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sexta-feira, 7 de março de 2025

Carlos Ferro - A LÍNGUA PORTUGUESA DE RASTOS - Preguiça linguística ou um “elefante na sala”?



Carlos Ferro* | Diário de Notícias, opinião

Há em Portugal uma nova moda entre as crianças: não usam o verbo principal quando falam. Os exemplo são vários e há diversas opiniões e alertas sobre a situação que pode vir a ter consequências mais tarde.

“Professora, posso água? Posso bolachas?”. Estes são dois exemplos que a jornalista Cynthia Valente apresentou no Diário de Notícias no trabalho onde ouviu pais, professores e um psicólogo sobre este fenómeno que se está a tornar num “elefante na sala”, não só nas casas das famílias como nas escolas.

Chegados aqui, qual a explicação para tal e quais as consequências futuras para estes alunos do 1.º ciclo - o fenómeno está a ser mais detetado neste período escolar?

Parece que há várias justificações. Uma são os vídeos curtos a que as crianças e adolescentes assistem diariamente e que acabam por transmitir a ideia que qualquer conversa pode ser tida com pequenas frases, mais ou menos completas. Talvez seja a versão 2.0 do ditado “para bom entendedor meia palavra basta”.

Outra explicação passará pelo facto de as famílias falarem pouco entre si, ou seja, os pais devem ter uma maior interação com os filhos - e voltamos ao muito falado uso excessivo do telemóvel - e corrigi-los sempre que não completem as frases.

Uma terceira razão para esta “evolução” é o “mundo acelerado” em que vivemos como frisou ao DN, no trabalho já referido, Alberto Veronesi, professor do 1.º ciclo e diretor do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais. Disse este responsável que “a comunicação é geralmente rápida e eficiente e, assim sendo, as crianças sentem que as frases completas são desnecessárias para se fazerem entender”.

No entanto, agora que já se detetou esta “preguiça linguística” talvez seja o momento de os estudiosos da Educação e os responsáveis do setor verem como se pode/deve lidar com esta supressão verbal para que mais tarde os jovens adultos e adultos não sintam dificuldades numa sociedade cada vez mais comunicacional. E, já agora, para tentarmos, como País, melhorar nos rankings que vão sendo conhecidos e nos quais Portugal não está a ter boa figura.

* Editor executivo do Diário de Notícias

Nota PG: Em nossa observação e opinião não é só nas escolas do ensino básico que se fala e escreve mal a língua portuguesa em Portugal. Um grande mau exemplo temo-lo em vários canais de televisão e de rádios. Eles 'comem' palavras e dizem profusamente TÁ em vez de está, TAMOS em vez de estamos BORA em vez de embora, etc., etc,. e assim consecutivamente. Além disso usam e abusam da língua anglófona misturada com frases em português. A comunicação social - principalmente - nos comentários e em notícias - é completamente assucatada via  'angloportufonês'. Uma vergonha, principalmente naquelas profissões rádio-televisivas faladas. Não são crianças do ensino básico mas sim jornalista 'dótores' que mais parecem estar a falar mau português em conversas de café ou numa chungaria muito rasca. Esses maus exemplos são imensos. E o assunto devia de ser aprofundado e dar-lhe combate. A língua portuguesa é linda e muito completa mas não, comprovadamente, para as atuais gerações 'modernas e estrangeiradas' que não se exprimem em língua de 'peixe nem de carne' mas sim em expressões bárbaras todas misturadas e chafurdadas. São esses o setor principal de aplicação do mau português que se fala em Portugal. Está por saber qual será a Pátria desses 'maduros e maduras' tão 'calinosos' a falar em português.

at março 07, 2025 
https://paginaglobal.blogspot.com/2025/03/a-lingua-portuguesa-de-rastos-preguica.html

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Linguagem verbal perde importância no mundo midiático

Cultura | 20.09.2010

 

"De quanta linguagem precisamos?" é o título do livro de Wolfgang Frühwald sobre a aventura da expressão verbal. Seus ensaios sobre evolução e linguística dão vontade de voltar a escrever cartas e contar histórias.

 

'De quanta linguagem precisamos?' 
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A linguagem verbal perde importância na Alemanha, diagnostica Wolfgang Frühwald no prefácio de seu tomo de ensaios Wieviel Sprache brauchen wir? (De quanta linguagem precisamos?). Em vez de ler, assiste-se à televisão ou brinca-se ao computador. Em vez de escrever cartas, enviam-se torpedos com o celular ou mensagens curtas pelo Twitter. Os alemães não assistem mais filmes no idioma original, mas sim na versão dublada.
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As consequências são fatais: estudos demonstram que as crianças dos países nórdicos ou da Holanda falam e leem melhor inglês do que as da Alemanha, pois nesses países os filmes só passam na TV no idioma original com legendas. E, no entanto, é cada vez mais importante saber inglês, que há muito tornou-se língua franca internacional.
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Embora, ressalva Frühwald, o assim chamado broken English, falado nos congressos e aeroportos internacionais, tenha tanto a ver com a língua de Shakespeare ou Hemingway quanto um torpedo com um conto literário.
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"Animal que tem palavra"
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Em contrapartida está o fato de que o ser humano é essencialmente determinado pela linguagem. O filósofo Aristóteles já o definia como zoon logon echon, um animal que tem palavra. Na história da evolução, a linguagem é indicador do momento em que o homem se tornou humano.
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No caso, trata-se da linguagem verbal, que também inclui a melodia da voz, a mímica e os gestos – três elementos não-verbais que comunicam a maior parte das informações. De fato: em uma conversa, apenas 7% delas são transportadas através do conteúdo e significado da língua, a melodia se encarrega de 38%, e mímica e gestos dos 55% restantes.
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Diante desse quadro, o conteúdo de informação de um torpedo revela-se ínfimo. Por um lado, isso explica a tentativa de adicionar uma espécie de segundo nível comunicativo às mensagens, através de ícones (emoticons) e recursos semelhantes, sugerindo, por exemplo, que uma observação é irônica.
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Por outro lado, contudo, a pergunta de Frühwald sobre a quantidade necessária de linguagem ganha uma atualidade quase opressiva diante da enxurrada crescente de mensagens breves. Segundo a Agência Federal de Comunicações da Alemanha, somente em 2007 foram enviados mais de 22 bilhões de torpedos, e a tendência é crescente.
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Moda, autores e a aventura de ler
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Autor Wolfgang Frühwald 
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A obra de Frühwald está dividida em três partes. Sob o título "Crítica da linguagem, sátira e polêmica", ele reuniu ensaios sobre modas linguísticas na França e Inglaterra, ou sobre o alemão como língua científica.
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A parte dois chama-se "Oradores, contadores, leitores", e traz ensaios sobre Johann Christoph Gottsched, Alexander von Humboldt e, finalmente, sobre a aventura de ler. Parte três, "Língua literária", trata dos poetas Schiller e Eichendorff.
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Os textos são muito distintos entre si, já que se dirigem a tipos diferentes de leitores. Comum a todos é o forte apelo de que o ser humano, enquanto animal linguístico, cria, ao falar, o seu próprio mundo.
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A força do imaginário
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O autor consegue repetidamente nos lembrar como interferimos no mundo através da linguagem, e um belo exemplo disso se encontra em "Da aventura de ler". Frühwald nos lembra como personagens da literatura – isto é, gente inventada, Abraão, Odisseu, Romeu e Julieta, Werther – definiram as vidas de pessoas reais.
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Quem vai hoje a Verona, na Itália, pode visitar a casa de Julieta, ou a igreja onde ela e Romeu se casaram, até mesmo sua sepultura. E, no entanto, o casal de apaixonados jamais existiu.
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Percebe-se que Wolfgang Frühwald é um leitor ávido. Sua erudição e sua capacidade de apresentar as interconexões mais complexas de forma clara e vívida torna a leitura de "De quanta linguagem precisamos?" um verdadeiro prazer, mesmo para os que não são estudiosos da língua alemã.
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Seu livro é um belo convite a escrever novamente uma carta. Ou, em vez de mandar um torpedo, passar uma noitada contando histórias com os amigos.
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Autor: Udo Marquardt (av)
Revisão: Carlos Albuquerque
 

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