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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Alfredo Barroso - Crimes de guerra não foram só os da Alemanha, da Itália e do Japão

 


LIVROS SOBRE O IMPERIALISMO OCIDENTAL, EUROPEU E AMERICANO, E A ARROGÂNCIA E GANÂNCIA DO PODER DOS ESTADOS-UNIDOS

- livros sugeridos por Alfredo Barroso, porque, se fossem lidos pela esmagadora maioria dos comentadores epecialistas das TV's privadas, eles perceberiam melhor os disparates que proferem ao falarem do «imperialismo Russo»...

Alfredo Barroso

2026 02 26

HISTÓRIA E LITERATURA FIDEDIGNAS SOBRE CRIMES DE GUERRA COMETIDOS PELO OCIDENTE DESDE A II GUERRA MUNDIAL

Para não ser apenas eu a fruir dos livros da minha biblioteca, aqui vão cinco sugestões de leitura sobre história e literatura fidedignas acerca dos crimes de guerra cometidos pelo Ocidente, sobretudo pelo Reino Unido, durante a II Guerra Mundial. E pelos Estados-Unidos da América desde então até à actualidade. Ei-las:

«DER BRAND. DEUTSCHLAND IM BOMBERKRIEG, 1940-1945» («EL INCÊNDIO. ALEMANIA BAJO LOS BOMBARDEOS, 1940-1945), por JÖRG FRIEDERICH (2002) – Os bombardeamentos que assolaram as cidades, vilas e aldeias alemãs durante os cinco anos da II Guerra Mundial não têm paralelo na história. Foram bombardeadas mais de mil urbes e localidades. Trinta milhões de civis – na sua maioria velhos, mulheres e crianças – foram vítimas de cerca de um milhão de toneladas de bombas incendiárias e explosivas. Morreram mais de um milhão de civis e perdeu-se para sempre grande parte do património urbanístico, modelado desde a Idade Média.

Até à publicação deste livro, em 2002, nenhum relato histórico tinha oferecido uma narrativa sobre a verdadeira dimensão dos factos e o destino real das vítimas. O historiador berlinense JÖRG FRIEDERICH veio colmatar essa falta com esta obra sobre a campanha de destruição que os britânicos e os norte-americanos planearam e executaram, de forma sistemática, contra as cidades alemãs.

Com base em numerosas fontes, o autor mostra-nos a evolução e aperfeioçoamento das bombas, o seu efeito devastador no terreno, a experiência traumática da população refuguada em “bunkers” e caves, as mortes por calor e asfixia, a brutal pressão do ar e os gases tóxicos e o desmoronar de uma herança cultural de incomensurável riqueza.

JÖRG FRIEDERICH (nascido em 1944) investigou os delitos de Estado do nazismo e os seus crimes de guerra. Colaborou na ‘Enciclopédia do Holocausto’ e produziu inúmeras séries de televisão sobre Criminologia da Guerra, tanto terrestre como aérea. Foi galardoado com diversas distinções internacionais em virtude dos seus trabalhos.

«LUFTKRIEG UND LITERATUR» («HITÓRIA NATURAL DA DESTRUIÇÃO»), por W. G. SEBALD (1999) – Através deste texto magistral, o grande escritor W.G.Sebald (1944-2001) revela como os bombardeamentos massivos do solo alemão pelas tropas aliadas, nos últimos meses da II Guerra Mundial, se tornaram um tabu no seio da sociedade e da literatura alemãs. Rejeitando o sentimento de culpabilidade dos intelectuais alemães, que falseia o seu julgamento tanto quanto a sua inspiração estética, W. G. Sebald preencheu a lacuna por uma evocação à sua maneira desses “raids de aniquilação total” que custaram a vida a cerca de um milhão de civis alemães.

«Da destruição como elemento da história natural» é uma obra incisiva e poderosa, ilustrada por fotos e documentos, que torna palpável o sofrimento do seu país, escrita por um dos mais notáveis escritores contemporâneos, W. G. Sebald, autor de várias obras marcantes como: “Os Emigrantes” (1999); «Os Anéis de Saturno» (1999); «Vertigens” (2001); e «Austerlitz» (2002).

(Edição portuguesa da TEOREMA)

«HIROSHIMA», por JOHN HERSEY (1946 e 1986) – Este é o livro mundialmente mais conhecido do jornalista e escritor norte-americano John Hersey (1914-1993). Publicado pela primeira vez em quatro capítulos pela revista ‘New Yorker’, em 1946, John Hersey acrescentou um quinto capítulo em 1986. Este livro publica a versão integral.

Quando a bomba atómica alcunhada ‘Little Boy’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade japonesa de Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, a menina TOSHIKO SASAKI, funcionária do departamento de pessoal da Fábrica de Estanho do Leste Asiático, estava a conversar com uma colega. O dr. MASAKAZU FUJII, proprietário e único médico de um hospital, acabara de instalar-se com todo o conforto no seu alpendre. A senhora HATSUIO NAKAMURA, viúva, estava à janela a observar uma cena estranha. O padre WILHELM KLEINSORGE, sacerdote alemão, lia uma revista jesuíta. O jovem cirurgião TERUFUMI SASAKI caminhava pelo corredor dum hospital com uma amostra de sangue destinada a um teste Wassermann. O reverendo KIIOSHI TANIMOTO, pastor da Igreja Metodista de Hiroshima, preparava-se para descarregar o conteúdo de um carro de mão numa casa dos subúrbios da cidade.

«A bomba atómica [de Hiroshima] matou cem mil pessoas, e estas seis contavam-se entre os sobreviventes. E ainda se interrogam como foi possível sobreviverem quando tantas outras pereceram».

Ao mesmo tempo que o holocausto produzido pelo nazismo está presente na memória social, ‘o outro holocausto’ seu contemporâneo parece ter-se diluído na existência irreal dos homens. E, no entanto, o emprego da arma atómica contra duas cidades japonesas [a bomba atómica ‘Fat Man’ foi lançada pelos EUA sobre a cidade japonesa de Nagasaki em 8 de Agosto de 1945] constitui uma denegação de sentido equivalente aos extermínio das «raças inferiores» pelos nazis. Auschwitz e Hiroshima são duas marcas do terror absolutamente contíguas, constituindo as figuras máximas da descivilização no século XX: os campos da morte e o emprego militar da energia atómica.

(Edição portuguesa da ANTÍGONA)

«CHAIN OF COMMAND» («DOMMAGES COLLATÉRAUX. LA FACE OBSCURE DE LA “GUERRE CONTRE LE TERRORISME”), por SEYMOUR HERSH (2004) – Nesta obra impressionante, o grande jornalista norte-americano Seymour Hersh deslinda para nós o complicado feixe de manipulações e de manobras que conduziram ao ataque contra o World Trade Center e ao escândalo das torturas na prisão do Exército dos EUA em Abu Ghraib, no Iraque. Alimentado por inúmeras confidências de «fontes» altamente colocadas, o relato de Seymor Hersh faz-nos mergulhar no próprio coração do poder americano. Quer se trate das manigâncias da ‘Cabala’, o pequeno grupo de neo-conservadores que ‘fabricaram’ a guerra no Iraque; quer se trate do relatório confidencial de 2002 denunciando as torturas em Guantanamo Bay, prefiguração directa do que iria acontecer em Abu Ghraib; quer se trate da operação ‘Anaconda’, durante a qual os ‘GI’, por incompetência do seu comando, deixaram escapar Ossama Bin Laden…

Vale a pena salientar que nem uma das informações reveladas neste livro por Seymor Hersh foi desmentida pela Administração, cuja única resposta foi: «Seymour Hersh é um mentiroso».

Este livro lê-se como um antídoto à desinformação.

SEYMOUR M. HERSH (nascido em 1937) é já uma lenda do jornalismo de investigação. Durante quatro décadas, foi uma ‘pedra no sapato’ de todos os Presidentes que se sucederam na Casa Branca, por causa das suas investigações exemplares. Foi ele que revelou o terrível massacre de My Lai, cometido em Novembro de 1969 por tropas dos EUA durante a Guerra do Vietnam. Jornalista independente, trabalhou muitos anos para o ‘New York Times’ e foi grande repórter da revista ‘New Yorker’. Publicou vários livros sobre as suas investigações e foi galardoado com o Prémio Pulitzer (de Jornalismo).

«DIRTY WARS, THE WORLD IS A BATTLEFIELD» («DIRTY WARS, LE NOUVEL ART DE LA GUERRE») por JEREMY SCAHILL (2013) – Um Exército secreto. Uma Missão sem fronteiras. Uma Guerra sem fim. A leitura desta obra-prima do jornalismo de investigação tem o efeito dum electrochoque. Jeremy Scahill leva-nos longe das frentes oficiais, lá onde bem poucos jornalistas conseguem chegar e onde o Estado toma o gosto por práticas inconfessáveis. E o Presidente dos EUA Barak Obama (2009-2017), com os seus ‘drones’ assassinos, foi um dos mais flagrantes exemplos.

Nesta impressionante investigação que assume a forma de um ‘thriller’, Jeremy Scahill foca o projector nas manobras clandestinas do Joint Special Operations Command (JSOC), esse corpo de exército colocado directamente sob as ordens da Casa Branca, munido de uma autorização para matar com toda a impunidade, e para o qual o mundo não passa dum campo de batalha. Do Afeganistão ao Yémen, passando pelo Paquistão, pela Somália e pelos Estados-Unidos, o jornalista dá a palavra às vítimas dessa guerra suja (‘dirty war’), às famílias destruídas, homens e mulheres que têm de escolher entre a dor resignada e a ‘djihad’ contra uma América deveras sanguinária.

JEREMY SCAHILL é jornalista de investigação e correspondente de guerra da revista americana ‘The Nation’. É também autor de “Blackwater: a ascensão do exército privado mais poderoso do mundo”. Depois de ter participado na revelação do escândalo ‘Prism’, com os jornalistas Glenn Greenwald e Laura Poitras, Jeremy Scahill fundou ‘The Intercept’, uma revista on-line que difunde nomeadamente as informações reveladas por Edward Snowden.

Este seu livro foi considerado um dos 10 melhores livros do ano de 2013 nos Estados-Unidos da América pela “Publishers Weekly”.

Campo d’Ourique, 26 de Fevereiro de 2026 (e 29 de Julho de 2022)

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terça-feira, 5 de agosto de 2025

John Hersey - “Hiroshima” (excertos)

 

Alfredo Barroso
2 d
 ·
No dia 6 de Agosto de 1945, às 8 horas e 15 minutos (locais) da manhã

BOMBA ATÓMICA DE URÂNIO LANÇADA SOBRE HIROSHIMA, DE UM AVIÃO DA FORÇA AÉREA DOS EUA, FAZ MAIS DE 100 MIL MORTOS!
- recorda Alfredo Barroso com a ajuda do jornalista John Hersey

Aconteceu há 80 anos, seis meses depois de eu ter nascido em Roma. Foi exactamente às oito horas e quinze minutos da manhã do dia 6 de Agosto de 1945, hora japonesa, que uma bomba atómica de urânio - alcunhada “Little Boy” e lançada do avião “Enola Gay” da USA Air Force - deflagrou a cerca de 600 metros de altura sobre a cidade japonesa de Hiroshima, matando imediatamente mais de cem mil (100.000) pessoas, infligindo sofrimentos brutais aos sobreviventes e causando uma devastação terrível na cidade e arredores.

Como escreveu o jornalista e escritor John Hersey, no seu famoso livro intitulado “Hiroshima”, citando um dos sobreviventes, o reverendo Kiioshi Tanimoto, pastor da Igreja Metodista de Hiroshima

* John Hersey

«Foi então que um tremendo clarão rasgou o céu. O reverendo Kiioshi Tanimoto lembra-se perfeitamente que o clarão percorreu o firmamento de nascente para poente da cidade em direcção às colinas. Parecia uma lâmina de luz»...

«(Quase ninguém em Hiroshima se lembra de ter ouvido qualquer barulho provocado pela bomba. Porém, um pescador a bordo da sua sampana, no mar interior perto de Tsuzu, o homem em cuja casa viviam a sogra e a cunhada do reverendo Tanimoto, viu o clarão e ouviu uma tremenda explosão; separavam-no de Hiroshima mais de 30 quilómetros, mas o barulho foi maior do que quando os B-29 atingiram Iuakuni, situada apenas a oito quilómetros)»…

«(…) De cima de uma pequena elevação, o reverendo Tanimoto ficou perplexo com o que viu. Não só uma parte de Koi [nos subúrbios], como pensara, mas tudo o que conseguia vislumbrar de Hiroshima através da atmosfera nublada, exalava um miasma espesso e profundamente desagradável. Nuvens de fumo começavam a elevar-se por entre a poeira um pouco por todo o lado. O reverendo Tanimoto tentou perceber como fora possível que tamanha destruição tivesse saído de um céu silencioso; mesmo poucos aviões, voando a grande altitude, teriam sido audíveis. As casas ali perto estavam a arder, e quando enormes gotas de água do tamanho de berlindes começaram a cair, chegou a pensar que eram provenientes das agulhetas dos bombeiros que combatiam as chamas. (De facto, tratava-se de gotas de humidade condensada provenientes da turbulenta coluna de poeira, de calor e fragmentos de fissão que já se elevara quilómetros no céu por cima de Hiroshima.)»…

«(…) O dr. Masakasu Fujii, médico, que só tinha vestida a roupa interior, via-se agora sujo e encharcado. A camisola interior estava toda rasgada, cheia do sangue que lhe saía de feridas profundas no queixo e nas costas. Nesse estado de confusão e desalinho caminhou até à ponte Kio, ao lado da qual se situara o seu hospital. A ponte continuava de pé. Via tudo baço sem os óculos, mas enxergava o suficiente para se espantar com o número de casas destruídas por todo o lado. Na ponte encontrou um amigo, um médico chamado Machii, e ainda estupefacto perguntou-lhe: “O que achas que foi isto?”. O dr. Machii respondeu-lhe: “Deve ter sido um ‘Molotoffano hanacago’”, um cesto de flores Molotov, o delicado nome japonês para “bread basket” ou cacho de bombas de dispersão automática.

«No início, o dr. Fujii conseguia ver apenas dois fogos, um que se estendia para o outro lado do rio a partir do sítio onde estivera o seu hospital, e outro bastante mais para sul. Contudo, ele e o amigo observavam algo que os intrigava e que, na qualidade de médicos, discutiam entre si: apesar de até ao momento haver poucos fogos, via-se gente ferida a atravessar a ponte num passo apressado, numa fila infindável de sofrimento, exibindo muitas pessoas queimaduras horríveis na cara e nos braços. “Como explicas isto?”, perguntou o dr Fujii. Até uma teoria era uma coisa reconfortante nesse dia e o dr. Machii agarrou-se à dele: “Talvez fosse um cesto de flores Molotov”»…

«(…) Nas vésperas do 1º aniversário do bombardeamento, o reverendo Kiioshi Tanimoto escreveu, numa carta a um americano, palavras a exprimir o sentimento com que os sobreviventes tinham enfrentado uma provação terrível: "Que cena dilacerante a da primeira noite! Cerca da meia-noite atraquei na margem do rio. Havia tanta gente ferida deitada no chão que abri caminho saltando por cima deles. Repetindo 'desculpem', fui avançando com uma vasilha de água na mão, distribuindo-a por cada um deles. Erguiam lentamente o corpo e aceitavam a caneca com uma vénia, bebendo silenciosamente; depois, despejando qualquer sobra, devolviam a caneca exprimindo calorosamente o seu agradecimento, e um até disse: 'Não pude socorrer a minha irmã, que ficou soterrada nos escombros da casa, porque tive de acorrer à minha mãe, que tinha uma ferida profunda num olho; a nossa casa pegou fogo e mal conseguimos escapar. Ouça, perdi a minha casa, a minha família, e acabei por ficar gravemente ferido. Mas agora vou a dedicar o tempo que me resta para acabar a guerra a bem do nosso país'. Era esta a promessa que formulavam, inclusive mulheres e crianças. Esgotado como estava, deitei-me junto deles, mas não consegui dormir. Na manhã seguinte reparei que estavam mortos muitos dos homens e mulheres a quem dera água na noite anterior. Mas, para grande espanto meu, nunca ouvi ninguém gritar com dores, apesar de se encontrarem em profundo sofrimento. Morreram em silêncio, sem rancor, cerrando os dentes para poderem aguentar. Tudo pelo país!"»…

«(…) Logo que puderam, os cientistas chegaram à cidade aos magotes. Alguns calcularam a força que fora necessária para deslocar pedras tumulares de mármore nos cemitérios, para virar 22 das 47 carruagens estacionadas nos cais da estação ferroviária de Hiroshima, para levantar e mover o pavimento de betão numa das pontes e para provocar outros feitos dignos de registo, concluindo que a pressão exercida pela explosão variou ente 5,3 e 8 toneladas por quilómetro quadrado. Outros descobriram que a mica, cujo ponto de fusão é de 900 graus Celsius, derretera nas pedras tumulares de granito a uma distância de 345 metros do centro; que os postes de telefone feitos de ‘Cryptomeria japonica’, cuja temperatura de carbonização é de 240 graus Celsius, ficaram carbonizados a quatro quilómetros do centro e que a superfície das telhas de barro cinzento do tipo usado em Hiroshima, cujo ponto de fusão é de 1300 graus Celsius, se dissolvera a 550 metros do centro. Depois de terem examinado outras cinzas e fragmentos fundidos relevantes, concluíram que o calor libertado pela bomba no centro junto ao solo devia ter atingido os 6000 graus Celsius. E a partir de ulteriores medições de radiação, que implicaram, além de outros passos, a raspagem de fragmentos de fissão em caleiras e em algerozes tão longe quanto o subúrbio de Takasu, a três quilómetros do centro, ficaram a conhecer factos muito mais importantes acerca da natureza da bomba. O Quartel-General do general MacArthur censurava sistematicamente qualquer referência à bomba nas publicações científicas japonesas, mas não foi preciso muito tempo para que o resultado dos cálculos dos cientistas fosse do conhecimento comum entre físicos, médicos, químicos, professores e jornalistas japoneses e, sem dúvida, entre os políticos e militares ainda em circulação. Muito antes da divulgação pública aos norte-americanos, já a maioria dos cientistas e de muitos não cientistas do Japão sabia – a partir dos cálculos dos físicos nucleares japoneses – que uma bomba de urânio explodira em Hiroshima e outra mais potente, de plutónio, em Nagasaki. Sabiam ainda que em teoria era possível desenvolver uma bomba dez ou vinte vezes mais potente»…

(Todas as citações e excertos tirados do livro «HIROSHIMA», do jornalista e escritor JOHN HERSEY (1914-1993), publicado em Portugal pela ANTÍGONA, em 1997, com tradução de Fernando Gonçalves, revisão e anexos de Júlio Henriques) 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Alfredo Barroso - OS INCÊNDIOS ATEADOS PELO "OCIDENTE" NA "ERA DOS EXTREMOS"


* Alfredo Barroso 

(que se limitou a actualizar de 140 para 160 anos a 1ª linha do texto publicado originalmente no 'Expresso' há 20 anos*)

Há 160 anos, em Setembro de 1864, no decurso da Guerra da Secessão americana (ou «Civil War», se preferirem), o general «nortista» William Sherman (que deu o nome a carros de combate) conquistou a cidade de Atlanta e mandou incendiá-la. Tal como faria em Savannah, no final de 1864, depois de ter devastado a Geórgia. Mas o incêndio de Atlanta é o mais conhecido e popular, por ter sido reconstituído em uma cena aterradora do filme «E Tudo o Vento Levou». 

A Guerra da Secessão americana (1861-1865), uma das mais brutais de todos os tempos, custou para cima de um milhão de mortos, embora só se saiba, com precisão, quantos militares morreram de ambos os lados. Ao todo, 617 mil mortos (359 mil entre os «nortistas» vitoriosos; 258 mil entre os «sulistas» derrotados). Quanto a vítimas civis, não é apresentado um número exacto, mas todos os especialistas concordam em apontar para «centenas de milhares» de mortos e feridos. 

O mesmo se passa em relação ao genocídio dos índios americanos [os ameríndios], que começou ainda antes da Guerra Civil e atingiria o auge bastante depois, em Dezembro de 1890, com o célebre «massacre de Wounded Knee», onde os soldados do famoso «7º de Cavalaria» se vingaram da derrota que os Sioux (chefiados por Crazy Horse e Sitting Bull) tinham infligido ao regimento (então comandado pelo general Custer) em Little Big Horn, no Verão de 1876. Além de ser um «castigo», a chacina dos amerindios foi um genocídio institucional (uma «sanção política do conquistador») e utilitário (uma «exploração da conquista colonial») no contexto da corrida para conquistar o Oeste («Go West»), apresentada, paradoxalmente, como um exemplo da «modernidade». Assim se consolidou, no século XIX («A Century of Dishonor», como escreveu Helen Hunt Jackson, em 1881), o país que hoje se considera  «farol» da «civilização ocidental» e «campeão» da liberdade contra a «barbárie».

Mas seria durante todo o século XX - «A Era dos Extremos», como lhe chamou Eric Hobsbawm - que a «civilização ocidental» revelaria toda a sua capacidade para praticar genocídios, crimes de guerra, massacres e carnificinas. Em suma: destruição e morte a uma escala nunca antes imaginada. Hitler - com o genocídio de judeus (holocausto), ciganos e opositores - e Estaline - com o genocídio pela fome na Ucrânia e com o Arquipélago do Gulag (entre o Estreito de Behring e o Mar Negro, atravessando as regiões mais inóspitas da Sibéria) - assassinaram milhões de seres humanos, em nome da «civilização», do «homem novo» e da «modernidade». Um e outro ocupam, indiscutivelmente, lugares no topo da escala do «terror». 

Mas aparecem depois, a uma distância que não é assim tão grande quanto se julga, os «Aliados», sobretudo os EUA e a Grã-Bretanha, com os «crimes de guerra» que cometeram, quer na na Alemanha equer no Japão, durante a II Guerra Mundial. As duas bombas atómicas largadas pelos bombardeiros americanos B-29 «Enola Gay» e «Great Artist» (que belos nomes!) sobre Hiroshima e Nagasaki, em 6 e em 9 de Agosto de 1945, mataram, imediatamente e a curto prazo, mais de 200 mil civis. Isto é, mais do dobro dos civis chacinados pelos 279 bombardeiros americanos que arrasaram Tóquio no dia 19 de Março de 1945. Mas estas carnificinas não constituíram excepções. Durante cinco anos, mais de mil cidades, vilas e aldeias alemãs foram alvos de bombardeamentos brutais e constantes. Milhares de toneladas de bombas explosivas e incendiárias atingiram 30 milhões de civis - sobretudo velhos, mulheres e crianças- matando mais de um milhão, numa série de ataques planeados e executados com minúcia, e de forma sistemática, por «peritos» norte-americanos e britânicos. O objectivo foi o de causar a maior devastação possível, provocando o terror entre a população civil. As bombas foram especialmente aperfeiçoadas para atear incêndios e matar civis, não só pelo impacto, mas também pelo calor asfixiante, pela compressão do ar e pelos gases tóxicos.

É isto que o historiador berlinense Jörg Friederich descreve, num livro aterrador, intitulado «O Incêndio, a Alemanha sob as bombas, 1940-1945». Autor insuspeito, também se distinguiu a investigar os crimes de guerra nazis e foi colaborador da «Enciclopédia do Holocausto». Em complemento, vale a pena ler o ensaio do escritor alemão W.G. Sebald «Sobre a História Natural da Destruição», em que o autor reflecte sobre a tragédia alemã, concluindo que, nem por ter sido merecido, o castigo infligido à Alemanha foi menos brutal. A decisão de incendiar cidades alemãs, reduzindo-as a cinzas, provocando o que tecnicamente se chama «tempestade de fogo», leva-nos a concluir que «todos perderam a razão, porque o indivíduo desapareceu sob o horror em massa». A tecnologia foi posta ao serviço do terror com uma precisão implacável.

Sobre as origens desse terror e sua actualidade neste «mundo globalizado», de cuja «modernidade» o «Ocidente» tanto se orgulha, convém ler o livro de John Gray, «A Al-Qaeda e o significado de ser moderno», já publicado em Portugal. Chega-se à conclusão de que não foram os «ocidentais» a aprender os métodos de terror com os «bárbaros». É bem mais provável que tenham sido os «bárbaros» a aprender a praticar o «terror» com os «ocidentais». O pretenso «choque de civilizações» só serve para alimentar «guerras santas» e «vinganças de Deus». Noutro ensaio notável, «A Fractura Imaginária», sobre «as falsas raízes do confronto entre Oriente e Ocidente», o libanês Georges Corm critica o «discurso narcisista do Ocidente», que se fecha sobre si próprio e que faz da pretensa «excepcionalidade ocidental» um absoluto, condenando os outros à «barbárie». Como se vivêssemos num mundo maniqueu, dividido entre o Céu e o Inferno, entre o Bem e o Mal, entre um Ocidente exemplar - «racional, laico, técnico, materialista e democrático» - e um Oriente abominável - «místico, irracional e violento». São mitos perigosos.  

É essa «fractura imaginária» - já denunciada por Edward Said no seu magnífico ensaio sobre o «Orientalismo» (só agora publicado em Portugal) - que é preciso refutar. Porque é ao abrigo de tais mitos que florescem os apelos ao autoritarismo e se invoca o terrorismo como pretexto para limitar as liberdades e condicionar a democracia. Não é com «democracias musculadas» e «guerras preventivas» baseadas em mentiras que se combate o terrorismo. Com as «bombas inteligentes» só se ateiam mais incêndios! 

(*) O texto original foi publicado no 'Expresso" de 18/Setembro/2004


2024 12 26
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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Manuel Augusto Araújo - Hiroshima, Meu Amor




Hiroshima, Meu Amor

* Manuel Augusto Araújo
9 Agosto 2018

Alain Resnais tinha realizado um notável documentário sobre os campos de concentração nazis “Noite e Nevoeiro”.Encomendaram-lhe outro sobre Hiroxima, um documentário sobre e contra a bomba atómica. Fazia todo o sentido. O mundo vivia o pesadelo da ameaça nuclear, depois de os EUA terem desnecessariamente bombardeado Hiroxima e Nagasáqui, com Truman a declarar que «a bomba atómica é mais uma arma no arsenal da justiça» e de ter pontuado o discurso ao Congresso em que estabeleceu o que ficou conhecido como Doutrina Truman, com frases do tipo «Deus guiou os Estados Unidos da América quando lançou a bomba atómica» que ainda hoje devem fazer ficar roxos de inveja os califas do estado Islâmico, qualquer defensor da paz e cooperação mundial estava justificadamente alarmado apesar da União Soviética ter reposto o equilíbrio armamentista com o primeiro teste da bomba atómica em 1949 e da bomba de hidrogénio em 1955. A corrida às armas nucleares estava aberta. Uma espada de Dâmocles estava presa por um fino fio sobre o universo.

Resnais decidiu não correr o risco de fazer uma variante de“Noite e Nevoeiro”, por mais excelente que fosse. Conhecendo bem os romances de Marguerite Duras encomendou-lhe o guião de que resultou Hiroxima, Meu Amora primeira longa-metragem do realizador. A protagonista diz uma frase muito perturbadora naquela época «Se podemos fazer filmes para vender sabão, por que não para vender a paz?», premonitória dos nossos tempos em que as estratégias de marketing invadem e substituem os debates políticos, Trump e Macron aí estão para o demonstrarem.

«Hiroxima, meu amor» é uma história de paixão entre uma actriz francesa que vai a Hiroxima rodar um filme sobre a paz, e um arquitecto japonês que participou da reconstrução da cidade destruída pela bomba. Resnais mostra-a nos corpos das vítimas calcinadas pelas cinzas, deformados pelos efeitos das radiações. Violência sublinhada pelo obsessivo recitativo entre os dois amantes em que ela repete que viu tudo e ele insiste em que ela nada viu: «Sim, eu vi tudo em Hiroxima», «Não, não viste nada em Hiroxima.» A violência desumana da bomba é excessiva para ser visualizada.

É uma história de amor impossível, condenada pelas circunstâncias, o arquitecto é casado tem vida estabilizada, ela abandonará o Japão acabado o seu trabalho. Amores impossíveis em contextos políticos complexos, nada inesperados em Duras, refiram-se O Amante, O Amor, Moderato Cantabile que o faz sempre ainda que muitas vezes de forma subliminar.

História de amor progressivamente substituída por memórias e pela impossibilidade do esquecimento. As memórias recentes e visíveis do ataque nuclear despertam as memórias vividas pela actriz na II Guerra Mundial em França, em Nevers, sua terra natal. O romance proibido do seu primeiro amor, tinha dezoito anos, por um jovem oficial da Wehrmacht. No final da guerra, ele é morto pelos resistentes, a ela rapam a cabeça. Vive o opróbio e a loucura do seu amor escondida pelos pais numa cave.

Memórias que se cruzam durante todo o filme numa relação poética entre a catástrofe colectiva e a tragédia pessoal que Resnais utiliza de forma extraordinária para representar e condenar a inominável dor provocada pelo absurdo ignóbil e inqualificável que foram os bombardeamentos de Nagasáqui e Hiroxima.

Alain Resnais em Hiroxima meu Amor, realiza um filme superlativo em que filma o que é irrepresentável e indizível, contestando Adorno que tinha afirmado que depois de Auschwitz os poemas eram impossíveis. O texto obsessivo de Duras, as elipses narrativas a captar o que parece impossível, a montagem de associações e analogias, a utilização radicalmente inovadora do flash-back, a sucessão entre tempos rápidos e lentos, fazem deste filme, que é um filme sobre a instabilidade de um mundo em decomposição, um filme sem precedentes e único na história do cinema.

(publicado em Avante!, 9 Agosto 2018)
https://pracadobocage.wordpress.com/2018/08/09/hiroshima-meu-amor/

Manuel Pires da Rocha .A Rosa de Hiroxima


* Manuel Pires da Rocha 



A Rosa de Hiroxima

«Pensem nas crianças, mudas telepáticas. Pensem nas meninas, cegas inexactas. Pensem nas mulheres, rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas. Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa! Da rosa de Hiroxima, a rosa hereditária, a rosa radioactiva, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atómica. Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada». O poema «Rosa de Hiroxima» escreveu-o Vinicius de Moraes, mas a denúncia foi amplificada pelos brasileiros Secos & Molhados, na voz de Ney Matogrosso.

«Rosa de Hiroxima» é uma das muitas obras musicais, acompanhadas ou não por palavras, que contrariam a tese do «mal necessário» com que a propaganda dos EUA justificou (e justifica) os massacres de Hiroxima e Nagasáqui. Em 6 de Agosto de 1945, os Estados Unidos da América escolheram a população civil como alvo principal. «Little Boy», a bomba que viria a vitimar cerca de 140 mil habitantes de Hiroxima, explodiu a 500 metros do solo, lançada pelo bombardeiro Enola Gay («carinhosamente» baptizado com o nome da mãe do piloto da macabra missão). Este mesmo Enola Gay é o protagonista da canção de Orchestral Manoeuvres in the Dark, editada em 1980, num esforço mais de denúncia da ameaça nuclear, num momento histórico – o da Guerra Fria – de afirmação das intenções bélicas dos EUA e seus aliados da NATO. Se precisássemos de um rótulo para classificar Enola Gay, diríamos tratar-se de uma canção de intervenção disfarçada de pop britânico, viajando entre a serenidade no cockpit do avião e o horror provocado nas ruas de Hiroshima: «this kiss you give, it's never ever gonna fade away» (o teu beijo nunca vai desvanecer-se) é, afinal, o beijo de fogo no rosto de Hiroshima, envolvido nas palavras «isto nunca deveria ter terminado assim».

No segundo a seguir ao da explosão atómica, em Hiroxima soube-se que os EUA tinham inventado um novo som para a banda sonora das guerras. Foi esse som inimaginável que Krzysztof Penderecki procurou fixar em «Pranto Para as Vítimas de Hiroxima» (1960). Diz, da sua obra, o compositor: «A peça vivia apenas na minha imaginação, de uma forma algo abstracta. Quando Jan Krenz a gravou e eu pude então ouvi-la enquanto performance real, fiquei surpreendido pela carga emocional do trabalho. Considerei que seria um desperdício condená-lo ao anonimato - decidi dedicá-lo às vítimas de Hiroxima». São 52 cordas: violinos, violas, violoncelos e contrabaixos numa escrita surpreendente, na fronteira do ruído. Música irreal, rompendo os cânones da interpretação musical, do mesmo modo que Hiroxima dizimada rompeu a própria noção de flagelo. Nos cerca de nove minutos em que o Pranto se desenrola, os instrumentos sucedem-se em ondas sonoras iguais às «camadas» de sofrimento por que passou o povo de Hiroxima, do espanto à dor, do medo à morte, da existência ao pó.

Muitos mais cantaram Hiroxima, sempre ao contrário da historiografia dominante, mil vezes difundida e mil vezes repelida pelos mais diversos cantos - desde a partitura de John Adams e Peter Sellars («Doctor Atomic») à composição «Peace on Earth», de John Coltrane, passando pelo canto avisado de Pete Seeger e dos Byrds («I Come and Stand on Every Door», sobre um poema de Nazim Hikmet), de Paul McCartney e Yoko Ono («Hiroshima Sky Is Always Blue»), dos Baron Rojo («Hiroshima»), de Robert Wyatt («Foreign Accents»), de Sílvio Rodriguez («Cita Com Los Angeles»), de Francisco Fanhais («Cantata da Paz», num poema de Sophia de Mello Breyner Andersen), entre muitos outros.

Uma e outra vez, desde 6 de Agosto de 1945, Hiroxima é cantada sob a forma de aviso, de lição, de bandeira. De todas as coisas que «nunca mais», Hiroxima é das primeiras. E Georges Moustaki diz porquê: «Por todos os sonhos calcados / pela esperança abandonada / em Hiroxima, ou mais além / talvez ela venha amanhã – a Paz!». 

http://www.avante.pt/pt/2332/argumentos/150963/A-Rosa-de-Hiroxima.htm

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Primo Levi - Poichè l'angoscia di ciascuno è la nostra

* Primo Levi

Poichè l'angoscia di ciascuno è la nostra
ancora riviviamo la tua, fanciulla scarna
che ti sei stretta convulsamente a tua madre
quasi volessi ripenetrare in lei
quando al meriggio il cielo si è fatto nero.

Invano, perché l'aria volta in veleno
é filtrata a cercarti per le finestre serrate
della tua casa tranquilla dalle robuste pareti
lieta già del tuo canto e del tuo timido riso.

Sono passati i secoli, la cenere si è pietrificata
a incarcerare per sempre codeste membra gentili.

Così tu rimani fra noi, contorto calco di gesso,
agonia senza fine, terribile testimonianza
di quanto importi agli dei l'orgoglioso nostro seme.

Ma nulla rimane fra noi della tua lontana sorella,
della fanciulla d'Olanda murata fra quattro mura
che pure scrisse la sua giovinezza senza domani:
la sua cenere muta é stata dispersa dal vento,
la sua breve vita rinchiusa in un quaderno sgualcito.

Nulla rimane della scolara di Hiroshima,
ombra confitta nel muro dalla luce di mille soli.

Vittima sacrificata sull'altare della paura.

Potenti della terra padroni di nuovi veleni,
tristi custodi segreti del tuono definitivo,
ci bastano d'assai le afflizioni donate dal cielo.

Prima di premere il dito, fermatevi e considerate.


http://www.poesieracconti.it/poesie/a/primo-levi/nulla-rimane-della-scolara-di-hiroshima

Nazim Hikmet - LA BAMBINA DI HIROSHIMA

* Nazim Hikmet

“Apritemi sono io…
busso alla porta di tutte le scale
ma nessuno mi vede
perché i bambini morti nessuno riesce a vederli.

Sono di Hiroshima e là sono morta
tanti anni fa. Tanti anni passeranno.

Ne avevo sette, allora:
anche adesso ne ho sette perché i bambini morti non
diventano grandi.

Avevo dei lucidi capelli, il fuoco li ha strinati,
avevo dei begli occhi limpidi, il fuoco li ha fatti di vetro.

Un pugno di cenere, quella sono io
poi il vento ha disperso anche la cenere.

Apritemi; vi prego non per me
perché a me non occorre né il pane né il riso:
non chiedo neanche lo zucchero, io:
a un bambino bruciato come una foglia secca non serve.

Per piacere mettete una firma,
per favore, uomini di tutta la terra
firmate, vi prego, perché il fuoco non bruci i bambini
e possano sempre mangiare lo zucchero.”

in http://balbruno.altervista.org/index-796.html

Vinícius de Morais - Rosa de Hiroshima

*  Vinícius de Morais

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada


Link: http://www.vagalume.com.br/vinicius-de-moraes/rosa-de-hiroshima.html#ixzz3htdQytOt


Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A opinião dum leitor d'ali e d'aqui - Elson

 
http://www.exploratorium.edu/nagasaki/journey/07.jpg




http://atualrealidades.files.wordpress.com/2009/08/hiroshima02-full.jpg

Elson deixou um novo comentário na sua mensagem "Rosa de Hiroshima":


meus parabéns pelo blog, um dos mais organizados que já visitei espero que continue com o excelente trabalho pois sei que é muito difícil estar trabalhando e produzindo mesmo desenvolvendo conteúdos retirados da net. Novamente meus parabéns!!! 
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sábado, 8 de agosto de 2009

Rosa de Hiroshima - Vinícius de Morais

(foto da bomba atómica lançada sobre Nagasaqui)

http://www.organizacionislam.org.ar/images/genocidio/Hiroshima.jpg

Vinicius de Moraes

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Composição: João Apolinário / Gerson Conrradi
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Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
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ver
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Atomic bombings of Hiroshima and Nagasaki - Wikipedia, the free ...

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Agosto - Mais Brilhante que Mil-Sóis

Hiroshima após o bombardeamento/holocausto nuclear. O «senhor» abaixo nunca se arrependeu e dormiu sempre bem, pois limitara-se a cumprir ordens.
Nunca foi julgado nem a cadeia de comando até Harry Truman, como criminosos de guerra e genocidas, num qualquer Tribunal de Nuremberga.


Colonel Paul Tibbets waving from Enola Gay's cockpit before taking off for the bombing of Hiroshima. (USAF Photo)




Desenho de Tibuka





Quadro de Magritte
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