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domingo, 25 de abril de 2010

Patxi Andión - Vida e Obra


De Wikipedia, a enciclopedia livre


Patxi Andion (n. 6 de outubro de 1947 em Madri). Trata-se de um cantautor, músico e actor espanhol. Tem participado em alguns filmes espanhóis dos anos 1970 e é conhecido fundamentalmente por seu labor como cantautor.
 

Biografia

Patxi Joseba Andión González nasceu em Madri o 6 de outubro de 1947 e ainda que suas raízes bascas (Sua origem paterno navarro e alavés o materno) marcariam sua vida, a educação que recebeu na capital influiu poderosamente em manter um espírito universalista. Seu interesse pela música começou no seio de sua família. Sua mãe cantava extraordinariamente bem e possuía uma voz excepcional. Foi tentada várias vezes para iniciar carreira profissional, mas ela nunca quis que sua condição artística saísse do âmbito pessoal e familiar. Sua avó materna foi soprano em companhias aficionadas tendo actuado no Teatro Real de Madri, as Vermelhas de Toledo ou o Liceo de Barcelona, entre outros. 
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Patxi estreou-se em público aos cinco anos, em Rádio Madri (Corrente SER) interpretando o papel do menino Jesús em uma obra de rádio teatro e cantando uma canção de moda então, “A Fonte do Avellano”. Na adolescencia tocou em grupos de rock como Os Camperos, Os Silvers ou Os Dingos. Já nessa altura possuía o vozarrón que mais tarde fá-lhe-ia inconfundível, mas naqueles tempos de vozes edulcoradas, significou uma limitação já que não lhe deixavam cantar no grupo por ter voz de negro”, e até a popularización dos discos de Ray Charles e outros como o, não lhe deixaram o microfone. «Tocávamos clássicos como A Plaga, O Rock do Cárcere ou Popotitos. Aquilo era divertidísimo. Lembro-me das primeiras actuações. Ainda levava pantalones curtos e me mudava de roupa em qualquer lugar para sair ao palco. » Conta. 
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Cedo começa a compor desde sua inquietude cultural, social e política. O que mais tarde definir-se-ia como canção de autor. Talvez como o mesmo diz, pela ânsia «de estar comprometido com a única coisa com a que se pode um comprometer: A dúvida». 
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O Pai de Patxi, republicano de esquerdas sofreu cárcere durante anos e nesse ambiente, é onde se começa a forjar a consciência social e política de Patxi que se desenvolve mais tarde no meio de uma organização revolucionária de esquerdas que lutou contra o franquismo, o FRAP. Em consequência desta militancia, várias vezes está a ponto de ser detido pela polícia política do regime e após uma redada na que caem vários militantes, decide passar a fronteira a França, onde ajudado pelos serviços de acolhida dos espanhóis exilados, começa um exílio na França que marcar-lhe-á para toda sua vida.
Sua experiência na França com mal 19 anos, foi trascendental pois foi testemunha do revolucionário Maio do 68 parisiense. Ali, começa uma vida bohemia onde começa a cantar em Caves do bairro latino. Entre tantas direcções de acolhida, viveu na rue Gay Lussac, que foi das primeiras em ser cortada pela famosa revolta estudiantil. Segundo o mesmo, foi uma experiência inolvidable em todos os sentidos. Vivia, como seus colegas de exílio, na mais absoluta das indigencias. Plagado de ladillas e blenorragia. A mais baixa das bohemias. “Em um dia, fazendo tempo para deitar na casa na que as camas eram ocupadas por rigorosa ordem de oito horas, passei pela rue Monsieur Lhe Prince e me parei em um lugar chamado A Candelaria (Música Latinoamericana e espanhola) anunciava na porta. O dono resultou ser de San Sebastián e basco parlante pelo que a relação se estabeleceu rapidamente. “Comecei tocando os bongos para seu passe de música latinoamericana e em um dia que me ouviu cantar me contratou. Fazia três sessões diárias e pagavam-me 25 francos o que me dava para dormir, mas não para comer”. 
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Pouco a pouco vai introduzindo nos ambientes de esquerda e começa a cantar em célebres “Caves” como L’Escale ou A Contrescarpe. A ideia do exílio permanente faz-lhe promover uma investigação para conhecer as consequências de sua hipotética volta a Madri. À Candelaria chega Félix Vitrie, o grande empresário promotor de Georges Brassens e proprietário do mítico teatro Bobino, onde cantam as grandes figuras da Chanson. Propõe a Patxi actuar nele como vedette americain do programa de Brassens. Lugar que no ano anterior tinha ocupado Serge Reggiani. E uma prova seleccionada com discos Barclays. Mas Patxi já tinha decidido voltar a Espanha para cumprir o serviço militar. 
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Em Madri, se reencuentra com Luís Eduardo Aute com quem tinha compartilhado estudo em seus começos. Aute gravava pára RCA e apresenta-lhe a Mari Trini. Cantautora recém chegada, como ele, da França, para a que começa a compor canções. Em um dia, gravando uma maqueta para ela nos estudos de RCA na Torre de Madri, sua voz chama a atenção de Gil Beltrán, director geral da companhia. Propõe-lhe gravar mas no meio das negociações cruza-se a gestão de um amigo da família. Manolo escobar, que tinha sido cantor do grupo Os Sonor quem lhe consegue uma entrevista com Carlos Guitart, director artístico de Movieplay que lhe contrata para gravar seu primeiro disco. Era uma aposta difícil. A voz rouca de Patxi e seus textos duros chocavam com um público habituado aos intérpretes de canção melódica ou modos mais convencionales como o próprio Aute ou Serrat. Ademais, Patxi tratava de temas pouco comuns para aquela época, temas difíceis, espinosos. O primeiro disco que editou foi um single com duas canções. Uma, saiu editada já proibida para seu difusión pública (A Jacinta) e a outra (Canto) seguiu o mesmo caminho aos quinze dias. Apesar disso, seu irrupción no médio profissional foi impactante. 
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Pouco depois saiu seu primeiro LP: Retratos. Uma colecção de canções sobre personagens que não eram estranhos à realidade daqueles dias mas que não estando conformes com a “realidade oficial” eram pouco “retratables” o que volta a pôr em frente à censura. Constante de seu quehacer artístico até a chegada da democracia já nos anos oitenta. Na portada do disco um texto avisa que três das canções são consideradas impropias para passar pela rádio. São as duas anteriormente referidas pertencentes a seu primeiro single e Os Decorados. O curioso é que, por exemplo, Canto, carregava a culpa de ter um verso tão pouco ortodoxo como: Canto à mãe que me parió e A Jacinta era a história de uma prostituta. Em Rogelio conta-se a história de dois velhos colegas de fadigas aos que a vida, a posição económica e social têm separado irreconciliablemente. No Pipo ocupa-se de algo tão despreciable como um cão vagabundo, enquanto na quem corresponda envia uma carta acusatoria. 
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Mas a censura, não só chegava do poder político. Também os interesses económicos desejavam um Patxi que fosse um pouco menos Patxi, para que fosse mais fácil, o vender, o ensinar, lhe fazer melhor produto. Ainda que isso, era do todo impossível. Quiçá por essa conduta auto imposta à hora de escrever canções, de seguir o rumo de sua vida e sua carreira, seu legado não é tão do domínio público como o de outros colegas, quiçá com menores méritos. «Nunca tenho feito isto a propósito. Quando escrevi por exemplo Meu Niñez tão só o fiz pensando em como tinha sido minha infância e em como fugi dela. Por isso quando essa canção foi enviada à rádio para sua difusión. O director da corrente mais importante disse que fá-la-ia número 1 se se lhe tirava a palavra “coño”, naturalmente só respondi que como toda obra artística, era o que sentia que tinha que ser. E ponto.» 
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Entre esses dois temas: Canto (incluído em seu LP de estréia) e Meu Niñez, editado em 1978 e que fazia parte do Cancionero Proibido, um excelente disco, vetado pela maioria das correntes comerciais, Patxi viveu sua etapa de maior actividade musical, durante a qual editou um total de dez discos. Possivelmente, foi o seguinte LP e o último com a companhia Movieplay e Onze Canções Entre Paréntesis, que teve verdadeiramente sua primeira grande repercussão comercial devido a temas tão difíceis de esquecer como Samaritana ou Vinte Aniversário. Uma canção inicialmente composta para Massiel. Enquanto, realiza suas primeiras viagens a América, dando concertos memorables na Argentina, Uruguai, Chile e México. 
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Em 1973, chega às lojas A Onde A água, que incluiria seu maior sucesso popular: Uma Duas e Três. Segundo o mesmo confessa, é com o calor do sucesso popular onde começa a se produzir um verdadeiro sentimento de vazio, de desilusión. São demasiados obstáculos, demasiada incomprensión e para que? «Não estava disposto a entrar nesse círculo vicioso de discotecas e recitais em lugares absurdos que te vão consumindo pouco a pouco. Tinha que encontrar uma saída. Não tinha começado na música para isso. Os demais poderiam fazer o que quisessem mas a acomodación não estava em sua credo. Ao princípio, as vias de escape são musicais. Em Joxe maría Iparaguirre, patxi Andión’em era percorre a marca deixada pela cultura basca em sua tradição familiar gravando a obra do famoso cantautor basco do século XIX. Como o mesmo, um homem a contratiempo. Em Como O Vento Norte afunda em sua vocação poética produzindo temas de trascendencia universal como Pai. Patxi é um homem de temperamento renacentista aberto, desprejuiciado e curioso. Preocupado por sua melhora pessoal sem restrição de nenhuma classe. Por isso, em meados dos 70, aproveita a oportunidade e inicia uma nova aventura, com sua incursão no mundo do cinema. Ao princípio conjuga ambas facetas: Em seu primeiro filme como protagonista O Livro do Bom Amor reparte o protagonismo como actor com a dedicación da composição da banda sonora do filme, para a qual adapta vários poemas do Arcipreste de Hita. Uma experiência que repetirá, ainda que com menor intensidade no futuro e que tinha começado adaptando o poema Che, Che, Che do poeta José Agustín Goytisolo para o cortometraje do mesmo título do cineasta Javier Aguirre no final dos anos sessenta. A partir daí e durante vinte anos dedica-se alternativamente a ambos papéis. Por um lado sua carreira de actor lhe granjea uma popularidade crescente inclusive entre as pessoas para as quais só tinha sido “Um peludo que protesta e grita”. Enquanto, grava e publica os discos, Viagem de ida, Arquitectura e Amor Primeiro, nos que dá rienda solta a uma maneira de compor a cada vez mais pessoal e exigente, apesar disso, consegue sucessos rotundos como a canção Amor Primeiro, em cuja gravação colabora com ele o grupo Mocedades e na que a mistura da doce voz de Amaya e a rouca de Patxi é uma maravilha que lhe faz ser número 1 de vendas em Espanha e vários países da América. Ainda assim, a exigência literária e o inconformismo musical, unidos a seu irreductible compromisso social fazem-lhe ir a contracorriente (como quase sempre) Para outros teria sido muito fácil se adaptar ao gosto do momento e aproveitar seu reconhecimento geral para vender discos. Ele, uma vez mais elege o caminho difícil e segue adiante à margem das conveniencias sociais e comerciais. 
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Quiçá, o auge de sua popularidade chegou com algo tão pouco relacionado com sua carreira como seu casal e posterior divórcio 14 meses depois com Amparo Muñoz, Meu Universo e a quem conheceu no rodaje do filme A outra alcoba, de Eloy da Igreja. Em consequência disso, seu nome começou a aparecer mais nas colunas de sociedade que nas secções culturais. Parecia que alguns não lhe perdoassem o se ter casado com uma mulher que não era de seu meio e isso lhe enfrentou com os ambientes onde tinha sido adorado. Mas quem tenha seguido a carreira deste cantautor imprescindible sabe que como o mesmo diz em seu texto Biografia interior: “Nunca estou onde se me espera nem faço o que se espera que faça”. Patxi Andión é uma artista fosse do comum que só atende a manter rabiosamente sua liberdade criativa e de consciência. Patxi passa quatro anos sem editar discos e sua presença no cinema, que parece um médio do qual já tem aproveitado o que lhe interessa, diminui. Nesse momento em seu incansable capacidade por aprender e experimentar, começa sua aventura de dois anos e oito meses como Che na ópera Evita, que é um sucesso atronador e na que é nomeado por um grupo de cinco jornais norte-americanos entre os que estão o New York Times ou o Chicago Tribune como melhor Che do mundo. No que respecta a sua produção musical ao termo de sua experiência na comédia musical, publica O Balcón Aberto, um álbum com o que parece ir fechando um ciclo de composição. Na televisão protagoniza séries como Página de Acontecimentos, ou Brigada Central, ainda que dá a sensação que é um caminho esgotado para o. 
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Durante sua época em Evita consegue o Doctorado em Sociologia pela Universidade Pontificia de Salamanca, outro paradoxo nele, agnóstico declarado. É convidado a dar um seminário na Universidade Complutense e com isso inicia o caminho docente e pesquisador que unir-lhe-á para sempre à Universidade. Primeiro como professor na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madri, depois como Decano Comissário da Universidade Camilo José zela e desde 1999 como Professor Titular Numerario no departamento de arte da prestigiosa Faculdade de Belas Artes da Universidade de Castilla-A Mancha no campus de Cuenca. Durante seus primeiros anos na Universidade, entre 1986 e 1996 mal se lhe ouve cantar em alguns lugares escolhidos e só quando ele o aceita, limitando o aforo a 100 pessoas. Deixa de editar discos ainda que é público que segue compondo e escrevendo canções que se nega a ensinar aos demais. É um tempo no que parece que sua obra olha para seu interior mais que nunca. O mesmo assegura no final dos oitenta: «Eu cante em uma época na que considerava necessário o fazer para dizer certas coisas que de outro modo não tinham a capacidade de ser escutadas pelo grande público, apero isso agora tem menos sentido. Não me sento na obrigação do fazer. A gente tem um acesso cultural e social completo, ademais, quero educar a meus filhos, ver-lhes dormir e levar ao colégio». 
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Será que se converteu definitivamente em um cidadão corrente aquele que um crítico português uma vez definiu como ou homem que canta como um guerreiro? Tinha chegado o momento que o mesmo tinha vaticinado? Dizendo: “O instante em que minha obra se diluirá na gente como sangue mestiza em tanto sangue. A cada vez mais ténue. Feita de todos. Esquecido seu nome”. Talvez não tenha nada mau nessa atitude tão ambiciosa de actividade, o problema reside no facto de que sua obra, uma das mais interessantes e trascendentales da canção de autor em Espanha dos últimos trinta anos fica escondida por trás dessas outras actividades. Quiçá como algum crítico tem apontado, um objectivo procurado pelo mesmo autor a quem o excesso de luz sempre incomodou. No entanto, pode que essa mesma consciência de ver sua obra a salvo dos grandes vaivenes da popularidade é o que lhe empurra a intensificar de novo seu compromisso com a música, isso e o aparecimento de uma nova geração de cantautores, na que alguns deles, mostram seu orgulho de seguir a estela inconfundível da obra de Patxi Andión. O verdadeiro é que sua obra, revisada pela nova geração adquire uma importância incomparável. E reconhece-se-lhe seu empenho em não deixar de reflexionar sobre certas coisas. 
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Em 1999, edita Nunca ninguém, um disco com duas canções inéditas e várias de suas grandes canções revisadas, musical e poeticamente. Grava-as com a Banda de Jazz acústico com a que actuava, acompanhado por grandes instrumentistas que gravam seus próprios discos e não actuam para ninguém, só eles mesmos à frente de suas próprias formações, como Antonio Serrano, Miguel Ángel Chastang ou Guillermo Mc Guill. 
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Parece que é um caminho que lhe anima a seguir e de novo é Portugal onde volta a reaparecer com um concerto multitudinario no Colisseu dois Recreios em Porto. Portugal é um país com o que o cantautor manteve desde sempre uma relação muito especial, seguramente desde seus dois primeiros concertos, frustrados, nos que foi expulso do país pela polícia política portuguesa e como o mesmo tem dito em repetidas ocasiões. “Sacaram-me de Portugal, mas deixaram-me-lhe dentro para sempre”. Patxi fala a língua portuguesa com bastante fluidez e sente-se muito unido à cultura, a história e sobretudo à gente de Portugal
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Patxi nunca esteve atento aos prazos de edição de discos que suas companhias de discos lhe obrigavam por contrato, é lógico, nenhum de seu disco pudesse se ter feito com o nível de exigência que sempre se impôs ele mesmo, em um ou dois anos. Sempre precisou de quatro ou cinco anos para ter as canções precisas. Agora, quando se cumprem 40 anos de seu primeiro registo discográfico Retratos, está a preparar um disco que chamar-se-á Porvenir no que estarão incluídas algumas da treintena de canções composta nos últimos cinco anos. São canções muito elaboradas, cheias de lirismo e compromisso social, alguma delas, sem dúvida, será outro monumento público da canção de autor,

Nasceu em 1947, dizem os papéis que em Madri, ainda que sempre a marcaram seus ancestros bascos. Agora só esporadicamente ‘desempolva’ aquelas velhas canções que em um dia soaram como um mazazo em uma Espanha na que se tinha assumido em menor ou maior grau, e com as lógicas convulsões, a Serrat, a Raimon, a Llach... mas na que custou aceitar a Patxi. E é que ele não lhe procurava tanto como outros o duplo sentido ou a metáfora social a suas canções, nem escondia suas aspirações e frustraciones, nem estas estavam tão longínquas das do homem da rua... Mas fazia-o com uma voz tão sincera, não exenta de um tom de irónica mau leite, que tinha quem pensava que lhe podiam ter censurado até o mismísimo “Avemaría”, do ter gravado com aquele, seu inimitable estilo... 
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“Nasci exactamente faz 21 anos e faz 21 anos que sou basco. Em meu povo tinha uma igreja e oito tabernas. Aos dezassete dias dizem que me trouxeram a Madri; aqui inscreveram-me. Comecei a estudar em Madri em um colégio do que a mim me parecia uma grande cidade. Mal éramos duzentos, parecíamos o elimino educacional de outros colégios. O éramos. Éramos também sinceros, e nos ríamos dos professores. Rompíamos luzes e cabeças, também atirávamos às garotas do cabelo. Mais tarde fumávamos nos serviços. Ali nasceram meus primeiros pensamentos de consciência de classe e meus primeiros ódios”... 
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Actualmente reside em Madri, é Doutor em Sociologia e como Professor Titular Numerario do Departamento de Arte da UCLM, ainda que não muito apreciado por seus alunos quem lhe reconheceram seu trabalho com 6 expedientes disciplinarios, dá classes como de Comunicação audiovisual, Produção, realização e operações artísticas e Produção audiovisual prática na Escola Universitária Politécnica de Cuenca da Universidade de Castilla-A Mancha.

Filmografía

Discografía

Longa duração

  • Retratos. (1969)
  • Onze canções entre paréntesis. (1971)
  • Palavra por palavra. (1972)
  • Possivelmente. (1972)
  • A onde a água. (1973)
  • José María Iparraguirre Patxi Andion'em era. (1973)
  • Como o vento do norte. (1974)
  • O livro de bom amor. (1975)
  • Viagem de ida. (1976)
  • Cancionero proibido. (1978)
  • Arquitectura. (1979)
  • Evita (musical). (1981)
  • Amor primeiro. (1983)
  • O balcón aberto.(1986)
  • Nunca, ninguém. (1998)

Colaborações

Singles

  • Vallekas (1987). É o tema central do filme "A estanquera de Vallecas", foi sacado como um single promocional pela discográfica Dial Discos. Em 1998, no CD "nunca, ninguém" Patxi voltaria a interpretar uma nova versão desta canção que nunca foi editada para o público.

Livros

  • Canções e outras palavras prévias (1980), da editorial Emiliano Escolar.
  • Susan (todo está por viver) (1983), da editorial Nova Politécnica.
  • A virtude do assassino (1998), do editorial Planeta.
  • A caça racional (2003), editado pela Universidade de Castilla-A Mancha

Enlaces externos

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Chico Buarque -Vida e Obra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Chico Buarque
Chico Buarque.jpg
Foto de autoria de Fernanda Steffen
Informação geral
Nome completo Francisco Buarque de Hollanda
Data de nascimento 19 de junho de 1944 (65 anos)
Origem Rio de Janeiro, RJ
País Brasil Brasil
Gêneros Bossa nova, samba, MPB
Instrumentos voz, violão
Período em atividade 1965 - presente
Influências Noel Rosa
Ismael Silva
Roberto Menescal
Luiz Bonfá
Jacques Brel
João Donato
João Gilberto
Dori Caymmi
Edu Lobo
Elis Regina
Cartola
Elvis Presley
Tom Jobim
Bob Dylan
The Beatles
Baden Powell
Vinícius de Moraes [1]
Página oficial Site Oficial
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Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como Chico Buarque (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944), é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, iniciou sua carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, com a crescente repressão da Ditadura Militar no Brasil, se auto-exilou na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004.
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Casou-se com e separou-se da atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas: Sílvia, que é atriz e casada com Chico Diaz, Helena, casada com o percussionista Carlinhos Brown e Luísa. É irmão das cantoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina. Ao contrário do que tem sido propagado na internet, Aurélio Buarque era apenas um primo distante do pai de Chico.[2]

Índice

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Biografia

Chico é filho de Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), um importante historiador e jornalista brasileiro e de Maria Amélia Cesário Alvim(1910), pintora e pianista.
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Em 1946, passou a morar em São Paulo, onde o pai assumira a direção do Museu do Ipiranga. Sempre revelou interesses pela música - interesse que foi bastante reforçado pela convivência com intelectuais como Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini.[3]
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Em 1953, Sérgio Buarque de Holanda foi convidado para lecionar na Universidade de Roma, consequentemente, a família muda-se para a Itália. Chico torna-se trilíngue, na escola fala inglês, e nas ruas, italiano. Nessa época, suas primeiras "marchinhas de carnaval" são compostas, e, com as irmãs mais novas, Piiizinha, Cristina e Ana, encenadas.[3]
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De volta ao Brasil, produz suas primeiras crônicas no jornal Verbômidas, do Colégio Santa Cruz de São Paulo, nome criado por ele. Sua primeira aparição na imprensa não foi cultural, mas policial, publicada, no jornal Última Hora, de São Paulo. Com um amigo, furtou um carro para passear pela madrugada paulista, algo relativamente comum na época.[3] Foi preso. "Pivetes furtaram um carro: presos" foi a manchete no dia seguinte com uma a foto de dois menores com tarjas pretas nos olhos. Chico não pôde mais sair sozinho à noite até que completasse 18 anos.[3]

Início de Carreira

Chico Buarque chegou a ingressar no curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU) em 1963. Cursou dois anos e parou em 1965, quando começou a se dedicar à carreira artística. Neste ano, lançou Sonho de Carnaval, inscrita no I Festival Nacional de Música Popular Brasileira, transmitida pela TV Excelsior, além de Pedro Pedreiro, música fundamental para experimentação do modo como viria a trabalhar os versos, com rigoroso trabalho estilístico morfológico e politização, mais significativamente na década de 1970. A primeira composição séria, Canção dos Olhos, é de 1961.
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Conheceu Elis Regina, que havia vencido o Festival de Música Popular Brasileira (1965) com a canção Arrastão, mas a cantora acabou desistindo de gravá-lo devido à impaciência com a timidez do compositor. Chico Buarque revelou-se ao público brasileiro quando ganhou o mesmo Festival, no ano seguinte (1966), transmitido pela TV Record, com A Banda, interpretada por Nara Leão (empatou em primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré). No entanto, Zuza Homem de Mello, no livro A Era dos Festivais - Uma Parábola, revelou que a banda venceu o festival. O musicólogo preservou por décadas as folhas de votação do festival. Nelas, consta que a música da banda ganhou a competição por 7 a 5. Chico, ao perceber que ganharia, foi até o presidente da comissão e disse não aceitar a derrota de Disparada. Caso isso acontecesse, iria na mesma hora entregar o prêmio ao concorrente.
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No dia 10 de outubro de 1966, data da final, iniciou o processo que designaria Chico Buarque como unanimidade nacional, alcunha criada por Millôr Fernandes.
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Canções como Ela e sua Janela, de 1966, começam a demonstrar a face lírica do compositor. Com a observação da sociedade, como nas diversas vezes em que citação do vocábulo janela está presente em suas primeiras canções: Juca, Januária, Carolina, A Banda e Madalena foi pro Mar. As influências de Noel Rosa podem ser notadas em A Rita, 1965, citado na letra, e Ismael Silva, como em marchas-ranchos.

Festivais de MPB nos anos de 1960

No festival de 1967 faria sucesso também com Roda Viva, interpretada por ele e pelo grupo MPB-4 — amigos e intérpretes de muitas de suas canções. Em 1968 voltou a vencer outro Festival, o III Festival Internacional da Canção da TV Globo. Como compositor, em parceira com Tom Jobim, com a canção Sabiá. Mas desta vez a vitória foi contestada pelo público, que preferiu a canção que ficou em segundo lugar: Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré.
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A participação no Festival, com A Banda, marcou a primeira aparição pública de grande repercussão apresentando um estilo amparado no movimento musical urbano carioca da Bossa nova, surgido em 1957. Ao longo da carreira, o samba e a MPB também seriam estilos amplamente explorados.

Trilha-sonora e adaptações de livros

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Chico participou como autor e compôs várias canções de sucesso para o filme Quando o Carnaval chegar, musical de Cacá Diegues. Compôs a canção-tema do longa-metragem Vai trabalhar Vagabundo, de Hugo Carvana — Carvana chegou a modificar o roteiro a fim de usá-la melhor. Faria o mesmo com os filmes seguintes desse diretor: Se segura malandro e Vai trabalhar vagabundo II. Adaptou canções de uma peça infantil para o filme Os Saltimbancos Trapalhões do grupo humorístico Os Trapalhões e com interpretações de Lucinha Lins. Outras adaptações de uma peça homônima de sua autoria foram feitas para o filme A Ópera do Malandro, mais um musical cinematográfico. Vários filmes que tiveram canções-temas de sua autoria e que fizeram muito sucesso além dos citados: Bye Bye Brasil, Dona Flor e seus dois maridos e Eu te amo, os dois últimos com Sônia Braga. Recentemente, chegou a ter uma participação especial como ator no filme Ed Mort. Ele escreveu um livro que virou filme, Benjamim, que foi ao ar nos cinemas em 2003, tendo como personagens principais Cleo Pires, Danton Melo e Paulo José.
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E maio de 2009, é lançado o filme Budapeste com roteiro baseado em livro homônimo de Chico Buarque. No filme há também a participação especial do escritor.

Teatro e literatura

Musicou as peças Morte e vida severina e o infantil Os Saltimbancos. Escreveu também várias peças de teatro, entre elas Roda Viva (proibida), Gota d'Água, Calabar (proibida), Ópera do malandro e alguns livros: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado.
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Chico Buarque sempre se destacou como cronista nos tempos de colégio; seu primeiro livro foi publicado em 1966, trazendo os manuscritos das primeiras composições e o conto Ulisses, e ainda uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre A Banda. Em 1974, escreve a novela pecuária Fazenda modelo e, em 1979, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças. A bordo do Rui Barbosa foi escrito em 1963 ou 1964 e publicado em 1981. Em 1991, publica o romance Estorvo e, quatro anos depois, escreve o livro Benjamim. Em 2004, o romance Budapeste ganha o Prêmio Jabuti de melhor Livro de Ficção do ano.[4] Em 2009, lança o livro Leite Derramado. Oficialmente, a vendagem mínima de seus livros é de 500 mil exemplares no Brasil.

Programas de televisão

Deixou de participar de programas populares de televisão, tendo problemas com o apresentador Chacrinha, que teria feito uma piada com a letra da canção Pedro Pedreiro, ao ouvir o ensaio. Irritado, Chico foi embora e nunca se apresentou no programa. O executivo Boni proibiu qualquer referência a Chico durante a programação da TV Globo, depois que ambos também tiveram um entrevero, mas por pouco tempo, uma vez que ainda durante a década de 1970 (e o começo da de 80) músicas suas constavam das trilhas de várias telenovelas, como Espelho Mágico e Sétimo Sentido. Ao fim da proibição vários anos depois, Chico aceitou fazer um programa com Caetano Veloso, que contou com a participação de outros artistas.

A crítica à Ditadura

Ameaçado pelo Regime Militar no Brasil, esteve exilado na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho. Nessa época teve suas canções Apesar de você (que dizem ser uma alusão negativa ao presidente Emílio Garrastazu Médici, mas que Chico sustenta ser em referência à situação) e Cálice proibidas pela censura brasileira. Adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide, com o qual compôs apenas três canções: Milagre Brasileiro, Acorda amor e Jorge Maravilha. Na Itália Chico tornou-se amigo do cantor Lucio Dalla, de quem fez a belíssima Minha História, versão em português (1970) da canção Gesù Bambino (título verdadeiro 4 marzo 1943), de Lucio Dalla e Paola Palotino.
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Ao voltar ao Brasil continuou com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais, como a célebre Construção ou a divertida Partido Alto. Apresentou-se com Caetano Veloso (que também foi exilado, mas na Inglaterra) e Maria Bethânia. Teve outra de suas músicas associada a críticas a um presidente do Brasil. Julinho da Adelaide, aliás, não era só um pseudônimo, mas sim a forma que o compositor encontrou para driblar a censura, então implacável ao perceber seu nome nos créditos de uma música. Para completar a farsa e dar-lhe ares de veracidade, Julinho da Adelaide chegou a ter cédula de identidade e até mesmo a conceder entrevista a um jornal da época.
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Uma das canções de Chico Buarque que criticam a ditadura é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem ao Augusto Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.
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A canção se chama Meu Caro Amigo e foi dirigida a Boal, que na época estava exilado em Lisboa. A canção foi lançada originalmente num disco de título quase igual, chamado Meus Caros Amigos, do ano de 1976.
Nordeste já
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto de criação coletiva com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

O "eu" feminino

Composições que se notabilizaram pela decantação de um "eu" feminino, retratando temas a partir do ponto de vista das mulheres com notória poesia e beleza: esse estilo é adaptado em Com açúcar e com afeto escrito para Nara Leão; continuou nessa linha com belas canções como Olhos nos Olhos e Teresinha, gravadas por Maria Bethânia, Atrás da Porta, interpretada por Elis Regina, e Folhetim, com Gal Costa e Iolanda (versão adaptada de letra original de Pablo Milanés), num dueto com Simone.

Os intérpretes de Chico

Chico Buarque nunca se negou a oferecer a seus amigos e familiares cantores composições originais, e muitas dessas canções passaram a ter versões "definitivas" em outras vozes: além das citadas canções do "eu" feminino, temos o exemplo da performance de Elis Regina na canção Atrás da Porta; Cio da Terra, com gravações de Milton Nascimento e da dupla rural Pena Branca & Xavantinho; além de interpretações de Oswaldo Montenegro, que lançou em 1993 Seu Francisco, disco produzido por Hermínio Bello de Carvalho, e Ney Matogrosso que em 1996 lançou Um Brasileiro.
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Deve-se mencionar ainda seu êxito com outras composições que fez para cantores populares já com a carreira em declínio, como nos casos de Ângela Maria, que gravou Gente Humilde, e Cauby Peixoto com Bastidores. Dentre os artistas que regravaram músicas suas em estilo popular podem ser citados ainda Rolando Boldrin, que relançou Minha História, e a banda Engenheiros do Hawaii que, no ano 2000, gravou Quando o Carnaval Chegar, no álbum 10.000 Destinos.
Parceiros
Desde muito jovem, conquistou reconhecimento de crítica e público tão logo os primeiros trabalhos foram apresentados. Ao longo da carreira foi parceiro como compositor e intérprete de vários dos maiores artistas da Música Popular Brasileira como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho, Milton Nascimento e Caetano Veloso. Os parceiros mais constantes são Francis Hime e Edu Lobo.

Obra teatral

Em 1965, a pedido de Roberto Freire (o escritor e terapeuta, não confundir com o político), diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), na PUC-SP, Chico musicou o poema Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante:
Roda viva
A peça Roda viva foi escrita por Chico Buarque no final de 1967 e estreou no Rio de Janeiro, no início de 1968, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, com Marieta Severo, Heleno Pests e Antônio Pedro nos papéis principais. A temporada no Rio foi um sucesso, mas a obra virou um símbolo da resistência contra a ditadura durante a temporada da segunda montagem, com Marília Pêra e Rodrigo Santiago. Um grupo de cerca de 110 pessoas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o Teatro Galpão, em São Paulo, em julho daquele ano, espancou artistas e depredou o cenário. No dia seguinte, Chico Buarque estava na plateia para apoiar o grupo e começava um movimento organizado em defesa de Roda viva e contra a censura nos palcos brasileiros. Chico disse no documentário Bastidores, que pode ter havido um erro, e que a peça que o comando deveria invadir acontecia em outro espaço do teatro.
Calabar
Calabar: o Elogio da Traição, foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa. Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de 30 mil dólares e empregava mais de 80 pessoas. Como sempre, a censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em 20 de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome "Calabar" e proibiu que a proibição fosse divulgada. O prejuízo para os autores e para o ator Fernando Torres, produtores da montagem, foi enorme. Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura.
Gota d'água
Em 1975, Chico escreveu com Paulo Pontes a peça Gota d'Água, a partir de um projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação de Medeia, de Eurípedes, para a televisão. A tragédia urbana, em forma de poema com mais de quatro mil versos, tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular cooptado pelo poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel de Joana e a direção de Gianni Ratto. O saudoso Luiz Linhares foi um dos atores daquela primeira montagem.
Ópera do malandro
O texto da Ópera do malandro é baseado na Ópera dos mendigos (1728), de John Gay, e na Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O trabalho partiu de uma análise dessas duas peças conduzida por Luís Antônio Martinez Corrêa e que contou com a colaboração de Maurício Sette, Marieta Severo, Rita Murtinho e Carlos Gregório.
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Chico Buarque.
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A equipe também cooperou na realização do texto final através de leituras, críticas e sugestões. Nessa etapa do trabalho, muito valeram os filmes Ópera de três vinténs, de Pabst, e Getúlio Vargas, de Ana Carolina, os estudos de Bernard Dort O teatro e sua realidade, as memórias de Madame Satã, bem como a amizade e o testemunho de Grande Otelo. Participou ainda o professor Manuel Maurício de Albuquerque para uma melhor percepção dos diferentes momentos históricos em que se passam as três óperas. O professor Werneck Viana contribuiu posteriormente com observações muito esclarecedoras. E Maurício Arraes juntou-se ao grupo, já na fase de transposição do texto para o palco. A peça é dedicada à lembrança de Paulo Pontes.
O Grande Circo Místico
Ver artigo principal: O Grande Circo Místico
Inspirado no poema do modernista Jorge de Lima, Chico e Edu Lobo compuseram juntos a canção homônima para este espetáculo. Em 1983, e durante os dois anos seguintes, viajaram o país apresentando este que foi um dos maiores e mais completos espetáculos já realizados. Um disco coletivo foi lançado pela Som Livre para registrar a obra, com interpretações de grandes nomes da MPB.

Discografia

Certificados tirados do site ABPD.

Outros trabalhos

Livros
Peças
  • 1967/8: Roda Viva
  • 1973: Calabar (co-escrita com Ruy Guerra)
  • 1975: Gota d'água
  • 1978: Ópera do Malandro
  • 1983: O Grande Circo Místico
Filmes
  • 1972: Quando o carnaval chegar (co-autor)
  • 1983: Para viver um grande amor (co-autor)
  • 1985: Ópera do Malandro

Referências

Leitura adicional

  • ALBIN, Ricardo Cravo (Criação e Supervisão Geral). Dicionário Houaiss Ilustrado da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Paracatu, 2006.
  • CARVALHO, Gilberto de. Chico Buarque, Análise Poético-musical. Rio de Janeiro: Editora CODECRI, 1982.
  • CÉSAR, Ligia Vieira. Poesia e Política nas Canções de Bob Dylan e Chico Buarque. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1993.
  • CHEDIAK, Almir. Songbook Chico Buarque (vol. 1). Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1999.
  • CHEDIAK, Almir. Songbook Chico Buarque (vol. 2). Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1999.
  • CHEDIAK, Almir. Songbook Chico Buarque (vol. 3). Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1999.
  • CHEDIAK, Almir. Songbook Chico Buarque (vol. 4). Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1999.
  • DINIZ, Júlio. "A voz e seu dono – poética e metapoética na canção de Chico Buarque de Hollanda". In. FERNANDES, Rinaldo de (Org.). Chico Buarque do Brasil. Rio de Janeiro: Garamond / Biblioteca Nacional, 2004, pp. 259-271.
  • DINIZ, Júlio. "O compositor e a cidade". In Letterature D’America, anno XXIV, n.102. Roma: Facoltá di Scienze Umanistiche dell’Universitá di Roma "La Sapienza" / Bulzoni Editore, 2004, pp. 149-168.
  • FERNANDES, Rinaldo. Chico Buarque do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004.
  • FONTES, Maria Helena Sansão. Sem Fantasia - Masculino e Feminino em Chico Buarque. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 2003.
  • MENESES, Adélia Bezerra de. Desenho Mágico - Poesia e Política em Chico Buarque. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.
  • MENESES, Adélia Bezerra de. Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.
  • NEPOMUCENO, Eric, WERNECK, Humberto e JOBIM, Tom. Chico Buarque - Letra e música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • SILVA, Anazildo Vasconcelos da. A poética de Chico Buarque. Rio de Janeiro: Editora Sophos, 1974.
  • SILVA, Fernando de Barros. Chico Buarque na Coleção Folha explica. São Paulo: Publifolha, 2004.
  • TABORDA, Felipe (Org.). A Imagem do Som de Chico Buarque: 80 composições de Chico Buarque interpretadas por 80 artistas contemporâneos. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1999.
  • URICH, Silvia e ECHEPARE, Roberto. Chico Buarque. Argentina: Gray Edciones, 1985.
  • ZAPPA, Regina. Chico Buarque Perfis do Rio. Rio de Janeiro: Editora Zumara, 1999.

Ligações externas

Wikiquote
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Chico Buarque.



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