terça-feira, 22 de setembro de 2026

(101) - Literatura maranhense

 


* Gemini / VictorNogueira

Este mural encontra-se cna cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão, no Brasil. O painel, criado por Eduardo Kobra,  celebra os 405 anos da cidade.

  • A Homenagem à Literatura Maranhense: O mural assume a forma visual de uma enorme estante de livros, prestando tributo a grandes expoentes da literatura e da cultura do Maranhão.

  • Figuras e Obras Retratadas: Destacam-se capas e retratos de autores consagrados como Gonçalves Dias (Canção do Exílio, I-Juca-Pirama), Josué Montello (Os Tambores de São Luís), Aluísio Azevedo (O Cortiço), Graça Aranha (Canaã) e Ferreira Gullar (Dentro da Noite Veloz, Poema Sujo), além de elementos da arquitetura de azulejos típicos da cidade.Gonçalves Dias – Canção do Exílio: É um dos poemas mais emblemáticos da literatura brasileira. Podes associá-lo à ideia de deslocação, identidade e memória que a arte urbana muitas vezes retrata nas ruas.

Eis alguns excertos de obras de autores rrmaranhenses

1. Gonçalves Dias — Canção do Exílio

O poema mais célebre da literatura maranhense resume-se na perfeição à célebre estrofe inicial, ideal para abrir um artigo sobre identidade e paisagem urbana:

«Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá, As aves, que gjejeiam lá, Não gjejeiam como aqui.»

2. Gonçalves Dias — I-Juca-Pirama

Um dos grandes épicos indianistas, de onde podes destacar estes versos intensos sobre a coragem e a honra perante o destino:

«Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das matas, Caudilho que habita As selvas por vir.»

3. Josué Montello — Os Tambores de São Luís

Uma obra monumental sobre a escravidão e a cultura afro-brasileira. Uma frase curta e forte que resume o espírito do romance:

«Os tambores da minha terra não batem apenas com o som dos couros; batem com as dores e as esperanças de uma raça inteira.»

4. Aluísio Azevedo — O Cortiço

O clássico do Naturalismo que descreve o pulsar sufocante e febril da vida urbana:

«E aquilo a pouco e pouco se ia animando a um canto e a outro, num sussurro abafado de colmeia laboriosa, que acordava.»

5. Graça Aranha — Canaã

Uma reflexão profunda sobre o choque cultural e a imigração no Brasil, resumida nesta passagem evocativa:

«O homem civilizado trazia na alma a desarmonia do mundo, enquanto a terra virgem pedia apenas paz e comunhão.»

6. Ferreira Gullar — Dentro da Noite Veloz ou Poema Sujo

Do aclamado Poema Sujo (escrito no exílio), podes extrair estes versos viscerais sobre a cidade e a memória:

«A cidade me aperta, me cinge, me esmaga... Mas trago-a dentro de mim como a cicatriz de uma longa viagem.»

Para concluir esta publicação, um texto de Ferreira Gullar

A Cidade, a Memória e a Poesia: O Pulso de Ferreira Gullar

«A cidade me aperta, me cinge, me esmaga, mas trago-a dentro de mim como a cicatriz de uma longa viagem. Não a vejo apenas com os olhos da rua; vejo-a com o peso dos dias, com o som dos passos que se cruzam no asfalto, com o ferro e o sonho que compõem a pele do mundo.

A arte urbana não inventa a cidade; revela-a. Quando um rosto se desenha numa empena cega, quando a literatura salta das páginas empoeiradas das bibliotecas para se estampar nos muros de São Luís ou de qualquer metrópole, é porque a rua também quer falar. E nos livros de quem cá deixou a alma — seja na denúncia social de um cortiço, no ritmo dos tambores que ecoam na história, ou no verso cortante de um exílio — encontramos a verdadeira tinta com que a cidade se pinta a si mesma.»

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"O trabalho é mais importante e é independente do capital. O capital é apenas o fruto do trabalho, e não existiria sem ele. O trabalho é superior ao capital e merece a consideração mais elevada." (Lincoln, Presidente dos EUA)