D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 6 de março de 2026
João Rodrigues - Parabéns - 105º aniversário do PCP
Poemas de Rui Lage
A CARTA NA MÃO
ao meu pai, Carlos
País perdido no regaço da palha
sob o peso da luz e do pão,
tenho-te escrito e aberto nas mãos,
tenho-te perto da vista e longe
cada vez mais do coração.
Sobre os joelhos o fruto seco da carta,
a nódoa de veneno deixada
pelos insectos, a invasão dos vermes,
as unhas imundas que feriram
a polpa, o caroço onde guardo
os sinos da manhã.
O pátio na carta aberta,
a casa remota, perdida
após montes e montes deitados
sobre o perfume das hortas,
o eco das minas bebendo em sossego
o pensamento, a lentidão dos animais
que perduram na curva dos caminhos.
Na carta aberta o cimo das escadas,
o céu tranquilo as mãos na cintura,
a súplica de pó no rosto que olha
pedindo a mão pequena
para a borda da saia,
o primeiro dia de escola
para o colo do regresso.
Mas se morrermos agora,
no pátio ou no deserto, quem dará conta
do país perdido?
Que me pede a carta nas mãos
cantando o país perdido?
Também aqui as cigarras cantam
mas estranhas aves amplificam
no tímpano sujo dos muros
o ar queimado da savana.
Que faço na terra do marfim?
Porque não há cravos
na pequena horta da prisão?
Dizem que o Sr.João não se lava,
que em certas noites
dorme no monte junto ao cavalo;
que bebe muito e cai pela terra
em redondo o pensamento,
que a sua cama não tem lençóis
e que a suportam quatro tijolos;
que nunca lava as escadas
e que nunca lava a roupa
embora permaneça preso ao ribeiro
muito depois
de as mulheres terem partido.
Vejo
que a cova dos seus olhos
foi aberta num sítio
rodeado de terra por todos os lados.
As árvores, que se saiba,
não se lavam
e dormem ao relento
encostadas ao cavalo do estio
(se assim não fosse não amaria
o que já não seriam árvores).
O Arquivo de Renato Suttanna https://www.arquivors.com/ruilage.htm
Alfredo Barroso - MORREU ANTÓNIO LOBO ANTUNES
MORREU ANTÓNIO
LOBO ANTUNES, ADMIRÁVEL CRONISTA E, SEM DÚVIDA, GRANDE ROMANCISTA QUE LI POUCO
POR PREGUIÇA…
- confessa
Alfredo Barroso, mais virado para as crónicas
António Lobo
Antunes era sobretudo, para mim, um cronista genial, da envergadura de Camilo
Castelo Branco e Eça de Queiroz, admiráveis cronistas do século XIX português.
Oxalá reeditem, e tornem a pôr à venda as crónicas que ele escreveu. Leem-se,
tal como as de Camilo e Eça, por puro prazer, deleite e admiração pela
extraordinária riqueza e flexibilidade da escrita.
Foi um amigo
meu, o Joaquim Brandão, quem me alertou, já lá vai quase meio século, para a
“Memória de Elefante”, a que se seguiu, pois claro, a leitura de “Os Cus de
Judas”. Vieram depois “A Morte de Carlos Gardel” e o “Manual dos Inquisidores”.
E por aqui me fiquei.
Confesso que,
neste último, não apreciei a insistência nas repetições, uma técnica de
construção narrativa do autor cheia de desarrincanços, mas que me transtornava
a leitura, o que só prova que me tornei preguiçoso e não sou bom leitor dos
romances de António Lobo Antunes. Nota-se a cadência das repetições – como se
topa logo desde o começo do ‘Manual’, com a insistência do latifundiário em
dizer que não tira o chapéu da cabeça enquanto sodomiza criadas, por exemplo,
«a filha do caseiro (…) acocorada num banquinho de pau», ou «a cozinheira
estendida de costas no altar, de roupa em desordem e avental ao pescoço». E
repete as explicações: «Faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da
cabeça para que se saiba quem é o patrão»…
E assim por
diante, com repetições em série cheias de imaginação, muito sainete e manifesto
talento literário. Até a um apocalipse final em que as palavras, frases e
ideias se embrulham e atropelam, no meio de «cabanas desfeitas pela guerra e
pela chuva», da ordem «queimem esta merda toda», e dum pai a
implorar´repetidamente: «peço-lhe que não se esqueça de dizer ao pateta do meu
filho que apesar de tudo eu». E acaba assim, a frase interrompida sem
reticências…
O narcisismo,
ou melhor, o fascínio de António Lobo Antunes pela sua própria escrita é mais
que evidente, sobretudo nos romances que escreveu e menos nas suas admiráveis
crónicas. Mas era, sem dúvida, um admirável escritor, sempre a lamentar que não
lhe atribuíssem o Prémio Nobel da Literatura…
NOTÍCIA DA
DEMÊNCIA E DA MORTE
O certo é que
António Lobo Antunes morreu, esta quinta-feira, dia 5 de Março de 2026, com 83
anos de idade (só mais dois do que eu). Dizem as notícias da sua morte que
escreveu mais de três dezenas de romances, e que, nos últimos anos, se afastou
bastante do mundo, devido à demência que o afectou.
«A doença que o
foi invadindo, acentuou-se durante o confinamento causado pela pandemia de
Covid-19», revelou João Céu e Silva, seu biógrafo, citado pelo Expresso. O
jornalista explicou que os sintomas da doença terão começado vários anos antes.
Alguns desses sintomas são a perda de memória, a dificuldade de fazer novas
aprendizagens, a perda frequente de objetos de valor, como carteiras e chaves,
ou esquecer-se da comida ao lume. Cuidado Alfredo, ela vem aí…
“É a minha
geração partindo”, comentou comovida a escritora Lídia Jorge, logo de manhã,
tinha acabado de receber a notícia. “É uma geração que cumpriu o seu dever:
deixámos a memória de um tempo de mudança extraordinária no país, e à frente de
todos nós esteve ele.”
Para Lídia
Jorge, António Lobo Antunes (ALA) foi capaz de pegar “nas aquisições do romance
psicológico e fazer dele uma espécie de modelo inventivo para falar da história
viva, ativa, portuguesa”, sublinhando “o que hoje é evidente, a necessidade da
relação entre a Europa e o mundo colonial”, e fazendo-o por meio de “um estilo,
um modo e uma forma que são universais”.
Essa forma que,
segundo Gonçalo M. Tavares, é “das mais contagiantes em termos de estilo e de
tom de escrita”. O autor, de 55 anos, conta que leu Lobo Antunes muito novo.
“Ele falava muito de o leitor apanhar com os seus livros uma espécie de vírus,
de doença benigna. Quando se é novo, é dificil ler e não escrever como ele. É
uma avalanche de ritmo, de repetições, de diálogos, da própria estrutura da
página... O leitor, depois de o ler, tem de resistir muito par não escrever
como ele.”
E se gostou dos
primeiros – cita o “Tratado das Paixões da Alma” e “Ordem Natural das Coisas”
-, considera que a segunda fase de ALA finca o pé na linguagem de um modo
“impressionante e corajoso” como poucos. “Esses últimos livros, sendo mais
difíceis, estavam num mundo em que o romance se dissolve no trabalho da
linguagem, em que se assume que a história não é importante. Coloca-se no campo
da linguagem, do ritmo, da frase, da metáfora”.
Dulce Maria
Cardoso concorda que António Lobo Antunes manteve o selo de qualidade e de
originalidade até ao fim. “Fechou com chave de ouro, com “O Tamanho do Mundo”,
que é um bom livro”, observa. “Sinto-me devedora dele, aprendi muito. Aprendi
sobretudo, desde o início, essa coisa maravilhosa de que a escrita é trabalho,
trabalho, trabalho. Ele próprio aplicou isso no seu caminho, ao evoluir muito
ao longo dos anos”, diz a autora de “O Retorno”, que pouco se cruzou com o
escritor nascido em Benfica.
Carlos Vaz
Marques, jornalista e editor que conheceu o romancista, prefere recordá-lo
relatando um dos “vários episódios marcantes” dos seus encontros com ele. “Fui
entrevistar o António ao Hospital Miguel Bombarda, onde ele era médico
psiquiatra. Levei um daqueles gravadores a pilhas, pequeninos, para registar a
conversa. A meio do diálogo, batem à porta do gabinete. ‘Entre.’ Abre-se a
porta e surge um homem de olhar vago, naquela espécie de farda hospitalar que
vestiam os doentes em ambulatório. ‘Já está, sôtor; aqui tem.’ E lança dali
mesmo uma chave, saindo de imediato. ‘Pedi-lhe para me ir arrumar o carro’,
explica o médico. E depois, sem transição, sem qualquer inflexão especial, a
frase fulgurante, guardada pelo gravador: ‘É um tipo porreiro. Matou o pai.’
Nunca mais ouvi alguém dizer de alguém que ‘é um tipo porreiro’ sem voltar a
ouvir a frase do António. Que pena tenho de já só a poder ouvir, naquela voz
bem timbrada, na minha cabeça.”
Campo
d’Ourique, 5 de Março de 2026
https://www.facebook.com/somera.simoes/post
terça-feira, 3 de março de 2026
Michael Hudson - Da negociação à detonação
Dani,el Vaz de Carvalho -Assim estalou a guerra
domingo, 1 de março de 2026
Ricky - Estamos mesmo fingindo que o atentado a bomba da turma de Epstein ...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
" You're in the Army Now "
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Stalin e o discurso de Churchill sobre a Cortina de Ferro
Alfredo Barroso - Crimes de guerra não foram só os da Alemanha, da Itália e do Japão
LIVROS SOBRE O
IMPERIALISMO OCIDENTAL, EUROPEU E AMERICANO, E A ARROGÂNCIA E GANÂNCIA DO PODER
DOS ESTADOS-UNIDOS
- livros
sugeridos por Alfredo Barroso, porque, se fossem lidos pela esmagadora maioria
dos comentadores epecialistas das TV's privadas, eles perceberiam melhor os
disparates que proferem ao falarem do «imperialismo Russo»...
* Alfredo Barroso
2026 02 26
HISTÓRIA E LITERATURA FIDEDIGNAS SOBRE CRIMES DE GUERRA COMETIDOS PELO OCIDENTE DESDE A II GUERRA MUNDIAL
Para não ser
apenas eu a fruir dos livros da minha biblioteca, aqui vão cinco sugestões de
leitura sobre história e literatura fidedignas acerca dos crimes de guerra
cometidos pelo Ocidente, sobretudo pelo Reino Unido, durante a II Guerra
Mundial. E pelos Estados-Unidos da América desde então até à actualidade.
Ei-las:
«DER BRAND.
DEUTSCHLAND IM BOMBERKRIEG, 1940-1945» («EL INCÊNDIO. ALEMANIA BAJO LOS
BOMBARDEOS, 1940-1945), por JÖRG FRIEDERICH (2002) – Os bombardeamentos que
assolaram as cidades, vilas e aldeias alemãs durante os cinco anos da II Guerra
Mundial não têm paralelo na história. Foram bombardeadas mais de mil urbes e
localidades. Trinta milhões de civis – na sua maioria velhos, mulheres e
crianças – foram vítimas de cerca de um milhão de toneladas de bombas
incendiárias e explosivas. Morreram mais de um milhão de civis e perdeu-se para
sempre grande parte do património urbanístico, modelado desde a Idade Média.
Até à
publicação deste livro, em 2002, nenhum relato histórico tinha oferecido uma
narrativa sobre a verdadeira dimensão dos factos e o destino real das vítimas.
O historiador berlinense JÖRG FRIEDERICH veio colmatar essa falta com esta obra
sobre a campanha de destruição que os britânicos e os norte-americanos
planearam e executaram, de forma sistemática, contra as cidades alemãs.
Com base em
numerosas fontes, o autor mostra-nos a evolução e aperfeioçoamento das bombas,
o seu efeito devastador no terreno, a experiência traumática da população
refuguada em “bunkers” e caves, as mortes por calor e asfixia, a brutal pressão
do ar e os gases tóxicos e o desmoronar de uma herança cultural de
incomensurável riqueza.
JÖRG FRIEDERICH
(nascido em 1944) investigou os delitos de Estado do nazismo e os seus crimes
de guerra. Colaborou na ‘Enciclopédia do Holocausto’ e produziu inúmeras séries
de televisão sobre Criminologia da Guerra, tanto terrestre como aérea. Foi
galardoado com diversas distinções internacionais em virtude dos seus
trabalhos.
«LUFTKRIEG UND
LITERATUR» («HITÓRIA NATURAL DA DESTRUIÇÃO»), por W. G. SEBALD (1999) – Através
deste texto magistral, o grande escritor W.G.Sebald (1944-2001) revela como os
bombardeamentos massivos do solo alemão pelas tropas aliadas, nos últimos meses
da II Guerra Mundial, se tornaram um tabu no seio da sociedade e da literatura
alemãs. Rejeitando o sentimento de culpabilidade dos intelectuais alemães, que
falseia o seu julgamento tanto quanto a sua inspiração estética, W. G. Sebald
preencheu a lacuna por uma evocação à sua maneira desses “raids de aniquilação
total” que custaram a vida a cerca de um milhão de civis alemães.
«Da destruição
como elemento da história natural» é uma obra incisiva e poderosa, ilustrada
por fotos e documentos, que torna palpável o sofrimento do seu país, escrita
por um dos mais notáveis escritores contemporâneos, W. G. Sebald, autor de
várias obras marcantes como: “Os Emigrantes” (1999); «Os Anéis de Saturno»
(1999); «Vertigens” (2001); e «Austerlitz» (2002).
(Edição
portuguesa da TEOREMA)
«HIROSHIMA»,
por JOHN HERSEY (1946 e 1986) – Este é o livro mundialmente mais conhecido do
jornalista e escritor norte-americano John Hersey (1914-1993). Publicado pela
primeira vez em quatro capítulos pela revista ‘New Yorker’, em 1946, John
Hersey acrescentou um quinto capítulo em 1986. Este livro publica a versão
integral.
Quando a bomba
atómica alcunhada ‘Little Boy’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade japonesa de
Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, a menina TOSHIKO SASAKI, funcionária do
departamento de pessoal da Fábrica de Estanho do Leste Asiático, estava a
conversar com uma colega. O dr. MASAKAZU FUJII, proprietário e único médico de
um hospital, acabara de instalar-se com todo o conforto no seu alpendre. A
senhora HATSUIO NAKAMURA, viúva, estava à janela a observar uma cena estranha.
O padre WILHELM KLEINSORGE, sacerdote alemão, lia uma revista jesuíta. O jovem
cirurgião TERUFUMI SASAKI caminhava pelo corredor dum hospital com uma amostra
de sangue destinada a um teste Wassermann. O reverendo KIIOSHI TANIMOTO, pastor
da Igreja Metodista de Hiroshima, preparava-se para descarregar o conteúdo de
um carro de mão numa casa dos subúrbios da cidade.
«A bomba
atómica [de Hiroshima] matou cem mil pessoas, e estas seis contavam-se entre os
sobreviventes. E ainda se interrogam como foi possível sobreviverem quando
tantas outras pereceram».
Ao mesmo tempo
que o holocausto produzido pelo nazismo está presente na memória social, ‘o
outro holocausto’ seu contemporâneo parece ter-se diluído na existência irreal
dos homens. E, no entanto, o emprego da arma atómica contra duas cidades
japonesas [a bomba atómica ‘Fat Man’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade
japonesa de Nagasaki em 8 de Agosto de 1945] constitui uma denegação de sentido
equivalente aos extermínio das «raças inferiores» pelos nazis. Auschwitz e
Hiroshima são duas marcas do terror absolutamente contíguas, constituindo as
figuras máximas da descivilização no século XX: os campos da morte e o emprego
militar da energia atómica.
(Edição
portuguesa da ANTÍGONA)
«CHAIN OF
COMMAND» («DOMMAGES COLLATÉRAUX. LA FACE OBSCURE DE LA “GUERRE CONTRE LE
TERRORISME”), por SEYMOUR HERSH (2004) – Nesta obra impressionante, o grande
jornalista norte-americano Seymour Hersh deslinda para nós o complicado feixe
de manipulações e de manobras que conduziram ao ataque contra o World Trade
Center e ao escândalo das torturas na prisão do Exército dos EUA em Abu Ghraib,
no Iraque. Alimentado por inúmeras confidências de «fontes» altamente
colocadas, o relato de Seymor Hersh faz-nos mergulhar no próprio coração do
poder americano. Quer se trate das manigâncias da ‘Cabala’, o pequeno grupo de
neo-conservadores que ‘fabricaram’ a guerra no Iraque; quer se trate do
relatório confidencial de 2002 denunciando as torturas em Guantanamo Bay, prefiguração
directa do que iria acontecer em Abu Ghraib; quer se trate da operação
‘Anaconda’, durante a qual os ‘GI’, por incompetência do seu comando, deixaram
escapar Ossama Bin Laden…
Vale a pena
salientar que nem uma das informações reveladas neste livro por Seymor Hersh
foi desmentida pela Administração, cuja única resposta foi: «Seymour Hersh é um
mentiroso».
Este livro
lê-se como um antídoto à desinformação.
SEYMOUR M.
HERSH (nascido em 1937) é já uma lenda do jornalismo de investigação. Durante
quatro décadas, foi uma ‘pedra no sapato’ de todos os Presidentes que se
sucederam na Casa Branca, por causa das suas investigações exemplares. Foi ele
que revelou o terrível massacre de My Lai, cometido em Novembro de 1969 por
tropas dos EUA durante a Guerra do Vietnam. Jornalista independente, trabalhou
muitos anos para o ‘New York Times’ e foi grande repórter da revista ‘New
Yorker’. Publicou vários livros sobre as suas investigações e foi galardoado
com o Prémio Pulitzer (de Jornalismo).
«DIRTY WARS,
THE WORLD IS A BATTLEFIELD» («DIRTY WARS, LE NOUVEL ART DE LA GUERRE») por
JEREMY SCAHILL (2013) – Um Exército secreto. Uma Missão sem fronteiras. Uma
Guerra sem fim. A leitura desta obra-prima do jornalismo de investigação tem o
efeito dum electrochoque. Jeremy Scahill leva-nos longe das frentes oficiais,
lá onde bem poucos jornalistas conseguem chegar e onde o Estado toma o gosto
por práticas inconfessáveis. E o Presidente dos EUA Barak Obama (2009-2017),
com os seus ‘drones’ assassinos, foi um dos mais flagrantes exemplos.
Nesta
impressionante investigação que assume a forma de um ‘thriller’, Jeremy Scahill
foca o projector nas manobras clandestinas do Joint Special Operations Command
(JSOC), esse corpo de exército colocado directamente sob as ordens da Casa
Branca, munido de uma autorização para matar com toda a impunidade, e para o
qual o mundo não passa dum campo de batalha. Do Afeganistão ao Yémen, passando
pelo Paquistão, pela Somália e pelos Estados-Unidos, o jornalista dá a palavra
às vítimas dessa guerra suja (‘dirty war’), às famílias destruídas, homens e
mulheres que têm de escolher entre a dor resignada e a ‘djihad’ contra uma
América deveras sanguinária.
JEREMY SCAHILL
é jornalista de investigação e correspondente de guerra da revista americana
‘The Nation’. É também autor de “Blackwater: a ascensão do exército privado
mais poderoso do mundo”. Depois de ter participado na revelação do escândalo
‘Prism’, com os jornalistas Glenn Greenwald e Laura Poitras, Jeremy Scahill
fundou ‘The Intercept’, uma revista on-line que difunde nomeadamente as
informações reveladas por Edward Snowden.
Este seu livro
foi considerado um dos 10 melhores livros do ano de 2013 nos Estados-Unidos da
América pela “Publishers Weekly”.
Campo
d’Ourique, 26 de Fevereiro de 2026 (e 29 de Julho de 2022)





