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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Manuel Cruz os papagaios

17/10/15
a fúria dos papagaios

Sócrates libertado quase ao fim de um ano, sem acusação mas com muitos, muitos indícios e, definitivamente, condenado pela populaça ao pelourinho, a arraia miúda e graúda que acorreu ao chamado do deus PAF e lá foi, cantando e rindo, levados, levados sim, entregar-lhes o voto porque o PS tem um ex-primeiro ministro preso e, de cada vez que governa, leva o País à falência para vir, depois, o PSD salvar a situação e livrar os portugueses, a ordem que se segue é puramente arbitrária, da fome, do desemprego, dos salários de merda e da merda de vida. Esse mesmo PS que sempre foi um partido altamente responsável mas que, dizem os endireitadores virando o bico ao prego com a cabeça ou com os cornos, mais uma vez a ordem é arbitrária, está desta feita a colocar o País na mão dos comunistas. Dos comunistas, vejam lá!, essas criaturas que nunca quiseram governar nem deixar governar, imobilistas e dogmáticos, estão a delapidar a sua longa tradição de partido de protesto para vir negociar com o PS. Que descaramento! Já não há honra! Já não há palavra! Já não há nada nem ninguém que se aproveite à esquerda do PSD, canhotos, trafulhas, trapaceiros esses do PS e mais quem os apoiar, que ora agora dizem uma coisa ora logo juram outra, matreiros, mentirosos, pulhas que o que querem é governar para repor os salários dos portugueses, atenuar a austeridade, tornar Portugal num país onde apeteça de novo viver, onde é que já se viu o despautério, a aleivosia, o atrevimento desta gente em vir escangalhar o trabalho de quatro anos de Passos e dos seus comparsas na reconstrução do País salazarento de outros tempos sem contratempos nem contras, que esses estavam no bom resguardo de calabouços e frigideiras. 

E os jornalistas, senhores? E os comentadores? Cheios de justa raiva, falam, falam, falam, atiram-se ao Costa como gato à posta, invocam o cherne e as xaputas e as prostitutas e os chulecos da Nação, os anjos e arcanjos da direita beata, purificada com incensos e águas-bentas, purificadora de pátrias, consolação de cabrões, e de poltrões e de aldrabões e de banqueiros em aflição. Entrevistam Costa como se lhe fossem bater, peroram horas sem contraditório, asfixiam, envenenam, rebuscam argumentos que repetem, repetem, repetem sempre com palavrotas astutamente pensadas pelos think tank e marketeers dos partidos que eles, senhores jornaleiros e doutos opineiros, apoiam e aprovam, a direita direitona, a direita endireitada, a direita putíssima, a direita dos endireitas de Portugal e das províncias ultramarinas, que o terror por comunistas, rebeliões e revoluções faz evocar as glórias de outros tempos no linguajar dos escrevinhadores da situação, fachos empoleirados, intelectuais encadernados e a santa padralhada que agora está com Francisco, o Papa, mas que dantes estava com Francisco, o Franco. Mais o António e o Benito, que tudo isto é muito bonito mas dantes é que era lindo, de negro se vestiam os padres e se cobria o País. 

Vivemos tempos de espanto. E de horror. Nunca tantos desceram tão baixo, tirando a máscara e mostrando as verdadeiras fuças, de assalariados contratados para papaguear o dono e incitar as massas à revolta, à ida à Alameda em salto alto e Chanel vociferar contra Costa, esse Cunhal disfarçado, esse esquerdista desalmado, esse "qué frô" despeitado.

Sempre que Portugal estiver em perigo, chamem os papagaios.

Resulta.
Publicada por Manuel Cruz  

http://ouropel.blogspot.pt/2015/10/a-furia-dos-papagaios.html 

Manuel Cruz - coitus interruptus


30/10/15

coitus interruptus


Nem nos meus tempos de ganapo, em que "ía ao peixe" com a minha mãe ao Poço dos Negros, assisti a tanta peixeirada junta. A direita, esta direita porque há outra que anda queda e muda, perdeu a cabeça e as estribeiras com a possibilidade das forças "estalinistas" tomarem o poder através de um PS que terá, nas exaltadas palavras das regateiras de serviço, abdicado da sua identidade e jorrado para o monturo 40 anos de cedências e compromissos tantas vezes molestos para Portugal e para o seu encornado povo. Agora, graças a António Costa, que quer "agarrar o poder a todo o custo", os comunistas voltaram a ter alguma, o mais certo muito pouca, influência nos destinos do País. E a direita, esta direita à direita da direita, não perdoa. Planeou, nos seus quartéis-generais, em gabinetes de guerra, a melhor forma de defrontar Costa e a besta comunista. E mais não conseguiu do que arregimentar uma dúzia de peixeirinhas de luxo que saltam de canal para canal, em horário nobre, a execrar a esquerda, a anunciar o apocalipse, a interromper o interlocutor, qualquer que ele seja, aos gritos, aos ais, aos ataques destemperados, de uma alarvidade e de um primarismo sem igual em tempos de democracia. Mas, neste festim de regateiras, não estão sós. Veja-se a triste figura que fazem os entrevistadores, cuja inclinação para a direita quase os faz cair da cadeira, interrogando sem querer saber a resposta, atacando, tentando abrir fissuras nesta "aliança" entre as esquerdas. Veja-se o papel dos comentadores, sempre os mesmos com os mesmos argumentos, a mesma verrina, o mesmo primitivismo antidemocrático. São dignos do presidente que admiram, do líder que seguem, dos Dias Loureiros e dos Duarte Limas que os precederam. São a nata da Nação. São as vendedeiras e vendilhões de mentiras, de falsas promessas, de ameaças de cataclismos iminentes se os comunistas, os social-fascistas em linguagem agora ressuscitada por uma certa "esquerda", conseguirem fazer de Portugal a Sibéria do Sul, um gigantesco gulag, um inferno na Terra. Por mim, se fosse a eles, já tinha chamado a NATO para uma invasão das nossas praias. Já tinha apelado ao Carlucci para se encontrar com Cavaco. Já tinha desenterrado as mocas de Rio Maior. Já tinha incendiado uns quantos centros de trabalho do PCP e do BE. Já tinha enchido a Alameda numa Marcha de Caçarolas perfumada a Chanel nº 5. Já tinha mandado, para um qualquer Tarrafal, Costa, Martins e Sousa. Já tinha abarrotado o Estádio Nacional de comunas, esquerdalhos e socialistas atrevidos. Já tinha ressuscitado Pinochet. Já tinha chamado, à minha divina presença, António de Oliveira Salazar. Já tinha recuado até aos anos gloriosos do Estado Novo. Mas, por enquanto, fiquemo-nos pelas regateiras. Em bacanal de arranhões, num doloroso coito finalmente interrompido. Agora sim, parece que sim, que vão sair de cima.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Manuel Cruz - coitus interruptus


* Manuel Cruz

Nem nos meus tempos de ganapo, em que "ía ao peixe" com a minha mãe ao Poço dos Negros, assisti a tanta peixeirada junta. A direita, esta direita porque há outra que anda queda e muda, perdeu a cabeça e as estribeiras com a possibilidade das forças "estalinistas" tomarem o poder através de um PS que terá, nas exaltadas palavras das regateiras de serviço, abdicado da sua identidade e jorrado para o monturo 40 anos de cedências e compromissos tantas vezes molestos para Portugal e para o seu encornado povo. Agora, graças a António Costa, que quer "agarrar o poder a todo o custo", os comunistas voltaram a ter alguma, o mais certo muito pouca, influência nos destinos do País. E a direita, esta direita à direita da direita, não perdoa. Planeou, nos seus quartéis-generais, em gabinetes de guerra, a melhor forma de defrontar Costa e a besta comunista. E mais não conseguiu do que arregimentar uma dúzia de peixeirinhas de luxo que saltam de canal para canal, em horário nobre, a execrar a esquerda, a anunciar o apocalipse, a interromper o interlocutor, qualquer que ele seja, aos gritos, aos ais, aos ataques destemperados, de uma alarvidade e de um primarismo sem igual em tempos de democracia. Mas, neste festim de regateiras, não estão sós. Veja-se a triste figura que fazem os entrevistadores, cuja inclinação para a direita quase os faz cair da cadeira, interrogando sem querer saber a resposta, atacando, tentando abrir fissuras nesta "aliança" entre as esquerdas. Veja-se o papel dos comentadores, sempre os mesmos com os mesmos argumentos, a mesma verrina, o mesmo primitivismo antidemocrático. São dignos do presidente que admiram, do líder que seguem, dos Dias Loureiros e dos Duarte Limas que os precederam. São a nata da Nação. São as vendedeiras e vendilhões de mentiras, de falsas promessas, de ameaças de cataclismos iminentes se os comunistas, os social-fascistas em linguagem agora ressuscitada por uma certa "esquerda", conseguirem fazer de Portugal a Sibéria do Sul, um gigantesco gulag, um inferno na Terra. Por mim, se fosse a eles, já tinha chamado a NATO para uma invasão das nossas praias. Já tinha apelado ao Carlucci para se encontrar com Cavaco. Já tinha desenterrado as mocas de Rio Maior. Já tinha incendiado uns quantos centros de trabalho do PCP e do BE. Já tinha enchido a Alameda numa Marcha de Caçarolas perfumada a Chanel nº 5. Já tinha mandado, para um qualquer Tarrafal, Costa, Martins e Sousa. Já tinha abarrotado o Estádio Nacional de comunas, esquerdalhos e socialistas atrevidos. Já tinha ressuscitado Pinochet. Já tinha chamado, à minha divina presença, António de Oliveira Salazar. Já tinha recuado até aos anos gloriosos do Estado Novo. Mas, por enquanto, fiquemo-nos pelas regateiras. Em bacanal de arranhões, num doloroso coito finalmente interrompido. Agora sim, parece que sim, que vão sair de cima.

sábado, 17 de outubro de 2015

Manuel Cruz -- a fúria dos papagaios




Sócrates libertado quase ao fim de um ano, sem acusação mas com muitos, muitos indícios e, definitivamente, condenado pela populaça ao pelourinho, a arraia miúda e graúda que acorreu ao chamado do deus PAF e lá foi, cantando e rindo, levados, levados sim, entregar-lhes o voto porque o PS tem um ex-primeiro ministro preso e, de cada vez que governa, leva o País à falência para vir, depois, o PSD salvar a situação e livrar os portugueses, a ordem que se segue é puramente arbitrária, da fome, do desemprego, dos salários de merda e da merda de vida. Esse mesmo PS que sempre foi um partido altamente responsável mas que, dizem os endireitadores virando o bico ao prego com a cabeça ou com os cornos, mais uma vez a ordem é arbitrária, está desta feita a colocar o País na mão dos comunistas. Dos comunistas, vejam lá!, essas criaturas que nunca quiseram governar nem deixar governar, imobilistas e dogmáticos, estão a delapidar a sua longa tradição de partido de protesto para vir negociar com o PS. Que descaramento! Já não há honra! Já não há palavra! Já não há nada nem ninguém que se aproveite à esquerda do PSD, canhotos, trafulhas, trapaceiros esses do PS e mais quem os apoiar, que ora agora dizem uma coisa ora logo juram outra, matreiros, mentirosos, pulhas que o que querem é governar para repor os salários dos portugueses, atenuar a austeridade, tornar Portugal num país onde apeteça de novo viver, onde é que já se viu o despautério, a aleivosia, o atrevimento desta gente em vir escangalhar o trabalho de quatro anos de Passos e dos seus comparsas na reconstrução do País salazarento de outros tempos sem contratempos nem contras, que esses estavam no bom resguardo de calabouços e frigideiras. 

E os jornalistas, senhores? E os comentadores? Cheios de justa raiva, falam, falam, falam, atiram-se ao Costa como gato à posta, invocam o cherne e as xaputas e as prostitutas e os chulecos da Nação, os anjos e arcanjos da direita beata, purificada com incensos e águas-bentas, purificadora de pátrias, consolação de cabrões, e de poltrões e de aldrabões e de banqueiros em aflição. Entrevistam Costa como se lhe fossem bater, peroram horas sem contraditório, asfixiam, envenenam, rebuscam argumentos que repetem, repetem, repetem sempre com palavrotas astutamente pensadas pelos think tank e marketeers dos partidos que eles, senhores jornaleiros e doutos opineiros, apoiam e aprovam, a direita direitona, a direita endireitada, a direita putíssima, a direita dos endireitas de Portugal e das províncias ultramarinas, que o terror por comunistas, rebeliões e revoluções faz evocar as glórias de outros tempos no linguajar dos escrevinhadores da situação, fachos empoleirados, intelectuais encadernados e a santa padralhada que agora está com Francisco, o Papa, mas que dantes estava com Francisco, o Franco. Mais o António e o Benito, que tudo isto é muito bonito mas dantes é que era lindo, de negro se vestiam os padres e se cobria o País. 

Vivemos tempos de espanto. E de horror. Nunca tantos desceram tão baixo, tirando a máscara e mostrando as verdadeiras fuças, de assalariados contratados para papaguear o dono e incitar as massas à revolta, à ida à Alameda em salto alto e Chanel vociferar contra Costa, esse Cunhal disfarçado, esse esquerdista desalmado, esse "qué frô" despeitado.

Sempre que Portugal estiver em perigo, chamem os papagaios.

Resulta.

sábado, 10 de outubro de 2015

quatro almas crónicas da contra-revolução

quatro almas  

crónicas da contra-revolução

Hoje, em simultâneo em todos os canais à hora dos telejornais, passa o filme "Vêm aí os Russos". Não perca. Momentos de grande dramatismo sobre a terrível ameaça que paira sobre toda a civilização cristã. E grave que o momento é grave e merece revisão. Da Constituição, das regras democráticas, da contabilidade dos votos porque há votos que valem por dois ou três e outros que nem deviam ser contados ou acatados, Deus nos livre e guarde de russos, bolcheviques, vermelhos, comunistas, comunas, sociais-fascistas, cubanos encapotados, norte-coreanos mascarados, comedores de crianças, matadores de velhos e de esperanças, ladrões de courelas e ai, ai, ai, mil vezes ai que agora é que são elas, é o PREC, é o PREC, vou-te devorar, crocodilo eu sou, lobo esfaimado, filho disto e daquilo, menos que um esquilo, uma perca do Nilo, enxofre ao quilo, é o diabo encarnado a cornear os abutres, a pontapear as hienas, cuidado que são perigosos, estão a dar à Costa, vão desembarcar e desgraçar-nos, salvem as crianças, as jóias, as pratas. Matem essas ratas! Não sejam pataratas, nem cobardes, muito menos cúmplices da seita invasora. Vamo-nos a eles!



Vitória de Pirro ou vitória do esbirro? A estrela de Passos, e a velinha de Portas, vão esmorecendo, bruxuleando cada vez menos por mais que as bruxas embruxem e as sereias cantem como eles, no domingo passado, cantaram de galo. Hoje, estão com um galo de Barcelos a Massarelos, um galarote para o Passos, um garnisé para o Portas de serviço, a bonne à tout faire, o pau para toda a obra, obra feita companhia desfeita enquanto o diabo esfrega um olho ou o traseiro que matreiro só há um, o Paulo e mais nenhum. 

O PS virou-lhes o Costa, não todo que ainda há por lá muita bosta Vital, muito Assis pouco santo, muita Vara em pocilga, muito Brilhante de pechisbeque, muitos direitinhas de esquerda quando calha ou lhes convém que a cobiça é como a velha da Piça ou o velho Matusalém, não morre nem sai de cima mas fornica quem encontra no seu caminho. Costa pode ser o bote de salvação ou a barcaça à deriva. Capitão da esperança ou um homem vulgar. Pode mudar o governo ou fechar os olhos ao desgoverno e os olhos a um PS qualquer dia moribundo de tanto vacilar, pactuar, negociar, ceder, conceder, dar o corpo ao manifesto que quanto mais a gente se agacha mais levamos na cornadura. Costa pode ficar na História ou ficar por aqui, sem honra nem glória nem vitória que se veja. Pode quebrar quatro anos de mau feitiço ou prolongar o enguiço. 

Que se calem as Ferreira Leite, os Pires de Lima, os pires de leite, os queques da linha, os pãozinhos sem sal, os aldrabões, os poltrões, os vendilhões e os sabujos, os cães de fila e os porcos sujos, os mandadores deste vira que não vira e nos tira anos de vida que as voltas do vira não têm sido boas de dar, ora agora viras tu, ora agora viro eu, ora agora viras tu, viras tu mais eu. Chegou o tempo do reviralho. Ou isso ou um saralho do carilho. Salvo seja. Salvos sejamos. Menos os alpinistas, que de tanto subirem de mais alto cairão. E não choraremos sobre leite derramado. Nem queimaremos vela com tão ruins defuntos. Assim Costa queira que a gente quer, a gente gosta.
http://ouropel.blogspot.com/2015/10/vamo-nos-eles.html
http://ouropel.blogspot.com/2015/10/o-declinio-dos-alpinistas.html