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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Francisco Miguel Duarte - Não cultives a fraqueza


* Francisco Miguel Duarte


Vive o fraco na fraqueza
o bom na sua bondade
vive o firme na firmeza
lutando por liberdade.
 
Não cultives a fraqueza,
procura sempre ser forte,
que o homem que tem firmeza
não se rende nem à morte.
 
Educa a tua vontade
faz-te firme: em decisões,
que não terá liberdade
quem não fizer revoluções.
 
Se queres o mundo melhor
vem cá pôr a tua pedra,
quem da luta fica fora
neste jogo nunca medra.
 

 
De: Francisco Miguel Duarte,
Militante Comunista
Poeta popular nascido no Alentejo,
Operário sapateiro, filho de camponeses

domingo, 21 de junho de 2020

Quadras em torno do "malmequer"


 Malmequer, por Mariza, os versos que prefiro
(Aldina Duarte / Popular )

Mal me quer a solidão
Bem me quer a tempestade
Mal me quer a ilusão
Bem me quer a liberdade

Mal me quer a voz vazia
Bem me quer o corpo quente
Mal me quer a alma fria
Bem me quer o sol nascente

Mal me quer a casa escura
Bem me quer o céu aberto
Bem me quer o mar incerto
Mal me quer…



Malmequer Pequenino, por Amália Rodrigues
(Popular / Nuno da Camara Pereira / João de Noronha)

O malmequer pequenino
disse um dia à linda rosa
por te chamarem rainha
não sejas tão orgulhosa

Papoilas que o vento agita
não me canso de vos ver
há lá coisa mais bonita
que ser simples sem saber

Por te amar perdi a Deus
por teu amor me perdi
agora vejo-me só
sem Deus sem amor sem ti

Aquela mulher pecou
por amor se fez fadista
tão longe o fado a levou
que Deus a perdeu de vista.


Malmequer (mentiroso), por Amália Rodrigues
(popular)

Oh, malmequer mentiroso!
Quem te ensinou a mentir?
Tu dizes que me quer bem
Quem de mim anda a fugir!

Desfolhei o malmequer
No lindo jardim de Santarém!
Malmequer, bem-me-quer,
Muito longe está quem me quer bem!

Um malmequer pequenino
Disse um dia à linda rosa:
Por te chamarem rainha,
não sejas tão orgulhosa!

Malmequer não é constante,
Malmequer muito varia!
Vinte folhas dizem morte
Treze dizem alegria!


domingo, 24 de dezembro de 2017

Ó meu Menino Jesus - canção popular de Campo Maior


Luis Garção Nunes
Publicado a 15/12/2009
BRIGADA VICTOR JARA
Menino Jesus
QUEM SAI AOS SEUS  (1981)


Ó meu Menino Jesus, 
Ó meu menino tão belo, 
Onde foste a nascer
Ao rigor do caramelo! [bis] 

Ó meu Menino Jesus,
Não queiras menino ser!
No rigor do caramelo 
A neve te faz gemer. [bis]

[instrumental]

O Menino da Senhora 
Chama pai a São José, 
Que lhe trouxe uns sapatinhos 
Da feira de Santo André. [bis]

[instrumental]

O Menino chora, chora, 
Chora pelos sapatinhos;
Haja quem lhe dê as solas,
Que eu lhe darei os saltinhos. [bis]
  
[instrumental]

Dá-me o teu Menino!
Não dou, não dou, não dou!
Dá-me o teu Menino,
Vai à missa que eu lá vou.
Dá-me o teu Menino! 
Não dou, não dou, não dou!
[4x]


Glossário:
A palavra "caramelo", nesta acepção, significa "gelo" (geada, neve, granizo).

Nota: «Canto recolhido em Campo Maior. Canta-se no Natal, já pelas ruas, já em família, acompanhado do popular instrumento designado por ronca, ou zabumba. A ronca [sarronca] é constituída por um púcaro de barro ao qual se adapta um pedaço de pele de anho, retesada e solidamente atada, através da qual passa um junco que o executante fricciona por meio de um movimento de vaivém.» (Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, in "Portuguese Folk Music": vol. 4 - Alentejo, Strauss, 1998; "Música Regional Portuguesa": CD 5 - Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008) 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

João Mendes - Neste Natal

Neste Natal injectamos milhares de milhões de euros no Banif. Quem diria que uma saída limpa poderia ser tão cara?
Neste Natal morreu o David. A austeridade também mata e o David foi mais uma das suas vítimas. Que nunca se deixe cair um banco mas haja responsabilidade que o acesso à saúde é um privilégio e não devemos ser piegas.
Neste Natal existem refugiados enregelados por essa Europa fora. A Europa da liberdade e da tolerância. A Europa que vende as armas que se usam na guerra que obrigou a maioria destas pessoas a fugir. A Europa que agora desconfia que sejam todos terroristas. A Europa que bombardeou as suas escolas, hospitais e locais de culto. A Europa que recebeu e recebe, com honras de Estado, todos os ditadores, os que deixaram de ser bem-vindos e os que ainda o são.
Neste Natal quero desejar a todos os leitores e aventadores um Feliz Natal. Abracem os vossos, sejam felizes mas não se esqueçam que o tempo corre contra nós. E nada disto tem que ser assim. Existe pão de sobra para todos.
http://aventar.eu/2015/12/24/neste-natal/

sábado, 21 de abril de 2012

António Aleixo - Vendilhões do Templo


Os Vendilhões do Templo

Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.

António Aleixo

António Aleixo



Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.
21/4
O pão que sobra á riqueza,
repartido pela razão,
matava a fome á pobreza
e ainda sobrava pão.

António Aleixo

António Aleixo - O beijo mata o desejo


Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.
21/4
O Beijo Mata o Desejo
MOTE

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

GLOSAS
Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.

E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.

Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!

António Aleixo

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

António Aleixo e Almeida Garrett

Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão

.

Vemos gente bem vestida,

no aspecto desassombrada;

são tudo ilusões da vida,

tudo é miséria dourada.

.

Porque será que nós temos

na frente, aos montes, aos molhos,

tantas coisas que não vemos

nem mesmo perto dos olhos?

.

(António Aleixo - Quadras)

.

“Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” (Almeida Garrett - Viagens na minha terra)

.

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sábado, 17 de novembro de 2007

José Afonso – “Quadras Populares” não editadas em disco


Um Pinto

Foi dar a Lisboa um Pinto
Habitar um aviário
Fizeram dele ministro
Mas não passa dum falsário

G.N.R


Nunca vi na minha vida
De uniforme ou à paisana
Um guarda republicano
Bater num capitalista

Fachos

Franco, Pinochet, Somoza
Salazar o mais matreiro
São todos filhos dilectos
Do fachismo carniceiro

Tempos Mudados

Hoje os tempos estão mudados
Mal vai para quem trabalha
Sai das tuas tamanquinhas
E luta contra a canalha

Habitação

Sobem as rendas de casa
A habitação é um luxo
Mas há quem tenha palácio
Piscina, parque e repuxo

Capital

Mandarins e milionérios
Senhores da Alta Finança
Sempre atamancam a pança
A cavalo nos operários

Gente Nova

Tenho debaixo da língua
O princípio duma trova
Hei-de encontrar uma rima
Dedicada à gente nova

Velhice

Cai-te no bolso um pataco
E dizes que é já reforma
Põem-te dentro dum saco
Atado de qualquer forma

Operação Pirâmide

A operação pirâmide
Não é que lhe fique atrás
Mas falta-lhe qualquer coisa
Para ser a mais capaz


Reforma Agrária

Ó agricultor do Norte
Desde o Minho até à Beira
É tua a Reforma Agrária
Queira o fascista ou não queira

O Norte é irmão do Sul
O Sul é irmão do Norte
Quando os filhos estão unidos
Portugal fica mais forte

Tira as patas do Alentejo
Ó Gê Nê Erre assassina
Que a terra que estás pisando
É terra de Catarina

Comuna

Tu chamaste-me Comuna
Pensando que me ofendias
Com esse nome viveu
Paris os seus melhores dias

Foi no século dezanove
Que houve um governo do Povo
Dão-lhe o nome de Comuna
Aí sim, o Homem Novo

Dum lado o poder coroando
Do outro a ralé inteira
Já se empinam os escravos
Já o Império se arreceia

Só a ferro e fogo posto
A reacção europeia
Venceu o pata descalça
O crime jurou bandeira

Operação Noruega

Faliu o Império das Índias
Numa agitada refrega
mas vamos vingar a raça
Na operação Noruega

O que é preciso é ter 'sprança
Fogo e pólvora nas canelas
Para levar de vencida
A operação Noruega

Já nos chegam dos Magriços
As campanhas de Inglaterra
Somos melhores que o Travolta
O major Cook e Alvega

Já fomos fortes no tinto
Que é o "ginseng" nacional
Precisamos d'outros rumos
Pra reerguer Portugal



Infância, Crueldade

Não se passa uma semana
Sem que venha nos jornais
Criança buscando a morte
Por não querer viver mais

Uma, que leva pancada
Outra, torturas brutais
Menino deficiente
Vivendo c'os animais

Numa escola de Setúbal
Ficou surda uma menina
Tanta pancada lhe dera
A professora malina

E muitos, Portugal fora,
No Ano Internacional.
Quem se lembra das crianças?
Quem vem atalhar o mal?

Discursos, festas, colóquios
Não chegam (nem caridade)
O melhor são as crianças
Disse o poeta, e é verdade

Tudo vai dar ao mesmo
Direitos são para cumprir
Numa sociedade justa
Não há mais mãos a medir

Lembremos Ana Maria
(Todos nós somos culpados)
Quem sempre cala consente
Muitos serão acusados

Quem sempre cala consente
Não digas: - isto é normal
Lembremos Manuel João
Que se enforcou num varal

Seja cada dia um ano
Que um ano não dá pra mais:
Colóquios, festas, sorrisos,
Missas Internacionais

Faz aqui falta uma trova
Duma criança oprimida;
Ela que fale da fome,
Ela que fale da vida

Ela que fale da pomba
Que tem a asa ferida;
Ela que fale da nuvem
Que encobre a terra poluída

São da América Latina
De Ásia e África nascidos
Os que hão-de dizer ao mundo
Que estão cada vez mais vivos

in José Afonso - Quadras Populares



Clique no felino para ver o que sucede. Vá, não tenha medo. Este não arranha.
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Escultura de António Andrade em frente ao Complexo Desportivo Municipal José Afonso em Grândola, inaugurado a 23 de Abril de 1999