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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"O Ocidente esquece seus vizinhos árabes", diz escritor sírio


Mundo | 13.02.2011

O escritor sírio Rafik Schami vive na Alemanha desde 1971. Em entrevista à Deutsche Welle, ele comenta a onda de protestos no mundo árabe e critica as posturas hesistantes da UE e dos EUA em relação à região.

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Deutsche Welle: Em seu romance Die dunkle Seite der Liebe (O obscuro lado do amor), de teor parcialmente autobiográfico, o protagonista Farid luta contra represálias de um regime autocrático, mas sem sucesso. Por que essa consciência da necessidade de justiça, liberdade e democracia envolve as sociedades do Oriente Médio como um todo exatamente agora, de tal forma que surgem até movimentos de massa a partir daí?

Rafik Schami: Muita coisa aconteceu. Por um lado, os governantes ficaram, de fato, 30, 40 anos sem fazer nada. Isso foi se acumulando e as mentiras perderam, com o tempo, sua credibilidade perante a maioria da população. No início, apenas cidadãos críticos – intelectuais talvez, professores universitários e jornalistas – percebiam que tudo era mentira. Mas a maioria é sempre lenta. Até que entendam, é preciso de tempo.

Por outro lado, os meios de comunicação de massa sofreram uma revolução. O intercâmbio crescente de informação levou a uma concentração do ódio. A pobreza, a humilhação e a postura fraca dos soberanos frente à nação – que pensam, acima de tudo e de forma brutal, no enriquecimento próprio – contribuíram. Reunindo tudo isso, poderia-se explicar por que isso tudo está acontecendo agora e não aconteceu há 10 ou 20 anos. 

Em sua obra, você denuncia o profundo marasmo cultural e as incongruências tanto em sua terra natal, a Síria, quanto em outros países árabes. A mudança política, que observamos ali no momento, é uma mudança de toda a sociedade ou apenas fogo de palha, que vai se apagar daqui a pouco?

Para não ser ingênuo, é preciso cogitar as duas possibilidades. Há sempre a possibilidade de um retrocesso. Sempre houve revoluções que se autodevoraram e se transformaram em ditaduras sangrentas. Mas os egípcios criaram uma nova alternativa. Como povo antiquíssimo, eles conduziram, pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução pacífica, com o apoio de oito a nove milhões de cidadãos, que agora reconhecem o quanto são capazes de agir.

Esses cidadãos carregam agora as flores que brotam, como na primavera, dessas novas conclusões. Mas para que daí surjam frutos, é necessário abelhas, como sabemos em analogia ao universo das plantas. E é preciso haver ajuda de fora e situações favoráveis. Esses jovens não só deixaram para trás os intelectuais, como também ignoraram todos os partidos.

Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudançasBildunterschrift: Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudanças
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Se os partidos fossem sinceros, eles precisariam admitir que estão ficando defasados. Quais serão os efeitos disso na consciência da população? Ainda não se pode dizer. Só é possível esperar que tudo não acabe em uma guerra civil. Para um povo que destituiu um ditador de forma pacífica, o conceito da "paz" é muito fértil.

Acabamos de ver que o impulso da revolução veio diretamente do povo, dos jovens. Os países ocidentais não intervieram. Como você vê o papel do Ocidente na região depois dos últimos acontecimentos?

Para ser sincero, acho o papel do Ocidente vergonhoso, principalmente essa hipocrisia dos EUA. De súbito, eles ficam preocupados com a liberdade e tal. E eles nos repreendem diante da possibilidade de que a Irmandade Muçulmana possa assumir o poder. É tudo mentira. A Irmandade Muçulmana representa uma força política de aproximadamente 10%. Ou seja, eu não iria agora questionar a democracia porque um partido mais à direita governa.

No Egito, há uma ampla gama de todas as forças políticas: religiosas, nacionalistas, liberais, socialistas, independentes, mentes absolutamente livres, talvez também anarquistas. Esses são os egípcios e o Ocidente fica olhando. Há três semanas, as pessoas lutam por meio do bem mais precioso da democracia, ou seja, através das manifestações pacíficas. E ninguém lhes ajuda. As pessoas percebem que se o Ocidente quisesse ajudar, reagiria de outra forma.

Na sua opinião, o Ocidente passou tempo demais observando e apoiando Estados árabes autocráticos?

Sim, mas acredito que nem tenha sido com más intenções. Acho que o Ocidente confia rápido demais nos governantes; confia demais no silêncio tumular, que impera nesses países; confia rápido demais que o consumo poderia mudar alguma coisa. Isso é um lado, mas o Ocidente – e me refiro aqui, em primeira linha, à Europa – esquece muito rapidamente que os países do Mediterrâneo são seus vizinhos.

Nicolas Sarkozy e Ben Ali, em 2008: 'apoio constrangedor', diz Schami 
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A Itália está localizada em frente à Tunísia e ao Norte da África. Aqui ainda não se tem de forma alguma a consciência, de que aquilo que acontece lá, também diz respeito ao Ocidente. Quando se vê como os governantes em todos os países europeus, não somente na Alemanha, reagem, e quando se vê como a França apoiou Ben Ali até o último minuto, percebe-se o quanto a situação é estimada de maneira errônea. A imbecilidade dessa oferta a Ben Ali foi tamanha que dava para quase ter pena de Sarkozy.

Por muito tempo acreditou-se que os povos árabes não estavam preparados para uma democracia. E que só podiam escolher entre ditadura e Estado religioso. Qual é sua opinião sobre isso?

Já ouvi esse argumento com frequência e tive também meus medos, porque faço parte de uma minoria cristã. Mas, depois de um tempo, passei a não acreditar mais nisso. É sempre possível haver retrocessos, mas eles também podem existir em uma democracia. A população foi mantida quieta, anos a fio, sob mão de ferro. Os islâmicos e a Irmandade Muçulmana eram o único grupo protegido pela Arábia Saudita: com recursos financeiros, propaganda, treinamentos.

E o Ocidente via isso com prazer. Enquanto eles podiam ser instrumentalizados como anticomunistas, eram até cortejados. Mais tarde, as forças conservadoras autocráticas pareciam ser a única alternativa. Mas tudo aquilo que estava fermentando entre a população, isso a mídia não entendeu, nem a árabe, nem a europeia.

Rafik Schami (65) é um conceituado escritor sírio, radicado na Alemanha desde 1971. Entre suas obras mais conhecidas estão O obscuro lado do amor, de 2004, e O segredo do calígrafo, lançado em 2008.

Entrevista: Nader Alsarras (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Países lusófonos buscam formas de internacionalizar a língua portuguesa



Brasil | 25.03.2010

Apesar da relevância demográfica e cultural do português, idioma ainda é pouco difundido. Conferência sobre o futuro da língua portuguesa reúne intelectuais, linguistas, escritores e políticos em Brasília.


A língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria – quase 200 milhões – no Brasil. Até o ano 2050, prevê-se que esse número chegue a 335 milhões.
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Na lista das línguas com maior número de falantes, o português oscila entre o quinto e o sétimo lugar, dependendo do viés da classificação. Se o critério for apenas o da língua materna, o português aparece em sétimo, mas se também for analisado como segunda língua, sobe para o quinto lugar das tabelas.
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Mesmo tendo essa posição entre os idiomas falados em todo o mundo, o português ainda é considerado uma língua "menor". Um descompasso que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pretende debater durante a Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, realizada a partir desta quinta-feira (25/03) até o dia 30 de março, em Brasília.
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Peso do Brasil
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Esse descompasso também não faz jus à posição que países de língua portuguesa, como o Brasil, vêm conquistando no cenário internacional.
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"Acho que o futuro da nossa língua não depende só da grande bandeira do número de falantes, ou do peso demográfico que os brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos, etc, possam ter", declarou o escritor moçambicano Mia Couto à agência de notícias portuguesa Lusa, durante um colóquio internacional sobre a sua obra realizado este mês na Antuérpia, Bélgica.
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"O Brasil hoje está se afirmando como uma grande potência a nível mundial e isso pode ter um efeito sobre o futuro da nossa língua muito mais do que o discurso passadista de lembrar quanto glorioso foi o passado desta língua", acrescentou Couto.
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A futura difusão da língua portuguesa é justamente o foco da conferência de Brasília, que pretende definir uma estratégia conjunta para a internacionalização do idioma. Isso implica, entre outras coisas, a consolidação do português nos organismos internacionais, sua presença na internet e o ensino da língua tanto para nativos como para estrangeiros.
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Língua oficial em quatro continentes
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A conferência de Brasília é uma consequência da cúpula da CPLP em Lisboa, em 2008, que aprovou uma declaração sobre a importância da projeção global da língua portuguesa.
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Além dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste –, a conferência conta com a participação de representantes da Guiné Equatorial, Ilhas Maurício e Senegal, na qualidade de países observadores associados.
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Falado em quatro continentes, o português é a língua oficial de oito países: Angola (12,7 milhões de habitantes), Brasil (198,7 milhões), Cabo Verde (429 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (21,2 milhões), Portugal (10,7 milhões), São Tomé e Príncipe (212 mil) e Timor-Leste (1,1 milhões).
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Dada a diversidade de variantes do português, resta a questão do grau de unidade que se pressupõe quando se fala do futuro da língua portuguesa como um todo. Certamente o acordo ortográfico selado entre os países lusófonos, em vigor desde 2009, é um passo na direção de convergir pelo menos as diferentes grafias em uma norma escrita comum. No entanto, a unidade ortográfica evidentemente não altera o fato de que o uso da linguagem nos diversos países de língua portuguesa é extremamente variado.
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Quanto a isso, o brasilianista alemão Berthold Zilly, participante da conferência da CPLP sobre o futuro da língua portuguesa, lembra que – ao contrário do que ainda afirmavam alguns filólogos no século 19 – hoje não se questiona se o português é uma língua única. No entanto, a diferença entre as variedades linguísticas lusófonas é mais significativa do que em outras línguas. Zilly considera a uniformidade muito maior entre as variantes do inglês e do espanhol, línguas que – por exemplo – dispõem de obras de referência lexical com autoridade em todos os territórios onde são faladas, respectivamente o Webster Dictionary e Diccionario de la Real Academia Española.
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Português via outras línguas
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Em declaração à Deutsche Welle, o professor de literaturas ibero-americanas na Universidade Livre de Berlim também ressaltou a discrepância entre a reduzida divulgação do português e a importância cultural do idioma. Por mais que Portugal seja membro da União Europeia e por mais que seja grande o poder de penetração da cultura brasileira no exterior, o português ainda é considerado uma "língua menor".
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Na Alemanha, por exemplo, cargos de professores de língua e literatura portuguesa vêm sendo cortados, afirma Zilly. "Acho que os países de língua portuguesa deveriam fazer mais esforço para mostrar que seu idioma representa não só quantitativamente, mas também qualitativamente, uma grande contribuição para a história universal", apela o renomado tradutor alemão de autores como Euclides da Cunha e Machado de Assis.
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Na percepção de Berthold Zilly, o mercado editorial alemão era mais aberto às literaturas lusófonas nos anos 70 e 80 do que hoje. Diante de rupturas históricas marcantes – como a queda do Muro de Berlim, a fragmentação da União Soviética em múltiplas nações e a ascensão dos países emergentes na Ásia – o foco de atenção político mudou, deslocando também o interesse cultural para outras regiões.
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Com sua experiência como tradutor e divulgador da cultura ibero-americana na Alemanha, Zilly acredita que o interesse pelas literaturas lusófonas ainda passa pela intermediação de outras línguas. Isso significa que os livros em português que já foram traduzidos para o espanhol, inglês ou francês têm maior chance penetrar no mercado editorial alemão.
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Isso também se aplica à intermediação por parte de intelectuais de outros espaços culturais. Um exemplo seria Machado de Assis, cuja obra Memorial de Aires foi publicada na tradução alemã de Zilly em 2009: os elogios do argentino Jorge Luís Borges e da americana Susan Sontag ao clássico brasileiro certamente ajudaram a sua divulgação na Alemanha.
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Autora: Simone Lopes
Revisão: Augusto Valente

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Linguagem verbal perde importância no mundo midiático

Cultura | 20.09.2010

 

"De quanta linguagem precisamos?" é o título do livro de Wolfgang Frühwald sobre a aventura da expressão verbal. Seus ensaios sobre evolução e linguística dão vontade de voltar a escrever cartas e contar histórias.

 

'De quanta linguagem precisamos?' 
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A linguagem verbal perde importância na Alemanha, diagnostica Wolfgang Frühwald no prefácio de seu tomo de ensaios Wieviel Sprache brauchen wir? (De quanta linguagem precisamos?). Em vez de ler, assiste-se à televisão ou brinca-se ao computador. Em vez de escrever cartas, enviam-se torpedos com o celular ou mensagens curtas pelo Twitter. Os alemães não assistem mais filmes no idioma original, mas sim na versão dublada.
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As consequências são fatais: estudos demonstram que as crianças dos países nórdicos ou da Holanda falam e leem melhor inglês do que as da Alemanha, pois nesses países os filmes só passam na TV no idioma original com legendas. E, no entanto, é cada vez mais importante saber inglês, que há muito tornou-se língua franca internacional.
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Embora, ressalva Frühwald, o assim chamado broken English, falado nos congressos e aeroportos internacionais, tenha tanto a ver com a língua de Shakespeare ou Hemingway quanto um torpedo com um conto literário.
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"Animal que tem palavra"
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Em contrapartida está o fato de que o ser humano é essencialmente determinado pela linguagem. O filósofo Aristóteles já o definia como zoon logon echon, um animal que tem palavra. Na história da evolução, a linguagem é indicador do momento em que o homem se tornou humano.
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No caso, trata-se da linguagem verbal, que também inclui a melodia da voz, a mímica e os gestos – três elementos não-verbais que comunicam a maior parte das informações. De fato: em uma conversa, apenas 7% delas são transportadas através do conteúdo e significado da língua, a melodia se encarrega de 38%, e mímica e gestos dos 55% restantes.
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Diante desse quadro, o conteúdo de informação de um torpedo revela-se ínfimo. Por um lado, isso explica a tentativa de adicionar uma espécie de segundo nível comunicativo às mensagens, através de ícones (emoticons) e recursos semelhantes, sugerindo, por exemplo, que uma observação é irônica.
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Por outro lado, contudo, a pergunta de Frühwald sobre a quantidade necessária de linguagem ganha uma atualidade quase opressiva diante da enxurrada crescente de mensagens breves. Segundo a Agência Federal de Comunicações da Alemanha, somente em 2007 foram enviados mais de 22 bilhões de torpedos, e a tendência é crescente.
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Moda, autores e a aventura de ler
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Autor Wolfgang Frühwald 
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A obra de Frühwald está dividida em três partes. Sob o título "Crítica da linguagem, sátira e polêmica", ele reuniu ensaios sobre modas linguísticas na França e Inglaterra, ou sobre o alemão como língua científica.
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A parte dois chama-se "Oradores, contadores, leitores", e traz ensaios sobre Johann Christoph Gottsched, Alexander von Humboldt e, finalmente, sobre a aventura de ler. Parte três, "Língua literária", trata dos poetas Schiller e Eichendorff.
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Os textos são muito distintos entre si, já que se dirigem a tipos diferentes de leitores. Comum a todos é o forte apelo de que o ser humano, enquanto animal linguístico, cria, ao falar, o seu próprio mundo.
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A força do imaginário
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O autor consegue repetidamente nos lembrar como interferimos no mundo através da linguagem, e um belo exemplo disso se encontra em "Da aventura de ler". Frühwald nos lembra como personagens da literatura – isto é, gente inventada, Abraão, Odisseu, Romeu e Julieta, Werther – definiram as vidas de pessoas reais.
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Quem vai hoje a Verona, na Itália, pode visitar a casa de Julieta, ou a igreja onde ela e Romeu se casaram, até mesmo sua sepultura. E, no entanto, o casal de apaixonados jamais existiu.
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Percebe-se que Wolfgang Frühwald é um leitor ávido. Sua erudição e sua capacidade de apresentar as interconexões mais complexas de forma clara e vívida torna a leitura de "De quanta linguagem precisamos?" um verdadeiro prazer, mesmo para os que não são estudiosos da língua alemã.
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Seu livro é um belo convite a escrever novamente uma carta. Ou, em vez de mandar um torpedo, passar uma noitada contando histórias com os amigos.
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Autor: Udo Marquardt (av)
Revisão: Carlos Albuquerque
 

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quadrinhos alemães descobrem o humor

 

Cultura | 04.11.2010

 

Os autores de HQs alemãs estão deixando a seriedade de lado e descobrindo o humor. Uma vez que o gênero literário está praticamente consolidado, os escritores sentem-se mais livres para experimentar.

 

Em seu romance ilustrado autobiográfico Vier Augen (Quatro Olhos), Sascha Hommer descreve alguns eventos memoráveis de sua adolescência, passada na região alemã da Floresta Negra. Dessas memórias fazem parte reuniões com os amigos regadas a cigarro, o caso amoroso com uma jovem que sofria de um distúrbio alimentar e a descoberta do LSD.
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Hommer consegue surpreendentemente capturar esses momentos em poucos e simples desenhos, todos em preto-e-branco, evocando as preocupações, medos e esperanças típicas de um jovem que cresce longe dos centros urbanos. Os desenhos são acompanhados de pouco texto, pois Hommer acredita que descrições complexas nem sempre são necessárias para expressar pensamentos significativos.
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"Acho muito importante evitar o mal-entendido de que existem única e exclusivamente boas histórias e boas narrativas. E que as imagens podem ficar tranquilamente de lado. Em muitos trabalhos que especialmente gosto, e também em vários que me serviram de exemplo, a forma é o que transporta o conteúdo", diz Hommer.
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'Quatro Olhos', de Sascha HommerBildunterschrift: 'Quatro Olhos', de Sascha Hommer
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Sério e engraçado

Muitos dos novos quadrinhos e novelas gráficas na Alemanha tratam de assuntos sérios, como é o caso desse livro de Hommer, que disseca as tentativas e experiências da adolescência. O autor observa, contudo, que alguns escritores estão tentando se afastar dessa espécie de "peso" nas HQs do país.
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"O domínio de tal estética e de temas sérios, que estiveram em primeiro plano, foi de certa forma necessário para as HQs, mas agora acho que já superamos isso. E os cartunistas mais jovens que estão chegando ao mercado alemão com seus quadrinhos têm uma relação mais leve com isso e vão trazer o humor de volta", analisa o autor.
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Dirk Rehm, da editora Reprodukt, que está por trás dos livros de Hommer, acredita que os novos autores têm boas razões para optarem por uma conduta mais leve em seus trabalhos.
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"Os jovens autores podem manter uma postura mais relaxada, porque eles não têm que provar que os quadrinhos podem ser algo além de sujeira e lixo. Essa luta já foi empreendida pela última geração", observa Rehm à Deutsche Welle. "Hoje, eles podem simplesmente fazer o que querem", completa.
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Embora a Reprodukt publique muitas HQs de teor biográfico e autobiográfico, Rehm afirma que isso não implica, de forma alguma, que as obras sejam menos ligadas a temas humorísticos e de aventura. Além disso, Rehm observa ainda uma nova tendência emergente no gênero: os quadrinhos com temas históricos.
Sascha Hommer 

Literatura "híbrida" 
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Hommer, um escritor esbelto, de cabelos negros e uns 30 e poucos anos, vê as HQs como um gênero híbrido, que ele começou a ler ainda muito jovem. O mesmo aconteceu com seus desenhos, aos quais ele se dedica há muito tempo.
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Mais tarde, Hommer estudou ilustração na Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo, sob orientação da autora alemã de quadrinhos Anke Feuchtenberger.
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Uma graduação oficial para formar autores de HQs não existe nas universidades alemãs. No momento, os quadrinhos e as novelas gráficas estão recebendo atenção cada vez maior na mídia e, de acordo com Hommer, o gênero está sendo bem vendido no país. 
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"Comparadas com editoras pequenas, que publicam os primeiros romances de autores desconhecidos, as pequenas editoras de quadrinhos são muito bem-sucedidas", afirma Hommer. Seu próximo livro vai tratar de um assunto sério, apresentando em quadrinhos os contos de Brigitte Kronauer, vencedora do Prêmio Georg Büchner, o mais importante prêmio literário da Alemanha.
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"Acho os textos dela ótimos e estou tentando criar, nas minhas adaptações, uma densidade de informação semelhante à dos textos originais". E se uma imagem valer mesmo mais que mil palavras, a HQ de Hommer não terá que ser muito longa.
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Autores: Dirk Schneider / Eva Wutke (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
 
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Romance escrito no Facebook suspende linha divisória entre autor e leitor

Cultura | 18.07.2010

 

Autor húngaro radicado em Viena constrói narrativa junto com usuários no Facebook e afirma que esse 'work-in-progress' online poderá contribuir para chamar a atenção dos jovens para a literatura tradicional.

 
A história começa com dor, piercings e sangue. O livro é para ser lido em fragmentos de apenas poucas linhas, tendo como protagonista um personagem de nome Zwirbler. Os adeptos do Facebook, contudo, podem modificar a história como quiserem, ou simplesmente comentar o que foi escrito ou o que está acontecendo. O resultado pode ser, às vezes, poético e penoso.
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Os co-autores têm a opção de continuar a linha de pensamento do autor ou de desviar a história para um lado completamente diferente. Ou podem dar conselhos. Como no primeiro registro, em que Zwirbler cogita receber assistência médica. O próximo participante do romance aconselha que ele vá ao hospital, já que é de madrugada.
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"Espero aprender muito, ler muitas ideias interessantes oferecidas pelos usuários e ter agradáveis surpresas", disse à Deutsche Welle o autor Gergely Teglasy a respeito de suas expectativas em relação ao romance escrito em tempo real.
 
Novo fio na rede interativa

Romances interativos existem aos montes na internet, mas o autor Gergely Teglasy (ou TG, como ele se autointitula), de 40 anos, diz que o seu  é o primeiro no Facebook. Lançado no início deste mês, em alemão, para usuários acima de 17 anos, o romance já contabiliza mais de três mil pessoas entre aqueles que "curtiram" a página. Os fãs podem ainda assinar um podcast semanal dos episódios. 
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Teglasy procura adicionar sempre uma novidade no Zwirbler, como um novo capítulo, por exemplo, a fim de manter a página suficientemente atraente para os leitores, embora tome o cuidado de não congestionar o feed de notícias deles.
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"Todos nós somos fãs de certas páginas do Facebook, mas geralmente de forma passiva. Com o Zwirbler, os usuários podem colocar-se em ação. Quanto mais gente envolvida, mais interessante fica", diz Teglasy.
 
 
Bildunterschrift:

O autor salienta que, embora a internet tenha modificado o hábito de leitura das pessoas nas últimas décadas, isso não significa que o tenha restringido. Ao contrário, afirma, o Facebook pode enriquecer a experiência com a literatura, ao incentivar as pessoas a continuarem lendo.

Amigos distantes

Alguns críticos do Facebook apontam que a comunidade online seria um substituto para uma comunidade real. Seguindo esse raciocínio, o romance Zwirbler de Teglasay poderia ser visto como um mero substituto da literatura real? "Não", responde prontamente o autor. "É literatura em uma nova forma, sem o propósito de tomar o lugar da literatura tradicional, mas sim de complementá-la". 
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O autor – que nasceu em Budapeste, mas estudou Teatro, Cinema e Mídia em Viena – observa que muita gente não tem mais tempo para ler um romance longo, no formato tradicional, embora essas pessoas fiquem felizes com uma leitura rápida no Facebook, quando estão sentados diante de seus computadores ou usando seus iPhones.

O romance de Teglasay não se assemelha, contudo, às obras escritas apenas com mensagens de texto, em linguagem abreviada. Nem tampouco é composto, como é o caso de romances recentes, apenas de e-mails trocados entre os personagens.
 
O autor é o chefe

Mesmo que o romance Zwirbler soe pioneiro, poderia-se suspeitar que tudo não passa de preguiça do autor, que delega aos usuários continuar a história quando ele não está se sentindo inspirado o suficiente para escrever ele próprio alguma coisa.
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Afinal, como comenta o diário Welt Kompakt, quando Teglasy "empaca" em algum momento da história, ele simplesmente pode delegar a seus leitores (os "amigos" do Facebook) a função de continuar a narrativa. Ou, ainda, alterar a linha narrativa simplesmente excluindo contribuições que não lhe agradam.
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Mas o autor diz que só deleta posts no Facebook quando estes não estão diretamente relacionados com o tema do romance, como por exemplo registros que são, na verdade, publicitários. Todo o resto é permitido, garante. 
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"E isso é que é a coisa mais interessante: há coisas que podem ser ditas no Zwirbler, que eu, pessoalmente, jamais diria. O personagem irá certamente acabar pensando e agindo de uma forma que eu jamais teria experimentado ou que me é estranha, até detestável", completa o autor.
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O nome tanto do romance quanto do protagonista – Zwirbler – significa em alemão retorcer, enrolar. Um Zwirbler é alguém que gira, entrelaça. Neste sentido, cada pessoa que contribui para escrever o romance no Facebook mantém a narrativa enredada e retorcida.

Autora: Louisa Schaefer (sv)
Revisão: Alexandre Schossler
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Livro anti-islâmico gera indignação na Alemanha mesmo antes do lançamento

Alemanha | 28.08.2010 DW World

Após divulgação de trechos do polêmico livro, o Partido Social-Democrata rechaça opiniões de Thilo Sarrazin, do Banco Central Alemão. Em 2009, episódio semelhante custou punição leve ao então vice do Bundesbank.


Antes mesmo de seu lançamento, programado para a próxima segunda-feira (30/08), o livro de Thilo Sarrazin vem provocando ondas de indignação. Com o título Deutschland schafft sich ab: Wie wir unser Land aufs Spiel setzen (A Alemanha se extingue a si mesma: Como estamos colocando em risco o nosso país), o membro do conselho executivo do Bundesbank (Banco Central alemão) redigiu o que o jornal online FAZ.net define como "um dossiê antimuçulmano".
Livro acusa muçulmanos de tornar 'mais burra' a sociedade alemã 
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Entre tantas outras generalizações, Sarrazin acusa os membros da comunidade islâmica de se terem se beneficiado muito mais da previdência social do país do que contribuíram para a mesma. 
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Além disso, correligionários social-democratas e a imprensa alemã consideram inequivocamente racista sua afirmação de que a sociedade alemã estaria "emburrecendo" pelo fato de os muçulmanos gerarem mais filhos do que a população "nativa".
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"Na Alemanha, um exército de encarregados de imigração, especialistas em estudos islâmicos, sociólogos, politólogos, representantes de associações trabalha de mãos dadas com uma horda de políticos ingênuos, na minimização, auto-ilusão e na negação de problemas", escreve Sarrazin, acrescentando que a política estatal de migração da Europa tem sido "predominantemente anti-histórica, ingênua e oportunista". Acima de tudo, ele diz querer evitar que os alemães se tornem estranhos em sua própria terra.
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O periódico popular Bild antecipou o lançamento de Deutschland schafft sich ab publicando trechos seletos do livro, em seis capítulos. Notório por suas opiniões reacionárias, desde junho último o ex-secretário de Finanças de Berlim vinha ocupando as manchetes alemãs com observações anti-islâmicas. Entretanto, numa entrevista ao semanário Die Zeit, ele se exonerou de acusações de racismo: "Não sou racista. O livro aborda limites culturais, não étnicos".
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Déjà-vu... ou farsa?
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O presidente da Federação Turca da Alemanha, Kenan Kolat, exigiu neste sábado que a chefe de governo alemã, Angela Merkel, demova Sarrazin do cargo no Bundesbank. Kolat declarou que, com esse livro, ele haveria ultrapassado uma fronteira. "É o ápice de um novo racismo intelectual, e prejudica a imagem da Alemanha do exterior."
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Sigmar Gabriel, presidente do Partido Social Democrata (SPD) 
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O Partido Verde e A Esquerda apoiam as exigências de Kolat. Os social-democratas (SPD), por sua vez, se distanciaram das afirmativas do correligionário Sarrazin. O chefe do partido, Sigmar Gabriel, classificou-as de "violentas", comentando: "Se os senhores me perguntarem por que [Sarrazin] ainda quer estar afiliado a nós, eu digo que não sei".
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Todo o atual episódio ganha um ar de déjà-vu, se não de farsa, quando se considera que, em outubro de 2009, Thilo Sarrazin, então vice-presidente do Bundesbank, causara acalorada polêmica ao distinguir, numa entrevista à revista de cultura Lettre International, entre os "bons" e "maus" imigrantes na sociedade da Alemanha. Entre suas afirmações na época constava a de que a maioria dos árabes e turcos de Berlim, por exemplo, não tem "nenhuma função produtiva, a não ser no comércio de frutas e verduras".
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Apesar de veementes exigências de punição, o social-democrata natural do Leste alemão foi apenas destituído de parte de suas funções no Banco Central.
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Autoria: Richard Connor / Augusto Valente
Revisão: Simone Lopes

domingo, 18 de abril de 2010

Cultura | 26.11.2009 Mestre do Teatro do Absurdo, Eugène Ionesco faria 100 anos

 

Autor de "A cantora careca" comemoraria centésimo aniversário em 26 de novembro. Quinze anos após sua morte, Ionesco ainda é de longe o dramaturgo francês mais apreciado e suas peças estão entre os clássicos do gênero.

 

"Uma coisa eu não entendo: por que eles sempre dão nas colunas sociais de jornais a idade dos que já morreram e nunca dos que acabaram de nascer?", consta em um trecho de La Cantrice chauve (A Cantora Careca), até hoje uma das peças mais encenadas do dramaturgo francês Eugène Ionesco.
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A peça trata do puro nonsense, que no palco resulta em risadas garantidas. Mas uma inocente piada torna-se a chave para um universo literário. Para o poeta dos olhos bondosos, a idade sempre foi relativa, embora sua infância estivesse sempre presente.
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Infância
Ionesco lembra que, quando tinha três anos, queria ser vendedor de castanhas. Aos três anos e meio, queria ser oficial do Exército e, aos quatro anos, médico. "Mas, na verdade, só podia e queria fazer literatura. Nenhum gênero especial… só literatura", dizia o dramaturgo.
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O desejo profissional do pequeno Eugène se realizou depois de um longo caminho. Nascido em Slatina, na Romênia, em 1909, sua família mudou várias vezes de endereço e também de país. Seu pai advogado e funcionário público, queria que o filho se tornasse algo "decente".

'A Cantora 
Careca' na montagem de Jean-Luc Lagarce 
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Depois do divórcio dos pais, sua mãe assumiu a educação do jovem, permitindo que ele mais tarde estudasse Filosofia, Francês e Literatura na Universidade de Bucareste. Em meados da década de 1940, Ionesco mudou-se definitivamente para Paris, onde descobriu cedo seu amor pelo teatro.
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A paixão pelo teatro
Quando tinha apenas quatro anos, o pequeno Eugène fora a um teatro de fantoches acompanhado da mãe. Durante a peça, todos à sua volta davam risada, menos ele. A mãe pensou que o filho estava entediado e quis ir embora, mas era justamente o contrário. "Eu não estava de forma alguma entediado. Eu estava absolutamente fascinado, enfeitiçado… entusiasmado!", contou mais tarde o dramaturgo.
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O teatro se tornou uma obsessão pela qual Ionesco acabou sacrificando os estudos e que nunca mais o deixaria em paz. Nos anos de 1950, escreveu suas primeiras peças, inicialmente em romeno, a língua de seu pai, depois em francês.
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À Cantora Careca, uma espécie de absurdo teatro de fantoches para adultos, seguiu La Leçon (A Lição), uma paródia drástica e cômica sobre as consequências mortíferas de convenções pedagógicas e linguísticas, na qual uma professora de reforço escolar assassina sua aluna no final.
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No entanto, Ionesco tornou-se conhecido – inclusive internacionalmente – somente dez anos depois com Rhinocéros (Os Rinocerontes), uma fábula de animais sobre o poder do mal e o oportunismo.
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O feitiço do nonsense
Comum a todos os dramas de Ionesco é o caráter de marionete de seus personagens e os diálogos mecânicos e desprovidos de senso através dos quais os personagens não necessariamente se comunicam. Para ele, esta era uma imagem do mundo totalmente sem sentido e esperança.
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'A Cantora 
Careca' em encenação de Philip Tiedemann em Berlim 
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Acho absurdo existir", dizia o dramaturgo. "Não considero a vida em si absurda. A história não é absurda, ela é lógica, é possível explicá-la. É possível explicar por que as coisas acontecem. O absurdo não está no interior da existência, mas a existência em si me parece inimaginável, impensável. Por que será?", questionava Ionesco.
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Um pergunta que nem mesmo suas peças conseguem responder. Enquanto o irlandês Samuel Beckett, outro representante do Teatro do Absurdo, apresentava uma obra pessimista e hermética, as obras de Ionesco não continham uma atmosfera apocalíptica, mas antes uma alegria anárquica. Uma característica que lhe trouxe o desprezo de ideólogos de esquerda nos anos de 1970, mas que até hoje o público sabe apreciar.
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Quinze anos após sua morte, Ionesco ainda é de longe o dramaturgo francês mais apreciado. No pequeno Théatre de la Huchette, no Quartier Latin de Paris, suas peças são encenadas ininterruptamente há mais de 50 anos.
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Para Nicolas Bataille, ator, diretor e fã de Ionesco desde o começo, isso se deve principalmente ao fato dele não ser um intelectual no sentido depreciativo da palavra, pois para entendê-lo não é preciso quebrar a cabeça..
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Autor: Holger Romann (jbn)
Revisão: Rodrigo Rimon
 
 

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domingo, 31 de janeiro de 2010

Memórias de quem sofreu na pele - Hans Jürgen Massaquoi


DW World - Cultura | 14.11.2002

Memórias de quem sofreu na pele

Hans Jürgen Massaquoi, filho de uma alemã e um liberiano, relata em livro suas experiências de criança e jovem na Alemanha nazista.


Neger, Neger, Schornsteinfeger! (Negro, negro, limpador de chaminés!). Esta rima aparentemente inofensiva, conhecida por todas as crianças na Alemanha, é o título da tradução alemã das memórias de Hans Jürgen Massaquoi, que se chamam no original Destined to Witness: Growing Up Black in Nazi Germany (Destinado a testemunha: crescendo negro na Alemanha nazista).
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Trata-se da descrição plástica, detalhada, fascinante e convincente das vivências de um garoto que, apesar do nome alemão, tinha um defeito grave na Alemanha nazista: sua pele era escura.
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Hans Jürgen nasceu em Hamburgo em 1926, filho de uma enfermeira alemã e neto do cônsul da Libéria na Alemanha. Nos primeiros anos de sua vida, cresceu protegido, na mansão do avô. Quando sua família liberiana retornou à pátria, pouco antes da subida dos nazistas ao poder, o garoto foi morar com a mãe num bairro operário.
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No pátio da escola, aos seis anos, foi confrontado pela primeira vez com o fato de ser "diferente": quando as crianças começaram a gritar em coro Neger, Neger, Schornsteinfeger! toda vez que o viam. Custou para que elas se acostumassem com sua aparência e o deixassem em paz. Mas Hans Jürgen nunca chegou a "fazer parte" do grupo, de grupo nenhum naquela época.
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"O Führer vai dar um jeito para que a Alemanha nunca mais dê abrigo a essa gentinha traidora e não-ariana como os judeus, os negros e outros excluídos", discursava o diretor da escola perante todos os alunos, olhando firme para o garoto de pele escura.
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Maldição e bênção – Foi por causa da cor da pele que Hans Jürgen não pôde entrar para a Juventude Hitlerista, o que queria fazer em seu primeiro entusiasmo pelo regime. Mas tampouco pôde prestar serviço militar, deixando assim de ser convocado para a guerra, da qual muitos dos seus ex-colegas não regressaram. Os bombardeios, o frio, a fome, porém, também fizeram parte de suas vivências até 1948, o último ano que ele aborda em suas memórias.
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Massaquoi foi viver nos Estados Unidos, onde fez carreira como jornalista. Ele se sente alemão, mas a cor da pele continua sendo seu estigma, uma vida inteira, mesmo décadas após o fim do regime nazista.
lk
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Growing Up Black in Nazi Germany

The Remarkable Life of Hans Massaquoi
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2002 - Escritores elegem "Dom Quixote" o melhor livro de todos os tempos

Dw-World - Cultura | 08.05.2002

Escritores elegem "Dom Quixote" o melhor livro de todos os tempos


O autor alemão mais citado na relação dos 100 melhores livros é Franz Kafka, com três obras, seguido de Thomas Mann, com duas.



O romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes Saavedra, publicado na Espanha em duas partes, em 1605 e 1615, ficou em primeiro lugar no ranking dos melhores livros de todos os tempos. Ele foi escolhido com 50% mais votos do que qualquer outro livro. Participaram da enquete, organizada pelo Instituto Nobel de Oslo em cooperação com os Clubes do Livro da Noruega, 100 escritores consagrados de 54 países.
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A cada um deles, foi pedida uma lista dos dez melhores livros. Da Alemanha, participaram Siegfried Lenz, Hans Magnus Enzensberger, Christoph Hein, Herta Müller e Christa Wolf. Outros votantes ilustres foram Paul Auster (EUA), Carlos Fuentes (México), Cees Nooteboom (Holanda), Susan Sontag (EUA), John Le Carré (Grá-Bretanha), o indiano Salman Rushdie, o trinidadiano V.S. Naipaul, o nigeriano Wole Soyinka, o chinês Bei Dao.
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Outros livros na lista – As posições seguintes não foram apresentadas pelos organizadores em ordem de classificação. O autor mais freqüentemente citado foi o russo Fiodor Dostoiévski, com quatro obras: Crime e Castigo, O Idiota, Os Possessos e Irmãos Karamazov.
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Na relação dos citados com três obras surge logo Franz Kafka, judeu tcheco que escreveu em alemão (O Processo, O Castelo e seus contos na totalidade), William Shakespeare e Leo Tolstoi. Thomas Mann (Os Buddenbrooks e Montanha Mágica), William Faulkner e Virginia Woolf seguem, com duas obras cada.
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O autor alemão mais antigo incluído no ranking foi Johann Wolfgang von Goethe, com Fausto I e II. Constam ainda Alfred Döblin, com Berlim Alexanderplatz; Robert Musil, com O Homem Sem Qualidades; Paul Celan, com suas poesias; e Günter Grass, com O Tambor.

(lk)
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