Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2023
Francisco Miguel Duarte - Não cultives a fraqueza
domingo, 21 de junho de 2020
Quadras em torno do "malmequer"
domingo, 24 de dezembro de 2017
Ó meu Menino Jesus - canção popular de Campo Maior
Luis Garção Nunes
Publicado a 15/12/2009
BRIGADA VICTOR JARA
Menino Jesus
QUEM SAI AOS SEUS (1981)
Glossário:
A palavra "caramelo", nesta acepção, significa "gelo" (geada, neve, granizo).
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
João Mendes - Neste Natal
sábado, 21 de abril de 2012
António Aleixo - Vendilhões do Templo
Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.
Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.
Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.
E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.
Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.
E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.
António Aleixo
António Aleixo

Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.
repartido pela razão,
matava a fome á pobreza
e ainda sobrava pão.
António Aleixo
António Aleixo - O beijo mata o desejo
Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.
MOTE
«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»
GLOSAS
Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.
Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.
E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.
Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!
António Aleixo
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
António Aleixo e Almeida Garrett
Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão
.
Vemos gente bem vestida,
no aspecto desassombrada;
são tudo ilusões da vida,
tudo é miséria dourada.
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Porque será que nós temos
na frente, aos montes, aos molhos,
tantas coisas que não vemos
nem mesmo perto dos olhos?
.
(António Aleixo - Quadras)
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“Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” (Almeida Garrett - Viagens na minha terra)
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sábado, 17 de novembro de 2007
José Afonso – “Quadras Populares” não editadas em disco

Um Pinto
Foi dar a Lisboa um Pinto
Habitar um aviário
Fizeram dele ministro
Mas não passa dum falsário
G.N.R
Nunca vi na minha vida
De uniforme ou à paisana
Um guarda republicano
Bater num capitalista
Fachos
Franco, Pinochet, Somoza
Salazar o mais matreiro
São todos filhos dilectos
Do fachismo carniceiro
Tempos Mudados
Hoje os tempos estão mudados
Mal vai para quem trabalha
Sai das tuas tamanquinhas
E luta contra a canalha
Habitação
Sobem as rendas de casa
A habitação é um luxo
Mas há quem tenha palácio
Piscina, parque e repuxo
Capital
Mandarins e milionérios
Senhores da Alta Finança
Sempre atamancam a pança
A cavalo nos operários
Gente Nova
Tenho debaixo da língua
O princípio duma trova
Hei-de encontrar uma rima
Dedicada à gente nova
Velhice
Cai-te no bolso um pataco
E dizes que é já reforma
Põem-te dentro dum saco
Atado de qualquer forma
Operação Pirâmide
A operação pirâmide
Não é que lhe fique atrás
Mas falta-lhe qualquer coisa
Para ser a mais capaz
Reforma Agrária
Ó agricultor do Norte
Desde o Minho até à Beira
É tua a Reforma Agrária
Queira o fascista ou não queira
O Norte é irmão do Sul
O Sul é irmão do Norte
Quando os filhos estão unidos
Portugal fica mais forte
Tira as patas do Alentejo
Ó Gê Nê Erre assassina
Que a terra que estás pisando
É terra de Catarina
Comuna
Tu chamaste-me Comuna
Pensando que me ofendias
Com esse nome viveu
Paris os seus melhores dias
Foi no século dezanove
Que houve um governo do Povo
Dão-lhe o nome de Comuna
Aí sim, o Homem Novo
Dum lado o poder coroando
Do outro a ralé inteira
Já se empinam os escravos
Já o Império se arreceia
Só a ferro e fogo posto
A reacção europeia
Venceu o pata descalça
O crime jurou bandeira
Operação Noruega
Faliu o Império das Índias
Numa agitada refrega
mas vamos vingar a raça
Na operação Noruega
O que é preciso é ter 'sprança
Fogo e pólvora nas canelas
Para levar de vencida
A operação Noruega
Já nos chegam dos Magriços
As campanhas de Inglaterra
Somos melhores que o Travolta
O major Cook e Alvega
Já fomos fortes no tinto
Que é o "ginseng" nacional
Precisamos d'outros rumos
Pra reerguer Portugal
Infância, Crueldade
Não se passa uma semana
Sem que venha nos jornais
Criança buscando a morte
Por não querer viver mais
Uma, que leva pancada
Outra, torturas brutais
Menino deficiente
Vivendo c'os animais
Numa escola de Setúbal
Ficou surda uma menina
Tanta pancada lhe dera
A professora malina
E muitos, Portugal fora,
No Ano Internacional.
Quem se lembra das crianças?
Quem vem atalhar o mal?
Discursos, festas, colóquios
Não chegam (nem caridade)
O melhor são as crianças
Disse o poeta, e é verdade
Tudo vai dar ao mesmo
Direitos são para cumprir
Numa sociedade justa
Não há mais mãos a medir
Lembremos Ana Maria
(Todos nós somos culpados)
Quem sempre cala consente
Muitos serão acusados
Quem sempre cala consente
Não digas: - isto é normal
Lembremos Manuel João
Que se enforcou num varal
Seja cada dia um ano
Que um ano não dá pra mais:
Colóquios, festas, sorrisos,
Missas Internacionais
Faz aqui falta uma trova
Duma criança oprimida;
Ela que fale da fome,
Ela que fale da vida
Ela que fale da pomba
Que tem a asa ferida;
Ela que fale da nuvem
Que encobre a terra poluída
São da América Latina
De Ásia e África nascidos
Os que hão-de dizer ao mundo
Que estão cada vez mais vivos

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