- Inspiração literária: O escritor descreve sobre lojas de tabernas tradicionais em Lisboa onde se encontravam sossego, refeições económicas e tipos curiosos que inspiraram a criação da sua obra.
- Localização real: Não se refere a um único restaurante comercial com esse nome exato, mas sim a um cenário típico da Lisboa antiga que o autor frequentava.
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 30 de agosto de 2026
(97) Fernando Pessoa - Livro de Desassossego (Prefácio)
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Fernando Pessoa - "Sê plural como o universo!"
«A frase "Sê plural como o universo!"
Trata-se de uma anotação isolada, um aforismo (frase curta que encerra um pensamento) que Pessoa registou de forma imperativa numa folha de papel solta.
Onde foi publicada?
Como grande parte da obra de Fernando Pessoa não foi publicada enquanto ele era vivo, este fragmento ficou guardado na sua famosa arca de manuscritos (o seu espólio).
A frase veio a público pela primeira vez em 1966, no livro "Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação".
Nos arquivos da Biblioteca Nacional de Portugal, este fragmento textual está catalogado sob a referência específica BNP/E3, 20-68r. Ele surge ali, sozinho, como um lema de vida ou uma instrução que o poeta deu a si mesmo.
O significado por trás da frase
Embora curta, a frase resume perfeitamente o conceito da heteronímia e o projeto literário de Pessoa.
O universo não é uma coisa só; é feito de multiplicidade, de contradições, de planetas, estrelas e perspetivas diferentes.
Um homem com uma mente desperta não se pode limitar a ter uma única profissão, uma única personalidade ou uma única opinião.
Ao escrever "Sê plural como o universo!", Pessoa justificava a criação dos seus outros "eus". Se o universo é infinito e múltiplo, o poeta também tinha o direito — e o dever — de o ser.? (Google Gemini)
fernando pessoa - AUTOPSICOGRAFIA
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Nuno Costa Santos - A Mãe Açoriana de Fernando Pessoa
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
Ricardo Reis - [Quando, Lídia, Vier o Nosso Outono]
Fernando Pessoa - [Não quero rosas, desde que haja rosas]
sábado, 15 de junho de 2024
Carlos Coutinho - NOTÍCIAS da peste
segunda-feira, 4 de março de 2024
Fernando Pessoa e Oliveira Salazar
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR
António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
......
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
......
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
Da República (1910 - 1935) . Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Mourão. Introdução e organização de Joel Serrão). Lisboa: Ática, 1979.
- p. 349.1ª publ. in Diário Popular , Lisboa, 30 Maio e 6 Junho 1974 . inc? CF. lello - fotoc
Salazar - Um cadáver emotivo,
Salazar
Um cadáver emotivo, artificialmente galvanizado por uma propaganda...
Duas qualidades lhe faltam — a imaginação e o entusiasmo. Para ele o país não é a gente que nele vive, mas a estatística d'essa gente.
Soma, e não segue.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 221.O Prof. Salazar é muito mais inteligente e muito mais culto,
O Prof. Salazar é muito mais inteligente e muito mais culto, ainda que a sua inteligência seja monocórdica e a sua cultura unilateral. Tem uma inteligência do tipo científico, mas sem ser céptica; tem uma cultura do tipo humanístico, mas sem ser literária. Isto lhe dá aquela unidade psíquica de onde resulta a sua formidável disciplina e energia; isto, ao mesmo tempo, o desumaniza.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 220.O Prof. Salazar tem, em altíssimo grau, as qualidades secundárias…
O Prof. Salazar tem, em altíssimo grau, as qualidades secundárias da inteligência e da vontade. É o tipo do perfeito executor da ordem de quem tenha as primárias.
O chefe do Governo tem uma inteligência lúcida e precisa; não tem uma inteligência criadora ou dominadora. Tem uma vontade firme e concentrada, não a tem irradiante e segura. É um tímido quando ousa, e um incerto quando afirma. Tudo quanto faz se ressente d'essa penumbra dos Reis malogrados.
Quando muito, na escala da governação pública, poderia ser o mordomo do país.
Faltam-lhe os contactos com todas as vidas — com a vida da inteligência, que vive de ser vária e, entre os conflitos das doutrinas, não sabe decidir-se; com a vida da emoção, que vive de ser impulsiva e incerta; com a vida da (...)
O Chefe do Governo não é um estadista: é um arrumador. Para ele o país não se compõe de homens, mas de gavetas. Os problemas do trabalho e da miséria, como há ele de entendê-los, se os pretende resolver por fichas soltas e folhas móveis?
A alma humana é irredutível a um sistema de deve e haver. É-o, acentuadamente, a alma portuguesa.
Às vezes aproxima-se do povo, de onde saiu. E traz-lhe uma ternura de guarda-livros em férias, que sente que preferiria afinal estar no escritório.
É sempre e em tudo um contabilista, mas só um contabilista. Quando vê que o país sofre, troca as rubricas e abre novas contas. Quando sente que o país se queixa, faz um estorno. A conta fica certa.
O Prof. Salazar é um contabilista. A profissão é eminentemente necessária e digna. Não é, porém, profissão que tenha implícitas directivas. Um país tem que governar-se com contabilidade, não pode governar-se por contabilidade.
Assistimos à cesarização de um contabilista.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 222.POEMA DE AMOR EM ESTADO NOVO
Tens o olhar misterioso
Com um jeito nevoento,
Indeciso, duvidoso,
Minha Marta Francisca,
Meu amor, meu orçamento!
A tua face de rosa
Tem o colorido esquivo
De uma nota oficiosa.
Quem dera ter-te em meus braços,
Ó meu saldo positivo!
E o teu cabelo — não choro
Seu regresso ao natural —Abandona o padrão-ouro
Amor, pomba, estrada, porta,
Sindicato nacional!
Não sei por que me desprezas.
Fita-me mais um instante,
Lindo corte nas despesas,
Adorada abolição
Da dívida flutuante!
Com que madrigais mostrar-te
Este amor que é chama viva?
Ouve, escuta: vou chamar-te
Assembleia Nacional
Câmara Corporativa.
Como te amo, como, como,
Meu Acto Colonial!
De amor já quase não como,
Meu Estatuto de Trabalho,
Meu Banco de Portugal!
Meu crédito no estrangeiro!
Meu encaixe — ouro adorado!
Serei sempre o teu romeiro...
Pousa a cabeça em meu ombro,
Ó meu Conselho de Estado!
Ó minha corporativa,
Minha lei de Estado Novo,
Não me sejas mais esquiva!
Meu coração quer guarida
Ó linda Casa do Povo!
União Nacional querida,
Teus olhos enchem de mágoa
A sombra da minha vida
Que passa como uma esquadra
Sobre a energia da água.
Que aristocrático ri,
O teu cabelo em cifrões — Finanças em mise-en-plis! —
Meu activo plebiscito,
Nunca desceste a eleições!
Por isso nunca me escolhes
E a minha esperança é vã.
Nem sequer por dó me acolhes,
Minha imprevidente linda
Civilização cristã!
Bem sei: por estes meus modos
Nunca me podes amar.
Olha, desculpa-mas todas.
Estou seguindo as directrizes
Do professor Salazar.
Fernando Pessoa - O Último Ano. (Catálogo da Exposição Comemorativa do Cinquentenário da Morte de Fernando Pessoa, organizada e coordenada por Teresa Sobral Cunha e João Rui de Sousa.) Lisboa: Biblioteca Nacional, 1985.
- .N. do A.: «o demoliberalismo maçónico-comunista»
[Carta ao Presidente da República - b]
Quer isto dizer, Senhor Presidente, que uma nação haja sempre de ser governada por chefes acentuadamente tais, que não haja período em que possam estar no poder os inteligentes sem aura e os patriotas sem prestígio? Não o quer dizer. O que porém quer dizer é que esse prestígio de chefe, desnecessário muitas vezes num governo de época normal, é indispensável num governo de época anormal, imprescindível num governo de autoridade. O que porém quer dizer é que o Prof[essor] Salazar, não tendo tal prestígio, nem maneira de o ter, se deixou investir da aparência d'ele. É a sua túnica de Nessus[.J
Ninguém pode legitimamente culpar o actual Presidente do Conselho de não ter qualidades que não tem; pode legitimamente fazer-se de, não tendo tais qualidades, pretender tê-las e ter-se colocado em situação de, não podendo tê-las, ser todavia necessário que as tenha.
Culpa-se o Prof[essor] Salazar d'isto: de ser incompetente para o cargo que assumiu.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 229.[Carta ao Presidente da República - d]
Destinado assim naturalmente por Deus para executor de ideias de outrem, visto que as não tem próprias, de secretário de prestígio alheio, porque o não pode conquistar seu, o Prof[essor] Salazar quis alçar-se, ou deixou que o quisessem alçar, a um pedestal onde mal se acomoda, a um trono onde não sabe como sentar-se. Não conseguiram os titãs, e eram titãs, escalar o Olimpo; como o conseguirão os anões, condenados, para que possam parecer grandes, ao desequilíbrio constante das andas que lhes ataram às pernas?
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 231.quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
Carlos Coutinho - Pois é…
domingo, 21 de janeiro de 2024
Carlos Coutinho - Cadáveres adiados
FARIA hoje 470 anos um infeliz
rei misógino e sedento de glória que se chamava Sebastião e, ao contrário do
que Fernando Pessoa escreveu 400 anos mais tarde, foi um cadáver adiado por
pouco mais de uma década, mas nunca procriou.
No torvelinho da lendas e mitos
que entram na nossa história, teremos ficado com a memória embotada, a pontos
de nem repararmos no belo erro do poeta da “Mensagem”?
Confirme-se, então:
Louco, sim,
louco, porque quis grandeza
Qual a
Sorte a não dá.
Não coube
em mim minha certeza;
Por isso
onde o areal está
Ficou meu
ser que houve, não o que há.
Minha
loucura, outros que me a tomem
Com o que
nela ia.
Sem a
loucura que é o homem
Mais que a
besta sadia,
Cadáver
adiado que procria?
Sebastião I de Portugal e
Algarves, que encabeçou uma cruzada para Alcácer Quibir no dia 4 de agosto de
1578 e foi tema de lendas e narrativas, apelidado como "o Desejado",
“o Encoberto” e "o Adormecido", ascendeu ao trono muito jovem, com
apenas 3 anos, após a morte de seu avô, o Rei D. João III, sendo por isso,
instaurada em Lisboa uma regência durante a sua menoridade, primeiro pela sua
avó, a Rainha Catarina da Áustria e, depois, pelo seu tio-avô o cardeal D.
Henrique, o filho de rei que foi o primeiro grande chefe da Inquisição em
Portugal.
Muitas foram as hipóteses geradas
pela morte do tresloucado Sebastiãozinho, considerando algumas que o efeminado
rei cruzado não morreu durante a batalha de Alcácer Quibir, visto haver sido
raptado, pouco depois do desembarque e levado para essa cidade mourisca e
providencial.
O que é certo é que ele começou a
governar com apenas 17 anos e logo se lançou na sua aventura africana, assim
fornecendo a diversos tipos de portugueses a inebriante e salvífica crença de
que haveria de regressar à pátria numa manhã de nevoeiro como a que tenho neste
momento à beira-Tejo.
Mas lendas, crenças e
mistificações patrioteiras é o que mais abunda nos programas escolares de
antigamente e mesmo na cabeça de muitos professores em exercício.
A própria cidade de Lisboa ainda
é geralmente apregoada como uma conquista do fogoso príncipe vimaranense filho
da Tareja condessa portucalense, depois de uma conversa tida algures com um
Cristo enorme rodeado de anjos, num dos vários Ouriques que havia a norte e a
sul do Tejo.
É pena que assim continuemos, já
que algo idêntico se passa com a velhíssima cidade de Lisboa, sendo certo que
até nas universidades e academias é geral a ignorância sobre a criação fenícia
da Alis Ubo (Enseada Amena), topónimo que calcorreou um milenar percurso
fonético até estanciar com a designação atual.
Só que teve de passar pelo nome
romano de Felicitas Julia Olisipo, pelo árabe Al-ashbuna e pelo Lyxbone, como
aparece na carta intitulada “De repugnatione lyxbonensi”, assinada pelo erudito
cruzado britânico Osberno, um eclesiástico amante de lanças e espadas, e se
encontra no acervo na Universidade de Cambridge, tal como outra, mais sucinta,
subscrita por Arnulfo, também cruzado no cerco, conquista e saque de Lisboa.
Em 1147, quando os predadores, a
caminho de novas rapinas, seguiram para oriente, entregaram a Afonso Henriques,
o catolicíssimo rei minhoto, filho de uma autoproclamada rainha e neto de um
conde francês, uma urbe formidavelmente evoluída com cerca de 20 mil
residentes.
Muitos lhe chamavam então
qualquer coisa parecida com Lisboa, designação que frequentes vezes aparece nos
documentos na forma abreviada de Lx.
Felizmente, é já vasta e muito
saudável a historiografia atual em que me foi possível escabichar a matéria
deste meu descontraído apontamento.
domingo, 3 de abril de 2022
Fernando Pessoa - Anti-Gazetilha
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
Manuela Vieira da Silva
O namoro de Fernando Pessoa e Ofélia. Belíssimo trabalho de Victor Barroso Nogueira!

.jpg)
.jpg)
.jpg)




