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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Nazim Hikmet - Dom Quixote

 

2026 05 21 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - D. Quixote, de Cervantes

Este mural foca-se na literatura clássica universal, trazendo uma representação estilizada e abstrata de Dom Quixote de la Mancha e o seu fiel escudeiro, Sancho Pança, personagens imortalizadas pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes.

O poema parcialmente  transcrito neste mural do Dom Quixote é do famoso poeta turco Nâzım Hikmet (1902–1963).

"Il cavaliere dell'eterna gioventù
ormai verso la cinquantina
la legge che batteva
nel suo cuore
partì un bel mattino
di luglio
per conquistare il bene,
il vero il giusto..."

O poema intitula-se originalmente Don Chisciotte (Dom Quixote) e faz parte da sua célebre obra poética mundialmente traduzida. Como curiosidade, a tradução mais famosa deste poema para a língua italiana foi feita justamente por Joyce Lussu, a ativista e escritora que também foi homenageada no mural anterior (o do poema sobre as sapatilhas de Buchenwald).

Aqui está o texto integral do poema "Dom Quixote" (1947), do poeta turco Nazım Hikmet, traduzido para o português:

Dom Quixote

O Cavaleiro da Eterna Juventude
obedeceu, até os cinquenta anos,
à verdade que pulsava em seu coração.
Partiu numa bela manhã de julho
para conquistar o belo, o verdadeiro e o justo.
Diante dele estava o mundo
com seus gigantes abjetos,
e sob ele estava Rocinante,
triste e heroico.

Sei
que uma vez que se cai nessa paixão
e se tem um coração de um peso respeitável,
não há nada a fazer, Dom Quixote,
nada a fazer:
é preciso arremeter contra os moinhos de vento.

Tu tens razão: Dulcineia é a mulher mais bela do mundo.
Certo que seria preciso gritar isso mesmo
na cara dos grandes mercadores;
certo que eles se atirariam sobre ti
e te moeriam de pancada.
Mas tu és o invencível Cavaleiro da Sede.
Tu continuarás vivendo como uma chama
em tua áspera armadura de ferro
e Dulcineia será cada dia mais bela.» (Google Gemini)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Nâzım Hikmet. - Hás-de saber morrer pelos homens

* Nâzım Hikmet. 

Hás-de saber morrer pelos homens
E além disso por homens que se calhar nunca viste
E além disso sem que ninguém te obrigue a fazê-lo
E além disso sabendo que a coisa mais real e bela é
Viver

Nazim Hikmet - Eles são inimigos da esperança, meu amor

* Nazim Hikmet 

Eles são inimigos da esperança, meu amor,
são inimigos da água corrente,
da árvore que está frutificando,
da vida que está se desenvolvendo.
Porque a morte carimbou a testa deles:
– dentes apodrecendo, carne se deteriorando –,
vão ser destruídos e nunca mais voltarão.
E sem dúvida, meu amor, sem dúvida,
a liberdade caminhará livremente neste país lindo
com a sua melhor roupa:
o uniforme de operário...


 
Onlar ümidin dümanıdır, sevgilim,
akar suyun,
 meyve çaında aacın,
 serpilip gelien hayatın dümanı.
Çünkü ölüm vurdu damgasını alınlarına :
 — çürüyen di, dökülen et —,
 bir daha geri dönmemek üzre yıkılıp gidecekler.
Ve elbette ki, sevgilim, elbet,
dolaacaktır elini kolunu sallaya sallaya,
dolaacaktır en anlı elbisesiyle : içi tulumuyla
 bu güzelim memlekette hürriyet...
6 Aralık 1945
Onlar ümidin düşmanıdır, sevgilim,
akar suyun,
 meyve çağında ağacın,
 serpilip gelişen hayatın düşmanı.
Çünkü ölüm vurdu damgasını alınlarına :
 — çürüyen diş, dökülen et —,
 bir daha geri dönmemek üzre yıkılıp gidecekler.
Ve elbette ki, sevgilim, elbet,
dolaşacaktır elini kolunu sallaya sallaya,
dolaşacaktır en şanlı elbisesiyle : işçi tulumuyla
 bu güzelim memlekette hürriyet...


Marco Syrayama de Pinto e John Milton. Poemas a Piraye, de Nazim Hikmet Nazım
7

Nazim Hikmet - Não tem descrição, – eles dizem, – a pobreza de Istambul,

* Nazim Hikmet

Não tem descrição, – eles dizem, – a pobreza de Istambul,
a fome, – eles dizem, – fez o povo sofrer,
a tuberculose, – eles dizem, – está em toda parte.
Garotinhas estão sendo... – eles dizem,
Em terrenos baldios e nos assentos dos cinemas...
. . . . .
. . . . . . . . .
Notícias terríveis estão chegando de minha cidade distante:
A cidade das pessoas honestas, trabalhadoras, pobres –
minha Istambul verdadeira,
Esta é a cidade que é o seu habitat, meu amor
e para onde quer que seja exilado, em qualquer prisão em que
eu estiver
eu a levo em minha sacola nas costas
como a dor da perda de um filho no meu coração
como sua imagem que levo nos meus olhos...


Tarif kabul etmez, — diyorlar, — İstanbulun sefaleti,
milleti, — diyorlar, — kırıp geçirdi açlık,
verem illeti, — diyorlar, — diz boyu.
u kadarcık kız çocuklarını, — diyorlar, —
 yangın yerlerinde, sinema localarında...
. . . . .
. . . . . . . . .
Kara haberler geliyor uzaktaki ehrimden :
namuslu, çalıkan, fakir insanların ehri —
 sahici İstanbulum,
sevgilim, senin mekânın olan
ve nereye sürülsem, hangi hapiste yatsam
 sırtımda, torbamın içinde götürdüüm
 ve evlât acısı gibi yüreimde,
 senin hayalin gibi gözlerimde taşıdıım ehir...
13 Kasım 1945
Tarif kabul etmez, — diyorlar, — İstanbul


Cadernos de Literatura em Tradução, n. 9, p. 143-192
13 Kasım 1945

Nazim Hikmet -a menina

A meninaSou eu que bato às portas,
às portas, umas após outras.
Sou invisível aos vossos olhos.
Os mortos são invisíveis.

* Nazim Hikmet, 

Morta em Hiroxima
há mais de dez anos,
sou uma menina de sete anos.
As crianças mortas não crescem.

Primeiro arderam os meus cabelos,
também os olhos arderam, ficaram calcinados.
Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas
que se espalharam ao vento.

No que diz respeito a mim,
nada vos imploro:
não podia comer, nem sequer bombons,
a criança que ardeu como papel.

Bato à vossa porta, tio, tia:
uma assinatura. Não matem as crianças
e deixem-nas também comer bombons.


(Tradução. de Rui Caeiro)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

um poema de Nazim Hikmet

Nazim Hikmet:

Ao partir, ficam-me coisas por acabar,
ao partir.
Salvei a gazela da mão do caçador
mas continuou desmaiada, sem recuperar os sentidos.
Colhi a laranja do ramo,
Mas não consegui tirar-lhe a casca.
Reuni-me com as estrelas,
mas não as consegui contar.
Tirei a água do poço
mas não pude servi-la nos copos.
Coloquei as rosas na bandeja,
mas não pude esculpir as taças de pedra.
Não saciei os meus amores.
Ao partir, ficam-me coisas por acabar,
ao partir.




Traduzido por Carlos Loures da versão castelhana de Fernando García Burillo dos "Últimos poemas 1959-1960-1961" 
(Ediciones del oriente y del mediterráneo -Madrid 2000)

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Nazim Hikmet - LA BAMBINA DI HIROSHIMA

* Nazim Hikmet

“Apritemi sono io…
busso alla porta di tutte le scale
ma nessuno mi vede
perché i bambini morti nessuno riesce a vederli.

Sono di Hiroshima e là sono morta
tanti anni fa. Tanti anni passeranno.

Ne avevo sette, allora:
anche adesso ne ho sette perché i bambini morti non
diventano grandi.

Avevo dei lucidi capelli, il fuoco li ha strinati,
avevo dei begli occhi limpidi, il fuoco li ha fatti di vetro.

Un pugno di cenere, quella sono io
poi il vento ha disperso anche la cenere.

Apritemi; vi prego non per me
perché a me non occorre né il pane né il riso:
non chiedo neanche lo zucchero, io:
a un bambino bruciato come una foglia secca non serve.

Per piacere mettete una firma,
per favore, uomini di tutta la terra
firmate, vi prego, perché il fuoco non bruci i bambini
e possano sempre mangiare lo zucchero.”

in http://balbruno.altervista.org/index-796.html

sábado, 8 de setembro de 2012

Nazi Hikmet - Iremos à Lua


Iremos à lua


Iremos à lua
e mesmo mais longe
Lá onde a distância cega os telescópios
Mas quando é que sobre esta nossa terra
Ninguém mais terá fome?
Ninguém temerá um outro?
Ninguém humilhará ninguém?
Ninguém roubará a esperança de ninguém?
Se sou comunista
É porque respondi a esta pergunta.

Nazim Hikmet

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Nazim Hikmet ~ Carta ao filho


 



Carta ao filho

  

Não vivas sobre a terra como um estranho
Um turista no meio da natureza.
Habita o mundo como a casa do teu pai.
Crê na semente, na terra, no mar.
mas acima de tudo crê nas pessoas.
Ama as nuvens,
as máquinas,
os livros,
mas acima de tudo ama o homem.
Sente a tristeza do ramo que murcha,
do astro que se extingue,
do animal ferido que agoniza,
mas acima de tudo
Sente a tristeza e a dor das pessoas.
Alegra-te com todos os bens da terra,
Com a sombra e a luz,
com as quatro estações,
mas acima de tudo e a mãos cheias
alegra-te com as pessoas.



Nazim Hikmet, (1902 - 1963) c. 1960.


Traduzido do inglês por Carlos Eugênio Marcondes de Moura.


Escritor e poeta turco nascido em Salonica, Grécia, então parte do império otomano, que, perseguido por suas idéias políticas, marcou profundamente a literatura turca ao romper com a tradição islâmica e sob a influência dos futuristas russos, propôs a despoetização da poesia. Pensando seguir uma carreira militar, entrou para a academia naval de Istambul e serviu na Marinha, da qual foi expulso (1919) por atividades revolucionárias. Partiu para Moscou, onde estudou ciências políticas e sociais por cinco anos, na Universidade Comunista de Moscou. Regressou à Turquia (1924), após a proclamação da república e tornou-se conhecido com seus primeiros poemas, de cunho patriótico. Condenado (1938) pela suposta participação num complô, após ser posto em liberdade (1950) por força de uma intensa campanha internacional, radicou-se então em Moscou, onde morreu. Publicou as coletâneas 835 satir (1929) e 1 + 1 = 2 (1930), os poemas históricos Sesini kaybeden sehir (1931) e Benerci kendini niçin öldürdü? (1932), as peças para teatro Kofatos (1932) e Unutulan adam (1935) e lançou uma autobiografia em Berlim (1961).

sábado, 31 de dezembro de 2011

Dois poemas para 2012



Carlos Drummond de Andrade


Receita de ano novo 




Para você ganhar belíssimo Ano Novo 

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 

(mal vivido talvez ou sem sentido) 

para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 



Não precisa 

fazer lista de boas intenções 

para arquivá-las na gaveta. 

Não precisa chorar arrependido 

pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 



Para ganhar um Ano Novo 

que mereça este nome, 

você, meu caro, tem de merecê-lo, 

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 

mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.





Carta ao Filho - Nazim Hikmet



Carta ao filho

  

Não vivas sobre a terra como um estranho
Um turista no meio da natureza.
Habita o mundo como a casa do teu pai.
Crê na semente, na terra, no mar.
mas acima de tudo crê nas pessoas.
Ama as nuvens,
as máquinas,
os livros,
mas acima de tudo ama o homem.
Sente a tristeza do ramo que murcha,
do astro que se extingue,
do animal ferido que agoniza,
mas acima de tudo
Sente a tristeza e a dor das pessoas.
Alegra-te com todos os bens da terra,
Com a sombra e a luz,
com as quatro estações,
mas acima de tudo e a mãos cheias
alegra-te com as pessoas.



Nazim Hikmet, (1902 - 1963) c. 1960.


Traduzido do inglês por Carlos Eugênio Marcondes de Moura.


Escritor e poeta turco nascido em Salonica, Grécia, então parte do império otomano, que, perseguido por suas idéias políticas, marcou profundamente a literatura turca ao romper com a tradição islâmica e sob a influência dos futuristas russos, propôs a despoetização da poesia. Pensando seguir uma carreira militar, entrou para a academia naval de Istambul e serviu na Marinha, da qual foi expulso (1919) por atividades revolucionárias. Partiu para Moscou, onde estudou ciências políticas e sociais por cinco anos, na Universidade Comunista de Moscou. Regressou à Turquia (1924), após a proclamação da república e tornou-se conhecido com seus primeiros poemas, de cunho patriótico. Condenado (1938) pela suposta participação num complô, após ser posto em liberdade (1950) por força de uma intensa campanha internacional, radicou-se então em Moscou, onde morreu. Publicou as coletâneas 835 satir (1929) e 1 + 1 = 2 (1930), os poemas históricos Sesini kaybeden sehir (1931) e Benerci kendini niçin öldürdü? (1932), as peças para teatro Kofatos (1932) e Unutulan adam (1935) e lançou uma autobiografia em Berlim (1961).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

It's This Way - Nazim Hikmet


...I stand in the advancing light,
my hands hungry, the world beautiful.


My eyes can't get enough of the trees
they're so hopeful, so green.


A sunny road runs through the mulberries,
I'm at the window of the prison infirmary.


I can't smell the medicines
carnations must be blooming nearby.
It's this way:
being captured is beside the point,
the point is not to surrender


Enviado Por Carmen Montesino
É a 3ª vez que tento encolher o texto e não consigo, desisto, rsrsrs! Bons sonhos :)

4/9 às 1:28
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