Ruy Mingas foi desportista,
professor, músico, político e diplomata
Muita gente conhece a canção Meninos de Huambo («os meninos
à volta da fogueira…»), mas poucos sabem que essa cantiga, que Paulo de
Carvalho divulgou amplamente e com grande sucesso, foi escrita pelos autores…
do Hino Nacional de Angola! Vem isto a propósito da homenagem que aqui se quer
prestar a Ruy Alberto Vieira Dias Rodrigues Mingas, que conhecemos como Ruy
Mingas, angolano que se notabilizou como atleta (foi recordista de salto em
altura, em Portugal, em 1960), músico e político.
Um dia apareceu no programa
Zip-Zip (de Carlos Cruz, Raul Solnado, Fialho Gouveia e José Nuno Martins,
RTP, 1969), que foi inovador na televisão portuguesa e revelou talentos
(Manuel Freire, Francisco Fanhais, José Manuel Osório, Introito, Pedro Barroso
e José Barata Moura, por exemplo, juntando-lhes Tonicha ou Lenita Gentil)
da canção que por cá se praticava. Ruy Mingas estava lá, atento ao conselho
que Carlos «Liceu» Vieira Dias, seu tio e grande percursor da nova canção angolana,
lhe dera: «cultiva o teu ouvido musical.» Grande êxito e, desde logo, uma
carreira de cantor e grande divulgador da canção de raízes angolanas, que
caminhavam de braço dado com ideias políticas progressistas e empenhadas
na denúncia do colonialismo e na luta do povo angolano, no seu caso a
luta do MPLA.
Mingas musicou e interpretou,
num exemplo que sintetiza o que se acaba de escrever, o poema Monangambé (em
kimbundu, «filho de escravo», que trabalha no duro e leva «porrada se refilar»),
de António Jacinto («Naquela roça grande / não tem chuva / é o suor do meu
rosto / que rega as plantações (…). Quem faz o branco prosperar? Monangambé!»).
Pode dizer-se que Ruy Mingas, enquanto
músico, escreveu as suas próprias canções e musicou poemas de grandes poetas
angolanos, como Agostinho Neto e Viriato da Cuz, para além do já citado António
Jacinto. O que culminou na canção heróica que compôs com base num poema de
Manuel Rui Monteiro – Angola Avante! – e que foi escolhida
como Hino da Angola.
Sempre muito ligado a Portugal,
Mingas deu aulas de Educação Física na Escola D. António da Costa, em Almada.
Era, por alturas do 25 de Abril, o principal membro do corpo diplomático
do MPLA, desempenhando importante papel nas negociações pela independência
angolana com os oficiais do MFA.
Em Angola foi secretário de Estado
para a Educação Física e Desporto, com estatuto de ministro, e acabou por
ser ministro durante dez anos, após os quais foi nomeado embaixador de Angola
em Portugal, cargo que exerceu entre 1989 e 1995 e que esteve na origem da
condecoração – Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique – com que foi agraciado.
Em 2014 a Sociedade Portuguesa
de Autores distinguiu-o com o Prémio Autor Internacional.
Durante as suas andanças pelo
nosso país, longe ainda de sonhar atingir o topo da sua carreira profissional,
que na música quer na política, o Ruy Mingas era um amigo divertido, talentoso,
dono de uma voz profunda e de uma não menos profunda determinação em lutar
pelos seus ideais.
No Zip-Zip e nos tempos que se lhe
seguiram, tocando e cantando sozinho ou, como no seu segundo álbum, por
exemplo, acompanhado pelo seu irmão André, pelo percussionista francês Daniel
Louis, com o brasileiro Marcos Resende ao piano e a direcção musical de
Thilo Krasmann, era um foco de alegria e boa disposição, excelente conversador
e amigo do seu amigo.
Digamos que Ruy Mingas era,
também na intimidade, o que sempre foi na vida, em todas as acepções da palavra:
um bom camarada!
"Leio
um poema, sinto a sua musicalidade e passados 10 minutos estou a musicar"-
entrevista a Ruy Mingas
2006
* Maria Lança
Antes da
Independência de Angola já Ruy Mingas tinha corrido e cantado imenso. Deu
voz ao poema «Monangamba» de António Jacinto, um dos símbolos da luta
anticolonial e seguiu musicando tantos outros poemas que entoamos como memória
de alegria, às vezes difícil. Presenteou o país com um hino pacífico e poético,
Angola Avante! (música sua e letra de Manuel Rui). Como atleta no Benfica
ganhou vários títulos de campeão. Na Angola Independente exerceu funções de
direcção no primeiro Ministério da Educação, foi embaixador em Portugal de 1989
a 1995, e vice-ministro da Cultura.
Em 2006
regressa à música, após três décadas sem gravar. Memória é um
disco que remete para um legado cultural que o autor quis recuperar para os
dias que correm na vontade de dá-lo a conhecer a uma juventude com outras
preocupações pela frente. Com a boa sonorização das gravações actuais, estamos
gratos por poder regressar à sua voz madura e doce que reaviva os poemas de
luta que tanto contam da história de Angola, numa diversidade rítmica com
primazia para o semba.
Dedicando-se
quase exclusivamente à educação, criou o projecto de uma universidade privada,
a Lusíada, da qual é hoje administrador. Ruy Mingas sente-se feliz entre os
estudantes a consolidar a educação, pilar primordial para o desenvolvimento
do país.
É um homem
com vários interesses. Cantor, investigador e professor, desportista e
diplomata, com qual destas identidades se revê mais?
Sempre fui uma
pessoa com actividades muito ecléticas. Mas gosto muito do desporto e da
educação. Gosto especialmente da música (a minha esposa dizia “a primeira
mulher do meu marido é a música”), mas de uma maneira diferente: Ocupa um
espaço na minha vida mas não do ponto de vista profissional, eu nunca seria uma
profissional na música, já na educação e no desporto sim. São áreas que me
estimulam muito, sinto-me bem, gosto de estar aqui com os jovens e estudantes,
discutir com eles, como gosto de estar no desporto, são as relações humanas
mais tocantes a que me prendo. Já a música é natural, eu cresci com a música,
desde os meus avós, faz parte da minha vida como prazer e convívio.
A imagem que
tenho de si é, acima de tudo, um grande músico.
Isso é pela
idade que tem. Na minha juventude era mais conhecido como campeão do Benfica,
entre finais dos anos 50 e finais de 70, muito antes disso.
Em que pé
está o conhecimento da música angolana?
Nós temos de
consolidar os nossos estilos, os nossos ritmos. O nosso estilo melódico é
importante. Os ritmos das gentes do Cunene são diferentes dos ritmos das
povoações de Luanda. Portanto há um enorme trabalho a fazer de identificação de
ritmos e de cientificação da música.
Isso passa
por haver escolas de música e musicólogos?
Absolutamente.
Temos necessidade de ter muitas escolas. Porque a música bonita que vemos lá
fora, interpretada para muita gente, é reflexo de escola, tal como o futebol, o
basquete e a arte também passam por escola.
O
disco Memória pode servir de referência para os jovens em
termos musicais, pois são músicas que tiveram grande importância durante o
colonialismo. Como vê a importância desta retoma de composições de uma
determinada época?
A retoma foi
para proporcionar a uma geração - que não existia nessa altura - o conhecimento
desta poesia interventiva de grande significado, que suporta um período
pré-independência num contexto histórico e político completamente distinto.
Quando chamo Memória - e aqui presto homenagem à minha filha Nayma pois ela é
que pensou no nome - é para essa juventude que pouco estuda e sabe da
literatura angolana, para terem oportunidade de conhecer a poesia bonita que
marcou uma época de luta. A última vez que gravei tinha 30 e poucos anos,
passaram 32 anos. Agora a geração é outra e o contexto completamente distinto e
isto é um disco produzido com uma tecnologia que dá melhor qualidade à mensagem
poética, a sonoridade melhorou muito.
Neste disco
musicou poemas de escritores angolanos como Manuel Rui Monteiro, Viriato da
Cruz, Agostinho Neto e Ernesto Lara Filho. Tem mantido uma intensa relação
entre música e literatura angolana.
Eu gosto de
musicar poesia bem elaborada que reflicta algo. Comecei com 18 anos a musicar o
Agostinho Neto, o Mário Pinto de Andrade. Para mim o sentido temático e a
mensagem são fundamentais, contando que seja algo bem elaborado.
Gostaria
de escrever?
Escrevo alguma
coisa mas não publico e acho que temos poetas tão bons que prefiro fazer aquilo
que sei fazer bem, compor. Eu crio música com muita facilidade, leio um poema,
sinto a sua musicalidade e passados 10 minutos estou a musicar. Farei isso
sempre que estiver na presença de um grande poema.
Ao dar a
conhecer esses poetas ligados a uma geração de luta está a tentar despertar
neles uma consciência crítica e política?
Claro que sim.
Tenho um carinho muito grande pelos jovens e às vezes uma certa preocupação com
a sua qualidade.
Como e
quando surgiu a ideia de criar uma universidade privada em Angola?
A ideia surgiu
logo quando a sociedade angolana liberalizou o seu sistema para instituições
privadas, universitárias e comércio. Concebemos este projecto
em 1998.
O balanço é
positivo em termos de resultados e de assimilação no mercado de trabalho dos
estudantes que saem da Lusíada?
Iniciámos em
98, com 4 cursos e o ano propedêutico, hoje temos 8 licenciaturas, nas áreas
económicas e nas áreas sociais. Penso que os alunos estão bem enquadrados
porque Angola está longe de superar os quadros qualificados que correspondem à
procura e, passe a modéstia, temos quadros bem formados. O feed-back que
temos encontrado das instituições para onde se destinam tem sido o melhor
possível. Temos as melhores referências, ex-alunos a trabalhar na BP, na
Sonangol, em empresas privadas, acho que o resultado está a ser
muito bom.
Que perfil
de aluno vem estudar para a Lusíada, em termos de extractos sociais?
Os alunos aqui
abrangem todo o tipo de extractos sociais. Não se pode identificar as classes
sociais em Luanda na medida que há quem não pertença tradicionalmente à classe
privilegiada mas tenha poder de compra equivalente ou superior aos que
aparentam essa classe. As pessoas têm um poder de compra muito grande. Nós
iniciámos os cursos com alunos adultos, de 40 e 50 anos, hoje são
predominantemente jovens. A evolução foi a melhor possível. Começámos com 300
alunos, neste momento temos cerca 6 mil em Luanda, mais um pólo em Benguela e
em Cabinda, no conjunto das 3 universidades temos cerca de
7500 estudantes.
Sente que os
alunos chegam à universidade preparados? Qual é a principal carência do ensino
anterior, pré-universitário?
A carência é
muito grande, por isso iniciámos esta universidade com o ano propedêutico, não
obrigatório, era opcional. Houve muita recepção na primeira experiência, muita
gente queria fazer exame de aptidão directo, mas o índice de reprovação era tão
grande que ao fim do primeiro ano os próprios alunos constataram que quem
fizesse o ano zero teria melhor solidez nos seus conhecimentos e o curso
universitário fluía muito mais facilmente. Hoje em dia temos dois terços dos
candidatos a matricularem-se no ano zero. Fomos os primeiros a implementar este
sistema pela consciência de que temos de melhorar bastante o ensino.
A
frequentação feminina de cursos superiores fará com que haja mais mulheres na
liderança do país, com protagonismo em várias áreas?
Isso é
extremamente louvável. Eu pertenço a uma geração em que os próprios pais
entendiam que era preciso dar mais formação aos homens do que às mulheres.
Já se
erradicou essa mentalidade?
Não creio. Nas
províncias sim, porque as populações estão muito agarradas a alguns conceitos
tradicionais. A nível urbano não se sente. A sociedade angolana até foi muito
aberta em relação à mulher. Conheço bem o continente africano, não creio que
haja nenhum país com tanta abertura para com as mulheres como Angola. É
evidente que à medida que as mulheres forem adquirindo mais capacidade técnica,
científica, cultural e outras estarão capacitadas para adquirir mais
responsabilidades e é louvável que assim seja. Naturalmente, o crescimento do
número de mulheres com formação vai influenciar as sociedades mais tradicionais
a procurarem entender a mulher de maneira diferente.
Mas
imaginemos que um homem e mulher com a mesma formação procuram emprego, não
acha que, além das suas competências e qualificações, o género é tido em conta
na escolha do candidato?
Daquilo que
constato acho que não há problemas dessa natureza. Não tenho sentido quaisquer
preconceito para se fazer a selecção das pessoas em função do género. Se existe
é em situações muito menos frequentes do que no tempo dos meus pais. Em
Portugal rejeitam as mulheres com aquelas condicionantes de maternidade. Na
admissão da mulher nas empresas privadas que não têm nenhum orçamento que cai
do céu como nas empresas públicas e que apostam na capacidade de produção dos
seus trabalhadores, muitas vezes isso acontece. Eu acho que deve ser tudo feito
com base nas capacidades, aqui na Universidade tenho isso presente com várias
senhoras responsáveis.
Fará sentido
para si a discussão de cotas para a representação política feminina ou isso
terá de acontecer naturalmente sem ser pela descriminação positiva?
O Brasil tem
quotas para a entrada de negros na universidade porque aquilo é uma sociedade
estratificada, onde esse problema é visível. Aqui não. A mulher angolana não
tem maior participação na política porque essa percentagem decorre do número de
pessoas que aderiram à luta política. Não era muito comum encontrar mulheres no
ativismo político há 40 anos atrás. Hoje felizmente há muito mais, a vossa
juventude tem essa participação, também há uma formação que lhes permite uma
outra capacidade de intervenção na abordagem e na discussão dos problemas. Isso
é paulatino, pratica-se à medida que a sociedade for mais equilibrada e tiver
mulheres formadas ao mesmo nível que os homens a participar no sistema de
emprego. Não é por acaso que a Inglaterra já teve Primeira-Ministra e a França
teve uma candidata à Presidência da República, trata-se de um longo percurso de
tradição e participação na vida política.
BI:
Nome: Ruy
Alberto Vieira Dias Rodrigues Mingas
Data de
nascimento: 12/05/1939 - 4/2/2023
Naturalidade: Luanda
Cantor
preferido: Ray Charles, Nat King Cole
Cantora
preferida: Aretha Franklin, Ella Fitzerald
Filme: Os
Dez Mandamentos
Pintor:
Salvador Dali
Cor: Azul
Viagem: Roma
O que mais
despreza: falsidade
O que mais
preza: sinceridade, transparência
Prato
preferido: calulu
De que sente
mais saudade: dos meus pais
Lema de vida:
ser aquilo que sou, apoiar sempre as crianças
Ruy Mingas (1939-2024), músico lutador pela liberdade, cantor feito homem político
Nome maior da música angolana, co-autor de Meninos do Huambo, Ruy Mingas foi antes atleta recordista, foi depois ministro e embaixador da Angola independente. Tinha 84 anos.
Ruy Mingas foi nos anos 1980 e 1990 ministro da Educação Física e Desportos e embaixador de Angola em Portugal DR
O seu percurso de vida está intimamente ligado ao de Angola independente. Foi, afinal, co-autor do hino de Angola com o escritor e dramaturgo Manuel Rui e foi também ministro da Educação Física e Desportos angolano entre 1979 e 1989 e, entre 1990 e 1995, embaixador da nação africana em Portugal. Homem de talentos multifacetados, Ruy Mingas, falecido esta quinta-feira em Lisboa, aos 84 anos, foi também recordista português do salto em altura. Mas foi, acima de tudo, poeta, cantor e compositor, um nome maior da música angolana e co-autor, por exemplo, da Meninos do Huambo popularizada em 1985 por Paulo de Carvalho.
Nascido em Luanda a 12 de Maio de 1939, Ruy Mingas destacou-se primeiro no desporto. Atleta do Benfica nas categorias de 110 metros barreiras e salto em altura, bateria o recorde nacional da segunda em 1960. Porém, tal como outro angolano seu contemporâneo em Lisboa, Barceló de Carvalho, que conhecemos hoje como Bonga, mas que foi também campeão de atletismo, pelo mesmo clube, na década de 1960, Ruy Mingas seguiria outra musa. No seu caso, podemos mesmo afirmar que houve uma certa inevitabilidade na sua dedicação à música e ao seu envolvimento empenhado na luta independentista e anticolonialista angolana.
Ruy Mingas era, afinal, sobrinho de Liceu Vieira Dias, figura fundamental da música popular angolana, co-fundador dos míticos N’Gola Ritmos no final dos anos 1940, um lutador contra a opressão colonial portuguesa que o Estado Novo encarcerou durante vários anos no Tarrafal, o temido campo de concentração para presos políticos em Cabo Verde.
Desse exemplo familiar bebeu abundantemente Ruy Mingas, como o comprovam uma canção como Monangambé (1974), sob poema de António Jacinto ("Naquela roça grande tem café maduro/ e aquele vermelho-cereja/ são gotas do meu sangue feitas seiva"), ou álbuns como Angola (1970) e Temas Angolanos (1974). Neles, como escrevia Kalaf Epalanga em 2020, numa crónica para a revista brasileira Quatro Cinco Um, ouvíamos “o homem que deu voz às aspirações do povo angolano e cantou como poucos nossa dor e ânsia por liberdade”.
O grande público contactou pela primeira vez com Ruy Mingas em Portugal quando actuou em 1969 no Zip Zip, o histórico programa da RTP apresentado por Fialho Gouveia, Raul Solnado e Carlos Cruz – a acompanhá-lo nas percussões estava Bonga. No ano seguinte, editou o seu primeiro álbum, Angola, que viria a ser lançado, além de Portugal, em Itália, Espanha ou França – o seu prestígio neste país levou mesmo à sua distinção, em 2010, com o Prémio de Arte, Cultura e Letras da Academia Francesa de Educação.
Sem que o público português o soubesse, porém, Ruy Mingas já interviera de forma marcante na música portuguesa, ainda que por interposta pessoa: foi ele a apresentar aos Sheiks de Carlos Mendes e Paulo de Carvalho o clássico Summertime, de George Gershwin, que a grande banda do yé yé português gravou em 1965 como o seu primeiro single. Nesse período, movendo-se no seio dos estudantes africanos em Portugal, desenvolveu a sua consciência e actividade política e integrou os Ngola Kizomba, banda emanada da Casa dos Estudantes do Império na Capital Portuguesa.
Através das suas composições, musicando poetas da luta independentista angolana como Viriato Cruz, o supracitado António Jacinto ou o futuro Presidente da República Agostinho Neto, ou colaborando com Manuel Rui (além do hino de Angola, compuseram em conjunto, em 1976, Meninos do Huambo, entre outras), Ruy Mingas legou à música angolana, na sua voz cheia, expressiva e ponderada, temas como Birin birin, Ixi ami, Poema da farra, Adeus à hora da largada ou a já referida Monangambé.
Após o 25 de Abril e a independência de Angola, vestiu a farda de político e tornou-se ministro, primeiro, e depois embaixador. Em 1995, foi agraciado por Portugal com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. No início deste século, defensor da educação como alavanca decisiva para a prosperidade do seu povo, impulsionou a fundação da Universidade Lusíada em Angola, a primeira instituição de ensino superior privada no país, com pólos em Luanda, Cabinda e Benguela. A música, porém, continuava presente.
Em 2011, o pai da cantora Katila Mingas e da modelo Nayma, editou Memória, álbum em que compilou originais e novas versões das suas canções, qual testemunho artístico feito ponte entre o passado e o presente.
Versão Original de Meninos do Huambo. Cantado por Ruy Mingas. Letra de Manuel Rui Monteiro.
Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos do Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia
Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com lores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar
Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Manuel Rui Alves Monteiro, de Huambo (n. 4 de Novembro de 1941), mais conhecido por Manuel Rui, é um escritor angolano, autor de poesia, contos, romances e obras para o teatro. Dono de uma obra na qual o homem comum é celebrado, Manuel Rui é considerado um dos mais importantes escritores ficcionistas angolanos.
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
. Nada é impossível de Mudar .
"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."
. Privatizado .
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence
. e de Vinicius por Mário Viegas - Operário em Construção
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edilsonfoto| 16 de Novembro de 2007 |34 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Oprerário em Construção texto de Vinicius de Moraes, Declamação Mario Viegas, Edilson Edilson Almeida.
UJC BAIXADA
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e de António Jacinto e Rui Mingas - "Monagambé" .
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lmdoliveira| 1 de Março de 2009 |45 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
a musica e bela voz de Rui Mingas, a letra é de António Jacinto. Dois angolanos de mão cheia!
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Monangambé (António Jacinto/Rui Mingas)
Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;
Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo?
quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?
Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer?
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande
- ter dinheiro?
- Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
- "Monangambé..."
Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo
e esquecer diluído
nas minhas bebedeiras
Maria Clara Roque Esteves maravilhoso!Mesmo uma mulher de estatura mediana cruza a memória com o infinito dos lugares e do tempo.E as imagens (das palavras) são relevantes para quem julga perceber a importância dos momentos, sem repetição dos dias. " O mundo avança e o metal organiza-se".
há 2 horas · GostoNão gosto
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Alice Alves O cheiro de África....O feitiço que Africa nos lança...um misto de emoções tão intensas, que nos marcam e que não conseguimos descrever..apenas sentir.... :-)))
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José Carlos Moutinho Lindo poema....cantado pelo Rui Mingas
há 21 horas · GostoNão gosto
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Maria Catarina Palma Fialho BONITO POEMA ...CHEIRA A ÁFRICA:::!
há 19 minutos
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