domingo, 9 de agosto de 2026

(71) Soneto de Curvo Semedo a Bocage (Tu, que o nume divino e a mente erguida)

 

Setúbal, R. Dr Paula Birba - mural montra Bocage (Foto victor nogueira)  

Soneto de Curvo Semedo a Bocage

 (1766 / 1838)


Tu, que o nume divino e a mente erguida

Têm no Parnaso em posto tão supremo,

Ó Elmano, por quem choro e por quem temo,

Na tempestade d'esta incerta vida;

 

Se a sorte te persegue encarniçada,

E te faz experimentar o golpe extremo,

Ouve Jalmiro, que no amor que me mo,

Te dá a alma em amizade consagrada.

 

Que importa que a fortuna te combata,

Se as Musas te coroam de imortais

Louros que o tempo e a morte não desfazem?

 

Vive, ó Elmano, e em tuas rimas tais,

Mostra à turva multidão cega e ingrata

Como os génios do Sado a glória fazem!

(70) Nicolau Tolentino — A Bocage (Bocage, cujo engenho o mundo admira)

 

Setúbal Av, República Guiné Bissaus - Paibel de azulejos no antigo Cinema Bocage (Foto victor nogueira  IMG_9589) AUTORES: Louro de Almeida e Rogério Chora (1979)  

 Nicolau Tolentino — A Bocage

Tolentino (1740 / 1811) , mestre da sátira e do retrato de costumes do século XVIII, manteve um diálogo poético acutilante e bem-humorado com o jovem Bocage.


Bocage, cujo engenho o mundo admira,

Que em rimas fluídas, fáceis e sublimadas,

Vês as musas do Tejo encantadas

Ouvir o som da tua áurea lira;

 

Se a inveja contra ti seu dardo atira,

E as mentes vis, de raiva perturbadas,

Querem ver tuas glórias eclipsadas

Com a cega fúria com que o vulgo gira:

 

Despreza o ganido dessa matilha insana,

Que a fama, que os teus versos te assegura,

Não se apaga com sopro de áurea vã;

 

Segue o teu rumo, ó génio da pintura,

Que a glória do teu nome, sobre-humana,

Há-de vencer o tempo e a sepultura.


(69) Jorge Castro - Soneto a Bocage (Truculento e vivaz a pena empunha)


Setúbal Av, República Guiné Bissaus - Paibel de azulejos no antigo Cinema Bocage (Foto victro nogueira  IMG_9582) AUTIORES: Louro de Almeida e Rogério Chora (1979) 


Jorge Castro - Soneto a Bocage 

 (1930 / 2010)


Truculento e vivaz a pena empunha

Acutilante do nariz às estribeiras

Zurze agreste as lusas pepineiras

Ao poltrão ferrabrás come-o à unha 

 

Com mão direita o vate se desunha

Prosápias vergastando e caturreiras

Enquanto afaga cru pobres rameiras

À esquerda do afecto a que se impunha 

 

Debochado ordinário e vil até

Eis Bocage todo inteiro e contumaz

Desvairante num bordel ou num café 

 

E veremos pelos poemas que nos faz

Perversos ou amargos de outra fé

Quanta alma este Bocage nos traz! 

(68) 'A Morte de Bocage' (fado) (Na noite escura, no quarto calado)

 

Setúbal - estátua e Praça de Bocage (foto victor nogueira)

. Letra do Fado "A Morte de Bocage"

Na noite escura, no quarto calado,

Apaga-se a vela, fecha-se o olhar,

Morre o Poeta que viveu em fado,

Que fez do verso a forma de amar.


Já não há rimas de riso e sátira,

Cumpriu-se a hora do seu destino,

Chora Setúbal, chora a sua pátria,

A partida triste de Elmano Sadino.


A pena caindo da mão cansada,

O livro aberto no último verso,

A alma livre, da dor libertada,

Vai procurar o seu universo.


Passam os anos, passa a memória,

Mas na calçada de noites sem fim,

Fica Bocage gravado na história,

Cantado em fado e em tom menor assim.

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Relativamente à letra do fado "A Morte de Bocage"  pertence à tradição oral do fado vadio e de fado de coimbra/lisboa.

No fado e na música popular portuguesa, a figura de Bocage surge frequentemente humanizada, boémia e trágica. O fado "A Morte de Bocage" (revisitado por vários fadistas e gravado em registos históricos do fado de Coimbra e de Lisboa) canta os seus últimos momentos e o contraste entre a sátira e a morte.

Na história do fado, muitas destas composições de tom descritivo e memorialista sobre figuras históricas não têm um autor individual registado nas plataformas modernas. São tidas como domínio público / fado tradicional (frequentemente cantadas na estrutura do Fado Menor ou Fado Cravo). (Gemini)

(67) Tomás Ribeiro - 'Epitáfio a Bocage' (Aqui jaz quem da vida fez brinquedo)

 

  Setúbal - Parque do Bonfim  'Pasmadinhos' Bocage    (Fotos victor nogueira=


. "Epitáfio a Bocage", de Tomás Ribeiro

(1831 / 1901)


Aqui jaz quem da vida fez brinquedo,

Quem rindo da ilusão chorou a sério;

Quem não teve do mundo nem do medo

A chave de fechar o seu mistério.


Aqui jaz o Poeta da tristeza,

Que o amor cantou em notas de amargura;

Quem teve por rainha a Natureza,

E por abrigo esta caverna escura.


Passante, que de longe o nome escutas

Do grande Elmano que aqui jaz desfeito,

Se pelas mesmas dores também lutas,


Deixa uma lágrima caindo no seu peito,

E diz chorando à terra que o encerra:

"Nunca tal alma se encontrou na terra!"

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(66) Victor Nogueira - Auto-retrato em passatempo

 



Setúabal Avenida Belo Horizonte  'Planp Sequência' conjunto escultórico de João Limpin  (Fotos victor nogueira)


AUTO RETRATO  EM PASSATEMPO

Com nariz grande, olhar estrelado,
Baixo, cabelo negro, ondulado,
Magro, moreno, mui desajeitado,
Nada ou p'la vida sempre perdoado.
.
Buscando amizade, mau achado,
Agindo calma ou mui despeitado,
O êxito logrou, mal torneado,
Com persistência e pouco alegrado.
.
Tolerante, mas não libertário,
Conduzindo, longe da multidão,
Na vida procurando liberdade.

 Em tudo mal, buscando seu contrário,
Com ar sério ou risonha feição,
Mal sente, co'a razão, felicidade.

in "Retratos" - 1989.09.10 - Setúbal 

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A escultura de João Limpin intitulada Plano-Sequência representa um autocarro articulado em tamanho real, integrado na paisagem urbana na Avenida Belo Horizonte, na zona do Forte da Bela Vista / Bairro Azul, em Setúbal.

(65) Bocage - A frouxidão no amor é uma ofensa


Praça de Bocage



Foto victor nogueira (2020) Setúbal Bocage na portada duma montra na Praça de Bocage. editada pelo  Gemini
 

A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso,
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo e não me faz ditoso.

(64) António Feliciano de Castilho - 'A Bocage' (Génio que em fogo e luz te desataste)

 

Setúbal  Travessa do Ximenes . azulejos Bocage (Foto victor nogueira IMG_8702)


. "A Bocage", de António Feliciano de Castilho

(1800 / 1875)


Génio que em fogo e luz te desataste,

Rindo e gemendo em versos d’harmonia,

Que a dor das paixões todas provaste,

E em tudo quanto tocaste puseste poesia!

Na pátria onde o talento por desgraça

Tantas vezes encontra a sepultura,

Tu passaste a sorrir, como quem passa

Por entre as sombras de uma noite escura.

Curvaste a fronte ao peso da injustiça,

Mas na memória viva te quedaste;

A boca que escarnece e que cobiça

Não calou o cantar que nos deixaste.

Dorme em paz, ó Poeta! A tua glória

Não no-la rouba o tempo nem a sorte;

Ficou teu nome impresso na História,

Triunfante da vida e também da morte

(63) Filinto Elísio: 'A Bocage' (Grato às Musas, de Elmano a mente ufana)

 

Setúbal  - Rua Francisco José Mota azulejo Bocage (Foto victor noguiea GEDC0778)

 "A Bocage", de Filinto Elísio

(1734 / 1819)


Grato às Musas, de Elmano a mente ufana

Voo toma aos espaços do Infinito;

Não curva o colo ao cego e torpe rito,

Nem a cerviz ao jugo que o desmana.


Na Lira acorda a voz, que a alma humana

Desperta do torpor em que tem jazito;

E em notas de ouro, em número prescrito,

A virtude celebra e o vício dana.


Se a inveja o morde, se a calúnia o assalta,

Canta mais alto, e no seu canto puro

A pátria ilustra, a língua Lusa exalta.


Vive, ó Mago do verso, e no futuro

Teu nome ressoe em cima do altar

Onde a Glória te vem coroar!

(62) Ary dos Santos - AO MEU FALECIDO IRMÃO MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE

 

 

Setúbal Rua General Daniel de Sousa, 136  - Mural Bocage (Foto victor nogueira, editada pelo Gemini)

Este mural, com a sua estética e enquadramento urbano, faz o contraste entre a tradição e a subversão pela modernidade, tendo como elo de ligação a '(re)vivência', não reverencial, da(s) memória(s),   mesmo que Ary mantenha a norma sonetística.

* Ary  dos Santos
(1937 ( 1984)


Meu sacana de versos! Meu vadio.
Fazes falta ao Rossio. Falta ao Nicola.
Lisboa é uma sarjeta. É um vazio.
E é raro o poeta que entre nós faz escola.

Mastigam ruminando o desafio.
São uns merdosos que nos pedem esmola.
Aos vinte anos cheiram a bafio
têm joanetes culturais na tola.

Que diria Camões nosso padrinho
ou o Primo Fernando que acarinho
como Pessoa viva à cabeceira?

O que me vale é que não estou sozinho
ainda se encontram alguns pés de linho
crescendo não sei como na estrumeira!


José Carlos Ary dos Santos. VIII Sonetos, 1984
http://nestahora.blogspot.com/2019/09/bocage-254-anos-hoje.html 

(61) De 'Já Bocage não sou!' a 'Era eu Bocage!«





Setúbal - Fotos victor nogueira

* Gemini

Numa caixa de eletricidade decorada nas ruas de Setúbal, a figura do poeta surge acompanhada pelas datas do seu falecimento (1805) e da intervenção (2014), juntamente com a afirmação: «ERA EU BOCAGE!».

Esta inscrição na rua contradiz frontalmente o tom da célebre trilogia de sonetos da agonia, escrita pelo poeta no leito de morte, onde ele renegava a sua faceta libertina e pedia para esquecerem a sua persona satírica.

(60) Fialho de Almeida e a Garra de Os Gatos




Fotos victor nogueira Setúbal Rua Rua Ramalho Ortigão Mural de homenagem a Fialho de Almeida

Na Rua Ramalho Ortigão, no Bairro Humberto Delgado, em 2020.10 foi inaugurado um mural homenageando o "General sem Medo" e os escritores Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida. Este mural é de autoria do Colectivo Explicit Citizens (David Martins, Filipe Serrallha e João Murta)

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Fialho de Almeida e a garra de Os Gatos

Na Rua Fialho de Almeida, em Setúbal, a secção do mural dedicada ao escritor eborense destaca a sua imagem ladeada pela estampa do jornal Diário Regional e pelas silhuetas de dois gatos. A referência evoke diretamente Os Gatos (1889-1894), a sua obra mais célebre e uma das mais acutilantes coletâneas de panfletos de crítica social e política da literatura portuguesa.

Tal como o animal que lhe dá nome, a escrita de Fialho de Almeida em Os Gatos caracteriza-se pelo olhar felino, agudo e noturno sobre as mazelas da sociedade da época. Com uma prosa incisiva e satírica, o autor "arranha" as instituições, a moral vigente e o poder político, utilizando a literatura como uma ferramenta de intervenção pública e combate cívico.

Este painel integra um conjunto em curva e declive na mesma artéria, onde são também homenageados Ramalho Ortigão e Humberto Delgado. (Gemini)

Para ver o registo integral do mural nesta rua de Setúbal ,ver  Murais e grafitos em Setúbal 96 - Rua Ramalho Ortigão

sábado, 8 de agosto de 2026

(59) Ramalho Ortigão e a ética de As Farpas

 

Fotos victor nogueira Setúbal Rua Ramalho Ortigão  Mural de homenagem a Ramalho Ortigão

Na Rua Ramalho Ortigão, no Bairro Humberto Delgado, em 2020.10 foi inaugurado um mural homenageando o "General sem Medo" e os escritores Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida. Este mural é de autoria do Colectivo Explicit Citizens (David Martins, Filipe Serrallha e João Murta).


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Ramalho Ortigão e a ética de As Farpas

Integrado no mesmo conjunto mural da Rua Fialho de Almeida, em Setúbal, o retrato de Ramalho Ortigão surge acompanhado por um excerto inscrito sobre um pergaminho. A citação pertence à emblemática obra As Farpas, a célebre publicação mensal de crítica social e política criada em 1871 em colaboração com Eça de Queirós.

"Ninguém é grande ou pequeno neste mundo pela cadeira em que se senta. Por mais gloriosa ou obscura que seja a categoria em que a sorte nos coloque, a importância da nossa vida depende do valor dos actos que praticamos e da utilidade das ideias que difundimos e comunicamos."

O trecho reflete o pensamento ético do autor e da Geração de 70: uma defesa do mérito individual e do civismo, lembrando que a verdadeira relevância de uma figura pública não provém do cargo formal, mas do impacto real e da utilidade das suas ideias.

Este segmento faz parte de uma obra coletiva dedicada à memória crítica e libertária, partilhando o espaço com os murais de Fialho de Almeida e do "General sem Medo", Humberto Delgado. (Gemini)

Para ver o registo integral do mural nesta rua de Setúbal ,ver  Murais e grafitos em Setúbal 96 - Rua Ramalho Ortigão

(58) DO ART... NOT WAR!


Foto victor nogueira - 'DO ART ... NOT WAR' é o slogan neste grafito na Rua Luís Sá, editada pelo  Gemini 


Foto victor nogueira - 'DO ART ... NOT WAR' é o slogan neste grafito na Rua Luís Sá, uma rua desolada onde abundam corroídos pelo tempo. Presumo que o homenageado por esta artéria seja o dirigente do PCP falecido em 1999.

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DO ART... NOT WAR!

A expressão "DO ART... NOT WAR" (ou na sua forma mais comum "MAKE ART, NOT WAR") pode ser ligada a várias referências culturais, literárias e musicais.

As principais ligações incluem:

1. Origem Literária e Slogan Pacifista (Counterculture)

  • "Make love, not war": O slogan "Do Art, Not War" é uma variação direta da famosa palavra de ordem dos anos 60, popularizada durante os protestos contra a Guerra do Vietname.

  • Herbert Marcuse e a Literatura da Contracultura: Embora a autoria do slogan original seja atribuída a figuras como Gershon Legman e Diane DiPrima, autores e filósofos da época (como Marcuse na obra Eros e Civilização) defenderam a transformação da pulsão destrutiva (Thanatos) em criação e arte.

2. Ligações Musicais

A antítese entre Arte/Música e Guerra é um dos temas mais recorrentes da música de protesto:

  • John Lennon & Yoko Ono – "Give Peace a Chance" e "Imagine": A filosofia do "Bed-In" e o manifesto pacifista de Lennon pregavam que a expressão artística e o ativismo cultural eram as principais armas contra a violência militar.

  • Movimentos Punk e Hip-Hop: A frase "Make Art, Not War" e as suas variações tornaram-se lemas em centenas de canções, mixtapes e manifestos musicais do movimento DIY (Do It Yourself), onde o ato de criar arte e música é visto como uma forma direta de resistência à destruição.

3. Arte Urbana e Visual (Shepard Fairey)

  • A expressão foi imortalizada no mundo da street art pelo artista Shepard Fairey (OBEY) na sua célebre obra gráfica e mural intitulada "Make Art Not War", criada como um cartaz de protesto contra a Guerra do Iraque e posteriormente reproduzida em murais por todo o mundo.  (Gemini)

 

(56) Kraftwerk – "The Robots" / "Die Roboter" (1978)

 

 Foto victor nogueira - Grafito na Estrada da Graça em Setúbal, com a inscrição 'We are the robots' (Foto em 2021 05 26 IMG_4126 Canon 192_05)  ditada pelo  Gemini 

* Gemini

Na imagem está escrito "We are the robots" (com a palavra the escrita na vertical à esquerda e robots escrita na vertical à direita, em torno do desenho do robô).

Esta frase está diretamente ligada a referências culturais marcantes na música e na ficção científica:

HUMOR – Silly Season – (Data e compilador desconhecidos)

 Por Carlos Esperança - agosto 08, 2026
 

Não garanto a autenticidade e já aqui publiquei estas frases antigas que, se não forem verdadeiras, são bem achadas.

Não garanto a veracidade, mas é forte a probabilidade de serem. E são credíveis! Menos perigosas do que as intrigas e calúnias da direita, aqui as repito para gáudio dos leitores:

- Finalmente, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes. (Presidente da Junta de Freguesia do Fundão)

- Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro em cada ano. (Dr. Alves Macedo – oncologista)

- Os sete artistas compõem um trio de talento. (Manuela Moura Guedes – TVI)

- A polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada. (Paulo Castro – Relações Públicas da PJ)

- A vítima foi estrangulada a golpes de facão. (Ângelo Bálsamo – Jornal do Incrível)

- Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido. (António Sesimbra – O Independente)

- Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável. (Rui Lima – Jornal “A Bola”

- Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis às suas origens. (António Tadeia – Crónicas do Correio da Manhã)

- Ela contraiu a doença em vida. (Dr. Joaquim Infante – Hospital de Santa Maria)

- A conferência sobre a prisão de ventre foi seguida de farto almoço. (Diário da Universidade de Bragança)

- O acidente provocou forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido. (António Bravo – SIC)

- O aumento do desemprego foi de 0% no mês passado. (Luís Fontes – A Capital)

- À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel. (Ribeiro de Jesus – PSP de Faro)

- As circunstâncias da morte do chefe da iluminação permanecem rigorosamente obscuras. (Paulo Assunção – EDP)

- Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça. (Crónicas do Diário das Beiras)

- Os antigos prisioneiros terão a alegria do reencontro para reviver os anos de sofrimento. (Maria do Céu Carmo – Psiquiatra)

- A polícia e a justiça são as duas mãos do mesmo braço. (Bento Ferreira – Juiz)

- O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas. (Juliana Faria – TV Globo)

- O acidente foi no tristemente célebre retângulo das Bermudas. (Paulo Aguiar – TV Globo)

- Quatro hectares de trigo foram queimados. Em princípio trata-se de incêndio. (Lídia Moreno – Rádio Voz de Arganil)

- Antes de apertar o pescoço à mulher, o velho reformado suicidou-se. (João Cunha – Testemunha)

- Jogar à defesa pode ser uma faca de dois legumes. (Jaime Pacheco, treinador de futebol)

- À pergunta “o que achou do jogo”, responde: «Eu, nada... mas o Aloísio achou um pente no balneário». (Roger – Ex-jogador do Benfica)

https://ponteeuropa.blogspot.com/2026/08/humor-silly-season-data-e-compilador.html

(55) Quadras populares no Carregal



* Victor Nogueira 



Nesta povoação do concelho de Óbidos os chafarizes não têm a monumentalidade de outros noutras povoações, antes são simples produtos da engenhosidade popular.  

Atravessamos o Carregal, pequena aldeia onde não deve haver água canalizada pois em cada rua e travessa há uma bica, muitas decoradas com azulejos com motivos figurativos. Um deles, no Largo do Jogo, tem uma quadra:  "O aluno que na Escola | Não souber bem as lições | Irá pela vida fora | Sempre à mercê d'empurrões. " Num dos extremos da vila uma fonte mais cuidada, com outro verso:   Carregal | Carregal | Que pena vou ter de ti | Quando um dia te deixar | Quando a vida me obrigar | Pois a vida é mesmo assim. [92.02.05] 

Como anteriormente, registo os nomes das ruas do Vale (onde existe um lavadouro público),  Direita, da  Capela, da  Fonte,  Trás da Roda, das Figueiras. Anoto também as travessas, como a do Jogo  e a das  Flores, e largos, como o do  Pinheiro, Adamásio, do Jogo (já referido),  do Centro Cultural... 

As casas têm barras azuis, como na Ericeira. Trata-se duma aldeia menos cuidada que a Vau, em cujos arredores cruzamos com caçadores. (Notas de Viagem, 1997.10.30) 

Na Foz do Arelho existem bicas pelas ruas, em menor quantidade que no Carregal e sem azulejos, as casas têm na frontaria azulejos com figuras de santos (registos) e nos telhados secam abóboras, umas maiores que outras. (Notas de Viagem, 1997.10.30) 


O aluno que na Escola | Não souber bem as lições | Irá pela vida fora | Sempre à mercê d'empurrões.


 Carregal | Carregal | Que pena vou ter de ti | Quando um dia te deixar | Quando a vida me obrigar | Pois a vida é mesmo assim. [92.02.05] 


Fotos victor nogueira - Rolo 206 (fotos em 1997.10.30)


Entrevista a Augusto Santos Silva (2026)


Nota prévia - Essa extensa entrevista é um espelho do chorrilho de mistificações e de contradições que percorrem o labirinto dos defensores do capitalismo, essencialmente autofágico e predador, sem remissão (Victor Nogueira)

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Augusto Santos Silva: "Trump está num estado que considero quase demencial. Temos hoje a maior potência do mundo nas mãos de corruptos, ineptos e moralmente desqualificados"

Tiago Palma

30 jul, 2026

ENTREVISTA || A guerra no Irão confirmou, para Augusto Santos Silva, que o principal problema do Ocidente já não está apenas em Moscovo, Teerão ou Pequim: está também em Washington. O antigo presidente da Assembleia da República e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa acusa Donald Trump de agir sem qualquer racionalidade estratégica e de estar a “destruir as bases morais da nossa defesa militar”, enquanto a Europa responde com apaziguamento e submissão. Nesta entrevista, classifica a ofensiva contra o Irão como uma agressão ilegal, sem absolver Teerão da resposta militar, contesta a meta dos 5% do PIB para a defesa, critica a posição portuguesa sobre a Base das Lajes e denuncia a “conduta miserável” da Europa perante a Palestina

A guerra começou “com três fanáticos”, mas, quatro meses depois, Augusto Santos Silva já não os vê no mesmo lugar. Donald Trump, sustenta, “deixou de dirigir a guerra e passou a ser dirigido por ela”, mudando de objetivos “como quem muda de camisa” e conduzindo os Estados Unidos “para um atoleiro” sem saída política. 

(54] Nicolau Tavares, letrista setubalense

 

* Victor Nogueira / Gemini

Este mural encontra-se no Bairro 2 de Abril, num muro de suporte na Rua Dr. António Luís Pereira de Almeida, no caminho para a CVP - Cruz Vermelha Portuguesa. Consiste numa quadra de Nicolau Tavares: "Aqui nasceu este meu bairro / que deu abrigo a gente pobre,/ cresceu, evoluiu, emoldurou-se../.Tornou-se Nobre". A pintura foi executada por moradores do referido Bairro, a 2 de Abril de 2019, no âmbito da 9ª edição do projecto municipal “Setúbal Mais Bonita”


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

(53) Discurso de Barack Obama (Nashua, New Hampshire — 2008)

 * Barac

Foto victor nogueira grafito em Setúbal. Rua do Moinho .  Obama Yes we can  foto em 2017.05.16 (Canon 141_05)  IMG_6227

* Barack Obama 

Discurso de Barack Obama (Nashua, New Hampshire — 8 de Janeiro de 2008)

Muito obrigado. Quero parabenizar a Senadora Clinton por uma vitória árdua aqui no New Hampshire. Ela fez um trabalho magnífico. Demos-lhe uma grande salva de palmas. Ela fez um trabalho maravilhoso e o mesmo se aplica ao Senador Edwards e a todos os outros candidatos que participaram nesta contenda.

Há uns meses, poucos teriam previsto o que realizámos esta noite. Durante muito tempo, disseram-nos que não podíamos fazer aquilo que fizemos hoje. Mas esta noite, neste número recorde de votos, ouvimos a voz que fala por momentos como este.

Uma voz que nos diz que há algo a acontecer na América; que algo de novo está a nascer; que a nossa união não pode ser dividida; que a nossa nação é perfeita quando nos unimos; e que o futuro da América é tão promissor quanto as pessoas que o constroem.

(52) Private Number — "Haters Make Me Famous"


Foto victor nogueira Haters make u famous ... IMG_5037

A frase "Haters Make U Famous" (ou na forma completa "My haters make me famous") não pertence a uma obra clássica da literatura, mas é uma das divisas mais emblemáticas da cultura pop contemporânea, da cultura Hip-Hop e da arte urbana (graffiti).

1. Contexto na Música e no Hip-Hop

  • Evolução do conceito de "Hater": A palavra hater (usada para definir a pessoa que critica outrem por inveja ou ressentimento) surgiu nas letras de Hip-Hop no início dos anos 90 (com grupos como Cypress Hill, 2Pac e Notorious B.I.G.).

  • Aforismo da Pop Culture: A variação "Haters make me famous" ("Os meus detratores tornam-me famoso") tornou-se um mantra na cultura rap, pop e no mundo dos influenciadores digitais. A ideia subjacente é que, quanto mais os críticos falam mal de alguém, mais atenção e visibilidade (famossidade) lhe dão.

  • Músicas e Álbuns: Vários artistas de rap, pop-punk e hip-hop usaram o termo diretamente em títulos de canções ou álbuns. A banda pop-punk Private Number, por exemplo, lançou a faixa "Haters Make Me Famous", e o rapper Whyte-Out gravou "Haters Make Us Famous".

(51) Fight like a tiger - Wiliam Blake / Jerry Goldsmith

 

Foto victor nogueira - 'Fight like a tiger' - Mural na Rua de Brancanes, (2021 08 18 Canon 195_08) editada pelo chatGPT  

Olhando com atenção para a imagem, o texto exato escrito no mural é "FIGHT LIKE A TIGER" (Luta como um tigre), acompanhado pelo desenho do perfil de um tigre.

Esta expressão e iconografia têm conexões bastante diretas tanto no universo musical como na cultura popular/literária:

(50) - Victor Nogueira - É Tróia estreito braço de terra

* Victor Nogueira


 Foto victor nogueira - Grafito em Setúbal, no Largo de Jesus - 'Roubar plantas à vizinhança é como roubar Tróia a uma criança (2012 01 09 HPIM2556) 

É Tróia estreito braço de terra
entre o rio e o mar oceano
de erva rasteira, sem abrigo, plano,
lingua de areia aos pés da serra.

Sua história velha encerra
ruínas, cetárias, templo romano,
Cetóbriga, garum, cesariano,
coberta pelo areal, com terra.

Tal era do povo, mas foi roubado,
com casino, hoteis, apartamentos,
o espaço, a praia, privatizado.

Feriando mal grandes são os lamentos,
com arrozais, palafitas, no sado.
a Comporta fechada, em tormentos.

2014.07.21 setúbal


 Mural do PSR s/ data - Tróia é de todos/as! / Não ao turismo de luxo 

(49) HOMILIA DO PAPA FRANCISCO ~ Capela Sistina 14 de Março de 2013


 Mural em Macedo de Cavaleiros Entrudo Chocalheiro - 2025, Homenagem ao Papa Francisco.


* Francisco (papa)

Este mural, situado na aldeia de Podence (concelho de Macedo de Cavaleiros), é uma homenagem dos Caretos de Podence ao Papa Francisco.

A pintura celebra um momento histórico em que uma comitiva dos Caretos de Podence viajou até ao Vaticano e foi recebida numa audiência oficial pelo Papa Francisco. Na ocasião, o grupo presenteou o Papa com um casaco tradicional do fato de careto (feito de colchas de lã franjadas nas cores amarela, vermelha e verde).

Principais Elementos do Mural:

  • O Papa Francisco: Aparece sorridente a acenar à população.

  • Os Caretos de Podence: O Papa surge ladeado pelas figuras tradicionais dos mascarados de Podence envergando os seus trajes coloridos de lã (vermelho, amarelo e verde) com as típicas máscaras de metal ou couro vermelho.

  • A Frase Inspiradora: Na parede à esquerda está escrita uma citação do Papa Francisco:

    "A nossa vida é um caminho, quando paramos não vamos para a frente."

Inaugurada durante o Entrudo Chocalheiro, a obra simboliza o encontro marcante entre a fé cristã e a tradição pagã secular dos Caretos, que foi reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. 

(48) Samer Abu Hawwash - From the River to the Sea


Piauí – Assentamento Lisboa. Foto Lucas Sousa - MST 2024 08


* Samer Abu Hawwash


From the River to the Sea

every street, every house, every room, every window, every balcony, every wall, every stone, every sorrow, every word, every letter, every whisper, every touch, every glance, every kiss, every tree, every spear of grass, every tear, every scream, every air, every hope, every supplication, every secret, every well, every prayer, every song, every ballad, every book, every paper, every color, every ray, every cloud, every rain, every drop of rain, every drip of sweat, every lisp, every stutter, every yamma, mother, every yaba, father, every shadow, every light, every little hand that drew in a little notebook a tree or house or heart or a family of a father, a mother, siblings, and pets, every longing, every possibility, every letter between two lovers that arrived or didn’t arrive, every gasp of love dispersed in the distant clouds, every moment of despair at every turn, every suitcase on top of every closet, every library, every shelf, every minaret, every rug, every bell toll in every church, every rosary, every holy praise, every arrival, every goodbye, every Good Morning, every Thank God, every ‘ala rasi, my pleasure, every hill ‘an sama’i, leave me alone, every rock, every wave, every grain of sand, every hair-do, every mirror, every glance in every mirror, every cat, every meow, every happy donkey, every sad donkey’s gaze, every pot, every vapor rising from every pot, every scent, every bowl, every school queue, every school shoes, every ring of the bell, every blackboard, every piece of chalk, every school costume, every mabruk ma ijakum, congratulations on the baby, every y ‘awid bi-salamtak, condolences, every ayn al- ḥasud tibla bil-‘ama, may the envious be blinded, every photograph, every person in every photograph, every niyyalak, how lucky, every ishta’nalak, we’ve missed you, every grain of wheat in every bird’s gullet, every lock of hair, every hair knot, every hand, every foot, every football, every finger, every nail, every bicycle, every rider on every bicycle, every turn of air fanning from every bicycle, every bad joke, every mean joke, every laugh, every smile, every curse, every yearning, every fight, every sitti, grandma, every sidi, grandpa, every meadow, every flower, every tree, every grove, every olive, every orange, every plastic rose covered with dust on an abandoned counter, every portrait of a martyr hanging on a wall since forever, every gravestone, every sura, every verse, every hymn, every ḥajj mabrur wa sa ‘yy mashkur, may your ḥajj and effort be rewarded, every yalla tnam yalla tnam, every lullaby, every red teddy bear on every Valentine’s, every clothesline, every hot skirt, every joyful dress, every torn trousers, every days-spun sweater, every button, every nail, every song, every ballad, every mirror, every peg, every bench, every shelf, every dream, every illusion, every hope, every disappointment, every hand holding another hand, every hand alone, every scattered thought, every beautiful thought, every terrifying thought, every whisper, every touch, every street, every house, every room, every balcony, every eye, every tear, every word, every letter, every name, every voice, every name, every house, every name, every face, every name, every cloud, every name, every rose, every name, every spear of grass, every name, every wave, every grain of sand, every street, every kiss, every image, every eye, every tear, every yamma, every yaba, every name, every name, every name, every name, every name, every name, every name, every name, all…