D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
(91) José Régio - Balada de Coimbra
(89) Representações de Álvaro Cunhal 03 - A Imprensa Clandestina e a Fuga de Peniche
Poetas da Imprensa Clandestina (Avante! e O Militante)
Contexto: Nos anos 50 e 60, circulavam no boletim A Voz das Camaradas e no jornal Avante! dezenas de poemas assinados sob pseudónimo ou anonimato por militantes e operários.
Temática: Muitos destes versos eram dedicados a "Duarte" ou "Arnaldo" (os nomes clandestinos de Cunhal) e focavam-se na sua libertação da prisão de Peniche, comparando a sua fuga a uma "brecha na noite" do fascismo.
1. A Imprensa Clandestina e a Fuga de Peniche (Janeiro de 1960)
Nos dias imediatamente a seguir à evasão do Forte de Peniche, versos escritos à pressa por militantes anónimos circularam em edições clandestinas do Avante! e em panfletos distribuídos nas fábricas da Margem Sul e do Porto. Neles, o nome «Duarte» (com o qual Cunhal era conhecido na organização clandestina) surgia como metáfora da própria resistência:
Excerto de poema anónimo militante (circa 1960):
«Caiu a grade, quebrou-se o muro,
rasgou-se o vento na noite fria.
O Duarte volta ao nosso lado,
traz a promessa de um novo dia.
Peniche ruiu na sua vaidade,
a maré alta não guardou a prisão:
quem tem o povo na sua voz
nunca esteve preso na amplidão.»
2. O Boletim «A Voz das Camaradas» (Anos 50)
O boletim interno A Voz das Camaradas era redigido e distribuído clandestinamente por e para as mulheres da organização comunista (muitas delas companheiras de militantes presos ou operárias na clandestinidade). Durante os mais de dez anos em que Cunhal esteve preso (1949–1960), era frequente a publicação de poemas de solidariedade dirigidos aos dirigentes encarcerados:
Versos de uma militante operária (assinado como «Uma Camarada», anos 50):
«Na cela fria onde o tempo para,
não vergam a fibra do teu pensar.
Escreves no escuro, Duarte irmão,
aquilo que o povo há de cantar.
A tua ausência é presença viva
na nossa jornada contra a dor,
por cada grade que te prende a carne,
cresce no peito o nosso amor.»
3. José Dias Coelho e os Artistas na Clandestinidade
José Dias Coelho (esculptor e militante clandestino assassinado pela PIDE em 1961) e a sua companheira Margarida Tengarrinha produziam ilustrações e textos para a imprensa clandestina. Na sequência da fuga de Peniche, multiplicaram-se as estrofes populares escritas para serem cantadas ou declamadas em reuniões clandestinas, celebrando o feito:
Quadras populares clandestinas (1960):
«Peniche já não é fortaleza,
uma porta que se abriu, o camarada
Duarte passou e a noite do fascismo tremeu.
Guardavam-no torres e marés,
guardavam-no armas e sentinelas,
mas a vontade de um povo livre
consegue saltar todas as janelas.»
(Gemini)
(88) Representações de Álvaro Cunhal 02 - Pablo Neruda - 'A làmpada marinha'
Portugal, volta ao homem, ao marinheiro,
à tua razão livre no vento,
de novo
à luz matutina
do cravo e a espuma.
Mostra-nos teu tesouro,
teus homens, tuas mulheres.
Não escondas mais teu rosto
de embarcação valente
posta nas avançadas do oceano.
Portugal, navegante,
descobridor de ilhas,
inventor de pimentas,
descobre o novo homem,
as ilhas assombradas,
descobre o arquipélago no tempo.
A súbita
aparição
do pão
sobre a mesa,
a aurora,
descobre-a,
descobridor de auroras.
Como é isto?
Como podes negar-te
ao céu da luz, tu, que mostraste
caminhos aos cegos?
Tu, doce e férreo e velho,
estreito e largo pai
do horizonte, como
podes trancar a porta
aos novos cachos
e ao vento com estrelas do Oriente?
Proa da Europa, busca
na corrente
as ondas ancestrais,
a marítima barba
de Camões.
Rompe
as teias de aranha
que cobrem teu fragrante arvoredo,
e então
a nós os filhos de teus filhos,
aqueles para os quais
descobriste a areia
até então obscura
da geografia deslumbrante,
mostra-nos que podes
atravessar de novo
o novo mar escuro
e descobrir o homem que nasceu
nas ilhas maiores da terra.
Navega, Portugal, a hora
chegou, levanta
tua estatura de proa
e entre as ilhas e os homens volta
a ser caminho.
Nesta idade conjuga
tua luz, volta a ser lâmpada:
aprenderás de novo a ser estrela.
(87) Representações de Álvaro Cunhal 01 - Eugénia Cunhal - 'Quando vieres'
(86) Fidel Castro - A História me absolverá (1953)
A HISTÓRIA ABSOLVER-ME-Á (frase famosa de Fidel Castro, também traduzida comumente como A história me absolverá).
Textos secundários:
BEM-VINDO FIDEL (repetido duas vezes no muro à esquerda).
Viva Cuba ★ Viva Fidel (manuscrito em pequeno sobre o mapa, à direita).
O Discurso (1953): É a defesa oral proferida por Fidel Castro em tribunal a 16 de outubro de 1953, quando foi julgado pelo assalto ao Quartel Moncada contra o regime de Fulgêncio Batista. A famosa frase fecha a sua intervenção: "Condenai-me, não importa, a História absolver-me-á".
O Livro (1954): Enquanto cumpria pena na prisão da Isla de Pinos, Fidel reconstituiu e redigiu o discurso de memória. O texto foi retirado de forma clandestina da prisão em cartas escritas com sumo de limão (tinta invisível) e publicado em 1954 sob a forma de manifesto/livro, tornando-se o programa político do seu movimento.
A introdução: Onde Fidel critica o julgamento à porta fechada e a violação dos direitos de defesa.
As medidas revolucionárias: Os 5 pontos económicos e sociais propostos para Cuba (reforma agrária, industrialização, habitação, educação e saúde).
O encerramento: A emblemática passagem final onde pronuncia a frase histórica
Rezgar Akrawi - inteligência artificial Revolução ou escravidão silenciosa?
Revolução ou escravidão
silenciosa? Como os algoritmos remodelam a consciência ao serviço do capital
22 de agosto 2026 - 12:51
A submissão da humanidade ao
controlo da máquina já não é uma mera suposição filosófica, pois tornou-se cada
vez mais real perante os avanços da inteligência artificial e a ausência de
controlos jurídicos internacionais eficazes que regulem o seu funcionamento.
* Rezgar Akrawi
domingo, 23 de agosto de 2026
(85) Textos para um mural
O MUNDO É COMPOSTO DE FAZENDA E MUDANÇA (Victor Nogueira)
Cada um de nós é só ele próprio
E a sua boa ou má circunstância,
Procurando em tudo uma substância,
Com arte ou não, o alfa milenário.
Há na terra quem faça santuário
Do sentir ou razão, em abundãncia;
Mas é do cacau terna a fragância
Do fado ter um bom ou mau solário.
O tempo bem diz que é tudo ilusão;
O amor, doçura, felicidade,
Em lixo ou pó substanciando.
Honra, beleza, sentir, no caixão;
Erramos, pelo campo ou na cidade,
No mundo, bem ou mal, vagueando.
Pinhal Novo 1989.09.10
sábado, 22 de agosto de 2026
(84) Humberto Delgado - discurso proferido em 22 de maio de 1958
Meus Senhores e de Senhores,
Amigos, Terceirenses, Aquenses :-
Ha quinhentos anos... a 14 de Agosto de 1385. Um grupo de homens serenos, fêz-se ouvir perante as pêsas hastes. Gigantes, sim, mas serenos no seu e especial modo de conceber a soberania popular.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
(83) Quadras irreverentes, entre o religioso e o profano
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
(82) Abílio Paciência e o 'caminho dos pescadores'
Até chegar ao sítio onde vivi
(81) A vida no Troino nas quadras de Alice Ramos
terça-feira, 18 de agosto de 2026
(80) - José Afonso - O Povo é quem mais ordena, dentro de ti, oh cidade
Manuel Loff - Cem anos a “justificar” o 28 de Maio
* Manuel Loff
18 de Agosto de 2026
A Grande Guerra trouxera consigo,
um pouco por toda a Europa mas sobretudo entre nós, a permanente irrupção dos
militares e o sistemático uso da violência na vida política.
Há cem anos, o regime liberal
português, que, com intermitências, havia durado mais de um século desde a
Revolução de 1820, foi um dos primeiros na Europa a ceder perante a vaga
autoritária fascizante do pós-I Guerra
Mundial. A participação de Portugal na Grande Guerra acelerou, como ocorria
por toda a Europa, o processo de crise do sistema liberal, de que a República
do 5 de Outubro foi, no nosso país, a última etapa.
O rol de consequências que da
guerra decorreram (cem mil jovens enviados para a guerra, racionamento,
requisições forçadas, censura e supressão de liberdades, repressão da
contestação social), coincidindo no seu ano final com a pandemia da gripe
pneumónica, exasperara inevitavelmente a grande maioria da sociedade. Dela
foram sintomas os levantamentos da fome e os assaltos aos armazéns e às lojas
de víveres, as greves que os sindicatos convocaram contra Afonso Costa (1917) e
Sidónio Pais (1918), ou a remobilização religiosa em torno das chamadas “aparições” de Fátima (maio-outubro de 1917).
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