domingo, 15 de junho de 2008

Exppresões Latinas

iin Wikipedia - "Ad Majorem Dei Gloriam" (tudo por uma maior glória de Deus)


A

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E

F

I

G

L

M

  • Macte, animo! Generose puer sic itur ad astra - "Jovem, ânimo! Por este caminho se vai aos céus" (lema da Academia da Força Aérea brasileira, AFA)
  • Mea autem Brasiliae magnitudo - "A minha grandeza é também a do Brasil" (lema do município de Joinville, Brasil)
  • Multis e gentibus vires - "Para muitos, força" (lema da Província de Saskatchewan, no Canadá)
  • Munit haec et altera vincit - "Um defende e os outros conquistam" (lema da Província da Nova Escócia, também no Canadá).

N

  • Nemo me impune lacessite: "Ninguém me fere impunemente" (lema da Escócia).
  • Nisi satis nisi optium:"Nada exceto o melhor é bom o bastante Lema do clube inglês do Everton.

O

P

  • Parva sub ingenti - "O menor sob a proteção do grande" (lema da Província da Ilha do Príncipe Eduardo)
  • Patriam caritatem et libertatem docui, "Ensinei a caridade e a liberdade à pátria" (divisa do município de Santos, Brasil)
  • Patriam fecit magnam: "Tornou a pátria grande" (divisa do município de Santana de Parnaíba, Brasil)
  • Per ardua surgo: "Pela dificuldade venço" (divisa do Estado da Bahia, Brasil)
  • Per aspera ad astra: "Pelos caminhos difíceis, aos astros" (lema do município de Cajuru, Brasil e do Colégio Rio Branco)
  • Per populum omnis potestas a Deo: "Todo poder vem de Deus pelo Povo" (lema do município de Contagem, Brasil)
  • Pro Brasilia fiant eximia: "Façam-se em prol do Brasil as melhores coisas" (divisa do Estado de São Paulo, Brasil).
  • Pro luce in perpetuum contra obscurum malum: "Eternamente pela luz contra o mal sombrio" (divisa do Convento Bannockburn).
  • Pro una libera patria pugnavi: "Lutei pela pátria una e livre" (divisa do município de Sorocaba, Brasil).

Q

S

U

V

Pepetela - O quase fim do mundo



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sábado, 14 de junho de 2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A China e a Economia Política do socialismo


por Elias Jabbour*

O sucesso do modelo mercantil sob orientação socialista na China suscita o necessário resgate de uma elaboração científica da Economia Política do socialismo. Não somente isto. O êxito chinês bem analisado pode servir à contraposição ao senso comum – nascido na década de 1930 – e que se exacerbou na década de 1990 acerca da inviabilidade econômica do socialismo*.


Como ressalva inicial - antes do debate teórico em si -, vale mencionar que o modelo em curso na China encontra fortes convergências com a Nova Política Econômica (NEP) apresentada por Lênin no final da década de 1910. Entre as principais convergências podemos destacar: 1) superestrutura de poder popular; 2) concentração da propriedade estatal e/ou coletiva restrita aos setores com alto grau de monopólio; 3) estatização do comércio exterior; 4) internalização de tecnologia avançada a partir de concessões à investimentos estrangeiros; 5) permissão à comercialização de excedentes agrícolas, dando margem a: A) a uma divisão social do trabalho marcada por relações favoráveis à agricultura em relação à cidade; B) transformação de recursos ociosos na agricultura em poupança inicial à modernização industrial do país (1).


Mercado e plano em Pareto e Barone

O êxito do modelo chinês e o necessário resgate do debate da retomada da construção da Economia Política do socialismo se deve ao fato de a China estar respondendo de forma prática a principal questão levantada nos debates do início do século passado, a saber:

É possível, sob o socialismo, um sistema contábil e de preços capazes de servir de guia a alocação eficiente de recursos?

Há mais de uma década antes da Revolução Russa a viabilidade do socialismo já era pauta de estudos e proposições. A possibilidade de funcionamento de uma economia centralmente planificada e baseada na propriedade social dos meios de produção teve nos economistas neoclássicos Vilfred Pareto e Enrico Barone seus primeiros “advogados”. Podemos classificá-los de os pioneiros da idéia de uma economia de mercado sob orientação socialista.

Ambos partiram do correto princípio que compreende a similaridade de funcionamento econômico do capitalismo e do socialismo. Assim, concluíram que as condições de equilíbrio poderiam ser alcançadas pela utilização de um sistema de equações simultâneas onde os preços resultantes de tal poderiam servir de parâmetro à correta e racional alocação de recursos (2).


A contra-argumentação ultra-liberal

Desde 1920, von Mises e seus seguidores (notadamente Hayek e Robbins) desafiaram os socialistas com cortantes assertivas demonstrativas da impossibilidade do funcionamento de uma economia centralmente planificada.

Suas elaborações buscaram demonstrar que a inviabilidade do socialismo repousa na insuficiência do planejamento em substituir o cálculo econômico como meio de analisar a melhor forma de alocação de recursos. Resumidamente, sendo o cálculo a única forma de se auferir escassez, na falta deste mecanismo torna-se proibitiva a tomada de decisões racionais de investimentos (3).

Enfim, uma economia planificada e baseada em decisões elaboradas por agentes administrativos estaria fatalmente condenada ao caos macroeconômico.


Uma contradição a se considerar

O ultra-liberalismo é legado do que desdenhosamente Marx classificou como “economia vulgar”. Resumidamente são dois os pressupostos teóricos desta corrente: 1) da mesma forma que as leis da natureza, as leis econômicas também têm caráter universal; 2) como universais, as leis econômicas atuam de forma uniforme e invariável em qualquer lugar onde ocorram atividades econômicas.

A essência do materialismo histórico encontra-se na demonstração de que as leis e categorias da Economia Política não são imutáveis como as leis da natureza e sim o resultado das relações econômicas entre os homens no curso do processo social de produção, distribuição e troca dos meios materiais. Logo, as leis da Economia Política - e as relações sociais que dela derivam - têm prazo de validade determinada pela história.

Aos ultra-liberais, a propriedade privada dos meios de produção é requisito fundamental tanto à alocação racional dos recursos, quanto para a liberdade de escolha dos consumidores. Tomando esta observação e agregando que na cultura liberal o processo econômico é regido por leis de cunho universal, podemos questionar:

1) A “concorrência perfeita” no capitalismo não foi substituída pelo oligopólio, cuja superação só é possível no socialismo?

2) Afirmar a inviabilidade do socialismo pelos motivos que já foram expostos, não redunda numa surpreendente análise institucionalista em uma elaboração ultra-liberal?

3) Se as leis econômicas têm caráter universal, não é contraditório enunciar que a racionalidade econômica é característica intrínseca de uma sociedade baseada na propriedade privada dos meios de produção? (4)


Oscar Lange e a “solução competitiva” no socialismo

A principal resposta no campo marxista às elaborações ultra-liberais veio de Oskar Lange (1904-1965). Suas mais importantes elaborações foram publicadas inicialmente em duas partes no ano de 1936 sob o título de “On the Economic Theory of Socialism”. Posteriormente, no ano de 1938 - em parceria com Fred Taylor – a transformou em livro sob o mesmo título.

Demonstrando sensibilidade ante os problemas levantados pelos ultra-liberais, construiu - juntamente com Fred Taylor e Abba Lerner - um teorema que alcançou o surpreendente resultado onde um sistema socialista mediado pela planificação central e munido de um sistema de preços como referencia à alocação de recursos poderia obter um ótimo econômico semelhante ao obtido nos teoremas econométricos de Arrow Abreu.

Partiu de cinco premissas: 1) a diferença entre os dois sistemas encontra-se na composição de classes no poder e na forma de apropriação do excedente econômico; 2) o modo de determinação dos preços no socialismo funciona de forma análoga à verificada numa economia capitalista; 3) o poder proletário deve se ocupar em princípio somente com a socialização dos meios de produção essenciais ao funcionamento da economia; 4) o cálculo econômico é essencial, pois nenhum mecanismo substitui completamente o mercado; 5) a propriedade privada em pequena escala na indústria e na agricultura é parte essencial no processo de acumulação socialista (5).

O núcleo de sua teoria é baseado na formação – no âmbito do plano - de um organismo capaz de simular o mercado. A combinação do mercado com o socialismo reside na relação dialética entre três níveis decisórios: 1) No topo da pirâmide, a Comissão de Planejamento Central com a tarefa de: a) ajustar os preços dos meios de produção de acordo com a oferta e a demanda; b) distribuir os ganhos sociais utilizando as reservas das empresas estatais e c) apesar de seu poder, a Comissão – como na China - não tem poder sobre o que e como se vai produzir; 2) o nível intermediário ocupado pelos departamentos de administração das indústrias, responsáveis pela determinação de vários setores da produção e 3) no plano inferior estão as empresas estatais, a permitida propriedade privada em setores não-estratégicos e as famílias.

A obra de Lange é a principal fonte teórica dos programadores econômicos chineses.


Acumulação no rumo do “socialismo pleno”

A vantagem de economistas como Oscar Lange e os gestores do modelo chinês, encontra-se no fato de haverem percebido que a solução da problemática econômica do socialismo passava pela utilização dos enunciados clássicos.

No terceiro volume de O Capital, Marx – influenciado por Ricardo - demonstra claramente o papel que a demanda exerce sobre a racional alocação de recursos. Isto se deve ao fato de o valor utilidade de uma mercadoria estar relacionada diretamente com a demanda efetiva da mesma.

Segundo, Engels: “A utilidade que apresentam todos os bens de consumo, comparada entre si e a consideração inerente à quantidade de trabalho para produzi-los, serão os fatores que determinarão o plano” (6). Em poucas palavras, Engels, suscita a solução do problema. Solução esta trabalhada em demasia por Oskar Lange. Vamos a ela.

O socialismo demonstraria superioridade na medida em que a quantidade de trabalho utilizada na produção de uma mercadoria refletisse a quantidade marginal, logo os custos de produção tenderiam a se reduzir. Assim no longo prazo tal custo refletiria os custos do trabalho necessário. A diferença entre os custos do trabalho e o valor real da mercadoria é conseqüência das rendas diferenciais originadas no preço dos serviços dos recursos naturais (7).

Ao levar às últimas conseqüências o processo de acumulação descrito acima, chega-se ao ponto em que a produtividade marginal do capital chegaria à zero (8). A lei da oferta e da procura e a lei do valor perderiam razão de existir na medida em que a produção de cada mercadoria se elevaria a tal ponto em que as quantidades marginais de trabalho empregadas na obtenção de diferentes mercadorias se igualariam à razão auferida das utilidades marginais e de preços destas mercadorias (9).

A apreensão de automação industrial é a condição objetiva principal ao êxito deste processo de longo prazo. Além do que foi escrito, a automação industrial permite a libertação do homem do jugo da máquina: é o fim do processo de educação do proletariado que enfim poderia gerir a produção à sociedade. O “socialismo pleno” seria alcançado.


Leis econômicas e a “etapa primária do socialismo”

A Economia Política tem como objeto de estudo as leis econômicas: seu caráter, alcance histórico, modo de ação, relações mútuas e suas conseqüências nas múltiplas determinações do concreto.

O socialismo é a fase primária do comunismo e na concepção dos chineses, a China ainda se encontra na “etapa primária do socialismo”. A verdade desta constatação pode ser melhor auferida se nos apreendermos em Marx, que creditou à transição socialismo-comunismo a tarefa de eliminar as diferenças entre campo e cidade, trabalho manual e intelectual e as inerentes à agricultura e indústria. Os chineses classificam esta constatação de “as três grandes diferenças” (10).

São fatores concretos que caracterizam a etapa primária do socialismo: 1) formação social onde a maior parte da população está ocupada na agricultura e dependente do trabalho manual; 2) escassez de recursos minerais; 3) ciência e tecnologia atrasadas; 4) grandes disparidades regionais de ordem econômica, social e cultural; 5) grande parte da população vivendo com dificuldades; 6) falta de autonomia tecnológica e de financiamento, e; 7) grande distância para com o nível de desenvolvimento do centro do sistema (11).

Um país de dimensões continentais e altamente populoso como a China e onde a própria natureza (montanhas e desertos) é fator de dificuldades, vale questionar: quanto tempo este processo de transição (socialismo-comunismo) demoraria?


De que forma os fatores expostos podem influir na ação das leis econômicas?

As características apresentadas são expressões do fato de o socialismo ter vencido em formações sociais periféricas. Logo e naturalmente as heranças de sistemas anteriores continuam a agir. A conseqüência destas influências é sentida nas superestruturas de países como China, Cuba e Vietnã: são muito sensíveis à fluidez (corrupção, influência de culturas estrangeiras, sobrevivências feudais, etc.).

Mais especificamente – para o caso da China -, pode se verificar a ação de resquícios do modo de produção asiático. Resquícios positivos (planejamento, administração pública eficiente, capacidade de rápida intervenção sob o território, capacidade de iniciativa comercial dos camponeses, etc.) e negativos (cultura feudal). Fator agravante reside na ainda mediação por meio da escassez, o que faz com que um sistema de preços ainda seja necessário.

Assim, por mais que a China tenha internalizado os instrumentos (superestrutura de poder popular, socialização dos meios de produção e o planejamento) que viabilizam a anulação da ação do caráter espontâneo da ação das leis econômicas, as leis econômicas intrínsecas à economias planificadas e baseadas na propriedade social ainda não alcançaram um nível de cristalização necessário. A título de exemplo, os sobre-investimentos em determinados ramos industriais na China tem - além do carreirismo de muitos governadores de províncias e/ou regiões autônomas - nas relações (de tipo feudal) entre gerentes de bancos e prefeitos de cidades médias, uma das fontes do problema.

Fator agravante é encerrado na atual correlação de forças em âmbito mundial e a supremacia do imperialismo nos campos militar, econômico e ideológico.


Economia Política do socialismo e a categoria de formação social

Como forma de evitar a generalização típica à Economia Política produzida na União Soviética, onde o “modelo soviético” transformou-se em paradigma, assim como o “naturalismo” típico dos liberais, o marxismo nos dispõe categorias de análise quase insubstituíveis. O método da verificação das múltiplas determinações do concreto, não pode prescindir da análise da formação social de cada nação, região ou território.

Ouvimos todos os dias afirmações – sobre a China - do tipo, “trabalho escravo”, “falta de direitos humanos”, “democracia”, “onde tem mercado tem capitalismo”, “a China vai ser um país imperialista”, e outros absurdos. Ora é muito claro que a lei do valor é uma questão de formação social: um dólar na China não tem o mesmo valor verificado nos EUA. Mais: num país com 700 milhões de camponeses, só podemos concluir que é ínfima a parte da renda familiar gasta com alimentação. A história pode demonstrar que a democracia chinesa remonta a séculos no nível da aldeia da mesma forma que a pequena produção mercantil no nordeste norte-americano é a base na qual se desenvolveu a democracia nos EUA (12).

Isso sem citar que a civilização chinesa ao se assentar em vales férteis deu origem à filosofias de cunho tolerante ao contrário do Mediterrâneo Oriental, onde as péssimas relações homem-natureza deu vazão à ideologias messiânicas (povo eleito, espaço vital, destino manifesto, imperialismo) (13).


China, Hungria, Polônia, Iugoslávia e reflexões

Hungria, Polônia e Iugoslávia também foram laboratórios de “socialismo de mercado”, que – dado seus insucessos - foram próceres da restauração capitalista no Leste europeu. Assim, poderíamos nos perguntar:

1) O sucesso chinês não é fruto de uma divisão social do trabalho surgida - no bojo da separação entre economia de ganho e economia doméstica - a mais de 3.700 anos, enquanto que na Europa Oriental, as revoluções burguesas do século XIX foram abortadas, dando margem a um processo de “refeudalização” findado com a instalação de democracias-populares depois da 2º Guerra Mundial?

2) A capacidade política do Estado chinês de intervenção rápida sob seu território não é um resquício do modo de produção asiático, onde a pressão camponesa sobre o poder imperial para construção de grandes diques, barragens e obras hidráulicas com utilidade na contenção de desastres naturais decorrentes da ação das chuvas de monções?

3) Será que da mesma forma que Mao Tse tung apoiou-se nos camponeses pobres para levar a cabo a revolução nacional-popular de 1949, Deng Xiaoping não transformou a histórica capacidade mercantil dos camponeses médios na mola propulsora da política de Reforma e Abertura iniciada em 1978?


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Finalizando, cabem as observações de meu mestre Armen Mamigonian, acerca da historicidade das transições e as relações entre o nacional e o mundial: “Assim como a revolução socialista permaneceu isolada na URSS, por décadas, a primeira revolução capitalista ficou isolada na Inglaterra, frente à hostilidade do feudalismo da Europa continental. As relações entre os fenômenos nacionais e mundiais não são tão simples e a transição de um sistema a outro é mais complexa e prolongada do que se imagina.” (14).


* Publicado na Revista Princípios nº 86.


Notas:

(1) A NEP como experiência foi abortada pelo acirramento da luta-de-classes no âmbito mundial (isolamento comercial da URSS), logo, o “modelo soviético” marcado pela formação de poupança relacionada às safras agrícolas foi a melhor forma de se auferir uma rápida industrialização.

(2) Pareto demonstrou sua hipótese em duas obras: “Socialist System” (1903) e “Manual of Political Economy” (1906). Barone destacou-se pela publicação de 1908 intitulada de “The Ministry of Production in the Collective State”.

(3) O trabalho de von Mises de 1920 pode ser encontrado em inglês: In, von Hayek, F. (org.): “Collectivist Economic Planning” publicado em 1935. Outra obra levou intitulada “Socialist”, foi publicada em 1937 em Nova Iorque.

(4) A negação da possibilidade da racionalidade econômica no socialismo é um enunciado puramente institucionalista.

(5) LANGE, O.: “The Practice of Economic Planning and the Optimum Allocation of Resources”. Econometrics. Chicago, 1949, vol. 17, p. 167-178.

(6) ENGELS, F.: “Anti-Düring”. Paz e Terra. São Paulo, 3º Edição, 1990, p. 335-336.

(7) LANGE, O.: “On the Economic Theory of Socialism”. University of Minnesota. 1938, p. 147.

(8) A redução da quantidade marginal a zero é produto da ação da propriedade social dos meios de produção e do planejamento.

(9) Idem ao 6.

(10) WANCHUN, Pen: “The Dialectical Materialism and the Historical Materialism”. Foreign Language Press, Beijing, 1985, p. 218.

(11) ZEMIN, Jiang: “Hold High the Great Banner of Deng Xiaoping Theory for an All-Round Advance of the Cause of Building Socialism with Chinese Characteristics into the Twenty-First Century”. Report to the Fifteenth National Congress of Communist Party of China. People’s Publishing House, Beijing, 1992, p. 15.

(12) Walt Whitman, o poeta da revolução americana e um dos preferidos de Marx, é expressão desta formação social. Porém, o desenvolvimento histórico do processo de construção da nação norte-americana é concomitante com a decadência desta democracia.

(13) As determinações culturais e naturais têm sua importância. Porém deve-se atentar para não se “descambar” em análises culturalistas (de tipo liberal) ou de caráter determinista. Aliás, ao utilizar a categoria de forças produtivas na análise, fica latente o pressuposto das relações mútuas entre homem e natureza, afinal de tais relações e do desenvolvimento da capacidade humana de atuar sobre a natureza é que são desenvolvidas as forças produtivas.

(14) MAMIGONIAN, Armen: “Marxismo e 'Globalização': As Origens da Internacionalização Mundial”. In, Milton Santos: Cidadania e Globalização. AGB/Bauru. Saraiva. Bauru, 2000, p. 95-100.





*Elias Jabbour, é Doutorando e Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP, membro do Conselho Editorial da Revista Princípios e autor de ''China: infra-estruturas e crescimento econômico'' 256 pág. (Anita Garibaldi).



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho
11 DE JUNHO DE 2008 - 20h29



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“Mais importante que os nomes… são as propostas…”


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Acho engraçado que nestas ocasiões veja de mãos dadas a direita mais reaccionária e alguns elementos do bloco de esquerda, nem de uns nem de outros é de admirar, mas não deixa de ser engraçado ver estes senhores defender os até há meia dúzia de dias ortodoxos comunistas, a Luísa Mesquita e o Barros Duarte, que eu me tenha apercebido até há pouco tempo nunca os vi colocar qualquer questão em relação ao funcionamento do Partido em que militam e tenho a certeza que se há dois anos atrás lhes perguntássemos à Luísa Mesquita e ao Barros Duarte qual a sua posição sobre os lugares para os quais são eleitos os militantes comunistas, tenho a certeza que não diferiam muito da minha opinião ou destes meus dois camaradas do distrito de Santarém. Na minha opinião (fantástico sou comunista e tenho opinião) os eleitos comunistas (seja nas estruturas do partido ou em qualquer órgão de soberania) têm o dever de prestar contas aos seus camaradas, bem comos os que não sendo eleitos têm o dever de acompanhar e exigir essa mesma prestação de contas aos seus camaradas que estão eleitos e todos devemos ter consciência que não somos donos de nenhum lugar se por votação da maioria fomos convidados para nos candidatarmos por um programa para o qual poderemos ser eleitos, também temos que aceitar a opinião da maioria quando esta é contraria ao que nós desejamos, por muito que ela nos custe, o que não é democrático é uma minoria querer impor a sua vontade à maioria.
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Seria muito fácil ao PCP fazer como noutros partidos e na mais pura hipocrisia fazer de conta que nada se passava e deixava-se andar até ás próximas eleições, porque isto pode afectar os resultados eleitorais, se fosse esse o caso, é que eu como comunista ficaria preocupado, porque mais importante que vitorias eleitorais é manter os princípios que defendemos, porque independentemente das pessoas que ocupam o lugar o importante é cumprir o programa que o povo sufragou, estando lá a Joana, o Manel ou a Luísa.
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Noutros partidos é normal presidentes, deputados ou vereadores, fazerem o que lhes dá na cabeça, porque estes se substituem ao partido, utilizam-nos para se fazerem eleger nas suas listas e depois não prestam contas a ninguém e fazem o contrário do que se comprometeram com o eleitorado, mandando o programa eleitoral pelo qual foram eleitos para o caixote do lixo, para alguns isto é que é democrático, na minha opinião está muito longe de o ser.
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Termino com palavras proferidas por Luísa Mesquita aquando da campanha para as legislativas em 2005 “mais importante que os nomes mais ou menos mediáticos das listas de candidatos e de frases feitas para serem absorvidas rapidamente, são as propostas dos partidos para o país e para o distrito”. in O MIRANTE)
posted by aldeia-pp | 10:44:00
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25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (32)



Rescaldo polémico da grande entrevista dada por Gabriel Castanhas/ Cantor/ Radialista/ Cidadão da histórica Vila do Couço (a TAL que não vem no mapa e onde a falecida PIDE/ DGS fazia centenas e centenas de prisões) ao Arestas de Vento ...

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TUDO AOS DOMINGOS das 11 às 14h em 102.2 FM e em www.palfm.com

ARESTAS DE VENTO

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O raio de um programa onde a polémica e as palavras andam sem algemas e mordaças, saudavelmente à solta, mas com ameaça de mandado de captura ...
RICARDO CARDOSO e CÉU CAMPOS, chefiam um bando de colaboradores e convidados, brutos no falar, intemeratos, atrevidos e sem topetas ...
é a polémica a bater forte nos idiotas, nos colaboracionistas, nos que se julgam únicos e insubstituíveis, na sacanagem que vegeta nas franjas ocultas do poder, de qualquer poder ...
é a boa cultura a fazer das suas - e das nossas !

O convidado especial da emissão de 8 de Junho foi em boa hora Gabriel Castanhas - Cantor/ Radialista/ Cidadão da histórica Vila do Couço (a TAL que não vem no mapa e onde a falecida PIDE/ DGS fazia centenas e centenas de prisões) . Ai Portugal Portugal dos sem memoria … Gabriel Castanhas é oriundo de uma família antifascista.

Ouvir o Arestas de Vento é fazer parte de um movimento cultural singular, interventor e aberto aos valores de sempre.

A polémica, a revolta, a histórica Vila do Couço e as cantigas tomaram conta em alta do Arestas de Vento ...

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Rescaldo/ Entrevista a Gabriel Castanhas


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continua em Ao Sabor do Olhar
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Rescaldo polémico de entrevista a GABRIEL CASTANHAS no Arestas de Vento

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ver também
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Site da exposição fotográfica de Fausto Giaccone acerca da reforma agrária no Couço

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imagem da responsabilidade de Victor Nogueira
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terça-feira, 10 de junho de 2008

10 de Junho - O Dia da RAÇA e o que mais se lerá



Helena Vieira da Silva

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Évora - manifestação dos trabalhadores agrícolas (Largo junto à Porta de Avis ?)

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Évora - manifestação dos trabalhadores agrícolas

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Fotos de Victor Nogueira




[expo_abelmanta_grande.jpg]

João Abel Manta

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Lisboa - Mural (apagado) na Rua António Maria Cardoso (sede da PIDE/DGS)
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Foto de Victor Nogueira
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Abril em Maio após Novembro (1)

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O Sonho ...
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O Dia da RAÇA e o que mais se lerá
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* Victor Nogueira
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Dentro de momentos a Praça do Giraldo será cenário duma manifestação [do 10 de Junho] que pretendem grandiosa e durante a qual se enaltecerá essa gloriosa e alegremente sacrificada juventude portuguesa que em terras de África defende a herança dos seus avoengos, numa guerra santa sobre cujos fundamentos se não admitem dúvidas. Entretanto a Universidade de Coimbra está em greve desde há largas semanas, greve de que os jornais não falam, a não ser publicando os diversos e por vezes incoerentes e inverosímeis comunicados das autoridades académicas. A música continua a ser monoral. (...) Está uma manhã cheia de sol, contrastando com o pluvioso e cinzento dia de ontem. Pela janela aberta chegam‑me aos ouvidos o chilrear dos pássaros e os discursos transmitidos pelos autofalantes, na cerimónia que se realiza a dois passos daqui, entrecortados por salvas de palmas. (NSF - 1969.06.10)
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(...)
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Isto por cá não anda muito bom. As greves sucedem‑se diariamente - só por portas travessas se sabe - e as deserções do exército, nomeadamente dos oficiais milicianos, continuam a verificar‑se. Entretanto o problema do Ultramar continua a ser explorado emocionalmente, com completo desrespeito pelos interesses do povo português. A emigração aumenta. A nau mete água por muitos rombos. (NSF - 1970.07.18)
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(...)
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No Giraldo Square erguem-se bancadas e toldos, que vedavam ao trânsito automóvel a rua da Selaria (ou 5 de Outubro). O Giraldo é uma "bancadaria" para [comemorações d]o 10 de Junho, que este ano deve ser comemorado em grande, para compensar os desastres que se vão averbando na Guiné e no Norte de Moçambique. (...) Domingo próximo, em Portugal de lés‑a‑lés, viver‑se‑ão jornadas de fervor patriótico! (MCG - 1973.06.07)
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(...)
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Ontem à noite (1973.10.24), no regresso de Arraiolos, muitos Mercedes a caminho de Évora, onde às 21:30 alentejanos cinzentos de ar sisudo aguardavam ordeiramente o início da sessão de propaganda da ANP [Acção Nacional Popular]. Debaixo dos arcos [arcadas], uma fila de homens, com ar humilde e jeito de rebanho descido da camioneta, dirigia‑se para o cinema onde se realizaria a tal sessão. A Oposição não comparecerá as eleições no domingo. O Marcelo [Caetano] bater‑se‑à contra nada. (MCG - 1973.10.25).
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(...)
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Levanto os olhos e vejo muitos magalas, na sua farda verde oliva. Andam também pelas ruas, aos grupos, espalhafatosos, como quem já tem o seu grão na asa. "Cheira‑me" que haverá dentro em breve mais um contingente para a guerra em África. Alguns escrevem, curvados sobre o papel, a caneta firme na mão, como quem não está habituado a frequentes escrituras. Parecem rapazes muito novinhos; uns conversam, irrequietamente, outros têm um ar absorto, ausente.
(MCG - 1973.11.26)
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(...)
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Hoje foi o Dia da Polícia e está explicado porquê toda a semana têm desfilado pelas ruas da cidade: preparação do grande acontecimento, em que estrearam os capacetes cinzentos com viseira protectora, espingarda de baioneta calada ao ombro, deixando, na esquadra, o escudo protector das pedradas dos manifestantes. 50 000 mil contos teria sido a quantia gasta nos últimos tempos pelo Governo para equipar a polícia. Ah! Ah! Os tempos vão desassossegados! (1974.03.12)
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(...)
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Dizia a BBC ontem que prosseguia o chamado "julgamento" das 3 Marias (Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa) autoras dum livro chamado "Novas Cartas Portuguesas" sobre problemas da mulher portuguesa, que a acusação pública considera pornográfico e ofensivo da moral e dos bons costumes. Mas uma das testemunhas de defesa, Maria Emília... , afirmou que ofensivo da moral e dos bons costumes era o facto duma mulher não poder andar na rua e transportes públicos em Lisboa (e em Évora ?) sem ouvir piropos indecorosos e ser apalpada. Referiu também as vantagens que os homens da classe alta tiram impunemente da sua posição sobre as jovens das classes inferiores. (MCG - 1974.03.21)
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ler o resto em O Dia da RAÇA e o que mais se lerá
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Um 1º de Maio no tempo do fascismo

O 1º de Maio é um dia dos trabalhadores comemorado em muito países desde 1889, por vezes em festa mas quase sempre em luta por melhores condições de vida e de trabalho. O mesmo sucedeu em Portugal na longa noite fascista, apesar de repressão e da negação de direitos elementares, como os de associação, manifestação e reunião.

Ao folhear jornais desse tempo encontramos o 1º de Maio de 1962 segundo o Diário de Notícias de 3 de Maio, de que transcrevemos partes essenciais, mantendo os subtítulos originais: (...)

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continua em Um 1º de Maio no tempo do fascismo - Victor Nogueira

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Arraiolos - Inquéritos às Condições de Vida e de Trabalho (1973)

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Arraiolos

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Os inquéritos vão correndo. Não acredito no trabalho que estou fazendo - uma maneira do Ministério das Corporações e Previdência Social despender umas massas dos contribuintes sem que para eles advenham benefícios. Com uma semana de inquéritos sou capaz de fazer um relatório sobre a situação dos trabalhadores do concelho de Arraiolos, que não diferiria muito dos resultados que se virão a apurar com o tratamento estatístico das informações obtidas. Qualitativamente melhor. A maioria das respostas parecem tiradas a papel químico.
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continua em
O Alentejo Rural - antes e depois de Abril - Victor Nogueira
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Evolução de Évora – a situação em 1975


A Rádio Renascença transmite "Os Vampiros", do Zeca Afonso! Rei morto, Rei posto! A Junta de Salvação Nacional, como a si própria se intitula, abre a tarracha e já hoje tornou público o seu programa, cujo ponto limite é a realização de eleições gerais para a Assembleia Constituinte e Presidente da República no prazo de 12 meses.

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No café Estrela, velhos falam dizendo que os jovens de agora são melhores que no seu tempo: "A gente também não concordava com o Salazar mas nunca tivemos coragem de fazermos o que eles fizeram.". Nas imagens que a RTP transmite a nota dominante entre os manifestantes e os mirones era a juventude. Outro velho diz que nunca foi marcelista. (MCG - 1974.04.26)

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continua em OS DIAS DA REVOLUÇÃO (notas soltas) - Victor Nogueira

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Bónus
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Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em Setúbal
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O que sucedeu a 28 de Maio 28 de mayo 28 mai May 28 28 maggio


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Quanto à correspondência violada [pela PIDE], por razões que desconheço, só seguiam recortes de jornais relatando o que se tem passado na Assembleia Nacional.(...) Daqui para o futuro acompanharão os recortes uma lista detalhada dos mesmos e irão lacrados. Farto de malandros ando eu. (NSF - 1971.06.30)
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