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sábado, 6 de julho de 2024

A perspetiva de um comunista sobre as eleições gerais na Grã-Bretanha

Uma viagem através do projecto Corbyn até ás fileiras da classe trabalhadora revolucionária

Sexta-feira, 5 de julho de 2024

A perspetiva de um comunista sobre as eleições gerais na Grã-Bretanha

Muita coisa mudou desde as eleições gerais de 2019 e, do ponto de vista da classe trabalhadora britânica, nada disso foi positivo. Da perspetiva pessoal deste escritor, o facto de eu ser agora um comunista comprometido foi transformador.

É importante explicar um pouco do meu percurso até este momento, porque tem relevância para a minha compreensão das eleições de 2024. Dá algum contexto à minha compreensão da natureza e composição do nosso mundo, e como isso influencia a minha abordagem ao espetáculo e farsa a que chamamos democracia. Mais importante ainda, espero que tenha repercussões para si, o leitor ...

Os meus pais eram comunistas e, por isso, toda a minha infância foi marcada pela linguagem do socialismo e pela busca da justiça, da liberdade e da derrota do capitalismo. Uma criança que cresce num lar assim, não pode deixar de ser imbuída de uma compreensão da verdadeira natureza das coisas: a forma como o mundo funciona verdadeiramente, o poder e as forças destrutivas do imperialismo, as insidiosas mentiras dos meios de comunicação social, o papel da polícia, não como protetora da paz, mas como executora do poder do Estado, as contínuas batalhas contra a injustiça e a luta pelo direito das pessoas a viverem em segurança, sem o stress constante da privação de alimentos, abrigo ou acesso a cuidados de saúde.

Quando era jovem adulto, deixei a minha casa em busca das minhas próprias paixões e, durante os 25 anos seguintes, concentrei-me na construção de uma carreira empresarial de sucesso. Nunca perdi a noção da verdadeira natureza do mundo capitalista e as minhas decisões na vida e no trabalho foram sempre orientadas por valores socialistas. Mantive-me politicamente consciente, mas não ativo.

Para ser justo, embora acreditasse nos princípios socialistas, depois de ver os meus pais dedicarem a maior parte do seu tempo e das suas vidas à sua prossecução, obtendo o que pareciam ser ganhos infinitesimais contra um poder e uma oposição aparentemente esmagadores, imaginei que o socialismo não passava de uma quimera, e nunca na minha vida.

Então, um dia, em 2015, estava a ler as notícias e ouvi dizer que, contra todas as probabilidades, um deputado de esquerda chamado Jeremy Corbyn tinha conseguido entrar na votação para ser líder do Partido Trabalhista. Ele estava a fazer uma série de roadshows pelo país para espalhar a sua mensagem e, intrigado, fui ouvir o que ele tinha para dizer.

O meu interesse foi despertado. Ele proferia palavras como socialismo, falava da renacionalização dos nossos activos e da igualdade para os trabalhadores: uma linguagem que eu não ouvia há muitos anos na Grã-Bretanha e muito menos nos principais círculos políticos. Nunca tinha sido apoiante do Partido Trabalhista, orgulhosamente nunca votei nele, mas um desejo latente tinha sido despertado e vi Jeremy Corbyn como uma enorme oportunidade estratégica.

Ele estava a atrair um verdadeiro número de seguidores ao utilizar a linguagem em que eu acreditava - justiça, igualdade e socialismo. Isso significava que não era só eu que queria essas coisas, havia centenas de milhares, talvez até milhões de pessoas que eram atraídas por essa retórica e possibilidade.

Eu sabia o suficiente para saber que o socialismo não poderia ser alcançado através do processo parlamentar; compreendia que o establishment nunca permitiria que isso acontecesse. Mas perguntava-me se este inesperado episódio de um candidato de esquerda a liderar um grande partido político poderia ser usado como um meio para atingir um fim - uma forma de abrir os olhos da classe trabalhadora britânica para a mentira de que tinham qualquer poder ou controlo sobre as suas vidas ou sobre a sociedade em geral.

Certamente, o que estava para vir ilustraria claramente que a democracia parlamentar era uma fachada; ajudá-los-ia a ver que o fim da sua exploração e o caminho para o socialismo nunca seriam alcançados através do voto.

Então, fiz algo que nunca imaginei fazer: Filiei-me no Partido Trabalhista e envolvi-me na política partidária. Na minha primeira reunião, tornei-me secretário da secção do meu círculo eleitoral (CLP) e, durante os quatro anos seguintes, trabalhei com algumas boas pessoas, contra todas as probabilidades, em busca de uma vitória do Partido Trabalhista.

Digo contra todas as probabilidades porque, desde o início, era perfeitamente claro que Corbyn nunca seria eleito. Mas que grande oportunidade para provar isso aos trabalhadores - particularmente aos trabalhadores mais avançados que foram motivados pelo seu estilo de política "mais gentil" e pela sua retórica socialista.

As lições da história

Governar não é apenas ser eleito, é preciso a cooperação da máquina estatal e corporativa: o serviço civil, a liderança militar, os governadores do Banco de Inglaterra, as empresas e as instituições de comércio internacional, as agências de notação, as organizações de tratados, os poderosos actores económicos chamados monopólios e, em última análise, os nossos mestres imperiais americanos. O Parlamento não tem autoridade soberana real; está cercado e escravizado por aqueles que detêm e exercem o poder real.

Os partidos eleitos e os líderes políticos cujos mandatos são contrários aos ditames do establishment descobrem, a seu custo, que tomar posse não é o mesmo que tomar o poder. Isto não é novidade. Em 1975, Gough Whitlam, então democraticamente eleito primeiro-ministro do Partido Trabalhista da Austrália, foi demitido pelo governador-geral pelos seus planos de introduzir uma política externa independente dos Estados Unidos, e a CIA não estava a ter nada disso!

O partido Syriza da Grécia foi sumariamente derrotado quando tentou resistir ao poder do capital financeiro, recusando-se a pagar a dívida do país. Jeremy Corbyn e Liz Truss foram ambos derrotados politicamente e desacreditados pessoalmente por forças imperialistas determinadas a seguir um caminho diferente.

A lição mais fundamental informada pela economia simples é que não existe uma fórmula para manter o capitalismo lucrativo e, ao mesmo tempo, transferir qualquer parte significativa da riqueza e do poder para os trabalhadores e os pobres. Não há nem nunca poderá haver "trickle down" no capitalismo e, por isso, esperar que um partido parlamentar, o Partido Trabalhista ou qualquer outro, independentemente da liderança, dê prioridade aos interesses dos trabalhadores é uma ilusão.

Quando, em 2019, o fim finalmente chegou com a derrota eleitoral de Corbyn contra Boris Johnson, deixei o Partido Trabalhista e me juntei ao CPGB-ML, antecipando uma onda de trabalhadores avançados a reboque em direção a um caminho iluminado. Afinal de contas, era agora flagrantemente óbvio para aqueles que alimentavam tais ilusões que a mudança necessária através da social-democracia não era possível.

A social-democracia nunca teve nada a ver com o socialismo - uma ordem de mudança de magnitude completamente diferente. Chegou o momento de lutar pelo verdadeiro socialismo, a via revolucionária.

Estratégia e táctica em tempo de eleições

Aqui estamos nós em 2024, em vésperas de novas eleições gerais, e eu abordo este evento do ponto de vista de um comunista activo em busca de mais do que uma mudança de partido político, mas de uma mudança completa de sistema.

Numa altura em que a redistribuição radical do poder político e económico é a única solução para a crise do capitalismo, a escolha oferecida ao povo britânico continua a ser um duopólio bipartidário que não oferece outra alternativa senão a continuação das mentiras, da exploração e da condução à guerra na cauda de um império americano em implosão.

Quando grande parte do eleitorado acredita que nenhum dos partidos políticos representa os seus interesses e sabe que os meios de comunicação os manipulam com mentiras, a nossa chamada "ordem democrática baseada em regras" está a sofrer a pior crise de legitimidade da história.

No entanto, enquanto somos arrastados para a guerra e para crises económicas e sociais, estão a acontecer saltos importantes noutras partes do mundo. O desafio ao poderio militar ocidental e ao domínio neocolonial está a ocorrer em todos os continentes e a instilar um sentimento crescente de esperança, otimismo e espírito de luta entre as pessoas do Ocidente, em especial os jovens.

O imperialismo norte-americano e os seus vassalos ocidentais, os velhos imperialistas, incluindo a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha, estão a perder o seu factor de intimidação a nível interno e internacional. Os povos de todo o mundo estão a recuar e a desafiar o status quo, e nós, comunistas britânicos, deveríamos estar na vanguarda das expressões de frustração e irritação dos trabalhadores, articulando e aperfeiçoando as suas ideias e construindo uma frente unida na sua prossecução.

Nunca na minha vida a oportunidade e a possibilidade de mudança socialista foram tão tangíveis. As peças de dominó da fortaleza capitalista estão a começar a cair e este é o momento para todos os comunistas rejeitarem liminarmente o status quo e iluminarem o caminho para o socialismo.

Foi então com profunda decepção que li o anúncio feito por Robert Griffiths, secretário-geral do Partido Comunista da Grã-Bretanha (CPB) de que: "O Partido Comunista vai disputar o seu maior número de lugares em Westminster desde há 40 anos, com um grito de guerra: "Fora Conservadores - uni-vos pelos direitos dos trabalhadores, pela propriedade pública e pela paz!""

Tories fora? E que tal "Não votem nesse outro partido imperialista, viscoso e conivente de pretendentes, o Partido Trabalhista! O Partido Trabalhista não é o "menor de dois males". Já passámos da fase de acreditar nessa dicotomia sem sentido.

Sir Keir Starmer tem sido exemplar em expor a verdadeira natureza do Labour como um partido anti-trabalhador nas suas declarações sobre "proteger as nossas fronteiras", sobre "segurança nacional", no seu apoio à Nato na Ucrânia e ao genocídio na Palestina, e nas suas próprias garantias e nas do seu chanceler-sombra de que pretendem ser "simpáticos para as empresas".

Os trabalhistas são a mais desprezível das criaturas: um lobo em pele de cordeiro - ou seja, os Tories disfarçados. Como diz o ditado: "Trabalhistas, conservadores, a mesma história de sempre".

Tudo indica que os trabalhistas vão obter uma vitória esmagadora e é evidente que o partido tem o apoio do establishment, com os meios de comunicação social ocidentais a darem incessantemente a volta às notícias em sua direção. Mas porquê os trabalhistas e porquê agora?

Trata-se de uma táctica frequentemente utilizada quando as condições económicas e/ou sociais exigem que se sufoque a hostilidade crescente entre as massas. O pretenso "partido da classe trabalhadora" é apresentado como o campeão da esperança para acalmar a indignação e a insatisfação crescentes de um número cada vez maior de pessoas.

Ainda mais terrível é o facto de a história ter demonstrado que um governo trabalhista, com a fachada de ser o partido dos trabalhadores e com o apoio dos lacaios dos líderes sindicais, pode fazer passar condições ainda mais coercivas e exploradoras do que o seu homólogo conservador alguma vez poderia imaginar. É este o verdadeiro objetivo do Partido Trabalhista. (Leitura recomendada: Britain's Perfidious Labour Party, disponível na nossa livraria).

Estará o PCB a abordar esta pantomima farsesca de pompa, as eleições gerais, a partir de uma posição dialéctica? Para aqueles de nós que perseguem o socialismo, a nossa política deve certamente ser a de agitar e minar o poder do Estado e emascular as intenções estratégicas da burguesia em todas as oportunidades. No entanto, o CPB está a apoiar uma vitória esmagadora dos trabalhistas como a melhor maneira de "tirar os conservadores".

E está a fazê-lo mesmo quando a crise palestiniana está a levar vagas de candidatos independentes a apresentarem-se, algo que a Grã-Bretanha não via há décadas, se é que alguma vez viu. Esses candidatos podem causar danos a uma crise cada vez mais profunda do capitalismo, criando e aprofundando a instabilidade no sistema político britânico. Podem ser incómodos e perturbadores a nível individual a partir do Parlamento e, se um número suficiente de candidatos obtiver votos suficientes, podem interferir com a previsão de derrocada dos trabalhistas, mesmo sem serem eles próprios eleitos.

A nossa tarefa imediata deve ser a de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para perturbar o funcionamento rotineiro do imperialismo britânico. Perseguir um parlamento suspenso, que forçaria os trabalhistas a ter que fazer um acordo, é uma táctica que poderia ajudar a frustrar as maquinações imperiais.

Como o projeto Corbyn nos ensinou, os problemas da classe trabalhadora britânica não podem ser resolvidos através da participação no circo parlamentar. Temos de agravar a crise política da classe dominante, interrompendo a sua intenção de dar uma vitória aos trabalhistas e, ao mesmo tempo, construir as nossas próprias forças.

UM CAMINHO BRITÂNICO PARA O SOCIALISMO EM 2024

No sistema de produção com fins lucrativos chamado capitalismo (também conhecido como "escravatura assalariada"), gerido pela classe dominante capitalista através da charada da democracia parlamentar, a riqueza concentra-se cada vez mais em cada vez menos mãos. Vivemos numa época em que os extremos entre os ridiculamente ricos e o resto dos pobres são mais amplos do que nunca.

As injustiças da nossa sociedade - salários que não cobrem o nível de vida básico, um serviço de saúde falido, facturas de energia exorbitantes, o custo dos cuidados infantis... tudo isto resulta da forma como os meios de produção são utilizados para gerar cada vez mais lucros para alguns. Só mudando a base económica da nossa sociedade de uma produção capitalista orientada para o lucro para uma abordagem socialista de produção planeada - planeada para satisfazer as necessidades de todas as pessoas - poderemos finalmente viver em paz e em segurança. É a única forma de resolver os nossos problemas.

Sabemos que uma mudança de sistema nunca poderá ser conseguida através de uma via parlamentar. Já vivemos essa experiência demasiadas vezes para acreditarmos nela. Sabemos que, independentemente de qual dos dois grandes partidos esteja no poder, as nossas necessidades básicas continuarão a não ser satisfeitas.

Este sistema chamado capitalismo representa muito dinheiro, muito poder, muita exploração: a sua crise é generalizada e vai agravar-se. Nas palavras do grande Karl Marx: "O capital é trabalho morto, que, como um vampiro, só vive sugando o trabalho vivo, e vive tanto mais quanto mais trabalho suga."

Só o socialismo, um sistema produtivo planeado, baseado na satisfação das necessidades da massa do povo, pode funcionar a nosso favor. E como comunista convicto, tal como os meus pais antes de mim, lutarei por um sistema desse género.

Publicada por el comunista à(s) 11:47 

https://achispavermelha.blogspot.com/2024/07/a-perspetiva-de-um-comunista-sobre-as.html

segunda-feira, 11 de março de 2024

Banqueiros, governo psd/cds e fascismo



 
quarta-feira, 5 de julho de 2023


Quando dava o fanico a Cavaco, o BES já em falência e o governo aumentava a austeridade e a repressão, se previa o desaparecimento do CDS, a vitória do PSD sem maioria e a possibilidade do PS ir para o governo e mais tarde a necessidade de maioria absoluta. Estávamos em 2014

Banqueiros e governo almejam o fascismo

Foi o presidente do BPI, como tem sido habitual em situações semelhantes, um dos primeiros a vituperar a decisão dos juízes do Tribunal Constitucional em chumbar as normas ilegais da Lei do Orçamento de Estado que levaram aos cortes dos salários dos trabalhadores da função pública, utilizando argumentos falaciosos, em sentido análogo ao dos governantes e dirigentes do psd, querendo justificar os interesses da classe dos banqueiros a todo o custo. Custo da política de austeridade que continua e irá redobrar no horizonte mais próximo, certo e sabido até 2019 (é o incontornável governador do Banco de Portugal que o afirma, mais uma vez bota palavra), e assacado ao povo português.

Conta que irá agravar-se, nem que seja por razões “nacionais”, por exemplo, o banco do regime, o também inconfundível BES, desvenda mais um pouco o buraco em que se encontra: o BES Angola apresenta um rombo de 5,7 mil milhões de dólares, resultante de empréstimos concedidos a altas figuras do regime corrupto daquele país, mas que a gerência diz não saber bem onde foi parar o dinheiro, numa demonstração clara de impunidade e de confiança de quem alguém (o povo português e possivelmente o povo angolano) irá pagar o desfalque.

O fascismo é o governo exercido pelos banqueiros

Nunca se tinha visto banqueiros e governadores do BdP, para além dos habituais economistas, ex-ministros e outros comentadores/paineleiros, a botar faladura com tanta frequência e prosápia sobre política e, principalmente, sobre as contrariedades governativas. Os argumentos são mais que falaciosos, são demagógicos, mentirosos, deliberadamente confusos e enganadores para a opinião pública.

Argumentar que o TC está a imiscuir-se na actividade legislativa e que “assuntos económicos” não são da sua competência, e vão para além da questão jurídica, é dizer, através de uma fraseologia pretensamente técnica, que vale tudo, que o Parlamento, nas mãos do executivo, pode decidir a bel-prazer, ou seja, se pode governar em ditadura, desta vez sem fechar o Parlamento como já aconteceu em outros períodos de profunda crise política da história do povo português, estamos lembrados da ditadura de João Franco, em véspera do regicídio e do imediato fenecimento da monarquia.

Não há dúvidas de que os banqueiros controlam abertamente o governo, sem intermediários e disfarces, só falta serem eles os ministros, como acontece na actual fascista Ucrânia em que os principias governantes, desde o Presidente da República recentemente eleito em eleições fantoches aos governadores das regiões, são os indivíduos mais ricos do país, enriquecidos, diga-se de passagem, pelo saque das empresas públicas que foram “vendidas” dez vezes mais baixo que o seu real valor.

E se há partidos e gente que faz o frete não será somente por serem corruptos e de estarem à espera de boa recompensa em lugares de conforto nos conselhos de administração dos bancos e de outras empresas que enriqueceram à custa dos negócios com o estado, mas porque a nossa burguesia e os partidos que a servem fizeram profissão de fé aliarem-se ao grande capital financeiro europeu, com o alemão em posição dominante, com o duplo objectivo de sobreviverem e de sobre-explorarem os trabalhadores e o povo português.

Os fanicos do senhor Silva




Enquanto o povo caminha a passos largos para a miséria e o país para bancarrota, sendo indisfarçável a necessidade de um segundo resgate e daí o preparar da opinião pública para tal, ao PR senhor Silva dá-lhe o fanico em situação de contestação pública e em dia de comemoração da “raça”, e ao PS, o “principal partido da oposição”, dá-lhe a guerra intestina pela disputa do pote e para salvação do regime e dos banqueiros e capitalismo nacionais.

O fanico do senhor Silva, ao que consta é o terceiro (e não o segundo, o primeiro foi quando os estudantes uma vez irromperam pelo gabinete quando era professor) desde que se meteu na política, vale pelo simbolismo, ele é também a falência do governo psd-cds e do próprio regime de democracia de opereta. Os espasmos vagais são resultantes não de uma hipotética doença de Alzheimer, como alguém quer fazer crer, mas próprios de personalidades histriónicas que não admitem a contrariedade nem a frustração, são expressão de um mau carácter, de quem deseja e prepara o fascismo; que bem pode vir pela mão de um ps, com ou sem o Costa.

Porque a revolta do povo a isso obrigará, fazendo com que a burguesia adopte formas de governo mais musculadas que, por sua vez, irão precipitar e provar sem margem para dúvidas que a única alternativa que os trabalhadores têm para a saída da crise do capitalismo é o socialismo.

Enquanto se adensam no horizonte próximo as nuvens da austeridade levada a expoente máximo, o tal de “principal partido da oposição” desintegra-se em disputas internas em vez de envidar todos os esforços e recursos para o derrube do governo fascista psd/cds. Contudo a verdadeira natureza das pretensas divergências internas torna-se clara e evidente: não se pretende um ps com uma direcção forte para fazer inverter a 180 graus a política defendida e aplicada pelo psd/cds, mas para impor a mesma política em grau redobrado.

O PS como tábua de salvação do capitalismo

Não será um ps sem maioria absoluta, e com a impossibilidade de se aliar mais uma vez com o cds, que irá ser reduzido à sua expressão mais simples em termos eleitorais, que conseguirá colocar em prática as medidas económicas que mantenham ou venham mesmo aumentar a exploração do povo português para salvação do capitalismo nacional e para benefício dos lucros e da concentração do grande capital financeiro europeu e internacional (norte-americano, mais precisamente, via FMI).

O partido que foi fundado pelos herdeiros da I República e com os marcos da social-democracia alemã será ainda o único capaz de trazer de novo o apoio da dita “classe média” causticada pela política de austeridade do governo ainda em funções a uma política de pretensa “salvação nacional”, mas para tal precisará de maioria absoluta. O resultado das eleições europeias revelaram que não só o ps não consegue formar governo sozinho, como o cds irá desaparecer do mapa, como o psd também pode ganhar as eleições mas também sem maioria e sem possibilidade de repetir a aliança com o actual parceiro, e que só duas saídas estarão disponíveis: ou a aliança de ps com psd, tão de agrado do senhor Silva e de alguns altos dirigentes do ps, ou ps terá de criar uma maioria que não sabemos como conseguirá atendendo a que o povo português, apesar de ser acusado frequentemente de amnésia, ainda está bem recordado do que foi o governo ps/engº Sócrates.

Caso o Costa de Lisboa alcance o poder dentro do partido e venha a ser o primeiro ministro de Portugal a seguir a 2015, e as eleições terão que ser realizadas na data prevista para que haja tempo para o assalto ao castelo, daí o ps nunca se ter empenhado em derrubar o governo, virá a revelar-se um “filho da puta” (estamos a falar em termos políticos, como é óbvio) muito parecido senão pior que o dito “engenheiro Sócrates”. Ele igualmente bom para ir buscar o fascismo, pese o rótulo de “democrata” colado pela extrema-esquerda, ansiosa de também aceder à gamela do orçamento e do aparelho da administração burguesa.

São mais que numerosos os sinais enviados pelo psd/cds e seus amos banqueiros para o regresso do fascismo em Portugal e em curto prazo de tempo. O senhor Silva não enviou a Lei do Orçamento para o Tribunal Constitucional porque os pareceres que lhe apresentaram não detectaram qualquer inconstitucionalidade e o senhor Coelho depois do chumbo do TC quer mudar os critérios de nomeação dos juízes daquela instituição apesar de dos 13 juízes 10 serem de nomeação partidária. É o oitavo chumbo do TC, os dirigentes dos psd e cds eriçam-se porque não podem cumprir a tarefa de transferência da riqueza do trabalho para o capital sem obstáculos, querem tomar as medidas que bem entendem, fazendo do Parlamento, o órgão por excelência e símbolo da democracia dos cravos, um simples ornamento.

O fascismo é sempre bem-amado pela elite

Querem o fascismo, a acumulação do capital não se compraz com democracias quando se tornam um estorvo, estas servem só na justa medida em que permitem uma mais fácil ilusão dos trabalhadores a fim de se deixaram explorar mais docilmente. Quando isto começa a deixar de resultar, então o mais prático e rápido é o fascismo; a Ucrânia é neste momento a melhor prova desta mudança de actuação do grande capital. E a exemplo do que se passa na União Europeia, onde os órgãos eleitos mais não passam de decoração de um regime autoritário onde tudo o que é essencial é decidido em órgãos não eleitos. Razão que justifica em grande medida a enorme abstenção nas eleições do passado dia 25 de Maio.

E a par da abstenção assistiu-se à subida dos partidos da extrema-direita e dos ditos eurocéticos, em geral, que, no dizer de certa esquerda nacional (resistir.info) até apresentou “propostas perfeitamente razoáveis, corajosas e até meritórias”, ou seja, o caminho a seguir será o da “saída do euro, defesa da indústria nacional, ruptura com a globalização e a independência”, tout court. 

Em suma, entre a extrema-direita e a esquerda que ainda se arvora oficialmente do comunismo, como é no caso presente, não há diferença de monta, depois não venham queixar-se da ascensão eleitoral dos partidos da extrema-direita e a quebra (ou inútil ténue subida) dos PC's ortodoxos de ex-tendência soviética, já para não falar do quase desaparecimento de BE's (o grego Syriza será a excepção, porque ocupando o lugar do Pasok). Esta gente, e não terá sido só o ps, meteu o socialismo na gaveta, e pior ainda, enfiaram o socialismo e o comunismo em cova bem funda, ficando-se pela social-democracia, o quer dizer, o aperfeiçoamento e regulação do capitalismo, de preferência, um capitalismo com cor nacional; que é onde conduzem as medidas avançadas por um FN da família le Pen.

O caminho é o socialismo/comunismo

Quando o capitalismo se encontra na sua fase última de vida, em estertor que, e apesar e por isso mesmo, pode ser demorado e doloroso para o mundo do trabalho, esta gente não aponta abertamente para uma solução socialista, porque presas aos medos e complexos da classe de onde provém a maioria dos dirigentes destes partidos, a classe média, melhor dizendo, a pequena-burguesia que tem mais medo do comunismo que do fascismo. Querem pôr a roda da história a andar para trás, depois não venham queixar-se do regresso do fascismo ou de soluções populistas, do género Marinho e Pinto, que a prazo conduzem ao mesmo.

O caminho é o do socialismo/comunismo e não das pretensas “democracias do século XXI” ou das “revoluções democratas e patrióticas” chinesas, como se a situação na Europa meridional e periférica (PIIGS) fosse ainda semelhante à que existia no mundo não industrializado da primeira metade do século passado. Neste mundo globalizado capitalista a alternativa é o socialismo/comunismo, não há etapas intermédias, estas servem para empatar e dar mais fôlego à burguesia e prolongar o capitalismo. Cada vez mais se sente a necessidade de uma alternativa socialista e revolucionária, ou seja, o comunismo.

15 Junho 2014

www.osbarbaros.org

Postado por O BÁRBARO às 14:53 
https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2023/07/banqueiros-governo-psdcds-e-fascismo.html

A Economia em estado comatoso, o fascismo brando e o PS em fim de linha

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

 

cartoon de João Abel Manta 

O alarme, o medo, o estado de emergência, com a mentira e a manipulação pelo meio, têm sido a estratégia do governo PS/Costa neste segundo mandato para impôr uma segunda vaga de austeridade, agora em dose maciça. Para atingir o objectivo há que amedrontar o povo e os trabalhadores e atirar com a responsabilidade para uma falsa pandemia, por sua vez, amplificada por uma imprensa subserviente, paga por muitos milhões de euros através de contratos de publicidade institucional e que agora, em final de Novembro, serão renovados, para continuar a propagar a mentira e induzir o medo. A declaração de estado de emergência, com o apoio servil da Assembleia da República, cada vez mais secundarizada para o papel de caixa de ressonância do executivo, e sob o alto patrocínio do PR Marcelo, que em segundo mandato irá mostrar os dentes, tal como o faz presentemente o Costa, e a explicitação em reunião extraordinária de ministros das medidas concretas que enformam a situação de suspensão de algumas liberdade e direitos dos cidadãos foram antecedidas, acompanhadas e seguidas por números manipulados e até falsos com um único fito de lançar o pânico e levar à aceitação de uma inevitabilidade, como se a vida de cada português estivesse em causa com uma virose que não mata mais do que qualquer outra patologia de causa infecto-contagiosa já existente em Portugal.

Os números apresentados são para isso mesmo, para aterrorizar, os títulos da imprensa o dizem: “Nunca em Portugal se registaram tantos casos em 24 horas: mais 5.550 infetados, a maioria no Norte (3.006)“ (DN, 06), “Pico de 6500 casos por dia de covid-19 esperado para o fim de Novembro” (JN, 07), “COVID-19: Portugal com novo recorde de óbitos. Mais 63 mortes e 4.096 infetados em 24 horas” (DN, 09), “Portugal ultrapassa as 3 mil mortes, com mais 62 nas últimas 24 horas” (DN,11), contudo a imprensa passa ao de leve ou não fala de todo que se em Março se começou a testar 800 pessoas se passou em Novembro (dia 05) a testar mais de 40 mil por dia, o que prova que a letalidade é pequena (1,7%), mas o medo devido ao matraquear constante dos números fica. Números que afinal até serão falsos, como denunciam os 12 investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em estudo publicado que aponta que os dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE) que têm sido fornecidas à comunidade científica, nos últimos meses, sobre os casos de Covid-19, “têm uma qualidade baixa, erros, inconsistências e muita informação em falta”, onde são encontrados “casos de um doente com 134 anos e três homens classificados como 'grávidos', bem como 19 doentes que supostamente teriam tido a doença antes do primeiro caso que se sabe que foi diagnosticado em Portugal”, colocando por terra a fiabilidade de todos os dados. O governo pode mentir uma vez e mais vezes, mas não conseguirá mentir sempre de molde a continuar com a intimidação, os factos são a contraprova da mentira e o povo mais cedo ou mais tarde abrirá os olhos e enviará o PS para o sítio onde já deveria estar, a história do lixo político.

A economia nacional encontra-se em estado comatoso

Por que é que o governo do Costa e do PS se encarniça na mentira e decretou o estado de emergência, não foi para “controlar e reprimir a pandemia” ou “apoiar os profissionais de saúde”, como Costa não se cansa de afirmar? Por uma simples razão, é que a economia nacional se encontra em estado comatoso, se em 2010 eram os bancos que se encontravam à beira da falência, agora são as empresas em geral que vêem os lucros a estagnar, muitas delas estão descapitalizadas e com o mercado a não conseguir consumir o excesso de produção do capitalismo devido à diminuição dos rendimentos dos trabalhadores – uma das contradições do capitalismo. As medidas que irão ser aplicadas daqui para frente, na continuidades das que foram no quadro do primeiro estado de emergência, serão para salvar as grandes empresas, os grandes capitalistas e patrões, não os pequenos e mesmo médios, como diz Costa: “"as medidas... não são alternativas ao layoff, somam-se ao layoff", reforçando que "o layoff continua a existir, quer o geral como a medida de apoio à retoma que substituiu o layoff simplificado", e já foram 1.550 milhões de euros, para além da “bazuca” que já está a caminho, são 750 milhões em subsídios a fundo perdido para as ditas “micro e pequenas empresas” que apresentem uma quebra de facturação de pelo menos 25% nos primeiros nove meses deste ano. Ora, iremos ver muitas empresas a apresentar subfacturação sem necessitar de ajudas e outras já com a corda ao pescoço a falirem inapelavelmente. Costa não acredita que seja possível "impedir a insolvência de todas as empresas" e assim estaria a pensar, já depois do estado de emergência em vigor e com o seu ar de hipócrita crónico, nas medidas mais adequadas, que irão sobretudo para os grandes hoteleiros e cadeias de restauração... um dia destes quem quiser tomar uma refeição pouco mais terá para além de um McDonald's ou de um Burger King e em centros comerciais. O pequeno comércio de rua terá desaparecido por força da prisão domiciliária dos portugueses , e em especial aos fins de semana!

Não será só o pequeno comércio ligado ao turismo, mas serão todas as pequenas e empresas que terão de fechar, no processo pandémica acelerado da concentração do capital, e é entidade insuspeita, agência Moody's, que o revela de forma insofismável: “Portugal é dos países que poderá ter maior destruição económica”. E em função disso, e não só, será um dos países que terá mais dificuldade em sair da crise económica e se alguma vez o conseguir fazer, porque economia dependente e subsidiária dentro da UE, onde faz 70% das suas trocas comerciais. E, mais importante ainda, a dívida pública que irá subir para os 135,1% do PIB, segundo perspectiva da Comissão Europeia, acima dos 134,8% previstos pelo Governo no OE 2021 – uma dívida cada vez mais impagável. E não será apenas Portugal, como todos os países do sul, Grécia e Itália, a que se pode acrescentar Espanha, com a maior quebra do PIB neste momento, devido ao grande número de pequenas empresas e, por essa razão, “de reduzida dimensão, possuem menores alternativas de financiamento e menores horizontes”. Uma perspectiva de uma situação que, segundo o relatório “Perpectivas Mundiais dos Soberanos (estados)”, que se irá estender por 12 a 18 meses. Será ainda mais grave no nosso país porque não há indústria nem o país se poderá reindustrializar no quadro da União Europeia, como a emigração, escape para a mão-de-obra excedentária, se encontra bloqueada na justa medida em que os países mais ricos e industriais, Alemanha e França, ou tradicionais destinos da emigração portuguesa, se encontram igualmente em crise (o Reino Unido já não faz parte da UE) e as suas necessidades de mão-de-obra barata e dócil já foram supridas pela imigração de refugiados.

Daqui para a frente será mais desemprego e mais miséria sem que o sistema económico consiga dar solução, já que a reorganização e possível recuperação do capitalismo será sempre com menos mão-de-obra e salários mais baixos, a robotização anunciada, tal como a introdução da máquina a vapor nos primórdios do capitalismo, será feita com mais desemprego (espera-se que um robot faça o trabalho de pelo menos três trabalhadores) e miséria para os trabalhadores, agora para todos e não apenas para os operários, daí a proletarização da pequena-burguesia que vai dando terreno para o medrar dos populismos e da extrema-direita. E os números não metem: a diferença do rendimento médio bruto por agregado entre aquele com maior rendimento (IRS) e o com menor rendimento era, em 2011, de 171 vezes, em 2015 de 174 vezes e, em 2018, era já de 182 vezes; no 4º trimestre de 2019 havia 522.300 desempregados, no 3º trimestre de 2020 são já 655.100, sendo o desemprego é a causa mais importante da pobreza no país; antes da pandemia, 47,5% dos desempregados estavam no limiar da pobreza e a maioria dos desempregados não recebe o subsídio de desemprego porque a lei os exclui; no fim do 3º trimestre de 2020, o teletrabalho já abrangia 681.900 trabalhadores, segundo o INE, e a partir da imposição do segundo estado de emergência com a sua obrigatoriedade, irá disparar, o que significa menos rendimentos para os trabalhadores e mais lucros para os patrões. A pandemia traz mais pobreza e miséria enquanto permite aos ricos ficarem cada vez mais ricos.

A pandemia do medo como distracção

A pandemia do medo tem outra finalidade, além do resultado de justificar a miséria, o de distrair os trabalhadores e o povo de assuntos que neste momento são questões de primordial importância para a sobrevivência de quem trabalha e produz, como é a discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2021. Em artigo anterior já denunciáramos o facto da disputa entre as diversas cliques da classe dominante e outras clientelas dependentes dos dinheiros públicos era o pote não ser suficiente, para mais em tempo de vacas magras, e não é que, sem surpresa para nós, que o incontornável advogado dos negócios e ministro da Economia veio desabafar para a opinião pública que “Ninguém está satisfeito; à mesa do Orçamento, todos acham que é insuficiente aquilo que lhes toca". O homem, para além de verberar que “todos acham que é insuficiente aquilo que lhes toca”, deixa claro que “o Governo tem de gerir aquilo que tem” e será neste cuidado que o governo e o ministro não deixarão de dar às grandes empresas, onde se inclui a banca, o maior quinhão, abrangendo todos aqueles que à mama da pandemia vão enchendo os bolsos: 496 milhões de euros para testes, equipamentos e outros serviços.

Perante a pressão dos lóbis, foi dado como garantido pela ministra da Saúde, e já orçamentado, mais 35 milhões de euros para os hospitais privados pela ocupação de umas, por enquanto, largas centenas de camas para doentes não só covid-19, como para de outras patologias, tendo ordenado o fecho, alegando caso de necessidade, dos serviços do SNS no atendimento dos casos não covid-19, o que irá engrossar as listas já de si enormes para cirurgias, consultas, exames complementares de diagnóstico e outros cuidados de saúde, incluindo os de enfermagem. Não deixa de ser curioso assistir ao perorar de um Marques Mendes, o conhecido recadeiro de Marcelo, na televisão do sócio nº1 do PSD, contra as dificuldade do SNS, já que o homenzinho é responsável máximo de um dos mais importantes grupos económicos privados da saúde, a Lenitudes! No entanto, os cuidados prestados no privado não serão de qualidade e haverá sempre o risco de o sector também estourar como o público, porque a maior parte dos enfermeiros e médicos que ali trabalham ser constituída por funcionários públicos que acumulam os dois lados. É todo o SNS que está a ser degradado e sem haver uma resposta de qualidade e à altura por parte do sector privado ou social, estando aí outros casos a comprová-lo: "desde 29 de outubro foram detetados 64 casos de legionella no norte do país", com 6 mortes, não se conhecendo exactamente qual a fonte do contágio. Outros casos surgirão, o concentrar de meios no pretenso combate à pandemia irá fazer com que outras patologias atinjam números que não existiam até agora, estando aí o número de mortes a mais para o atestar.

A pandemia como meio para endurecer as medidas de controlo e de repressão dos trabalhadores

A pandemia é, a par do espantalho do terrorismo, um bom pretexto para endurecer as medidas de controlo e de repressão dos trabalhadores e do cidadão em geral, é com o recolher obrigatório, ainda circunscrito a 121 concelhos em Portugal, mas que facilmente se prevê que será estendido a todo o território continental, visto que o número de infectados aumentará em proporção ao número de testes diários e de mortes, que poderão atingir as 100 por dia, e não será preciso ser matemático para ver isto, já que não se está a proteger os grupos mais vulneráveis, idosos e doentes crónicos que agora vêm as portas do SNS a fechar, e se testa inclusivamente os mortos suspeitos de terem tido contacto com alguém com teste positivo apesar de não sintomático, chegando-se ao cúmulo de se considerar “paciente assintomático” as pessoas saudáveis.

Mais liberdades, direitos e garantias reprimidas pelo governo a nível interno e mais limitação de entrada de imigrantes é a política que vai prevalecer em todos os estados da UE, e as medidas estão aí a começar por alguns países: o presidente francês Macron anunciou reforço de patrulhas fronteiriças e quer reforma de Schengen e o chefe da diplomacia italiana, Luigi Di Maio, propôs um `Patriot Act` europeu, semelhante à lei antiterrorista nos EUA. Qualquer indivíduo pode ser detido por tempo indeterminado desde que acusado de “terrorismo”, sabendo nós que estes grupos de mercenários foram criados pelos países do Ocidente para fazerem o trabalho sujo das suas forças armadas, como ficou bem provado na Síria. Como se acaba com a democracia, sob pretexto de se querer defender a vida dos cidadãos a nível da saúde e da segurança física! Costa já o afirmou, o estado de emergência poderá ir até ao fim da pandemia, e a Ordem dos Médicos concorda com o estado de emergência. Os portugueses ficarão em prisão domiciliária até quando calhar!

A par da repressão pelo cacete, a repressão sobre aqueles que pensam diferente, independentemente de ser por boas ou más razões, há muito, ainda antes da pandemia, se faz sentir: são os facebook ou twitter que fazem censura sobre as opiniões politicamente incorrectas, estejam mais à esquerda ou mais à direita, ou os artigos de opinião pagos a milhares de euros para descredibilizar quem contesta os dados e o discurso apresentados pelo governo, taxando de nagacionistas e de ignorantes e de outros impropérios mais violentos os que desalinham, ou são as televisões do império que cortam a palavra ao candidato que se pretende derrotado. O dito quarto poder cada vez com mais força para controlar a mente e o comportamento dos cidadãos. São as televisões que anunciam oficialmente o candidato vitorioso, ainda antes da instituição do estado que tem essa missão, são as televisões que vendem um candidato Marcelo que ganha sem precisar de fazer campanha no tempo próprio, são as televisões que lançam o impedimento de presidentes democraticamente eleitos quando deixam de ser convenientes para o sistema, são as televisões que amplificam os números deturpados da DGS, são as televisões de difundam o medo e criam o alarmismo, são as televisões que promovem a bufaria, sendo frequente ver pessoas na rua a olhar desconfiadas para outras que não usam a máscara, ou a telefonar para a polícia porque há um grupo de jovens em alegre farra em casa ou em bar já fora de horas. As televisões, nas mãos de grandes grupos económicos financiados com dinheiros públicos ou públicas dirigidas por ex-deputados e dirigentes do partido da oposição são os olhos do Big Brother. Em Dezembro irão receber outros 15 milhões de euros.

A democracia parlamentar burguesa está suspensa e dará lugar ao fascismo brando

É toda uma política económica de impôr a austeridade sobre os trabalhadores, uma política de repressão e de silenciamento, atentatória dos mais elementares direitos individuais, sobre o povo em geral, políticas impostas por um governo, cingindo-nos agora ao nosso país, por um governo que se diz de esquerda e que fará com que o próximo governo seja um governo aberta e formalmente de direita, aproveitando demagogicamente de uma política que facilmente terá sido identificada de “esquerda”, na medida em que foi aplicada por um governo também dito de “esquerda” e apoiado por toda a esquerda bem comportada do regime, pese toda a desculpabilização pela pandemia. Ninguém se admire que este governo PS/Costa não chegue ao fim de mandato por diversas razões, porque a mentira não dura sempre e Costa será escorraçado pela falsidade e pelo agravamento inaudito das condições de vida do povo português e porque Marcelo já em segundo mandato fará a este governo bem pior que o seu antecessor fez ao governo Sócrates/PS e não descansará de pôr na governação o seu partido e mais uns acrescentos. A democracia parlamentar burguesa está suspensa, dará lugar ao fascismo brando, porque o capitalismo se encontra falido.

Os resultados das eleições para a Assembleia Regional dos Açores marcam o princípio do fim de linha do PS,

porque já deixaram indício do que poderá acontecer no Continente, quando a miséria aqui igualar a miséria no arquipélago, esta agora ainda a vários pontos acima no que concerne a privação material severa, beneficiários do RSI e taxa de desemprego, será uma geringonça de direita, com o ainda principal partido da burguesia nacional a aliar-se com a extrema-direita; extrema-direita essa que apenas teve o trabalho de se mostrar porque sempre esteve lá dentro, desde que o PPD foi fundado. E ninguém se admire com a participação do partido de extrema-direita no governo, que irá sendo entretanto normalizado, quer pelo PR Marcelo quer por toda a imprensa de referência, com o seu dirigente-comentador-desportivo-televisivo a sobraçar alguma pasta mais importante, género Administração Interna ou Defesa. Se isto vier a acontecer, a exemplo do que está a suceder por essa Europa fora, devemos agradecer a um PS, com a sua política de direita a destruir a sua base de apoio, e aos partidos de dita “esquerda”, BE, ansioso em ir para o governo, e PCP, com as suas oportunistas abstenções e votos contras a pensar no próximo acto eleitoral, aplanaram o caminho para o fascismo - como já aconteceu no passado. De nada valerão as lágrimas de crocodilo dos falsos democratas nem os abaixo-assinados-cordões-sanitários... porque é da sobrevivência do capitalismo, e da burguesia, que se trata.

À medida que os campos se extremam, a luta de classes se intensifica, a revolução comunista surge como iminente e necessária.

Postado por O BÁRBARO às 10:42 
https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2020/11/a-economia-em-estado-comatoso-o.html? 

domingo, 24 de dezembro de 2023

re.visitando filipe chinita|'civilização' comunista




re.visitando filipe chinita|'civilização' comunista | 09 abril 2016
.
'civilização' comunista.
um dia
se não morrer.próximo
ainda publicarei um livro.de poesia
apenas com todos os escritos/poemas
que já sobre a definição de comunismo
e do humano.comunista
escrevendo fui
ao longo de toda
a minha
inteira
vida.
para vos provar.em poesia.
que o comunismo
virá!
e com ele
esse.outro.humano.
futuro!
que não serão mais
do que outros
de nós.
que nunca viremos
a conhecer.mas existirão.
em contínua busca
de uma perfeição
interior e
social.
com o outro.os todos os outros.
livre e conscientemente.
em que
o que é meu é teu.
e o que é teu
é meu.
e assim todos.e o todo.
sem mais 'meu'
nem 'teu'. tudo
nosso!
será
.
o mundo será então
a paz e o amor.no
desabrochar
enfim
humano!
de todos os nossos
individuais talentos.
no colectivo.
sem ciúmes.invejas.ou dores de corno.
conscientes que da liberdade do outro
e nossa! estaremos.
esgotados
que nas humanas cabeças e corações
há muito e para sempre!
estarão o teu
e o meu.
pois que de há muito só procuraremos
em individual.e em colectivo
o bem comum.
que tudo comum
nos será.
apenas não a intimidade.
e assim andaremos pelo mundo
de unidas mãos e
frontais olhares.
e
tudo nos terá
a
transparência
do vidro
.
seremos outros
mui melhores!
do que ora
somos.
mas não sei porque vos espantais.
porque desde o princípio
da humanidade
que sempre
assim
foi
.
ou ainda por ventura estais
de sílex contra sílex
procurando e
encontrando
enfim o
fogo
.
e o quanto isso.no entanto
determinante para
a humanidade
(nos)
foi
.
fj
ao agora
.
a mim
o que me interessa
é a avançada modernidade
sensível e inteligente.num todo uno.
como enchurrada das emoções.do pensamento
de um maiakovski e de um brecht
em sempre construção
política poética
e filosófica
da vida
e não o constante voltar
atrás das rimas
de um tempo.
interessa-me
a vibração estilhaçante do ritmo
e não a facilidade do
som que procura
o seu igual.
eu sou
por todas as diferenças
da natureza e da vida
e assim.também
na poesia.
que mesmo nas partes
sempre eu busco
o todo!
e só escrevo
o que se me arremessa
da mente ao sangue.
e deste à
pele.
e só escrevo
a mais inteira verdade.de mim.no outro.
pelo menos assim.e aqui
sempre a/o/os intento
buscar
.
fj
ao agora.
de me ir banhar o corpo.
este sem o qual nada escreveria.
caso não existisse física e i.material.mente
09 de abril de 2016
imagem: pintura de Álvaro Cunhal