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sábado, 3 de dezembro de 2016

Capas do cesto dos proibidos (I)


Capa do pintor Benjamim Marques para a edição da Ruedo Ibérico em 1969 da peça musical Canto do Papão Lusitano (Der Gesang von Lusitanischen Popanz, estreada em 1967) de Peter Weiss, com tradução de Mário Gamboa.

A Ruedo Ibérico era uma editora fundada em Paris por exilados espanhóis e cujos livros circulavam clandestinamente na Espanha de Franco até 1975. É um raríssimo exemplo de uma edição em português proibida pela censura portuguesa e que não foi publicada em Portugal (ou territórios ultramarinos) ou no Brasil. Depois do que acontecera com Luís Sttau Monteiro no final de 1966, preso para interrogatórios durante seis meses pela autoria de “A Guerra Santa”, uma das duas Peças em Um Acto publicadas pela Minotauro nesse ano (editora que seria encerrada pelo atrevimento), publicar em Portugal este libelo directamente acusatório do colonialismo português teria sido um suicídio, mesmo já em pleno “marcelismo”: Carlos Porto escreveu em 10 An­os de Teatro e Cinema em Portugal, que se tratou da peça “mais detestada e mais proibida” na última década do regime.

A poderosa capa de Benjamim Marques é outro dos elementos que enriquece esta edição plena de “cruzamentos” significantes: ex-frequentador do Café Gelo e dos surrealistas de Lisboa (é dele um desenho que representava o grupo em 1965) e a viver em Paris desde meados da década, ele empresta à violenta sátira de Weiss o espírito de rebeldia anárquica que se tinha respirado naquele canto do Rossio.

Eis um exemplo (ainda que raro) de como se podia combater o Estado Novo e a sua Censura de fora de Portugal e com livros (a Ruedo imprimiu 3 mil exemplares desta edição, que se vendia livremente em Paris).

https://pedromarquesdg.wordpress.com/2016/12/03/capas-do-cesto-dos-proibidos-i/

domingo, 6 de janeiro de 2008

Peter Weiss - O Canto do Papão Lusitano


Encontra um trabalho sobre a peça de Peter Weiss,cujo download (pdf) pode efectuar in


Der "Lusitanische Popanz"


Sobre a mesma peça pode consultar:
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Mestrado em Texto Dramático

http://www2.crb.ucp.pt/Estudosalemaes/mestrado/weiss/start.htm
Veja também o artigo de Maria Manuela Gouveia Delille: A recepção portuguesa do drama Gesang vom Lusitanischen Popanz de Peter Weiss.

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canto do papão lusitano

http://www2.crb.ucp.pt/Estudosalemaes/mestrado/weiss/Peter%20Weiss%20lupo.pdf

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Documentos de recepção da peça Gesang vom Lusitanischen Popanz

http://www2.crb.ucp.pt/Estudosalemaes/mestrado/weiss/luporecep.pdf
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Peter Hanenberg: "Der Lusitanische Popanz". O Colonialismo Português num Drama Alemão.
http://www.crb.ucp.pt/Biblioteca/rotas/rotas/peter%20hanenberg%20215a228%20p.pdf
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In: Marília dos Santos Lopes (Org.): Os Descobrimentos Portugueses nas Rotas da Memória. Documento electrónico. Viseu: Universidade Católica 2002; http://www.crb.ucp.pt/Biblioteca/rotas/start.htm.

Sobre Peter Weiss ver

Peter Weiss - Wikipedia, the free encyclopedia

Ir no contrato - os primeiros textos




A primeira vez que tomei conhecimento com o termo contrato, ir no contrato, foi ao ler a peça Canto do Papão Lusitano, de Peter Weiss. Foi, igualmente, o meu primeiro conhecimento da questão colonial. A leitura do texto de Peter Weiss contribuiria, de forma determinante, para a minha posição crítica e distanciadora face à propaganda do regime quanto à nossa postura administrativa nas províncias do ultramar e a ausência de racismo nas relações entre europeus e africanos. O Canto do Papão Lusitano teve uma importância tão determinante no nosso olhar a baça realidade circundante, que o meu círculo de amigos, com o cenógrafo Ferreira d’Almeida e o actor Carlos Mourato à cabeça, resolvera, num imparável gesto de paixão cega, aos gritos surdos de revolução, já! na nossa banca de tertúlia infante do VáVá, lançar-se à tradução da versão francesa que nos chegara por diligente mão clandestina e dar-lhe forma teatral num palcozinho improvisado em armazém que ficava nas traseiras da Avenida dos Estados Unidos da América: não há gesto, por mais subversivo que se imagine que, ironicamente, não esbarre com os símbolos, mesmo os da toponímia mais geral, tendentes à destruição desses alicerces de lava. Valeu-nos, na irresponsabilidade ingénua mas generosa desta acção demolidora, os avisos fundamentados de um amigo, mais conhecedor dos processos inquisitoriais do regime contra veleidades do género, alertando-nos para o carácter suicidário do projecto. Os nossos 17/18 anos amainaram de ímpetos heróicos, a nossa cultura pequeno-burguesa retiniu em dó sustenido forte (andávamos, por esse tempo, embrulhados nas margens confusas de uma pseudo-esquerda festiva) e ficámo-nos pelo Á Espera de Godot, de Samuel Beckett, versão soft, convencidos que, também desse modo, beliscávamos sem piedade o edifício repressor do salazarismo. Ninguém deu por nós, felizmente.
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No entanto, o texto de Weiss, na clara secura da denúncia, despertou-nos para a tomada de consciência crítica sobre as questões da guerra levando-nos a reflectir sobre as razões da rebelião armada nas colónias – então, com meia dúzia de anos no activo, estando nós, jovens adolescentes, convencidos que a guerra terminaria antes de para lá nos levarem aos tombos de mala de porão e bornal seboso, desamparados e incrédulos, perdidos pelos corredores brumosos do Vera Cruz. Não terminou a tempo, como dolorosamente e na pele o haveríamos de sentir.

Denúncia do colonialismo

A denúncia do colonialismo português em África, através da poesia escrita por jovens poetas das colónias, de uma forma mais interventiva, consciente e politizada, teve início em 1953, com a publicação de uma «antologia de poesia negra de expressão portuguesa», dirigida por Francisco José Tenreiro e publicada pelo «Centro de Estudos Africanos», na qual colaboraram, entre outros, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Mário de Andrade. É igualmente nesse ano de 1953 que Alda do Espírito Santo denuncia de forma corajosa, em poemas eivados de raiva e de revolta, os trágicos Massacres de Bateja (ou de Batepá), que tiveram lugar em S. Tomé, em Fevereiro desse mesmo ano.
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Em finais da década de 50, início de 60 do século XX, a «Casa dos Estudantes do Império» começava a divulgar, de forma tímida e vigiada, os poetas e contistas africanos de expressão portuguesa mais relevantes, através de edições policopiadas. O núcleo que se congregava em torno da editora Imbondeiro, em Sá da Bandeira, dirigida por Garibaldo de Andrade, retoma em Angola o esforço divulgador iniciado pela «Casa dos Estudantes do Império», cuja acção cultural foi fortemente reprimida e suspensa pelo regime fascista, a partir de 1962.
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De grande significado político e cultural, para uma global tomada de consciência das raízes profundas da revolta contra o colonialismo, sobretudo entre os jovens intelectuais africanos, foi a publicação, em 1962, do ensaio Tomada de Posição na Literatura de Cabo Verde, de Onésimo da Silveira (nascido em S. Vicente, em 1935), no qual o autor afirma que «a literatura dos seus predecessores não poderia conduzir a uma tomada de consciência das realidades sociais de Cabo Verde». Neste texto, Onésimo da Silveira denuncia algumas posições conformistas dos intelectuais ligados à revista Claridade, entre os quais Jorge Barbosa (nascido em S. Tiago, em 1902), que recebeu em 1956 o prémio de Poesia da Agência Geral do Ultramar.
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Em 1965 é atribuído pela Sociedade Portuguesa de Escritores, ao livro Luuanda, de Luandino Vieira, o Grande Prémio de Novelística. Esse facto levou o governo fascista a destruir e ilegalizar, de forma brutal, aquela instituição de escritores.
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Em 1969, Mário de Andrade publica em Paris, nas Edições de Pierre Jean-Oswald, a antologia La Poésie Africaine d'Expression Portugaise, acompanhada de um prefácio que enquadrava essa poesia no contexto da luta pela independência dos povos das colónias.

Bibliografia: O Canto do Papão Lusitano, de Peter Weiss
– Resistência Africana - antologia poética – Org. de Serafim Ferreira (Diabril/1975)
Documentos da Fundação Portugal-África – Univ. de Aveiro
A Guerra Colonial e o Romance Português, de Rui de Azevedo Teixeira – Ed. Notícias
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in Avante 2008.01.03