Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sábado, 25 de janeiro de 2025
Miguel Sousa Tavares - A tomada de posse dos donos do mundo
sábado, 18 de maio de 2024
Miguel Sousa Tavares - Quando os alarmes soam
* Miguel Sousa Tavares
(EXPRESSO 2024 05 18)
MIGUEL SOUSA TAVARES ESCREVE DE ACORDO COM A ANTIGA ORTOGRAFIA
sábado, 17 de dezembro de 2022
Miguel Sousa Tavares - Bonita, ingénua, bem-intencionada: a Europa
* Miguel Sousa Tavares
Eva Kaili não é apenas uma mulher
bonita, é linda. Linda, nova, prestigiada, com um emprego de luxo e uma vida
magnífica a fazer aquilo que gosta: a participar directamente na definição das
políticas europeias como deputada e vice-presidente do Parlamento Europeu
durante os últimos oito anos. É difícil de perceber e, menos ainda, de aceitar
o que mais poderia ainda esta grega desejar para si ao ponto de agora estar
fechada numa cela de uma prisão belga acusada do mais indigno dos crimes que
podem recair sobre alguém que faz política em representação dos cidadãos:
ter-se deixado subornar para sustentar no Parlamento Europeu opiniões
contrárias a todo o seu historial político e, a troco de um montão de dinheiro
a perder de vista, acabar a defender a política de direitos humanos e laborais
do Catar. Vem-me à memória uma reportagem que fiz na Grécia, quando Portugal
entrou na então CEE, com um dono de uma exploração agrícola, que me explicava
que era costume estenderem grandes superfícies de redes verdes nos campos para
que os satélites de observação pensassem que eram plantações e Bruxelas lhes
pagasse os subsídios acordados, ou as 140 profissões de “desgaste rápido” que
permitiam aos gregos reformarem-se com a pensão por inteiro ao fim de 25 anos
de trabalho, ou o recurso aos especialistas do Goldman Sachs para os ensinarem
a martelar as contas públicas antes de entrarem em inevitável default, ou
algumas outras experiências desagradáveis de simples honestidade de tratamento
lá vividas, e pergunto-me se haverá alguma coisa de errado com os gregos e o
dinheiro. Mas sei que é injusto e perigoso generalizar e que o mais justo e
mais seguro é tomar o caso de Eva Kaili e dos seus associados (incluindo o
namorado italiano) por aquilo que é à vista: mais um caso da aparentemente
insaciável cobiça de alguns humanos por cada vez mais dinheiro. O síndroma Tio
Patinhas, que aprendemos na infância sob a forma de brincadeira e não de coisa
séria.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
Como quer que seja, este é um
caso-limite que, pelos seus contornos e natureza, atinge profundamente um país,
uma instituição fundamental da UE e toda a classe política que os inimigos da
democracia tanto prazer têm em destruir. Muitos colegas de Eva Kaili, sobretudo
do seu grupo parlamentar socialista, declararam-se a posteriori espantados com
a veemência da defesa do Catar que ela levou ao PE, de forma espontânea e
inesperada. De facto, mesmo paga para tal, é surpreendente que um deputado
europeu se tenha permitido argumentar contra factos públicos e notórios e, para
alguém cuja área de trabalho são os direitos humanos, fazer tábua rasa de tudo
aquilo que se sabe sobre os infelizes que puseram de pé, ao preço das suas
vidas, o Mundial do Catar. Pelo que a dúvida tem toda a razão de ser: como é
que ela se atreveu a tal?
Atreveu-se por duas razões: a
primeira porque, com o Mundial a decorrer e milhões no mundo inteiro
concentrados nos destinos dos jogos, a hora era de esquecer o resto, como disse
o nosso Presidente. E a segunda porque, como o próprio PE estabeleceu há duas
semanas, de momento, para a Europa, só há um Estado no mundo à margem da lei e
da decência: a Rússia, o primeiro e único país até hoje declarado “patrocinador
do terrorismo”. Pelo que Eva Kaili concluiu que tudo o resto podia ser
branqueado porque também aqui as atenções estavam todas concentradas noutro
lado. Ainda esta semana o nosso eurodeputado Paulo Rangel assinou, a meias com
um colega lituano, um artigo a justificar aquela resolução do PE, tomando como
justificação primeira os 8400 mortos civis já causados pela guerra na Ucrânia
(como se fossem todos causados pelo lado russo e não por ambos os lados…), num
texto que, aliás, é uma grosseira manipulação de números, de conceitos e de
conclusões. Mas todos os dias há textos semelhantes na imprensa europeia
escritos por eurodeputados ou por uma imensa legião de alinhados acríticos com
as posições da NATO, de tal forma que é de perguntar se tamanho Blitz opinativo
não esconde o medo de que as pessoas comecem a pensar pela própria cabeça.
Entre nós, várias vozes chegaram mesmo ao delírio de tentar passar a ideia de
que Putin é igual a Estaline e que os bombardeamentos russos às centrais
eléctricas ucranianas são o novo Holodomor — a Grande Fome, de 1932/33, quando
Estaline, em represália pela resistência dos camponeses ucranianos à
colectivização das terras, lhes confiscou todos os cereais, condenando 7 a 10
milhões a morrerem de fome. Deliberadamente, confunde-se o que é uma guerra em
si mesma ilegítima com os actos inevitáveis decorrentes dessa ou de qualquer
outra guerra, como os ataques a instalações civis, que neste caso passam a ser
todos “crimes de guerra” e “terrorismo”.
E como todos os olhares, todas as
atenções e todos os esforços estão concentrados em fazer frente ao único
patrocinador do “terrorismo”, que é a Rússia, presume-se, ao menos por um
interregno, que o resto do mundo é um oásis de paz e de respeito pelos direitos
humanos. Para o qual a Europa olha com o seu olhar complacente, ingénuo e
bem-intencionado. Porém, lá longe, o louco da Coreia voltou aos seus ensaios de
mísseis de longo alcance, mas agora nem há um louco americano que o ache
suficientemente simpático para falar com ele e Biden está demasiado preocupado
com Putin e Xi para prestar atenção a Kim. No Irão, o acordo que estava
iminente para travar a bomba nuclear congelou e o enriquecimento do urânio
prossegue a bom ritmo. Aliás, tanto com a Coreia como com o Irão a participação
da Rússia nas negociações de desarmamento era crucial, mas, embora isso suceda
por vezes nas séries de espionagem, neste caso pedir a um “terrorista” que
ajude a negociar com outros terroristas está fora de questão. E, contudo, tanto
no Irão como no Afeganistão, devolvido aos talibãs por falta de interesse
estratégico, o Ocidente assiste, mudo e quieto, ao maior retrocesso
civilizacional em matéria de direitos humanos desde que Genghis Khan invadiu a
Europa. O nosso aliado saudita prossegue no Iémen uma guerra escondida dos
olhares televisivos onde diariamente morrem 10 vezes mais civis do que na
Ucrânia, mas o príncipe regente que mandou cortar o americano às postas na
Embaixada de Ancara viu Biden ir visitá-lo para lhe beijar a mão e pedir
petróleo que não fosse “terrorista”, e agora, que mediou a libertação da
basquetebolista americana das garras dos “terroristas” russos, está
definitivamente limpo. O aliado israelita está transformado num Estado racista
declarado, onde o apartheid é doutrina oficial do Governo e jurisprudência dos
tribunais e todos os dias invade e expropria mais um pedaço de um país alheio:
a Palestina. Mas os Estados Unidos consentem e a Europa cala. E, enfim, temos o
caso verdadeiramente bicudo do aliado turco, membro da NATO, e que não é
parceiro europeu porque a Europa lhe bateu com a porta na cara há uns anos. Até
ver, a Turquia é, juntamente com os Estados Unidos, um dos únicos ganhadores
desta guerra. Havia uma grande oportunidade a passar em frente da porta e
Erdogan não a desperdiçou. E para a história (para quem a sabe) ficará o feito
notável do Ocidente, e sobretudo da Europa, de conseguir empurrar a Rússia para
os braços da Turquia, e vice-versa.
Para já, o que preocupa Bruxelas
é que Erdogan está a dar a Putin a possibilidade de furar o isolamento
comercial a que as sanções pretendiam condenar a Rússia. Mas, para além de uma
via alternativa para o escoamento da energia e dos cereais russos, a Turquia,
aliada da Rússia, dar-lhe-á o controlo do mar Negro e da saída através do
Bósforo para o Mediterrâneo Oriental, no flanco sul da NATO e numa zona
estratégica da Europa. Porém, a desforra de Erdogan vai mais longe: para não
vetar a adesão da Suécia e da Finlândia à NATO, ele exige a humilhação destes
dois países (apoiada por Stoltenberg) e carta branca para, invadindo países
vizinhos, dizimar os curdos — que foram os aliados decisivos do Ocidente para
derrotar no terreno os verdadeiros terroristas do Daesh. E, cego pela sua nova
ambição imperial, cresce agora sobre a Grécia, ameaçando tomar as ilhas do Egeu
e atingir Atenas com os seus novos brinquedos de morte. Explicitamente.
Eis onde estamos. Eis onde
chegou a Europa. A obsessão de ver tudo a preto e branco fez esquecer a
geopolítica, fechou a porta à diplomacia, confundiu infiltrados com aliados e
facilitou nos valores apregoados em benefício da narrativa que se quis impor às
opiniões públicas. No fim, a Europa irá descobrir que ficou sozinha num
continente em desagregação e num mundo sem eixos de referência nem pontes entre
realidades diversas e interesses diferentes, onde triunfará a lei dos mais
fortes. E não será a nossa.
https://estatuadesal.com/2022/12/17/bonita-ingenua-bem-intencionada-a-europa/
domingo, 11 de dezembro de 2022
Miguel Sousa Tavares - Ensaios sobre a lucidez
*
Comecemos pelas casas de
banho e balneários nas escolas públicas, um tema pertinente e candente que
interessa aos alunos que se declaram de sexo indeterminado ou contrário àquele
que aparentam ter (peço desculpa por eventual imprecisão, mas isto é de
compreensão difícil para leigos). Houve um primeiro despacho do Governo a
regulamentar o assunto, em 2019, mas o Tribunal Constitucional declarou-o
inconstitucional por ser matéria reservada da AR, sendo então retomado por
projectos de lei do PS e do BE. E esses projectos foram agora a parecer do
Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida, cujos conselheiros se dividiram:
alguns propõem que às casas de banho e balneários já existentes, para rapazes e
raparigas, se acrescentem novas construções para sexos indeterminados; outros,
mais simplesmente, propõem que as casas de banho já existentes passem a ser
“neutras”, servindo todos os sexos — existentes, declarados e a existir ou a
declarar no futuro. Sobre isto e as soluções propostas tenho várias dúvidas
substanciais e uma terminal.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
São dúvidas substanciais as
seguintes:
— uma casa de banho é um lugar
onde se satisfazem necessidades fisiológicas ou é um lugar onde se afirma a
identidade sexual perante o mundo?
— se, como pretende o segundo
grupo de conselheiros, todas as casas de banho e balneários devem passar a ser
de regime livre, como se assegura o apregoado direito à intimidade, por
exemplo, de raparigas assumidas como tal que veem entrar nas suas instalações
um rapaz que ali vai satisfazer as suas necessidades a pretexto de que se sente
rapariga? E quem garante que está a ser genuíno?
— mas se, pelo contrário, se
optar pela solução alternativa de construir um terceiro género de instalações
para o terceiro género de orientações sexuais, calcularam os conselheiros
defensores desta solução quanto custaria ao país — em grosso e por aluno
interessado — proceder a esse acrescento nos milhares de escolas públicas?
— e, já agora e por força do
princípio da igualdade, por que razão se há-de limitar este revolucionário
direito a jovens quase todos menores de idade? Não deveria ele ser estendido a
todos os portugueses e, por maioria de razão, a adultos com a sexualidade mais
bem definida, em todos os edifícios públicos e privados do país?
Quanto à dúvida terminal, é muito
simples:
— este importantíssimo passo, a
que poderemos com justiça chamar a “Revolução das Casas de Banho”, é mesmo
essencial para melhorar a qualidade da democracia e da vida em sociedade? Não
seria mais digno darmos casas de banho decentes aos trabalhadores imigrantes da
agricultura alentejana?
2
A mando do Chega, prepara-se uma
revisão constitucional que temo seja pretexto para infestar a Constituição com
mais um elenco de direitos e garantias que mais parecem saídos de um programa
de Governo ou de uma aula de catequese do que de um texto fundamental. Quando
foi feita, em 1976, os constituintes gabaram-se de ter parido a segunda maior
Constituição do mundo, só atrás da da então Jugoslávia, ignorando que a
História tinha já ensinado que quanto mais pequena é uma Constituição mais
fiável, duradoura e respeitada se torna. Agora, entre outros acrescentos e
“aperfeiçoamentos” ditados pelas modas do tempo, pretende-se criminalizar
constitucionalmente os maus-tratos e abandono de animais. Mas uma Constituição
não é um Código Penal, e mesmo um Código Penal não consegue reprimir aquilo que
tem que ver com má-educação, maus instintos e má natureza. E, como disse alguém
cujo nome infelizmente não retive, como se pode pretender criminalizar o
abandono de animais e não o fazer para aqueles que abandonam seres humanos, os
seus pais ou avós, em hospitais, lares ou sozinhos em casa? Se eu pudesse,
acrescentaria apenas um artigo novo à Constituição: “São proibidas todas as
formas de demagogia.”
3
A poucos dias de mais uma
tentativa de votar uma lei da eutanásia que há nove anos se arrasta num
exaustivo processo legislativo no Parlamento (e tudo menos precipitado, como
disse Cavaco Silva), Luís Montenegro veio, a destempo, propor um referendo. É
lícito que ele tenha — como eu tenho e tantos têm — dúvidas, porventura
insolúveis, sobre a eutanásia. Mas para aqueles que ainda mais licitamente a
reclamam para si mesmos não vejo que “outras alternativas” de que ele fala
pudessem ser consideradas através de um referendo ou de mais um adiamento.
4
Para um jornal como o “Público”,
que, desde o início da guerra na Ucrânia, subscreveu abertamente as posições e
a informação da NATO e do Ocidente no conflito, é de saudar a entrevista feita
ao historiador russo Yuri Slezkine. Embora Slezkine seja um historiador da nova
geração, crítico de Putin e do regime e de há muito a viver nos Estados Unidos,
como professor em Berkeley, o seu olhar sobre o conflito não deixa de reflectir
uma outra visão das coisas — que a informação dos media ocidentais tem sido
comodamente avessa a escutar. Sobretudo quando ele procura na História parte
das razões do conflito — mais uma aversão dos comentadores pró-NATO, que acham
que a História começou a 24 de Fevereiro: “Como historiador, não consigo
imaginar nenhum governante russo, nenhum czar, nenhum secretário-geral do
partido comunista a dizer que se a Ucrânia se quer juntar a uma aliança militar
hostil está no seu direito... Se a NATO está a aproximar-se e a tornar-se mais
hostil, o que faria se estivesse no Kremlin?” Slezkine recorda, aliás, como a
Rússia pós-soviética tentou várias vezes aproximar-se do Ocidente —
inclusivamente, pedindo a adesão à NATO — e foi sempre repudiada.
Há coisas sérias no horizonte:
o tribunal especial para deitar mão às reservas russas no Ocidente ou a nova
guerra comercial do aliado americano contra a Europa. Mas aqui podem esperar:
temos a questão das casas de banho para o terceiro sexo nas escolas, a
criminalização constitucional do abandono de animais e o desentendimento entre
o treinador e o comentador de futebol Marcelo em relação a CR7
Agora, que o Parlamento Europeu
declarou a Rússia como um “Estado patrocinador do terrorismo” — uma figura
inexistente no direito público internacional — e se fala na criação de um
tribunal ad hoc para julgar retroactivamente os crimes de guerra russos na
Ucrânia, as subsequentes declarações de Ursula von der Leyen parecem trazer
alguma luz ao objectivo pretendido: condenar a Rússia ao pagamento de uma
indemnização de guerra, destinada a financiar a reconstrução da Ucrânia e o
custo de todo o armamento que lhe foi sendo fornecido para manter a guerra.
Custo estimado: 300 mil milhões de euros — equivalente ao montante das reservas
russas, públicas e privadas, congeladas em bancos ocidentais. A arquitectura
jurídica que teria de ser montada para pôr de pé esta operação não tem
precedente algum no direito internacional, nem sequer nos Acordos de Versalhes
ou de Nuremberga, subverteria de futuro todo o comércio mundial e as próprias
relações entre Estados e, obviamente, equivaleria a uma declaração de guerra
formal à Rússia, com consequências permanentes para a paz no mundo e, em
especial, na Europa.
É suicidário que seja a própria
Europa a escolher este caminho e a recusar qualquer via negocial para o fim da
guerra. E é incompreensível que o faça no momento em que os Estados Unidos dão
sinais crescentes de estarem fartos desta guerra e cada vez mais virados para o
Oriente, ao mesmo tempo que a uma Europa que já está a pagar, na energia e nos
alimentos, o grosso da factura de guerra se preparam para lhe acrescentar o
custo de uma guerra comercial “aliada”, desencadeada pela nova Lei de Redução
da Inflação, autêntica machadada nas exportações europeias para os EUA. Já
houve tempos em que o secretário de Estado Kissinger, para se justificar de
maltratar a Europa, dizia que não sabia o número de telefone da Europa,
querendo significar que não sabia quem respondia pela Europa. Esses tempos
parecem repetir-se agora, mas com uma diferença: já há um número de telefone na
Europa — é o do secretário-geral da NATO. A “ressuscitada” NATO, tão saudada
pelos europeus, que deveria ser o braço armado da política externa consensual
do Ocidente, é hoje, pela mão do seu secretário-geral, apenas o braço armado da
política externa americana — da Ucrânia até à China. Mas Stoltenberg é também,
e se repararem, o ministro dos Estrangeiros da Europa. É ele quem viaja pelas
várias capitais europeias, quem está presente em todos os fóruns, quem fala
antes e acima de todos os dirigentes europeus não sobre a disposição de forças
ou sequer sobre a política de defesa europeia mas sobre a política externa
europeia — da Ucrânia até à China. Agora, quando os americanos querem falar com
a Europa, falar pela Europa ou dar ordens à Europa, telefonam a Jens
Stoltenberg.
5
Desde que a selecção de futebol
chegou ao Catar, Cristiano Ronaldo fez tudo para chamar sobre si o exclusivo
das atenções, e os jornalistas portugueses presentes fizeram-lhe a vontade,
massacrando-nos diariamente com as novelas à volta do CR7 como se nada mais
existisse de importante do que ele e os seus estados de espírito. E mesmo
depois de três jogos de absoluta desilusão e de uma manifestação de mal-educada
insubordinação contra o treinador, não ouvi nem li, entre as dezenas de
jornalistas e comentadores de futebol que pululam por todos os lados — desde o
mais insignificante estagiário até aos mais encartados, como Marcelo Rebelo de
Sousa —, um só que se tenha atrevido a defender a sua saída da equipa. Porém,
atreveu-se, enfim, o treinador. E, como já se tinha visto no ensaio geral
contra a Nigéria, a equipa joga infinitamente melhor sem ele, liberta da
escravidão de ter de servir os seus interesses pessoais, os seus recordes, o seu
egoísmo, o seu ego. É, de facto, uma tristeza ver terminar assim uma carreira
verdadeiramente notável, mas não se pode ajudar eternamente quem não quer e
tudo faz para não merecer ser ajudado.
Miguel Sousa Tavares escreve
de acordo com a antiga ortografia
domingo, 9 de dezembro de 2018
Miguel Sousa Tavares - A morte dos livros
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Miguel Sousa Tavares - Esta noite sonhei com Mário Lino
| Assunto: | Hei!.A dormir? |
|---|---|
| Data: | 4/Ago 15:16 |
A dormir na Planicie do Lette??? Todos ???! abraço eu Flor do Deserto . | |




