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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Poesia no CECAC

CeCAC - Literatura
Elogio da Dialética - Bertolt Brecht
Allende - Mario Benedetti
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Perguntas de um operário que lê - Bertold Brecht
Dura Elegia - Pablo Neruda
O Manifesto - Bertolt Brecht
As cinco dificuldades para escrever a verdade - Bertolt Brecht
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António de Oliveira Salazar - Fernando Pessoa
Os Homens da Terra - Vinícius de Moraes
Cantar de mãe alemã - Bertolt Brecht
Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte - Bertolt Brecht
Elogio do Aprendizado - Bertolt Brecht
Mãos Dadas - Carlos Drumond de Andrade
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sábado, 7 de novembro de 2009

88 anos da Revolução Bolchevique: "outros Outubros virão..."



88 anos da Revolução Bolchevique: "outros Outubros virão..."
Viva a Revolução Bolchevique!
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A Revolução Bolchevique completa em 7 de novembro (25 de outubro no antigo calendário russo) 88 anos. Revolução proletária e socialista, um exemplo da inesgotável força da aliança operária e camponesa que conquistou o poder de Estado na Rússia.
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Na escola da vida, na escola da luta, o proletariado aprendeu a exercer sua condição de classe dominante, quebrar a resistência dos opressores e constituir um novo Estado, através de formas de organização soviéticas.
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A Revolução Bolchevique é também um exemplo da justeza da teoria marxista, na sua capacidade de analisar cientificamente a realidade e ser um guia para a ação revolucionária. O Partido Comunista da Rússia (Bolchevique) e seu principal dirigente, Lênin, souberam desenvolver o marxismo analisando corretamente a guerra imperialista e a conjuntura específica da Rússia. Acreditaram e dirigiram as massas. Ousaram fazer a revolução.

A experiência da Revolução Bolchevique e a situação atual
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Com a revolução bolchevique de outubro de 1917 o proletariado e os camponeses na Rússia chegavam ao poder através de uma insurreição do povo em armas. Fato histórico que marca uma nova época do progresso social no mundo, foi a primeira revolução popular vitoriosa a consolidar-se, revolução das massas, dos explorados, da maioria, derrotando a minoria, destituindo do poder a burguesia e seus aliados. E uma revolução de caráter socialista, que significou a construção de um Estado socialista, a ditadura do proletariado, com perspectivas de derrotar definitivamente a burguesia e o capitalismo, e construir uma nova sociedade, comunista.
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Lênin, o principal dirigente do Partido Bolchevique, afirmava na reunião do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Petrogrado, em 7 de novembro (25 de outubro):
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“Camaradas! A revolução operária e camponesa, de cuja necessidade os bolcheviques sempre falaram, realizou-se. Que significado tem esta revolução operária e camponesa? Em primeiro lugar, o significado desta revolução consiste em que teremos um governo soviético, o nosso próprio órgão de poder, sem qualquer participação da burguesia. As próprias massas oprimidas criarão o poder. Será destituído de raiz o velho aparelho de Estado e será criado um novo aparelho governativo sob a forma das organizações soviéticas. Começa agora uma nova fase na história da Rússia, e a presente revolução russa, a terceira, deve em última análise conduzir à vitória do socialismo.”.
Enquanto uma revolução proletária e popular, empreendida através da participação revolucionária das massas, a revolução bolchevique contou com o heroísmo e a abnegação do povo russo. Esta impressionante combatividade dos povos que constituíram a União Soviética ficou demonstrada em todo o processo revolucionário, em 1905, em fevereiro de 1917, na primeira etapa da revolução, com a derrota do czarismo, em outubro, na revolução socialista e nos anos seguintes de guerra civil para consolidar o novo poder e enfrentar a intervenção militar e o cerco dos países capitalistas, do imperialismo mundial.
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Mas para a vitória da revolução – para a qual contribuíram uma série de acontecimentos, como a 1ª Guerra Mundial, guerra de repartilha do mundo pelos países imperialistas, que tanto agravou a miséria e a fome na Rússia, criando as condições objetivas de crise para a revolução – teve um papel decisivo, determinante, a direção imprimida pelo proletariado que uniu e liderou as massas populares, em especial os camponeses pobres, rumo à vitória. Esta direção ideológica, política, teórica e prática do proletariado foi exercida através do Partido Bolchevique, o Partido Comunista da Rússia.
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“A vitória estará do lado dos explorados”
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Ao analisar a revolução russa de outubro de 1917 é impossível não destacar a contribuição de Vladimir Ilitch Ulianov, Lênin, Secretário-geral do Partido Bolchevique e o primeiro presidente do Governo soviético, que encarnou como ninguém todo o espírito revolucionário do povo, a capacidade dos proletários e camponeses dirigirem seu próprio poder, o poder soviético, e construir uma nova sociedade. Que vislumbrou o significado histórico da revolução proletária russa como uma comprovação na prática da combatividade, criatividade e capacidade das massas populares e um estímulo formidável à revolução mundial, à luta pela libertação do jugo do capital e do imperialismo do proletariado de todos os países e dos povos das nações exploradas, dos países coloniais e semicoloniais. Lênin encerrava um curto texto - “Os que estão assustados com a falência do velho e os que lutam pelo novo”, escrito dois meses após a vitória da revolução, defendendo o duro e difícil caminho de construção do socialismo:
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“À medida que cresce a resistência da burguesia e dos seus parasitas cresce a força do proletariado e do campesinato que a ele se uniu. Os explorados fortalecer-se-ão, amadurecerão, crescerão, aprenderão, afastarão de si o ‘velho Adão’ da escravidão assalariada à medida que crescer a resistência dos seus inimigos – os exploradores. A vitória estará do lado dos explorados, porque de seu lado está a vida, do seu lado está a força do número, a força da massa, a força das fontes inesgotáveis de tudo o que é abnegado, avançado e honesto, de tudo que aspira a avançar, de tudo que desperta para a construção do novo, de toda a gigantesca reserva de energia e talentos do chamado ‘baixo povo’, os operários e camponeses. A vitória pertence-lhes.”

Marxismo: “a análise concreta da situação concreta”
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Um outro aspecto a ser destacado na Revolução de Outubro e do mérito de Lênin, enquanto seu principal dirigente, foi a confirmação na prática da teoria científica do proletariado, o marxismo, do materialismo dialético e o materialismo histórico como guia para ação revolucionária da massas, da capacidade de analisar cientificamente a realidade, a situação concreta e transformá-la, de compreender e praticar o que sempre disseram Marx e Engels: “Nossa doutrina não é um dogma, mas um guia para a ação”.
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E este aspecto da direção de Lênin, de ser fiel aos princípios gerais do marxismo, resgatando seu caráter revolucionário e ao mesmo tempo combatendo o subjetivismo e o dogmatismo, as fórmulas imutáveis desligadas da vida, tem particular atualidade para enfrentar a “crise do socialismo”, na verdade a atual crise do movimento revolucionário mundial, assumindo o marxismo-leninismo, enriquecendo-o e desenvolvendo-o. Lênin nos dá um magnífico exemplo de como utilizar o método marxista na “Apreciação do momento”, nas suas “Cartas sobre Tática”, na Carta I, de 4 de abril de 1917, quando defende de forma original, pois a realidade é original, de que a primeira etapa da revolução, (democrático-burguesa), vitoriosa há menos de dois meses, tinha terminado e que a Rússia vivia uma fase de transição para a segunda etapa da revolução (socialista):
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“O marxismo exige de nós que tenhamos em conta do modo mais preciso e objetivamente verificável a correlação das classes e as particularidades concretas de cada momento histórico. Nós, bolcheviques, sempre nos esforçamos por ser fiéis a esta exigência, absolutamente obrigatória do ponto de vista de qualquer fundamentação científica de uma política.
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‘A nossa doutrina não é um dogma, mas um guia para a ação’, disseram sempre Marx e Engels, zombando com razão da aprendizagem de cor e a simples repetição de ‘fórmulas’, capazes, no melhor dos casos, de apontar apenas tarefas gerais, necessariamente modificáveis pela situação econômica e política concreta de cada fase particular do processo histórico.
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...as palavras de ordem e as idéias bolcheviques no geral foram plenamente confirmadas pela história, mas concretamente as coisas apresentaram-se diferentemente daquilo que podia (quem quer que seja), esperar, mais originais, mais peculiares, mais matizadas.
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Ignorar, esquecer este fato significaria igualar-se aos ‘velhos bolcheviques’ que já mais de uma vez desempenharam um triste papel na história do nosso partido, repetindo uma fórmula insensatamente aprendida de cor em vez de estudar a peculiaridade da realidade nova e viva.
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... Agora é necessário assimilar a verdade indiscutível de que um marxista deve ter em conta a vida viva, os fatos precisos da realidade, e não continuar a agarrar-se a uma teoria de ontem, que, como qualquer teoria, no melhor dos casos apenas indica o fundamental, o geral, apenas se aproxima da apreensão da complexidade da vida.”
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Análise marxista da realidade mundial e brasileira – um desafio
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Com a derrota do socialismo na União Soviética – na verdade, a derrota da direção político-ideológica que renegou as tradições revolucionárias do marxismo-leninismo, com a revisão do marxismo incorporando práticas e concepções teóricas e ideológicas da burguesia – e com a crise global do imperialismo que acirra a luta de classes no mundo, aumentando a exploração e a luta do proletariado mundial e dos povos das nações dominadas, está colocado na ordem do dia para os revolucionários retomar/desenvolver o marxismo, o marxismo-lenismo, a herança teórica e prática da Revolução Bolchevique.
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Este exemplo do Partido Bolchevique e de Lênin de apreciar a realidade a partir de uma posição de classe, proletária, de elaborar uma análise científica da realidade para guiar o proletariado e os camponeses na revolução deve inspirar a análise da atual crise mundial do imperialismo e da formação social brasileira e a construção, teórica e prática, do projeto nacional da revolução brasileira. E estimular esforços de não transformar os conceitos e termos específicos da formação social e da revolução russa e suas formas de luta, em fórmulas e rótulos desprovidos de vida, transplantados para a situação atual de forma mecânica e anti-marxista.
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Está colocado na ordem do dia este desafio, para o qual o CeCAC se propõe a dar uma contribuição. Desafio de elaborar a teoria da revolução brasileira ligada como unha e carne à força, à organização e consciência revolucionária do povo, e que certamente não se realizará num piscar de olhos.
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Analisar a realidade da luta de classes no Brasil e no mundo do ponto de vista do proletariado, compreender o estágio atual da crise do imperialismo e as estratégias que implementa para tentar contrarrestar sua crise que levam, inevitavelmente, ao aprofundamento da exploração, da miséria e da violência contra os povos dos países dominados e contra os trabalhadores dos países imperialistas. Nesse sentido, o CeCAC busca somar esforços, através de grupos de estudos sobre a teoria marxista, sobre a formação social brasileira e sobre a economia mundial, o imperialismo, e por meio da elaboração de análises de conjuntura e debates, além da divulgação de lutas populares no Brasil e no mundo.
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"Outros Outubros virão...". É urgente concentrar esforços no desafio de enfrentar a opressão, a miséria, o desemprego que se alastra no mundo e no Brasil, ou seja, enfrentar o imperialismo, o capitalismo em crise profunda que já empurrou e continua levando a humanidade para a barbárie.

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Artigo elaborado com base nos Boletins do CeCAC de outubro/novembro de 2000 e novembro de 2001.
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
07/novembro/2005
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Algumas músicas de Paulo Vanzolini


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Volta Por Cima
Composição: Paulo Vanzolini

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Chorei,
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava

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Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão

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Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

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Praça Clóvis
Composição: Paulo Vanzolini

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Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida

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Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça

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Cuitelinho
Composição: Paulo Vanzolini / Antônio Xandó

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Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai
Ai quando eu vim
da minha terra
Despedi da parentáia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d'água
Que até a vista se atrapáia, ai...

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Capoeira do Arnaldo
Composição: Paulo Vanzolini

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Quando eu vim da minha terra
Passei na enchente nadando
Passei frio, passei fome
Passei dez dias chorando
Por saber que de tua vida
Pra sempre estava passando
Nos passo desse calvário
Tinha ninguém me ajudando
Tava como um passarinho
Perdido fora do bando
Vamo-nos embora, ê ê
Vamo-nos embora, camará
Presse mundo afora, ê ê
Presse mundo afora, camará

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Quando eu vim da minha terra
Veja o que eu deixei pra trás
Cinco noivas sem marido
Sete crianças sem pai
Doze santos sem milagre
Quinze suspiros sem ai
Trinta marido contente
Me perguntando "já vai?"
E o padre dizendo às beata
"Milagre custa, mas sai"

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Vamo-nos embora, ê ê (...)

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Quando eu vim da minha terra
Num sabia o que é sobrosso
Sabença de burro velho
Coragem de tigre moço
Oração de fechar corpo
Pendurada no pescoço
Rifle do papo-amarelo
Peixeira de cabo de osso
Medalha de Padre Ciço
E rosário de caroço
Pra me alisar pêlo fino
E arrepiar pêlo grosso
Que eu saí da minha terra
Sem cisma
Susto ou sobrosso

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Vamo-nos embora, ê ê (...)

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Quando eu vim da minha terra
Vim fazendo tropelia
Nos lugar onde eu passava
Estrada ficava vazia
Quem vinha vindo, voltava
Quem ia indo, não ia
Quem tinha negócio urgente
Deixava pro outro dia
Padre largava da missa
Onça largava da cria
E os pai de moça donzela
Mudava de freguesia
Mas tinha que fazer força
Porque as moça num queria

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Vamo-nos embora, ê ê (...)

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Eu sai da minha terra
Por ter sina viageira
Cum dois meses de viagem
Eu vivi uma vida inteira
Sai bravo, cheguei manso
Macho da mesma maneira
Estrada foi boa mestra
Me deu lição verdadeira
Coragem num tá no grito
E nem riqueza na algibeira
E os pecado de domingo
Quem paga é segunda-feira

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Vamo-nos embora, ê ê (...)

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Ronda
Composição: Paulo Vanzolini

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De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você está

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Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João

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