Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 5 de janeiro de 2025
Miguel Esteves Cardoso - A Festa do «Avante!» chateia…
quarta-feira, 16 de outubro de 2024
Miguel Esteves Cardoso - Ler às pilhas é o melhor
* Miguel Esteves Cardoso
Ler em pilhas é a melhor maneira de ler. As pilhas não podem ter mais de 8 livros cada uma, para não dificultar muito a extracção. Isto sabendo que apetece sempre mais ler o livro que está por baixo.
16 de Outubro de 2024
Não consigo entrar num estúdio de rádio sem pensar em livros. Aquela mesa oval,
enorme, vazia, limpíssima, com um buraco no meio, dá-me vontade de ler.
Imagino-me no buraco, em cima de uma
cadeira com rodas, a circular por dentro da mesa, cheia de pilhas e mais pilhas
de livros novinhos em folha, todos a competir pela minha atenção
É assim que está a minha sala de estar neste momento, com pilhas de livros por
toda a parte, mas sempre à mão dos sofás onde me sento.
Ainda não foram arrumados – o que, em língua livreira, significa esquecidos,
sepultados, comprimidos uns contra os outros para nunca mais poderem dançar.
Ler em pilhas é a melhor maneira de ler. As pilhas não podem ter mais de oito
livros cada uma, para não dificultar muito a extracção. Isto sabendo que
apetece sempre mais ler o livro que está por baixo deles todos.
Mas é espantosa a quantidade de pilhas que se pode ter à volta de um sofá –
sobretudo com a cumplicidade de umas mesinhas e de uns jornais velhos dobrados,
para não serem contaminadas pelo chão.
Na leitura – se é que quer mesmo
competir com a Internet – o que conta é o acesso. Isso de uma pessoa
levantar-se estraga tudo. Quem consulta paga multa. E então quando não se
encontra o raio do livro e é preciso percorrer as prateleiras com o mandado de
busca nas mãos vazias.
O ser humano lida bem com o número
oito. É só uma meia dúzia mais dois: o ideal para uma pilha temática. O segredo
é saber fazer as pilhas, segundo os autores, ou as urgências, ou os
apetecimentos mais frequentes.
Depois, há a disposição das pilhas: a
pilha mais perto de si tem de ser um pódio – e todos os dias tem de ser
reavaliada, para ver quem merece lá ficar.
Em cada pilha, o livro de cima é o único que tem o direito de mostrar a capa.
Tem de ser muito bem escolhido, porque é esse – a preguiça é tramada – em que
mais vezes irá pegar.
Claro que as pilhas são temporárias.
São umas férias de Verão, antes de ir para o Inverno das estantes.
Colunista
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
Miguel Esteves Cardoso - Só encomendando
sábado, 2 de dezembro de 2023
Miguel Esteves Cardoso - R.I.P. Henry Kissinger
terça-feira, 5 de setembro de 2023
Miguel Esteves Cardoso - Nomes da nossa Terra
domingo, 7 de maio de 2023
Miguel Esteves Cardoso - O tom mestre-escola
segunda-feira, 1 de maio de 2023
Miguel Esteves Cardoso - Um café no Primeiro de Maio
sábado, 10 de dezembro de 2022
Miguel Esteves Cardoso - Recomendar é difícil
* Miguel Esteves Cardoso
30 de Novembro de 2022, 0:05
Estão sempre a perguntar-me se há alguma série realmente boa para ver e eu digo sempre a mesma: Ethos. São oito episódios de 50 minutos e pronto, num mundo ideal não seria preciso dizer mais.
Mas as pessoas são pessoas e, em vez de ir ver à Internet, continuam a falar como se estivéssemos no século XX: “Isso é o quê? Onde é que se pode ver isso? Qual é a história?”
Não gosto nada da maneira como nos transformam em vendedores, obrigando-nos a apresentar as recomendações como se estivéssemos a tentar roubar-lhes tempo de vida, e como se lucrássemos com isso.
A recomendação deveria bastar. O preço que se paga já é muito elevado: se a pessoa não gostar da série, ou do livro, ou do filme, nunca mais nos liga nenhuma e, de facto, aí, sim, amaldiçoa o tempo que perdeu com aquela porcaria. Mas não nos largam. Na verdade, pedem-nos pormenores triviais, não para serem aliciados, mas para serem repelidos: “Vai dizendo, até chegar à coisa que me vai afastar.”
O realizador está vivo? Que idade é que ele tem? Aqui as respostas são boas: sim, 45 anos. Não é a preto e branco, pois não? Não. Quando é que foi feito? Em 2020. Não me digas que foi durante a pandemia! Não, foi antes, podes estar descansado. Onde é que está? Está na Netflix. Aqui começa o descalabro. Na Netflix? Uma série boa na Netflix? Tens a certeza?
Tratam-me como se eu estivesse a tentar vender-lhes a Netflix. É como recomendar um filme que esteja no São Jorge e ser atacado por estar a defender o comércio da Avenida da Liberdade.
Não é uma série americana, pois não? Não. É turca. Turca?! Turca?! Sim, turca. O que é que tem? Nada, nada. Mas não vão ver. E se eu dissesse que a série foi recomendada por Orhan Pamuk? Aí, já a coisa melhora. Mas fica sempre a suspeita que Pamuk é amigo do realizador de Ethos, Berkun Oya.
Porque na Turquia, tal como em todos os países que não conhecemos, por muito grandes que sejam, toda a gente se conhece e ninguém faz nada por acaso.
Ninguém se safa.
Colunista
https://www.publico.pt/2022/11/30/opiniao/opiniao/recomendar-dificil-2029632
quinta-feira, 8 de julho de 2021
Miguel Esteves Cardoso - Setúbal é que é
sábado, 6 de março de 2021
Miguel Esteves Cardoso - Vivam os comunistas!
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Miguel Esteves Cardoso - Visitas de livros
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Miguel Esteves Cardoso - O canal proibido
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Miguel Esteves Cardoso - Morreu o passôbem
domingo, 17 de setembro de 2017
Miguel Esteves Cardoso - Retro-wifi vintage
16 de setembro de 2017, 7:05


