Mostrar mensagens com a etiqueta eleições Legislativas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eleições Legislativas. Mostrar todas as mensagens

sábado, 17 de outubro de 2026

São José Almeida - Pedro Passos Coelho, a tentativa de golpe interno e o fim do PSD

* São José Almeida

A entrevista feita por Maria João Avillez ao antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, na SIC Notícias, no domingo passado, não me surpreendeu. Na minha opinião, foi até um momento político confrangedor. Com a convicção com que sempre defende as suas posições, Pedro Passos Coelho deu um passo em frente na possibilidade de se voltar a candidatar à liderança do PSD. Um comportamento que, associado às críticas que teceu ao actual primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, surgiu como um abrir de portas a uma tentativa de golpe de Estado interno no PSD.

Numa surpreendente declaração sobre a sua vontade de voltar ao poder executivo, Pedro Passos Coelho tentou defenestrar o actual chefe do Governo: “Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, isso teria de corresponder a uma situação em que o PSD visivelmente não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório face àquilo que o país precisa e de eu achar que eu o poderia fazer. E, se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei uma iniciativa, se for caso disso.”

segunda-feira, 19 de maio de 2025

CDU . Sobre os resultados das Eleições Legislativas de 2025

Declaração de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP

Sobre os resultados das Eleições Legislativas de 2025

18 Maio 2025, Lisboa

Nesta campanha eleitoral, nesta luta por tudo quanto importa na vida dos trabalhadores, do Povo, da juventude e do País, afirmámos a CDU como força de coragem, de seriedade e de confiança.

Saudamos os activistas da CDU, e em particular os nossos companheiros de coligação o Partido Ecologista “Os Verdes” e a associação Intervenção Democrática.

Saudamos os comunistas, ecologistas, mulheres e homens sem filiação partidária que fizeram desta campanha eleitoral uma notável jornada em defesa de um novo rumo para o País.

Saudamos a juventude, a quem nos dirigimos de forma particular ao longo da campanha e que com a sua participação deu força, alegria, criatividade a uma campanha eleitoral assente na denúncia dos problemas e nas soluções para o País. 

Saudamos todos os que votaram na CDU e em particular os que o fizeram pela primeira vez.

O resultado da CDU marcando resistência num quadro particularmente  exigente e face a múltiplos vaticínios, não reflecte nem a expressão de apoio e reconhecimento que a campanha mostrou, nem o que a situação do país exigia de uma CDU mais reforçada para  responder aos problemas, para enfrentar as forças e projectos reaccionários. 

Um resultado inseparável de factores objectivos e subjectivos em que pesaram a difusão de elementos de preconceito, a recorrente falsificação e menorização da CDU e das suas propostas, uma opção eleitoral ditada não pela resposta aos problemas de cada um mas condicionada por  alegadas disputas de maiorias eleitorais.  

Como afirmamos em toda a campanha, cada voto na CDU conta. 

Nenhum voto na CDU será desperdiçado. 

Nenhum voto na CDU será traído. 

Cada voto na CDU é uma expressão de compromisso com um outro rumo na vida política nacional, um voto de exigência de ruptura com a política de direita e que contarão para enfrentar com coragem a direita e a extrema-direita e os interesses do capital.

Podem os trabalhadores e o povo contar com iniciativa e intervenção da CDU para dar resposta e solução aos problemas que aí estão. 

Salários, pensões, saúde, habitação, educação, direitos das crianças e dos pais, das mulheres, da juventude, o ambiente, a conservação da natureza, a solidariedade com a Palestina. 

Podem contar com a CDU para defender a liberdade, democracia, a constituição e a Paz. 

A composição da Assembleia da República tem uma evolução negativa, marcada pelo crescimento da AD (PSD e CDS), do Chega e da IL.

O resultado obtido pela AD foi alcançado a partir da instrumentalização da ideia de “estabilidade governativa” a partir de uma política que promove todos os dias a instabilidade na vida de cada um, do uso e abuso ilegítimo de actos de um governo em gestão, da vitimização que procurou fomentar, associado à falta de credibilidade do PS que, não só não assumiu uma perspectiva de caminho e soluções distintas às da AD como, antecipadamente se mostrou disponível para viabilizar um seu governo.

O resultado obtido pelo Chega é inseparável dos meios – financeiros, mediáticos e outros - que hoje estão colocados pelo capital ao serviço da promoção de um quadro de valores reaccionário e anti-democrático, favorecendo forças que alimentam a demagogia, a mentira, a manipulação e o ódio, elementos amplamente evidentes nesta campanha.

O quadro institucional agora resultante, com uma maioria na AR de PSD, CDS, Chega e IL, independentemente dos arranjos que venham a verificar-se entre estas forças, comporta o perigo da intensificação da agenda retrógrada, neoliberal e anti-social. 

Este é o momento para cada um dizer com clareza e coragem, sem tactismos, ao que está e ao que vem.  

Face a estes resultados eleitorais que não subestimamos, este não é tempo de conformação ou de entendimento com a direita e as suas concepções reaccionárias, retrógradas e antidemocráticas. Este não é o tempo de dar a mão à direita, de dar suporte à sua política anti-popular.  

Este é o tempo de combate à política de baixos salários e pensões, de ataque aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos, de negação do direito à habitação, de privatizações e outras grandes negociatas, de mais e mais injustiças e favores ao capital, de submissão nacional e corrida aos armamentos. 

Este é o tempo de democratas e patriotas assumirem o caminho da resistência e da luta contra o retrocesso e abrir o caminho de que Portugal precisa.

Desenganem-se os que acham que o neoliberalismo e a acção reaccionária se vão impor, que a luta dos trabalhadores e do povo vai deixar arrasar os seus direitos e fazer regredir o País. 

A situação evidencia ainda mais o papel decisivo da luta dos trabalhadores e do povo, a necessidade da acção comum de democratas e patriotas, a importância da CDU e dos seus deputados para enfrentar a política de  direita e o governo que a concretize, para enfrentar os projectos reaccionários e a revisão subversiva da Constituição da República.

Os trabalhadores, o povo e a juventude, contam com o PCP e a CDU e nós contamos e confiamos na sua força, capacidade e luta.

 https://www.pcp.pt/sobre-resultados-das-eleicoes-legislativas-de-2025