D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
(75) Junta a tua à nossa voz e o sol brilhará para todos nós
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
(74) 'Imprensa e Jorna/istas' nas paredes
A rua, enquanto palco ou arena, funcionou nos anos subsequentes ao 25 de Abril como complemento ou alyernativa à imprensa de papel . Nos registos que aqui apresento, a imagem é o ponto de partida para observar esta relação entre o papel e o reboco, dividida em três eixos:
1. A memória dos jornalistas e dos jornais na cidade
A arte urbana contemporânea tem servido para eternizar figuras que fizeram da palavra a sua ferramenta de trabalho. É o caso de Fialho de Almeida, cronista e polemista incontornável das letras portuguesas, lembrado em murais em Setúbal, ou de Mário Zambujal, nome maior do jornalismo desportivo e generalista, homenageado no mural da Estrada de Benfica, em Lisboa. São registos que ligam a memória de quem viveu o jornalismo à presença física e perene na cidade.
2. O jornal partidário como palavra de ordem
No calor do PREC, o jornal de partido deixou de ser apenas algo que se comprava na banca para passar a ser algo que se lia no muro.
O Avante!: Mural de 1977 que celebrava a publicação e a festa do jornal do PCP, provando a força desta imprensa na ocupação simbólica da cidade.
O Grito do Povo: As imagens da UDP (na Ajuda ou na Rua de S. Jorge, entre 1975 e 1976) mostram o apelo direto: "Lê e discute com os teus camaradas". O mural funcionava como uma "primeira página" de rua, mobilizando e / ou alertando para temas políticos.
3. Os "Jornais de Parede": a imprensa de base
Os 'jornais de parede' são outra faceta da "imprensa de rua", como em Alcácer do Sal e Mora. Forças políticas (como a UDP e o PCP) afixavam comunicados, palavras de ordem e notícias – como o apelo "Vingaremos Catarina, a terra a quem a trabalha", com alertas e palavras de ordem, criando uma rede informativa alternativa aos jornais de papel.
Estes registos fotográficos são o que resta dessa imprensa efêmera. Pintada à escova, colada com cola de farinha ou gravada na memória urbana, ela continua a contar a história de um tempo em que os muros também eram, de facto, jornais.
Nos dias de hoje, em que a imprensa em papel é marginalizada pelas edições on line e redes sociais, os garfitos, mais ou menos elaborados, mais ou menos artísticos. são a nova expressão dos 'jornais de parede' nos anos da pré-revolução.
(73) Grito(s) urbano(s) 02 - a polis
Se os primeiros 'Grito(s) urbano(s)' regsitam o confronto direto com a autoridade, esta nova publiaçao da série Letras na "Arte Urbana" volta a tinta para as entranhas da própria pólis: a forma como é gerida, a violência do seu crescimento e as feridas sociais de quem a habita.
As paredes transformam-se num manifesto coletivo sobre o direito à cidade, desdobrando-se em vários eixos de reflexão:
A crítica ao urbanismo desumano e à betonização: Mensagens como "E tudo o cimento levou...", "Urbanizar não é desumanizar" e "Existe vida debaixo do cimento" denunciam a perda do espaço verde e da escala humana para a especulação e a construção desenfreada. A cidade surge como um corpo sufocado que clama por respirar.
A denuncia da desigualdade e da pobreza: A pólis não trata todos por igual, e a parede lembra-o sem rodeios — "Não deixes que a pobreza se torne uma rotina" e "Pior que a pobreza é a injustiça". A falta de habitação e a precariedade ecoam na reivindicação direta e vernacular: "QERO CASA COM BONES".
A estética e a identidade da cidade: A reação à degradação do espaço urbano manifesta-se no grito "Não podemos fazê-lo bonito quando a cidade é feia", enquanto no topo de uma fachada em ruínas a marcação "CIDADE REBELDE" assume a resistência da rua frente ao abandono.
Os afetos e as fraturas da convivência: Entre pedidos de desculpa íntimos e rasurados e apelos de cariz ético — "Que o amor suplante o ódio plantado nos nossos corações" —, a parede regista também o desgaste das relações humanas no espaço público.
A presença constante dos writers: A juntar à mensagem política e social, a marcação de território permanece viva com as assinaturas de quem ocupa os muros do quotidiano, como o piece "FOME" que volta a marcar presença na fachada.
Da crítica ao cimento à exigência de justiça social, a parede deixa de ser apenas betão para se afirmar como a verdadeira ágora moderna: o lugar onde a pólis se pensa, se indigna e exige o seu futuro.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
(72) Grito(s) urbano(s) 01 - a bófia
Letras na Arte Urbana: Quando as Paredes Falam (e Protestam)
A rua é a galeria mais democrática do mundo, mas é também o seu espaço de debate mais cru. Na transição do traço figurativo para a palavra escrita, a street art deixa de ser puramente estética para se tornar intervenção, manifestação e ruído. No ecossistema gráfico das nossas cidades, poucos alvos atraem tanta tinta — e tanto consenso na rejeição — como a autoridade policial.
Nesta edição da série Letras na "Arte Urbana", reunimos quatro registos de rua que abordam o mesmo tema sob perspetivas, linguagens e graus de elaboração visual completamente distintos:
Da poesia libertária: A antítese poética e luminosa que pede "Mais Sol, Menos Polícia", trocando a vigilância pelo espaço público aberto e comunitário.
Ao manifesto global: A apropriação do slogan universal "Fuck the Police", imortalizado pelo hip-hop dos N.W.A em 1988, demonstrando como a cultura urbana importa e traduz hinos de protesto internacionais para os muros locais.
À gíria das ruas: O calão cru e direto de "Fuck Chibos e Bofia", onde a rejeição da autoridade se cruza com o código de conduta do próprio bairro.
Ao grafito elementar: O insulto gráfico e visceral, reduzido ao símbolo obsceno e à palavra "Bofia", na sua forma mais pura de vandalismo e marcação de território.
Da caligrafia cuidada ao tag apressado a spray, estes quatro registos mostram como a palavra escrita nas paredes oscila entre a crítica social, o hino de contracultura e o desabafo imediato. (Gemini)
A introdução marcante da faixa estabelece o cenário do tribunal:
"Right about now, N.W.A. court is in session"
"Judge Dre presiding"
"Fuck the police coming straight from the underground"
— N.W.A, "Fuck tha Police"
domingo, 9 de agosto de 2026
(71) Curvo Semedo; A Bocage (Tu, que o nume divino e a mente erguida)
Soneto de Curvo Semedo a
Bocage
Tu, que o nume divino e a mente
erguida
Têm no Parnaso em posto tão
supremo,
Ó Elmano, por quem choro e por
quem temo,
Na tempestade d'esta incerta
vida;
Se a sorte te persegue
encarniçada,
E te faz experimentar o golpe
extremo,
Ouve Jalmiro, que no amor que me
mo,
Te dá a alma em amizade
consagrada.
Que importa que a fortuna te
combata,
Se as Musas te coroam de imortais
Louros que o tempo e a morte não
desfazem?
Vive, ó Elmano, e em tuas rimas
tais,
Mostra à turva multidão cega e
ingrata
Como os génios do Sado a glória fazem!
(70) Nicolau Tolentino — A Bocage (Bocage, cujo engenho o mundo admira)
Nicolau Tolentino — A Bocage
Tolentino (1740 / 1811) , mestre da sátira e do retrato de costumes do século XVIII, manteve um diálogo poético acutilante e bem-humorado com o jovem Bocage.
Bocage, cujo engenho o mundo
admira,
Que em rimas fluídas, fáceis e
sublimadas,
Vês as musas do Tejo encantadas
Ouvir o som da tua áurea lira;
Se a inveja contra ti seu dardo
atira,
E as mentes vis, de raiva
perturbadas,
Querem ver tuas glórias
eclipsadas
Com a cega fúria com que o vulgo
gira:
Despreza o ganido dessa matilha
insana,
Que a fama, que os teus versos te
assegura,
Não se apaga com sopro de áurea
vã;
Segue o teu rumo, ó génio da
pintura,
Que a glória do teu nome,
sobre-humana,
Há-de vencer o tempo e a
sepultura.
(69) Jorge Castro - Soneto a Bocage (Truculento e vivaz a pena empunha)
Truculento e vivaz a pena empunha
Acutilante do nariz às
estribeiras
Zurze agreste as lusas pepineiras
Ao poltrão ferrabrás come-o à
unha
Com mão direita o vate se desunha
Prosápias vergastando e
caturreiras
Enquanto afaga cru pobres
rameiras
À esquerda do afecto a que se
impunha
Debochado ordinário e vil até
Eis Bocage todo inteiro e
contumaz
Desvairante num bordel ou num café
E veremos pelos poemas que nos
faz
Perversos ou amargos de outra fé
(68) 'A Morte de Bocage' (fado) (Na noite escura, no quarto calado)
. Letra do Fado "A Morte
de Bocage"
Na noite escura, no quarto
calado,
Apaga-se a vela, fecha-se o
olhar,
Morre o Poeta que viveu em fado,
Que fez do verso a forma de amar.
Já não há rimas de riso e sátira,
Cumpriu-se a hora do seu destino,
Chora Setúbal, chora a sua
pátria,
A partida triste de Elmano
Sadino.
A pena caindo da mão cansada,
O livro aberto no último verso,
A alma livre, da dor libertada,
Vai procurar o seu universo.
Passam os anos, passa a memória,
Mas na calçada de noites sem fim,
Fica Bocage gravado na história,
Cantado em fado e em tom menor
assim.
~~~~~~ooo0ooo~~~~~~
Relativamente à letra do fado "A
Morte de Bocage" pertence à tradição
oral do fado vadio e de fado de coimbra/lisboa.
No fado e na música popular portuguesa, a figura de Bocage surge frequentemente humanizada, boémia e trágica. O fado "A Morte de Bocage" (revisitado por vários fadistas e gravado em registos históricos do fado de Coimbra e de Lisboa) canta os seus últimos momentos e o contraste entre a sátira e a morte.
Na história do fado, muitas destas composições de tom descritivo e memorialista sobre figuras históricas não têm um autor individual registado nas plataformas modernas. São tidas como domínio público / fado tradicional (frequentemente cantadas na estrutura do Fado Menor ou Fado Cravo). (Gemini)
(67) Tomás Ribeiro - 'Epitáfio a Bocage' (Aqui jaz quem da vida fez brinquedo)
. "Epitáfio a
Bocage", de Tomás Ribeiro
(1831 / 1901)
Aqui jaz quem da vida fez
brinquedo,
Quem rindo da ilusão chorou a
sério;
Quem não teve do mundo nem do
medo
A chave de fechar o seu mistério.
Aqui jaz o Poeta da tristeza,
Que o amor cantou em notas de
amargura;
Quem teve por rainha a Natureza,
E por abrigo esta caverna escura.
Passante, que de longe o nome
escutas
Do grande Elmano que aqui jaz
desfeito,
Se pelas mesmas dores também
lutas,
Deixa uma lágrima caindo no seu
peito,
E diz chorando à terra que o
encerra:
"Nunca tal alma se encontrou
na terra!"
~~~~~~ooo0ooo~~~~~~
(66) Victor Nogueira - Auto-retrato em passatempo
A escultura de João Limpin intitulada Plano-Sequência representa um autocarro articulado em tamanho real, integrado na paisagem urbana na Avenida Belo Horizonte, na zona do Forte da Bela Vista / Bairro Azul, em Setúbal.
(65) Bocage - A frouxidão no amor é uma ofensa
(64) António Feliciano de Castilho - 'A Bocage' (Génio que em fogo e luz te desataste)
. "A Bocage", de
António Feliciano de Castilho
(1800 / 1875)
Génio que em fogo e luz te
desataste,
Rindo e gemendo em versos
d’harmonia,
Que a dor das paixões todas
provaste,
E em tudo quanto tocaste puseste
poesia!
Na pátria onde o talento por
desgraça
Tantas vezes encontra a
sepultura,
Tu passaste a sorrir, como quem
passa
Por entre as sombras de uma noite
escura.
Curvaste a fronte ao peso da
injustiça,
Mas na memória viva te quedaste;
A boca que escarnece e que cobiça
Não calou o cantar que nos
deixaste.
Dorme em paz, ó Poeta! A tua
glória
Não no-la rouba o tempo nem a
sorte;
Ficou teu nome impresso na
História,
Triunfante da vida e também da morte
(63) Filinto Elísio: 'A Bocage' (Grato às Musas, de Elmano a mente ufana)
"A Bocage", de
Filinto Elísio
(1734 / 1819)
Grato às Musas, de Elmano a mente
ufana
Voo toma aos espaços do Infinito;
Não curva o colo ao cego e torpe
rito,
Nem a cerviz ao jugo que o
desmana.
Na Lira acorda a voz, que a alma
humana
Desperta do torpor em que tem
jazito;
E em notas de ouro, em número
prescrito,
A virtude celebra e o vício dana.
Se a inveja o morde, se a calúnia
o assalta,
Canta mais alto, e no seu canto
puro
A pátria ilustra, a língua Lusa
exalta.
Vive, ó Mago do verso, e no
futuro
Teu nome ressoe em cima do altar
Onde a Glória te vem coroar!
(62) Ary dos Santos - AO MEU FALECIDO IRMÃO MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE
Meu sacana de versos! Meu vadio.
Fazes falta ao Rossio. Falta ao Nicola.
Lisboa é uma sarjeta. É um vazio.
E é raro o poeta que entre nós faz escola.
Mastigam ruminando o desafio.
São uns merdosos que nos pedem esmola.
Aos vinte anos cheiram a bafio
têm joanetes culturais na tola.
Que diria Camões nosso padrinho
ou o Primo Fernando que acarinho
como Pessoa viva à cabeceira?
O que me vale é que não estou sozinho
ainda se encontram alguns pés de linho
crescendo não sei como na estrumeira!
(61) De 'Já Bocage não sou!' a 'Era eu Bocage!'
Numa caixa de eletricidade decorada nas ruas de Setúbal, a figura do poeta surge acompanhada pelas datas do seu falecimento (1805) e da intervenção (2014), juntamente com a afirmação: «ERA EU BOCAGE!».
Esta inscrição na rua contradiz frontalmente o tom da célebre trilogia de sonetos da agonia, escrita pelo poeta no leito de morte, onde ele renegava a sua faceta libertina e pedia para esquecerem a sua persona satírica.
(60) Fialho de Almeida e a Garra de Os Gatos
Fialho de Almeida e a garra de Os Gatos
Na Rua Fialho de Almeida, em Setúbal, a secção do mural dedicada ao escritor eborense destaca a sua imagem ladeada pela estampa do jornal Diário Regional e pelas silhuetas de dois gatos. A referência evoke diretamente Os Gatos (1889-1894), a sua obra mais célebre e uma das mais acutilantes coletâneas de panfletos de crítica social e política da literatura portuguesa.
Tal como o animal que lhe dá nome, a escrita de Fialho de Almeida em Os Gatos caracteriza-se pelo olhar felino, agudo e noturno sobre as mazelas da sociedade da época. Com uma prosa incisiva e satírica, o autor "arranha" as instituições, a moral vigente e o poder político, utilizando a literatura como uma ferramenta de intervenção pública e combate cívico.
Este painel integra um conjunto em curva e declive na mesma artéria, onde são também homenageados Ramalho Ortigão e Humberto Delgado. (Gemini)
sábado, 8 de agosto de 2026
(59) Ramalho Ortigão e a ética de As Farpas
Ramalho Ortigão e a ética de As Farpas
Integrado no mesmo conjunto mural da Rua Fialho de Almeida, em Setúbal, o retrato de Ramalho Ortigão surge acompanhado por um excerto inscrito sobre um pergaminho. A citação pertence à emblemática obra As Farpas, a célebre publicação mensal de crítica social e política criada em 1871 em colaboração com Eça de Queirós.
"Ninguém é grande ou pequeno neste mundo pela cadeira em que se senta. Por mais gloriosa ou obscura que seja a categoria em que a sorte nos coloque, a importância da nossa vida depende do valor dos actos que praticamos e da utilidade das ideias que difundimos e comunicamos."
O trecho reflete o pensamento ético do autor e da Geração de 70: uma defesa do mérito individual e do civismo, lembrando que a verdadeira relevância de uma figura pública não provém do cargo formal, mas do impacto real e da utilidade das suas ideias.
Este segmento faz parte de uma obra coletiva dedicada à memória crítica e libertária, partilhando o espaço com os murais de Fialho de Almeida e do "General sem Medo", Humberto Delgado. (Gemini)
Para ver o registo integral do mural nesta rua de Setúbal ,ver Murais e grafitos em Setúbal 96 - Rua Ramalho Ortigão
(58) Friedrich Nietzsche - 'No Love, No Law'
Aqui estão as passagens mais alargadas no seu contexto original, retiradas diretamente das obras de Friedrich Nietzsche:
1. Para Além do Bem e do Mal (1886)
Seção IV: Epigramas e Intermédios — Aforismo 153
«Das que se fazem por amor acontecem sempre para além do bem e do mal. O amor verdadeiro transcende as valorações morais comuns da sociedade, pois não obedece a mandamentos externos nem à coação da lei; a sua própria natureza constitui a sua única e suprema legislação.»
(Nota: O aforismo 153 na sua formulação mais célebre e direta lê-se: «O que se faz por amor acontece sempre para além do bem e do mal.»)
2. Assim Falava Zaratustra (1883–1885)
Terceira Parte — «Das Velhas e Novas Tábuas», Capítulo 2
«Aqui estou eu e espero; rodeado de velhas tábuas quebradas e também de novas tábuas meio escritas. Quando virá a minha hora? — a hora do meu declínio e do meu declive: pois quero ir mais uma vez para junto dos homens...
Pois os homens assim o querem: e quem quer que deva ser um criador no bem e no mal tem de ser, em verdade, um destruidor primeiro e quebrar valores. Assim, o maior mal pertence à maior bondade: mas esta é a criadora.
Rompamos, rompamos as velhas tábuas, meus irmãos!»
3. A Gaia Ciência (1882)
Livro Terceiro — Aforismo 116: Herdado de novo
«Onde quer que encontremos uma moral, encontramos uma avaliação e uma hierarquia dos impulsos e das ações humanas. Estas avaliações e hierarquias são sempre a expressão das necessidades de uma comunidade e de um rebanho: aquilo que lhe é útil em primeiro lugar — e em segundo e terceiro — é também o padrão supremo para o valor de todos os indivíduos. Com a moral, o indivíduo é ensinado a ser função do rebanho e a atribuir valor a si próprio apenas enquanto função. Como as condições de preservação de uma comunidade foram muito diferentes das de outra, existiram morais muito diferentes; e considerando as transformações essenciais que os rebanhos e as comunidades, as nações e os Estados ainda têm de sofrer, pode profetizar-se que haverá ainda morais muito divergentes. A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo.»
Na perspetiva nietzschiana, "No Love, No Law" lê-se como a recusa de uma ordem moral externa que não nasça do próprio indivíduo ou da paixão vital. (Gemini)
(57) DO ART... NOT WAR!
DO ART... NOT WAR!
A expressão "DO ART... NOT WAR" (ou na sua forma mais comum "MAKE ART, NOT WAR") pode ser ligada a várias referências culturais, literárias e musicais.
As principais ligações incluem:
1. Origem Literária e Slogan Pacifista (Counterculture)
"Make love, not war": O slogan "Do Art, Not War" é uma variação direta da famosa palavra de ordem dos anos 60, popularizada durante os protestos contra a Guerra do Vietname.
Herbert Marcuse e a Literatura da Contracultura: Embora a autoria do slogan original seja atribuída a figuras como Gershon Legman e Diane DiPrima, autores e filósofos da época (como Marcuse na obra Eros e Civilização) defenderam a transformação da pulsão destrutiva (Thanatos) em criação e arte.
2. Ligações Musicais
A antítese entre Arte/Música e Guerra é um dos temas mais recorrentes da música de protesto:
John Lennon & Yoko Ono – "Give Peace a Chance" e "Imagine": A filosofia do "Bed-In" e o manifesto pacifista de Lennon pregavam que a expressão artística e o ativismo cultural eram as principais armas contra a violência militar.
Movimentos Punk e Hip-Hop: A frase "Make Art, Not War" e as suas variações tornaram-se lemas em centenas de canções, mixtapes e manifestos musicais do movimento DIY (Do It Yourself), onde o ato de criar arte e música é visto como uma forma direta de resistência à destruição.
3. Arte Urbana e Visual (Shepard Fairey)
A expressão foi imortalizada no mundo da street art pelo artista Shepard Fairey (OBEY) na sua célebre obra gráfica e mural intitulada "Make Art Not War", criada como um cartaz de protesto contra a Guerra do Iraque e posteriormente reproduzida em murais por todo o mundo. (Gemini)





L%C3%AA%20e%20discute%20%20com%20os%20teus%20camaradas%20%20o%20jornal%20comunista%20%20%20O%20Grito%20do%20Povo.jpg)
%20%20%5BUDP%5D%20Contra%20a%5D%20USA%20CIA%20%20O%20Grito%20do%20Povo%20%20jornal%20comunista.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)


