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sexta-feira, 2 de abril de 2021
José Gameiro - ESPECULAÇÃO SOBRE AS FILHAS...
domingo, 14 de março de 2021
Vera Novais - Universidade de Manchester retira as palavras "mãe", "marido" ou referências à idade em nome da igualdade
Novo guião da Universidade de Manchester impede académicos de usarem expressões como "sofre de cancro", "vítima de demência" ou "diabético" e ainda "idosos", "pensionistas" e "jovens".
11 mar 2021, 19:30 98
Em nome da igualdade e inclusão,
a Universidade de Manchester, no Reino Unido, baniu algumas palavras do
vocabulário dos funcionários sempre que tenham de falar em nome da instituição.
Entre elas estão mãe e pai, a forma como se referem a doentes com cancro ou
demência e, sempre que possível, referências à idade, destaca a revista The Spectator.
O guião foi incluído no “livro de estilo” da
instituição, que define como as palavras devem ser escritas ou em que
situações se usam maiúsculas, por exemplo.
A forma como escrevemos para e
sobre as pessoas pode ajudar a promover a igualdade, diversidade e inclusão, e
fornecer o mesmo tipo de oportunidades para todos”, escrevem os autores do
guião, cujo objetivo é não excluir certos grupos com base na idade, raça,
etnia, incapacidade, género ou orientação sexual.
No capítulo do “sexo e identidade
de género”, os autores pretendem abolir todas as definições binárias, como
mulher/homem por pessoa, senhoras/senhores por toda a gente, mas também mãe/pai
por progenitor ou guardião (que em português tem os dois géneros),
mulher/marido por companheiro/a (que também tem dois géneros em português) ou
irmã/irmão por “sibling” (cuja tradução em português é irmã ou irmão).
Além disso, são propostas
alternativas a palavras que usam “man” (homem, em português) ou “woman”
(mulher) como prefixo ou sufixo: “mankind” por “humankind” (humanidade),
“manpower” (mão de obra) por “workpower” (força de trabalho), “policeman/police
woman” por “police officer” (polícia, palavra que não têm géneros distintos em
português).
Se os autores rejeitam a
linguagem que pode ser discriminadora em relação à identidade de género e
orientação sexual, também não o aceitam em relação à idade e pedem que se evite
termos como idosos, pensionistas ou jovens. Em vez disso, apoiam o uso de
termos mais objetivos ou os intervalos de idades: acima dos 65 anos ou
adolescentes (entre os 13 e os 19 anos), por exemplo.
Inclua a idade apenas se for
relevante, por exemplo, com iniciativas que estão disponíveis apenas para uma
determinada faixa etária”, lê-se no guião. “Não use a idade como meio de
descrever um indivíduo ou grupo onde não é relevante, como ‘força de trabalho
madura’ ou ‘equipa jovem e vibrante’.”
Dentro das incapacidades ou
condições de saúde, os autores preferem “usar linguagem que se foque nas
capacidades e não nas limitações”. Entre as regras estão: “pessoa com
deficiência” em vez de “deficiente”, “pessoa que vive com cancro” em vez de
“pessoa que sofre de cancro” ou “pessoa com diabetes” em vez de “diabético”.
“Vítima de demência” também é uma expressão banida.
Outras sugestões serão, por
ventura, mais consensuais, como a rejeição da discriminação étnica ou racial e
religiosa. Neste caso, é promovido o uso de maiúsculas nas referências a
Asiáticos, Negros ou Brancos (mas nunca caucasianos), por exemplo, ou nas
referências a religiões e grupos religiosos. Quantos aos crentes, os autores
rejeitam o uso de “muçulmanos” ou “judeus” e defendem expressões de comunidade,
como “comunidade muçulmana”.
Tânia Pereirinha - O novo manual de "linguagem neutra e inclusiva" do CES
Manual seria proposto na última reunião plenária mas foi retirado depois de várias objeções. Ainda assim, garante Francisco Assis, não caiu. Objetivo é tornar linguagem mais inclusiva.
14 mar 2021, 13:57 38
Questionado sobre a pertinência
da proposta, em tempo de pandemia, o presidente do Conselho Económico e Social
respondeu: “Não estamos em estado de paralisia, nem impedidos de pensar”
O documento tem 16 páginas e uma
série de exemplos e sugestões, todos com o objetivo de tornar a linguagem
“neutra e inclusiva”. A regra base é quase sempre a mesma: em vez de dar
primazia ao género masculino, invariavelmente utilizado quando é necessário
fazer generalizações, sugere-se que se transforme o substantivo em adjetivo e
se lhe acrescente “a população” ou “as pessoas”. Assim, os desempregados passam
a ser “a população desempregada”, os migrantes serão “a população migrante”, os
pensionistas serão “a população pensionista” e por aí em diante — sendo que as
propostas alternativas para gestores ou trabalhadores, por exemplo, são
irregulares: “a população em cargos de gestão” e “a população contribuinte”.
Outra opção será a de “especificar os dois determinantes”: “o
trabalhador e a trabalhadora”; “o pensionista e a pensionista”, “o migrante e a
migrante”.
Apresentada na passada
segunda-feira em reunião plenária do Conselho Económico e Social (CES), a
proposta para o novo manual de linguagem, redigida por Sara Falcão Casaca,
socióloga, especialista em questões de igualdade, e vice-presidente da
concertação social, acabou por não ser submetida a votação, revela o Expresso desta semana. Tudo porque algumas
organizações e representantes dos parceiros sociais presentes terão levantado
algumas objeções quanto ao seu conteúdo e ao timing em que foi apresentado.
Questionado pelo jornal a propósito
da pertinência da proposta de um novo manual de linguagem, em plena pandemia,
Francisco Assis, empossado em julho de 2020 presidente do CES, respondeu que
“não estamos em estado de paralisia, nem impedidos de pensar”. Também garantiu
que a decisão de não levar a proposta a votação no dia 8 de março, ainda para
mais simbólico, por assinalar o Dia Internacional da Mulher, não teve nada que
ver com o receio de a ver chumbada, mas apenas com a necessidade de “acolher os
vários contributos apresentados na reunião”.
“Estou convencido que a proposta
iria passar, embora com algumas abstenções e dois ou três votos contra”, disse
Francisco Assis àquele jornal, para depois afiançar: a iniciativa não vai cair.
Até porque o manual também resulta das recomendações que vários órgãos
oficiais, Conselho Europeu e Conselho de Ministros incluídos, têm feito no
sentido de que os documentos oficiais se tornem “mais inclusivos”.
Apesar de o principal objetivo do
manual ser uniformizar, desta forma “neutra e inclusiva”, a linguagem dos
documentos oficiais produzidos no CES, a ideia é estender às reuniões e e-mails
enviados pelos seus membros as mesmas regras. Para iniciar as assembleias, há
até sugestão de uma introdução-tipo: “Bem-vindas e bem-vindos senhoras
e senhores conselheiros” — ou vice-versa, já que “a ordem é
indiferente”.
Uma coisa que fará diferença e
para a qual Sara Falcão Casaca chama a atenção é a forma como são referidas
habitualmente questões relacionadas com as deficiências de pessoas ou as
especificidades de comunidades. “A título ilustrativo, não é a pessoa que é
deficiente, pelo que não é a pessoa que se qualifica, mas sim a sua condição de
deficiência ou de incapacidade para o trabalho profissional”, explica a
socióloga no documento. Neste sentido, sugere que deficientes passem a ser
referidos como “pessoas com deficiência”, amblíopes como “pessoas com
baixa visão” e idosos como “pessoas idosas”. Para substituir raça cigana há
três opções: “etnia cigana”, “povo cigano”, “comunidade cigana”.