quarta-feira, 30 de julho de 2008

Semelhanças e Diferenças - uma opinião


Joffre Justino


Mais um texto para criticarem em coisasdehoje, o meu blog



Semelhanças e Diferenças


(Galp baixou preços dos combustíveis às 0:00 horas de hoje)…


Que há que aproxime as pessoas de Rabo de Peixe, nos Açores, às da Quinta da Fonte?


Nada, aparentemente.


Algo os torna entretanto, afins, a Pobreza, mas nada os aproxima de facto, por muito que tal custe a alguns “analistas”.


Tal como nada aproxima, na minha humilde opinião, os “ciganos” dos “africanos”, (mas já algo aproxima os “ciganos” das pessoas da comunidade de Rabo de Peixe…).


As comunidades de Rabo de Peixe e “cigana” têm algo de comum – o não se identificarem com a vivência na sociedade actual, no que ela tem de consumista, de identificadora pela imagem transmitida de alto para baixo, de busca desesperada do enriquecimento, da Riqueza ostentatória, (ou da aparência da mesma, pelo menos), de identificação do seu corpo com o “corpo ideal”, (o definido em alto e divulgado, para baixo), o de se não identificarem com a imagem do que o eu deve ser, divulgada pela comunicação social, em especial a audiovisual.


Mas o que os distingue é demasiado – a comunidade de Rabo de Peixe existe para se anular, enquanto que a(s) comunidade(s), cigana(s), existe(m) para se afirmar(em) pela diferença, orgulhando-se do seu passado, da sua marginalidade, do seu desprezo pelo “Outro”.


Já a(s) comunidade(s) “africana(s) querem integrar-se, enriquecer, consumir, identificar-se.


No entanto, mais uma vez algo que os torna afins, todas estas comunidades se deparam com uma rejeição colectiva das restantes comunidades que as envolvem.


Este é um problema adicional a ter em conta.


Reparemos – todas as comunidades “alienígenas”, atrás, recebem subsídios perante as situações de infortúnio em que vivem. A de Rabo de Peixe aproveita-os, ao que dizem alguns, para tentar “aumentar a espécie”; a(s) “cigana”(s) para facilitar a vivência no contexto da sua marginalidade; a(s) africana(s) para mais rapidamente se integrarem.


Por isso o acréscimo da participação dos membros das comunidades “africanas” na escola, a busca permanente de Emprego, de habitação, de condições, mínimas que sejam, de vida.


Não há banditismo “africano”?


Há. As armas existentes na Quinta da Fonte, o ataque violento à(s) comunidade(s) cigana(s), assim o provam.


Na verdade, o que se viveu na Quinta da Fonte foi, precisamente, uma ocupação paramilitar de um território.


Daí o desejo de afastamento, desse bairro, da(s) comunidade(s) cigana(s). Para ela(s), houve uma derrota territorial.


Assim, a Inclusão, social, cultural, étnica, é impossível?


Não.


Mas a mesma Inclusão não convive bem, nem com o amorfismo, nem com a complacência institucional.


Está provada a existência de armas.


Porque se espera para as procurar? Porque se espera para deter quem as tiver em casa?


Porque nunca haverá Inclusão, social, cultural, étnica, enquanto as comunidades se sentirem organizadas, para militarmente, isto é, com um “Estado” ao lado do Estado.


Não é aceitável que se aceite que a Quinta da Fonte deixe de ser “cigana” para passar a ser “africana”. Até porque nem a maioria dos “africanos” o desejam, mesmo que se silenciem.


A Inclusão exige participação livre e democrática e não “Estados” dentro do Estado. Exige diálogo intercultural permanente e não o “diálogo” das armas. Exige a percepção da cedência multifacetada e não a autoridade imposta.


E se é fácil aceitar a ideia da “mudança de Estado”, enquanto forma de poupar custos no investimento para a Inclusão, a verdade que esse é um percurso conhecido – o que conduziu às actuais favelas militarizadas brasileiras, enquanto reduto dos “gestores” do mundo da droga.


E isso nada tem a ver com Inclusão!


Joffre Justino


Nota: Finalmente, a GALP baixou os preços! Que tem tal a ver com a Pobreza? Tudo, porque estes preços ainda são altos!


Joffre Justino


remetido por
L. Martins
ter 29-07-2008 16:50
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ver também
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Os Ciganos - Povo, Cultura e Discriminação
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in
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... scriptorium.index
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Rabo de Peixe - Wikipédia, a enciclopédia livre
Rabo de Peixe é uma vila e freguesia portuguesa do concelho da Ribeira Grande, nos Açores.




A justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca


Clara Ferreira Alves

Expresso Julho 2008


Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa comisso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

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Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

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Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

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Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

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E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos.

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Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
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Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

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.No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

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As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

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E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

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E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

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E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

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E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

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Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

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.Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

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Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

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Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

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Clara Ferreira Alves - "Expresso"

NOTA do Editor - Não só mas também e não só em Portugal (VN)

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Remetido por P. Sempre

ter 29-07-2008 18:33

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Noam Chomsky: "É o petróleo, estúpido!"








28 DE JULHO DE 2008 - 11h57

Noam Chomsky: "É o petróleo, estúpido!"


O acordo que se perfila entre o ministério iraquiano do petróleo e quatro companhias petrolíferas ocidentais levanta questões delicadas quanto aos motivos da invasão e da ocupação do Iraque pelos Estados Unidos. Estas questões deviam ser levantadas pelos candidatos às eleições presidenciais e discutidas seriamente nos Estados Unidos, assim como no Iraque ocupado, onde parece que a população desempenha apenas um papel menor - se é que desempenha - na definição do futuro do país.


Por Noam Chomsky*



As negociações relativas à renovação das concessões petrolíferas, perdidas quando das nacionalizações que permitiram aos países produtores recuperar o controle dos seus próprios recursos, estão bem encaminhadas para serem entregues à Exxon Mobil, Shell, Total e BP. Estes parceiros originais da Companhia Petrolífera Iraquiana são acompanhados agora pela Chevron e por outras companhias petrolíferas de menor dimensão. Estes contratos negociados sem concorrência, aparentemente redigidos pelas companhias petrolíferas com a ajuda dos oficiais americanos, foram preferidos às ofertas formuladas por mais de 40 outras companhias, especialmente chinesas, indianas e russas.


"O mundo árabe e parte das população americana suspeitavam que os Estados Unidos tinham entrado em guerra precisamente para proteger a riqueza petrolífera que estes contratos procuram garantir" escreveu Andrew E. Kramer no New York Times. A referência de Kramer a uma suspeita é um eufemismo. É além disso mais provável que a ocupação militar tenha ela própria impulsionado a restauração de uma odiada Companhia Petrolífera Iraquiana, instalada na época da dominação britânica afim de "se alimentar com a riqueza do Iraque no quadro de um acordo notoriamente desequilibrado", como escreveu Seamus Milne no Guardian.


Os últimos relatórios evocam atrasos na apreciação das ofertas. O essencial desenrola-se sob o signo do segredo e não seria surpreendente que surgissem novos escândalos.


A necessidade dificilmente poderia ser mais premente. O Iraque possui provavelmente a segunda reserva mundial de petróleo, que se caracteriza além disso por baixos custos de extração: sem permafrost (tipo de solo das regiões árticas, permanentemente congelado), nem areias betuminosas a transpor, nem perfuração em águas profundas para empreender. Para os planejadores americanos, é imperioso que o Iraque permaneça, na medida do possível, sob o controle dos Estados Unidos, como um Estado cliente dócil apropriado para acolher bases militares em pleno coração da primeira reserva energética mundial. Que esses eram os objetivos fundamentais da invasão foi sempre claro, apesar da cortina de fumaça de sucessivos pretextos: Armas de destruição maciça, ligações de Saddam com a Al-Qaeda, promoção da democracia e da guerra contra o terrorismo - o qual se desenvolveu radicalmente com a própria invasão, como era previsível.


Em novembro último, estas preocupações tornaram-se explícitas quando o presidente Bush e o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, assinaram uma "Declaração de princípio", com total desprezo pelas prerrogativas do Congresso americano e do Parlamento iraquiano, assim como da opinião das respectivas populações.


Esta Declaração permite uma presença militar indefinida no Iraque, em coerência com a edificação em curso de gigantescas bases aéreas em todo o país, e da "embaixada" em Bagdá uma cidade na cidade, sem qualquer semelhança em todo o mundo. Tudo isto não é construído para ser em seguida abandonado.


A declaração encobre igualmente uma descarada afirmação quanto à exploração dos recursos do Iraque. Nela se afirma que a economia iraquiana, isto é os seus recursos petrolíferos, deve ser aberta aos investimentos estrangeiros, "especialmente americanos". Isto é quase como um anúncio de que vos invadimos para controlar o vosso país e dispor de um acesso privilegiado aos vossos recursos.


A seriedade destas intenções foi sublinhada pelo "signing statement" do presidente Bush, declarando que rejeitará qualquer texto do Congresso suscetível de restringir o financiamento necessário para permitir "o estabelecimento de qualquer instalação ou base militar necessária para o abastecimento das Forças Americanas que estão permanentemente estacionadas no Iraque" ou o "controle dos recursos petrolíferos iraquianos pelos Estados Unidos".


O recurso extensivo aos "signing statements", que permitem ao poder executivo estender o seu poder, constitui outra das inovações práticas da administração Bush, condenada pela Associação de Advogados Americanos como contrária ao Estado de direito e à separação constitucional dos poderes".


Sem surpresa, a declaração provocou imediatos protestos no Iraque, entre os quais dos sindicatos iraquianos, que sobrevivem apesar das duras leis anti-sindicais, instituídas por Saddam e mantidas pelo ocupante.


Segundo a propaganda de Washington, é o Irã que ameaça a dominação americana no Iraque. Os problemas americanos no Iraque são todos imputados ao Irã. A Secretária de Estado Condoleeza Rice sugere uma solução simples: "as forças estrangeiras" e os "exércitos estrangeiros" deveriam ser retirados do Iraque - os do Irã, não os nossos.


O confronto quanto ao programa nuclear iraniano reforça ainda as tensões. A política de "mudança do regime" conduzida pela administração Bush a respeito do Irã é acompanhada da ameaça do recurso à força (neste ponto Bush não é contraditado por qualquer dos dois candidatos à sua sucessão). Esta política igualmente legitima o terrorismo em território iraniano. A maioria dos americanos prefere a via diplomática e opõe-se ao uso da força, mas a opinião pública é em grande parte irrelevante, e não só neste caso.


Uma ironia é que o Iraque está se transformando pouco a pouco num condomínio americano-iraniano. O governo de Maliki é a componente da sociedade iraquiana sustentada ativamente pelo Irã. O chamado exército iraquiano - exatamente uma milícia entre outras - é largamente constituído pela brigada Badr, treinada no Irã e que foi constituída do lado iraniano durante a guerra Irã-Iraque.


Nir Rosen, um dos correspondentes mais astuciosos lá presentes e profundo conhecedor da região, salienta que o alvo principal das operações militares conduzidas conjuntamente pelos Estados Unidos e por Maliki, Moqtada Al-Sadr, já não recolhe os favores do Irã: independente e beneficiando de apoio popular, esta facção é perigosa para este país.


O Irã, segundo Rosen, "apoiou claramente o Primeiro ministro Maliki e o governo iraquiano, na altura do recente conflito em Bassra, contra o que eles descrevem como ‘os grupos armados ilegais' (do exército Mahdi de Moqtada)", "o que não é surpreendente tendo em conta que o seu principal testa de ferro no Iraque, o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano, apoio essencial do governo Maliki, domina o Estado iraquiano."


"Não há guerra por procuração no Iraque", conclui Rosen, "porque os Estados Unidos e o Irã partilham o mesmo testa de ferro".


Podemos presumir que Teerã gosta de ver os Estados Unidos instalarem-se e apoiarem um governo iraquiano receptivo à sua influência. Para o povo iraquiano porém este governo constitui um verdadeiro desastre e vai provavelmente prejudicá-lo mais.


Em termos de relações externas, Steven Simon sublinha que a estratégia contra-insurrecional atual dos Estados Unidos "alimenta as três ameaças que pesam tradicionalmente na estabilidade dos Estados do Médio Oriente: o tribalismo, os senhores da guerra e o sectarismo." Isto poderia desembocar no surgimento de um "Estado forte e centralizado, dirigido por uma junta militar que poderia assemelhar-se" ao regime de Saddam. Se Washington conseguir os seus fins, então as suas ações estão justificadas. Os atos de Vladimir Putin, quando conseguiu pacificar a Tchechênia de uma maneira bem mais convincente que o general David Petraeus no Iraque, suscitam contudo comentários de outra natureza. Mas isto são eles, nós somos os Estados Unidos. Os critérios são portanto totalmente diferentes.


Nos Estados Unidos, os Democratas são reduzidos ao silêncio pelo pretenso sucesso da ofensiva militar americana no Iraque. Mas o seu silêncio trai a ausência de oposição de princípio à guerra. Segundo a sua forma de ver o mundo, o fato de se alcançarem os fins justifica a guerra e a ocupação. Os apetitosos contratos petrolíferos são obtidos com a conquista do território.


De fato, a invasão no seu conjunto constitui um crime de guerra - crime internacional supremo, que difere dos outros crimes de guerra porque gera, segundo os próprios termos do julgamento de Nuremberg, todo o mal causado em seguida. Isto está entre os assuntos impossíveis de abordar na campanha presidencial ou em qualquer outro quadro. Porque estamos no Iraque? Qual é a nossa dívida para com os iraquianos por ter destruído o seu país? A maioria do povo americano deseja a retirada das tropas americanas do Iraque. A sua voz tem importância?


* Publicado em Khaleej Times a 8 de Julho de 2008, disponível em chomsky.info.


Tradução de Carlos Santos (esquerda.net)

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in Vermelho

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Por que os humoristas não conseguem fazer piada com Obama

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16 DE JULHO DE 2008 - 20h49

O que Barack Obama tem de engraçado? Aparentemente, não muito, pelo menos por enquanto. Na segunda-feira, a revista The New Yorker tentou fazer uma sátira envolvendo o senador Obama, retratando em sua capa o candidato democrata e sua esposa, Michelle, como terroristas seguidores de Bin Laden no Salão Oval da Casa Branca. A reação, tanto de democratas quanto de republicanos, foi explosiva.

Por Bill Carter, no The New York Times



Charge da ''New Yorker'': mal vista

Fazer humor não tem sido fácil para a turma dos apresentadores de programas noturnos que precisam tirar sarro de líderes políticos para apimentar os seus monólogos. Jay Leno, David Letterman, Conan O'Brien, entre outros têm feito uma série de piadas sobre o candidato republicano — todas elas variantes do mesmo tema: John McCain é velho.

Mas muito pouco humor é feito sobre Obama: sua idade, sua oratória, sua inteligência, sua família, seu físico. E em um cenário de programas noturnos dominado por apresentadores brancos, roteiristas brancos e público eminentemente branco, quase não há piadas sobre a raça do candidato democrata.

''Tiramos sarro de pessoas relacionadas a ele, mas não dele propriamente.'' disse Mike Sweeney, roteirista-chefe do programa Late Night do apresentador O'Brien. As piadas sobre Obama virão, disseram os representantes dos programas noturnos, assim que Obama fizer ou disser algo que o defina — em termos humorísticos.

''Somos como urubus,'' disse Jon Stewart, apresentador do The Daily Show, produzido pelo canal Comedy Central. ''Ficamos na espreita nos perguntando 'Ele parece fraco? Já está desidratado? Então, vamos atacar.'''

Mas até agora, nenhuma piada foi feita. Por quê? A razão citada pela maioria dos envolvidos nos programas noturnos é que falta em Obama um fator fundamental: não há ''brecha'' para o humor, nada que seja fácil de gerar riso, como a suposta disposição para mulherengo de Bill Clinton, ou o jeito pateta do presidente Bush, ou a personalidade robótica de Al Gore.

''A questão é que ele não é um bufão em nenhum sentido,'' disse Mike Barry, que começou a escrever piadas políticas para os monólogos de Johnny Carson durante o governo de Johnson, e desde então tem satirizado todos os candidatos à presidência, tendo trabalhado recentemente para Letterman. ''Ele não é uma figura cômica,'' disse Barry.

Piadas foram feitas sobre a verdadeira opinião que Hillary Clinton tinha de Obama durante as primárias e sobre os comentários vulgares que o reverendo Jesse Jackson fez sobre o democrata na semana passada. Mas qualquer coisa que tenha chegado mais próximo de uma piada sobre Obama não deu certo.

Recentemente, quando Stewart do The Daily Show tentou fazer uma piada a respeito da mudança de postura de Obama sobre o financiamento de sua campanha, a platéia ficou obviamente incomodada, a ponto do apresentador dizer, ''Sabe, vocês podem rir dele.'' Stewart afirmou em uma entrevista telefônica na segunda-feira, ''As pessoas têm a tendência de reagir dentro dos limites de suas ideologias.''

Não há dúvida, segundo diversos representantes de programas noturnos, de que a audiência (e pelo menos uma parte dos roteiristas) sente empatia por Obama, o que a deixa menos confortável em relação a piadas sobre ele do que sobre a maioria dos candidatos do passado. ''Muitos estão entusiasmados com a sua candidatura,'' Sweeney disse. ''É quase como se dissessem 'Ei, não mexam com esse cara. Ele é um rosto novo; peguem leve.'''

Justin Stangel, roteirista-chefe do The Late Show With David Letterman, contestou a afirmação, dizendo: ''sempre temos que fazer piadas sobre todo mundo. Não damos desconto para o novato.'' Mas Barry disse ainda: ''acho que alguns de nós caricaturamos Al Gore e John Kerry muito precocemente e agora parece haver uma relutância em fazer o mesmo com Obama.''

Claro, a questão racial também é mencionada como um fator que dificulta satirizar Obama. ''Qualquer piada que tenha a mínima relação com racismo não terá graça para ninguém,'' disse Rob Burnett, produtor executivo do programa de Letterman. ''O público não vai permitir que ninguém faça uma coisa dessas.''

Nesta semana, a revista The New Yorker enfrentou uma hostilidade diferente por sua capa, duramente criticada pelos membros da campanha de Obama. O porta-voz da campanha, Bill Burton, declarou que ''a maioria dos leitores considera a brincadeira de mau gosto e ofensiva -- e nós concordamos.''

Quando perguntado sobre a capa em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, McCain disse que ela é ''totalmente inapropriada e que entendia o motivo pelo qual o senador Obama e seus aliados ficaram ofendidos.''

A capa foi desenhada por Barry Blitt, que também faz ilustrações para o editorial do The New York Times. David Remnick, editor do The New Yorker, disse em uma mensagem de e-mail: ''a capa usa várias distorções, mentiras e idéias equivocadas sobre o casal Obama e as coloca na frente de um espelho, desmascarando o que de fato elas são. Isso lembra muito a espirituosidade de Stephen Colbert -- ao exagerar e satirizar algo, ele revela o seu absurdo, que é o propósito da sátira.'' Mas Colbert não tem conseguido fazer de Obama objeto de seu humor.

Stewart, que também é produtor executivo do The Colbert Report, disse que a reação dos membros da campanha de Obama à capa da The New Yorker lembra algo que se tornou quase de praxe em campanhas políticas. ''Nada acontece sem que haja uma resposta do candidato,'' ele disse. ''Colocamos as pessoas em uma situação maluca. Elas podem se ofender profundamente, mas a reação é parte do processo normal de digestão.''

Bill Maher, que apresenta um programa noturno sobre política na HBO, disse ''Se não é permitido usar ironia na capa da The New Yorker, onde então isso é possível?'' Uma particularidade que claramente teve impacto nas piadas sobre Obama pode ser vista nos mais populares programas noturnos. Não só os apresentadores, como também a vasta maioria das platéias é branca. ''Acho que platéias brancas têm mais receio com questões de raça'', afirmou Sweeney do programa de O'Brien.

As coisas poderiam ser diferentes se pelo menos um apresentador de programas noturnos fosse negro. Comediantes negros não têm problema algum em fazer piadas sobre Obama, disse David Alan Grier, um comediante que, a partir de outubro, terá um programa de notícias satíricas, chamado Chocolate News, no canal Comedy Central.

''Faço piadas de Obama em minhas apresentações'', disse Grier, citando algumas piadas que nunca seriam usadas em programas noturnos (nem no The New York Times).

Porém, ele afirma a respeito dos apresentadores noturnos: ''realmente, esses caras não podem fazer esse tipo de piada. É como piada de gay, que só os comediantes gays podem fazer. Faz parte do território''. Mesmo assim, ele disse não ter pena dos apresentadores: ''de jeito nenhum. Eles já tiveram 200 anos de piadas presidenciais. Agora é a nossa vez.''

Jimmy Kimmel, apresentador do Jimmy Kimmel Live, programa de entrevistas noturno da ABC, disse a respeito de Obama que ''agora está acontecendo um estranho racismo inverso. Não se pode fazer piada dele porque ele é metade branco. É tolice. Acho que a situação é ainda mais problemática porque Obama é muito educado, não parece ter nenhum defeito.''

Maher disse que ser mais cuidadoso ao falar de Obama não interfere em seus comentários, embora ele tenha mais liberdade para falar de certos assuntos na HBO do que outros comediantes. ''Existe essa questão sobre ele ser ou não negro o suficiente'', disse Maher. ''Tenho uma piada: O que ele precisa fazer? Enterrar uma bola? Ele é péssimo no boliche - para mim, isso é negro o suficiente.''

''Acho que podíamos fazer piada sobre as orelhas dele'', disse Kimmel. A maioria dos apresentadores noturnos parece ter a mesma opinião. ''Estamos só esperando,'' disse Eric Stangel que, como o seu irmão, é roteirista-chefe do Letterman Show. ''Ainda não há muitas referências sobre Obama, não como Hillary ou McCain. Mas haverá.''

O produtor do programa, Burnett, afirmou ''Não podemos fabricar uma percepção. Se ela não é real, ninguém vai rir sobre isso.'' Sweeney encerrou dizendo, ''Tomara que ele escolha um idiota como vice-presidente.''

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in Vermelho

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hugh Thompson, Jr. e o massacre de My Lai (Vietname)

Hugh Thompson, Jr.

From Wikipedia, the free encyclopedia


Hugh Thompson as a Captain after being commissioned
Hugh Thompson as a Captain after being commissioned

Hugh C. Thompson, Jr. (April 15, 1943January 6, 2006) was a U.S. Army helicopter pilot during the Vietnam War. He is chiefly known for his role in curtailing the My Lai Massacre, in which several hundred unarmed civilians were killed by soldiers of the U.S. Army.

Born in Atlanta, Georgia, Thompson grew up in rural Stone Mountain, Georgia to strict parents.[1] After dropping out of Troy State University, he volunteered for the US Navy in 1961 and served with a Seabee construction unit from 1961 to 1964. After his enlistment was up he returned home to Georgia and ran a funeral home. Having always wanted to fly, he joined the US Army in 1966 and trained to become a helicopter pilot at Fort Walters and Rucker. He arrived in Vietnam in late December 1967, and joined the 161st Assault Helicopter Company, which was reorganized into the 123rd Aviation Battalion of the Americal Division in January 1968. Known as an aggressive and exceptional pilot, Warrant Officer One Thompson flew an OH-23 Raven observation helicopter as part of B Company (the "Warlords"). On March 16, 1968 he and his crew were supporting Task Force Barker (a battalion-sized element of the Americal) in a reconnaissance capacity. Serving as one door-gunner was his crew chief, Specialist Four Glenn Andreotta and as the other was Specialist Four Lawrence Colburn. All three men received recognition for their heroism at My Lai, although Andreotta died in combat three weeks after the event.


The massacre

In the early morning hours of March 16, 1968, Thompson's OH-23 encountered no enemy fire over My Lai 4. Spotting two possible Viet Cong suspects, he forced the Vietnamese men to surrender and flew them off for a tactical interrogation. Thompson also marked the location of several wounded Vietnamese with green smoke, a signal that they needed help.

Returning to the My Lai area at around 0900 after refueling, he noticed that the people he had marked were now dead. Out in a paddy field beside a dike 200 meters south of the village, he marked the location of a wounded young Vietnamese woman. Thompson and his crew watched from a low hover as Captain Ernest Medina (C Company Commander, 1st Battalion, 20th Infantry Regiment) came up to the woman, prodded her with his foot, and then shot and killed her.

Thompson then flew over an irrigation ditch filled with dozens of bodies. Shocked at the sight, he radioed his accompanying gunships, knowing his transmission would be monitored by many on the radio net: "It looks to me like there's an awful lot of unnecessary killing going on down there. Something ain't right about this. There's bodies everywhere. There's a ditch full of bodies that we saw. There's something wrong here."[2]

Movement from the ditch indicated to Thompson that there were still people alive in there. Thompson landed his helicopter and dismounted. David Mitchell, a sergeant and squad leader in 1st Platoon, C Company, walked over to him. When asked by Thompson whether any help could be provided to the people in the ditch, the sergeant replied that the only way to help them was to put them out of their misery. Second Lieutenant William Calley (1st Platoon Leader, C Company) then came up, and the two had the following conversation:[3]

Thompson: What's going on here, Lieutenant?
Calley: This is my business.
Thompson: What is this? Who are these people?
Calley: Just following orders.
Thompson: Orders? Whose orders?
Calley: Just following...
Thompson: But, these are human beings, unarmed civilians, sir.
Calley: Look Thompson, this is my show. I'm in charge here. It ain't your concern.
Thompson: Yeah, great job.
Calley: You better get back in that chopper and mind your own business.
Thompson: You ain't heard the last of this!

Thompson took off again, and Andreotta reported that Mitchell was now executing the people in the ditch. Furious, Thompson flew over the northeast corner of the village and spotted a group of about ten civilians, including children, running toward a homemade bomb shelter. Pursuing them were soldiers from the 2nd Platoon, C Company. Realizing that the soldiers intended to murder the Vietnamese, Thompson landed his aircraft between them and the villagers. Thompson turned to Colburn and Andreotta and told them that if the Americans began shooting at the villagers or him, they should fire their M60 machine guns at the Americans:[4] "Y'all cover me! If these bastards open up on me or these people, you open up on them. Promise me!" He then dismounted to confront the 2nd Platoon's leader, Stephen Brooks. Thompson told him he wanted help getting the peasants out of the bunker:[5]

Thompson: Hey listen, hold your fire. I'm going to try to get these people out of this bunker. Just hold your men here.
Brooks: Yeah, we can help you get 'em out of that bunker - with a hand grenade!
Thompson: Just hold your men here. I think I can do better than that.

Brooks declined to argue with him, even though as a commissioned officer he outranked Thompson.

After coaxing the 11 Vietnamese out of the bunker, Thompson persuaded the pilots of the two UH-1 Huey gunships (Dan Millians and Brian Livingstone) flying as his escort to evacuate them. While Thompson was returning to base to refuel, Andreotta spotted movement in an irrigation ditch filled with approximately 100 bodies. The helicopter again landed and the men dismounted to search for survivors. After wading through the remains of the dead and dying men, women and children, Andreotta extracted a live boy. Thompson flew the survivor to the ARVN hospital in Quang Ngai.

Upon returning back to their base at about 1100, Thompson heatedly reported the massacre to his superiors. His allegations of civilian killings quickly reached Lieutenant Colonel Frank Barker, the operation's overall commander. Barker radioed his executive officer to find out from Captain Medina what was happening on the ground. Medina then gave the cease-fire order to Charlie Company to "knock off the killing".

After My Lai

Thompson made an official report of the killings, and was even interviewed by Colonel Oran Henderson, the commander of the 11th Infantry Brigade (the parent organization of the 20th Regiment). Concerned, senior Americal officers cancelled similar planned operations by Task Force Barker against other villages (My Lai 5, My Lai 1, etc.) in Quang Ngai Province, possibly preventing the additional massacre of hundreds, if not thousands, of Vietnamese civilians. [6]

Initially, commanders throughout the Americal's chain of command were successful in covering up the My Lai Massacre. Somewhat perversely, Thompson quickly received the Distinguished Flying Cross for his actions at My Lai. The citation for the award fabricated events and praised Thompson for taking to a hospital a Vietnamese child "caught in intense crossfire" and said that his "sound judgment had greatly enhanced Vietnamese-American relations in the operational area." Thompson threw the citation away.

Thompson continued to fly observation missions in the OH-23 Raven and was hit by enemy fire a total of eight times. In four of those instances, his aircraft was lost.[7] In the last incident, his helicopter was brought down by enemy machine gun fire, and he broke his back in the resulting crash landing. This ended his combat career in Vietnam, and he was evacuated to a hospital in Japan and began a long period of rehabilitation. He carried psychological scars from his service in Vietnam for the rest of his life.

When news of the massacre publicly broke, Thompson repeated his account to then-Colonel William Wilson and then-Lieutenant General William Peers during their official Pentagon investigations. In late 1969, Thompson was summoned to Washington DC and appeared before a special closed hearing of the House Armed Services Committee. There, he was sharply criticized by Congressmen, in particular Chairman Mendel Rivers (D-SC), who were anxious to play down allegations of a massacre by American troops. Rivers publicly stated that he felt Thompson was the only soldier at My Lai who should be punished (for turning his weapons on fellow American troops) and unsuccessfully attempted to have him court-martialed. As word of his actions became publicly known, Thompson started receiving hate mail, death threats and mutilated animals on his doorstep.[8]

After his Vietnam service, Thompson was assigned to Fort Rucker, Alabama to become an instructor pilot and later got his direct commission. His other military assignments included: Fort Jackson, South Carolina; Korea; Fort Ord, California; Fort Hood, Texas; and bases in Hawaii. He retired from the military in 1983.

Exactly thirty years after the massacre, Thompson, Andreotta, and Colburn were awarded the Soldier's Medal (Andreotta posthumously), the United States Army's highest award for bravery not involving direct contact with the enemy. "It was the ability to do the right thing even at the risk of their personal safety that guided these soldiers to do what they did," then-Major General Michael Ackerman said at the 1998 ceremony. The three "set the standard for all soldiers to follow." Additionally on March 10, 1998, Senator Max Cleland (D-GA) entered a tribute to Thompson, Colburn and Andreotta into the record of the U.S. Senate. Cleland said the three men were, "true examples of American patriotism at its finest."[9]

Thompson and Colburn at the My Lai monument in 1998
Thompson and Colburn at the My Lai monument in 1998

Also in 1998, Thompson and Colburn returned to the village of My Lai, where they met some of the villagers they rescued, including Thi Nhung and Pham Thi Nhanh, two women who had been part of the group that was about to be killed by Brooks' 2nd Platoon.[10]

They also dedicated a new elementary school for the children of the village.

In 1999, Thompson and Colburn received the Peace Abbey Courage of Conscience Award. Later that year, both men served as co-chairs of STONEWALK, a group that pulled a one-ton rock engraved "Unknown Civilians Killed in War" from Boston to Arlington National Cemetery.

In a 2004 interview with "60 Minutes," Thompson was quoted referring to C Company's men involved in the massacre: "I mean, I wish I was a big enough man to say I forgive them, but I swear to God, I can't."

Thompson served as a counselor in the Louisiana Department of Veterans Affairs, and gave a lecture at the United States Naval Academy in 2003 and the United States Military Academy in 2005 on Professional Military Ethics. He also spoke at the United States Air Force Academy and to United States Marine Corps officers at Quantico. Thompson and his crew's actions have been used as an example in the ethics manuals of U.S. and European militaries. [11]

In 2005, he retired from Louisiana Veterans Affairs. At the age of 62, after extensive cancer treatment, Thompson was removed from life support and died on January 6, 2006 at the Veterans Affairs Medical Center in Alexandria, Louisiana. Lawrence Colburn came from Atlanta, Georgia to be at his bedside. Thompson was buried in Lafayette, Louisiana, with full military honors, including a three-volley salute and a helicopter flyover. On February 8, 2006, Congressman Charles Boustany (R-LA) made a statement in Congress honoring him, stating that the "United States has lost a true hero, and the State of Louisiana has lost a devoted leader and dear friend".[12]

Music

Folk singer David Rovics wrote a song about the incident at My Lai called 'Song for Hugh Thompson'.

Ryan Costello of The OaKs wrote a song commemorating Hugh Thompson's heroism in 'For Hugh Thompson, Who Stood Alone.' on the album 'Our Fathers and the Things They Left Behind'.

External links

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See also

References

  • Michael Bilton & Kevin Sim, Four Hours in My Lai. Penguin Books, 1992.
  • Trent Angers, The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story. Acadian House Publishing, 1999.

Notes

  1. ^ Moral Courage In Combat: The My Lai Story, 2003, <http://www.usna.edu/Ethics/Publications/ThompsonPg1-28_Final.pdf>
  2. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 117, Angers, 1999
  3. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, pp 119-120, Angers, 1999
  4. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 124, Angers, 1999
  5. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 124, Angers, 1999
  6. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, pp 219-220, Angers, 1999
  7. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 146, Angers, 1999
  8. ^ Moral Courage In Combat: The My Lai Story, 2003, <http://www.usna.edu/Ethics/Publications/ThompsonPg1-28_Final.pdf>
  9. ^ Additional Statements”, The Congressional Record (Senate), 1998, <http://bulk.resource.org/gpo.gov/record/1998/1998_S01709.pdf>
  10. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 77, Angers, 1999
  11. ^ The Forgotten Hero of My Lai: The Hugh Thompson Story, page 221, Angers, 1999
  12. ^ Extensions of Remarks”, The Congressional Record (House of Representatives), 2006

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Nos 110 anos do nascimento de Ferreira de Castro


A Literatura e o realismo social

Desde Camilo que a nossa ficção se deixou seduzir (e, quanto a mim, bem) pela realidade portuguesa. A realidade que estava ao rés dos olhos, bastava para tanto fixar o olhar e ela entrava-nos pelos neurónios, a doer, atrelava-se à prosa como lapa à rocha em manhãs de vendaval. Com Camilo e com Júlio Diniz e, mais tarde, com Eça de Queirós, começávamos a saber pensar, literariamente, a realidade circundante, nossa e intransmissível – os seus mais obscuros linimentos.
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Camilo, nos seus romances, nos interstícios da poeira romântica, convocava o Povo para o pôr a servir, para figura subalterna, passiva e serviçal. Eça, que pertenceu a uma geração que sonhava um projecto de transformação da sociedade portuguesa, de cariz progressista, influenciado por Hegel e, sobretudo, por Proudhon, limitou-se a uma crítica mordaz dos comportamentos da burguesia e da aristocracia endinheirada, de denúncia aos excessos lúbricos do clero, relegando, quase sempre, as classes trabalhadoras para um papel de observadores passivos ou de meros instrumentos ocasionais do jogo de intriga. Devemos-lhe, contudo, esse notável texto, lido nas Conferências do Casino, A Nova LiteraturaO Realismo como nova expressão da Arte, a partir do qual a literatura portuguesa rompia, definitivamente, com os maneirismos barrocos e com o romantismo e assumia a crítica social, denunciando excessos e injustiças mais chocantes. Mas Eça e seus companheiros da Geração de 70, nunca chegaram, nos seus textos, a dar «verdadeiramente voz às camadas populares» (1).
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A voz do Povo, enquanto sujeito da história, só aconteceria na nossa Literatura anos depois, através da pujante obra romanesca de Ferreira de Castro. Embora no romance naturalista O Amanhã, de Abel Botelho, publicado na última década do século XIX, o protagonista seja um tipógrafo anarquista, prenúncio já de algum inconformismo social, é através do romance Emigrantes, publicado em 1928, que Ferreira de Castro inaugura na nossa ficção o realismo social o qual antecipa, nos aspectos mais abrangentes e determinantes da denúncia da opressão do capital sobre o trabalho, o neo-realismo.
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Ferreira de Castro nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, a 24 de Maio de 1898. Filho de camponeses pobres, emigra para o Brasil com 12 anos de idade. Em Portugal vivia-se ainda a aura romântica (muito camiliana) do «brasileiro-torna-viagem», que buscava em Terras de Vera Cruz o seu El Dourado. Nada disso aconteceu com Ferreira de Castro: para o Brasil partiu com uma mão cheia de nada e de lá regressou com outra cheia de coisa nenhuma. Mas, para o jovem que já escrevia poemas na sua Ossela natal e aos dezoito escreve o seu primeiro romance, Criminoso Por Ambição, publicado em forma de folhetim, a experiência de quatro anos vividos no seringal Paraíso, em plena selva amazónica, haveria de constituir-se como determinante para a sua produção ficcional. O jovem emigrante recolheria na selva amazónica, através dos trabalhos mais duros e humilhantes, ao nível da semi-escravatura, mas igualmente em Belém do Pará, em S. Paulo e no Rio de Janeiro, elementos e vivências que lhe permitiram construir uma obra de 31 livros, entre romances, memórias de viagens e ensaio sobre arte, tornando-se o escritor português mais traduzido e conhecido do seu tempo e um dos mais prestigiados e universalmente estudados de toda a nossa Literatura.
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É numa viagem a Manaus, logo após a publicação de Criminoso Por Ambição, que Ferreira de Castro, em contacto com outros compatriotas pobres que no Brasil não encontram o paraíso prometido pelos engajadores, obterá os elementos que lhe permitiram a elaboração do livro Emigrantes, a sua primeira obra de fôlego, na qual se detecta já a estrutura novelesca, embora ainda com algumas fragilidades formais, que edificará o melhor da sua vasta obra. Manuel da Bouça, o protagonista de Emigrantes, camponês pobre e analfabeto, vai para o Brasil na esperança de conseguir fortuna para arranjar dote para a filha e poder comprar as leiras que fazem estrema com as suas. Mas o sonho desfaz-se e Manuel da Bouça regressa à pátria mais pobre do que partira e já desapossado das courelas que deixara como penhor do bilhete para a viagem. Só regressa, mesmo pobre e humilhado, porque os acasos da sorte o atiram para a confusão de uma revolta e ele consegue ficar com os anéis, a corrente e o relógio de um dos mortos na contenda. O profundo humanismo de Ferreira de Castro está patente na forma como olha para este homem desapossado, pela usura, dos resquícios de dignidade, como lhe percorre os sobressaltos das noites despovoadas, o acompanha, com solidário estremecimento, até à vergonha que o espera no seu regresso à aldeia. Aí chegado, é obrigado a mentir, a inventar um sucesso que não houve. Parte para Lisboa, espiando, na cidade grande, longe dos olhares dos seus conterrâneos, o fracasso e a mentira.
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Escrita actual e com futuro
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A sua obra-prima, a obra que o tornará conhecido internacionalmente é, sem dúvida, A Selva. Os seus anos de adolescente passados no seringal serviram-lhe para tornar verosímil esse inferno vivido pelos homens na floresta amazónica, para nos dar a dimensão da avareza, da tirania, da sujeição a que os trabalhadores são expostos por um sistema desumano e esclavagista. Em A Selva o personagem principal não é Alberto, o jovem monárquico fugido a uma revolução perdida, mas a selva amazónica, esse vasto espaço indomesticável, rude e impenetrável, perante a qual os homens que a habitam exibem os seus mais primitivos instintos: «Era um mundo à parte, terra embrionária, geradora de assombros e tirânica, tirânica! (…) Ali não existia mesmo a árvore. Existia o emaranhado vegetal, louco, desorientado, voraz, com alma e garras de fera esfomeada. (…) Os homens eram títeres manejados por aquela força oculta, que eles julgavam, ilusoriamente, ter vencido com a sua actividade, o seu sacrifício e a sua ambição.» (2)
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O teórico alemão Wolfgang Kayser, refere, no ensaio Análise e Interpretação da Obra Literária, que A Selva «é nitidamente um romance de espaço», de um «espaço geográfico e telúrico, em que se vem inscrever o espaço social».
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A arte literária de Ferreira de Castro é visionária, não só porque antecipa, brilhantemente, o humanismo neo-realista, mas por abrir à literatura outros horizontes geográficos e civilizacionais até então ausentes da ficção narrativa: a vida na selva amazónica, a emigração, as preocupações ecológicas.
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Em O Instinto Supremo, Ferreira de Castro ergue a voz corajosa e solidária, para defender os índios do Brasil, as ameaças que pairam sobre o seu modo de vida, cultura e costumes, que a cupidez dos colonos vai fazendo desaparecer. É toda uma cultura ancestral, restos da civilização ameríndia, que máquinas infernais do capitalismo vão destruindo quilómetro a quilómetro. O Instinto Supremo antecipa em algumas décadas, (foi publicado em 1968) as nossas mais profundas preocupações ambientais, traz para o terreno da consciência colectiva universal, os problemas fulcrais da exploração sem freio que o capitalismo selvagem vem impondo aos recursos deste planeta que nos é comum, pondo em risco a sobrevivência das futuras gerações.
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Ferreira de Castro foi um escritor profundamente comprometido com o seu tempo, corajoso, civicamente empenhado, denunciando nos jornais e através da sua obra, as injustiças, as perseguições a democratas, a opressão e a tirania do fascismo luso. O romance A Curva da Estrada é, pela sua crua lucidez, um dos textos em que essa vertente interventora de Ferreira de Castro mais claramente se assume.
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O ensaio As Maravilhas Artísticas do Mundo, revela-nos um Ferreira de Castro cosmopolita, viajado, atento ao pulsar deste nosso mundo, sabedor e culto, escrevendo ou convivendo com os grandes vultos da arte e da cultura seus contemporâneos: Picasso, Gauguin, Matisse, Claude Monet.
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O realismo social da obra de Ferreira de Castro é, nestes tempos dramáticos que nos querem obrigar a viver, obviamente incómodo. Para os poderes instalados é preciso, primeiro, denegrir e, subtilmente, tentar ignorar a obra ímpar do autor de A Lã e a Neve. A crítica instalada, impante, sempre serviçal, do alto do seu snob conservadorismo armado em modernaço, tenta passar-lhe ao lado: entretém-se com o Fernando Pessoa e com o baú das pepitas a haver, que talvez lhe garanta mesada grossa para pagar a renda – sobretudo, é preciso não irritar quem lhes paga a soldada. O ministro da Cultura, a existir, andará certamente absorvido com outras transcendências, implorando aos deuses do seu exclusivo Olimpo que o não perturbemos com minudências, tentando ignorar que neste ano da graça de 2008 se cumprem 110 anos sobre a data de nascimento de um dos nomes cimeiros da Cultura Portuguesa do século XX.
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Apesar de todo o silêncio (há silêncios ensurdecedores) «a obra romanesca de Ferreira de Castro, injustamente esquecida (…) merece uma atenta revisão, que, na actual conjuntura política em que o egoísmo prevalece ostensivamente sobre a solidariedade, possa iluminar os valores humanos que o seu realismo social exalta sem demagogia». Justas e sábias palavras de Urbano Tavares Rodrigues.
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A Obra de Ferreira de Castro está aí. Viva, a doer-nos, a mostrar-nos os lanhos que mais nos ferem e indignam. Uma escrita ainda actual e com futuro. Para o Futuro.
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(1) Urbano Tavares Rodrigues – Ferreira de Castro, o realismo social e a dignidade humana
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(2) A Selva, de Ferreira de Castro





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Os pobres aumentam e estão cada vez mais pobres
Uma das figuras maiores da arte portuguesa