sexta-feira, 30 de abril de 2010

Biblioteca Nacional adquiriu espólio do escritor Urbano Tavares Rodrigues



Literatura


Público - 28.04.2010 - 18:31 Por Lusa


A Biblioteca Nacional (BN) adquiriu o espólio do escritor Urbano Tavares Rodrigues, que testemunha perto de seis décadas de criação nas áreas de conto, romance, ensaio, crítica, ficção, crónica e poesia, disse hoje fonte da instituição.

A aquisição do espólio de Urbano Tavares Rodrigues, 86 anos, insere-se no programa que a BN tem vindo a desenvolver no sentido de conseguir adquirir espólios de escritores vivos, como fez com Almeida Faria e Eugénio Lisboa, disse à agência o director da biblioteca.

Jorge Couto sublinhou que o programa - conhecido na biblioteca como o Clube do espólio dos Escritores Vivos por analogia ao título do filme o Clube dos Poetas Mortos - não é fácil, uma vez que é difícil os escritores separarem-se dos manuscritos que deram origem às suas obras e de um conjunto de obras, incluindo correspondência, que testemunham a sua vida.

Do espólio de Urbano Tavares Rodrigues, Jorge Couto destacou peças que eram do pai do escritor - o jornalista Urbano Rodrigues -, sublinhando que o facto da BN adquirir estes documentos preserva-os de eventuais dispersões no futuro.

"Com este programa, além de preservarmos o património literário e cultural, estamos também a desenvolver um projeto de arqueologia literária dos próprios autores, uma vez que a produção literária sofreu grandes modificações nas últimas décadas", acrescentou.

O diretor da BN disse ainda que no futuro a biblioteca irá contactar escritores que produzem só de forma informática de modo a que a memória de criação literária seja preservada nos seus diferentes tipos de produção.

O espólio contempla manuscritos de autor, alguns dos quais em várias versões, muita correspondência recebida de Portugal e do estrangeiro, algumas centenas de cartas, bilhetes e telegramas, nomeadamente de Fidelino de Figueiredo, Gaspar Simões, Álvaro Cunhal, Carlos de Oliveira, Jacinto do Prado Coelho, Aquilino Ribeiro, Cardoso Pires, Miguel Torga, Domingos Monteiro, David Mourão-Ferreira, Manuel da Fonseca, António Ramos Rosa ou Sophia de Mello Breyner.

Cartas de Manuel Teixeira Gomes, dirigidas a Urbano Rodrigues - seu biógrafo, jornalista e pai de Urbano Tavares Rodrigues - cartas publicadas apenas parcialmente na edição recente "O Cristal da Palavra", por Urbano Tavares Rodrigues e Vítor Wladimiro Ferreira, uma outra carta de Afonso Costa também a Urbano Rodrigues, que foi seu secretário, e um bilhete de Afonso Lopes Vieira para o mesmo destinatário são outros documentos que fazem parte do conjunto adquirido pela Biblioteca.

Nascido em Lisboa em Dezembro de 1923, Urbano Tavares Rodrigues é licenciado em filologia românica e é autor de uma vasta obra em diversos domínios.
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Resultados de imagens para urbano tavares rodrigues

 

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi


26 de abril de 2010

Todos

Senhora de todas as horas,
refrão e canto; silêncio e hora
decorrida; na apresentação
mesquinha se diga revelada.
Em todos os balcões de bares,
senhora, em todos os caixas
de supermercados e nas filas
de ônibus, induza o espírito
ao retorno: como alimentar
corpos naturalmente expostos?
Senhora de todos os gostos, na hora
que é nossa em pertencer ao estado,
observe à sua volta e se revolte.
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Pedro Du Bois
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25 de abril de 2010

Salgueiro Maia

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porque será sempre a minha imagem da Liberdade
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Esquecer

(nesta data, um poema inédito oferecido ao Modus pelo seu autor)

Ainda me preocupo com a sobrevivência
acintosa do corpo fisicamente referido ao todo.
Por isso morro em medíocre estilo
e sou venerado no esquecimento.
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Pedro Du Bois
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Arte e Poesia em Modus Vivendi

29 de abril de 2010

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!
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Mário Quintana
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Sir Joshua Reynolds

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da graciosidade

Bruta flor do querer

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rockn roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre afim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim
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Caetano Veloso
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28 de abril de 2010

Angelica Katharina Kauffmann

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Maria Anna Angelika ou Angelica Katharina Kauffmann,
pintora autoretratada em princípios do século XIX

Aqui Estou

Aqui estou, no encontro dos caminhos
no sítio onde os olhares se dobram de terror...
Quando a minha voz disse não e a vontade e o espelho
havia acordo e sonho e flores para abrir.
Quando as minhas mãos escorriam de ternura
havia liberdade e os meus pés descalços
recortavam em sombra a única lisura.
Que lindo o que eu sonhei, que paz e que mistério
que grande força sem lágrimas no mar. . .
Agora estou dorida, morreram-me os cabelos
nos dedos que pediam caiu uma agonia,
as cordas já cortadas tornaram a me ligar.
Na noite que me seque eu quisera sorver
toda a ausência direta do possuir e do ter,
fugida na floresta escondida na giesta
morder aquela terra fecunda em que me sei.
Sem luta, a navegar, um barco branco e meu
sem timoneiro nem rota marcando-me o destino
singrando sob a lua, bebendo o sol dos dias
tão só e o grande olhar de Deus,
deitado ao pé de mim.
Assim correr, ser livre, criar e ter prazer
aquele só prazer igual ao que já sou
uma lira, um canto, uma harmonia enfim
serena, bela, doce e sem violência louca.
Idade duma rosa colhida na manhã
vibrando no calor as pétalas a abrir
surpresa vegetal da vida que se inflama
com o caule cortado e sem poder sorrir.
Quem livre me deixasse dormir na minha planta
este acordo supremo dos membros do amor,
sem traição, sem corte, e só aquele manso
sorver da terra a seiva para poder florir.
Ai, mar em que me banho e que livre me deixas
miragem do meu ritmo, partida para além
meu doce só saber braços, pernas, seios, beijos,
e toda a maravilha de ser sem mais ninguém.
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Salette Tavares
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27 de abril de 2010

Sir Joshua Reynolds

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Mrs Abington as Miss Prue in Love for Love

Arte e Poesia em Modus Vivendi

os nomes que damos às coisas

Vivemos sobre a terra. Apresento-te
a nossa casa, os nomes que damos às coisas,
as honras que nos são destinadas,
este corpo de sangue e nervos.
Sobre ele que julgamos vivo
dizes minha razão. A da vida
e a de outras coisas que se percebem.
Os barcos retomam lentos o seu lugar
em volta de um coração marinho.
Como se morre aqui?
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João Miguel Fernandes Jorge
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22 de abril de 2010

Jean-Frederic Schall

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Marie-Madeleine Guimard, bailarina da Ópera de Paris no século XVIII
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Diz

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.
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Eugénio de Andrade
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21 de abril de 2010

Ivan Rabuzin

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Terra

Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.
E o mar? E a cidade? E os rios?
Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,
onde chiam carros de bois e há poças de chuva.
Onde ficava o mundo?
Nem a alma sabia julgar.
Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.
Em cada dia o povo abraçava outro povo.
E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:
a estrada branca e menina é uma serpente ondulada
e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio.
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Fernando Namora
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20 de abril de 2010

Al-Gharb

A minha amada é aprazível a meus olhos
como o trigo maduro ondeando em seara.
Fios de prata enfeitam-lhe os cabelos,
como a neve branca enfeita o distante cimo.
O tempo que passou marcou-lhe a pele,
como o arado ao campo fértil,
mas o seu corpo é deleitável
como as mais finas vestes,
e a sua voz é água cantante,
na fonte à sombra do jardim.
Por entre os vinhedos de Silves
persigo a corça fremente,
e suave é o abandono da presa
nas mãos do caçador.
Ela me deu crianças trigueiras
como a terra do Al-Gharb,
cujo riso enche de alegria
o coração de quem ouve!
Tão longe estão as cidades de Deus
e Ele tão perto do meu coração!
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Muhammed El-Magrebi
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Biografía de Ibrahim al-Koni

Poemas del Alma



27
Abr

Publicado por Verónica Gudiña
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Del panorama literario actual, uno de los novelistas más prolíficos en lengua árabe es Ibrahim al-Koni, un autor libio que llegó a este mundo en 1948. A la hora de inventar historias, este talentoso exponente del realismo mágico suele inspirarse en cuestiones espirituales y existenciales y arma con ellas relatos apasionantes donde también hay espacio para las referencias mitológicas.
Ibrahim al-Koni.
Durante sus primeros doce años de vida, este niño criado bajo la tradición de los tuareg que creció en la región desértica de Fezzan sólo hablaba, leía y escribía en árabe, un saber que, con el transcurso del tiempo, complementaría con otros conocimientos.
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Décadas después de terminar su formación académica en la ciudad de Gadamés, Ibrahim se trasladó a Moscú, donde no sólo estudió Literatura Comparada en el Instituto de Literatura Maxim Gorky sino que también se inició en la actividad periodística, una labor que también desarrolló en Varsovia.
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Como escritor, su debut tuvo lugar en 1974, año en el cual quien fuera empleado del Centro Cultural Libio de Moscú publicó una recopilación de cuentos. A partir de entonces, este autor que en 1993 decidió fijar su residencia en Suiza dedica su tiempo a elaborar diversos materiales literarios.
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Hasta el momento, son más de setenta las novelas y cuentos de su autoría, muchos de los cuales ya han sido traducidos a 35 idiomas. Gracias a varios de los relatos que ha creado, hoy en día Ibrahim al-Koni está considerado como un novelista poético y un fabulista sufista y acumula reconocimientos como el Premio del Estado Suizo, el Premio del Estado Francés, el Premio Sahara de Novela y el título de Caballero de la Orden Francesa de las Artes y las Letras.
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“Oro en polvo” y “La piedra sangrante” son dos de los títulos que forman parte de su extensa producción literaria.

Ary dos Santos - Obra e alguns poemas

Bibliografia
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1953 - Asas
1963 - A Liturgia do Sangue
1964 - Tempo da Lenda das Amendoeiras
1965 - Adereços, Endereços
1968 - Insofrimento In Sofrimento
1970 - Fotos-grafias
1970 - Ary por Si Próprio
1973 - Resumo
1974 - Poesia Política
1975 - Lllanto para Alfonso Sastre y Todos
1975 - As Portas que Abril Abriu
1977 - Bandeira Comunista
1979 - Ary por Ary
1979 - O Sangue das Palavras
1980 - Ary 80
1983 - Vinte Anos de Poesia
1984 - As Palavras das Cantigas
1984 - Estrada da Luz
1984 - Rua da Saudade

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Não posso deixar de aqui deixar algumas, de entre muitas, poesias que me marcaram desde sempre.

Os putos
. Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

A cidade é um chão de palavras pisadas
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A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

Poeta Castrado, Não!
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Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napal?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Meu amor, meu amor
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Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Cavalo à solta
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Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
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terça-feira, 27 de abril de 2010

Víncius, Olavo Bilac e Fernando Pessoa




De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
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Vinicius de Moraes
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Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho! 
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OLavo Bilac
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As nações todas são mysterios.
Cada uma é todo o mundo a sós.


Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
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Fernando Pessoa
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Enviado por Madalena - ter 27-04-2010 09:57
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A Poesia de Múcio Lima de Góis

Poemas de Múcio Lima de Góes, poeta brasileiro: 

pirando-me
 


é,
este
poema
não nasceu
para ser escrito
este poema nasceu
para ser como um grito
poema fadado ao infinito
a própria pirâmide do egito

finesse


dona
de uma fineza
absoluta:

na sala, Sartre,
na cama, Sutra.

poemar


quando amar
não tem siso
n
a
u
f
r
a
g
a
r

é preciso

esqueça caetano


venha
me livrar
dessa vidinha à toa,

enquanto
eu fernando,
você outra pessoa:

rapte-me da cama,
leoa!

almanaque


do
bom entendedor
diz-se
que captou
o espírito da coisa.

faz
bem melhor,
eu acredito,
aquele que capta
a coisa


do espírito.


sinfonia para silêncio em sol menor
e assim

quando você
me perceber extinto

não me pergunte
como foi
nem como vou

trago na boca
esse buquê
de vinho tinto

passei
como um vento
que passou


de passagem

viver
sempre foi
esse sufoco.

dizem
que Rimbaud
morreu louco,

Dolores Duran
durou muito
pouco,

James Dean
também
foi algo assim,

de Doris Day
é pouco
o que eu sei,

mas sei
que todos
ultra-passaram o “fim”,

Jimmy, Che,
Joplin, Jobim,
Caymmi, Caim,

e me pergunto,
o que será
de mim?
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Enviado por Madalena - ter 27-04-2010 09:57
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Biografía de Octavio Paz

Poemas del Alma


Nació el 31 de marzo de 1914 en Mixcoac (Distrito Federal de México). Era nieto del escritor Irineo Paz, y la biblioteca de su abuelo, fue la primera en mostrarle las obras culturales más representativas. Su padre era Octavio Paz, que había participado en la Revolución Mexicana.
Octavio Paz
De pequeño, se mudó con su familia a Estados Unidos, donde comenzó sus estudios.
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La sangre revolucionaria legada por su progenitor, se manifestó en su participación en los levantamientos estudiantiles, que lograron la autonomía de la Universidad de México, en 1929.
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Su primer poema “Cabellera”, lo publicó a la edad de 17 años. A partir de esa época, comenzó la creación y colaboración con revistas literarias, siendo la primera “Barandal”, y luego, “Cuadernos del Valle de México”.
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En 1933, apareció su primer poemario “Luna Silvestre”.
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En 1937, ocupó el cargo de profesor rural en Yucatán, donde contrajo enlace con la escritora Elena Garro. Ese año viajó a España, durante la Guerra Civil Española, y participó junto a su esposa en el Congreso de Escritores Antifascistas celebrado en Venecia, publicando “Bajo tu clara sombra y otros poemas sobre España”, “Perfil del Hombre” y “No pasarán”. De esa época data su contacto con el poeta Pable Neruda.
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Regresó a México en 1938, y colaboró en la creación del diario “El Popular”, siendo su redactor jefe. Ese mismo año, fundó la revista “Taller”, en colaboración con Efraín Huerta y Rafael Solana, donde pudieron expresarse jóvenes escritores españoles exiliados en México.
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En 1939 publicó “A la orilla del mundo” y “Noche de resurrecciones”.
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En 1940, junto a Xavier Villaurrutia fundó la revista “El hijo pródigo”.
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La poesía inglesa llegó a su conocimiento a través de un viaje que realizó a Estados Unidos en 1944, al serle concedida la beca Guggenheim.
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Entre 1946 y 1952, fijó su residencia en París, al ingresar al servicio Exterior Mexicano. Allí, conoció varias personalidades como André Bretón y Albert Camus. Sus ideas, bajo tales influencias se inclinaron hacia posiciones antimarxistas y surrealistas. En este período nacieron las siguientes obras: “Libertad bajo palabra” (1949), “Piedra de sol”, “El laberinto de la soledad” (1950), “¿Águila o sol?” (1951) y en 1956 “El arco y la lira”.
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El pensamiento oriental, de gran influencia en su creación le fue revelado a través de sus viajes a la India y Japón que realizó en 1951 y 1952, respectivamente.
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En 1955, fundó “Poesía en voz alta”, grupo que consolidó con la colaboración de Leonora Carrington, Juan Soriano y Juan José Arreola. Colaboró con la “Revista mexicana de literatura” y con “El corno emplumado”.
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En 1956 escribió una obra de teatro: “La hija de Rapaccini”. Ese mismo año fue galardonado con el premio Xavier Villaurrutia.
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Regresó a Francia en 1960, y en 1962, fue nombrado embajador de México en la India. De este período, pueden destacarse: “Salamandra” y “Ladera este”.
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En 1965, publicó un ensayo dedicado a cuatro poetas destacados: Luis Cernuda (español), Fernando Pessoa (portugués), Ramón López Velarde (mexicano) y Rubén Darío (nicaragüense).
Octavio Paz
En 1966 y 1967, respectivamente, surgen “Puertas al campo” y “Corriente alterna”.
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El 2 de octubre de 1968, se produjo en México la matanza de estudiantes, y esto motivó su renuncia al cargo de embajador como acto de protesta.
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Regresó a México en 1971, donde creó la revista “Plural”.
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Publicó un poema en prosa “El mono gramático”, posteriormente “Los hijos del limo” (1974), “Pasado en claro” (1975) y en 1976, nace la revista “Vuelta”, de gran difusión y prestigio.
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En 1979, surge una obra política “El ogro filantrópico”.
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En 1981 se lo condecoró con el Premio Cervantes.
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En 1982 publicó “Sor Juana Inés de la Cruz o las trampas de la fe”, en 1983 “Tiempo nublado” y “Sombras de obras”, en 1984 “Hombres en su siglo”, en 1987 “Árbol adentro”, en 1990 “Pequeña crónica de grandes días” y “La otra voz”, distinguiéndoselo en ese año con el Premio Nobel de Literatura.
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Entre 1991 y 1995 surgen: “Convergencias”, “Al paso”, “La llama doble”, “Itinerario” y “Vislumbres de la India”.
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Tras una larga enfermedad, falleció en la ciudad de México, el 20 de abril de 1998.
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Poemas de Octavio Paz en Poemas del Alma

Publicado por Julián Yanover el 18 de Octubre de 2007
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Libertad bajo palabra, de Octavio Paz

Poemas del Alma

26
Abr
 
Publicado por Julián Pérez Porto
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Desde que descubrió sus aptitudes literarias, el escritor mexicano Octavio Paz hizo de la poesía un estilo de vida. Aunque realizó algunas traducciones y publicó una gran cantidad de ensayos, fue el género poético el que le permitió destacarse a nivel internacional y ser reconocido como uno de los poetas hispanos más brillantes de todos los tiempos.
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Libertad bajo palabraUno de los libros que atesora varios de sus textos poéticos es “Libertad bajo palabra”, un material que apareció en 1958. En esta propuesta lanzada más de veinte años después de “La rama” han sido agrupados muchos de los poemas que el ganador del Premio Nobel de Literatura escribió entre 1935 y 1957. Incluso “Piedra de sol”, un poema largo que había sido difundido meses antes del lanzamiento de “Libertad bajo palabra”, forma parte de este libro.
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El mencionado trabajo está dividido en cinco secciones (“Bajo tu clara sombra”, “Calamidades y milagros”, “Semillas para un himno”, “¿Águila o sol?” y “La estación violenta”) y ofrece referencias sobre el amor, la muerte, la solidaridad y la soledad, entre otras cuestiones de trascendencia universal.
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Leer este conjunto de versos es, por lo tanto, una actividad que no sólo permite descubrir el talento literario de Octavio Paz sino que también brinda la posibilidad de sorprenderse y reflexionar sobre el poder de la imaginación y la soledad. Sin nadie a su alrededor, el creador de esta obra fue capaz de, por ejemplo, inventar una noche estrellada, enfrentar el terror, dibujar señales de esperanza y hasta creerse acompañado por algún amigo.
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Para mucha gente, la soledad no es el mejor de los estados, pero hay que reconocer que, si uno los sabe aprovechar, esos instantes en los cuales sólo nos acompaña nuestra conciencia son realmente valiosos. Alejado de sus pares, por ejemplo, Paz rompió el silencio con la palabra, un concepto que, a juzgar por sus criterios, es una libertad “que se inventa y me inventa cada día”.

Un comenatario en “Libertad bajo palabra, de Octavio Paz”


Gracias por traernos de nuevo a nuestra mesa “Libertad Bajo Palabra” letras que son interesantes y no cansa leerlas reiteradamente. Aprovecharemos para visitar los lotros enlace…
Piedra de sol, de Octavio Paz
La rama, de Octavio Paz
Recordando a Octavio Paz
Resumen de El miedo a la libertad
Abraso fraterno.
Rafael.-
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La rama, de Octavio Paz


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En 1937, Octavio Paz, el escritor mexicano que en 1990 fue distinguido con el Premio Nobel de Literatura, publicó “La rama”, un poema que Poemas del Alma ya había presentado en otra oportunidad.

Octavio PazEn ese texto, el talentoso autor nacido en la Ciudad de México el 31 de marzo de 1914 intenta seducir al lector con referencias hacia una situación tan simple y maravillosa como lo es el hecho de sorprendernos al ver a un pájaro posado sobre una rama desde la cual nos seduce con su canto.
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Al leer las estrofas que componen a esta obra algunos podrán suponer que Paz intentó retratar de un modo original los efectos de la alegría y las consecuencias de la soledad, mientras que otros creerán encontrar en este trabajo conceptos más elaborados y disimulados que llevan a reflexionar sobre el valor de lo efímero, tal como generalmente lo es la estadía de un ave sobre un árbol.
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Frente a “La rama” habrá también quienes se limiten a interpretarlo sólo como un texto inspirado en la naturaleza, así como no faltarán los lectores que lo asociarán a un recuerdo capaz de quebrar la fortaleza de un ser humano, una idea que puede extraerse de frases como “se desvanece entre alas” y “silencio sobre la rama / sobre la rama quebrada”.

Las conclusiones, como resulta evidente, pueden ser muchas. Lo valioso, pues, es que todo aquel que lea este poema pueda llegar a comprenderlo desde el sentimiento y con libertad, sin importar que otros le hayan otorgado un significado distinto al de uno.


Publicado por Julián Pérez Porto el 15 de Abril de 2010
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Piedra de sol, de Octavio Paz

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Aunque el desempeño literario del escritor mexicano Octavio Paz se puede evaluar a través del análisis de los diferentes desafíos que asumió el autor a lo largo de su trayectoria, en esta oportunidad sólo centraremos la información en su perfil poético.
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Piedra de solComo recordará más de un estudioso del mundo de las letras, Paz era todavía un adolescente cuando publicó su primer poema. Lejos de ser un capricho de juventud, este primer paso dado en torno al universo de la escritura marcaría el inicio de una actividad profesional que, además del género poético, incluiría a los ensayos y a las traducciones.
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Según se puede advertir al investigar la trayectoria de quien ganara en 1990 el Premio Nobel de Literatura, los primeros títulos de su autoría fueron “Mar de día”, “Luna silvestre”, “Puerta condenada”, “Entre la piedra y la flor”, “La rama” y “Piedra de sol”. Este último, lanzado en 1957, surgió meses antes de la aparición de “Libertad bajo palabra”.
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Si “Piedra de sol” no pasó desapercibido a nivel internacional fue porque, en ese libro, el autor logró esconder un texto contradictorio donde hay espacio para el surrealismo, la transgresión, los conceptos vanguardistas y las ideas clásicas.
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En la mencionada propuesta, la imaginación lleva al mexicano a efectuar comparaciones entre una mujer y paisajes naturales como los conformados por un río, un bosque o una montaña, a invocar la libertad moral, a expresar que “si dos se besan el mundo cambia” porque “amar es combatir” y a plantear interrogantes sobre la existencia humana, sobre una vida “que no es de nadie” porque, según sus palabras, “todos somos la vida”.
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Si el contenido de este extenso poema les resulta curioso pero todavía, pese a la antigüedad de la obra, no han tenido oportunidad de leerlo, no se olviden de incluir en su listado personal de planes inmediatos la lectura de este interesante libro.

Publicado por Verónica Gudiña el 21 de Abril de 2010
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Recordando a Octavio Paz

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Se han cumplido 92 años del nacimiento del gran escritor mexicano Octavio Paz, y el Museo de Arte Moderno de México se encargó de rendirle homenaje. Asímismo, se cumplen 40 años de la publicación del poema extenso de este Premio Nobel de Literatura, “Blanco”.Octavio Paz
Se eligió entonces realizar una exposición relacionada a Blanco, en la sala José Juan Tablada del MAM.
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Incluído estuvo entre los actos, la conferencia de Enrico Mario Santi, especialista en la obra del Nobel mexicano. Llamada “La mirada sagrada: la poesía visual de Octavio Paz”, exhibió el video que Octavio Paz creó a partir de su poema Blanco.
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Santi comentó que este video presenta la “poesía concreta”, en la cual la tipografía dibuja una imagen, estilo influenciado por poetas brasileños amigos de Paz. Dijo además: “La producción de este video y otros más, que tal vez se le quedaron en el tintero, fue la manera en que Octavio Paz logró darle forma siquiera elemental a su sueño utópico de señalar el camino para el trabajo poético en este nueva era de reproducción mecánica”.

Octavio Paz buscaba con este nuevo género poético incluir las artes visuales en la poesía y estaba convencido de que sería parte importante del futuro de este género literario.
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Desde Poemas del Alma recordamos a Octavio Paz regalándoles uno de sus poemas:
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Escrito con tinta verde
La tinta verde crea jardines, selvas, prados,
follajes donde cantan las letras,
palabras que son árboles,
frases que son verdes constelaciones.
Deja que mis palabras, oh blanca, desciendan y te cubran
como una lluvia de hojas a un campo de nieve,
como la yedra a la estatua,
como la tinta a esta página.
Brazos, cintura, cuello, senos,
la frente pura como el mar,
la nuca de bosque en otoño,
los dientes que muerden una brizna de yerba.
Tu cuerpo se constela de signos verdes
como el cuerpo del árbol de renuevos.
No te importe tanta pequeña cicatriz luminosa:
mira al cielo y su verde tatuaje de estrellas.

Leer más poemas de Octavio Paz
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Publicado por Julián Yanover el 5 de Abril de 2006
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sophia no Modus Vivendi



Deriva - Sophia de Mello Breyner
Navegações VII, p. 65
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Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nús bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
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Só do Preste João não vi sinais
As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri
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Sophia de Mello Breyner Andresen
(poema oferecido por N.M.)

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Iluminura do Wappenbuch de Conrad Grünenberg (Constance, 1480). München, Bayerische
Staatsbibliothek, Cgm, 145, p. 53). 

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(Preste João)
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