sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Olhares .. sobre a emigração portuguesa em França




EI-LOS QUE CHEGAM*
QUINTA-FEIRA, 10 DE SETEMBRO DE 2015
PUBLICADO POR RICARDO M SANTOS

“São esquisitos, baixos e com bigodes e barbas. Chegam, na esmagadora maioria, homens. Elas, quando vêm, cobrem os cabelos com panos e não usam saia acima do joelho. Muitas são proibidas pelos maridos de cortarem o cabelo. Por vezes, eles ameaçam-nas com uma chapada ou um murro; elas, subservientes, baixam a cabeça e colam as mãos ao ventre. Trazem com eles uma paixão fervorosa pela religião. Usam colares com o símbolo das suas crenças e são capazes de dar mais do que têm para que o seu local de culto, na sua terra natal, tenha um relógio ou um telhado novo. Rezam, pelo menos, de manhã e à noite. Se puder ser, ao final da tarde, cumprem mais um ritual.

Chegam sem falar uma palavra da nossa língua. Parece que fogem de uma guerra qualquer lá no país deles, da fome e da miséria. Não têm, por isso, noção de amor à nação. Fogem em vez de defenderem o seu país e lutarem por uma vida melhor lá, na terra deles, vêm para aqui sujar o nosso país com a sua imundície. Atravessam países inteiros a pé ou à boleia para chegarem aqui. Pagam milhares para saírem do seu país e vêm ficar na miséria. Alguns têm muitos filhos, muito mais do que aquilo a que estamos habituados. Deixam-nos sozinhos ou com os irmãos mais velhos, que não vão à escola. Mas são muito trabalhadores.

Bem, na verdade, não roubam exactamente o nosso trabalho, porque aqui há leis que não nos permitem trabalhar 18 horas diárias, embora isso exista e dê jeito a alguns patrões. Mas de certeza que nos roubam qualquer coisa. São diferentes de nós e isso causa-nos má impressão.

Não são muito limpos, cospem para o chão e as suas maneiras em público deixam muito a desejar. Vivem em bairros de lata que mais parecem campos de refugiados. Não sei como conseguem. Se é para viverem na miséria, mais valia ficarem na terra deles.”

Diário de um Parisiense,1969

*Embora pudesse ser um relato verdadeiro, demonstrativo da nossa estupidez colectiva, este texto é ficção. É da minha autoria. Não está em mais lado nenhum que não no blogue nem é excerto de coisa alguma. 

* Foto de  Gérald Bloncourt (http://bloncourtblog.net/2014/07/l-immigration-portugaise.html)
* Texto original de Ricardo M. Santos em 
http://manifesto74.blogspot.pt/2015/09/ei-los-que-chegam.html




http://www.bloncourtblog.net/2014/07/l-immigration-portugaise.html


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Alexandre O’Neill - TOMA TOMA TOMA

* Alexandre O’Neill

Ainda prefiro os bonecos de cachaporra,
contundentes, contundidos, esmocados,
com vozes de cana rachada e um toma toma toma
de quem não usa a moca para coçar os piolhos,
mas para rachar as cabeças.

O padreca, o diabo, a criadita,
o tarata, a velha alcoviteira, o galã
e, às vezes, um verdadeiro rato branco trapezista,
tramavam para nós a estafada estória
da nossa própria vida.

Mundo de pasta e de trapo
que armava barraca em qualquer canto
e sem contemplações pela moral de classe
nem as subtilezas de quem fica ileso
desancava os maus e beijocava os bons.

Ainda prefiro os bonecos de cachaporra.

Ainda hoje esbracejo e me esganiço como esses
matraquilhos da comédia humana.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Jorge de Sena - NATAL de 1971

* Jorge de Sena
...
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo de bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?

Jorge de Sena, "De palavra em punho"

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Manuel da Fonseca - As Balas

ritacor
Publicado a 16/04/2011

Dá o Outono, as uvas e o vinho,
Dos olivais, azeite nos é dado.
Dá a cama e a mesa o verde pinho,
As balas deram sangue derramado.

Dá a chuva o Inverno criador,
Às sementes dá sulcos o arado.
No lar a lenha em chama dá calor,
As balas deram sangue derramado.

Dá a Primavera o campo colorido,
Glória, coroa do mundo renovado.
Aos corações dá o amor renascido,
As balas deram sangue derramado.



Dá o Sol as searas pelo Verão,
O fermento no trigo amassado.
No esbraziado forno cresce o pão,
As balas deram sangue derramado.

Dá cada dia ao Homem novo alento,
De conquistar o bem que lhe é negado.
Dá a conquista um puro sentimento,
As balas deram sangue derramado.

De meditar, concluir, ir e fazer,
Dá sobre o mundo o Homem atirado.
À paz de um mundo novo onde viver,
As balas deram sangue derramado.


Dá a certeza o querer e o construir,
O que tanto nos negou o ódio armado.
Que a vida construida é destruir,
As balas deram sangue derramado.

Essas balas deram sangue derramado,
Só roubo e fome e o sangue derramado.
Só ruina e peste e o sangue derramado,
Só crime e morte e o sangue derramado.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Rita Pimenta - Palavras, expressões e algumas irritações: correio


Antiga tabuleta de agente dos CTT




* Rita Pimenta
CRÓNICA

“Correio” e “carteiro” confundem-se nas definições. Nos incêndios de Pedrógão, os carteiros foram fundamentais na procura de vítimas. Transformaram-se em “GPS” da protecção civil por conhecerem os caminhos, as casas e as pessoas. Mas os CTT têm é de se preocupar em "ter mais 45 milhões de euros nos resultados operacionais" a partir de 2020.

24 de Dezembro de 2017, 7:08  “correio” significava “pessoa que, antigamente, corria o território, para entregar mensagens, notícias, ordens e despachos”. O mesmo que “mensageiro” ou “estafeta”.

No plural, “correios”, traduz-se por “serviço público, no sector das comunicações, que se ocupa da recepção, transporte e distribuição de correspondência e encomendas postais, bem como da emissão e venda de selos e outros valores”.

O dicionário de onde se retirou a definição é de 2006, pelo que não poderia adivinhar a participação privada nos correios portugueses nem antecipar as recentes actividades bancárias (o Banco CTT começou a transaccionar em 2016). Menos ainda antever a notícia “CTT cortam 800 postos de trabalho e fecham balcões”.

Mais informação: “A partir de 2020, a empresa liderada por Francisco Lacerda quer ter mais 45 milhões de euros nos resultados operacionais.”

Dicionário: “Em 1520, começou a funcionar em Portugal o correio por terra, em 1881 o correio marítimo e em 1934 o correio aéreo.”

Visitando o presente, sabe-se que “correio electrónico” significa “sistema de transmissão de mensagens escritas de um computador para outro computador, via Internet ou através de outras redes de computadores, email”.

Entre passado e presente, há uma palavra maior, “carteiro”. Um “funcionário que tem a seu cargo a distribuição ao domicílio da correspondência”. Em qualquer geografia.

E foram fundamentais na procura de pessoas nos incêndios deste Verão. “Os carteiros têm sido o nosso GPS, pelo conhecimento profundo que têm daquela zona e de quem lá vive em cada habitação”, escreveu-se no PÚBLICO sobre Pedrógão Grande.

Existe o verbo “correar”, que significa “prender com correia”, “cingir”. Ao que parece, alguém quer “correar” os “correios”.

Por aqui, vamos continuar a prática de enviar cartas e postais em papel. Mais ainda no Natal. A greve pode atrasá-los, mas nunca chegarão tarde para o que queremos demonstrar e desejar. Boas Festas!

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO

tp.ocilbup@atnemipr

https://www.publico.pt/2017/12/24/opiniao/cronica/palavras-expressoes-e-algumas-irritacoes-correio-1797101?

Ó meu Menino Jesus - canção popular de Campo Maior


Luis Garção Nunes
Publicado a 15/12/2009
BRIGADA VICTOR JARA
Menino Jesus
QUEM SAI AOS SEUS  (1981)


Ó meu Menino Jesus, 
Ó meu menino tão belo, 
Onde foste a nascer
Ao rigor do caramelo! [bis] 

Ó meu Menino Jesus,
Não queiras menino ser!
No rigor do caramelo 
A neve te faz gemer. [bis]

[instrumental]

O Menino da Senhora 
Chama pai a São José, 
Que lhe trouxe uns sapatinhos 
Da feira de Santo André. [bis]

[instrumental]

O Menino chora, chora, 
Chora pelos sapatinhos;
Haja quem lhe dê as solas,
Que eu lhe darei os saltinhos. [bis]
  
[instrumental]

Dá-me o teu Menino!
Não dou, não dou, não dou!
Dá-me o teu Menino,
Vai à missa que eu lá vou.
Dá-me o teu Menino! 
Não dou, não dou, não dou!
[4x]


Glossário:
A palavra "caramelo", nesta acepção, significa "gelo" (geada, neve, granizo).

Nota: «Canto recolhido em Campo Maior. Canta-se no Natal, já pelas ruas, já em família, acompanhado do popular instrumento designado por ronca, ou zabumba. A ronca [sarronca] é constituída por um púcaro de barro ao qual se adapta um pedaço de pele de anho, retesada e solidamente atada, através da qual passa um junco que o executante fricciona por meio de um movimento de vaivém.» (Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, in "Portuguese Folk Music": vol. 4 - Alentejo, Strauss, 1998; "Música Regional Portuguesa": CD 5 - Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008) 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS - UMA SÓ HUMANIDADE

TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS - UMA SÓ HUMANIDADE

## No que respeita aos homens, nem o riso, nem as lágrimas, nem a indignação, mas apenas o entendimento [i.e.saber o porquê] (Espinosa) 

## Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. (...) De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela.(Karl Marx, in "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte")

## Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo.(Karl Marx)  

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Bocage em banda desenhada





Bocage em banda desenhada, por Maria das Mercês Mendonça Soares (texto)
e Manuel Ferreira (desenhos)
Camarada: nº 6, série 2, vol. 8, Março de 1965
in  Nesta hora

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Pepe Carvalho de Montálban - olhares

***

Pepe Carvalho i els llibres

Per tots es coneguda la primera relació entre Pepe Carvalho i els llibres: els crema. La relació, però, va més enllà, i en aquests més de trenta anys de coneixença dels nostre universal detectiu, hem après que Pepe Carvalho estima els llibres perquè en té, com els estima el seu creador Manuel Vázquez Montalbán.


El lector que s'acosta a la sèrie Carvalho aviat descobreix que les seves històries estan farcides de citacions bibliogràfiques —o referències intertextuals, que se'n diu ara—, perquè Manuel Vázquez Montalbán estima els llibres. I la Biblioteca la Bòbila no vol deixar passar l'oportunitat de conjugar la seva passió per la novel·la negra en general amb les aventures de Pepe Carvalho en particular, i ofereix als lectors una llista dels autors i títols que van apareixent al llarg de la sèrie, a manera de guia de lectura dels gustos i les obsessions de Vázquez Montalbán.

Pepe Carvalho i els llibres ens l'hem plantejat com una ullada fugaç a la biblioteca de Manuel Vázquez Montalbán. Evidentment no n'hem pogut retenir tots els autors, tots els títols, però ens ha servit per copsar el gruix dels seus interessos: la política, la poesia, la gastronomia, la novel·la, la filosofia... Perquè llegir un carvalho ajuda a saber quines són les obsessions del seu creador.

També hem demanat la col·laboració de quatre coneixedors de la sèrie carvalhiana, per a poder incloure textos inèdits sobre la relació de Carvalho amb els llibres i fer menys feixuga la lectura d'aquest opuscle. Tots quatre s'hi han avingut de bon grat i l'estimulant resultat el trobareu en aquestes pàgines.

Transversal pel que fa als gèneres, la sèrie Carvalho va iniciar-se amb una novel·la experimental de política ficció, va continuar amb un bon grapat de novel·les policíaques i polítiques i va acabar passant pel fulletó, el conte, el monóleg i l'humor. El resultat final de tot plegat és la crònica de la història d'amor de Vázquez Montalbán per Barcelona, de les transformacions que ha sofert la ciutat en aquests darrers decennis i de l'evolució de la societat espanyola des de la mort de Franco.

Ara per ara, com tots els carvalhistes, estem esperant la publicació de Milenio per veure quin serà el futur d'un detectiu que té com a programa de vida pagar els deutes i enterrar els morts. De moment, però, gaudiu d'aquesta proposta de lectura: els carvalhos i els llibres que hi surten citats. Llarga vida per a Pepe Carvalho!

Biblioteca la Bòbila
octubre 2003

Pepe Carvalho de Manuel Vázquez Montalbán

Pepe Carvalho es el protagonista de una serie de novelas y relatos de ficción escritos por Manuel Vázquez Montalbán.

El personaje

Carvalho es un atípico detective privado de personalidad rica, compleja y contradictoria, cuyas aventuras sirven al autor para retratar, y a menudo criticar, la situación política y cultural de la cambiante sociedad española de la última mitad del siglo XX. Por ejemplo, el proceso autodestructivo del Partido Comunista en los primeros tiempos de la transición se describe en Asesinato en el Comité Central, la caída del felipismo en los años noventa es el telón de fondo de El premio, o el discutido proceso de transformación de Barcelona con motivo de las Olimpiadas de 1992 está presente en Sabotaje Olímpico.
Carvalho es en su juventud (durante los años 50) militante del Partido Comunista de España y, de hecho, su activismo contra el régimen franquista le lleva a la cárcel. Después, desengañado sentimental e ideológicamente, cada vez más desencantado y siempre contradictorio, acaba ejerciendo durante cuatro años como agente de la CIA.
Hombre de vasta cultura, otro chocante rasgo de su personalidad es su cínica afición por condenar a la hoguera libros de su nutrida biblioteca desde comienzos de los años 70.
De origen gallego, Barcelona es su ciudad y, aunque es un gran viajero y muchas aventuras transcurren en otros lugares, la notoriedad del personaje ha dado a la capital catalana ese aire de ciudad literaria mítica que tanto aprecia él mismo en otras, como el Singapur de William Somerset Maugham.
La pasión gastronómica de Carvalho y su ayudante Biscuter es la de su creador, por lo que no faltan en las novelas apasionadas descripciones culinarias de los platos más diversos.
La saga tiene su punto final con la publicación póstuma de Milenio Carvalho, donde el protagonista, acompañado de su inseparable Biscuter, se autoimpone una última aventura en forma de vuelta al mundo que acaba convirtiéndose en una mirada amarga y melancólica sobre la situación sociopolítica mundial y el paso del tiempo.1

Adaptaciones a la pantalla

Diversas novelas y relatos protagonizados por Carvalho son adaptados para la televisión, sin excesivo éxito de crítica ni de público.2​ Primero es una serie de TVE protagonizada por Eusebio Poncela en los años ochenta, después otra, esta vez de producción hispano-argentina, que se cancela tras del primer episodio, con Juan Diego en el papel de Carvalho y, finalmente, dos series distintas, una italo-española de seis episodios y otra de sólo cuatro producida por las televisiones catalana, gallega y francesa, ambas protagonizadas por Juanjo Puigcorbé y con guion de Pedro Molina Temboury.
En cuanto al cine, cuatro son las películas realizadas:
Además, en 1985 se realiza la película Olímpicament mort directamente para el mercado televisivo (se estrenó en TV3 el 15 de octubre de 1986), donde Constantino Romero interpreta al detective y el propio Manuel Vázquez Montalbán es el narrador. La película cuenta con la dirección de Manuel Esteban, la colaboración en el guion de Jean-Claude Izzo y con las apariciones estelares del cineasta Pere Portabella y del escritor español de novela negra Andreu Martín.3

Obra

Manuel Vázquez Montalbán

Una desconocida que viajaba sin documentación
El barco fantasma
Pablo y Virginia
  • Historias de padres e hijosPlaneta, 1987
Desde los tejados
Buscando a Sherezade
Hice de él un hombre
  • Tres historias de amorPlaneta, 1987
Las cenizas de Laura
De lo que pudo haber sido y no fue
La muchacha que no sabía decir no
  • Historias de política ficciónPlaneta, 1987
Federico III de Castilla y León
La guerra civil no ha terminado
Aquel 23 de febrero
  • Asesinato en Prado del Rey y otras historias sórdidasPlaneta, 1987
Asesinato en Prado del Rey
Cita mortal en Up and Down
Jordi Anfruns, sociólogo sexual
El signo del Zorro
El hermano pequeño
La soledad acompañada del pavo asado (Cuento de Navidad)
El exhibicionista
Tal como éramos
El coleccionista
Puzzles (Dos homenajes a Agatha Christie)
1. El caso de la abuelita fusilada
2. El cofre de las tres joyas
Por una mala mujer
  • Roldán, ni vivo ni muertoPlaneta, 1994, ilustraciones de Alfonso Font
  • El premioPlaneta, 1996
  • Antes de que el milenio nos separe. Carvalho contra Vázquez Montalbán (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)
  • Quinteto de Buenos AiresPlaneta, 1997
  • El hombre de mi vidaPlaneta, 2000
  • Carvalho gastronómico, vols. 1 a 10Ediciones B, 2002 y 2003
  • Milenio Carvalho I. Rumbo a KabulPlaneta, 2004
  • Milenio Carvalho II. En las antípodasPlaneta, 2004
  • Cuentos negrosGalaxia Gutenberg, 2011
La muchacha que pudo ser Emmanuelle
Cuentos negros
Los kamikazes de la autopista
La viajera
La diosa desnuda
El caso del espía posmoderno
Pepe Carvalho en la ciudad de los espías y los héroes
Poética carvalhiana
Barcelona: la ciudad de Pepe Carvalho
¿Quién es el asesino?

Quim Aranda

  • Pepe Carvalho, una noticia biográfica I. El país de la infancia (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)
  • Pepe Carvalho, una noticia biográfica II. Viaje de ida y vuelta (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)
  • 101 preguntas sobre Carvalho. Test del perfecto carvalhista (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)

Otros

  • A Carvalho y Vázquez Montalbán. Dedicatorias I, varios autores (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)
  • A Vázquez Montalbán y Carvalho. Dedicatorias II, varios autores (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)
  • Un paseo visual, fotografías de escenarios de la serie (en Carvalho 25 años. Estuche conmemorativoPlaneta, 1997)

Referencias
  1. Volver arriba↑ Manuel Vázquez MontalbánSerie Carvalho, 25 volúmenes, Planeta, 1972-2004
  2. Volver arriba↑ Las páginas negras de Pepe Carvalho, Pepe Carvalho en la pequeña pantalla
  3. Volver arriba↑ Olímpicament mort: Carvalho y la metaficción
  4. Volver arriba↑ Barcelona Cultura, El escritor Andreu Martín gana el premio Pepe Carvalho, Ajuntament de Barcelona, 2011
  5. Volver arriba↑ Rosa Mora. Petros Márkaris gana el VII Premio Pepe CarvalhoEl País, 03.10.2011; acceso 01.11.2011
  6. Volver arriba↑ Premio Pepe Carvalho: Maj Sjöwall, la dama del policial
Enlaces externos

https://es.wikipedia.org/wiki/Pepe_Carvalho

Guía Turística de Barcelona
Guía de Barcelona >  Rutas Por Barcelona >  La Ruta de Pepe Carvalho


Curiosamente, una de las rutas menos conocidas en Barcelona es también una de las más significativas. Sobre todo, para los aficionados a la literatura y, en concreto, a uno de los escritores de mejor letra en el panorama español: Manuel Vázquez Montalbán. El escritor falleció en octubre de 2003, pero sus libros y los personajes que creó siguen presentes en ciudades como Barcelona.

Entre todos ellos, el detective Pepe Carvalho fue uno de los que creó escuela. Sus correrías por la ciudad y los lugares que el personaje (y el propio Vázquez Montalbán) frecuentaron han dado lugar a una ruta que hoy podemos seguir todos los que nos movemos por Barcelona.

Para no perderse ni un detalle del itinerario lo mejor es comenzar en la Rambla, justo a la altura de la Plaça Catalunya. El lugar más indicado para encontrarse con alguien en este punto y al que nos sabrá guiar cualquiera al que preguntemos es la Fuente de Canaletes. No se trata de un monumento en sí, pero los barceloneses la han convertido en una parte popular de la ciudad y es prácticamente imposible encontrar a alguien que no la conozca.

Muy cerca, bajando la Rambla a la derecha, se llega al Mercat de la Boqueria. Es el mercado más grande de España y en Barcelona, toda una institución en su género. No sólo destaca por la cantidad de productos que ofrece, sino por su ambiente (una rara mezcla entre lo popular y lo exótico), sus colores y sus olores. La Boqueria fue una constante en las andanzas del detective Pepe Carvalho, ya que tanto el personaje en la ficción como Vázquez Montalbán en la realidad, eran unos asiduos del bar Pinocho. El establecimiento todavía se encuentra dentro del mercado y, aparte de la fama que le han reportado los libros del escritor, su numerosa clientela está más que justificada.
Las aventuras de Pepe Carvalho se desarrollaban, entre otros lugares, en el barrio del Raval. Hasta el mismo Carvalho, al que nada parecía sorprenderle, miraría el barrio con otros ojos al ver cómo ha evolucionado en los últimos años. Es uno de los mejores ejemplos de la mezcla étnica, racial y cultural de Barcelona, donde parece que tiene cabida todo tipo de público. Se extiende a la derecha de la Rambla y la calle Pintor Fortuny, en la que hace esquina el hotel Le Meridien, puede ser un buen punto de partida.

Para seguir el itinerario hay que continuar por la Rambla, pero justo en su margen izquierda. Después de pasar la calle Ferran unos arcos anuncian la entrada de la Plaça Reial. Es el lugar perfecto para los que buscan la mezcla de ambientes, ya que tanto por el día como por la noche, el público de la plaza es de lo más heterogéneo. El bar Glaciar, uno de los muchos que se encuentran bajo los típicos porches de la plaza, también apareció en las entregas de Montalbán y también hoy es uno de los clásicos bares en los que tomar la primera copa... o alargar la noche.

Desde aquí, en dirección a Via Laietana, es muy fácil entrar en el barrio de la Ribera. Igual que el Raval, su transformación urbanística y cultural en los últimos años ha sido muy llamativa. Entre los diferentes espacios que se pueden visitar, el Espai Brossa es uno de los más adecuados para los que busquen una de las carteleras teatrales más alternativas de la ciudad.

La ruta acaba en el restaurante Casa Leopoldo, en la calle Sant Rafael, número 23. Sin duda, es el lugar más representativo de las correrías de Carvalho y son muchos los que se acercan al lugar tan sólo para verlo en persona después de haberlo imaginado en las novelas de Montalbán. Al Casa Leopoldo no le ha hecho falta el reconocimiento de guías gastronómicas (que también lo tiene) para hacerse un hueco entre los mejores restaurantes de la ciudad. Incluso, dicen que para asegurarse de que nos van a servir lo mejor de lo mejor hay que mencionar una consigna: "Vengo de parte de Pepe Carvalho y pueden ustedes ponerme lo que quieran". El acierto está asegurado, así que lo mejor es probarlo.


https://web.archive.org/web/20070312035823/http://www.bcninternet.com/es/touristinfo.php?contentid=504