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sábado, 3 de outubro de 2020

Cem anos de Hercule Poirot: a história e o legado do genial detetive



*  Carlos Maria Bobone
 
Picuinhas, guloso, sensível e vaidoso até ao limite. Ao mesmo tempo, anormalmente inteligente e perspicaz, Poirot, criação perfeita de Agatha Christie, é referência obrigatória da literatura policial.

04 out 2020, 18:06

A 6 de Agosto de 1975 o New York Times abria com um estranho obituário. Agatha Christie tinha acabado de publicar Curtain: Poirot’s last case e o famoso detetive, que se deixara morrer no desenlace do mistério, tem direito a um elogio fúnebre nas páginas do jornal.

Esta despedida dá ideia do lugar que o pequeno detetive ocupou no imaginário contemporâneo: nunca personagem alguma tivera direito a um obituário no New York Times e mais nenhuma voltou a ter. Poirot, o grande detetive, conquistou o seu lugar entre as pessoas de carne e osso graças a umas brilhantes células cinzentas e à resolução dos mais intrincados mistérios.

Poirot teve direito a uma biografia escrita por Anne Hart e a uma imensa quantidade de adaptações televisivas. Tudo porque se há detetive que encarna na perfeição as delícias da literatura policial, esse detetive é Hercule Poirot.

Agatha Christie, na sua Autobiografia, conta que Poirot — que apareceu pela primeira vez no livro The Mysterious Affair at Styles, publicado em outubro de 1920 .. é escrito na esteira da literatura policial mais clássica: um detetive excêntrico, apressado na resolução dos casos pela competição com um inspetor da polícia menos capaz mas com mais meios ao seu dispor, e ajudado por um ingénuo seguidor que, como um provedor do leitor, obriga constantemente o herói a explicar os seus raciocínios.




[alguns dos melhores momentos de David Suchet como “Poirot”, na série televisiva feita a partir das histórias de Agatha Christie:]


Nisto, não é Poirot muito diferente do mais clássico dos clássicos, o detetive Sherlock Holmes; Agatha Christie, no entanto, dota o seu próprio detetive de uma subtileza que o torna, em certa medida, o oposto de Sherlock Holmes. Holmes é, nas obras de Conan Doyle, um positivista; Chesterton, num dos seus ensaios sobre literatura policial, já denuncia os limites de Sherlock Holmes: na verdade, não precisamos que o cérebro com as capacidades dedutivas mais exercitadas de que há memória seja ainda um apóstolo da ciência e da pura lógica sensível; não só a personagem se torna, mais do que coerente, redundante, como o próprio método diminui os mistérios. Não há nada de lógico em relevar pormenores desconsiderados; a notícia do mais vulgar, daquilo que escapa aos outros, é na verdade mais próprio de um cérebro imaginativo do que de um cérebro dedutivo. Agatha Christie percebeu isto ao fazer do seu detetive um homem ao mesmo tempo picuinhas e guloso, hiper-sensível e vaidoso até ao limite.


O que está em questão na vaidade é precisamente o exacerbar daquilo que aparentemente tem pouca importância. O orgulho de Poirot no seu cérebro torna-se ao mesmo tempo ridículo e interessante porque é uma variação pouco óbvia da personalidade interessada pelo pormenor. Da mesma maneira que Miss Marple é até um pouco aborrecida e tacanha, como se concentrasse a atenção naquilo que já não interessa, Poirot é um esteta dedicado aos pequenos prazeres – com uma óbvia ligação com a ideia de importância dada aos pormenores – e um vaidoso, isto é, alguém que remói os seus feitos (como os indícios) por mais tempo do que à partida seria necessário.

A vida de Poirot tem uma coerência surpreendente para uma personagem de ficção a quem a autora nunca dedicou uma biografia de facto. Embora Christie diga que já nos primeiros livros o imaginava velho, característica que as longas décadas de mistérios obrigaram a matizar, a verdade é que é possível traçar uma biografia coerente de Poirot sem grandes contradições entre os livros. Um antigo inspetor da polícia belga, refugiado em Inglaterra depois da invasão alemã na primeira guerra mundial, Poirot instala-se primeiro em Styles, lugar do seu primeiro mistério, e vai ganhando fama e dinheiro com a resolução de novos crimes. Começa por trabalhar para o governo, mas é como detetive privado que ganha a folga financeira que lhe permite viver com o requinte que deseja.

Poirot disserta várias vezes sobre os tipos de crimes e sobre a psicologia dos criminosos, sobre os tipos de arma usados nos crimes premeditados e nos crimes passionais, sobre os meios tipicamente femininos ou masculinos, mas pouco tem a dizer sobre a moral.

Com o passar dos anos, a galeria de personagens vai-se tornando mais complexa: Hastings, Miss Lemon, todos vão cumprindo os seus papéis no mundo de Poirot; o processo, no entanto, é sempre parecido e é esse que torna os livros de Poirot uns dos mais interessantes no que toca ao enredo policial propriamente dito. Pode haver detetives mais complexos, como Perry Mason ou o espião George Smiley; mas não histórias policiais com um enredo tão bem montado quanto as de Poirot.

A grande força dos enredos de Christie-Poirot está na montagem de uma galeria de personagens cheia de segredos, muitas delas dispostas a sacrificar reputações para proteger aqueles que amam, muitas outras a viver segundas vidas incógnitas, de tal maneira que os segredos se intrometem no crime e dificultam a sua resolução. O processo passa, assim, pela resolução de um encadeado de mal-entendidos e mistérios paralelos que tornam a História mais do que a resolução de um momento. Aquele que é o grande defeito da literatura policial – o facto de ser uma literatura concentrada num momento, de tal modo que toda a história funciona apenas como uma ferramenta para alcançar uma resolução – é nas histórias de Poirot ultrapassado pelo complexo de tramas paralelas que obscurecem a visão do detetive.

Agatha Christie tem sempre a preocupação de, não apenas encontrar um criminoso plausível, mas de encontrar o único criminoso possível. Ora, esta preocupação retira alguma arbitrariedade ao jogo de enganos e compromete o leitor com a história. A necessidade de termos aquele criminoso e não outro faz com que a resolução não se torne uma escolha da autora, a que o leitor assiste passivo, mas sim uma espécie de consequência necessária da história, que o leitor pode por isso descobrir.


▲ Os mistérios de Poirot são prova da capacidade de Agatha Christie resistir à cristalização do seu modo de raciocinar e implicam uma montagem que é, só por si, um tratado de engenharia

À medida que a mestria de Agatha Christie se foi aprimorando os casos foram, do ponto de vista técnico, ganhando cada vez mais complexidade. Dos casos em que um jogador de Bridge é assassinado numa sala fechada, tornando suspeitos apenas os 3 jogadores vivos, ao caso em que a culpa do narrador é escondida até ao fim, Agatha Christie vai explorando a sua capacidade inventiva num jogo de possibilidades cada vez menores, em que as possibilidades de resolução se vão tornando cada vez mais apertadas.

Dos grandes detetives que a ficção nos trouxe, Poirot é provavelmente aquele em que o magnetismo do crime produz menos efeito ao longo da vida. É certo que Poirot admira a “inteligência” de alguns crimes; no entanto, a ideia de impunidade para aqueles capazes de perceber as estruturas dos grandes crimes, a tentação do outro lado, tudo isso parece em Poirot – pelo menos até à sua morte – algo distante. A estrutura moral de Poirot, um refugiado, a quem o despeito de se encontrar sem emprego antes de abrir a sua agência podia levar para lados mais negros, é por isso bastante curiosa. Poirot disserta várias vezes sobre os tipos de crimes e sobre a psicologia dos criminosos, sobre os tipos de arma usados nos crimes premeditados e nos crimes passionais, sobre os meios tipicamente femininos ou masculinos, mas pouco tem a dizer sobre a moral.

Mais do que os mistérios, porém, fica a personagem. Poirot é ainda hoje o protótipo do detetive, a suprema demonstração do poder da inteligência, capaz de ver ao mesmo tempo com o máximo pormenor e a maior largueza.

A ideia de justiça em Poirot é bastante sui generis. Poirot não é propriamente um detective amoral, no sentido em que, ao contrário de Holmes, por exemplo, sofre com os crimes, mas é sobretudo um detective à maneira iluminista, isto é, alguém que acredita que o bem está no esclarecimento. Mais do que o bem, Poirot quer a verdade, e é dessa verdade que virá o bem. Juntam-se os pares amorosos tornados suspeitos pelos segredos, reconciliam-se pais e filhos, numa ideia de que o segredo e a ocultação acabam por provocar o mal, de um modo que a clareza impede.

Há casos de Poirot verdadeiramente ontológicos, prodígios de inventividade da parte da criadora e provas excecionais de inteligência da parte do detetive. Os crimes do ABC, Roger Ackroyd, o Crime do Expresso do Oriente, Cartas na Mesa, todos estes mistérios são prova da capacidade de Agatha Christie resistir à cristalização do seu modo de raciocinar e implicam uma montagem que é, só por si, um tratado de engenharia.

Mais do que os mistérios, porém, fica a personagem. Poirot é ainda hoje o protótipo do detetive, a suprema demonstração do poder da inteligência, capaz de fazer de uma figura de palmo e meio, de bigode levantado e sotaque carregado, um grande Homem, capaz de ver ao mesmo tempo com o máximo pormenor e a maior largueza.

observador.pt/especiais/cem-anos-de-hercule-poirot-a-historia-e-o-legado-do-genial-detetive/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Agatha Christie - O segredo do seu êxito



* Miguel Urbano Rodrigues




Agatha Christie (1890/1978) foi uma escritora importante?

Sim, muito importante. Dos seus livros, traduzidos em 100 idiomas, foram vendidos mais de 4 mil milhões de exemplares. Um total de vendas assombroso, somente superado pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare.

Mas porventura foi uma grande figura da literatura mundial? Não.

Sobre ela foram escritos dezenas de livros, quase todos elogiosos. Uma das suas peças de teatro, A Ratoeira, permaneceu no cartaz no Reino Unido durante mais de uma década. A Rainha Elisabeth, sua grande admiradora, atribuiu-lhe o título de Lady do Império.

Mas nunca obteve o apreço da crítica literária séria.

Como explicar o seu êxito comercial que ultrapassa o de qualquer outro autor de romances policiais, de Conan Doyle a Georges Simenon?

A leitura da sua autobiografia* ajudou-me no esforço para encontrar uma resposta.

Agatha nasceu numa mansão da estância balnear de Torquay. O pai era um americano britanizado. Não trabalhava, como era habitual na época vitoriana para quem vivia dos rendimentos.

Nas memórias a escritora recorda uma infância feliz numa família abastada da alta classe média. Quando no final do século XIX diminuíram os dinheiros que chegavam dos EUA, os pais alugaram a casa de Torquay e foram passar um ano no sul de França e depois na Bretanha, onde o custo de vida era menor.

«Uma das coisas que, penso, sentiria mais - escreveu na velhice – se fosse criança nos dias de hoje, seria a ausência de criados».

As referências à criadagem da época, que ela admirava pelo «orgulho profissional», são abundantes.

Agatha nunca frequentou uma escola. Estudou em casa e em pensionatos franceses, sobretudo música e canto.

Casou aos 22 anos, em l912, com Archibald Christie, um oficial da Força Aérea, que, finda a I Guerra Mundial, se tornou corretor da City londrina. Amou intensamente o companheiro, viajou pelo mundo com ele, mas após 14 anos de um casamento harmonioso (nasceu uma filha em 1919), o marido apaixonou-se por uma amiga e pediu o divórcio. A escritora conta que olhou para ele e percebeu que afinal era «um desconhecido». Agatha, angustiada, desapareceu durante dias, sofreu horrores, teve uma crise de amnésia.

O seu primeiro livro, um policial, foi escrito durante a guerra mas, recusado por seis editoras, somente foi publicado em 1920. Passou praticamente despercebido.

Durante anos Agatha resistiu a assumir-se como escritora, embora publicasse romances com alguma frequência. O êxito tardou. Para ele contribuiu a personagem que criou, Hercule Poirot, um excêntrico detetive belga muito vaidoso.

A publicação em folhetins dos primeiros livros e a adaptação ao teatro de outros foi para ela uma importante fonte de recursos. No início da II Guerra Mundial já era a escritora mais lida da Inglaterra e nos EUA a sua popularidade era enorme.

Muito inteligente, sensível, com uma imaginação prodigiosa, sentiu sempre dificuldade em se expressar em público, mas cativava as pessoas, era uma comunicadora superdotada.

«Sou muitas coisas - assim se retratou na Autobiografia - bem-disposta, exuberante, distraída, esquecida, tímida, afetuosa, completamente desprovida de autoconfiança, moderadamente altruísta (…) Gosto de sol, de maçãs, de quase todo o tipo de música, de comboios, de quebra-cabeças numéricos, e de tudo o que tenha a ver com números, de nadar no mar, de silêncio, de dormir, de sonhar, de comer, do cheiro de café, de lírios, da maioria dos cães e de ir ao teatro».

Essa confidência não ajuda muito a avaliar a sua personalidade complexa, contraditória, desconcertante.

Nas suas viagens por todos os continentes acumulou uma soma impressionante de conhecimentos. Mas não os transformou numa cultura extensiva, integral. Não tentou sequer esse desafio.

Nos seus livros o leitor não encontra um pensamento estruturado, uma meditação profunda sobre a existência e a História dos países do Médio Oriente onde viveu largos anos.

Ciente das suas limitações, é uma escritora de espumas. Criou um estilo, mas cultiva o superficial, a banalidade.

O tratamento da temática do quotidiano é em alguns escritores de uma grande riqueza. Em Georges Simenon, por exemplo. Nos seus romances, ele retrata admiravelmente les petits gens, as porteiras de Paris, os taberneiros, as prostitutas, as velhas solteironas, os clochards do Sena. O comissário Maigret é a antítese do Poirot de Agatha.

Perguntaram um dia a André Gide quem era na sua opinião o maior escritor da França. A sua resposta desconcertou o entrevistador: Georges Simenon. Exagerou, mas o criador de Maigret atravessou as portas da grande literatura; a mãe de Poirot não.

A gente de baixo não merece atenção especial de Agatha. Não é por snobismo que a esquece. Concentra a sua atenção na sua gente. Com a exceção dos romances de Miss Marple, a velha senhora de uma aldeia inglesa, e de Tommy e Tupence, escolhe as personagens na aristocracia, na gentry britânica, na alta burguesia, no mundo das artes.

Diz ter sido inspirada por Conan Doyle. Mas um abismo intransponível separa Poirot de Sherlock Holmes.

Os seus livros estão infestados de estereótipos e de lugares comuns, de disparates. É categórica na afirmação de que a amizade entre homens e mulheres lhe aparece como um absurdo. Sofreu muito durante as duas guerras. Mas concluiu que «vencer uma guerra é tão desastroso como perdê-la». Não hesitou em confessar que «o melhor de escrever naquele tempo é que eu relacionava o trabalho diretamente com dinheiro».

Cultiva com requinte o suspense. Mas a sua técnica faz dela, para alguns críticos, uma «escritora batoteira». Porquê?

Agatha lembra que gostou sempre de abrir «pistas falsas», para enganar o leitor. Mas oculta até às últimas páginas informações indispensáveis para a identificação do criminoso. Em alguns casos, depois de matar várias pessoas, este só aparece quase no final.

O happy end, talvez para atenuar o choque inerente à violência do tema, é frequente nos seus livros, sobretudo a relação amorosa entre personagens secundárias.

As viagens da juventude e as prolongadas estadas com o segundo marido no Iraque contribuíram para o êxito de alguns dos seus romances.

A pedido de um amigo, escreveu aliás um romance policial cuja ação se situa no Egipto faraónico.

Mas os leitores não encontram nesses livros algo que possa revelar um interesse profundo da autora – sequer interesse - pelas culturas da Assíria, da Suméria, ou do vale do Nilo no tempo do último Ramsés.

Na Autobiografia, iniciada em 1950 e concluída em 1965, três quartos são dedicados à infância, à adolescência, à juventude, ao convívio com o primeiro marido. Os 48 anos vividos com Max Mallowan, o segundo marido, um eminente arqueólogo, merecem-lhe menos atenção. A desproporção choca o leitor.

***

Agatha Christie somente é concebível na Inglaterra do seu tempo. Como mulher e escritora foi totalmente inglesa, inimaginável noutro país, noutro século.
Mas escreveu para milhões de não ingleses, foi por eles admirada como pelos seus compatriotas.

Como compreender, como explicar o seu imenso, surpreendente êxito literário?

Creio que para ele foi determinante ir ao encontro do que é comum no «gosto» da esmagadora maioria dos leitores de qualquer nacionalidade.

Ela escreveu o que as pessoas gostam que lhes digam.

Agatha faz-me pensar nas audiências enormes das telenovelas, na abertura à mediocridade. Penso também no êxito dos comentadores políticos da televisão cujas opiniões ofendem a inteligência.

Obviamente que Aristóteles ou Einstein não poderiam inspirar ao homo sapiens contemporâneo o interesse despertado pelos livros de Agatha Christie.

29.Ago.15 ::  


Autobiografia, Agatha Christie, 900 páginas, Editora ASA, Lisboa,2011

http://www.odiario.info/?p=3753

sábado, 28 de maio de 2011

Agatha Christie y Patricia Highsmith, las damas del suspense

Poemas del Alma

27
MAY


Publicado por María Merino
U
no de los géneros literarios que más seguimiento y éxito tiene entre el público es el suspense. La intriga, la tensión o la incertidumbre que están latentes en las obras de este tipo son los principales alicientes para el lector ávido de emociones.


A lo largo de la historia muchos son los autores que han dedicado su carrera al citado género pero entre todos ellos destacan sobremanera dos mujeres:Agatha Christie y Patricia Highsmith.
Dos escritoras estas que, cada una a su estilo, marcaron un punto de inflexión dentro del suspense y que además dieron vida a varios de los personajes más reconocidos de la historia de la literatura universal como son Hércules Poirot, la Señorita Marple o Tom Ripley.
agatha christie
Agatha Christie, la reina del crimen
En Torquay, Inglaterra, el 15 de septiembre de 1890 nació Agatha Mary Clarissa Miller, la que profesionalmente sería conocida como Agatha Christie. Autora prolífica como ninguna, pues llegó a publicar 79 novelas, se decantó por el género del suspense y en concreto por su versión más detectivesca y policial.
El misterioso caso de Styles (1920) fue el libro que iniciaría su carrera y en él ya presentaba en sociedad al que sería una de sus criaturas literarias más importantes: Hercules Poirot. De origen belga es el detective al que dio vida, el cual se caracterizaba por la meticulosidad que llevaba al efecto en sus investigaciones.
hercules poirot

Bigote, sombrero y una actitud estirada fueron las señas de identidad de este personaje que apareció en 33 de los libros de Christie, destacando especialmente Asesinato en el Orient Express (1934).
Pero como decíamos, el universo imaginativo de Agatha le llevó a crear otra figura que cosecharía muchos seguidores: Jane Marple, una “vieja solterona”, como la definió la autora inglesa, que estuvo presente por primera vez en el relato El club de los martes (1927).
jane-marple
Tanto Poirot como Marple fueron el eje central de multitud de historias donde el esclarecimiento de uno o varios asesinatos mantenía en constante tensión a los lectores. Eso sí, cada uno de estos detectives se movía en universos diferentes. Así, mientras ella vivía sus aventuras en pueblos ingleses, él lo hacía en los escenarios más exóticos del mundo como en Egipto (Muerte en el Nilo, 1937).
El atractivo de estas dos figuras literarias fue llevado a la gran pantalla reiteradamente por grandes directores y actores como Margaret Rutherford oPeter Ustinov. Y eso mismo sucedió con el personaje más importante creado por Patricia Highsmith: Tom Ripley, al que le pusieron rostro en el cine Matt Damon o Alain Delon.
Ripley, la creación amoral de Highsmith
Un ser amoral era Ripley que fue creado por dicha mujer tras su primer viaje a Europa y que apareció por primera vez en El talento de Mr Ripley (1955).
tom ripley

Estafador, ladrón y asesino componen la tarjeta de presentación de dicho personaje que consiguió cautivar en los diversos films pero especialmente en las cinco obras en las que le hizo participar la escritora americana.
El 19 de enero de 1921 en Fort Worth (Texas) fue cuando nació Mary Patricia Plangman, o lo que es lo mismo Patricia Highsmith. A los 16 años comenzó a escribir esta autora cuya obra, más de 30 libros, gira entorno al suspense que plasmaba en sus historias, siendo Extraños en un tren (1950) su debut profesional En ellas se entremezclaban la mentira, la hipocresía, el crimen, el bien y el mal.
La peculiar manera de plantear situaciones o de describir las mismas fueron otorgando a a la mencionada escritora un gran éxito que la llevó a recibir diversos premios que valoraban su trabajo, obviando la leyenda negra que circulaba sobre su mal carácter.
patricia-highsmith
Poirot y Ripley. Christie y Highsmith. ¿Qué sería del suspense literario sin ellas?

 

sábado, 2 de janeiro de 2010

Asesinato en el Orient Express, de Agatha Christie

Poemas del Alma


31
Dic

Asesinato en el Orient Express, de Agatha Christie

Publicado por Verónica Gudiña
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El título del artículo no deja lugar a dudas: en esta oportunidad, la información estará referida a “Asesinato en el Orient Express” (“Murder in the Calais Coach” para quienes hayan optado por la versión estadounidense), una de las novelas más famosas y exitosas de Agatha Christie, la escritora británica que, por las características de sus obras, se ganó a nivel mundial el mote de “reina del crimen”.
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Asesinato en el Orient ExpressComo se publicó por primera vez hace varias décadas (en 1934, para ser más precisos), es probable que entre ustedes haya muchos que conozcan la trama de este material pero, en caso de que aún no sepan de qué se trata, ésta será, pues, una buena ocasión para descubrir su argumento y evaluar si este relato se adapta a sus preferencias personales.
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“Asesinato en el Orient Express” es una interesante, misteriosa y cautivadora propuesta escrita con indiscutible maestría que busca mantener expectante al lector a través de la descripción de un episodio algo confuso que tuvo como resultado a un hombre muerto. Entre los sospechosos figuran una institutriz inglesa y una soberbia princesa rusa pero, antes de acusar, se necesita investigar en profundidad el caso para descubrir quién y por qué ha apuñalado a este pasajero que viajaba en el mismo tren que el investigador Hércules Poirot. Por supuesto, este famoso detective belga será quién asuma la responsabilidad de llegar a la verdad.
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Para los admiradores de Agatha Christie y los fanáticos del género policial, la versión literaria de este clásico resulta imperdible. Otros, en cambio, tal vez disfruten más las obras cinematográficas y televisivas que se han desarrollado en base al argumento original y hasta no faltará quien prefiera rendirle homenaje a “Asesinato en el Orient Express” desde una computadora, valiéndose del juego que una empresa ha ideado inspirada en esta apasionante novela.


domingo, 23 de dezembro de 2007

Literatura Policial - alguns autores

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Polícias e ladrões

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Advogados, detectives, criminosos, simples curiosos: a literatura policial e criminal está cheia de figuras que se tornaram mais conhecidas que os seus próprios autores.



Maigret

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O inspector Maigret é uma das mais célebres personagens da literatura policial. Como Sherlock Holmes ou Poirot, tornou-se objecto de culto graças aos 84 mistérios de que foi protagonista.

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Maigret é, originalmente, de uma zona rural. Foi para Paris para estudar medicina, mas acabou por se juntar à Polícia, tendo chegado ao cargo de superintendente. Amante da boa comida (a sua mulher é uma excelente cozinheira), é também um grande bebedor. Ao longo das páginas das novelas de Simenon, são consumidas muitas cervejas (contas feitas, mais do que parece ser possível) para além de vinho e Calvados, acompanhados, no curso dos interrogatórios, por indispensáveis sanduíches e por um cachimbo.

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As novelas de Maigret apresentam quase sempre crimes violentos, centrando-se a análise humana nos motivos que levam uma pessoa a matar outra. Apesar de tudo, há um lado optimista, nostálgico e esperançoso da vida que Simenon deixa transparecer. Entre os livros mais célebres do inspector Maigret encontra-se O Homem Que Via Passar os Comboios (1938).

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Tom Ripley

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Tom Ripley, personagem de Patricia Highsmith que surgiu já em vários romances da autora, tem a particularidade de ser protagonista e simultaneamente o criminoso da história. Mas um crimonoso muito especial.Ripley surge em O Talentoso Mr. Ripley como um homem que, fascinado pelo modo de vida de uma classe abastada, um mundo a que tem acesso através de Dickie Greenleaf, decide que quer ser Greenleaf, e todos os meios se justificam para conseguir permanecer nesse mundo. Ripley age sem que qualquer compulsão moral conduza os seus actos, e é esta amoralidade que faz dele uma personagem ao mesmo tempo repugnante e simpática. Acompanhamos a justificação dos seus actos e vemos o mundo pelos seus olhos; entramos num mundo que não se rege pelas mesmas regras.

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Perry Mason

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O advogado Perry Mason, criado por Erle Stanley Gardner, surgiu como personagem no início dos anos 30, depois de alguns anos de histórias policiais de estilo sensacionalista publicadas pelo autor, também ele advogado. Perry Mason é um advogado criminalista capaz, nas novelas iniciais, de utilizar a força e métodos menos ortodoxos para conseguir provar a inocência dos seus clientes perante o tribunal. A personagem tornou-se, com o passar do tempo, mais branda nos seus métodos, sem com isso perder a obstinação que o levava, por meio de raciocínios e interrogatórios brilhantes às testemunhas, a sair triunfante e a ilibar os seus clientes.

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Perry Mason não actuava sozinho. Da sua equipa faziam parte o investigador Paul Drake e Della Street, a secretária fiel. As relações possíveis entre Mason e Della são um dos ingredientes activos das novelas: os leitores especulavam sobre qual a natureza do seu relacionamento - estritamente profissional? E iria Gardner, alguma vez, casá-los? A indefinição mantinha-se; Mason chega, por duas ou três vezes, a declarar-se a Della, mas esta não o aceita como marido, embora seja capaz de fazer tudo por ele, alegando que ele não é o tipo de homem feito para ser casado.

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Perry Mason tornou-se o mais célebre advogado protaagonista de romances policiais. Adaptações a teatro, a cinema e a televisão ajudaram a popularizá-lo ainda mais.

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Veja aqui alguns dos mistérios de Perry Mason.

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Sherlock Holmes

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O mais famoso dos detectives, a mais célebre figura da literatura policial, a grande criação de Arthur Conan Doyle, que o lança em 1887. Tão célebre que existe hoje, para esta personagem, um museu, em Londres, e inúmeras sociedades a ele dedicadas.

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Alguns elementos são fundamentais para a caracterização de Holmes: o chapéu, o cachimbo, o violino (que tocava terrivelmente, mas sem o qual não passava), e Watson. Watson é o companheiro fiel das suas aventuras de investigação criminal. Sem Watson, Sherlock não seria o mesmo. É este quem quase sempre narra a s suas aventuras e nos apresenta o mestre do disfarce e da dedução lógica. A partir de um simples detalhe, insignificante para qualquer outra pessoa - como uma mancha de lama num vestido, por exemplo - Holmes é capaz de concluir inúmeros factos sobre a vida daqueles que o consultam ou com quem se cruza no decurso das investigações. Como chega ele às suas conclusões? «Elementar, meu caro Watson!», é a sua resposta mais famosa. Nos contos e novelas que protagoniza, e segundo as palavras de Watson, Holmes eleva a dedução lógica à categoria de ciência exacta.

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Homem de hábitos britânicos, Holmes é também dono de um espírito agitado e capaz de todos os imprevistos quando se trata de resolver mistérios. Só ocupando a sua mente consegue fugir do estado melancólico que o ataca quando está entediado. Quase tão importante quanto Watson é o professor Moriarty, mestre do crime e seu inimigo mortal, o único capaz de fazer frente e Holmes. Mais do que a oposição entre o Bem e o Mal, trata-se aqui do confronto entre dois espíritos brilhantes.

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Veja aqui as obras completas de Sherlock Holmes.

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Hercule Poirot
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Hercule Poirot, a mais célebre personagem de Agatha Christie, não é francês, mas belga. Um pormenor mais numa figura que deve muito da sua fama aos pormenores. Como em tantas outras grandes figuras da literatura criminal, há alguns traços que repetidamente nos definem este detective: o bigode, artístico e perfeitamente simétrico; o gosto pela geometria (que se vê, por exemplo, na decoração da sua casa) e pela organização. De hábitos firmados, Poirot aprecia o conforto moderno da sua casa em Londres, as suas tisanas, a eficiência de Miss Lemon, a secretária, e a companhia do seu amigo inglês, Hastings, que, tal como Watson nas novelas de Sherlock Holmes, funciona como contraponto para o detective.

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A obsessão pela resolução de todos os pormenores dos seus casos é uma exigência da sua mente brilhante, capaz de deduzir, de analisar a natureza humana, de conceber e encenar esquemas que obrigam as outras personagens a denunciar-se e a revelar os seus segredos.

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Tal como Sherlock Holmes e Perry Mason, Poirot conheceu grande sucesso nas adaptações à televisão.

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Conheça aqui algumas das obras protagonizadas por Poirot.

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Pepe Carvalho

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Pepe Carvalho, uma criação literária do escritor espanhol Manuel Vázquez Montalbán, é já um clássico. De ascendênca portuguesa, Carvalho vive em Barcelona. É um homem que entra já na meia idade, um desencantado, por vezes cínico. Possui uma vasta biblioteca, mas, desiludido da literatura, utliza os livros para acender a lareira - para o prazer de, por exemplo, queimar hoje um Stendhal, amanhã qualquer outro clássico.

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O seu maior prazer vem da comida - para além de um bom garfo, é um excelente cozinheiro, e Montalbán presenteia-nos com as descrição dos petiscos que prepara para si e, por vezes, para Biscuter, seu ajudante, ou para Charo, uma prostituta com quem está envolvido.

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O mundo de Carvalho é o da Espanha actual, e especificamente o de Barcelona, que percorre nas páginas das novelas. Deslocando-se por vezes a destino exóticos, como em Os Pássaros de Banguecoque, nem por isso os dramas e vícios do mundo ocidental deixam de estar no centro da intriga. Carvalho é um homem duro, mas capaz de se emocionar com o sofrimento alheio e, acima de tudo, com um humor corrosivo: Montalbán apresenta situações hilariantes, ou ridículas, no meio da tragédia das vidas humanas.