Nossas forças armadas são as mais poderosas da Terra. Nossa tecnologia não fica atrás de nenhuma outra e estamos na vanguarda em praticamente tudo. Nossa energia está abastecendo o planeta. A América está em ascensão. Nossa nação está crescendo. Nosso poder está se expandindo. Nosso país está melhor do que nunca e nosso futuro é muito, muito promissor.

( 01:12 )
Desde que assumi o cargo, criamos mais de um milhão de novos empregos no setor privado, e hoje há muito mais americanos trabalhando do que nunca. Na semana passada, foi anunciado que a taxa de pobreza atingiu seu nível mais baixo na história americana. Tiramos 1,5 milhão de americanos da pobreza somente no ano passado, outro recorde. As taxas de pobreza entre afro-americanos e hispânicos estão em seus níveis mais baixos de todos os tempos. A renda real das famílias americanas disparou para o nível mais alto da história, US$ 87.000 em média, superando o recorde anterior que estabeleci em meu primeiro mandato.

( 01:58 )
Desde o primeiro dia, meu governo trabalhou para remover todas as regulamentações e obstáculos desnecessários para fazer negócios nos Estados Unidos. Aprovamos os maiores cortes de impostos da história americana e, como resultado, mais dinheiro está sendo investido nos Estados Unidos agora do que jamais foi investido em qualquer nação, em qualquer lugar do mundo. Os mercados de ações dos EUA bateram 80 recordes históricos, e isso apenas nos últimos 12 meses. Garantimos compromissos de US$ 21 trilhões em novos investimentos de todo o planeta, em comparação com menos de US$ 1 trilhão em quatro anos no governo anterior. Dois anos atrás, nosso país estava morto, e agora temos o país mais quente do mundo. Antes de eu assumir o cargo, tínhamos a fronteira mais perigosa e pior do planeta, e agora temos a fronteira mais segura da história americana. Ninguém entra sem ser convidado, sem ter permissão.

( 03:03 )
Nos últimos 16 meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos, e isso foi feito por pessoas muito sofisticadas. Não foi feito pelo governo Trump. Zero. Como resultado, no ano passado alcançamos a maior queda na criminalidade violenta já registrada. A taxa de homicídios despencou para o nível mais baixo em 125 anos, desde 1900. Enviei nossos agentes de combate ao crime para Memphis, Tennessee, e Nova Orleans, Louisiana, e a criminalidade em cada um desses lugares caiu mais de 80% e vai cair ainda mais. Mais importante ainda, quando cheguei a Washington D.C. em 20 de janeiro do ano passado, a cidade estava assolada pelo crime, e agora a criminalidade caiu 87% e estamos caminhando para os 100%. Se vocês observarem, e imagino que muitos de vocês já estiveram lá, o turismo está prosperando. Os restaurantes estão lotados e as pessoas estão orgulhosas da capital do nosso país. Estão orgulhosas como nunca antes.