D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Do centro-esquerda aos anarquistas: por dentro das Acampadas de Lisboa e do Porto
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Manuel da Fonseca - Domingo
Manuel Gusmão - AO ENCONTRO DO ENCONTRO
Manuel António Pina - Como se desenha uma casa
(109) - Mao Zedong e Ho Chi Minh
A inscrição do mural laociano — «A relação entre o exército e o povo é como a do peixe com a água» — recupera uma das metáforas centrais das doutrinas de mobilização popular do Sudeste Asiático e da Ásia Oriental. Formada conceptualmente por Mao Zedong (1937) e adaptada e popularizada no Sudeste Asiático por Hồ Chí Minh (1951), a fórmula expressa a dependência umbilical entre as forças armadas e a população civil, tendo sido absorvida como lema oficial pelo Pathet Lao no Laos.
Quando as tropas de guerrilha tentam isolar-se do povo ou desrespeitar os seus interesses, tornam-se como um peixe fora de água — a sua sobrevivência torna-se impossível e a derrota é inevitável. Apenas através de uma disciplina rigorosa, do respeito pelas populações locais e de uma causa comum se garante a simpatia e o apoio ativo das massas, indispensáveis à vitória.»
Hồ Chí Minh utilizou repetidamente esta mesma analogia e princípios semelhantes nos seus escritos políticos e militares dedicados à guerra de guerrilha e à mobilização do povo vietnamita (nos movimentos contra os franceses e, mais tarde, contra os americanos).
Embora a formulação sistemática mais famosa da metáfora «o exército é o peixe e o povo é a água» seja frequentemente atribuída a Mao Zedong (pela proximidade ideológica e estratégica da altura), os líderes vietnamitas — incluindo Hồ Chí Minh e o General Võ Nguyên Giáp — adotaram-na e integraram-na plenamente no vocabulário político do Vietname.
Hồ Chí Minh utilizou repetidamente esta mesma analogia e princípios semelhantes nos seus escritos políticos e militares dedicados à guerra de guerrilha e à mobilização do povo vietnamita (nos movimentos contra os franceses e, mais tarde, contra os americanos).
Em vários discursos, directrizes e escritos reunidos nas suas obras completas (focadas na Guerra do Povo e na Unidade Nacional), Hồ Chí Minh sublinhava constantemente que as forças armadas revolucionárias nascem do povo, lutam pelo povo e só sobrevivem com o apoio incondicional das massas populares, usando exatamente esta imagem orgânica da ligação vital entre combatentes e população.
Huấn thị (Directiva / Discurso) pronunciado na Conferência de Balanço da Campanha da Rota nº 18, publicado a 4 de Maio de 1951 (Obras Completas de Hồ Chí Minh):
«O povo é como a água e o exército é como o peixe. É preciso agir de forma a que o povo ajude as forças armadas com todas as suas forças; só assim seremos capazes de derrotar o inimigo.
O nosso exército vem do povo e luta pelo povo. O exército e o povo são como o peixe e a água: unidos por um só coração, aprendendo e ajudando-se mutuamente. O povo é a base e o sustento dos soldados. Se o exército se afastar do povo, perde a sua força e a sua razão de ser.»
António Santos - Se isto é uma democracia
Margarida Botelho - «Só queria os pais menos cansados»
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Prabhat Patnaik - A guerra do neofascismo contra a educação
Manuel Loff - A “guerra civil”
domingo, 1 de novembro de 2026
El Hadj Mohamed Brahim - A extrema-direita na Europa: quando a ira social é desviada
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Luís Aguiar-Conraria - Capangas do ministro?
Miguel Sousa Tavares - Bloqueados
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Vasco Cardoso - As imagens de Paris e Lisboa e o desejo mediático pelo “confronto”
Ricardo Araújo Pereira - Os perigosos cabeças-rachada
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Ricardo Graça - Quem controla a informação em Portugal
Manuel Brito - AGITADORES PROFISSIONAIS. QUEM SÃO E QUEM LHES PAGA?
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Manuel Brito - A MANOBRA DE DIVERSÃO E A LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO
Ana Sá Lopes - Está em causa o normal funcionamento da democracia
Daniel Oliveira - Brasil: o fator Janones
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Gorka Castillo - Espanha - Homem criado por lobos mais de uma década morreu aos 80
Marcos conservou até ao fim um olhar limpo, quase infantil, e uma capacidade de deslumbramentoFoto D.R.
Marcos
Rodríguez Pantoja foi adotado por uma alcateia em criança após
a morte do pastor com quem vivia na serra Morena
Gorka
Castillo em Madrid
Conhecido como
“o menino-lobo da serra Morena”, Marcos Rodríguez Pantoja morreu no domingo aos
80 anos, deixando para trás uma das histórias mais extraordinárias, e
dolorosas, da Espanha atual. Foi adotado por uma alcateia em criança e conviveu
com os lobos, em completo isolamento da civilização, durante mais de uma
década. A sua insólita biografia, marcada pelo abandono familiar, pela
sobrevivência numa das zonas mais agrestes da Península Ibérica e pelas enormes
dificuldades que teve para se reintegrar socialmente depois de ser encontrado
por uma patrulha da Guarda Civil num lugar recôndito, tornou-o um chamariz para
o estudo científico e protagonista de reportagens, de documentários e até de um
filme.
Nascido a 7 de
junho de 1946 na pequena aldeia cordovesa de Añora, chegou ao mundo em pleno
pós-guerra espanhol e num ambiente de extrema pobreza. A mãe morreu no parto do
oitavo filho e o pai voltou a casar-se com uma mulher que, segundo os
testemunhos do próprio Marcos, o submetia a maus-tratos constantes. A parte
mais dura da história começou quando, ainda criança, a família se mudou para
uma aldeia de Ciudad Real para combater a fome e a penúria impostas pela
ditadura. Foi ali que o pai decidiu vendê-lo a uns proprietários da serra
Morena, que o enviaram para viver com um velho pastor de cabras numa gruta em
plena montanha. Com aquele idoso aprendeu o imprescindível para subsistir em
condições extremas: a fazer fogo, a reconhecer plantas, a cuidar de cabras, a
procurar água e alimento.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
NEPE - Debate 'Pensar a Esquerda'
Pedro Nuno e João Ferreira trocam culpas na "pior fase das esquerdas": há caminho comum, mas “há somas que não são de somar”
Pedro Nuno
Santos, Isabel Mendes Lopes, João Ferreira e Andreia Galvão participaram em
debate que fez autópsia à situação da esquerda, com trocas de culpas entre
antigos parceiros na habitação e sobre Lisboa
Cláudia Monarca
Almeida (Jornalista)
O debate foi
“em família”, mas como em todas as famílias teve os seus arrufos, sobretudo
entre os antigos parceiros da “geringonça”. Da habitação aos “constrangimentos”
provocados pela União Europeia e à “luta desigual” com os algoritmos, Pedro
Nuno Santos (PS), Isabel Mendes Lopes (Livre), João Ferreira (PCP) e Andreia
Galvão (BE) estiveram esta quarta-feira na Faculdade de
Direito da Universidade de Lisboa para “Pensar a Esquerda” e debater o
presente e o futuro de um campo político em “crise profunda”.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
José Pacheco Pereira - O VERBO DO ÓDIO
* José Pacheco Pereira
A melhor maneira de perceber o modo como pensam (embora chamar pensar seja um exagero) os homens e mulheres que hoje empurram a extrema-direita em Portugal são as redes sociais e os comentários não moderados. Respondo já a quem diz que o mesmo se passa do outro lado do espectro político – não é verdade, porque há uma enorme diferença de proporção. Há, de facto, mecanismos se afiguram parecidos, insultos, argumentos ad hominem, agressividade verbal, mas, para cada 100 de extrema-direita, há um da extrema-esquerda, e isso permite caracterizar este fenómeno como sendo um revelador significativo do populismo radical da direita.
José Pacheco Pereira - Os cristãos cruéis
José Pacheco Pereira - A destruição da Assembleia da República
Maria J. Paixão - Sobre a violência e a esquerda
* Maria J. Paixão
19 de outubro 2026 -
Rita Matias quis fazer crer que a forma violenta da intervenção nos espaços da AAC foi um meio para alcançar o fim nobre de defender a liberdade de expressão e a democracia. A verdade é que a invasão foi fim em si mesma: uma demonstração de força perpetrada pelos fortes sobre os mais fracos.
A invasão da sede da Associação Académica de Coimbra e, em particular, dos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra por militantes do Chega foi mais um episódio circense como tantos outros a que o partido já nos foi habituando. Sendo evidente que assistimos a uma manobra de diversão, destinada a obscurecer o conluio do partido de Ventura com o governo a respeito da alteração da lei do arrendamento, a justificação apresentada e algumas reações à esquerda merecem reflexão mais aprofundada.
domingo, 18 de outubro de 2026
(108) Amílcar Cabral - "Libertação Nacional e Cultura"
O ensaio / conferência "Libertação Nacional e Cultura" (La libération nationale et la culture), proferido por Amílcar Cabral a 20 de fevereiro de 1970 na Universidade de Syracuse, é um texto longo e estruturado. Embora não seja possível reproduzir aqui o ensaio de dezenas de páginas na íntegra, os seus pontos fundamentais e passagens estruturais centrais assentam nas seguintes premissas teóricas fundamentais:
Resumo dos Eixos Centrais de "Libertação Nacional e Cultura"
A Cultura como Fundamento da Resistência:
Cabral defende que a dominação colonial visa essencialmente a destruição ou a peiorização da identidade cultural do povo oprimido. O colonialismo só se mantém se conseguir convencer os colonizados da sua inferioridade cultural.
Por isso, a luta de libertação nacional só é genuína e duradoura se for um ato de regresso à fonte cultural própria e de afirmação da dignidade histórica do povo.
A Cultura como Força Motriz (Fator de Cultura):
A cultura não é apenas um património estático ou um conjunto de tradições folclóricas do passado; é uma força dinâmica em permanente evolução.
Durante a luta armada ou o processo político de emancipação, o povo transforma-se, superando divisões tribais ou regionais e criando uma nova cultura nacional unificada.
A Relação entre Movimento de Libertação e as Massas:
Amílcar Cabral insiste que os quadros revolucionários e os intelectuais devem "morrer enquanto classe" para renascer com as aspirações reais das massas trabalhadoras (camponeses e operários), que são os verdadeiros portadores e criadores da cultura nacional.
sábado, 17 de outubro de 2026
São José Almeida - Pedro Passos Coelho, a tentativa de golpe interno e o fim do PSD
A entrevista
feita por Maria João Avillez ao antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho,
na SIC Notícias, no domingo passado, não me surpreendeu. Na minha opinião, foi
até um momento político confrangedor. Com a convicção com que sempre defende as
suas posições, Pedro Passos Coelho deu um passo em frente na possibilidade de
se voltar a candidatar à liderança do PSD. Um comportamento que, associado às
críticas que teceu ao actual primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro,
surgiu como um abrir de portas a uma tentativa de golpe de Estado interno no
PSD.
Numa
surpreendente declaração sobre a sua vontade de voltar ao poder executivo,
Pedro Passos Coelho tentou defenestrar o actual chefe do Governo: “Se eu
tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, isso teria de corresponder a
uma situação em que o PSD visivelmente não tivesse a possibilidade de entregar
um resultado satisfatório face àquilo que o país precisa e de eu achar que eu o
poderia fazer. E, se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei uma
iniciativa, se for caso disso.”
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Hugo Dionísio - A inteligência artificial que (não) queremos!
As opiniões dividem-se profundamente sobre o que será o
trabalho sob o domínio da Inteligência Artificial. Entre os que dizem que não
sobrará trabalho algum e os que dizem o contrário, temos opinião para todos os
gostos. Será que a legislação existente está adaptada? Será que o trabalho
«tradicional» é compatível com a Inteligência Artificial?
Ora, é opinião consolidada que o modelo de trabalho mais
paradigmático nesta matéria será o das «plataformas informáticas».
Consequentemente, sabendo que assistimos à expansão deste modelo para a
restante actividade económica, talvez seja avisado começarmos, precisamente,
por aqui e tomarmos como exemplo a prática, supostamente excepcional, já entre
nós instalada.
Até ver, não nos é difícil constatar que, quanto mais
avançado o uso da inteligência artificial, maior a desumanização da relação
estabelecida entre «plataforma» e trabalhador. «Plataforma», porque não se
conhece o empregador. Nesta relação, o trabalhador apenas conhece acessos,
contas, tarefas, preços, rankings, metas, tudo emaranhado num
processo cujas variáveis são unilateralmente fixadas e mutáveis, desprovido de
interacção humana.
Para já, o paradigma do trabalho entre Inteligência Artificial e hum
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Daniel Oliveira - A barbárie de novo, agora em direto
* Daniel Oliveira
Após a execução falhada de
Christa Pike, o Tennessee tenta melhorar as condições de execução, repetindo a
ilusão do homicídio "humano" num estado que confunde justiça com
vingança. Nos EUA, o apoio público à pena de morte caiu para níveis mínimos em
meio século, mas o poder político aumentou o número de execuções. O ódio chegou
ao poder e até pensa transmitir um fuzilamento. Nesta matéria, os EUA continuam
a ser o farol da barbárie
Sónia Sapage - Uma execução em directo é um retrocesso civilizacional
“Eu apoio totalmente a pena de morte, mas transmitir execuções ao vivo é o que os jihadistas fazem”, escreve o republicano Austin Scott nas redes sociais. “A América é melhor do que isso.”
Há uma semana, o Pentágono anunciou que irá transmitir em directo (streaming), no dia 3 de Dezembro, às 13h, a execução por fuzilamento de um militar condenado a pena de morte pelo massacre de Fort Hood, no Texas, do qual resultaram 13 mortos e 32 feridos, em 2009.
Nidal Malik Hasan, major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, especialista em stress pós-traumático, tinha 39 anos quando concretizou o ataque. Durante o julgamento, declarou-se culpado e assumiu a sua adesão aos ideais da jihad (guerra santa). “Eu estava no lado errado, mas mudei de campo”, justificou.
Hygo Dionísio - Da plataforma à plataformização do real
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
(107) Malcom X - «A educação é o passaporte para o futuro»
Frequentemente, esta frase surge ligada a outra reflexão célebre sua sobre o papel do saber:
"A educação é o passaporte para o futuro, pois o amanhã pertence àqueles que se preparam para ele hoje."
Este tipo de pensamento reflete-se de forma marcante na sua autobiografia (The Autobiography
Embora a frase inscrita no mural seja sintética — "For the future belongs to those who prepare for it today"
«A educação é o passaporte para o futuro, pois o amanhã pertence àqueles que se preparam para ele hoje.
Precisamos de reeducar o nosso povo para que este compreenda o valor do conhecimento. Sem educação, somos vitimizados e mantidos à margem das decisões que moldam o nosso destino. O estudo, a leitura e a preparação intelectual não são um luxo; são armas essenciais de libertação.»
«Precisamos de uma nova educação para o nosso povo. Precisamos de lhes ensinar a verdade sobre a história, sobre si mesmos e sobre o mundo em que vivem, para que possam reescrever o seu próprio destino.
O futuro não pertence àqueles que esperam passivamente por ele, mas sim àqueles que se armam com o conhecimento no presente. A verdadeira liberdade exige preparação intelectual, rigor e capacidade crítica. O futuro pertence a quem se prepara hoje para construí-lo com autonomia e justiça.»
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
(106) Malcom X - A Imprensa e a Opressão
"IF YOU'RE NOT C AREFUL THE NEWSPAPERS WILL HAVE YOU HATING THE PEOPLE WHO ARE BEING OPPRESSED & LOVING THE PEOPLE WHO ARE DOING THE OPPRESSING"
(Tradução: «Se não tiverem cuidado, os jornais far-vos-ão odiar as pessoas que estão a ser oprimidas e amar as pessoas que estão a cometer a opressão»)
Esta é uma transcrição mais alargada do discurso de Malcolm X proferido a 13 de Dezembro de 1964 na Organization of Afro-American Unity (OAAU), no Audubon Ballroom (Harlem, Nova Iorque), que contextualiza em profundidade a citação presente no mural:
«Uma das primeiras coisas que os africanos e os afro-americanos têm de aprender é que não se pode julgar uma causa pelo que é dito nos jornais. É preciso analisar a causa por si mesma.
A imprensa de massa é a entidade mais poderosa da Terra. Eles têm o poder de transformar o inocente em culpado e de fazer do culpado inocente, e isso é o verdadeiro poder — porque controlam as mentes das massas.
A imprensa manipula a imagem. Se não tiverem cuidado, os jornais far-vos-ão odiar as pessoas que estão a ser oprimidas
Nota Conceptual (A Imprensa e a Opressão): A citação de Malcolm X inscrita no painel provém do seu discurso de 13 de Dezembro de 1964 no Audubon Ballroom (Harlem, Nova Iorque). Enquanto as inscrições dos murais revolucionários asiáticos (Laos, Vietname, China) focam a relação Exército–Povo, este mural britânico invoca a crítica de Malcolm X à manipulação mediática ocidental — advertindo que a imprensa de massa inverte papéis, vitimizando o opressor e criminalizando os oprimidos (enquadramento visual reforçado no mural pelas referências à luta do povo palestiniano).



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