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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Vladimir Putin - Discurso na 43ª Conferência de Segurança de Munique (2007)

 * Vladimir Putin 

Muito obrigado, estimada Senhora Chanceler Federal, Sr. Teltschik, senhoras e senhores!

Agradeço imensamente o convite para participar de uma conferência tão representativa, que reuniu políticos, militares, empresários e especialistas de mais de 40 países.

O formato de conferência me permite evitar a “polidez excessiva” e a necessidade de falar em clichês diplomáticos rebuscados, agradáveis, porém vazios. O formato de conferência me permite dizer o que realmente penso sobre os problemas de segurança internacional. E se meu raciocínio parecer aos nossos colegas excessivamente polêmico ou impreciso, peço que não se irritem comigo – afinal, isto é apenas uma conferência. E espero que, após dois ou três minutos da minha fala, o Sr. Telchik não acenda o “sinal vermelho” ali.


A natureza abrangente da segurança internacional
Assim, sabe-se que os problemas de segurança internacional são muito mais amplos do que as questões de estabilidade político-militar. Incluem a estabilidade da economia mundial, a superação da pobreza, a segurança econômica e o desenvolvimento do diálogo intercivilizacional.

Essa natureza abrangente e indivisível da segurança também se expressa em seu princípio básico: “a segurança de cada um é a segurança de todos”. Como disse Franklin Roosevelt nos primeiros dias da eclosão da Segunda Guerra Mundial: “Onde a paz é quebrada, a paz está em perigo e ameaçada em todos os lugares”.

Essas palavras continuam relevantes hoje. Aliás, isso também fica evidente pelo tema da nossa conferência, que está escrito aqui: “Crises globais – responsabilidade global”.

O Fim da Guerra Fria e suas Consequências
Há apenas duas décadas, o mundo estava dividido ideológica e economicamente, e sua segurança era garantida pelo enorme potencial estratégico de duas superpotências.

O confronto global relegou questões econômicas e sociais extremamente agudas à periferia das relações internacionais e da agenda política. E, como qualquer guerra, a “Guerra Fria” nos deixou com “balas não detonadas”, figurativamente falando. Refiro-me a estereótipos ideológicos, padrões duplos e outros padrões de pensamento de bloco.


O mundo unipolar proposto após a Guerra Fria também não se materializou.

A história da humanidade, é claro, conhece períodos de unipolaridade e desejo de dominação mundial. O que não aconteceu na história da humanidade?

As falhas de um mundo unipolar
Mas o que é um mundo unipolar? Não importa como esse termo seja rebuscado, na prática ele significa, em última análise, apenas uma coisa: um único centro de poder, um único centro de força, um único centro de tomada de decisões.

Este é um mundo de um único mestre, um único soberano. E isso é, em última análise, destrutivo não apenas para todos dentro deste sistema, mas também para o próprio soberano, porque o destrói por dentro.

E isso não tem nada a ver, obviamente, com democracia. Porque democracia é, como sabemos, o poder da maioria, levando em consideração os interesses e opiniões da minoria.


Aliás, na Rússia, nós somos constantemente ensinados sobre democracia. Mas aqueles que nos ensinam, por algum motivo, não querem realmente aprender.

Acredito que, para o mundo moderno, um modelo unipolar não é apenas inaceitável, mas também impossível. E não apenas porque, com uma liderança única no mundo moderno – precisamente no mundo moderno –, não haverá recursos militares, políticos ou econômicos suficientes. Mas, o que é ainda mais importante: o próprio modelo não funciona, pois não se baseia, nem pode ter, uma base moral e ética para a civilização moderna.

As consequências da unipolaridade
Ao mesmo tempo, tudo o que está acontecendo no mundo hoje – e nós apenas começamos a discutir isso – é consequência das tentativas de introduzir precisamente esse conceito nos assuntos mundiais: o conceito de um mundo unipolar.

E qual é o resultado?

Ações unilaterais, muitas vezes ilegítimas, não resolveram um único problema. Além disso, tornaram-se geradoras de novas tragédias humanas e focos de tensão. Veja você mesmo: não há menos guerras, conflitos locais e regionais. O Sr. Telchik mencionou isso de forma muito branda. E não há menos pessoas morrendo nesses conflitos, e até mais do que antes – significativamente mais, muito mais!


Hoje, testemunhamos um uso quase desenfreado e descontrolado da força nas relações internacionais, força militar, força que mergulha o mundo no abismo de conflitos sucessivos. Como resultado, não há forças suficientes para uma solução abrangente para nenhum deles. Sua solução política está se tornando impossível.

A Erosão do Direito Internacional
Observamos um crescente desrespeito aos princípios fundamentais do direito internacional. Além disso, normas individuais e, na verdade, quase todo o sistema jurídico de um Estado, principalmente os Estados Unidos, ultrapassaram suas fronteiras nacionais em todas as áreas: econômica, política e humanitária, e estão sendo impostas a outros Estados. Quem gostaria disso?

Nas relações internacionais, observa-se um desejo cada vez mais comum de resolver uma questão específica com base na chamada conveniência política, ou seja, de acordo com a conjuntura política vigente.

E isso é, obviamente, extremamente perigoso. E leva ao fato de que ninguém mais se sente seguro. Quero enfatizar: ninguém se sente seguro! Porque ninguém pode se esconder atrás do direito internacional como se fosse uma muralha de pedra. Tal política é, sem dúvida, um catalisador para a corrida armamentista.

O domínio do fator força inevitavelmente alimenta o desejo de vários países de possuir armas de destruição em massa. Além disso, surgiram ameaças fundamentalmente novas que já eram conhecidas, mas que hoje adquirem um caráter global, como o terrorismo.


A necessidade de uma nova arquitetura de segurança
Estou convencido de que chegamos a um ponto de virada em que devemos pensar seriamente sobre toda a arquitetura da segurança global.

E é aqui que devemos começar pela busca de um equilíbrio razoável entre os interesses de todos os agentes da comunicação internacional. Especialmente agora, quando o “cenário internacional” está mudando tão visivelmente e tão rapidamente – mudando devido ao desenvolvimento dinâmico de diversos estados e regiões.

O Chanceler Federal já mencionou isso.

Assim, o PIB combinado da Índia e da China, em termos de paridade do poder de compra, já é superior ao dos Estados Unidos da América. E o PIB dos países BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – calculado segundo o mesmo princípio, supera o PIB combinado da União Europeia. E, de acordo com especialistas, essa diferença só tende a aumentar na perspectiva histórica previsível.
 
Não há dúvida de que o potencial econômico dos novos centros de crescimento global se converterá inevitavelmente em influência política e fortalecerá a multipolaridade.

A importância da diplomacia multilateral
Nesse sentido, o papel da diplomacia multilateral está se tornando cada vez mais importante. Abertura, transparência e previsibilidade na política são imprescindíveis, e o uso da força deve ser uma medida verdadeiramente excepcional, assim como a pena de morte nos sistemas jurídicos de alguns Estados.

Hoje, pelo contrário, testemunhamos uma situação em que países onde a pena de morte é proibida até mesmo para assassinos e outros criminosos perigosos, participam facilmente de operações militares que dificilmente podem ser consideradas legítimas. E pessoas morrem nesses conflitos – centenas, milhares de pessoas pacíficas!

Mas, ao mesmo tempo, surge a questão: devemos observar com indiferença e covardia os diversos conflitos internos em cada país, as ações de regimes autoritários, tiranos, a proliferação de armas de destruição em massa? Essa foi, em essência, a base da pergunta feita ao Chanceler Federal pelo nosso estimado colega, o Sr. Lieberman. (Dirigindo-se ao Sr. Lieberman) Entendi sua pergunta corretamente? E, claro, esta é uma pergunta séria! Podemos observar com indiferença o que está acontecendo? Tentarei responder à sua pergunta também. É claro que não devemos observar com indiferença. É claro que não.


O papel da ONU na tomada de decisões internacionais
Mas será que temos os meios para combater essas ameaças? Claro que sim. Basta lembrar a história recente. Afinal, houve uma transição pacífica para a democracia em nosso país! Afinal, houve uma transformação pacífica do regime soviético – uma transformação pacífica! E que regime! Com que quantidade de armas, incluindo armas nucleares! Por que agora precisamos bombardear e atirar a cada oportunidade? Será mesmo verdade que, na ausência da ameaça de destruição mútua, nos falta cultura política, respeito pelos valores da democracia e da lei?

Estou convencido de que o único mecanismo para tomar decisões sobre o uso da força militar como último recurso é a Carta da ONU. E, a esse respeito, ou não entendi o que foi dito recentemente pelo nosso colega, o Ministro da Defesa italiano, ou ele se expressou de forma imprecisa. De qualquer forma, ouvi dizer que o uso da força só pode ser considerado legítimo se a decisão for tomada na OTAN, na União Europeia ou na ONU. Se ele realmente pensa assim, então temos pontos de vista diferentes. Ou talvez eu tenha entendido mal. O uso da força só pode ser considerado legítimo se a decisão for tomada com base e no âmbito da ONU. E não há necessidade de substituir as Nações Unidas pela OTAN ou pela União Europeia. E quando a ONU realmente unir as forças da comunidade internacional, que podem de fato responder aos acontecimentos em cada país, quando nos livrarmos do desrespeito ao direito internacional, então a situação poderá mudar. Caso contrário, a situação só chegará a um beco sem saída e multiplicará o número de erros graves. Ao mesmo tempo, é claro, devemos nos esforçar para garantir que o direito internacional tenha um caráter universal, tanto na compreensão quanto na aplicação das normas.

E não devemos esquecer que uma forma democrática de atuação política pressupõe necessariamente debate e tomada de decisões criteriosa.

A importância do desarmamento
Prezadas senhoras e senhores!

O potencial perigo de desestabilização das relações internacionais também está associado à evidente estagnação na área do desarmamento.


A Rússia defende a retomada do diálogo sobre essa questão crucial.

É importante manter a estabilidade do quadro jurídico internacional do desarmamento, garantindo ao mesmo tempo a continuidade do processo de redução das armas nucleares.

Concordamos com os Estados Unidos da América em reduzir nosso potencial nuclear em porta-aviões estratégicos para 1.700 a 2.200 ogivas nucleares até 31 de dezembro de 2012. A Rússia pretende cumprir rigorosamente suas obrigações. Esperamos que nossos parceiros também ajam com transparência e não guardem algumas centenas de ogivas nucleares extras por precaução, para uma “tempo de chuva”. E se hoje o novo Secretário de Defesa dos EUA anunciar que os Estados Unidos não esconderão essas ogivas extras em depósitos, nem “debaixo do travesseiro” ou “debaixo do cobertor”, sugiro que todos se levantem e aplaudam. Esta seria uma declaração muito importante.

A Rússia adere estritamente e pretende continuar a aderir ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ao regime multilateral de controle da tecnologia de mísseis. Os princípios estabelecidos nesses documentos são de natureza universal.

A necessidade de tratados universais de desarmamento
A este respeito, gostaria de lembrar que, na década de 1980, a URSS e os Estados Unidos assinaram um Tratado sobre a Eliminação de Toda uma Classe de Mísseis de Médio e Curto Alcance, mas este documento não teve caráter universal.


Atualmente, diversos países já possuem mísseis desse tipo: a República Popular Democrática da Coreia, a República da Coreia, a Índia, o Irã, o Paquistão e Israel. Muitos outros países do mundo estão desenvolvendo esses sistemas e planejam colocá-los em serviço. E somente os Estados Unidos da América e a Rússia são obrigados a não criar tais sistemas de armas.

É evidente que, nessas condições, somos obrigados a pensar em garantir nossa própria segurança.

O Perigo da Militarização do Espaço
Ao mesmo tempo, não podemos permitir o surgimento de novas armas de alta tecnologia desestabilizadoras. Nem estou falando de medidas para prevenir novas áreas de confronto, especialmente no espaço. “Guerra nas Estrelas”, como sabemos, não é mais ficção científica, mas realidade. Em meados da década de 80 [do século passado], nossos parceiros americanos interceptaram seu próprio satélite.

A militarização do espaço, na opinião da Rússia, poderia provocar consequências imprevisíveis para a comunidade internacional – nada menos que o início da era nuclear. E temos apresentado repetidamente iniciativas com o objetivo de impedir a entrada de armas no espaço.

Gostaria de informar hoje que elaboramos um projeto de tratado sobre a prevenção da colocação de armas no espaço sideral. Ele será enviado aos parceiros como uma proposta oficial em breve. Vamos trabalhar juntos nisso.


Preocupações com a defesa antimíssil na Europa
Também não podemos deixar de nos preocupar com os planos de implantação de elementos de um sistema de defesa antimíssil na Europa. Quem precisa de mais uma rodada da corrida armamentista que é inevitável neste caso? Duvido seriamente que os próprios europeus precisem.

Nenhum dos chamados países problemáticos possui armas de mísseis que possam realmente ameaçar a Europa, com um alcance de cerca de 5 a 8 mil quilômetros. E isso não deve acontecer num futuro próximo, nem mesmo é esperado. Um hipotético lançamento, por exemplo, de um míssil norte-coreano contra o território dos EUA através da Europa Ocidental contradiz claramente as leis da balística. Como dizemos na Rússia, é o mesmo que "tentar alcançar a orelha esquerda com a mão direita".

A crise no controle de armas convencionais
E, estando aqui na Alemanha, não posso deixar de mencionar o estado de crise do Tratado sobre Forças Armadas Convencionais na Europa.

O Tratado Adaptado sobre Forças Armadas Convencionais na Europa foi assinado em 1999. Ele levou em consideração a nova realidade geopolítica – a dissolução do Pacto de Varsóvia. Sete anos se passaram desde então, e apenas quatro Estados ratificaram este documento, incluindo a Federação Russa.

Os países da OTAN declararam abertamente que não ratificarão o Tratado, incluindo as disposições sobre limitações de flanco (sobre o destacamento de um certo número de forças armadas nos flancos), até que a Rússia retire suas bases da Geórgia e da Moldávia. Nossas tropas estão sendo retiradas da Geórgia, inclusive de forma acelerada. Resolvemos essas questões com nossos colegas georgianos, e todos sabem disso. Um grupo de 1.500 militares permanece na Moldávia, desempenhando funções de manutenção da paz e guardando depósitos de munição remanescentes da era soviética. O Sr. Solana e eu discutimos constantemente essa questão; ele conhece nossa posição. Estamos prontos para continuar trabalhando nessa direção.


Mas o que está acontecendo ao mesmo tempo? Simultaneamente, surgem na Bulgária e na Romênia as chamadas bases avançadas americanas, equipadas com cinco mil baionetas cada. Acontece que a OTAN está deslocando suas forças avançadas para as fronteiras do nosso país, e nós, cumprindo rigorosamente o Tratado, não reagimos a essas ações de forma alguma.

Expansão da OTAN e promessas quebradas
Creio que seja óbvio: o processo de expansão da OTAN nada tem a ver com a modernização da própria aliança ou com a garantia da segurança na Europa. Pelo contrário, é um fator de séria provocação que reduz o nível de confiança mútua. E temos todo o direito de perguntar francamente: contra quem se dirige esta expansão? E o que aconteceu às garantias dadas pelos parceiros ocidentais após a dissolução do Pacto de Varsóvia? Onde estão essas declarações agora? Ninguém sequer se lembra delas. Mas permitirei-me relembrar a esta plateia o que foi dito. Gostaria de citar o discurso do Secretário-Geral da OTAN, Sr. Wörner, em Bruxelas, a 17 de maio de 1990. Ele disse então: “O próprio facto de estarmos dispostos a não destacar tropas da OTAN para fora do território da RFA dá à União Soviética firmes garantias de segurança”. Onde estão essas garantias?

As pedras e os blocos de concreto do Muro de Berlim há muito se tornaram lembranças. Mas não devemos esquecer que sua queda também foi possível graças a uma escolha histórica, inclusive a do nosso povo – o povo da Rússia, uma escolha em favor da democracia e da liberdade, da abertura e da parceria sincera com todos os membros da grande família europeia.

Agora, eles estão tentando nos impor novas linhas divisórias e muros – virtuais, mas ainda assim divisivos, atravessando nosso continente comum. Será que realmente serão necessários muitos anos e décadas, uma mudança de várias gerações de políticos, para “desmantelar” e “desmontar” esses novos muros?

Não Proliferação Nuclear e Independência Energética
Prezadas senhoras e senhores!


Também somos a favor do fortalecimento do regime de não proliferação. O atual quadro jurídico internacional permite a criação de tecnologias para a produção de combustível nuclear para fins pacíficos. E muitos países, com razão, querem criar sua própria energia nuclear como base para sua independência energética. Mas também entendemos que essas tecnologias podem ser rapidamente transformadas em materiais para armas nucleares.

Isso está causando sérias tensões internacionais. Um exemplo claro disso é a situação com o programa nuclear iraniano. Se a comunidade internacional não desenvolver uma solução razoável para esse conflito de interesses, o mundo continuará sendo abalado por crises desestabilizadoras como essa, porque existem países mais vulneráveis ​​do que o Irã, e nós sabemos disso. Enfrentaremos constantemente a ameaça da proliferação de armas de destruição em massa.

No ano passado, a Rússia apresentou uma iniciativa para criar centros multinacionais de enriquecimento de urânio. Estamos abertos à ideia de que tais centros sejam criados não apenas na Rússia, mas também em outros países onde a energia nuclear pacífica exista em bases legítimas. Os Estados que desejam desenvolver energia nuclear poderiam ter a garantia de receber combustível por meio da participação direta nas atividades desses centros, sob o rigoroso controle da AIEA.

As últimas iniciativas do Presidente dos Estados Unidos da América, George Bush, estão em consonância com a proposta russa. Acredito que a Rússia e os Estados Unidos têm interesse objetivo e igual em reforçar os regimes de não proliferação de armas de destruição em massa e seus meios de lançamento. São os nossos países, líderes em potencial nuclear e de mísseis, que também devem liderar o desenvolvimento de novas e mais rigorosas medidas na área da não proliferação. A Rússia está pronta para esse trabalho. Estamos em consulta com nossos amigos americanos.

De um modo geral, deveríamos estar falando sobre a criação de todo um sistema de mecanismos políticos e incentivos econômicos – incentivos que fariam com que os Estados não tivessem interesse em criar suas próprias capacidades de ciclo de combustível nuclear, mas sim em ter a oportunidade de desenvolver energia nuclear, fortalecendo seu potencial energético.


Cooperação Internacional em Energia
A este respeito, abordarei com mais detalhes a cooperação energética internacional. A Chanceler Federal também mencionou brevemente este assunto, mas apenas de forma superficial. No setor energético, a Rússia está focada na criação de princípios de mercado e condições transparentes e uniformes para todos. É evidente que o preço dos recursos energéticos deve ser determinado pelo mercado e não ser objeto de especulação política, pressão econômica ou chantagem.


Estamos abertos à cooperação. Empresas estrangeiras participam dos nossos maiores projetos de energia. Segundo diversas estimativas, até 26% da produção de petróleo na Rússia — pensem bem nesse número — até 26% da produção de petróleo na Rússia é financiada por capital estrangeiro. Tentem, tentem me dar um exemplo de uma presença tão ampla de empresas russas em setores-chave da economia de países ocidentais. Não existem exemplos assim! Não existem exemplos assim.

Gostaria também de lembrar a vocês da proporção entre os investimentos que entram na Rússia e os que saem da Rússia para outros países do mundo. Essa proporção é de aproximadamente quinze para um. Eis um exemplo visível da abertura e da estabilidade da economia russa.

A segurança econômica é uma área em que todos devem aderir aos mesmos princípios. Estamos prontos para competir de forma justa.

A economia russa está a receber cada vez mais oportunidades para tal. Esta dinâmica é avaliada objetivamente por especialistas e pelos nossos parceiros estrangeiros. Assim, a classificação da Rússia na OCDE foi recentemente elevada: o nosso país passou do quarto para o terceiro grupo de risco. E gostaria de aproveitar esta oportunidade, hoje em Munique, para agradecer aos nossos colegas alemães pela sua colaboração na tomada da referida decisão.


A seguir. Como sabem, o processo de adesão da Rússia à OMC entrou em sua fase final. Gostaria de observar que, durante as longas e difíceis negociações, ouvimos mais de uma vez palavras sobre liberdade de expressão, liberdade de comércio e igualdade de oportunidades, mas, por alguma razão, exclusivamente em relação ao nosso mercado russo.

Pobreza global e desigualdade econômica
E outro tema importante que afeta diretamente a segurança global. Hoje, muito se fala sobre o combate à pobreza. Mas o que realmente acontece? Por um lado, recursos financeiros são destinados a programas de auxílio aos países mais pobres – e, às vezes, recursos consideráveis. Mas, honestamente, e muitos aqui também sabem disso, muitas vezes o objetivo é o “desenvolvimento” de empresas dos próprios países doadores. Ao mesmo tempo, por outro lado, nos países desenvolvidos, os subsídios à agricultura são mantidos e o acesso à alta tecnologia é limitado para outros.

E sejamos francos: acontece que a “ajuda humanitária” está sendo distribuída com uma mão, enquanto com a outra, não só o atraso econômico é preservado, como também os lucros são acumulados. A tensão social que surge nessas regiões deprimidas inevitavelmente resulta no crescimento do radicalismo e do extremismo, alimentando o terrorismo e os conflitos locais. E se tudo isso também acontecer, digamos, no Oriente Médio, em um contexto de crescente percepção de injustiça por parte do mundo exterior, então surge o risco de desestabilização global.

É óbvio que os principais países do mundo precisam reconhecer essa ameaça e, consequentemente, construir um sistema de relações econômicas mais democrático e justo no mundo – um sistema que dê a todos uma chance e uma oportunidade de desenvolvimento.

O papel da OSCE
Ao discursar em uma conferência sobre segurança, senhoras e senhores, não se pode deixar de mencionar as atividades da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Como se sabe, ela foi criada para considerar todos – e eu enfatizo – todos os aspectos da segurança: político-militar, econômico, humanitário e suas inter-relações.


O que vemos na prática hoje? Vemos que esse equilíbrio está claramente violado. Estão tentando transformar a OSCE em um instrumento vulgar para garantir os interesses de política externa de um ou mais países em relação a outros. E o aparato burocrático da OSCE, que não tem absolutamente nenhuma ligação com os Estados fundadores, foi “adaptado” para essa tarefa. Os procedimentos de tomada de decisão e o uso das chamadas organizações não governamentais foram “adaptados” para essa tarefa. Formalmente, sim, independentes, mas financiadas propositalmente e, portanto, controladas.

De acordo com os documentos fundamentais na área humanitária, a OSCE é chamada a auxiliar os Estados-membros, a seu pedido, na observância das normas internacionais de direitos humanos. Esta é uma tarefa importante. Nós a apoiamos. Mas isso não significa interferir nos assuntos internos de outros países, muito menos impor a esses Estados como eles devem viver e se desenvolver.

É óbvio que tal interferência não contribui para a maturação de Estados verdadeiramente democráticos. Pelo contrário, torna-os dependentes e, consequentemente, instáveis ​​em termos políticos e econômicos.

Esperamos que a OSCE se guie pelas suas tarefas imediatas e que construa relações com os Estados soberanos com base no respeito, na confiança e na transparência.

Conclusão: O papel da Rússia nos assuntos mundiais
Prezadas senhoras e senhores!


Em conclusão, gostaria de observar o seguinte. Frequentemente, e eu pessoalmente, ouvimos apelos de nossos parceiros, incluindo parceiros europeus, para que a Rússia desempenhe um papel cada vez mais ativo nos assuntos mundiais.

A este respeito, permito-me fazer uma pequena observação. É improvável que precisemos ser pressionados ou estimulados a fazê-lo. A Rússia é um país com mais de mil anos de história e quase sempre gozou do privilégio de conduzir uma política externa independente.

Não vamos mudar essa tradição hoje. Ao mesmo tempo, vemos claramente como o mundo mudou, avaliamos realisticamente nossas próprias capacidades e nosso potencial. E, claro, também gostaríamos de trabalhar com parceiros responsáveis ​​e independentes, com quem pudéssemos construir uma ordem mundial justa e democrática, garantindo segurança e prosperidade não apenas para alguns privilegiados, mas para todos.

Obrigado pela sua atenção.

10 de fevereiro de 2007

https://singjupost.com/putins-famous-munich-speech-2007/
http://kremlin.ru/events/president/transcripts/24034]
tradução po AI

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pedro Tadeu - TEMOS DE SER VASSALOS OU ESCRAVOS DE TRAMP?

🤔
Por Pedro Tadeu - Jornalista 

"Ser um vassalo feliz é uma coisa. Ser um escravo infeliz é outra coisa.” Esta frase de protesto contra o presidente norte-americano, Donald Trump, dita na segunda-feira em Davos no Forum Económico Mundial, pelo primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, desvenda, por um lado, como as elites europeias sempre aceitaram pacificamente uma subserviência com características medievais face aos Estados Unidos da América e, por outro lado, como não desejam o fim desta forma de feudalismo e aceitam ter um suserano desde que ele, magnânimo, lhes dê algumas benesses.

Durante décadas a União Europeia e o Reino Unido viveram numa condição de subserviência estratégica, disfarçada de aliança e parceria. A narrativa que nos contaram após o fim da União Soviética era a de que passava a vigorar uma “ordem internacional baseada em regras”. A União Europeia até integrou a definição no artigo 21.º do Tratado da UE, mas ligou-a ao cumprimento do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Contudo, essa ordem continha, desde o seu início, a semente da hegemonia norte-americana, que sempre se esteve nas tintas para a ONU.~

Tivemos assim a intervenção da NATO na Jugoslávia (1999). Esta ação não foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU, a Carta da ONU. Os europeus, vassalos, aceitaram e participaram.

Tivemos a invasão do Iraque pela coligação liderada pelos EUA e pelo Reino Unido em 2003, também sem aprovação do Conselho de Segurança, baseada em justificações falsas, como a alegação de armas de destruição massiva. Os europeus, vassalos, aceitaram e participaram.

Tivemos intervenções com “mudança de regime” e uso abusivo de mandados da ONU, como foi o caso da Líbia, em 2011. Os europeus, vassalos, aceitaram e participaram.

Temos o caso do embargo a Cuba. Desde 1962, os EUA mantêm um embargo e, ano após ano, a ampla maioria dos países vota na Assembleia Geral da ONU a condenação dessa política. Os europeus, vassalos, aceitam a vontade norte-americana.

Temos casos de duplo-padrão na adesão às instituições jurídicas internacionais. Por exemplo, a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar (UNCLOS): os EUA não ratificaram o tratado, mas invocam as suas disposições em patrulhas de “liberdade de navegação” no Mar do Sul da China.

O mesmo se passa no caso do Tribunal Penal Internacional (TPI): os EUA recusaram aderir ao Estatuto de Roma, mas apoiam o recurso ao TPI contra lideranças de países adversários.

E há o duplo-critério. Um exemplo recorrente é a relação dos EUA com Israel, que viola imensas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia-Geral, mas tem uma garantia de excecionalidade que até lhe permitiu fazer um verdadeiro genocídio em Gaza.

Os europeus são cúmplices e participantes de tudo isto.

Esta subserviência política, esta aceitação de um sistema de “regras” definidas por Washington, foi consentida e alimentada durante décadas pelos europeus, muito antes de Trump decidir que quer ficar com a Gronelândia, de raptar o presidente da Venezuela, de fazer uma “ONU privada” com o seu Conselho da Paz e de querer dominar todo o continente americano. É uma “ordem internacional baseadas em regras” variáveis, como acontece desde o fim da Guerra Fria, mas agora com vítimas que se achavam donas do mundo e se vêem agora no papel de vassalos ou, pior, de escravos.~

Por mim, nem vassalagem, nem escravidão.


23 Jan 2026

 https://www.dn.pt/opiniao/temos-de-ser-vassalos-ou-escravos-de-trump

sábado, 4 de outubro de 2025

Discurso do presidente Donald Trump na 80ª Assembleia Geral da ONU

Discurso do presidente Donald Trump na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos  (23.set.2025).

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Muito obrigado. Agradeço muito. E eu não me importo de fazer um discurso sem um teleprompter, porque o teleprompter não está funcionando. Estou muito feliz de estar aqui com vocês mesmo assim. Então, eu vou falar mais do meu coração e eu posso dizer que quem este está agora cuidando do teleprompter, tá? Vai ter um problemão aí para vocês. Olá, senhora primeira dama. Muito obrigado, muito obrigado por estarem aqui na senhor presidente que em teoria teria de aparecer em frente ao presidente dos Estados Unidos e não está funcionando. Vamos ver como vai ser o discurso. Passaram desde que eu estive aqui nessa salão e falei de um mundo sobre um mundo próspero e paz no meu primeiro mandato. Desde então, as armas da guerra destruíram a paz que eu criei em dois continentes. Uma era de calma e estabilidade deu caminho a uma de grandes crises das maiores do nosso tempo. E aqui nos Estados Unidos, 4 anos de fraqueza, falta de lei, radicalismo durante o último governo trouxeram, levaram a nossa nação a uma série de desastres repetidos. Há um ano, o nosso país estava em um grande problema, mas hoje, apenas em 8 meses do meu governo, nós somos o país mais quente do mundo. E não há nenhum país nem próximo disso. Os Estados Unidos são abençoados com a economia mais forte, as fronteiras mais fortes, a força militar mais forte, as amizades mais fortes e o espírito mais forte do que qualquer outra nação na face da Terra. É de fato a era de ouro dos Estados Unidos. Nós estamos revertendo rapidamente a calamidade econômica que herdamos do governo anterior, incluindo um aumento de preços desastroso e uma inflação recorde, como nunca tivemos antes. Sob minha liderança, os custos de energia estão caindo, os preços da gasolina estão caindo, os preços dos alimentos também, e do financiamento imobiliário. A inflação foi combatida. A única coisa que está subindo é o mercado de ações. Na verdade, batemos um recorde no mercado de ações 48 vezes nesse período. O crescimento está aumentando, a manufatura está aumentando e o mercado de ações, como eu disse, está indo melhor do que qualquer outra forma. Os trabalhadores estão tendo aumentos de salários numa velocidade maior do que nos últimos 60 anos. Nos 4 anos do presidente Biden, nós tivemos menos de 1 trilhão de dólares em novos investimentos nos Estados Unidos. Nos 8 meses do meu governo, nós já asseguramos compromissos e já pagamos 17 trilhões de dólares. Pense nisso.

Quatro anos, pouco mais de 1 trilhão. E agora já temos 17 trilhões investidos nos Estados Unidos, vindos de todas as partes do mundo. Nós implementamos o maior corte de impostos na história americana e o maior corte de regulamentos nos Estados Unidos, na história americana. Muitas das pessoas aqui nessa sala estão investindo nos Estados Unidos e estão fazendo investimentos incríveis apenas em 8 meses. No meu primeiro mandato, nós construímos a maior economia da história do mundo e agora estamos construindo a mesma coisa novamente. Na verdade, ela é ainda maior e ainda melhor. Os números ultrapassam o meu recorde do primeiro mandato. Na fronteira sul, nós conseguimos acabar, repelir a invasão colossal e nos últimos 4 meses o número de imigrantes ilegais entrando em nosso país foi zero. É difícil de acreditar porque se olharmos para o que acontecia há um ano atrás, havia milhões e milhões de pessoas entrando, deixando prisões em situações de saúde mental, traficantes de droga de todo o mundo. Eles vinham de toda parte do mundo e entravam o nosso país com essa política ridícula de fronteiras abertas do governo Biden. A nossa mensagem é muito simples: você vem ilegalmente aos Estados Unidos, você será preso ou volta para o lugar de onde veio ou algo pior do que isso. Você sabe o que eu quero dizer? Quero agradecer o país de El Salvador pelo serviço muito bem sucedido e profissional que eles têm feito. É o receber e colocar na prisão muitos dos criminosos que entraram em nosso país e que estavam aqui por causa do governo anterior. E eles foram tirados, não temos escolha. E outros países também não têm escolha, porque eles vivem a mesma situação com a imigração que está destruindo seus países. E é preciso fazer algo. Os Estados Unidos são respeitados novamente no palco global como nunca antes. Passamos, por exemplo, há 4 anos atrás, nós éramos motivo de risada em todo o mundo. No na cúpula da OTAN em junho, praticamente todos os membros da OTAN foram momentaneamente se cumprimentar ao aumentar os gastos de defesa sob meu pedido de 2% para 5% do PIB, tornando a nossa aliança muito mais forte e poderosa do que antes. Em maio, eu visitei meus parceiros e amigos no Oriente Médio e reconstruí nossas parcerias no Golfo. E valorizei nossos relacionamentos com a Arábia Saudita, com o Qatar, com os Emirados Árabes Unidos e outros países.

Meu governo negociou um acordo comercial histórico atrás de outro, incluindo com o Reino Unido, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia e Filipinas, Malásia e muitos outros. Num período de 7 meses, eu acabei com sete guerras que não tinham fim, como diziam. Diziam que essas guerras não tinham solução. Duas delas já aconteciam há 31 anos, uma há 36 anos, uma há 28 anos. Eu encerrei sete guerras. E elas estavam acontecendo em todos os casos, com milhares de pessoas sendo mortas, incluindo no Camboja, Tailândia, Kosovo e Sérvia, Congo e Ruanda, Paquistão e Índia, Israel e Irã, Egito e Etiópia, e a Armênia e Azerbaijão. Nenhum outro presidente ou primeiro-ministro ou nenhum outro país fez algo próximo disso. E eu fiz isso em apenas 7 meses. Isso nunca havia acontecido antes. Eu tenho muita honra de ter feito isso. É terrível que eu tenha feito isso ao invés das Nações Unidas terem feito isso. E, infelizmente, em todos os casos, as Nações Unidas nem tentaram ajudar. Eu encerrei sete guerras lidando com os líderes de cada um deles e com todos esses países. E eles não receberam nenhum telefonema da Organização das Nações Unidas oferecendo ajuda para fazer um acordo. Quando eu subi aquela escada rolante, a primeira dama estava ali do meu lado. Nós estávamos lindos naquele dia. E o teleprompter não funciona. Tá vendo? Algumas coisas que eu tenho da ONU: uma escada rolante que não funciona e um teleprompter que não funciona. Tá vendo? Obrigado. Bom, voltou. Obrigado. Bom, acho que eu vou continuar assim que é mais fácil. Muito obrigado. Eu não pensei nisso na época porque eu estava ocupado salvando milhões de vidas. Esse é o custo de acabar com essas guerras. Mas eu percebi que as Nações Unidas não estavam ali para eles. Eles não estavam lá. Eu pensei que durante essas negociações, que não são fáceis, qual é o propósito da Organização das Nações Unidas que tem um potencial imenso, mas não está à altura desse potencial. Ela não está à altura desse potencial. Pela maior parte do tempo, pelo menos agora, ela parece ter palavras vazias e seguir uma carta apenas com palavras vazias. Elas não resolvem uma guerra.

A única coisa que resolve uma guerra é a ação. E depois de eu encerrar essas guerras e também de negociar os Acordos de Abraão — sobre os quais o nosso país não recebeu nenhum crédito — todo mundo fala que eu deveria receber o Prêmio Nobel da Paz por cada uma dessas conquistas. Mas para mim a maior conquista, o maior prêmio serão os filhos e filhas daqueles que viverão com seus mães e pais. Porque milhões de pessoas não serão mais mortas em guerras sem fim. O que importa não é ganhar prêmios, é salvar vidas. Nós salvamos milhões e milhões de vidas com essas sete guerras e estamos trabalhando com outras. Por muitos anos eu fui um desenvolvedor imobiliário em Nova York, conhecido como Donald J. Trump. Eu apostei na renovação, na reconstrução desse prédio, desse complexo das Nações Unidas. Eu me lembro bem que na época iria custar 500 milhões de dólares e eu pensei em trabalhar nesse piso de mármore, no que eu daria o melhor possível… mas eles ofereceram plástico, foram em outra direção e acabou sendo algo muito mais caro. Foi feito um produto inferior e eu percebi que eles estavam construindo com conceitos tão errados e tão caros que o projeto era uma fortuna. No fim eu estava certo. Eles gastaram entre 4 bilhões de dólares nessa reforma e não têm solos de mármore que eu havia prometido. Olhando para a construção e o estado daquela escada rolante, acho que o trabalho ainda não acabou — o trabalho que deveria ter acabado anos atrás. O projeto foi tão corrompido que me pediram para falar ao Congresso sobre o desperdício imenso de dinheiro. No fim custou mais do que 5 bilhões. Infelizmente, muitas coisas nas Nações Unidas estão acontecendo assim, mas em escala muito maior. É muito triste ver se a ONU consegue gerir ou ter um papel de gestão ou de ajuda. A liderança e amizade dos Estados Unidos é o que pode trazer um mundo mais próspero, um mundo no qual seremos muito mais felizes. Mas para chegar lá, nós devemos rejeitar as abordagens falhas do passado e confrontar as maiores ameaças da nossa história. Não há perigo maior ao nosso planeta do que as armas de destruição mais poderosas já feitas pelo homem. No meu primeiro mandato, eu trabalhei em um acordo para conter essas armas. Minha posição é muito simples: o mundo não pode patrocinar o terror e não pode permitir que o Irã possua essa arma mais perigosa que existe.

Eu então falei com aquele líder supremo, fizemos uma oferta generosa, ofereci cooperação em troca de uma suspensão do programa nuclear iraniano. A resposta do regime continua sendo uma ameaça aos vizinhos. Muitos dos ex-militares iranianos não estão mais conosco. Três meses atrás, com a nossa operação Martelo da Meia-Noite, usamos sete bombardeiros B-2 que derrubaram 14 bombas de 30.000 libras. Nenhum outro país tinha equipamento para fazer o que fizemos com as maiores armas da Terra. Nós odiamos usá-las, mas foi algo que há 22 anos as pessoas tentavam parar: o programa nuclear iraniano. Nós acabamos com a capacidade do país. Foi a guerra de 12 dias, como chamaram, entre Israel e Irã. Os dois lados concordaram que não iriam mais lutar, como todos sabem. Eu estou bastante comprometido em buscar o cessar-fogo em Gaza. Nós vamos conseguir isso. Infelizmente, o Hamas continua rejeitando as ofertas para fazer a paz. Não podemos esquecer do 7 de outubro. Reconhecer o estado palestino é encorajar o conflito contínuo. Seria uma recompensa para os terroristas do Hamas por suas atrocidades. Eles se recusam a devolver os reféns. Ao invés de desistir e ceder ao Hamas, nós temos uma mensagem clara: libertem os reféns agora. Libertem os reféns agora. Unimos aqui: nós temos que parar a guerra em Gaza. Devemos parar imediatamente. Precisamos negociar a paz, trazer os reféns de volta. Queremos todos de volta, não queremos dois ou quatro. Eu estive com Steve Wkof e Marco Rubio e nos envolvemos nisso. Estamos muito envolvidos. Não queremos dois reféns de volta, ou três, ou um. Queremos todos, inclusive os corpos dos 38 mortos de volta a seus familiares. Queremos rapidamente. Eu tenho trabalhado de forma incansável para parar os assassinatos na Ucrânia. Das sete guerras que eu parei, achei que essa seria a mais fácil por causa do meu relacionamento com o presidente Putin. Sempre foi muito bom. Eu achei que seria mais fácil. Mas numa guerra você nunca sabe o que vai acontecer. Há muitas surpresas boas e ruins.

Todo mundo achou que a Rússia ganharia essa guerra em três dias. E não foi assim. Seria só um conflito pequeno e já dura 3 anos e meio. E os assassinatos vão de 5 a 7 mil jovens soldados mortos toda semana. E outros ainda são mortos quando drones e foguetes são lançados. É uma guerra que nunca deveria ter começado se eu fosse presidente. Isso mostra como a liderança ruim pode prejudicar um país. A única questão de vidas que teríamos salvo. Tantas mortes desnecessárias. A China e a Índia acabam financiando, estão ajudando essa guerra por continuarem comprando o petróleo russo. Mas sem nenhuma desculpa, mesmo países da OTAN não cortaram os seus suprimentos de energia russa. E os produtos de energia russa, como vocês sabem, eu descobri isso duas semanas atrás. Eu não estava feliz. Pensem nisso: eles estão financiando a guerra contra eles próprios. Vocês já sabiam disso? Se a Rússia não conseguir fazer um acordo para financiar a guerra, os Estados Unidos estão preparados para impor isso. Nós temos uma rodada muito forte de tarifas que podem acabar com esse banho de sangue, acredito, rapidamente. Mas para que essas tarifas sejam eficazes, as nações europeias — vocês reunidos aqui — devem se juntar a nós em adotar as mesmas medidas. Vocês estão mais perto deles. Nós temos um oceano entre nós. Vocês estão lá. A Europa tem de se levantar, tem de trazer a sua posição para isso. Eles estão comprando petróleo e gás da Rússia enquanto estão lutando contra a Rússia. É vergonhoso. E eu acho que é vergonhoso que eu tenha descoberto isso. Então, eu acho que estou pronto para discutir isso hoje com as nações europeias que estão reunidas aqui. Eu acho que eles não vão ficar muito felizes de me ouvir nisso, mas enfim, é a maneira. Eu falo o que vem à minha cabeça, eu falo a verdade. Eu quero reduzir a ameaça de armas nos dias de hoje. Então eu estou também falando de como podemos acabar com o desenvolvimento de armas biológicas.

E armas biológicas, armas nucleares são horrorosas. Nós vamos incluir as armas nucleares também nessa discussão. Queremos o fim do desenvolvimento de armas nucleares. Nós sabemos, elas são tão poderosas que nunca podemos usá-las. Se usarmos alguma vez, o mundo literalmente pode acabar. Não haverá Nações Unidas para falarmos a respeito. Há poucos anos atrás, nós vivemos a experiência devastadora da pandemia global. E apesar dessa catástrofe mundial, muitos países continuaram com pesquisas muito arriscadas em armas biológicas e patógenos feitos pelo homem que são terrivelmente perigosos. Estou anunciando hoje que meu governo vai liderar um esforço internacional para produzir uma convenção de armas biológicas. Nós estamos trabalhando com líderes no mundo e com pioneiros no sistema de verificação de inteligência artificial. Nesse sentido, esperamos que a ONU possa ter um papel construtivo e que também esteja trabalhando nesses projetos iniciais com IA. Ela pode ser muito boa, porque muitas pessoas estão dizendo que pode ser uma das melhores coisas já feitas, mas ela também pode ser perigosa. Então, nós temos de dar um bom uso, um uso incrível. E esse é um exemplo de bom uso da inteligência artificial. A ONU não só não está resolvendo os problemas que deveria, como está criando novos problemas para resolver. O melhor exemplo é a questão política do nosso tempo, que é a imigração descontrolada. Ela está fora de controle. Nossos países estão sendo arruinados. A ONU está financiando um ataque aos países ocidentais e suas fronteiras. Em 2024, a ONU financiou 370 milhões em assistência financeira para apoiar cerca de 6.000 migrantes viajando aos Estados Unidos. Pensem nisso: a ONU está apoiando pessoas que estão entrando ilegalmente nos Estados Unidos. Ela também está fornecendo comida, abrigo, transporte, cartões de débito para imigrantes ilegais.

Dá para acreditar nisso? Nessas pessoas que infiltram o nosso país pela fronteira sul. Milhões de pessoas chegaram na fronteira sul, milhões e milhões, 25 milhões ao longo de 4 anos por causa da incompetência do governo Biden. E agora eles pararam. Eles não estão vindo mais porque sabem que não vão conseguir. Mas sabe, é algo totalmente inaceitável que a ONU, que deveria parar com essas invasões, as financie. Nos Estados Unidos, nós rejeitamos a ideia desse número imenso de pessoas vindo de países estrangeiros, viajando metade do mundo, cruzando nossas fronteiras, violando nossa soberania, causando crimes sem controle e acabando com a nossa rede de segurança. Nós asseguramos que os Estados Unidos pertencem aos americanos e encorajamos todos os países a se posicionarem em defesa de seus cidadãos. Eu não vou falar nomes, mas eu vejo. Eu poderia citar cada um de vocês. Seus países estão sendo destruídos. A Europa está em sérios problemas. Está sendo invadida por uma força de imigrantes ilegais como nunca antes. Imigrantes ilegais estão entrando na Europa. Ninguém está fazendo nada para mudar isso. É insustentável. Porque eles escolheram ser politicamente corretos e não há nada de bom nisso. Em Londres, por exemplo, têm um prefeito terrível, horroroso, e a cidade mudou tanto. E agora eles querem ter a Sharia, a lei islâmica. Mas é um país diferente, não dá para fazer isso. A imigração e as ideias suicidas de energia vão ser a morte da Europa Ocidental. É algo que não pode ser sustentado. Para manter um mundo bonito, cada país deve ter o direito de controlar suas fronteiras. Como fazemos agora: limitar o número de imigrantes entrando no nosso país e pagando para que recebam de volta em seus países. Nosso país foi construído com sangue, suor e lágrimas, e muito dinheiro foi feito nesse país. Agora ele está sendo arruinado.

Povos orgulhosos deveriam ter o direito de proteger suas comunidades, suas sociedades, de serem sobrecarregadas por pessoas que nunca viram antes, com costumes diferentes, com religiões diferentes. Migrantes que violaram leis, que usam pedidos de asilo falsos ou que pedem status de refugiado por razões ilegítimas são enviados de volta para casa imediatamente. Nós sempre temos um coração grande para pessoas que estão lutando e temos compaixão, mas temos de resolver o problema do nosso país, não criar problemas. Estamos ajudando várias pessoas que não conseguiram voltar. De acordo com o Conselho da Europa, em 2024, quase 50% dos presidiários nas prisões alemãs eram estrangeiros. Na Áustria, o número é 53% nas prisões. Na Grécia, 54%. Na Suíça, 72%. Quando as suas prisões estão tão lotadas com aqueles que se dizem asilados, que se dizem pessoas bondosas, e eles retribuem a bondade com crime, é a falha desse experimento das fronteiras abertas. Nós precisamos acabar com isso. Nos Estados Unidos, nós tivemos uma ação firme para fechar, acabar com a imigração sem controle. Assim começamos a prender e deportar todos que cruzavam a fronteira e retirar os imigrantes ilegais dos Estados Unidos. Eles pararam de vir. Eles não estão vindo mais. Nós estamos recebendo muito crédito por isso, porque eles não estão vindo mais. Foi um ato humanitário para todos envolvidos. Porque nas viagens milhares de pessoas morriam, as mulheres eram estupradas, apanhavam. Era uma viagem muito longa, terrível. Era o tráfico humano horroroso acontecendo na região. E o que fizemos foi uma vitória, porque nós salvamos tantas vidas de pessoas que não conseguiriam terminar essa jornada. Esse caminho está lotado de mortos. Há corpos em todo o caminho, na floresta, nas estradas. Eles passam por áreas tão quentes que não conseguiam nem respirar. São áreas tão quentes que você sufoca. Corpos por toda parte. Mas eles não estão vindo mais. Estamos, portanto, salvando um número tremendo de vidas. Minha equipe fez um trabalho fantástico e eu tenho muito orgulho de dizer isso.

Nós tivemos o melhor número de pesquisas que já tivemos e acho que parte disso vem por causa da fronteira. As políticas de Joe Biden na economia favoreciam assassinos de gangues, traficantes de pessoas, traficantes de crianças, cartéis de drogas e prisioneiros do mundo todo. O governo anterior perdeu 300.000 crianças que foram traficadas para dentro dos Estados Unidos sob o governo Biden. Muitas foram estupradas, exploradas, abusadas e vendidas. Vendidas. A mídia das fake news não fala, não escreve sobre isso. Muitas crianças desapareceram ou morreram. Nós encontramos muitas dessas crianças e as devolvemos aos seus pais. Nós perguntamos de onde vinham. Eles diziam o país, ou então nós descobríamos e mandávamos de volta. As mães corriam para as portas de casa chorando, sem acreditar que estavam recebendo de volta seus filhos. Fizemos isso com quase 35.000 até agora. Qualquer sistema que resulta no tráfico massivo de crianças é maldoso em sua raiz. No entanto, é exatamente isso que essa migração globalista tem feito. Nos Estados Unidos, um governo Trump está trabalhando e continuará trabalhando para rastrear quem são esses vilões. Assim como devolvemos essas 35.000 crianças — talvez mais — ainda há mais de 300.000 que estão perdidas ou mortas aqui. Nós queremos encontrá-las também. Eu designei também medidas para proteger nossos cidadãos dos cartéis de drogas. As pessoas não colocam mais grandes cargas de drogas em barcos. Viram o que aconteceu com as embarcações da Venezuela e não querem mais. Nós virtualmente paramos a chegada de drogas pelo oceano. Essas drogas matam pessoas. Centenas de milhares de pessoas foram designadas como membros de cartéis e agora como organizações terroristas internacionais. Incluindo as piores do mundo, como a MS-13, o Trem de Arágua da Venezuela. Essas organizações torturam, mutilam e assassinam.

Eles são inimigos da humanidade. Por essa razão, nós começamos a usar o poder das forças militares dos Estados Unidos para destruir os terroristas da Venezuela e as redes de traficantes lideradas por Nicolás Maduro. Nós vamos acabar com a existência de vocês. É o que estamos fazendo. Não temos escolha. Não acredito que perdemos 300.000 pessoas no ano passado para as drogas, especialmente fentanil. A energia é uma área em que os Estados Unidos estão indo maravilhosamente bem, como nunca antes. Nós acabamos com aqueles chamados renováveis — falsamente chamados de renováveis — porque são uma piada. Elas não funcionam, são caras, não são fortes o suficiente para indústrias. As eólicas não funcionam, são patéticas e caras. Precisam ser reconstruídas o tempo todo, enferrujam e estragam. É a energia mais cara já inventada. E na verdade não é energia. Nós deveríamos fazer dinheiro com energia, não perder dinheiro. Mas com isso se perde. Os governos precisam subsidiar, e você não pode sustentar subsídios grandes assim. Muitas dessas turbinas são construídas na China. Nós demos à China muito crédito. Eles fizeram essas fazendas eólicas. Eles construíram, mas sabe o quê? Agora eles usam carvão, usam gás, usam quase tudo, porque não gostam da eólica. A Alemanha, eu dou muito crédito à Alemanha, mas ela entrou nessa agenda verde. Eles estavam seguindo esse caminho da energia verde, mas acabaram indo terrivelmente, tanto na imigração quanto na energia. Eles estavam falindo. E agora, com a nova liderança que entrou, estão de volta com combustíveis fósseis e com nuclear, que é bom, seguro quando feito de forma adequada. Eles voltaram ao que eram, abriram novas empresas, nova produção de energia. E estão indo bem. Eu acho que vou dar muito crédito à Alemanha por isso, porque o que eles faziam era um desastre.

Lembram? Eles estavam virando totalmente verdes, e o verde acabou falindo. É isso que representa. Não é politicamente correto. Eu sou criticado por dizer isso, mas é a verdade. Quanto ao crime, nós estamos diminuindo o crime em Washington, a capital do país. Washington DC era a capital do crime dos Estados Unidos. Agora, depois de 12 dias, é uma cidade segura. As pessoas podem sair para jantar, podem ir a restaurantes com suas esposas, andar na calçada no meio da rua. Minha equipe fez um trabalho fantástico. Nós chamamos a Guarda Nacional, que assumiu a tarefa. Eles não são politicamente corretos, mas deram conta do negócio. Washington agora é uma cidade totalmente segura novamente. Eu convido vocês a jantarem comigo em um restaurante local. Podemos andar até lá, não precisamos ir de carro blindado. Falando de petróleo e gás, no Mar do Norte, eu conheço bem. Aberdeen era a capital do petróleo da Europa. O Mar do Norte tem uma força tremenda de petróleo, ainda não explorada. Eu disse ao primeiro-ministro que era um imenso ativo econômico para o Reino Unido. Eu espero que ele tenha ouvido, porque falei três dias seguidos sobre o petróleo do Mar do Norte. É uma área linda que não pode ser estragada com turbinas eólicas ou plantas solares. O diretor do Programa Ambiental da ONU previu uma catástrofe global por mudança climática, como um holocausto nuclear. Em 1989 disseram que em uma década as nações sumiriam do mapa. E aqui estamos. O aquecimento global não aconteceu. Costumava ser o resfriamento global, depois o aquecimento global, depois a mudança climática. Mudança climática é o maior golpe já feito contra a humanidade.

Não importa se o mundo está esquentando ou esfriando. Todas essas previsões da ONU estavam erradas. Foram feitas por gente burra. E os destinos dos países foram decididos por isso. Isso acabou levando países a entrarem nesse golpe do verde, por exemplo. Tem uma campanha que diz: “O Trump estava certo sobre tudo”. Tem até um boné sobre isso. Eu não quero me gabar muito, mas é verdade. Eu tenho estado certo sobre tudo. Estou falando isso porque é algo que vocês precisam ouvir. A energia verde é um golpe. O seu país vai falir. Se vocês não impedirem, vocês vão fazer com que seus países falhem. Eu sou presidente dos Estados Unidos, mas eu me preocupo com a Europa. Eu amo a Europa, eu amo os europeus. Eu odiaria ver a Europa arrasada pela energia e pela imigração. Esse monstro de duas caudas destrói tudo. Vocês querem ser politicamente corretos e estão destruindo sua herança. Vocês devem assumir o controle, imediatamente, acabar com o desastre da imigração e da catástrofe da energia falsa, antes que seja tarde. A pegada de carbono é uma grande mentira feita por pessoas com más intenções. Está levando à destruição. Essa pegada de carbono era algo importante. Anos atrás, quando Obama estava aqui, ele falou disso. Ele entrou no Air Force One, um imenso Boeing 747, e voava de Washington para o Havaí para jogar golfe. Ele falava sobre pegada de carbono nesse avião lindo. Isso é um golpe. Então, a Europa conseguiu reduzir sua pegada de carbono em 37%. Parabéns, Europa. Ótimo trabalho. Isso custou empregos, muitas empresas fecharam, mas vocês reduziram em 37%. Todo esse sacrifício não fez diferença porque houve um crescimento de 54% nas emissões, muito vindo da China e arredores. A China e países vizinhos produzem mais CO₂ do que todas as nações desenvolvidas juntas.

Todos os países estão trabalhando com essa pegada de carbono. Isso é besteira. Aliás, é pura besteira. Nos EUA ainda temos ambientalistas radicais. Eles querem fechar fábricas, querem que tudo pare. Não querem mais gado, querem matar o gado. Mas nós temos uma fronteira, um formato. Nós temos o ar mais limpo que já tivemos. O problema é que outros países, como a China, poluem e esse ar vem até nós. O mesmo com o lixo: a Ásia joga no oceano, e em duas semanas chega em Los Angeles. Temos muito lixo em Los Angeles, em São Francisco, e multam pessoas por jogar um cigarro na praia. Loucura. O efeito principal dessas políticas de energia verde não é ajudar o meio ambiente, mas redistribuir atividade industrial e econômica. Vai para países que poluem mais e quebram regras, e eles ficam ricos. As contas de eletricidade na Europa são quatro ou cinco vezes mais altas que na China. Três vezes mais que nos EUA. Nos EUA nossas contas estão baixando. Os preços da gasolina estão caindo. Eu sempre digo: drill, baby, drill. Vamos perfurar. É isso que estamos fazendo. Como resultado, era incomum ver ar-condicionado nesses países, e agora querem, mas não dá pelo custo da energia. Nos EUA temos cerca de 1.300 mortes por calor por ano. Na Europa são mais de 100.000, até 175.000 por ano. Isso não é a Europa que eu amo e conheço. E tudo em nome de parar o aquecimento global falso. Por isso, nos EUA eu saí do Acordo de Paris falso. Os EUA pagavam muito mais do que qualquer outro país. A China não precisava pagar nada até 2030. A Rússia recebeu metas fáceis. Nós teríamos que pagar 1 trilhão de dólares. Eu disse: “Isso é outro golpe”. Os EUA estão sendo explorados há muitos anos. Isso não vai mais acontecer. Então, eu comecei uma produção maciça de energia e assinei decretos presidenciais para buscar petróleo.

Mas nem precisamos buscar muito, porque temos mais petróleo do que qualquer outro país no mundo. E se acrescentarmos carvão, temos mais do que qualquer um. Eu chamo de carvão lindo e limpo. Estamos prontos para fornecer energia barata para outros países, se precisarem. Estamos exportando com orgulho energia para o mundo. Agora somos o maior exportador. Queremos comércio robusto com todas as nações, mas justo e recíproco. O mesmo vale para o clima: os países que seguem regras quebram, os que não seguem se dão bem. É por isso que os EUA estão aplicando tarifas a outros países. No meu governo usamos tarifas como defesa. No meu primeiro mandato entraram centenas de bilhões em tarifas. Tivemos a menor inflação. Agora temos inflação baixa de novo e centenas de bilhões entrando no país. Vamos usar tarifas para defender nossa soberania e segurança, contra países que tiraram vantagem dos EUA por décadas. Incluindo governos corruptos e incompetentes. O Brasil agora tem tarifas imensas em resposta aos seus esforços de censura, repressão, corrupção e perseguição política. Eu não tenho problema em dizer isso. Eu encontrei o líder do Brasil, conversamos por 30 segundos. Concordamos em nos encontrar na próxima semana. Ele parece um homem agradável. Eu gosto dele, ele gosta de mim. Tivemos uma excelente química. Isso é um bom sinal. No passado, o Brasil tarifou os EUA de forma injusta. E por isso nós também aplicamos tarifas de volta. Como presidente, eu defendo a soberania e os direitos dos cidadãos americanos. Eu lamento dizer que o Brasil está indo mal e continuará indo mal. Eles só irão bem se trabalharem conosco. Sem a gente, eles vão falhar, como outros falharam. É verdade.

No próximo ano, os EUA vão celebrar 250 anos da nossa gloriosa independência. Um testamento do poder duradouro da liberdade americana e do espírito americano. Também receberemos a Copa da FIFA e os Jogos Olímpicos depois. Será uma grande celebração da liberdade e da conquista humana. E juntos veremos os milagres que começaram em 4 de julho de 1776, quando fundamos a luz para todas as nações. Eu disse que os EUA, em honra desse aniversário, esperam que outros países se inspirem no nosso exemplo. Juntem-se a nós para defender a liberdade de discurso, a liberdade de expressão e a liberdade de religião. Hoje, a religião mais perseguida no planeta é o cristianismo. Vamos assegurar nossa soberania e saudar as qualidades que tornam nossa nação tão especial. Para encerrar, quero repetir: a imigração e o alto custo da energia renovável estão destruindo grande parte do nosso mundo livre. Precisamos de fronteiras fortes e fontes tradicionais de energia se quisermos ser grandes novamente. Toda nação neste salão tem uma rica cultura, uma herança nobre que a torna única. De Londres a Lima, de Roma a Atenas, de Paris a Tóquio, de Amsterdã a Nova York — estamos sobre os ombros de heróis e titãs que construíram nossas nações. Eles desafiaram batalhas, cruzaram desertos, atravessaram oceanos e planícies. Foram soldados, trabalhadores, exploradores. Construíram cidades, transformaram vilas em metrópoles, tribos em reinos, ideias em indústrias. Nós somos campeões desse povo e não devemos nunca desistir. Seus valores moldam nossa identidade, sua visão molda nosso destino magnífico. Agora nós temos a tarefa de proteger as nossas nações, que eles defenderam com sangue, suor e vida. Vamos preservar esse direito sagrado do nosso povo: proteger fronteiras, assegurar segurança, preservar tradições e lutar pelos sonhos e pela liberdade.

Vamos pensar em uma visão bonita de mundo. Vamos trabalhar juntos para construir um planeta mais bonito, mais brilhante, de paz, mais rico e melhor do que antes. Isso pode acontecer. Vai acontecer. Eu espero que possamos começar agora. Vamos tornar nossos países melhores, mais seguros e mais bonitos. Vamos cuidar do nosso povo. Muito obrigado. Que Deus abençoe todas as nações.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Sergei V. Lavrov - A ONU deve de novo tornar-se um centro de harmonização das acções das nações

*  Sergei V. Lavrov

     10.Feb.25      

Nos 80 anos da Cimeira de Ialta, um importante balanço sintético do trajecto histórico decorrido. A constatação de que as potências ocidentais nela participantes – EUA e Grã-Bretanha – se subscreveram os acordos posteriores e a Carta das Nações Unidas neles incluída, o fizeram sem qualquer genuína intenção de os respeitar e cumprir. Hoje há vozes nos EUA que declaram abertamente que os acordos Ialta-Potsdam lhes seriam prejudiciais. Mais, declaram que a sua própria “ordem baseada em regras” também já não lhes servirá. Ignoram que as condições demográficas, económicas, sociais e geopolíticas mudaram irreversivelmente. É uma figura diplomática da estatura de Lavrov quem o recorda. E recorda também que, a não serem reconhecidas essas novas condições, se poderá estar a caminhar para o caos.

Não é demasiado tarde para dar à ONU um novo sopro de vida. Mas isso não deveria ser feito através de ilusórias cimeiras e declarações, mas sim através da restauração da confiança baseada no princípio da igualdade soberana de todos os Estados enunciado na Carta. Infelizmente, não está a acontecer.

Há oitenta anos, em 4 de Fevereiro de 1945, os líderes dos vencedores da Segunda Guerra Mundial - a União Soviética, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha - abriram a Conferência de Ialta para determinar os contornos do mundo do pós-guerra. Apesar das diferenças ideológicas, concordaram em erradicar o nazismo alemão e o militarismo japonês. Os acordos alcançados na Crimeia foram reafirmados e aprofundados na Conferência de Potsdam, em Julho-Agosto de 1945.

Um dos resultados das negociações foi a criação das Nações Unidas e a aprovação da Carta das Nações Unidas, que permanece, até hoje, a principal fonte do direito internacional. A Carta estabeleceu objectivos e princípios para o comportamento internacional dos países, destinados a assegurar a sua coexistência pacífica e o seu desenvolvimento sustentado. O princípio da igualdade soberana dos Estados lançou a base do sistema de Ialta-Potsdam: nenhum pode reivindicar o domínio, uma vez que todos são formalmente iguais, independentemente do território, da população, das capacidades militares ou de outros parâmetros.

Apesar de todas as suas forças e fraquezas, sobre as quais os académicos ainda discutem, a ordem de Ialta-Potsdam forneceu durante oito décadas o quadro normativo e jurídico do sistema internacional. A ordem mundial baseada na ONU cumpre a sua principal tarefa - proteger toda a gente contra uma nova guerra mundial. Na verdade, “a ONU não nos trouxe o paraíso mas salvou-nos do inferno” [1]. O poder de veto consagrado na Carta - que não é um “privilégio”, mas um ónus de responsabilidade especial para salvaguardar a paz - serve como uma barreira sólida contra decisões imprudentes e oferece espaço para encontrar compromissos baseados num equilíbrio de interesses. Enquanto núcleo político do sistema Ialta-Potsdam, a ONU tem servido como uma plataforma universal única para o desenvolvimento de respostas colectivas a desafios comuns, quer para a paz e a segurança internacionais, quer para o desenvolvimento socioeconómico.

Foi na ONU que, com um papel fundamental desempenhado pela URSS, foram lançadas as bases para o mundo multipolar que está agora a emergir perante os nossos olhos. Em particular, o processo de descolonização foi legalmente implementado através da Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais, adoptada em 1960 por iniciativa da União Soviética. Nessa época, dezenas de povos, anteriormente oprimidos pelas potências coloniais, obtiveram pela primeira vez a independência e uma oportunidade de se tornarem Estados. Hoje, algumas destas antigas colónias podem afirmar-se como centros de poder no mundo multipolar, enquanto outras pertencem a uniões supranacionais com alcance civilizacional regional ou continental.

Como os académicos russos correctamente observam, qualquer instituição internacional é, acima de tudo, “uma forma de limitar o egoísmo natural dos Estados.” [2] A ONU, com a sua Carta adoptada por consenso, não é excepção.

A Rússia, tal como a maioria da comunidade mundial, nunca teve qualquer dificuldade em fazê-lo. Mas o Ocidente nunca se curou do sua síndroma de excepcionalismo e mantém os seus hábitos neocoloniais, ou seja, de viver à custa dos outros. As relações inter-estatais baseadas no respeito pelo direito internacional não foram, desde o início, do agrado do Ocidente.

A antiga subsecretária de Estado norte-americana Victoria Nuland admitiu uma vez, numa entrevista, que “Ialta não foi um bom acordo para nós, não foi um acordo que devêssemos ter feito”. Este tipo de atitude explica em grande parte o comportamento internacional dos Estados Unidos; em 1945, Washington foi praticamente forçado a aceitar de má vontade a ordem mundial do pós-guerra, já vista como um obstáculo pela elite americana, que rapidamente procurou revê-la. A revisão começou com o infame discurso da Cortina de Ferro de Winston Churchill, em Fulton, 1946, que essencialmente declarou uma Guerra Fria contra a União Soviética. Entendendo os acordos de Ialta-Potsdam como uma concessão táctica, os Estados Unidos e os seus aliados nunca seguiram o princípio fundamental da Carta das Nações Unidas da igualdade soberana dos Estados.

O Ocidente teve uma oportunidade fatídica de corrigir o seu rumo, de mostrar prudência e visão, quando a União Soviética se desmoronou juntamente com o campo socialista mundial. No entanto, os instintos egoístas prevaleceram. Dirigindo-se ao Congresso, a 11 de Setembro de 1990, inebriado pela “vitória na Guerra Fria”, o presidente americano George H. W. Bush proclamou o advento de uma nova ordem mundial [3], uma ordem que os estrategas americanos entendiam como o domínio total dos Estados Unidos na cena internacional, como uma janela de oportunidade para agir unilateralmente, sem ter em conta as restrições legais inscritas na Carta das Nações Unidas.

Uma manifestação da “ordem baseada em regras” foi a política de Washington de absorver geopoliticamente a Europa de Leste. A Rússia foi forçada a eliminar as suas explosivas consequências com a Operação Militar Especial.

Em 2025, com a administração republicana de Donald Trump de volta ao poder, a interpretação de Washington dos processos internacionais desde a Segunda Guerra Mundial assumiu uma nova dimensão, como vividamente descrito ao Senado pelo novo Secretário de Estado Marco Rubio em 15 de Janeiro: não só a ordem mundial do pós-guerra está ultrapassada, como foi transformada numa arma contra os interesses dos EUA [4]. Por outras palavras, não só a ordem de Ialta-Potsdam é indesejável, como também a “ordem baseada em regras” que parecia encarnar o egoísmo e a arrogância do Ocidente liderado pelos EUA após a Guerra Fria. “A América primeiro” é assustadoramente semelhante ao slogan hitleriano ‘A Alemanha acima de tudo’, e uma aposta na ‘paz através da força’ pode ser o golpe final para a diplomacia. Para não mencionar que tais declarações e construções ideológicas não demonstram o mínimo respeito pelas obrigações legais internacionais de Washington ao abrigo da Carta das Nações Unidas.

No entanto, hoje não estamos em 1991 ou mesmo em 2017, quando o actual Presidente dos EUA assumiu o leme pela primeira vez. Os analistas russos observam, com razão, que “não haverá regresso à situação anterior, que os EUA e os seus aliados ainda procuram, porque as condições demográficas, económicas, sociais e geopolíticas mudaram irreversivelmente.” [5] Também é provável que haja verdade na previsão de que, eventualmente, “os Estados Unidos compreenderão que não devem alargar demasiado a sua área de responsabilidade nos assuntos internacionais e viverão de forma bastante harmoniosa como um dos Estados líderes, mas já não como um hegemon.” [6]

A multipolaridade está a ganhar impulso e, em vez de se oporem a ela, os EUA poderão, num futuro previsível, tornar-se um centro de poder responsável, juntamente com a Rússia, a China e outros Estados do Sul, do Leste, do Norte e do Oeste globais. De momento, parece que a nova administração dos EUA vai lançar ataques de cowboys para testar os limites e a durabilidade do actual sistema centrado na ONU face aos interesses americanos. Mas tenho a certeza de que também esta administração compreenderá em breve que a realidade internacional é muito mais complexa do que as caricaturas que tem a liberdade de apresentar ao público interno americano ou a obedientes aliados geopolíticos.

Enquanto esperamos que os americanos fiquem sóbrios e se apercebam disso, continuaremos a trabalhar conscienciosamente com os nossos parceiros que partilham a mesma opinião para adaptar os mecanismos das relações inter-estatais à multipolaridade e ao consenso jurídico internacional de Ialta-Potsdam, que está consagrado na Carta das Nações Unidas. Vale a pena referir a Declaração de Kazan dos BRICS, de 23 de Outubro de 2024, que reafirma claramente o “compromisso unido da Maioria Mundial com o multilateralismo e a defesa do direito internacional, incluindo os Objectivos e Princípios consagrados na Carta das Nações Unidas como a sua pedra angular indispensável e o papel central da ONU no sistema internacional.” [7] Esta abordagem foi formulada por Estados líderes que moldam o mundo moderno e representam a maioria da sua população. Sim, os nossos parceiros do Sul e do Leste têm desejos muito legítimos no que diz respeito à sua participação na governação mundial. Ao contrário do Ocidente, eles, e nós, estamos prontos para discussões honestas e abertas sobre todas as questões.

A nossa posição sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU é bem conhecida. A Rússia procura tornar este órgão mais democrático, alargando a representação da Maioria Mundial: Ásia, África e América Latina. Apoiamos as candidaturas do Brasil e da Índia a lugares permanentes no Conselho de Segurança, ao mesmo tempo que trabalhamos para corrigir - por meios acordados pelos próprios africanos - a injustiça histórica para com o continente africano. A atribuição de lugares adicionais a países do Ocidente colectivo, já sobre-representados no Conselho de Segurança, é contraproducente. A Alemanha e o Japão, tendo delegado grande parte da sua soberania ao seu patrono ultramarino e tendo começado a reavivar os fantasmas do nazismo e do militarismo no seu país, não podem trazer nada de novo ao trabalho do Conselho de Segurança.

Estamos fortemente empenhados na inviolabilidade das prerrogativas dos membros permanentes do CSNU. Dada a política imprevisível da minoria ocidental, só o poder de veto pode garantir que as decisões do Conselho tenham em conta os interesses de todas as partes.

A política de pessoal do Secretariado da ONU continua a ser um insulto à Maioria Mundial, uma vez que os ocidentais continuam a predominar em todas as posições-chave. O alinhamento da burocracia das Nações Unidas com o mapa geopolítico mundial não pode ser adiado, tal como afirmado de forma inequívoca na Declaração de Kazan dos BRICS acima referida. Veremos até que ponto a administração da ONU, habituada a servir os interesses de um grupo restrito de países ocidentais, será receptiva a este apelo.

Quanto ao quadro normativo da Carta das Nações Unidas, estou convencido de que responde de forma óptima às necessidades da era multipolar, uma era em que todos devem observar - não apenas em palavras, mas em actos - os princípios da igualdade soberana dos Estados, da não interferência nos seus assuntos internos e outros princípios fundamentais. Entre estes princípios, conta-se o direito dos povos à autodeterminação, cuja interpretação consensual está consagrada na Declaração das Nações Unidas sobre os Princípios do Direito Internacional de 1970: a integridade territorial de um Estado deve ser respeitada se o seu governo representar a totalidade da sua população. Escusado será dizer que, desde o golpe de Estado de Fevereiro de 2014, o regime de Kiev não representa os povos da Crimeia, do Donbass ou da Novorossiya, tal como as potências ocidentais não representavam os povos dos territórios coloniais que exploravam.

As tentativas descaradas de reordenar o mundo no seu próprio interesse, violando os princípios da ONU, podem gerar instabilidade, confrontos e até catástrofes. Dado o actual nível de conflitos internacionais, a rejeição imprudente do sistema de Ialta-Potsdam, com a ONU e a Carta das Nações Unidas no seu centro, conduzirá inevitavelmente ao caos.

É frequente ouvir-se dizer que é prematuro falar da ordem mundial desejada numa altura em que ainda estamos a lutar para suprimir as forças do regime racista em Kiev apoiadas pelo Ocidente. Esta é, a nosso ver, uma abordagem perversa. Os contornos da ordem mundial do pós-guerra e os pontos-chave da Carta das Nações Unidas foram discutidos pelos Aliados no auge da Segunda Guerra Mundial, incluindo a Conferência de Moscovo dos Ministros dos Negócios Estrangeiros e a Conferência de Teerão dos Chefes de Estado e de Governo, em 1943, e durante outros contactos entre as futuras potências vitoriosas, até às Conferências de Ialta e Potsdam, em 1945. Embora os nossos aliados já tivessem uma agenda secreta, isso não diminuiu a importância duradoura dos princípios supremos da igualdade, da não ingerência nos assuntos internos, da resolução pacífica de litígios e do “respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”.

É evidente que o Ocidente subscreveu estes princípios com segundas intenções e depois violou-os grosseiramente na Jugoslávia, no Iraque, na Líbia e na Ucrânia, mas isso não significa que devamos isentar os Estados Unidos e os seus satélites de responsabilidade moral e legal, ou que devamos abandonar o legado único dos fundadores da ONU, tal como está consagrado na Carta das Nações Unidas. Se, Deus nos livre, alguém tentar reescrevê-la (sob o pretexto de se livrar do sistema “ultrapassado” de Ialta-Potsdam), o mundo deixará de ter valores orientadores comuns.

A iniciativa do Presidente Vladimir Putin de 2020 para uma reunião dos líderes dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que têm “uma responsabilidade especial pela preservação da civilização”, [8] procurava um diálogo equitativo sobre todas estas questões. Por razões bem conhecidas e fora do controlo da Rússia, esta iniciativa não foi avante. Mas mantemos as nossas esperanças, embora os participantes e o formato dessas reuniões possam agora ser diferentes. O mais importante, segundo Putin, é “recuperar a compreensão daquilo para que as Nações Unidas foram criadas e seguir os princípios estabelecidos nos seus documentos fundadores.” [9] Esta deve ser a principal directriz para regular as relações internacionais na era multipolar que já despontou.

Referências

[1] RGP, 2020. Бордачёв Т.В. ООН не привела нас к раю, но спасла от ада // Можно ли представить мир без ООН? [Bordatchov T.V., Podemos imaginar um mundo sem a ONU?]. Debate em mesa redonda do CFDP e da Fundação Gorchakov Rossiya v globalnoi politike, 26 de Novembro. Disponível em: https://globalaffairs.ru/articles/mozhno-li-predstavit-mir-bez-oon// [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

[2] Ibid.

[3] Bush, George H.W., 1990. Address Before a Joint Session of the Congress on the Persian Gulf Crisis and the Federal Budget Deficit [Discurso perante uma sessão conjunta do Congresso sobre a crise do Golfo Pérsico e o défice orçamental federal]. The American Presidency Project. Disponível em: https://www.state.gov/opening-remarks-by-secretary-of-state-designate-marco-rubio-before-the-senate-foreign-relations-committee [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

[4] Rubio, M., 2025. Opening Remarks by Secretary of State-Designate Marco Rubio Before the Senate Foreign Relations Committee, 15 de Janeiro. Os sítios Web oficiais utilizam .gov. Disponível em: https://www.state.gov/opening-remarks-by-secretary-of-state-designate-marco-rubio-before-the-senate-foreign-relations-committee / [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

[5] Lukyanov, F.A., 2025. Downward. Russia in Global Affairs, 23(1). Disponível em: https://eng.globalaffairs.ru/articles/downward-lukyanov// [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

[6] Sushentsov, A.A., 2023. The Crumbling of the World Order and a Vision of Multipolarity: The Position of Russia and the West. Clube de Discussão Valdai, 20 de Novembro. Disponível em: https://valdaiclub.com/a/highlights/the-crumbling-of-the-world-order-and-a-vision/ [Acedido em 31 de janeiro de 2025].

[7] XVI Cimeira dos BRICS, 2024. Declaração de Kazan. Reforço do Multilateralismo para um Desenvolvimento e Segurança Globais Justos. Kazan, Federação Russa, 23 de Outubro. Disponível em: https://cdn.bricsrussia2024.ru/upload/docs/Kazan_Declaration_FINAL.pdf?1729693488349783 [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

[8] Putin, V., 2020. Recordar o Holocausto: Fórum sobre a luta contra o antissemitismo. 23 de Janeiro. Presidente da Rússia. Disponível em: http://en.kremlin.ru/events/president/news/62646 [Acedido em 31 de janeiro de 2025].

[9] Putin, V., 2025. Conferência de imprensa após as conversações russo-iranianas. 17 de Janeiro. Presidente da Rússia. Disponível em: http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/76126 [Acedido em 31 de Janeiro de 2025].

 https://www.odiario.info/a-onu-deve-de-novo-tornar/

domingo, 19 de janeiro de 2025

Biden dá adeus à Assembleia da ONU se gabando da guerra na Ucrânia e Gaza


Data: 24/09/2024

Biden se vangloria de guerras em seu último discurso a uma Assembleia Geral da ONU  
 
Em sua despedida das Assembleias Gerais da ONU nesta quarta-feira (24), o caquético presidente norte-americano Joe Biden buscou amenizar a duvidosa glória de presidir a decadência da ordem unipolar sob Washington no planeta inteiro, que durou três décadas, em meio ao mundo multilateral que emerge; defendeu suas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e seus esforços para estendê-las ao Pacífico; e até mesmo se gabou de ter sido forçado a bater em retirada no Afeganistão, apesar do desastre de Cabul 2021 lembrar muito Saigon 1975.

Tradicionalmente, na abertura da Assembleia Geral Anual em setembro, é o presidente norte-americano o segundo a falar, após o Brasil. Ele aproveitou para criticar o adversário republicano Donald Trump, alegando que “sempre haverá um desejo de se retirar do mundo, e assumir o próprio caminho”.

Ao que acrescentou que – assim como pode ser constatado mundo afora, diante do fracasso das sanções contra a Rússia e do repúdio ao genocídio em Gaza que só subsiste por ser sustentado por armas, dinheiro e apoio ianque -, que “nosso desafio é fazer com que as forças que se aproximam de nos sejam mais fortes do que aquelas que se afastam”.

“Eu vi uma varredura notável da história”, disse Biden, arrancando risos ao dizer que “sei que pareço ter apenas 40 anos”.

Durante cinco décadas como senador e doze anos entre a vice-presidência e a presidência dos EUA, Biden foi um dedicado operativo da máquina de guerra norte-americana e da política imperialista, com seu papel sendo especialmente notório no golpe da CIA em Kiev em 2014, que inclusive lhe valeu uma gorda sinecura numa empresa de gás na Ucrânia para o filho ovelha negra, Hunter.

Também sem Biden na Casa Branca não seria um palhaço como Boris Johnson que iria a Kiev servir de mensageiro da ordem de não assinar o acordo em Istambul – que sustaria a guerra, com o retorno da neutralidade da Ucrânia, respeito aos direitos das minorias na Ucrânia e fim da perseguição aos descendentes de russos. Tendo, assim, integral responsabilidade sobre as centenas de milhares de mortos no conflito.

Também foi Biden e o complexo industrial-especulativo-militar que recusaram em 2021 a proposta da Rússia de restauração do princípio da segurança coletiva, manutenção da proibição dos Mísseis Intermediários na Europa e retorno da Otan às posições de 1997. Apostou tudo nas sanções, em impor uma derrota estratégica à Rússia e na extensão ainda mais insana da Otan.

Também, em relação ao Oriente Médio, foi Biden que manteve ininterruptamente o fluxo de bombas de 1 tonelada, sem as quais o ritmo do genocídio em Gaza no mínimo seria mais lento. E quem não retornou ao acordo com o Irã que Obama assinara e Trump rasgara.

Em relação à China, Biden foi co-autor, na vice-presidência, do “pivô para a Ásia”, a política de tentar cercar a grande nação asiática, com provocações contra Xinjiang, Tibet, Hong Kong e Taiwan, e incursões com navios de guerra no Estreito. Já na presidência, apostou na formação do Aukus, Quad e outros artifícios para empurrar a guerra para o Pacífico. Aprofundou a política de cerco tecnológico e comercial à China, acelerada por Trump.

“As coisas podem melhorar”, aventou Biden, observando que foi eleito para o Senado no auge da Guerra do Vietnã, mas presidiu um relacionamento amigável e frutífero com o Vietnã cinco décadas depois.

Mas, como se sabe, não existia antes um “relacionamento amigável e frutífero”, porque logo depois da derrota dos colonialistas franceses em Batalha de Dien Bien Phu, o imperialismo norte-americano escolheu intervir, instalou uma ditadura, impediu a reunificação pacífica, que tentou sustentar com 500 mil marines e soldados, cometeu várias Mi Lai, levou pela proa uma Ofensiva do Tet, e acabou fragorosamente derrotado, com o mundo abraçando a causa vietnamita e repudiando as cenas de meninas, ardendo pelo napalm, e correndo na estrada.

Cenas que lembram muito as recém-vistas em Gaza e no Líbano.

De acordo com a CNN, Biden em seu discurso lembrou ao público que a humanidade havia passado por tempos ainda mais desesperados, que o estado do mundo não seria – aos olhos dele tão sombrio quanto durante as crises anteriores – e que o “centro” – isto é, as potências coloniais e imperiais – “se manteve”.

Ainda segundo ele, o mundo se divide entre as “democracias” e as “autocracias” – não entre o Bilhão Dourado, sintetizado na sigla G7, e a Maioria Global, de que os Brics e outros instrumentos em construção são símbolo.

Ele também buscou aliviar o processo pelo qual foi defenestrado, como candidato, pelos democratas, depois do fiasco em um debate na televisão com Trump, asseverando que seria a hora de “uma nova geração de liderança levar este país adiante”.

O vetusto presidente disse ainda prever mais mudanças tecnológicas nos próximos “dois a dez anos do que nos últimos 50 anos”, em grande parte graças à IA. “Nos próximos anos, pode não haver maior teste de nossa liderança do que como lidamos com a IA”, ele foi capaz de acrescentar.

Fonte: Papiro  

https://pcdob.org.br/2024/09/biden-da-adeus-a-assembleia-da-onu-se-gabando-da-guerra-na-ucrania-e-gaza/