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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mohâmede ibne Abade Almutâmide (1040 - 1095)



Mohâmede ibne Abade Almutâmide é um dos grandes poeta do Islão e, certamente, como diz Nykl, o mais notável dos poetas hispano - árabes da segunda metade do século XI.
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Nascido em Beja, em 1040, de uma família de poetas, após ter governado, nominalmente, Silves, vem a ocupar o trono do reino taifa de Sevilha, em 1069, sucedendo a seu pai, o cruel e astucioso Almutâdid. Em 1091, para enfrentar, Afonso VI de Castela, solicita o auxílio de Yusuf ibn Tasufin, senhor dos Almorávidas. Este, após desbaratar as hostes cristãs, vira-se contra os reinos taifas, que conquista, um por um. Também Almutâmide é vencido, após dura peleja, e Sevilha conquistada. O infortunado rei é desterrado para Agmat, no interior de Marrocos, onde virá a morrer.
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Aí o poeta é forçado a uma existência de miséria e reduzido ao presídio e às grilhetas. Entre a memória de um passado auspicioso e um amargurado presente vive Almutâmide o seu drama pessoal, que exprime em versos de excepcional força lírica. Da adversidade faz uma elegia. Das tristezas do quotidiano extrai poesia: um bando de aves entrevisto das grades da cela; a grilheta que lhe rói o tornozelo …
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Morre em 1095, não sem antes ter escrito um poema para o seu epitáfio. A sua personalidade, o seu drama e arte comoveram a gente do seu tempo. Ainda hoje a sua memória, ligada à trágica amizade com ibn Ammar, permanece viva, muito em especial no mundo árabe; tanto assim, que o seu túmulo em Agmat é objecto de piedosas romagens de muçulmanos.
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Adalberto Alves 
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http://www.inforarte.com/cantando1/docs/Almutamide0.html
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Quarta-feira, Abril 01, 2009

Evocação de Silves




Eia, Abú Bacre, saúda os meus lares em Silves e pergunta-lhes
se, como penso, ainda se recordam de mim.

Saúda o Palácio das Varandas da parte de um donzel
que sente perpétua saudade daquele alcácer.

Ali moravam guerreiros como leões e brancas
gazelas. E em que belas selvas e em que belos covis!

Quantas noites passei divertindo-me à sua sombra
com mulheres de cadeiras opulentas e talhe fatigado

Brancas e morenas que produziam na minha alma
o efeito das espadas refulgentes e das lanças obscuras!

Quantas noites passei deliciosamente junto a um recôncavo
do rio com uma donzela cuja pulseira rivalizava com a curva da corrente!

O tempo passava e ela servia-me o vinho do seu olhar
e outras vezes o do seu vaso e outras o da sua boca.

As cordas do seu alaúde feridas pelo plectro estremeciam-me
como se ouvisse a melodia das espadas nos tendões do colo inimigo.

Ao retirar o seu manto, descobriu o talhe, florescente ramo
de salgueiro, como se abre o botão para mostrar a flor.


Mohâmede Ibne Abade Almutâmide - Rei Poeta
Beja (1040-1095)
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sempre bem-vinda, Maria Papoila II

Capitel árabe, Santarém, NOV2003, © António Baeta Oliveira


Maria Silvestre deixou um novo comentário na sua mensagem "Mértola - na rota islâmica (2)":

OS VIAJANTES da noite murmuram o teu nome
E as areias do deserto derramam sobre quem te pisa
O perfume do almíscar.
E na formosura da invocação sabemos da beleza do invocado
Como pelo verdor das margens se pressente o rio.

(Não nasceu em Mértlola, mas é um dos maiores poetas do Al-Andaluz. Desculpa se é a despropósito, não resisti comentar.)

IBN SARA



Sexta-feira, Dezembro 12, 2003

Ibn Sara, de Santarém
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Da minha viagem a Santarém, quero mostrar-vos ainda o belo capitel, do século XII, de que falava em A Xantarim e a Ibn Bassam.A ideia foi-me suscitada pela contemporaneidade e semelhança temática do poema de Ibn al-Milh, de Silves, que aqui transcrevi no passado dia 3 de Dezembro, e o poema que pretendo transcrever hoje, de:bn Sara, de Santarém (séc. XII)
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A Brisa e a Chuva
Buscas consolo no sopro do vento?
Em sua aragem há perfume e almíscar
Que até ti vem, ataviado de aromas,
Fiel mensageiro da tua doce amada.
ar prova os trajes das nuvens
E escolhe um manto negro.
Uma nuvem prenhe de chuva
Acena ao jardim, saúda-o
Vertendo lágrimas nas risonhas flores.
A Terra apressa a nuvem
Para que lhe acabe o manto.
E a nuvem com uma mão

Entretece fios da chuva
E com a outra vai-o enfeitando
Com um bordado a flores.
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ALVES, Adalberto
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O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1987
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posted by António Baeta 00:27
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003


Ibn Al-Milh, de Silves

  • Ibn al-Milh (*)

    O JARDIM brinca com a brisa
    Que, dir-se-ia, ser sua emissária
    No chamamento à festa da alvorada.

    Está ébrio, preso de seus ternos ramos,
    E quando os doces pássaros o cantam
    Ele vai repetindo essa canção.

    Não faltam flores, estratégicos espias
    com seus olhos vigiando namorados.
    E se destacam na folhagem verde
    como luz brilhando sobre as trevas.

ALVES, Adalberto
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1987

(*) Ibn al-Milh viveu em Silves no período da taifa dos abádidas, na sequência da queda do califado omíada. Filho de um poeta da corte de Al-Mu'tadid (pai de Al-Mu'tamid), teve sempre grande apego à sua Silves natal, nunca a trocando pela vida palaciana de Sevilha, apesar das insistências de Ibn 'Ammar.
(Nota do apostador)
posted by António Baeta 00:08
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