Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 31 de maio de 2026
Francisca Napolitano - [Palestina livre]
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Boaventura Sousa Santos - Em Leninegrado, a pensar em Cuba e Gaza
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Alfredo Barroso - Crimes de guerra não foram só os da Alemanha, da Itália e do Japão
LIVROS SOBRE O
IMPERIALISMO OCIDENTAL, EUROPEU E AMERICANO, E A ARROGÂNCIA E GANÂNCIA DO PODER
DOS ESTADOS-UNIDOS
- livros
sugeridos por Alfredo Barroso, porque, se fossem lidos pela esmagadora maioria
dos comentadores epecialistas das TV's privadas, eles perceberiam melhor os
disparates que proferem ao falarem do «imperialismo Russo»...
* Alfredo Barroso
2026 02 26
HISTÓRIA E LITERATURA FIDEDIGNAS SOBRE CRIMES DE GUERRA COMETIDOS PELO OCIDENTE DESDE A II GUERRA MUNDIAL
Para não ser
apenas eu a fruir dos livros da minha biblioteca, aqui vão cinco sugestões de
leitura sobre história e literatura fidedignas acerca dos crimes de guerra
cometidos pelo Ocidente, sobretudo pelo Reino Unido, durante a II Guerra
Mundial. E pelos Estados-Unidos da América desde então até à actualidade.
Ei-las:
«DER BRAND.
DEUTSCHLAND IM BOMBERKRIEG, 1940-1945» («EL INCÊNDIO. ALEMANIA BAJO LOS
BOMBARDEOS, 1940-1945), por JÖRG FRIEDERICH (2002) – Os bombardeamentos que
assolaram as cidades, vilas e aldeias alemãs durante os cinco anos da II Guerra
Mundial não têm paralelo na história. Foram bombardeadas mais de mil urbes e
localidades. Trinta milhões de civis – na sua maioria velhos, mulheres e
crianças – foram vítimas de cerca de um milhão de toneladas de bombas
incendiárias e explosivas. Morreram mais de um milhão de civis e perdeu-se para
sempre grande parte do património urbanístico, modelado desde a Idade Média.
Até à
publicação deste livro, em 2002, nenhum relato histórico tinha oferecido uma
narrativa sobre a verdadeira dimensão dos factos e o destino real das vítimas.
O historiador berlinense JÖRG FRIEDERICH veio colmatar essa falta com esta obra
sobre a campanha de destruição que os britânicos e os norte-americanos
planearam e executaram, de forma sistemática, contra as cidades alemãs.
Com base em
numerosas fontes, o autor mostra-nos a evolução e aperfeioçoamento das bombas,
o seu efeito devastador no terreno, a experiência traumática da população
refuguada em “bunkers” e caves, as mortes por calor e asfixia, a brutal pressão
do ar e os gases tóxicos e o desmoronar de uma herança cultural de
incomensurável riqueza.
JÖRG FRIEDERICH
(nascido em 1944) investigou os delitos de Estado do nazismo e os seus crimes
de guerra. Colaborou na ‘Enciclopédia do Holocausto’ e produziu inúmeras séries
de televisão sobre Criminologia da Guerra, tanto terrestre como aérea. Foi
galardoado com diversas distinções internacionais em virtude dos seus
trabalhos.
«LUFTKRIEG UND
LITERATUR» («HITÓRIA NATURAL DA DESTRUIÇÃO»), por W. G. SEBALD (1999) – Através
deste texto magistral, o grande escritor W.G.Sebald (1944-2001) revela como os
bombardeamentos massivos do solo alemão pelas tropas aliadas, nos últimos meses
da II Guerra Mundial, se tornaram um tabu no seio da sociedade e da literatura
alemãs. Rejeitando o sentimento de culpabilidade dos intelectuais alemães, que
falseia o seu julgamento tanto quanto a sua inspiração estética, W. G. Sebald
preencheu a lacuna por uma evocação à sua maneira desses “raids de aniquilação
total” que custaram a vida a cerca de um milhão de civis alemães.
«Da destruição
como elemento da história natural» é uma obra incisiva e poderosa, ilustrada
por fotos e documentos, que torna palpável o sofrimento do seu país, escrita
por um dos mais notáveis escritores contemporâneos, W. G. Sebald, autor de
várias obras marcantes como: “Os Emigrantes” (1999); «Os Anéis de Saturno»
(1999); «Vertigens” (2001); e «Austerlitz» (2002).
(Edição
portuguesa da TEOREMA)
«HIROSHIMA»,
por JOHN HERSEY (1946 e 1986) – Este é o livro mundialmente mais conhecido do
jornalista e escritor norte-americano John Hersey (1914-1993). Publicado pela
primeira vez em quatro capítulos pela revista ‘New Yorker’, em 1946, John
Hersey acrescentou um quinto capítulo em 1986. Este livro publica a versão
integral.
Quando a bomba
atómica alcunhada ‘Little Boy’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade japonesa de
Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, a menina TOSHIKO SASAKI, funcionária do
departamento de pessoal da Fábrica de Estanho do Leste Asiático, estava a
conversar com uma colega. O dr. MASAKAZU FUJII, proprietário e único médico de
um hospital, acabara de instalar-se com todo o conforto no seu alpendre. A
senhora HATSUIO NAKAMURA, viúva, estava à janela a observar uma cena estranha.
O padre WILHELM KLEINSORGE, sacerdote alemão, lia uma revista jesuíta. O jovem
cirurgião TERUFUMI SASAKI caminhava pelo corredor dum hospital com uma amostra
de sangue destinada a um teste Wassermann. O reverendo KIIOSHI TANIMOTO, pastor
da Igreja Metodista de Hiroshima, preparava-se para descarregar o conteúdo de
um carro de mão numa casa dos subúrbios da cidade.
«A bomba
atómica [de Hiroshima] matou cem mil pessoas, e estas seis contavam-se entre os
sobreviventes. E ainda se interrogam como foi possível sobreviverem quando
tantas outras pereceram».
Ao mesmo tempo
que o holocausto produzido pelo nazismo está presente na memória social, ‘o
outro holocausto’ seu contemporâneo parece ter-se diluído na existência irreal
dos homens. E, no entanto, o emprego da arma atómica contra duas cidades
japonesas [a bomba atómica ‘Fat Man’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade
japonesa de Nagasaki em 8 de Agosto de 1945] constitui uma denegação de sentido
equivalente aos extermínio das «raças inferiores» pelos nazis. Auschwitz e
Hiroshima são duas marcas do terror absolutamente contíguas, constituindo as
figuras máximas da descivilização no século XX: os campos da morte e o emprego
militar da energia atómica.
(Edição
portuguesa da ANTÍGONA)
«CHAIN OF
COMMAND» («DOMMAGES COLLATÉRAUX. LA FACE OBSCURE DE LA “GUERRE CONTRE LE
TERRORISME”), por SEYMOUR HERSH (2004) – Nesta obra impressionante, o grande
jornalista norte-americano Seymour Hersh deslinda para nós o complicado feixe
de manipulações e de manobras que conduziram ao ataque contra o World Trade
Center e ao escândalo das torturas na prisão do Exército dos EUA em Abu Ghraib,
no Iraque. Alimentado por inúmeras confidências de «fontes» altamente
colocadas, o relato de Seymor Hersh faz-nos mergulhar no próprio coração do
poder americano. Quer se trate das manigâncias da ‘Cabala’, o pequeno grupo de
neo-conservadores que ‘fabricaram’ a guerra no Iraque; quer se trate do
relatório confidencial de 2002 denunciando as torturas em Guantanamo Bay, prefiguração
directa do que iria acontecer em Abu Ghraib; quer se trate da operação
‘Anaconda’, durante a qual os ‘GI’, por incompetência do seu comando, deixaram
escapar Ossama Bin Laden…
Vale a pena
salientar que nem uma das informações reveladas neste livro por Seymor Hersh
foi desmentida pela Administração, cuja única resposta foi: «Seymour Hersh é um
mentiroso».
Este livro
lê-se como um antídoto à desinformação.
SEYMOUR M.
HERSH (nascido em 1937) é já uma lenda do jornalismo de investigação. Durante
quatro décadas, foi uma ‘pedra no sapato’ de todos os Presidentes que se
sucederam na Casa Branca, por causa das suas investigações exemplares. Foi ele
que revelou o terrível massacre de My Lai, cometido em Novembro de 1969 por
tropas dos EUA durante a Guerra do Vietnam. Jornalista independente, trabalhou
muitos anos para o ‘New York Times’ e foi grande repórter da revista ‘New
Yorker’. Publicou vários livros sobre as suas investigações e foi galardoado
com o Prémio Pulitzer (de Jornalismo).
«DIRTY WARS,
THE WORLD IS A BATTLEFIELD» («DIRTY WARS, LE NOUVEL ART DE LA GUERRE») por
JEREMY SCAHILL (2013) – Um Exército secreto. Uma Missão sem fronteiras. Uma
Guerra sem fim. A leitura desta obra-prima do jornalismo de investigação tem o
efeito dum electrochoque. Jeremy Scahill leva-nos longe das frentes oficiais,
lá onde bem poucos jornalistas conseguem chegar e onde o Estado toma o gosto
por práticas inconfessáveis. E o Presidente dos EUA Barak Obama (2009-2017),
com os seus ‘drones’ assassinos, foi um dos mais flagrantes exemplos.
Nesta
impressionante investigação que assume a forma de um ‘thriller’, Jeremy Scahill
foca o projector nas manobras clandestinas do Joint Special Operations Command
(JSOC), esse corpo de exército colocado directamente sob as ordens da Casa
Branca, munido de uma autorização para matar com toda a impunidade, e para o
qual o mundo não passa dum campo de batalha. Do Afeganistão ao Yémen, passando
pelo Paquistão, pela Somália e pelos Estados-Unidos, o jornalista dá a palavra
às vítimas dessa guerra suja (‘dirty war’), às famílias destruídas, homens e
mulheres que têm de escolher entre a dor resignada e a ‘djihad’ contra uma
América deveras sanguinária.
JEREMY SCAHILL
é jornalista de investigação e correspondente de guerra da revista americana
‘The Nation’. É também autor de “Blackwater: a ascensão do exército privado
mais poderoso do mundo”. Depois de ter participado na revelação do escândalo
‘Prism’, com os jornalistas Glenn Greenwald e Laura Poitras, Jeremy Scahill
fundou ‘The Intercept’, uma revista on-line que difunde nomeadamente as
informações reveladas por Edward Snowden.
Este seu livro
foi considerado um dos 10 melhores livros do ano de 2013 nos Estados-Unidos da
América pela “Publishers Weekly”.
Campo
d’Ourique, 26 de Fevereiro de 2026 (e 29 de Julho de 2022)
domingo, 10 de agosto de 2025
Rebecca Martin Goldschmidt e Seiji Yamada - Hiroshima, Nagasaki e o genocídio em Gaza
terça-feira, 5 de agosto de 2025
John Hersey - “Hiroshima” (excertos)
terça-feira, 8 de abril de 2025
Alexandra Lucas Coelho - A vossa vala comum: carta aos governantes do país e da Europa onde nasci
quinta-feira, 26 de dezembro de 2024
Alfredo Barroso - OS INCÊNDIOS ATEADOS PELO "OCIDENTE" NA "ERA DOS EXTREMOS"
sábado, 6 de julho de 2024
Ali Rebas - O direito de se defender” ou como fazer com que o genocídio seja aceite
* Ali Rebas
6 DE JULHO DE 2024
Se a impunidade de que Israel
beneficia, nomeadamente em desafio às decisões das instituições do direito
internacional, é hoje flagrante, a destruição de Gaza foi implementada pela
primeira vez em nome do “direito de se defender”. Esta fórmula também surge
frequentemente na boca de muitos líderes ocidentais para dar a Tel Aviv um
cheque em branco nas operações que realiza contra os palestinianos. Uma lógica
colonial e exterminadora que vem de longa data.
* “Sem luz, sem
água, sem gás, sem comida, está tudo fechado (…) Lutamos contra os animais
humanos, agimos em conformidade. » *
"É uma nação inteira que
é responsável. Esta retórica sobre civis que não estão conscientes, que não
estão envolvidos, é absolutamente falsa. Eles poderiam ter-se levantado,
poderiam ter lutado contra este regime maligno que assumiu o controlo de Gaza
num golpe de Estado. Mas estamos em guerra, estamos a defender as nossas casas.
Esta é a verdade, e quando uma nação protege a sua pátria, ela luta para que
lhe quebremos a espinha dorsal.
Um discurso
civilizador e erradicador, blindado na sua inocência democrática, foi utilizado
para justificar a destruição de Gaza. É principalmente com base neste “direito
de defender-se” que o Ocidente mobiliza em cada uma das suas ações genocidas.
Hoje o Estado de Israel serve de paradigma nesta área. É importante compreender
a função desse discurso e seus modos de operar. A violência ilimitada
apresenta-se como contra-violência: este diagrama define uma disposição e uma
certa lógica que consegue alistar ou enfeitiçar, desarmar e até paralisar uma
parte daqueles que perceberam a mentira e afirmaram resistir-lhe.
COLOQUE UMA IMAGINAÇÃO
De certa forma, nada de novo sob o
sol sujo do pôr do sol3. Para além do próprio extermínio,
todos os estereótipos, os eufemismos, os processos de legitimação utilizados
para fazer aceitar o genocídio em Gaza são antigos. A erradicação dos nativos
americanos foi justificada depois de retratá-los como hordas selvagens,
estupradoras e assassinas, atacando periodicamente comunidades pioneiras
anglo-saxônicas inocentes. Assim foi construída a maior democracia do mundo,
principal suporte e condição de existência da “única democracia do Médio
Oriente” e do genocídio em curso. Mais tarde, nos Estados Unidos, pessoas
negras linchadas e enforcadas foram frequentemente acusadas de violação (de
pessoas brancas, obviamente), como no caso de Thomas Shipp e Abram Smith, que
inspiraram a famosa canção de Billie Holliday, “Strange Fruit”. Os
fatos e sua veracidade pouco importavam. Nada precisava ser provado ou apoiado.
Tudo o que importava era o horror da acusação, o lugar e a força daqueles que a
lançaram, o lugar e a fraqueza daqueles que ela designou e o terreno seguro em que
foi implantada, apesar da sua forma vaga, até claramente enganosa e rapidamente
negada. Tratava-se sobretudo de despertar uma imaginação já enraizada, de
despertar certezas que os civilizados já tinham sobre os subumanos e de
confirmá-las, para que todo o resto pudesse ser esquecido, para que nos
sentíssemos autorizados a libertar o. última crueldade em sã consciência4.
A revolta dos Hereros contra
a ocupação alemã, a dos Argelinos em 8 de Maio de 1945 ou a dos Malgaxes em
1947 contra os Franceses, dão exemplos de acontecimentos que têm vários pontos
em comum com o 7 de Outubro. Em cada caso, a insurreição deixou mais de uma
centena de mortos, por vezes várias centenas, entre os colonos que exterminaram
dezenas de milhares de pessoas colonizadas – obviamente garantindo que estavam
apenas a defender-se.
É surpreendente ver quão pouco
variou o estilo de acusações e inversões de vitimização que a ordem colonial
emprega contra aqueles que massacra. Em relação ao 7 de Outubro, os israelitas
e os seus poderosos representantes políticos e mediáticos falaram de um
“pogrom” ou mesmo de um “Holocausto à bala”.5 — uma frase normalmente usada
para se referir ao massacre de mais de um milhão de judeus da Europa Oriental
por esquadrões móveis nazistas. Até mesmo jornais como o
Médiapart seguiram a propaganda israelita neste ponto, retomando
alguns dos seus termos, como o “maior massacre de judeus desde a
Shoah”6.
O colonialismo francês não hesitou
em atribuir as revoltas de Sétif, Guelma e Kherrata ao ódio racial ou aos
“agentes provocadores”. Nos dias que se seguiram à revolta, o comunicado de
imprensa do governador da Argélia chegou a mencionar “elementos e
métodos de inspiração hitleriana”.7. Esta expressão foi usada muitas vezes na
época, inclusive pelo L'Humanité. Assim que a
Alemanha nazi capitulou, o Ocidente vitorioso usou esta figura do Mal absoluto
para insultar a revolta daqueles que esmagou e justificar o seu extermínio. Não
há muito a acrescentar, a não ser repetir, adaptando, uma famosa frase de
Michel Audiard: os colonos ousam tudo, é mesmo assim que os reconhecemos.
SALVANDO A GRANDE NARRATIVA OCIDENTAL
O genocídio em curso em Gaza
funciona para o Ocidente tanto como um lembrete como como uma grande
experiência. Serve para definir as condições sob as quais o racismo mais
desinibido e mais assumido ainda pode ser desencadeado livremente, beneficiar de amplo apoio e
não apenas de indiferença cúmplice, mesmo nas suas fases de erradicação. Mas
também permite organizar esse desencadeamento, ajustar os seus limites e
modalidades, explorar as possibilidades e oportunidades que
oferece, a nível
tecnológico, militar e governamental. Contribui para definir os eixos e a
intensidade ao longo dos quais um colonialismo anacrónico ainda pode impor-se
direta, explicitamente, sem disfarce, naquelas que até recentemente ainda eram
chamadas de “sociedades abertas”. Mostra como um extermínio constantemente
filmado, transmitido, retransmitido e “compartilhado” durante meses nas redes
sociais pode ser amplamente aceito; e até que ponto a oposição pode ser
controlada, reprimida, marginalizada, reduzida ao espanto ou a protestos
impotentes.
Israel não é apenas o baluarte da
Europa, o seu escudo simbólico, o emblema da sua inocência invencível. É também
a sua grande janela Overton8. Ou melhor, Israel é o meio para
abrir e pôr em movimento todas as janelas de Overton. Desde a queda do nazismo
e o fim dos impérios coloniais, a sua função tem sido salvar a grande narrativa
ocidental. Permite ao Ocidente continuar a perceber-se através das ideias de
democracia, civilização, progresso, inocência, ao mesmo tempo que salva parte
da herança racista que sustenta o mundo compartimentado que ele encarna.
Perpetua esta ficção de sobrevivência que assombra toda a história do Ocidente
moderno. A da certeza de ser o último refúgio civilizado, legítimo para acabar
com aqueles que esmaga e coloniza sob pena de ser submerso por marés subumanas.
A culpa é referida ao passado (nazismo) ou ao exterior (muçulmanos, russos,
chineses, os vilões dos filmes de Hollywood, todos potenciais novos nazis).
A conquista da modernidade nunca deixou de invocar o “direito à defesa” para legitimar as suas devastações. O extermínio marca a história das sucessivas ordens coloniais. Foi desencadeada durante séculos sem colocar muitos problemas filosóficos, legais ou morais à consciência ocidental. E então houve uma anomalia durante a Segunda Guerra Mundial. Um acontecimento que aparece a esta consciência como um erro terrível da pessoa. Um grande erro – um erro policial.
Os nazis tiveram a singular loucura
de importar processos coloniais e o imperialismo para a Europa, com o horizonte
de extermínio que implicavam quando se tratava de “defender-se”. Hoje em dia,
tal afirmação parece provocativa. Contudo, foi formulada por Aimé Césaire, no
rescaldo da guerra, poeta hoje sepultado no Panteão, repleto de homenagens,
monumentos, nomes de ruas e edifícios; nem sequer a impediu de permanecer
prefeita e deputada, na Martinica, é verdade, por mais de meio século:
Sim,
valeria a pena estudar, clinicamente, em detalhe, as abordagens de Hitler e do
hitlerismo e revelar ao muito distinto, muito humanista, muito cristão burguês
do século XX
que ele carrega dentro de si um Hitler que se ignora, que
Hitler habita nele, que Hitler é o seu demônio, que
se ele o repreende é por falta de lógica, e que no fundo, o que ele não perdoa
Hitler, não é o crime em si, o crime
contra o homem, é não a humilhação do homem em si, é
o crime contra o homem branco, é a humilhação do homem branco, e de ter
aplicado à Europa procedimentos colonialistas aos quais até agora apenas os
árabes da Argélia, os coolies da Índia e os negros da África [...].9
Estas palavras ainda soam
verdadeiras hoje para a maioria dos que ouviram falar de Hitler, excepto
estranhamente nas nações que participaram no Judeocídio. É provavelmente por
isso que estes últimos persistem em tratar outras populações, que não participaram
direta ou indiretamente, como anti-semitas incuráveis.
A partir de agora, o colonialismo e
o racismo pretendem defender os judeus, falaciosamente assimilados ao sionismo
que vem a monopolizar a herança de vítima do crime absoluto. Assim se realiza a
síntese, muito coerente com uma certa disposição cristã, entre a culpa e a
expiação, por um lado, e a manutenção da inocência intacta, por outro.
Queremos, diz a voz vinda desta liga, expiar em pensamento os crimes cometidos
durante a Segunda Guerra Mundial, mas são os outros que devem pagar em termos
concretos. A culpa e a expiação, tal como as indústrias poluentes, podem ser
convenientemente realocadas. Esta realocação do
Holocausto foi chamada de Estado de Israel.
Uma das grandes fábulas que
acompanharam esta série de deslocamentos e mentiras históricas é resumida na
fórmula “civilização judaico-cristã”. Se chegou a este ponto nos últimos tempos
é porque cumpriu diversas funções decisivas, além de dar aos europeus a
impressão de se exonerarem de um passado muito condenável. De forma artificial
e desafiando séculos de história comum, permite que o Islão e os muçulmanos se
instalem numa alteridade hostil e irredutível, onde acabam por encarnar a
grande figura da ameaça face à muito nova e muito estranha aliança . Esta
expressão marca também a integração dos judeus no Ocidente, mas apenas na
condição, na maioria das vezes, de os assimilar ao Estado que afirma
representá-los.10. Ao reprimir as exclusões e
perseguições a que os judeus foram sujeitos durante séculos, ao obscurecer a
lógica de que procediam, ao fazer-nos esquecer as formas que poderiam assumir e
os pretextos que invocavam, a “civilização judaico-cristã” fornece também a
narrativa que permite que esta exclusão se repita em sã consciência e de forma
inadequada, contra os novos alvos. Como resume o poeta e romancista israelense
Yitzhak Laor em The New European Philosemitism:
Esta
identificação com “nós” funciona ainda melhor com a cultura do Holocausto, ao
oferecer ao novo europeu, no contexto do “fim da História”, uma versão melhor
da sua própria identidade face ao passado colonial e ao presente.
pós-colonial”. Preocupado com a massa de imigrantes muçulmanos legais e
ilegais, este europeu adoptou o novo judeu como um Outro moderno e
tranquilizador, amigo do progresso, sem barba, sem babados, com uma mulher que
não usa roupas tradicionais e que não esconde o cabelo dele – felizmente, esses
novos judeus não têm nada a ver com os avós.11
Poderíamos dizer que fórmulas como
“civilização judaico-cristã” ou “direito de se defender” são apenas técnicas
publicitárias imaginárias, ideológicas ou grosseiras... Futilidades dos manuais
de propaganda, descobertas de think tanks neoconservadores
, psicologia americana, eficaz apenas porque eles são servidos pelos
sistemas certos, pelas redes de poder certas e por uma relação militar com a
informação. Acrescentaremos que o direito, tal como a legitimidade, só chega depois
do facto, que é apenas um resultado ou um reflexo das relações de poder. Que a
História é obviamente escrita pelos e para os vencedores, uma vez vencidos - é
mesmo assim que os reconhecemos e que aprendemos a pensar contra a História,
que é sempre a sua história. Que a verdadeira
guerra e as verdadeiras questões residem noutro lado, nos interesses militares,
geopolíticos, económicos... Tudo isto é parcialmente verdade, mas também
redutor. Nada mais militar, geopolítico, material e concreto hoje do que a
guerra de informação, que esconde e recodifica uma guerra de percepções e
histórias. Isto, por sua vez, condiciona e modifica o equilíbrio de poder mais
concreto e massivo.
TODOS OS GENOCIDÁRIOS TÊM SEU “7 DE OUTUBRO”
Como escreve o filólogo alemão
Viktor Klemperer em LTI, The Language of the Third Reich:
E
tudo o que empreendemos nesta guerra imposta, nesta guerra judaica, desde o
primeiro minuto, é sempre uma medida de reacção. “Imposta” tem
sido o epíteto constante da guerra desde 1º de setembro de 1939 e,
em última análise, este 1º de setembro não traz absolutamente nada de novo além de
uma continuação dos ataques judaicos contra a Alemanha de Hitler, e nós, somos
nazistas pacíficos, não vamos fazer outra coisa. do que antes, defendemo-nos:
desde esta manhã “estamos a responder ao fogo inimigo”, diz o primeiro boletim
de guerra. Mas no fundo esta sede de assassinato dos judeus não nasceu de
reflexões ou interesses, nem mesmo de uma sede de poder, mas de um instinto, de
um “ódio insondável” da raça judaica para com a raça germano-nórdica. O “ódio
insondável” aos judeus é um clichê que esteve presente ao longo destes doze
anos. Contra o ódio fundamental, não há outra garantia senão a supressão de
quem odeia: assim, passamos logicamente da estabilização do anti-semitismo
racial para a necessidade do extermínio dos judeus.12
Aqueles que hoje continuam a evocar
o extermínio dos judeus da Europa para alistar a sua memória a favor do
sionismo, retomando inescrupulosamente, contra outros alvos, a maior parte dos
tropos que foram usados para justificá-lo, estão a fingir ignorar que foi só foi possível graças a um longo processo ideológico, jurídico, societal, linguístico e policial, que hoje é lembrado. Esquecem também que os
anti-semitas e os nazis também nunca deixaram de invocar a
natureza defensiva da sua guerra - ou melhor, da guerra que lhes foi, disseram,
imposta.
Nem sempre o exterminador começa
declarando que vai exterminar. Muitas vezes acontece que ele diga que a outra
pessoa à sua frente quer exterminá-lo, e que não tem escolha, que está em jogo
a “própria existência” da entidade genocida, como repete Benjamin Netanyahu
desde outubro de 2023. o extermínio planejado, temido, fantasiado sempre
encobre e justifica o extermínio real. E mesmo que isso signifique recordar um
facto triste, que parece constantemente evitado: hoje, são os palestinianos que
estão a ser exterminados.
Até os nazistas repetiam: o Reich
tem o direito de se defender. E tal como os israelitas hoje, alternaram entre
este discurso defensivo e outro que assumia a necessidade de lhe pôr fim, de
livrar o mundo destes “animais humanos” que os
ameaçam. Não há contradição entre os dois, sempre funcionou em conjunto. Em
1943, a assessoria de imprensa do Reich denunciou o “plano de extermínio dos
judeus” dos povos da Europa. Goebbels escreveu: “Se as Potências
do Eixo perdessem a luta, não haveria mais barragens que pudessem salvar a
Europa da onda judaico-bolchevique. »13
A invocação continuada do 7 de
Outubro e o ataque ao Hamas por parte dos israelitas e dos seus aliados, longe
de atenuar ou qualificar o carácter genocida da destruição de Gaza, confirma-o
e complementa-o em grande parte. Não há genocídio que não seja assim
justificado e apresentado como uma necessidade. Todos os genocidas têm o seu “7
de Outubro”, que sacrificaram para usá-lo, muitas vezes a
posteriori, como um cheque em branco, uma autorização para
exterminar – até mesmo um dever de exterminar para não ser por sua vez. Nos
Estados Unidos, a derrota esmagadora infligida aos brancos em Little Big Horn
pelas tribos do oeste americano ainda representa um trauma. Este acontecimento
teve um impacto muito maior sobre os americanos do que o quase completo
extermínio dos nativos, que ajudou a justificar e a transformar
numa guerra defensiva na
consciência ianque . O tenente-coronel Custer, grande figura das “Guerras
Indígenas” morto durante esta batalha, é a personalidade sobre quem mais livros
foram publicados nos Estados Unidos, logo depois de Abraham Lincoln. Como
escreve Gershon Legman, citado por Fanon em Black Skin, White
Masks:
Os
americanos são o único povo moderno, com excepção dos bôeres, que, até onde há
memória, exterminaram completamente a população indígena do solo onde se
estabeleceram. Somente a América poderia, portanto, ter uma má consciência
nacional para acalmar, forjando o mito do “Bad Injun”14, para então
poder reintroduzir a figura histórica do honorável Redskin defendendo sem
sucesso seu solo contra invasores armados com bíblias e rifles. O castigo que
merecemos só pode ser evitado negando a responsabilidade pelo mal, colocando a
culpa na vítima; provando - pelo menos aos nossos próprios olhos - que ao
desferir o primeiro e único golpe estamos simplesmente agindo em legítima
defesa...
Até os nazistas tiveram os
massacres de Katyń, sobre os quais Goebbels escreveu logo após sua descoberta,
no meio da “solução final”:
Perto
de Smolensk, foram encontradas valas comuns polonesas. Os bolcheviques
simplesmente atiraram e empilharam ali cerca de 10.000 prisioneiros polacos
[...] Convido jornalistas neutros de Berlim a visitarem as valas comuns
polacas. […] No local, eles terão que se convencer com os próprios olhos do que
os espera se realmente acontecer o que tanto desejam, ou seja, que os alemães
sejam derrotados pelos bolcheviques.
Este é um convite de jornalistas
que devem ter estado imbuídos das mesmas intenções do governo israelita nos
dias que se seguiram ao 7 de Outubro, e que deu origem a tantas mentiras
espalhadas pelo mundo.15.
Segundo o historiador Peter
Longerich, Katyń tornou-se o slogan que cobre "a pior
campanha anti-semita que o regime já viu". Para os
nazistas, este massacre foi um "massacre judeu", sendo as distinções
entre "judeu" e "bolchevique" na época tão incertas quanto
a distinção que os israelenses e seus aliados fazem hoje entre "Hamas",
"palestinos", "árabes". ”, “Estado Islâmico” e
“terrorista”… Longerich insiste neste ponto importante: a ideia da
necessidade “da aniquilação dos judeus para não serem aniquilados
por eles […] constituiu o cerne da propaganda sobre Katyn »16.
REVERSÃO DE VÍTIMAS
Os genocidas sempre acusaram
aqueles que massacraram de pretenderem fazer a mesma coisa. Por mais vis e
ultrajantes que pareçam, estes tipos de projecções e vitimizações paranóicas
não devem apenas ser rejeitados e desprezados como loucura, propaganda grosseira
ou mentiras sem sentido. Quando ressoam, dentro de uma época, com outros
dispositivos e outras forças históricas, materiais e ideológicas, tornam-se
características essenciais da lógica genocida, participam nela como operadores
eficazes.
Contudo, os israelitas e os seus
apoiantes ocidentais são especialistas em inversão de vítimas. Eles acusam os
seus inimigos de quererem “varrer Israel do mapa”, nomeando precisamente o que
fizeram, literal e figurativamente, pela Palestina.17. Eles constantemente agitam a
ideia de que os árabes querem jogá-los ao mar, enquanto o contrário aconteceu
literalmente em Jaffa em 1948.18. Yitzhak Rabin também disse que
seu maior sonho era ver Gaza engolida pelo mar...
Hoje, a propaganda sionista
predominante invoca a detenção de 200 israelitas pelo Hamas para justificar a
engenharia de horror que metodicamente implanta em Gaza.19. Há mais de 9.000 prisioneiros
palestinianos detidos por Israel, dos quais mais de 3.400 estão sujeitos
a “detenção administrativa” ,
uma medida que permite ao tribunal israelita encarcerá-los sem qualquer
acusação ou julgamento, por um período de seis meses renovável indefinidamente.
. Tudo isto permitiria um novo olhar sobre a famosa questão dos reféns... Em
2011, mais de 1.000 prisioneiros palestinianos, cujos nomes ninguém em França
sabia, foram libertados em troca de um único soldado israelita, cujos nomes
todos sabiam que o seu nome era Gilad Shalit. Salah Hammouri , um
advogado franco-palestiniano detido várias vezes sob detenção administrativa
(incluindo uma última vez em 2022), nunca beneficiou de tal visibilidade em
França. Desde 1967, um em cada cinco palestinianos passou pelas prisões dos
ocupantes. Faça as contas.
Inversion encore l’histoire des
« boucliers humains ». Cette accusation régulièrement portée contre
la résistance armée palestinienne ne sert pas seulement à justifier les
massacres des civils. Elle élude le fait que l’État d’Israël n’a jamais été
autre chose qu’un immense bouclier humain. Le fondateur du sionisme l’assumait
nettement : « Pour l’Europe, nous constituerions là-bas un
morceau du rempart contre l’Asie, nous serions la sentinelle avancée de la
civilisation contre la barbarie. »20 Par ailleurs, comme
l’explique l’historien Amnon Raz Krakotzkin, le sionisme fut guidé, presque dès
ses débuts, par un « principe directeur selon lequel le peuplement
de la Palestine est plus important que le sauvetage des juifs »21. Dans cette perspective, « sauver
des juifs n’a d’intérêt que si cela sert à peupler la Palestine. De même les
manifestations dans la colonie juive de Palestine à l’époque ne réclamaient pas
le sauvetage des juifs, mais la libre émigration en Palestine et la création
d’un État hébreu »22.
À la fin des années 1930,
alors qu’aux lois raciales, aux expropriations et à la ségrégation que
subissaient les juifs d’Allemagne commençaient à s’ajouter des persécutions
plus féroces, David Ben Gourion affirmait publiquement :
Si
je savais qu’on pouvait sauver tous les enfants [juifs] d’Allemagne en les
envoyant en Angleterre mais seulement la moitié d’entre eux en les envoyant en
Palestine, je choisirais cette dernière option parce qu’il ne s’agit pas
seulement de prendre en compte le nombre d’enfants mais de tenir également
compte de l’histoire du peuple juif.23
Dès avant la création de l’État
d’Israël et de manière déclarée, les sionistes n’envisageaient les populations
juives, en Palestine comme ailleurs, que comme un matériel humain ou des
boucliers humains.
Dernière inversion qui résulte des
autres et les englobe : à l’idée d’une Palestine libre, les sionistes
opposent le danger d’un possible massacre ou d’une expulsion des Juifs
israéliens, pour faire oublier le génocide en cours, les massacres et les
expulsions réels qu’Israël a perpétrés depuis des décennies et sur lesquels
s’est fondée toute son existence.
ISRAËL COMME PARADIGME
L’État d’Israël inspire les
méthodes les plus efficaces sur les plans militaires, policiers, discursifs,
idéologiques ou architecturaux pour désarmer les résistances, pour faire en
sorte que toute opposition soit rendue marginale ou défensive, qu’elle voit ses
alliances entravées, son langage réduit, ses cadres prescrits, ses actions
prohibées, ses prises de positions intimidées ou réprimées par
l’anti-terrorisme — même les plus modérées, même celles qui viennent de
secrétaires syndicaux ou de députées de la France insoumise.
Tudo isto não leva a ver Israel
como uma espécie de defensor do racismo e do colonialismo – ou mesmo do racismo
e do colonialismo ocidentais. Durante muito tempo não acreditámos mais no campo
do Bem ou em figuras do Mal absoluto, exceto como instrumentos de propaganda e
ficções governamentais. O próprio Estado de Israel depende, entre outras
coisas, de um mito desastroso do Mal absoluto, que é precisamente uma questão
de desfazer. Mas o Ocidente certamente não esperou que o sionismo escravizasse,
expulsasse, colonizasse, exterminasse. A história da Argélia Francesa é
suficiente para provar isso. Além disso, esta sequência é uma das principais
razões para o apoio particular da França a Israel (que só é rivalizado pela
Alemanha no que diz respeito à sufocação de vozes dissidentes), muito mais do
que as lágrimas hipocritamente derramadas pela deportação de judeus - muitas
vezes pelo retorno anti-. Semitas.
Se dizemos que o Estado de Israel
deve ser considerado um paradigma, é porque se tornou um dos meios mais seguros
de legitimar, normalizar ou glorificar estas práticas governamentais. Por um
lado, ele incorpora as suas formas plenamente aceites, as únicas no Ocidente
onde o colonialismo e o racismo ainda podem ser plenamente justificados como
tais. Por outro lado, é como o grande laboratório, o centro experimental. O seu
papel de vanguarda na contra-insurgência, no controlo populacional, nas
tecnologias de vigilância e morte, na repressão e na gestão de supranumerários,
tudo isto é perfeitamente assumido pelos israelitas e seus aliados. Não são
apenas vozes anticoloniais, recusados ou opositores que se referem a ela.
Muitos militares e políticos israelitas, bem como líderes empresariais, continuaram a elogiar este
know-how, não só na Europa ou
nos Estados Unidos, mas na Índia, no Egipto, na Arábia Saudita e até nas favelas do Brasil. Em França, este aspecto é transmitido por muitos actores
económicos, políticos, industriais e académicos, que não perdem nenhuma oportunidade de
expressar a admiração que este país lhes inspira e o desejo de tomá-lo como modelo.25. São apenas os sionistas de
esquerda que fingem perguntar-se por que é que os apoiantes da Palestina se
concentram tanto no Estado de Israel. Os pró-israelenses declarados há muito
que deixaram de fazer esta pergunta, achando muito mais vantajoso aprofundar e
confirmar as razões para este foco.
Pesquisador
itinerante e interdependente.
https://foicebook.blogspot.com/2024/07/direito-de-se-defender-ou-como-fazer.html#more
Publicada por Pena Preta à(s) sábado, julho 06, 2024



