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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Manuel Alegre - Meu amor é marinheiro



* Manuel Alegre

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira.

Eu vivo lá longe, longe
Onde passam os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias.

Assim falou meu amor

sábado, 11 de julho de 2020

Manuel Alegre - Abril




* Manuel Alegre

Habito o sol dentro de ti
Descubro a terra, aprendo o mar,
por tuas mãos, naus antigas, chego ao longe,
que era sempre tão longe, aqui tão perto.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. meu navio,
este navio onde embarquei
para encontrar dentro de ti, o país de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava,
Quando o país de Abril se vestia de ti
e eu perguntava quem eras.

Meu amor por ti cantei. E to me deste
um chão tão puro, algarves de ternura.
Por ti cantei, à beira-povo à beira-terra
e achei achando-te o país de Abril.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Sidónio Muralha - Raízes



* Sidónio Muralha


'São canta Amália Rodrigues'
Velhas pedras que pisei
saiam da vossa mudez
venham dizer o que sei
venham falar português
sejam duras como a lei
e puras como a nudez.

Minha lágrima salgada
caíu no lenço da vida
foi lembrança naufragada
e para sempre perdida
foi vaga despedaçada
contra o cais da despedida.

Visitei tantos países
conheci tanto luar
nos olhos dos infelizes
e porque me hei-de gastar?
vou ao fundo das raízes
e hei-de gastar-me a cantar.

Música: Henrique Lourenço
Letra: Sidónio Muralha

domingo, 21 de junho de 2020

Quadras em torno do "malmequer"


 Malmequer, por Mariza, os versos que prefiro
(Aldina Duarte / Popular )

Mal me quer a solidão
Bem me quer a tempestade
Mal me quer a ilusão
Bem me quer a liberdade

Mal me quer a voz vazia
Bem me quer o corpo quente
Mal me quer a alma fria
Bem me quer o sol nascente

Mal me quer a casa escura
Bem me quer o céu aberto
Bem me quer o mar incerto
Mal me quer…



Malmequer Pequenino, por Amália Rodrigues
(Popular / Nuno da Camara Pereira / João de Noronha)

O malmequer pequenino
disse um dia à linda rosa
por te chamarem rainha
não sejas tão orgulhosa

Papoilas que o vento agita
não me canso de vos ver
há lá coisa mais bonita
que ser simples sem saber

Por te amar perdi a Deus
por teu amor me perdi
agora vejo-me só
sem Deus sem amor sem ti

Aquela mulher pecou
por amor se fez fadista
tão longe o fado a levou
que Deus a perdeu de vista.


Malmequer (mentiroso), por Amália Rodrigues
(popular)

Oh, malmequer mentiroso!
Quem te ensinou a mentir?
Tu dizes que me quer bem
Quem de mim anda a fugir!

Desfolhei o malmequer
No lindo jardim de Santarém!
Malmequer, bem-me-quer,
Muito longe está quem me quer bem!

Um malmequer pequenino
Disse um dia à linda rosa:
Por te chamarem rainha,
não sejas tão orgulhosa!

Malmequer não é constante,
Malmequer muito varia!
Vinte folhas dizem morte
Treze dizem alegria!


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Sidónio Muralha - Amantes separados



* Sidónio Muralha

Como num búzio
O mar repete essa balada
Numa canção
Feita de sonho e ansiedade
Meu coração
Repete a história apaixonada
Duma presença que se fez
Longe, saudade

A vida quis que fosse assim
Nosso destino
No grande amor que quis
Vencer os vendavais
A vida quis que fosse assim
Nosso destino
Onda quebrada contra a praia
E nada mais

E a vida passa
Como os versos que escrevemos
E as promessas que fizemos
No dia da despedida
E a vida passa
Passam os dias rasgados
Tudo passa e passa a vida
Dos amantes separados
Sidónio Muralha / António Mestre

domingo, 8 de dezembro de 2019

Pedro Homem de Mello - Povo que lavas no rio

* Pedro Homem de Mello


João Villaret - Povo que lavas no Rio


AMÁLIA, - Povo que Lavas no Rio
(Pedro Homem De Mello/Joaquim Campos)


António Variações - Povo que Lavas no Rio

Povo que lavas no rio
Que vais às feiras e à tenda
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida não!

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia...
Mas a tua vida, não!

Fui ter à mesa redonda,
Beber em malga que esconda
Um beijo, de mão em mão...
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida não!

Procissão de praia e monte,
Areais, píncaros, passos
Atráis dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços...
Mas a tua vida, não!

Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama...
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las...
Mas a tua vida, não!

Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio...
Vi certa curva em teu seio...
Mas a tua vida, não!

Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão...
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso.
Mas a tua vida, não!

Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado,
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Amália Rodrigues - Grito



GRITO
Letra: Amália Rodrigues
Música Carlos Gonçalves

Silêncio!
Do silêncio faço um grito
O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.

De sombra a sombra
Há um Céu...tão recolhido...
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido.

Ao céu!
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora.

Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira...
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura.

Ai, solidão
Quem fora escorpião
Ai! solidão
E se mordera a cabeça!

Adeus
Já fui para além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus,
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai, como dói
A solidão quase loucura.


crossthatbridge

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Alain Oulman e Manuel Alegre - Meu amor é marinheiro e A Trova do Amor Lusíada


Amália Rodrigues - "Meu amor é marinheiro", por Alain Oulman

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira.

Eu vivo lá longe, longe
Onde passam os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias.


Assim falou meu amor


Adriano Correia de Oliveira - Trova do Amor Lusíada"

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.
Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos da liberdade.

INSTRUMENTAL

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

INSTRUMENTAL

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.

Trova do Amor Lusíada - Manuel Alegre

Meu amor é marinheiro
quando suas mãos me despem
é como se o vento abrisse
as janelas do meu corpo.

Quando seus dedos me tocam
é como se no meu sangue
nadassem todos os peixes
que nadam no mar salgado.

Meu amor é marinheiro.
Quando chega à minha beira
acende um cravo na boca
e canta desta maneira:

- Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.

Trago um navio nas veias
eu nasci para marinheiro
quem quiser pôr-me cadeias
há-de matar-me primeiro.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
todo o meu sangue é um rio
onde o meu amor aporta
seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
uns olhos como gaivotas
e uma boca onde começa
o mar de todas as rotas.

Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

Meu amor falou-me assim:

Ó minha pátria morena
meu país de sal e trevomeu cravo minha açucena


vale mais ser livre um dia
lá nas ondas do mar bravo
do que viver toda a vida
pobre triste preso escravo.

Eu vivo lá longe longe
onde passam os navios
mas um dia hei-de voltar
às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
como o vento nas areias
e abrir as janelas
e abrir todas as candeias

hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade.

Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal.

Assim falou meu amor
assim falou ele um dia
desde então eu vivo à espera
que volte como dizia.

Eu creio no meu amor
meu amor é marinheiro
quem quiser pôr-lhe cadeias
há-de matá-lo primeiro.

Sei que um dia ele virá
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente

como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.

in 30 anos de Poesia, Manuel Alegre, Círculo de Leitores


terça-feira, 21 de maio de 2019

Alexandre O'Neill - Gaivota



* Alexandre O'Neill

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

sábado, 21 de outubro de 2017

Diálogos poéticos:João Roiz & Saramago






    sábado, 17 de novembro de 2012

    Diálogos poéticos:João Roiz & Saramago

    Dois poemas que, embora separados por cinco séculos, têm um tema comum: A separação amorosa.

    João Roiz de Castel-Branco foi um cavaleiro nobre português, fidalgo português, fidalgo da casa Real, cortesão, e poeta humanista. Nasceu presumivelmente em Castelo Branco em meados do Século XV e faleceu na mesma cidade depois de 1515. Celebrizou-se como poeta, encontrando-se algumas de suas composições integradas no Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende, publicado em 1516.

    José Saramago dispensa apresentações.Não sei o ano do poema do Saramago, mas não admira que ele tenha prestado esta homenagem a João Roiz de Castelo Branco, um homem, como ele diz em Viagem a Portugal (1981), «que, pouco mais tendo feito que estes sublimes versos, há-de ser lembrado e repetido enquanto houver língua portuguesa». Uma justa homenagem!


    Cantiga sua partindo-se

    Senhora, partem tam tristes
    meus olhos por vós, meu bem,
    que nunca tam tristes vistes
    outros nenhuns por ninguém.

    Tam tristes, tam saudosos,
    tam doentes da partida,
    tam cansados, tam chorosos
    da morte mais desejosos
    cem mil vezes que da vida.

    Partem tam tristes os tristes,
    tam fora d'esperar bem,
    que nunca tam tristes vistes
    outros nenhuns por ninguém.

    João Roiz de Castelo-Branco (Séc. XV)


    Lembrança de João Roiz de Castel´Branco

    Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
    Eles são que partem às terras que não sei,
    Onde memória de mim nunca passou,
    Onde é escondido meu nome de segredo.

    Se de trevas se fazem as distâncias,
    E com elas saudades e ausências,
    Olhos cegos me fiquem, e não mais
    Que esperar do regresso a luz que foi.

    José Saramago (1922-2010)

    http://alegriabreve47.blogspot.pt/2012/11/dialogos-poeticosjoao-roiz-saramago.html



    CD-Cantos D'antiga Idade-1994



    Gabriel Carlos - SENHORA PARTEM TÃO TRISTES - Fado de Coimbra


    Adriano Correia de Oliveira - "Senhora,partem tão tristes" do disco "Fados de Coimbra II" (EP 1962)


    AMÁLIA, canta João Roiz de Castelo Branco
    Música: Alain Oulman


    "Senhora Partem tão Tristes" 
    Letra de João Ruiz de Castelo-Branco e música de João Barros Madeira
    Jorge Tuna e Jorge Godinho (guitarra)



    sábado, 13 de fevereiro de 2016

    Pedro Homem de Mello - Havemos de ir a Viana

    Entre sombras misteriosas
    em rompendo ao longe estrelas
    trocaremos nossas rosas
    para depois esquecê-las.

    Se o meu sangue não me engana
    como engana a fantasia
    havemos de ir a Viana
    ó meu amor de algum dia

    Partamos de flor ao peito
    que o amor é como o vento
    quem pára perde-lhe o jeito
    e morre a todo o momento.

    Ciganos, verdes ciganos
    deixai-me com esta crença
    os pecados têm vinte anos
    os remorços têm oitenta.



    Música: Alain Oulman
    Letra: Pedro Homem de Melo
    Intérprete: Amália Rodrigues   

    domingo, 1 de novembro de 2015

    Vinícius de Morais - Saudades do Brasil em Portugal

    * Vinícius de Morais

    O sal das minhas lágrimas de amor, criou o mar
    Que existe entre nós dois p'ra nos unir e separar
    Pudesse eu te dizer a dor que dói dentro de mim,
    Que mói meu coração nesta paixão que não tem fim.
    Ausência tão cruel,
    Saudade tão fatal,
    Saudades do Brasil em Portugal.

    Meu bem, sempre que ouvires um lamento
    Crescer, desolador, na voz do vento,
    Sou eu em solidão pensando em ti,
    Chorando todo o tempo que perdi.



     

    Amália Rodrigues



    Kátia Guerreiro  

    Autor da Letra:Vinicius de Moraes
    Autor da Música:Homem Cristo


    quinta-feira, 12 de setembro de 2013

    Pedro Homem de Mello - Povo que lavas no rio


    Américo Pereira


    Povo que lavas no rio
    Que talhas com o teu machado
    As tábuas do meu caixão.
    Pode haver quem te defenda
    Quem compre o teu chão sagrado
    Mas a tua vida não.

    Fui ter à mesa redonda
    Bebi em malga que me esconde
    Um beijo de mão em mão.
    Era o vinho que me deste
    Água pura, fruto agreste
    Mas a tua vida não.

    Aromas de urze e de lama
    Dormi com eles na cama
    Tive a mesma condição.
    Povo, povo, eu te pertenço
    Deste-me alturas de incenso,
    Mas a tua vida não.

    Povo que lavas no rio
    Que talhas com o teu machado
    As tábuas do meu caixão.
    Pode haver quem te defenda
    Quem compre o teu chão sagrado

    Mas a tua vida não. 


    Povo que lavas no rio é uma canção portuguesa, um fado, com letra do poetaPedro Homem de Mello, interpretada originalmente por Amália Rodrigues com música de Joaquim Campos.
    Depois da proibição do Fado de Peniche na rádio por ser considerado, pelo regime ditatorial em vigor na época, um hino aos presos de Peniche, após a gravação e o lançamento nas rádios, Povo que lavas no rio ganhou dimensão política.
    Talvez devido a esse mesmo facto, as opiniões quanto à interpretação da letra dePedro Homem de Mellopoeta português de excelência, divergem em absoluto: enquanto alguns críticos creem que o poema imortalizado por Amália Rodrigues seja um depoimento de amor ao povo português o qual, ainda segundo esta linha de pensamento, enfrentava uma situação de grande pobreza no tempo da ditadurasalazarista, considerando o país da época como sendo rural e economicamente pouco desenvolvido face à industrialização europeia, outras correntes tendem a ver nas suas estrofes uma lírica de cariz fortemente ligado à homossexualidade masculina, acentuada pelos contornos de incursões às tabernas populares, onde o narrador teria procurado os seus parceiros, e visto recusadas as suas investidas ou, mais ainda, qualquer envolvimento sentimental mais profundo.
    Daí as referências ao povo, neste caso portuense, que teria inevitavelmente tecido comentários aos seus devaneios, e dificultado a sua vida, ao beijo inconspícuo da partilha do mesmo copo, simbolizando o beijo em público que era, nessa época mais conservadora, absolutamente interdito aos homossexuais e, acima de tudo, a confissão lírica, ao afirmar que teria dormido com eles na cama, e enlameado por ter mantido este tipo de vida proibída. O autor, Pedro Homem de Mello, era ele próprio homossexual, e ter-se-ia assumido,1 não só através deste poema, mas também junto da comunidade que lhe era mais próxima, na Cidade do Porto, onde viveu, tendo sido assíduo frequentador do Café Rialto, em Sá da Bandeira.
    Independentemente da divergência na interpretação da obra, a sua versão musicada em forma de fado, tornou-se no ex-libris do género em Portugal, e a música que mais reconhece a intérprete original. (Wikipedia)

    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

    Cantigas de Amigo

    Especial para a Gaivotinha .
    .


    Enviado por em 04/11/2008
    Amores eu tenho - Amália Rodrigues e Natália Correia


    - Responde, filha, formosa filha,
    porque tardaste na fonte fria?
    Amores eu tenho!
    .


    Filha, formosa filha, responde:
    porque tardaste na fria fonte
    Amores eu tenho!
    .
    -Tardei, minha mãe, na fonte fria, 
    cervos do monte a água volviam. 
    Amores eu tenho!
    .
    Tardei, minha mãe, na fria fonte; 
    volviam a água cervos do monte. 
    Amores eu tenho!
    .
    -Que escondes,filha,por teu amigo? 

    cervos do monte não volvem o rio. 
    Amores eu tenho!
    .
    Por teu amado, filha, que escondes?

    o mar não volvem cervos do monte. 
    Amores eu tenho!
    .
    .
    Enviado por em 19/01/201
    AMÁLIA canta " Lá vão as Flôres " do album " CANTIGAS D´AMIGOS "

    45-Amália. Cantiga de amigo. música de Alain Oulman
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    Enviado por em 10/12/2010
    José Carlos Ary dos Santos e Amália Rodrigues cantam, do álbum Cantigas de Amigos, a música medieval Vim Esperar o Meu Amigo, Cantiga de Amigo (Tenção) de Bernaldo de Bonaval.
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    - Ai, formosinha se me escutais, longe da vila, que procurais?
    - Vim esperar o meu amigo.

    - Ai, formosinha, se me atendeis,
    longe da vila, o que fazeis?
    - Vim esperar o meu amigo.

    - Longe da vila que procurais?
    - Sabei-o, já que o perguntais:
    Vim esperar o meu amigo.

    - Longe da vila o que fazeis?
    - Sabei-o, já que o não sabeis:
    Vim esperar o meu amigo.

    (Adaptado de uma cantiga medieval, por Natália Correia em 1970)
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    Enviado por em 21/01/2009
    Poema medieval e música de Alain Oulman, 
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    Enviado por em 28/05/2008
    Consta-se que José Carlos Ary dos Santos, escreveu este Poema em louvor ao Soldado que partia para o Ultramar Português em missão de Serviço. Amália canta divinamente e para mais com música de Alain Oulman. 
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    1973 - Luís Cília - "Cantiga de amigo"


    Enviado por em 13/02/2009

    Poema arrebatador de José Carlos Ary dos Santos, que canta a dor da ausência. 
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    Filipa Pais - Cantiga de Amigo


    Enviado por em 22/10/2010

    2003 A Porta do Mundo
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    Enviado por em 11/08/2010
    Cantiga de Amor de Don Denís, Cantiga de mestría
    (Pergamino Sharrer)


    Os diré, con tristeza, lo que nunca pensé
    que os diría, señora,
    porque veo que por vos muero,
    porque sabéis que nunca os hablé
    de cómo me mataba vuestro amor:
    porque sabéis bien que de otra señora
    yo no sentía ni siento temor.


    Todo esto me hizo sentir
    el temor que de vos tengo,
    y desde ahí por vos dar a entender
    que por otra moriría, de ella tengo,
    sabéis bien, algo de temor;
    y desde hoy, hermosa señora mía,
    si me matáis, bien me lo habré buscado.


    Y creed que tendré gusto
    de que me matéis, pues yo sé con certeza
    que en el poco tiempo que he de vivir,
    ningún placer obtendré;
    y porque estoy seguro de esto,
    si me quisierais dar muerte, señora,
    por gran misericordia os lo tendré.
    .
    .
    .
    Enviado por em 23/07/2011
    Dom Dinis ("Dionisio I de Portugal" Lisboa, 1261 - Santarém, 1325)


    Intérpretes: Paulina Ceremuzynska




    Amigo, queredes vos ir?
    Si, mia senhor, ca nom poss'al
    fazer, ca seria meu mal
    e vosso; por end'a partir
    mi convem d'aqueste logar;
    mais que gram coita d'endurar
    me será, pois m'é sem vós vir!


    Amigu', e de mim que será?
    Bem, senhor bõa e de prez;
    e pois m'eu fôr daquesta vez,
    o vosso mui bem se passará;
    mais morte m'é de m'alongar
    de vós e ir-m'alhur morar.
    Mais pois é vós ũa vez ja!


    Amigu', eu sem vós morrerei.
    Nom o queirades esso, senhor,
    mais pois u vós fôrdes, nom fôr
    o que morrerá, eu serei;
    mais quer'eu ant'o meu passar
    ca assi do voss'aventurar,
    ca eu sem vós de morrer hei!


    Queredes-m', amigo, matar?
    Nom, mia senhor, mais por guardar
    vós, mato-mi que m'o busquei.
    .
    .
    .

    Ondas do mar de Vigo - Xoán Eiriz


    Enviado por em 13/08/2010

    Letra: Martín Codax
    Música: Xosé Manuel Lueiro