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sábado, 27 de junho de 2026

José Pacheco Pereira - Memórias da Biblioteca Pública Municipal do Porto


* José Pacheco Pereira

18 de maio de 2023 

A minha contribuição para a Hemeroteca foi evitar que publicações anarquistas e comunistas dos anos da I República desaparecessem, como tinha acontecido na Biblioteca Nacional, pelas mãos da PIDE e dos seus émulos.

As obras que se vão realizar no edifício da Biblioteca estão a gerar controvérsia pelo óbvio prejuízo dos que precisam de lá ir investigar, e há um abaixo-assinado a circular. Por outro lado, admito que o edifício precise de renovação e ampliação, e ser Souto Moura o arquitecto escolhido para esse projecto é uma garantia de qualidade. Por isso, tenho dificuldade em fazer a ponderação entre vantagens e inconvenientes, e não me pronuncio sobre a polémica. Mas desejo que se faça o possível para melhorar um dos edifícios e uma das instituições a que mais devo na minha vida. Nela “alimentei o monstro”, uma das melhores expressões inglesas para designar os estragos que a obsessão pela leitura faz num adolescente.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Jorge Figueiredo - A Biblioteca de Estaline, por Geoffrey Roberts

* Jorge Figueiredo

Stalin's Library foi escrito por um professor de história irlandês da Universidade de Cork, Geoffrey Roberts. Trata-se de um homem de formação conservadora que julgou conveniente acrescentar-lhe um subtítulo: “A Dictator and his books”. A sua ambição é fazer uma biografia (intelectual) daquele dirigente soviético através dos livros por ele lidos. A abordagem é pelo menos original e o autor tem credenciais como perito em história soviética. Anteriormente publicara uma biografia do general Jukov (Stalin's General) e uma obra com mais fôlego: Stalin's Wars: From World War do Cold War.

Os viéses da sua abordagem são evidentes logo na primeira linha da introdução, em que classifica Estaline como “um dos mais sangrentos ditadores da história” (sic). A afirmação é factualmente errada pois houve muitos outros chefes de Estado que o superaram. Poderia ter-se referido a Churchill, por exemplo, que foi responsável por muitíssimo mais mortes do que Estaline; ou pelo rei dos belgas que com a tecnologia do século XIX conseguiu matar mais de dois milhões de habitantes do Congo; ou por Napoleão Bonaparte que dizimou exércitos inteiros. E isso sem remontar à história mais antiga como os massacres de Gengis Khan (século XIII) e de Tamerlão (ou Timur) no século XV (diga-se de passagem que hoje Timur é considerado o herói nacional do Uzbequistão, com direito a uma enorme estátua na praça principal de Tashkent e a um mausoléu em Samarcanda).

Naturalmente, nos meios em que se move autor, diabolizar Estaline é obrigatório pois dá garantias de “respeitabilidade académica” & carreira. Entretanto, abstraindo esse parti pris, merece exame o aspecto principal da sua investigação. O autor teve acesso a muita documentação e entrevistou numerosas pessoas em Moscovo, beneficiando-se de trabalhos anteriores já feitos. A sua estimativa é de que a biblioteca de Estaline continha ao todo cerca de 25 mil livros. Note-se que “biblioteca” neste caso é mais um conceito do que uma realidade física pois estava espalhada por vários locais.

Um dos pontos com interesse é que grande parte dos seus livros continham anotações (pometki, em russo) do próprio Estaline, o que é uma indicação espontânea dos seus graus de interesse nas obras que lia. Elas podiam ser simples sublinhados, sinais de exclamação, de riso (“ah, ah”), de desprezo (“tagarelice”, “absurdo”, “lixo”, “asqueroso”, “patife”), efusivas (“sim, sim”, “concordo”, “bom”, “acertou em cheio”, “certo”), dubitativas (“m da”, que numa tradução livre poderia ser “realmente?”, “tem certeza?) ou organizativas (numeração de tópicos). Uma anotação frequente era o “NB”, do latim nota bene (atenção), mas muitas vezes havia frases inteiras com juízos mais elaborados. Verificava-se também que a leitura de certas obras foi abandonada, talvez com menosprezo, pois as anotações foram só nas primeiras páginas e nas conclusões.

A parte principal da biblioteca ficava na casa de campo (dacha) de Estaline próxima do Kremlin, a 10 minutos de viagem. Durante a II Guerra, quando a tropa nazi se aproximava de Moscovo, toda a biblioteca foi encaixotada e despachada para Samara (a 1000 km) – mas o próprio Estaline permaneceu o tempo todo em Moscovo. Após a sua morte o PCUS considerou transformar aquela dacha num museu dedicado a Estaline, mas a ideia foi posteriormente vetada por Krushov. Em consequência, e lamentavelmente, a biblioteca foi parcialmente dispersa por vários organismos estatais.

Estaline era um leitor voraz e, como diz Roberts, “raramente lia para confirmar o que já sabia ou acreditava. Ele lia para aprender algo novo”. A gama dos seus interesses era vasta. Além dos clássicos do marxismo, tinha especial interesse por história russa e de outros países, história e estratégia militar, biografias, memórias, diplomacia, filosofia, economia política, finanças, agricultura, indústria, a questão nacional, estatísticas, etc. A pedido da sua bibliotecária chegou a fazer um sistema de classificação/arrumação da sua biblioteca, com cerca de 30 tópicos (p. 66 do livro).

Ele também lia cuidadosamente o que escreviam os seus inimigos: as obras de Trotsky constavam na sua biblioteca. Os três volumes da auto-biografia de Bismarck, o grande mestre da realpolitik, foram por ele lidos e anotados minuciosamente. As quatro obras de Genrik Leer, estratega do século XIX considerado como o Clausewitz russo, foi por ele estudado. Mas o seu teórico de estratégia favorito parece ter sido Boris Shaposhnikov, um antigo oficial czarista que aderiu ao Exército Vermelho em 1918. O que mais apreciava em Shaposhnikov era a combinação da grande estratégia com pormenores organizacionais críticos. Por outro lado, Estaline tinha consciência das suas limitações pois chegou a pedir a um professor de filosofia especialista em Hegel que lhe desse explicações acerca da dialética hegeliana (fica-se a pensar se algum dos nossos governantes contemporâneos se atreveria a uma tal proeza).

No campo da literatura propriamente dita, Estaline também lia por prazer. Tinha um vasto conhecimento da literatura clássica russa (Gogol, Pushkin, Dostoievsky, Turgeniev, ...) e estrangeira: Shakespeare, Heine, Balzac, V.Hugo, Guy de Maupassant e outros escritores da Europa ocidental. Entretanto, não apreciava o vanguardismo pois considerava-o como pouco acessível à massa dos leitores. O romance A Mãe, de Gorki, estava todo anotado por Estaline, mas o que realmente o excitou foi a frase de um personagem, ex-camponês tornado operário:   “Ajude-me! Deixe-me ter livros – livros que quando um homem os ler já não seja capaz de descansar. Que coloquem um ouriço espinhento nos seus cérebros. Diga às pessoa da cidade que escrevem para escreverem também para os aldeões. Que escrevam uma verdade tão candente que faça ferver a aldeia, que o povo até corra para a morte” (p. 94).

Estaline considerava que se podia aprender de reacionários e que não se deveria confundir um escritor com a sua obra artística. Deu como exemplo o Almas mortas, romance de Gogol cujo título refere-se aos servos da sociedade czarista:   “Gogol foi sem dúvida um reacionário. Ele era um místico. Era contra a abolição da servidão... Mas... a verdade artística das Almas mortas de Gogol teve um enorme impacto sobre várias gerações da intelligentzia revolucionária... As visões de mundo dos escritores não deveriam ser confundidas com o impacto das suas obras sobre os leitores” (p. 179). Esta visão nuançada é plasmada na sua tese acerca da autonomia relativa da super-estrutura social em relação à sua base económica – uma contribuição positiva para a filosofia marxista, pois demarca-a do determinismo económico bruto.

Um capítulo do livro de Roberts é dedicado ao papel de Estaline como editor. Ele editava textos com clareza e precisão. Muitas obras escritas por comissões de especialistas na verdade foram tão fortemente editadas por ele que poderia ser considerado como co-autor das mesmas. É o caso da Breve história do Partido Comunista da União Soviética (1938), o volume dois da História diplomática (1941); a 2ª edição da sua breve biografia (1947); o folheto Falsificadores da história (1948) e o manual soviético Economia política (1954). Se fosse preciso resumir, os seus critérios de edição talvez pudessem ser:   1) Manter as coisas tão simples quanto possível; 2) Evitar palavras desnecessárias num manual didático; 3) Ter em atenção o público-alvo a que se destina a obra; 4) Concentrar-se no assunto tratado; 5) Considerar que são as ideias que importam, não os indivíduos – ideias num contexto teórico.


Em resumo: Mesmo com os preconceitos deste sovietólogo irlandês, Stalin's Library é um livro que se pode ler com interesse e proveito. Apesar da vontade permanente de denegrir a figura de Estaline, não se pode deixar de observar que Roberts tem um fascínio pelo objeto do seu estudo. Transparece no livro que a bagagem de leitura ciclópica de Estaline, a seriedade com que estudava os assuntos e a sua capacidade de trabalho gigantesca em tantas e tão diversas frentes do conhecimento humano suscitaram a sua admiração.

18/Dezembro/2022

Esta resenha encontra-se em resistir.info

18/Dez/22

https://resistir.info/jf/resenha_bibl_est.html

sábado, 28 de julho de 2018

JOSÉ PACHECO PEREIRA . Os livros e os papéis que vão para o lixo


OPINIÃO

Agora que ando com um grupo de amigos e voluntários “aos papéis”, estou numa posição privilegiada para saber onde milhares de livros e arquivos vão parar.
28 de Julho de 2018, 6:42

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Livros são uma das coisas que nos nossos dias têm mais probabilidade de ir parar ao lixo. Não exagero, é mesmo assim. As razões são cada vez mais habituais: despejos ou mudanças de casa sob a pressão das novas rendas e leis do inquilinato, e as novas casas por sua vez não têm espaço para os livros, divórcios, falecimentos, e “os meus filhos não se interessam por isto”. Não me cabe julgar, até porque estou consciente do drama que muitas vezes é esta separação de alguém dos livros de uma vida.
Mesmo quando são oferecidos a bibliotecas ou instituições, a resposta habitual é que não os querem. Conheço muitas destas histórias e podem-se compreender algumas das razões da recusa, e saber que, nalguns casos, não existem mesmo condições para os receber — nem pessoal para os tratar, nem espaço para os acolher, nem recursos para os conservar. Tudo isto é verdade. Mas estes “nãos” são também favorecidos por uma concepção “moderna” do que é uma biblioteca pública, com muita animação, Internet, jogos, música e DVD, e com uma enorme dificuldade em pôr as pessoas a ler livros. É um problema que transcende as bibliotecas, e que se relaciona com a dificuldade de manter, no mundo contemporâneo de distracções e rapidez, actividades “lentas” e silenciosas como a leitura.
Não é uma questão de ter qualquer fetichismo com os livros, mas a de registar uma clara desvalorização do valor patrimonial das bibliotecas que explica a demasiada pressa, desleixo e pouco cuidado em responder que não às ofertas, ou em encontrar alternativas que encaminhem os livros, em função da sua natureza, para outros destinos e outras necessidades. E por isso ou vão de imediato para o lixo, ou ficam uns anos em caixas para depois irem também para o lixo, para o bolor e para os bichos que os comem com mais vontade do que os humanos.
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Esta desvalorização do carácter patrimonial das bibliotecas leva muitas vezes a considerá-los um “peso morto” que ninguém consulta. Também não tem de ser assim, porque há maneiras de dar vida ao “morto” com vontade e imaginação. Na verdade, as listas dos livros que nunca foram consultados, que alguns investigadores e bibliotecários fizeram, principalmente fora de Portugal, e que jazem nas estantes há décadas, sem nunca terem visto um olhar humano, são particularmente interessantes. Também não me custa perceber que a mesma falta de imaginação nas bibliotecas é o espelho do conservadorismo e apatia nos temas de investigação nas universidades. Por exemplo, eu gostava de ler alguma investigação sobre a “má” poesia (em edições de autor, mas não só), que enche estantes sobre estantes, por que é que é “má”, por que é que é escrita, é escrita por quem e quem é que acha que deve gastar dinheiro a publicá-la. Suspeito que algumas respostas não são as que pensamos ser óbvias.
Agora que ando com um grupo de amigos e voluntários “aos papéis”, estou numa posição privilegiada para saber onde milhares de livros e arquivos vão parar. Já se salvaram muitos e continuamos a fazê-lo, mas também já fomos buscar bibliotecas e arquivos literalmente ao lixo. E não estamos a falar de pequenas bibliotecas, ou de livros de refugo, se é que há disso. Estamos a falar de verdadeiras bibliotecas que não são ajuntamentos, e que contêm critérios de selecção e sinais da identidade de quem as fez, dedicatórias, notas nos livros, coerência entre si. E, ainda mais grave, estamos a falar de arquivos e papéis únicos, correspondência, manuscritos, etc., que, desaparecendo, fazem desaparecer com eles parte da nossa história. A micro, mas também a macro. Por exemplo, o lixo diz-nos que estão a desaparecer arquivos e livros que pertenciam a antigos altos funcionários coloniais, que estão a morrer e, com eles, parte da nossa história “ultramarina”. Voltaremos noutra altura aqui.
Tudo isto vem a pretexto de um acontecimento desta semana. Avisados por um amigo de que estava ao ar livre num sucateiro informal, muito informal, num improvável local, uma grande pilha de livros, fomos lá ver e conseguimos falar com o homem que os recebeu, para fazer um favor a uma junta de freguesia que os despejou de uma camioneta como lixo. O seu valor para o nosso homem é o do papel, neste caso cerca de tonelada e meia.

https://www.publico.pt/2018/07/28/culturaipsilon/opiniao/os-livros-e-os-papeis-que-vao-para-o-lixo-1839344

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Bibliotecas escolares “fazem leitores de literatura

”



RITA PIMENTA 27/02/2016 - 14:42

Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia da Fundação “O Século” termina este sábado em Lisboa. Professores bibliotecários desmultiplicam-se em actividades de promoção da leitura. Fazem-no junto dos alunos, mas também dos outros professores, que lêem pouco.

A Rede de Bibliotecas Escolares já tem 20 anos 
 

Definem um tema para o ano lectivo que se enquadre no projecto educativo da escola, seleccionam um conjunto de livros segundo critérios literários e estéticos de qualidade, planificam leitura orientada, articulam as actividades com a família e no final tentam que um escritor visite a escola.

Um breve resumo da experiência de dez anos da professora bibliotecária Lúcia Barros, do agrupamento de escolas António Feijó, em Ponte de Lima, partilhada no 2.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia da Fundação “O Século”, que terminou neste sábado e levou escritores, ilustradores e narradores a 20 escolas da Grande Lisboa, abrangendo cerca de 2200 alunos.

“A promoção não vive do improviso”, disse a também investigadora na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (em promoção da leitura em família), lembrando que a Rede de Bibliotecas Escolares já tem 20 anos e afirmando que o trabalho junto dos professores continua fundamental, para que também eles leiam mais.

“Quando dou formação aos meus colegas, a primeira reacção que obtenho é a surpresa que mostram por haver tantos livros e de boa qualidade para crianças”, conta ao PÚBLICO, depois de apresentar a sua comunicação no painel “Os escritores, a promoção da leitura e as bibliotecas escolares”, que partilhou com os autores António Mota, Clovis Levi e José António Gomes.

Durante o encontro houve vários escritores que manifestaram o seu descontentamento por se aperceberem de que nalgumas escolas os professores estão impreparados para os receber, não conhecendo os livros nem os autores. Uma situação caricata contada por António Mota. “Numa escola, estava eu a autografar os livros aos miúdos e a professora, que não tinha livro, pediu-me para pôr o autógrafo numa folha de papel…”

Cinco minutos por dia
Lúcia Barros sabe que os professores são solicitados para inúmeras tarefas burocráticas que os esgotam e por isso compreende que, quando o professor bibliotecário se lhes dirige com um projecto de leitura, a reacção seja: “Mais trabalho?” Mas não é disso que se trata, “a ideia é optimizar o trabalho do professor, é isso que nós fazemos”, diz.

No caso do agrupamento em que trabalha (com 2200 alunos, oito estabelecimentos de ensino, sete bibliotecas escolares e duas professoras bibliotecárias), essa recusa inicial está praticamente ultrapassada, “os meus colegas quando estão a preparar o ano lectivo seguinte já vêm perguntar qual o tema escolhido para as actividades de leitura”.

Sublinha que veio ao encontro da lusofonia partilhar a sua experiência e não “dar uma receita”. Uma das práticas que deu a conhecer foi a da “leitura gratuita”, para o pré-escolar e 1.º ciclo. A saber: na sala de professores há uma caixa com livros, cada professor escolhe um e leva para a sala de aula. Nos cinco minutos iniciais, lêem um texto, um poema ou um capítulo. Não perguntam nada.

“No fim de um ano lectivo, os meninos ouviram 150 textos ‘à borla’, ninguém lhes pediu uma ficha de trabalho no fim. Ao fim dos quatro anos do 1.º ciclo, foram 600 textos que entraram na enciclopédia literária dos alunos”, conclui satisfeita. “Ao criarmos leitores de literatura, estamos a contribuir para a formação completa do indivíduo e do cidadão. Não é essa a missão da escola?"

Lúcia Barros alerta as escolas para o “bombardeamento editorial e autoral”. Conta que no início “rara era a semana em que não fosse à biblioteca um autor que precisava de divulgação ou uma editora que queria levar alguém à força”. Ao PÚBLICO disse que por vezes aparecem editoras com “três livros a dez euros e já com os papelinhos prontos para os alunos mostrarem aos pais”.

Pagar ao escritor
A professora de Português e de Francês recebe os escritores na escola depois de os alunos já estarem familiarizados com a sua obra e, usando as palavras de José António Gomes, diz que “os encontros com escritores devem culminar projectos de leitura”, mas admite que haja outras formas de trabalhar. O que não admite é “as escolas acharem que os escritores têm a obrigação de lá ir de borla”, no pressuposto de que “é uma oportunidade de divulgarem os livros”, diz. E acrescenta: “Ele nesse dia não produz e a escrita é a vida dele. É quase uma falta de respeito considerar-se que o escritor não deve ser pago.”

O escritor António Torrado, também convidado pela Fundação “O Século”, diz ao PÚBLICO: “Não recebo cachet. As escolas não têm meios e as câmaras reservam as verbas para os músicos, para as cantorias...”

Considera as idas a escolas “uma extensão do trabalho do escritor, sabemos que os nossos livros são lidos”. E gosta. “Mas fazer sessões com meninos e não encontrar um livro nosso é um desconsolo. Os escritores precisam de ser estimulados, é essa calda de ternura que nos mobiliza, dá força de vida e capacidade de trabalho para continuarmos.”

António Torrado admite que alguns autores não gostem: “Um escritor é um bicho do mato e pode ter receio de ser confrontado com as perguntas das crianças.” Como esta, que conta divertido: “Quantas vezes recebeu o Prémio Nobel?” Depois de responder “nenhuma”, o autor diz ter-se sentido “imediatamente descredibilizado”.

Para o escritor, só no convívio com as crianças é que lhe poderiam ter surgido brincadeiras com as palavras como a que uma menina motivou: “A almofada tem ‘fada’ dentro”, disse-lhe numa sessão. A seguir descobriram que “camaleão” tem um “leão” e uma “cama”. E foram surgindo mais palavras dentro de outras. 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/bibliotecas-escolares-fazem-leitores-de-literatura-1724620?page=-1


segunda-feira, 19 de março de 2012

Ross Macdonald


Ross Macdonald(pseudonym of Ken Millar)
(1915-83)

"No once since Macdonald has written with such poetic inevitability about people, their secret cares, their emotional scars, their sadness, cowardice, and courage. He reminded the rest of us of what was possible in our genre."
-- John Lutz, in 
January Magazine
"We're all guilty"
-- Lew Archer
, in 
The Blue Hammer

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Kenneth Millar, under the pen name of Ross Macdonald, arguably forms the third point of what is now considered the Holy Trinity of hardboiled detective fiction, the other points being, of course, Dashiell Hammett and Raymond Chandler, and is, to many, the most critically and academically respected of the three.

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Although born in Los Gatos, California, December 13th, 1915, he was raised and educated in Canada by his mother, a never particularly healthy woman, and a succession of relatives, after she and his father, a sometime sailor/poet/writer, separated. "I counted the number of rooms I had lived in during my first sixteen years, and got a total of fifty," he has written. This rootlessness, and the hole left by an absent parent, was to become a recurring motif in Millar's fiction.
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He attended boarding schools, and in 1938, he took a break from his studies at the University of Western Ontario to travel for a year in Europe, including a visit to Nazi Germany. He returned to Canada, married Margaret Sturm, and acquired advanced degrees and a Phi Beta Kappa key at the University of Michigan. He began to teach and, inspired by his wife's success as a writer (yes, she was THAT Margaret Millar), he began to write. In 1939, their daughter, Linda, was born.
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During World War II, perhaps unconciouslesssly following in his seaman father's footsteps, Millar served as communications officer aboard an escort carrier in the Pacific with the American navy. Stationed in California, Margaret went to visit in 1946, and the couple decided to stay on. They lived in Santa Barbara for the rest of their lives. At this point, Millar had gone full circle, returning to his birthplace, with a family once more.
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Life was good, or at least appeared to be. Both Millar (under the pen name of first John Macdonald, then John Ross Macdonld and finally Ross Macdonald) and Margaret were regularly being published. Millar has begun a series, featuring private detective Lew Archer, beginning with 1949's The Moving Target.
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And yet his past would not be denied--it lurked, waiting to pounce. And his own family life was less than ideal--there were difficulties in the marriage, and Linda was a troubled child. Therapy helped, and 1959's novel, The Galton Case became a watershed, both personally and artistically, in Millar's life. Archer's (and Millar's) obsession with the twisted, secret history of families, and how the sins of the past shape the present, were finally nailed down, for all who cared to see. Although the early Archer's were well-written and tightly plotted, The Galton Case really got down to business. From that point on, it has been noted, Macdonald wrote the same story over and over, endless variations on the same themes of lost and abandoned children, absent parents, family secrets denied. In the hands of a lesser writer, this would amount to hack work, perhaps. But not in Macdonald's hands.
In 1969, a favorable front page review in The New York Times Book Review, by William Goldman,of Millar's latest Archer novel, The Goodbye Look, followed by an interview by John Leonard, finally brought him the critical attention he had always felt was his due, and certainly the critical respect his reputation now has was jump-started by the piece. But his popularity (he supposedly sold a whole hell of a lot of books-one article I read recently mentioned "Stephen King-like sales") must be based on more than a few pieces in the NYTBR.
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In fact, as contributor Jim Doherty points out:
"...although the articles referred to did seem to confirm Macdonald's status , they were not the beginning of his being thought of as the "Holy Ghost" to Hammett's "Father" and Chandler's "Son." If there is any one critic who put Macdonald in that august company, it was Anthony Boucher, who once said that, without in the least diminishing his admiration for Hammett and Chandler, he believed that Macdonald was the best writer of the three. I believe he said that in the early '60s. Certainly, critics started using the phrase "in the tradition of Hammett, Chandler, and Macdonald" as early as the '60s. The fact that Knopf was the publisher of all three also lent some gravitas to Macdonald, as did the fact that Hammett's first PI novel appeared in '29, Chandler's in '39, and Macdonald's in '49 made it seem like a natural development in the PI novel was taking place.
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While Macdonald may not have been perceived as the equal of Hammett and Chandler as early as the '50s, he was certainly the most critically acclaimed PI writer of that decade. Michael Avallone (RIP) was the one who coined the "Father, Son, & Holy Ghost" quip to describe Hammett, Chandler, and Macdonald, again, I beleive, in the early '60s. The critical and commercial success of the film Harper, based on Macdonald's first novel The Moving Target, in '66 added to his luster. All this predates the articles in Newsweek and the NY Time Book Review. These really were the culmination of a long process of critical acclaim that greeted Macdonald almost from the first."
Were all those fans taken in? For a lot of people, the Lew Archer books are a literary touchstone in their lives, and certainly in mine. I read one, on the recommendation of a friend, and I had soon devoured everyone I could find. And at the time I knew nothing of Macdonald's critical rep, other than a few scattered cover blurbs.
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Certainly, some of the puffery about Macdonald, particularly by Macdonald himself, is hard to swallow. And not all the books are that strong. Then again, he wrote lots of books, more than Hammett and Chandler combined. And he did take the crime novel in directions it had never really gone before, and sold a lot of books doing it.
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Archer was perhaps the first of the compassionate eyes to truly make a mark, and ushered in a whole new psychological depth to the hardboiled detective story. Millar's other interests included conservation and politics. He charted the fascinating and ever-evolving society of his native state, although his main thrust would be the twisted and hidden secrets of the human heart, the hidden truths that dog victim and murderer alike.And in the long run, he's remained a strong influence on the hardboiled genre, like it or not.
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Certainly you can see traces of Archer's compassion (or bleeding heart weenie-ness, depending on your point of view) in the work of Robert Parker, Robert Crais, Michael Collins, Bill Pronzini, Sue Grafton, Joseph Hansen, Jonathan Valin and Stephen Greenleaf, among countless others. Someone must have actually read the books, and not just a few newspaper pieces.
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He served as president of The Mystery Writers of America inj 1965, received the Silver Dagger in 1964 and the Gold Dagger in 1965 from The British Crime Writers Association, and in 1981, received The Eye, the Lifetime Achievement Award from The Private Eye Writers of America.
Ken Millar died on July 11, 1983, leaving behind a body of work that has forever left its mark on detective fiction. The Archer novels ask us to not so much solve the mysteries of our own lives, but, even more importantly, perhaps, to try to understand them.
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UNDER OATH
  • "If Dashiell Hammett can be said to have injected the hard-boiled detective novel with its primitive force, and Raymond Chandler gave shape to its prevailing tone, it was Ken Millar, writing as Ross Macdonald, who gave the genre its current respectability, generating a worldwide readership that has paved the way for those of us following in his footsteps."
    -- Sue Grafton, from the introduction to Ross Macdonald: A Biography

  • "(The) American private eye, immortalized by Hammett, refined by Chandler, brought to its zenith by Macdonald"
    -- New York Times Book Review

  • "...the greatest mystery novelist of his age, I would argue, even greater than Chandler."
    --John Connolly, creator of Charlie Parker; cited in The Line-Up.
NOVELS
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SHORT STORIES
  • as Kenneth Millar
  • "The South Sea Soup Co." (The Grumbler, 1931)
  • "Fatal Facility" (July 29, 1939, Saturday Night; poem)
  • "Find the Woman" (June 1946, EQMM; Lew Archer)
  • "The Sky Hook" (January 1948, American Mercury)
  • "The Bearded Lady" (American Magazine, October 1948; Lew Archer)
  • "Shock Treatment" (January 1953, Manhunt)
  • "The Imaginary Blonde" (February 1953, Manhunt; aka "Gone Girl"; Lew Archer)
  • "Murder in the Library" (1965, Mystery Writers' Annual)
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  • as John Ross Macdonald
  • "The Guilty Ones" (May 1953, Manhunt; aka "The Sinister Habit"; Lew Archer)
  • "The Beat-Up Sister" (October 1953, Manhunt; aka "The Suicide"; Lew Archer)
  • "Guilt-Edged Blonde" ( January 1954, Manhunt; Lew Archer)
  • "Wild Goose Chase" (Ellery Queen's Mystery Magazine, July 1954; Lew Archer)

  • as Ross Macdonald
  • "Midnight Blue" (October 1960, Ed McBain's Mystery Magazine; Lew Archer)
  • "The Sleeping Dog" (April 1965, Argosy; Lew Archer)
COLLECTIONS
  • The Name is Archer (1955; as John Ross Macdonald; Lew Archer)
    Includes "Find the Woman," "Gone Girl," "The Bearded Lady," "The Suicide," "Guilt-Edged Blonde," "The Sinister Habit" and "Wild Goose Chase"

  • Lew Archer, Private Investigator (1977; Lew Archer)
    All the stories from The Name is Archer, plus "Midnight Blue" and "The Sleeping Dog"

  • Strangers in Town: Three Newly Discovered Stories (2001; Lew Archer). Buy this book
    Previously unpublished stories, edited by Macdonald biographer Tom Nolan, one featuring Joe Rogers (who was also in Macdonald's 1st EQMM short, which was later re-written to star Lew Archer) and 2 with Lew Archer.
SHORT NON-FICTION AND ESSAYS
  • "Homage to Dashiell Hammett" 1964, Mystery Writers' Annual)
  • "A Death Road for the Condor" (April 6, 1964, Sports Illustrated)
  • "The Writer as Detective Hero" (January 1965, Show)
  • "Cain X 3" (March 2, 1969, New York Times Book Review)
  • "Life with the Blob" (April 21, 1969, Sports Illustrated)
  • "Santa Barbarans Cite an 11th Commandment: 'Thou Shalt Not Abuse the Earth'" (October 12, 1969, New York Times Magazine; with Robert Easton)
  • "Down These Streets a Mean Man Must Go" (Spring/Summer 1977, Antaeus #25-26)
  • "The Private Detective" (October 23, 1977, New York Times Book Review, also used as introduction to Lew Archer, Private Investigator)
  • "Writing The Galton Case" (1973, On Crime Writing; also includes "The Writer as Detective Hero")
  • "Lew Archer" (1978, The Great Detectives)
  • "A Preface to 'The Galton Case'" (1969, Afterwords: Novelists on Their Novels)
  • "Foreword" (From Archer at Large, an omnibus featuring three of the Archer novels)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Biblioteca española lanza guía con propuestas literarias infantiles

Poemas del Alma

Una nueva celebración navideña se acerca y, ante la proximidad de la fecha, numerosas personas de todas partes del mundo ya piensan en comprar diversos obsequios para sorprender a sus familiares. 
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Libros infantilesPara que este inevitable proceso de selección de regalos sea lo más rápido y sencillo posible y contemple opciones didácticas y entretenidas capaces de alegrar a quien las recibe, las autoridades de la sala infantil de la biblioteca José Hierro que se localiza en el municipio español de Talavera de la Reina han decidido editar una guía que incluya los títulos de los libros más recomendables para los niños.
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Según le confió a la agencia EFE Melque Lator, la responsable de este proyecto, ya se han lanzado 200 ejemplares de esta publicación que se ha dado a conocer bajo el nombre de “Un cuento, un aliado”. 
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De acuerdo a sus declaraciones, la idea de realizar este material surgió ante la gran cantidad de consultas que se registraron en el último tiempo por parte de padres que deseaban saber qué obras podían ayudar a sus hijos a superar miedos o complejos, a entender el concepto de muerte y a comprender la llegada al mundo de un bebé de forma sencilla y amena.
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Para facilitarles a estos adultos la elección de libros infantiles, pues, se llevó a cabo esta guía que promete ir renovándose con el surgimiento de nuevos textos y que no sólo promueve la lectura de propuestas dirigidas a los más pequeños sino también el interés de los mayores sobre textos de temática educativa o de psicología infantil que están disponibles en la biblioteca. 
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Si aún no decidieron qué encargarle a Papá Noel para los niños de la familia, tal vez la consulta de “Un cuento, un aliado” los ayude a elegir una opción entretenida y útil que consiga cautivarlos.

Publicado por Verónica Gudiña el 10 de Diciembre de 2010 a las 01:16 pm
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Biblioteca española recomienda 1001 libros indispensables

Poemas del Alma


18
Feb



Publicado por Julián Pérez Porto
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La biblioteca española José Hierro que se localiza en el municipio de Talavera de la Reina, la misma entidad que tiempo atrás mereció un espacio en Poemas del Alma por haber lanzado una guía con propuestas literarias infantiles, ha sorprendido una vez más a los aficionados a la lectura con una original iniciativa que, como no podía ser de otra manera, anima a interesarse en los libros y a disfrutar las bondades que ofrece el mundo de las letras.
Biblioteca.
En esta oportunidad, la novedad tiene que ver con la implementación de un segmento sugerente en la sala de préstamos que lleva como título “1001 libros que hay que leer antes de morir”. 
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Si bien Adoración Manzano, la directora de la biblioteca, reconoció ante la agencia EFE que “un especial sobre recomendados siempre es discutible”, la idea de esta iniciativa es tentar a la población con una selección “de clásicos contemporáneos de los siglos XIX y XX, tanto de autores nacionales como de internacionales”. 
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Para poder brindar este servicio dirigido a lectores de todas las edades, confiaron las autoridades, en el último tiempo se destinó un importante fondo a la compra de títulos trascendentes que no estaban incluídos en el catálogo de esta biblioteca que abrió sus puertas en 2003 pero que merecían ser presentados ante quienes concurren al lugar con el propósito de descubrir diversas propuestas literarias.
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Aunque habrá que aguardar algunos meses para determinar si este plan rindió sus frutos, no caben dudas que quienes llevan adelante la biblioteca José Hierro saben cómo generar pasión por los libros y hacer que sea cada vez más la gente que se interesa por la lectura. La mesa de “títulos devueltos en el día” (un sector que entusiasma a través de obras seleccionadas por otros lectores), un especial de libros de autoayuda y una oferta temática inspirada en Japón son otras alternativas que enriquecen a esta institución española.
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