Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
segunda-feira, 9 de junho de 2025
José Gabriel - Proposta cultural – Pimbemos!
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
Olhares .. sobre a emigração portuguesa em França
QUINTA-FEIRA, 10 DE SETEMBRO DE 2015
PUBLICADO POR RICARDO M SANTOS
* Foto de Gérald Bloncourt (http://bloncourtblog.net/2014/07/l-immigration-portugaise.html)
* Texto original de Ricardo M. Santos em
http://manifesto74.blogspot.pt/2015/09/ei-los-que-chegam.html
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Bee Wilson - A evolução natural na cozinha

QUARTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO DE 2012
A evolução natural na cozinha
Bee Wilson desvenda «A História da Invenção na Cozinha»
Origem e evolução dos utensílios, a sua influência na textura, sabor e valor nutricional dos alimentos são o que oferece o livro «A História da Invenção na Cozinha», de Bee Wilson, editado pela Temas & Debates.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Fundação Saramago - 2º aniversário
A Fundação fez ontem dois anos. Como é costume dizer-se, parece que o tempo não passou. Se nos pusermos a traçar um balanço do que fizemos e do que sonhávamos, motivos não faltarão para afirmar que não tivemos um momento de descanso. Em primeiro lugar, a preocupação de decidir sobre o que melhor convinha à recém-nascida para que o passo seguinte que tivesse de dar fosse firme e futurível. Depois o trabalho de convencer os desconfiados de que não estávamos aqui para nos dedicarmos à contemplação do umbigo do patrono, mas para trabalhar em benefício da cultura portuguesa e da sociedade em geral. Não temos a pretensão de os haver feito mudar de ideias, nem então, nem agora, mas essa tarefa de esclarecimento público permitiu-nos levar as nossas ideias e as nossas propostas às pessoas de boa-fé, que felizmente não faltam neste país, por muito mal que dele se diga. A Fundação já pode apresentar uma folha de serviços, não só digna, mas prometedora. As obras da Casa dos Bicos, que visitámos há três dias, avançam com afinco, e é muito provável que em seis meses ou pouco mais tenhamos a chave na mão e possamos entrar livremente na casa que já é nossa, mas que o será muito mais quando estivermos em actividade plena. Queremos que o Campo das Cebolas faça parte dos itinerários habituais das pessoas para quem a cultura não é somente uma decoração superficial do espírito. Recordámos recentemente a obra e a vida de José Rodrigues Miguéis. O próximo, talvez em Janeiro do ano que vem, será Vitorino Nemésio. E depois Raul Brandão. As leis, tantas vezes injustas, da oferta e da procura no mercado das letras, demasiadas vezes têm feito com que grandes escritores do passado recente deixem de andar nas bocas do mundo. Tudo faremos para contrariar essa maléfica tendência. Temos muito trabalho por diante. Dois anos não são nada, mas a menina está de boa saúde e recomenda-se.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
PALAVRA DO BISPO - “Après moi le déluge” ?
| bispo diocesano | |
Escrito por Dom Paulo Sérgio Machado, bispo diocesano 09-Mai-200809-Mai-2008 | |
| PALAVRA DO BISPO Qual é a herança que estamos deixando para os nossos filhos? Estamos passando para eles, pelo nosso testemunho, o amor à vida, a alegria e a esperança tão necessárias? Que tipo de fé nós estamos comunicando?
Infelizmente há muita gente que adota esta “filosofia” de vida, alicerçada na famosa declaração de Luis XIV, o Rei Sol: “Après moi le déluge” (“depois de mim o dilúvio”), isto é, “depois de mim o mundo pode se acabar, o que importa sou eu”. Foi, na verdade, uma infeliz declaração que bem poderia figurar no rol das frases (mal) ditas, mas, convenhamos, seríamos ingênuos se pensássemos que este é um pensamento isolado. Ledo engano! Há milhares de pessoas que compartilham o pensamento de Luis XIV. Talvez usassem uma expressão diferente como “tô nem aí” ou “o mundo que se dane!”. Que mundo estamos construindo ou que herança estamos deixando para os nossos filhos? Vivemos num tempo em que as ações são desencadeadas mais tendo em vista o imediato do que o duradouro. A impressão que se tem é de que o homem não tem mais paciência de esperar, aquela virtude tão necessária ao agricultor e tão característica do pescador. O agricultor que não sabe esperar não planta e, se planta, colhe antes da hora e põe a perder o seu trabalho. O pescador que não tem paciência nada vai pescar, pois o peixe não tem hora e pode demorar a chegar. O mundo (e consequentemente o homem, motor desse mundo) está mais preocupado com o “ter” do que com o “ser”, com o “hoje” do que com “amanhã”, com o “estético” do que com o “ético”. Para ele, o que conta é o “agora”, o “já”, daí ser definido como imediatista. E, o que é pior, ao imediatismo se soma o individualismo: o que conta é a defesa dos próprios interesses. É um mundo “egocêntrico” que só sabe conjugar o verbo na primeira pessoa do singular, deixando-se conduzir por uma estranha matemática: eu + eu = eu. Esta aí a razão de tantos casamentos desfeitos; a explicação para tantas “depressões” e “desajustes sociais”. O homem ainda não conseguiu sair da “casca do ovo” para se encontrar com o “outro”. E, não se encontrando com o “outro”, muito menos com Deus ”. É vivendo junto com os outros e, como eles, que aprendemos a viver. A convivência não pode ser vista como arte de acomodar interesses pessoais imediatos. Daí o desafio de conviver. Na verdade, viver é fácil. O difícil mesmo é conviver, isto é, “viver com”. Isto exigirá de nós uma certa dose de altruísmo que, à luz da fé, vai se transformando em Caridade. Que mundo nós estamos construindo? Esta é uma pergunta incômoda, pois exige de nós uma resposta sincera. Pensemos, pois, numa forma moderna, atualíssima, não individual, mas compartilhada: a destruição da natureza. Deus fez o mundo em sete dias e o homem quer destruí-lo em igual tempo. Caem florestas, ano após ano, decoradas por moto-serras inescrupulosas e gananciosas; rios, lagos e mares poluídos tornam-se, cada dia mais, fontes de morte ao seu redor; a atmosfera, ferida pelas emissões de tóxicos... E, poderíamos continuar esta trágica exemplificação. Qual é a herança que estamos deixando para os nossos filhos? Estamos passando para eles, pelo nosso testemunho, o amor à vida, a alegria e a esperança tão necessárias? Ou, pelo contrário, estamos nos deixando contaminar pela desesperança, “entregando os pontos”, engrossando o número dos que pertencem à confraria dos braços cruzados, constituída por uma legião de cidadãos demissionários, que atiram os remos ao fundo do barco? Se for esta a nossa atitude, poderemos fazer coro ao que disse Luís XIV: “Après moi le déluge”.
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Ensino de história da África e de cultura afro-brasileira.
LEI 10639/03
Marisa Antunes Laureano*
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“Resgatar a nossa memória significa resgatarmos a nós mesmos da armadilha da negação e do esquecimento, significa estarmos reafirmando a nossa presença ativa na história pan-africana e na realidade universal dos seres humanos..”
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Abdias Nascimento
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A Lei 10639/03 é o resultado de uma luta histórica. O movimento negro e todas as entidades que combatem o racismo e discriminação racial, de qualquer natureza, reconhecem que essas práticas são frutos do desconhecimento. A própria palavra preconceito na sua semântica já demonstra isso. Fazer um conceito prévio de determinada pessoa, que a denigre, resulta de um desconhecimento de suas verdadeiras características. E o povo negro sofre esse preconceito há séculos. E somente o conhecimento da história e de uma compreensão de sua cultura vai encaminhar a nossa sociedade para o rompimento com práticas preconceituosas e discriminatórias.
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Devemos primeiro entender a origem do racismo, pois este foi construído historicamente. O ser humano não nasce racista, ele aprende a ser. E na origem deste processo está o advento da sociedade capitalista. Quando a burguesia surge como classe detentora do capital, no século XV, ela estabelece novas formas econômicas que vão extinguir, aos poucos, as práticas feudais e erguer as práticas capitalistas. E dentro deste processo, de um novo modo de produção que surge, novas relações humanas passam a ser estabelecidas. O mercantilismo surge junto com a expansão marítima, onde os europeus, já não mais acreditando no mundo quadrado, passam a navegar e tentar encontrar novos caminhos para as índias. E neste percurso de conhecimento de outros povos (principalmente os africanos) os contatos são feitos ainda sem o racismo que virá quando surge o interesse pela dominação direta destes povos.
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O europeu navegador, que pensa-se descobridor de novas terras e vê-se como o centro do universo, cria então eurocentrismo. A Europa passa a ser o centro do mundo e os demais continentes devem ser submetidos, aprisionados, escravizados. A Europa passa a ter o sistema capitalista, que aos poucos vai dizendo para que veio e mostrando a sua cara cruel de exploração absoluta e de dominação, a lei do mais forte, o darwinismo social, a pólvora.
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Quando as novas terras passam a ser ocupadas com produções locais torna-se necessário uma mão-de-obra mais extensa. Neste caso, a mão-de-obra local vai ser usada (a indígena na América), mas a medida que esta mão-de-obra passa a ser exterminada e catequizada, concomitantemente, dois fatores vão levar à introdução da mão-de-obra africana na América: 1°) A afirmação da Igreja Católica Apostólica Romana da existência de alma nos índios e de não alma nos africanos. 2°) o lucro que o comércio de seres humanos passa a representar. (religião e dinheiro, eis a questão).
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O europeu tinha claro conhecimento da humanidade dos africanos, pois há muito tempo negociavam com eles, conheciam seus territórios, tinham uma relação histórica com os povos do norte da África. Por isso, para tornar escravo esse povo que tinha uma história muito antiga e rica (vide Egito Antigo), era necessário um argumento convincente. O religioso, que sempre funciona (até hoje), era o de que eles não eram cristãos (o termo cristão já sendo usado como sinônimo de bondade, pureza, dignidade, e as fogueiras queimando seres humanos.). Se não são cristãos, não têm alma, se não têm alma não são humanos. E caso sejam humanos são inferiores. Mas se são humanos por que são inferiores? Por que são diferentes, tem a pele escura, são pretos. O racismo começa a surgir. E o discurso foi tão forte e tão bem construído que predomina até hoje.
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Agora temos que desconstruir esse discurso da inferioridade do povo africano, para elevar à condição de igualdade todos os afro-brasileiros, que ainda hoje por sua origem são discriminados pelo aumento de melanina na pele.
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O primeiro passo para os professores, das mais diversas áreas, e não somente história, é trabalhar a origem dos afro-brasileiros, mostrar a África como ela realmente foi e como ela está hoje. O porque de sua desestruturação. Imagine que por 300 anos foram retirados deste continente todos os homens e mulheres em idade produtiva! Qual o resultado deste processo para o continente? Foi trágico. E não são os resultados que devemos trabalhar, mas as causas deles.
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A origem do ser humano também é muito importante ser trabalhada. Neste caso devemos saber que as questões religiosas vão sempre atravancar qualquer debate sobre racismo. As intolerâncias religiosas destroem civilizações, matam pessoas, denigrem comunidades, e até hoje não se encontrou uma paz de fato, pois em nome de deus os seres humanos ainda matam. Na hora de mostrarmos para nossas crianças a origem do ser humano isso deve ser feito de forma científica. E essa é parte mais difícil na hora de combater o racismo. Pois o professor não se vê como cientista e fica preso a convenções religiosas que não levam à emancipação humana, e sim ao atraso de pensamento.
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A trajetória do ser humano pela Terra e seu processo evolutivo demonstra claramente a origem africana do ser humano e a existência atualmente de uma única raça: a raça humana. A construção da idéia de raças diferentes, que ocorre fortemente no século XIX, surge para justificar a segunda fase da dominação dos povos africanos e, a partir de então, também os asiáticos. Não era mais possível a argumentação da existência de alma ou não, em um século que vai ser o século da ciência. Era preciso usar a ciência para justificar a dominação sobre outros povos. Assim surge a Eugenia, que por séculos vai fazer parte das ciências biológicas, e vai justificar a dominação pela inferioridade de determinadas raças. Então, é importante desconstruir isso também. A eugenia, ciência utilizada pelos nazistas, foi utilizada no Brasil até os anos 50 para prender pessoas ou afastá-las do convívio da sociedade. Os afro-brasileiros sofreram muito a marginalização a que foram colocados em função de sua diferença física, argumentada pela eugenia como passíveis de desvios de conduta.
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O Brasil é o segundo país do mundo em quantidade de negros, tem metade da população assumindo a sua negritude (fora os que não assumem), mas também é um dos países mais racistas do mundo (segundo pesquisa feita pela ONU). Esse quadro tem que mudar, e como tudo é através da educação que devemos fazer isso:
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As escolas devem procurar trabalhar interdisciplinarmente a valorização da identidade negra, através do conhecimento da história da África e da cultura afro-brasileira. Existem diversas formas de trabalhos que podem ser realizados, principalmente na semana da consciência negra, que dentro da lei consta como data que deve ser destacada nas escolas com alguma atividade.
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Alguns exemplos de trabalho:
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História => A história da África, principalmente mostrando o quanto foram grandiosas as civilizações dos diversos países africanos, a começar pelo Egito.
Geografia => Mostra que a África é muito grande, que é um continente que abriga diversos países. Discutir com os alunos a diversidade étnica dentro do continente, e como a divisão forçada no século XIX origina até hoje disputas internas que não precisariam existir se não fosse a mão dos europeus ali.
Sociologia => Trabalhar as semelhanças sócio-econômicas entre os países africanos e o Brasil, ou outros países do terceiro mundo. Por que víamos somente negros na televisão quando passou o furacão nos EUA?
Ciência ou Biologia => Trabalhar a origem do ser humano. O continente-mãe que é a África. Por que mais ou menos melanina na pele? A caminhada dos homens pré-históricos pelo planeta e suas mudanças físicas para adaptação ao meio.
Matemática => Onde surgiu a geometria? Como os egípcios construíram as suas pirâmides? Quanto cálculo foi necessário para eles chegarem aquelas formas perfeitas? A engenharia que utiliza cálculos surge no Egito. Quando pesava cada pedra colocada na pirâmide? Quantas pessoas foram necessárias para carregar as pedras?
Língua estrangeira => Os professores de língua inglesa trabalham muito com música. Que tal trabalhar também a origem destas músicas? Trabalhar com músicas de origem negra, como o blues, o jazz, o rock, o reggae. Trabalhar com texto de líderes negros norte americanos, como o famoso discurso de 1963 de Martin Luther King: I Have a dream.
Português => As palavras de origem africana que existem na língua portuguesa são as mais diversas, é possível um debate sobre estas palavras, as quais os alunos conhecem. A literatura trabalhada deve mostrar a criança negra presente. Os poemas de Castro Alves são ótimos para trabalhos em aula, demonstrando além do talento do poeta a luta negra no Brasil.
Artes => Que tal construir máscaras africanas de forma criativa, discutindo a origem delas e o significado religioso das máscaras para os africanos, e também a transposição destes significados para outros símbolos de religiões afro-brasileiras.
Educação física => É importante trabalhar com os alunos o negro e o esporte. Desmistificar algumas coisas tipo: o negro joga futebol, mas não pode ser nadador. O negro pode ser qualquer coisa dentro do esporte. A Daiane dos Santos prova que o negro poder ser um ginasta, coisa impensada até bem pouco tempo, por ser este um esporte de meninas ricas. Mostrar a anatomia de cada um: a raça é a mesma, mas temos diferenças de cor, de força, em função de nossa origem pré-histórica e misturas étnicas ao longo dos séculos.
Ensino religioso => Talvez a disciplina mais importante para acabar com preconceito. O compromisso do ensino religioso deve ser o de debater identidades religiosas, respeitando a diversidade. E o estudo das religiões afro-brasileiras deve ser tratado em sala de aula para acabar com o preconceito que remonta ao período de escravidão. A umbanda, o candomblé, batuque, e as diversas formas de expressão religiosa de matriz africana são religiões brasileiras que tem sim uma matriz africana, mas a sua mistura, configuração final, foi dada no Brasil. É, depois dos cultos indígenas, a única religião realmente brasileira. Portanto, deve ser apresentada como tal.
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15/12/2005
* Professora e Mestre em História
http://www.atrincheira.com.br/artigos/mariLei10639.htm







