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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Marc Vandepitte - Memória Selectiva: O Papel Esquecido da União Soviética na Libertação da Europa

 


sexta-feira, 9 de maio de 2025

* Marc Vandepitte 

Os dias 8 e 9 de maio marcam o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. No entanto, o papel central da União Soviética nesta vitória — e o terrível preço que pagou por ela — está a ser cada vez mais esquecido ou minimizado no Ocidente devido à memória selectiva e ao oportunismo geopolítico.

O Exército Vermelho: motor da libertação da Europa

Em maio de 1945, o Exército Vermelho marchou em direção à capital alemã. A 2 de maio, Berlim foi tomada. A bandeira vermelha, símbolo da destruição do III Reich de Hitler, foi hasteada no edifício do Reichstag.

Os combates que o antecederam foram de uma magnitude e brutalidade sem precedentes. Desde 1941 que a União Soviética trava uma guerra de aniquilamento contra a Alemanha nazi. Mais de 26 milhões de cidadãos soviéticos perderam a vida, tanto soldados como civis. Nenhum outro país pagou um preço tão elevado.

As batalhas decisivas da guerra foram travadas na Frente Leste: Moscovo, Leninegrado, Estalinegrado, Kursk, campos de extermínio que mudaram o rumo do conflito. Os historiadores concordam que sem os esforços e sacrifícios do Exército Vermelho e a resistência heróica do povo da União Soviética, a máquina de guerra nazi nunca teria sido travada.

O papel dos Estados Unidos

No entanto, este papel crucial é frequentemente subestimado nos países ocidentais. A razão? A história da guerra não se enquadra na imagem simplista da "boa guerra", na qual os EUA foram o farol moral e derrotaram o fascismo através do altruísmo.

O papel dos Estados Unidos era muito ambíguo. Como descreve o historiador Jacques Pauwels, as empresas americanas continuaram a negociar com o regime nazi até à década de 1930. Grandes corporações como a IBM, a Standard Oil e a Ford obtiveram enormes lucros com o rearmamento e a produção alemã. Até dezembro de 1941, as empresas americanas forneciam produtos petrolíferos à Alemanha nazi.

Dentro do establishment havia uma simpatia aberta pela Alemanha nazi e outros regimes fascistas. Henry Ford, por exemplo, era um grande admirador de Adolf Hitler. Um amplo movimento dentro dos EUA, denominado "America First", opôs-se fortemente à intervenção americana nos conflitos europeus.

Mesmo depois de a Alemanha ter invadido a Polónia em Setembro de 1939, não houve apoio financeiro imediato nem fornecimento de armas por parte dos EUA. Tudo mudou depois do ataque a Pearl Harbor, a 7 de dezembro de 1941. Ou seja, os EUA esperaram dois anos até se juntarem aos Aliados.

Nascido do grande capital

Muitas vezes esquecido ou escondido, o fascismo, tanto em Itália como na Alemanha, nasceu do capitalismo. Era uma ferramenta para reprimir o movimento operário e as forças de esquerda. Sem o apoio das grandes empresas, Hitler nunca teria sido capaz de desenvolver o seu partido fascista nem teria sido eleito. A mesma coisa acontece com Mussolini.

Foto: Fotomontagem de John Heartfield para a revista AIZ, Berlim, 16 de outubro de 1932, "O significado da saudação de Hitler. Há milhões atrás de mim."

Depois da guerra, estas relações foram cuidadosamente ocultadas. Os industriais com ligações nazis recebiam frequentemente penas leves ou eram completamente absolvidos nos julgamentos de Nuremberga. A elite alemã de banqueiros e donos de fábricas que ajudaram Hitler a chegar ao poder permaneceu em grande parte impune graças à protecção da força de ocupação americana.

As heroínas e os heróis silenciados

Não só o Exército Soviético, mas também milhões de civis, guerrilheiros e civis contribuíram para a derrota do fascismo. A resistência foi muito forte na Jugoslávia, França, Itália, Grécia e outros países europeus.

Comunistas, sindicalistas, trabalhadores e estudantes arriscaram a vida em actos de sabotagem, greves, redes clandestinas e resistência armada. Os combatentes da resistência contrabandeavam alimentos, escondiam fugitivos e resistiam numa época em que resistir significava tortura ou morte.

Esta resistência teve um amplo apoio popular. A célebre greve de Maio de 1941 na Bélgica (10 a 18 de Maio), na qual centenas de milhares de trabalhadores abandonaram o trabalho em protesto contra os nazis, foi um dos maiores actos de resistência na Europa ocupada.

No entanto, estes actos desapareceram muitas vezes da historiografia oficial, tal como o papel dos comunistas na resistência é sistematicamente silenciado ou negado.

Para homenagear estes heróis e heroínas da resistência e manter a sua memória viva, a Bélgica lançou a iniciativa Heróis da Resistência , fundada pelo historiador Dany Neudt e pelo escritor Tim Van Steendam. Desde agosto de 2022 que a organização publica diariamente pequenas biografias de combatentes da resistência no seu website e nas redes sociais para partilhar as suas histórias.

A importância da memória

As lições dessa época são mais relevantes do que nunca hoje. A ascensão da extrema-direita na Europa, a normalização do discurso de ódio e a ascensão de líderes autoritários representam uma ameaça às liberdades duramente conquistadas pelas quais tantos deram a vida.

Além disso, a guerra na Ucrânia levou a uma perigosa forma de reescrita histórica. Em nome da luta contra Putin, qualquer referência ao passado soviético torna-se suspeita, pelo que comemorar a vitória soviética sobre a Alemanha nazi é subitamente considerado uma "glorificação da Rússia".

Assim, a homenagem aos libertadores da Europa corre o risco de ser substituída por uma amnésia selectiva e por uma distorção que alimenta o extremismo em vez de o combater. A verdade histórica não deve ser vítima de inimizade geopolítica.

A Segunda Guerra Mundial não foi um choque de nações, mas um confronto direto entre ideologias. De um lado: fascismo, racismo, colonialismo e genocídio. Do outro: a resistência antifascista, a solidariedade internacional e a justiça social.

Por conseguinte, a comemoração não é um ritual facultativo, mas um ato político. Se nos esquecermos de quem realmente derrotou o fascismo, esqueceremos também quem está hoje ameaçado. E que mais uma vez beneficiam do ódio, da opressão e da divisão.

Por isso, em vários países europeus há um clamor crescente para voltar a declarar o dia 8 de maio (Dia da Vitória) como feriado legal e remunerado; não como um dia de folclore, mas como um dia de memória, reflexão e vigilância.

Celebra não só a queda de Hitler, mas também a força da resistência popular, a solidariedade entre os povos e as lições da experiência socialista que conseguiu derrotar o fascismo.

O que o dia 8 de maio nos ensina é que a liberdade não é algo óbvio, mas o resultado da luta. Foi a União Soviética que fez os maiores sacrifícios. Foram os comunistas e os trabalhadores que lideraram a resistência. Foi a solidariedade internacional que derrotou o fascismo.

Não podemos esquecer esta história. Não por nostalgia, mas por necessidade.

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Marc Vandepitte é membro da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade (REDH).

Fonte https://www-dewereldmorgen-be.translate.goog/artikel/2025/05/08/selectieve-herinnering-de-vergeten-rol-van-de-sovjet-unie-in-de-bevrijding-van-europa/?

Postado por O BÁRBARO às 03:39

https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2025/05/memoria-selectiva-o-papel-esquecido-da.html

segunda-feira, 11 de março de 2024

O desprezível governo PS ou as acrobacias do Costa

quarta-feira, 8 de julho de 2020


Foto de Garry Winogrand (1928-1984)

Como é do conhecimento comum, o PS é catapultado para o governo quando a direita tout court já não consegue governar e/ou quando é necessário aplicar medidas, geralmente medidas de fundo, de carácter estrutural e inevitavelmente impopulares, devido a sua ainda maior base social de apoio; em 2015, tratava-se também da própria sobrevivência do PS, cujo espectro de desaparecimento a breve prazo era anunciado pelo afundamento dos congéneres europeus. Foi graças ao apoio dos dois partidos ditos de “esquerda”, BE e PCP/PEV, que o PS formou governo, ganhou umas eleições legislativa e se mantém ainda no poder, para legislar a favor de Bruxelas e da burguesia nacional.

A recente aprovação do Orçamento Suplementar, com a abstenção activa do PSD, relembrando que o Bloco Central não morreu, apenas se mantém adormecido, assim como do BE e do PAN, mostra que o prazo de validade do governo e do próprio PS ainda não chegou ao fim. Mostra, por outro lado, que o voto contra do PCP não passa de uma habilidade para manter o seu eleitorado, enquanto por detrás do pano mantém o diálogo, ou seja, a colaboração e o apoio activo à política do PS. Ao mesmo tempo, os partidos da ultra-direita marcam o ponto “anti-sistema”, quanto muito anti-regime democracia burguesa, porque este Orçamento, como todos os outros, dá com as duas mãos aos patrões o que rouba com a mão esquerda aos trabalhadores; aqueles poderão ter achado que o bolo que lhes calha é ainda insuficiente, como verberou o chefe da CIP.

Costa, depois de se manifestar satisfeito com o resultado da votação, tem a desfaçatez, como já nos habituou, de afirmar que “este não é um momento para a austeridade”, como o aumento de mais de 100 mil desempregados, em menos de um ano e segundo números oficiais, ou os 1 milhão e 400 mil trabalhadores a receber dois terços do salário durante 4 meses, não seja já por si uma austeridade, e bem grande. O PS, no governo, teve a habilidade de manter a austeridade em banho-maria sem nunca ter acabado com ela, e por uma simples razão, é que não há outra solução para vencer a crise do capitalismo senão apertar a tarracha da exploração; a habilidade consistiu em manter a paz social enquanto as coisas corriam bem, senão seria a revolta de quem trabalha. Agora, com o agudizar da crise, o PS mostra o que sempre defendeu: o grande capital e, em particular, os bancos.

A forma que o governo PS-marca-Costa encontrou para resolver os problemas da TAP e da Efacec, um pouco à semelhança da que foi arranjada para o Novo Banco, mostra mais uma vez, e de forma indisfarçável, que a sua missão é encontrar meios de o capital nunca deixar de se rentabilizar, isto é, sejam sempre garantidos os lucros dos patrões. Na TAP, o Estado entra com os 1200 milhões de euros, com o despedimento de trabalhadores cujo número irá ultrapassar os 3 mil, contando com os que já foram dispensados pelo lay-off, aliás, o que tem sido uma prática habitual neste tipo de reestruturação das empresas; na Efacec, o Estado nacionaliza a parte pertencente a uma empresária cleptocrata (seria um escândalo se o não fizesse) para depois a entregar a outros capitalistas, não importando se são nacionais ou estrangeiros, desde que entrem com o dinheiro e entreguem discretamente a devida comissão a quem por parte do governo intermediou o negócio. Sérgios Monteiros há muitos! 

Tem sido sempre assim, seja em governos PSD ou em governos PS, privatização=corrupção.

O caminho correcto, de um ponto de vista dos interesses dos trabalhadores, dos das empresas em causa e do povo trabalhador português em geral, seria o da nacionalização, sem indemnização, porque os lucros arrecadados pelos accionistas privados para além de ilegítimos já foram mais que suficientes, e sob inteiro controlo dos trabalhadores. Quanto à transportadora aérea nacional, tudo se prepara para ser entregue, mais dia menos dia, à alemã Lufthansa, depois de ser limpa das rotas que dão prejuízo, incluindo as que têm início no Porto, o que tem arreliado a cacicagem do Norte que gostaria andar de avião à custa do Orçamento do Estado, e de outros custos considerados supérfluos, nomeadamente os referentes aos salários dos trabalhadores. Será tempo do governo considerar que o futuro está no transporte ferroviário, que será o transporte por excelência por toda a Eurásia, de mercadorias e de passageiros, por mais económico, seguro e menos poluidor. É tempo de se apostar numa rede ferroviária eficiente e de qualidade, quer interna, inter-regional e suburbana, quer externa, com ligação à Europa e de bitola europeia, para acabar com o constrangimento da bitola espanhola, e fazer com que a economia nacional deixe de ser um prolongamento da economia espanhola (foi interessante ouvir o Costa falar portunhol em Elvas enquanto o seu homólogo falava em castelhano).

O caminho de ferro é fundamental para o desenvolvimento económico de um país e em Portugal nos últimos trinta anos não se fez outra coisa senão destruir as linhas existentes, acabar com as composições, deixou de se investir na manutenção do que existia e muito menos na inovação e na modernização, o aumento dos casos de infectados pelo coronavírus, o aparecimento de novos surtos em Lisboa, é a expressão da falta de qualidade dos nossos transportes ferroviários, e também rodoviários. Estes últimos foram entregues a privados, nacionais e estrangeiros, permitindo o surgimento de novos ricos, como é o caso Humberto Pedrosa (Grupo Barraqueiro/Fertagus), cuja fortuna pessoal começou no tempo do cavaquismo e nunca deixou de aumentar à custa do Estado e durante os governos do PS; foi no governo de PS/Guterres que lhe foi entregue a concessão da exploração do Eixo Ferroviário Norte-Sul da Região de Lisboa por 30 anos. É nesta lógica que temos de ver a solução para a TAP e a contínua degradação do transporte ferroviário.

Ouvir dizer ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que a solução encontrada para a TAP foi a melhor para o país ou que os transportes públicos não são uma das origens do aumento da propagação da covid-19 é ouvir um mentiroso, tal como a ministra da Saúde, que não passa de uma chica-esperta e incompetente e cuja continuação no cargo é já posta em causa pelo dirigente do PS e presidente da Câmara de Lisboa, que vê a coisa mal parada quanto ao turismo neste Verão; e que há muito aqui temos reivindicado a sua demissão, bem como da incompetente Graças Freitas. Mas, diga-se em abono da verdade, ouvir aquelas duas araras a debitar mentiras e atoardas não difere muito de ouvir um primeiro-ministro, em programa humorístico, conduzido pelo novel bobo da corte oficial, afirmar que os antibióticos curam viroses. Aliás, ouvir isto ou ouvir um Trump que a covid-19 se pode tratar com injecções de lixívia não haverá grande diferença, estamos perante duas pessoas ignorantes e muito pouco humildes.

Esta gente não consegue esconder a sua verdadeira natureza, pessoas arrogantes que desprezam o povo, e por vezes, quando se distraem e baixam a guarda, mostram o que na realidade são e o que as faz mover, como diz o povo, a boca foge-lhes para a verdade. Foi revoltante ouvir a uma directora geral da saúde, na habitual homilia diária, tratar os assistentes operacionais, profissionais de saúde insubstituíveis e sem os quais o SNS simplesmente pararia, por “AO's”; o mesmo desprezo, a mesma insanidade, se assistiu quanto às recomendações para a noite de S. João depois de esta ter já passado. Os assistentes operacionais na saúde não são doutores, não têm protagonismo político, são tratados como gente de segunda, exactamente como os trabalhadores que são obrigados todos os dias a utilizar transportes públicos sobrelotados para irem trabalhar em fábricas e empresas, sem condições mínimas de higiene e sem dispor do mais elementar equipamento de protecção. Assim se percebe que os últimos focos da pandemia ocorram em empresas ou nos próprios serviços da administração pública: Sonae/Continente, Pingo Doce, DHL, conserveira Gencoal, S.A em Vila do Conde, Câmara Municipal Lisboa. Só para citar os últimos casos em empresas, porque em lares da terceira idade, a saga do coronavírus continua, espalhando-se agora pelas creches, ou seja, em áreas de protecção social que foram entregues aos privados, cujo móbil é o lucro, pelo Estado/governos que se demitiu das suas responsabilidades e entendeu malbaratar o dinheiro do contribuinte.

Caso curioso, nem as empresas onde ocorreram os surtos foram fechadas pelas autoridades e nem a concentração de convidados na embaixada dos EUA em Lisboa, para comemorar o dia da independência, foi impedida de se realizar pela PSP, apesar de esta estar presente, ao contrário de outras concentrações em festas por parte de pessoas do povo; nem ninguém foi preso, como aconteceu com um elemento do povo em Casal de Cambra, no concelho de Sintra, tendo estado preso durante dois meses por alegadamente ter apedrejado a polícia. E com a agravante é que para a festa dos americanos foram convidados políticos, que tiveram a protecção da PSP; pelos vistos, aqui já não há perigo de contaminação. Ou como vivemos num país com dois pesos e duas medidas e como a repressão é somente para ser exercida sobre os trabalhadores. Patrões, capitalistas, agentes do imperialismo, políticos vendidos, polícias corruptos (“Forças de segurança lideram suspeitas de corrupção na administração central”, título dos jornais) são imunes ao vírus, impunes perante a justiça e livres da repressão do Estado.

O Costa é um habilidoso, gosta de acrobacias no circo, dá ao povo pouco pão e muito circo, mantém-se no poder porque conta com a colaboração de todos os partidos com o traseiro acomodado nos cadeirões de S. Bento, tem todos os órgãos de comunicação ao seu serviço, mas não conseguirá levar a mentira e a prestidigitação por tempo indefinido, tudo tem um fim. E quando os trabalhadores se encontrarem numa situação sem saída à vista, o que forçosamente acontecerá com o agravamento da crise a breve trecho (PIB a encolher mais de 7% no final do ano, desemprego a disparar para o dobro em relação a 2019,dívida pública a ultrapassar os 135% do PIB), irão abrir os olhos, tomar consciência e seguir o caminho da emancipação. A velha toupeira é incansável no seu trabalho e, enquanto isso, sair do euro e da União Europeia não é apenas uma simples reivindicação, é uma necessidade para evitar o desastre e o suicídio colectivo.

Postado por O BÁRBARO às 14:22 
https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2020/07/o-desprezivel-governo-ps-ou-as.html

Banqueiros, governo psd/cds e fascismo



 
quarta-feira, 5 de julho de 2023


Quando dava o fanico a Cavaco, o BES já em falência e o governo aumentava a austeridade e a repressão, se previa o desaparecimento do CDS, a vitória do PSD sem maioria e a possibilidade do PS ir para o governo e mais tarde a necessidade de maioria absoluta. Estávamos em 2014

Banqueiros e governo almejam o fascismo

Foi o presidente do BPI, como tem sido habitual em situações semelhantes, um dos primeiros a vituperar a decisão dos juízes do Tribunal Constitucional em chumbar as normas ilegais da Lei do Orçamento de Estado que levaram aos cortes dos salários dos trabalhadores da função pública, utilizando argumentos falaciosos, em sentido análogo ao dos governantes e dirigentes do psd, querendo justificar os interesses da classe dos banqueiros a todo o custo. Custo da política de austeridade que continua e irá redobrar no horizonte mais próximo, certo e sabido até 2019 (é o incontornável governador do Banco de Portugal que o afirma, mais uma vez bota palavra), e assacado ao povo português.

Conta que irá agravar-se, nem que seja por razões “nacionais”, por exemplo, o banco do regime, o também inconfundível BES, desvenda mais um pouco o buraco em que se encontra: o BES Angola apresenta um rombo de 5,7 mil milhões de dólares, resultante de empréstimos concedidos a altas figuras do regime corrupto daquele país, mas que a gerência diz não saber bem onde foi parar o dinheiro, numa demonstração clara de impunidade e de confiança de quem alguém (o povo português e possivelmente o povo angolano) irá pagar o desfalque.

O fascismo é o governo exercido pelos banqueiros

Nunca se tinha visto banqueiros e governadores do BdP, para além dos habituais economistas, ex-ministros e outros comentadores/paineleiros, a botar faladura com tanta frequência e prosápia sobre política e, principalmente, sobre as contrariedades governativas. Os argumentos são mais que falaciosos, são demagógicos, mentirosos, deliberadamente confusos e enganadores para a opinião pública.

Argumentar que o TC está a imiscuir-se na actividade legislativa e que “assuntos económicos” não são da sua competência, e vão para além da questão jurídica, é dizer, através de uma fraseologia pretensamente técnica, que vale tudo, que o Parlamento, nas mãos do executivo, pode decidir a bel-prazer, ou seja, se pode governar em ditadura, desta vez sem fechar o Parlamento como já aconteceu em outros períodos de profunda crise política da história do povo português, estamos lembrados da ditadura de João Franco, em véspera do regicídio e do imediato fenecimento da monarquia.

Não há dúvidas de que os banqueiros controlam abertamente o governo, sem intermediários e disfarces, só falta serem eles os ministros, como acontece na actual fascista Ucrânia em que os principias governantes, desde o Presidente da República recentemente eleito em eleições fantoches aos governadores das regiões, são os indivíduos mais ricos do país, enriquecidos, diga-se de passagem, pelo saque das empresas públicas que foram “vendidas” dez vezes mais baixo que o seu real valor.

E se há partidos e gente que faz o frete não será somente por serem corruptos e de estarem à espera de boa recompensa em lugares de conforto nos conselhos de administração dos bancos e de outras empresas que enriqueceram à custa dos negócios com o estado, mas porque a nossa burguesia e os partidos que a servem fizeram profissão de fé aliarem-se ao grande capital financeiro europeu, com o alemão em posição dominante, com o duplo objectivo de sobreviverem e de sobre-explorarem os trabalhadores e o povo português.

Os fanicos do senhor Silva




Enquanto o povo caminha a passos largos para a miséria e o país para bancarrota, sendo indisfarçável a necessidade de um segundo resgate e daí o preparar da opinião pública para tal, ao PR senhor Silva dá-lhe o fanico em situação de contestação pública e em dia de comemoração da “raça”, e ao PS, o “principal partido da oposição”, dá-lhe a guerra intestina pela disputa do pote e para salvação do regime e dos banqueiros e capitalismo nacionais.

O fanico do senhor Silva, ao que consta é o terceiro (e não o segundo, o primeiro foi quando os estudantes uma vez irromperam pelo gabinete quando era professor) desde que se meteu na política, vale pelo simbolismo, ele é também a falência do governo psd-cds e do próprio regime de democracia de opereta. Os espasmos vagais são resultantes não de uma hipotética doença de Alzheimer, como alguém quer fazer crer, mas próprios de personalidades histriónicas que não admitem a contrariedade nem a frustração, são expressão de um mau carácter, de quem deseja e prepara o fascismo; que bem pode vir pela mão de um ps, com ou sem o Costa.

Porque a revolta do povo a isso obrigará, fazendo com que a burguesia adopte formas de governo mais musculadas que, por sua vez, irão precipitar e provar sem margem para dúvidas que a única alternativa que os trabalhadores têm para a saída da crise do capitalismo é o socialismo.

Enquanto se adensam no horizonte próximo as nuvens da austeridade levada a expoente máximo, o tal de “principal partido da oposição” desintegra-se em disputas internas em vez de envidar todos os esforços e recursos para o derrube do governo fascista psd/cds. Contudo a verdadeira natureza das pretensas divergências internas torna-se clara e evidente: não se pretende um ps com uma direcção forte para fazer inverter a 180 graus a política defendida e aplicada pelo psd/cds, mas para impor a mesma política em grau redobrado.

O PS como tábua de salvação do capitalismo

Não será um ps sem maioria absoluta, e com a impossibilidade de se aliar mais uma vez com o cds, que irá ser reduzido à sua expressão mais simples em termos eleitorais, que conseguirá colocar em prática as medidas económicas que mantenham ou venham mesmo aumentar a exploração do povo português para salvação do capitalismo nacional e para benefício dos lucros e da concentração do grande capital financeiro europeu e internacional (norte-americano, mais precisamente, via FMI).

O partido que foi fundado pelos herdeiros da I República e com os marcos da social-democracia alemã será ainda o único capaz de trazer de novo o apoio da dita “classe média” causticada pela política de austeridade do governo ainda em funções a uma política de pretensa “salvação nacional”, mas para tal precisará de maioria absoluta. O resultado das eleições europeias revelaram que não só o ps não consegue formar governo sozinho, como o cds irá desaparecer do mapa, como o psd também pode ganhar as eleições mas também sem maioria e sem possibilidade de repetir a aliança com o actual parceiro, e que só duas saídas estarão disponíveis: ou a aliança de ps com psd, tão de agrado do senhor Silva e de alguns altos dirigentes do ps, ou ps terá de criar uma maioria que não sabemos como conseguirá atendendo a que o povo português, apesar de ser acusado frequentemente de amnésia, ainda está bem recordado do que foi o governo ps/engº Sócrates.

Caso o Costa de Lisboa alcance o poder dentro do partido e venha a ser o primeiro ministro de Portugal a seguir a 2015, e as eleições terão que ser realizadas na data prevista para que haja tempo para o assalto ao castelo, daí o ps nunca se ter empenhado em derrubar o governo, virá a revelar-se um “filho da puta” (estamos a falar em termos políticos, como é óbvio) muito parecido senão pior que o dito “engenheiro Sócrates”. Ele igualmente bom para ir buscar o fascismo, pese o rótulo de “democrata” colado pela extrema-esquerda, ansiosa de também aceder à gamela do orçamento e do aparelho da administração burguesa.

São mais que numerosos os sinais enviados pelo psd/cds e seus amos banqueiros para o regresso do fascismo em Portugal e em curto prazo de tempo. O senhor Silva não enviou a Lei do Orçamento para o Tribunal Constitucional porque os pareceres que lhe apresentaram não detectaram qualquer inconstitucionalidade e o senhor Coelho depois do chumbo do TC quer mudar os critérios de nomeação dos juízes daquela instituição apesar de dos 13 juízes 10 serem de nomeação partidária. É o oitavo chumbo do TC, os dirigentes dos psd e cds eriçam-se porque não podem cumprir a tarefa de transferência da riqueza do trabalho para o capital sem obstáculos, querem tomar as medidas que bem entendem, fazendo do Parlamento, o órgão por excelência e símbolo da democracia dos cravos, um simples ornamento.

O fascismo é sempre bem-amado pela elite

Querem o fascismo, a acumulação do capital não se compraz com democracias quando se tornam um estorvo, estas servem só na justa medida em que permitem uma mais fácil ilusão dos trabalhadores a fim de se deixaram explorar mais docilmente. Quando isto começa a deixar de resultar, então o mais prático e rápido é o fascismo; a Ucrânia é neste momento a melhor prova desta mudança de actuação do grande capital. E a exemplo do que se passa na União Europeia, onde os órgãos eleitos mais não passam de decoração de um regime autoritário onde tudo o que é essencial é decidido em órgãos não eleitos. Razão que justifica em grande medida a enorme abstenção nas eleições do passado dia 25 de Maio.

E a par da abstenção assistiu-se à subida dos partidos da extrema-direita e dos ditos eurocéticos, em geral, que, no dizer de certa esquerda nacional (resistir.info) até apresentou “propostas perfeitamente razoáveis, corajosas e até meritórias”, ou seja, o caminho a seguir será o da “saída do euro, defesa da indústria nacional, ruptura com a globalização e a independência”, tout court. 

Em suma, entre a extrema-direita e a esquerda que ainda se arvora oficialmente do comunismo, como é no caso presente, não há diferença de monta, depois não venham queixar-se da ascensão eleitoral dos partidos da extrema-direita e a quebra (ou inútil ténue subida) dos PC's ortodoxos de ex-tendência soviética, já para não falar do quase desaparecimento de BE's (o grego Syriza será a excepção, porque ocupando o lugar do Pasok). Esta gente, e não terá sido só o ps, meteu o socialismo na gaveta, e pior ainda, enfiaram o socialismo e o comunismo em cova bem funda, ficando-se pela social-democracia, o quer dizer, o aperfeiçoamento e regulação do capitalismo, de preferência, um capitalismo com cor nacional; que é onde conduzem as medidas avançadas por um FN da família le Pen.

O caminho é o socialismo/comunismo

Quando o capitalismo se encontra na sua fase última de vida, em estertor que, e apesar e por isso mesmo, pode ser demorado e doloroso para o mundo do trabalho, esta gente não aponta abertamente para uma solução socialista, porque presas aos medos e complexos da classe de onde provém a maioria dos dirigentes destes partidos, a classe média, melhor dizendo, a pequena-burguesia que tem mais medo do comunismo que do fascismo. Querem pôr a roda da história a andar para trás, depois não venham queixar-se do regresso do fascismo ou de soluções populistas, do género Marinho e Pinto, que a prazo conduzem ao mesmo.

O caminho é o do socialismo/comunismo e não das pretensas “democracias do século XXI” ou das “revoluções democratas e patrióticas” chinesas, como se a situação na Europa meridional e periférica (PIIGS) fosse ainda semelhante à que existia no mundo não industrializado da primeira metade do século passado. Neste mundo globalizado capitalista a alternativa é o socialismo/comunismo, não há etapas intermédias, estas servem para empatar e dar mais fôlego à burguesia e prolongar o capitalismo. Cada vez mais se sente a necessidade de uma alternativa socialista e revolucionária, ou seja, o comunismo.

15 Junho 2014

www.osbarbaros.org

Postado por O BÁRBARO às 14:53 
https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2023/07/banqueiros-governo-psdcds-e-fascismo.html

A Economia em estado comatoso, o fascismo brando e o PS em fim de linha

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

 

cartoon de João Abel Manta 

O alarme, o medo, o estado de emergência, com a mentira e a manipulação pelo meio, têm sido a estratégia do governo PS/Costa neste segundo mandato para impôr uma segunda vaga de austeridade, agora em dose maciça. Para atingir o objectivo há que amedrontar o povo e os trabalhadores e atirar com a responsabilidade para uma falsa pandemia, por sua vez, amplificada por uma imprensa subserviente, paga por muitos milhões de euros através de contratos de publicidade institucional e que agora, em final de Novembro, serão renovados, para continuar a propagar a mentira e induzir o medo. A declaração de estado de emergência, com o apoio servil da Assembleia da República, cada vez mais secundarizada para o papel de caixa de ressonância do executivo, e sob o alto patrocínio do PR Marcelo, que em segundo mandato irá mostrar os dentes, tal como o faz presentemente o Costa, e a explicitação em reunião extraordinária de ministros das medidas concretas que enformam a situação de suspensão de algumas liberdade e direitos dos cidadãos foram antecedidas, acompanhadas e seguidas por números manipulados e até falsos com um único fito de lançar o pânico e levar à aceitação de uma inevitabilidade, como se a vida de cada português estivesse em causa com uma virose que não mata mais do que qualquer outra patologia de causa infecto-contagiosa já existente em Portugal.

Os números apresentados são para isso mesmo, para aterrorizar, os títulos da imprensa o dizem: “Nunca em Portugal se registaram tantos casos em 24 horas: mais 5.550 infetados, a maioria no Norte (3.006)“ (DN, 06), “Pico de 6500 casos por dia de covid-19 esperado para o fim de Novembro” (JN, 07), “COVID-19: Portugal com novo recorde de óbitos. Mais 63 mortes e 4.096 infetados em 24 horas” (DN, 09), “Portugal ultrapassa as 3 mil mortes, com mais 62 nas últimas 24 horas” (DN,11), contudo a imprensa passa ao de leve ou não fala de todo que se em Março se começou a testar 800 pessoas se passou em Novembro (dia 05) a testar mais de 40 mil por dia, o que prova que a letalidade é pequena (1,7%), mas o medo devido ao matraquear constante dos números fica. Números que afinal até serão falsos, como denunciam os 12 investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em estudo publicado que aponta que os dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE) que têm sido fornecidas à comunidade científica, nos últimos meses, sobre os casos de Covid-19, “têm uma qualidade baixa, erros, inconsistências e muita informação em falta”, onde são encontrados “casos de um doente com 134 anos e três homens classificados como 'grávidos', bem como 19 doentes que supostamente teriam tido a doença antes do primeiro caso que se sabe que foi diagnosticado em Portugal”, colocando por terra a fiabilidade de todos os dados. O governo pode mentir uma vez e mais vezes, mas não conseguirá mentir sempre de molde a continuar com a intimidação, os factos são a contraprova da mentira e o povo mais cedo ou mais tarde abrirá os olhos e enviará o PS para o sítio onde já deveria estar, a história do lixo político.

A economia nacional encontra-se em estado comatoso

Por que é que o governo do Costa e do PS se encarniça na mentira e decretou o estado de emergência, não foi para “controlar e reprimir a pandemia” ou “apoiar os profissionais de saúde”, como Costa não se cansa de afirmar? Por uma simples razão, é que a economia nacional se encontra em estado comatoso, se em 2010 eram os bancos que se encontravam à beira da falência, agora são as empresas em geral que vêem os lucros a estagnar, muitas delas estão descapitalizadas e com o mercado a não conseguir consumir o excesso de produção do capitalismo devido à diminuição dos rendimentos dos trabalhadores – uma das contradições do capitalismo. As medidas que irão ser aplicadas daqui para frente, na continuidades das que foram no quadro do primeiro estado de emergência, serão para salvar as grandes empresas, os grandes capitalistas e patrões, não os pequenos e mesmo médios, como diz Costa: “"as medidas... não são alternativas ao layoff, somam-se ao layoff", reforçando que "o layoff continua a existir, quer o geral como a medida de apoio à retoma que substituiu o layoff simplificado", e já foram 1.550 milhões de euros, para além da “bazuca” que já está a caminho, são 750 milhões em subsídios a fundo perdido para as ditas “micro e pequenas empresas” que apresentem uma quebra de facturação de pelo menos 25% nos primeiros nove meses deste ano. Ora, iremos ver muitas empresas a apresentar subfacturação sem necessitar de ajudas e outras já com a corda ao pescoço a falirem inapelavelmente. Costa não acredita que seja possível "impedir a insolvência de todas as empresas" e assim estaria a pensar, já depois do estado de emergência em vigor e com o seu ar de hipócrita crónico, nas medidas mais adequadas, que irão sobretudo para os grandes hoteleiros e cadeias de restauração... um dia destes quem quiser tomar uma refeição pouco mais terá para além de um McDonald's ou de um Burger King e em centros comerciais. O pequeno comércio de rua terá desaparecido por força da prisão domiciliária dos portugueses , e em especial aos fins de semana!

Não será só o pequeno comércio ligado ao turismo, mas serão todas as pequenas e empresas que terão de fechar, no processo pandémica acelerado da concentração do capital, e é entidade insuspeita, agência Moody's, que o revela de forma insofismável: “Portugal é dos países que poderá ter maior destruição económica”. E em função disso, e não só, será um dos países que terá mais dificuldade em sair da crise económica e se alguma vez o conseguir fazer, porque economia dependente e subsidiária dentro da UE, onde faz 70% das suas trocas comerciais. E, mais importante ainda, a dívida pública que irá subir para os 135,1% do PIB, segundo perspectiva da Comissão Europeia, acima dos 134,8% previstos pelo Governo no OE 2021 – uma dívida cada vez mais impagável. E não será apenas Portugal, como todos os países do sul, Grécia e Itália, a que se pode acrescentar Espanha, com a maior quebra do PIB neste momento, devido ao grande número de pequenas empresas e, por essa razão, “de reduzida dimensão, possuem menores alternativas de financiamento e menores horizontes”. Uma perspectiva de uma situação que, segundo o relatório “Perpectivas Mundiais dos Soberanos (estados)”, que se irá estender por 12 a 18 meses. Será ainda mais grave no nosso país porque não há indústria nem o país se poderá reindustrializar no quadro da União Europeia, como a emigração, escape para a mão-de-obra excedentária, se encontra bloqueada na justa medida em que os países mais ricos e industriais, Alemanha e França, ou tradicionais destinos da emigração portuguesa, se encontram igualmente em crise (o Reino Unido já não faz parte da UE) e as suas necessidades de mão-de-obra barata e dócil já foram supridas pela imigração de refugiados.

Daqui para a frente será mais desemprego e mais miséria sem que o sistema económico consiga dar solução, já que a reorganização e possível recuperação do capitalismo será sempre com menos mão-de-obra e salários mais baixos, a robotização anunciada, tal como a introdução da máquina a vapor nos primórdios do capitalismo, será feita com mais desemprego (espera-se que um robot faça o trabalho de pelo menos três trabalhadores) e miséria para os trabalhadores, agora para todos e não apenas para os operários, daí a proletarização da pequena-burguesia que vai dando terreno para o medrar dos populismos e da extrema-direita. E os números não metem: a diferença do rendimento médio bruto por agregado entre aquele com maior rendimento (IRS) e o com menor rendimento era, em 2011, de 171 vezes, em 2015 de 174 vezes e, em 2018, era já de 182 vezes; no 4º trimestre de 2019 havia 522.300 desempregados, no 3º trimestre de 2020 são já 655.100, sendo o desemprego é a causa mais importante da pobreza no país; antes da pandemia, 47,5% dos desempregados estavam no limiar da pobreza e a maioria dos desempregados não recebe o subsídio de desemprego porque a lei os exclui; no fim do 3º trimestre de 2020, o teletrabalho já abrangia 681.900 trabalhadores, segundo o INE, e a partir da imposição do segundo estado de emergência com a sua obrigatoriedade, irá disparar, o que significa menos rendimentos para os trabalhadores e mais lucros para os patrões. A pandemia traz mais pobreza e miséria enquanto permite aos ricos ficarem cada vez mais ricos.

A pandemia do medo como distracção

A pandemia do medo tem outra finalidade, além do resultado de justificar a miséria, o de distrair os trabalhadores e o povo de assuntos que neste momento são questões de primordial importância para a sobrevivência de quem trabalha e produz, como é a discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2021. Em artigo anterior já denunciáramos o facto da disputa entre as diversas cliques da classe dominante e outras clientelas dependentes dos dinheiros públicos era o pote não ser suficiente, para mais em tempo de vacas magras, e não é que, sem surpresa para nós, que o incontornável advogado dos negócios e ministro da Economia veio desabafar para a opinião pública que “Ninguém está satisfeito; à mesa do Orçamento, todos acham que é insuficiente aquilo que lhes toca". O homem, para além de verberar que “todos acham que é insuficiente aquilo que lhes toca”, deixa claro que “o Governo tem de gerir aquilo que tem” e será neste cuidado que o governo e o ministro não deixarão de dar às grandes empresas, onde se inclui a banca, o maior quinhão, abrangendo todos aqueles que à mama da pandemia vão enchendo os bolsos: 496 milhões de euros para testes, equipamentos e outros serviços.

Perante a pressão dos lóbis, foi dado como garantido pela ministra da Saúde, e já orçamentado, mais 35 milhões de euros para os hospitais privados pela ocupação de umas, por enquanto, largas centenas de camas para doentes não só covid-19, como para de outras patologias, tendo ordenado o fecho, alegando caso de necessidade, dos serviços do SNS no atendimento dos casos não covid-19, o que irá engrossar as listas já de si enormes para cirurgias, consultas, exames complementares de diagnóstico e outros cuidados de saúde, incluindo os de enfermagem. Não deixa de ser curioso assistir ao perorar de um Marques Mendes, o conhecido recadeiro de Marcelo, na televisão do sócio nº1 do PSD, contra as dificuldade do SNS, já que o homenzinho é responsável máximo de um dos mais importantes grupos económicos privados da saúde, a Lenitudes! No entanto, os cuidados prestados no privado não serão de qualidade e haverá sempre o risco de o sector também estourar como o público, porque a maior parte dos enfermeiros e médicos que ali trabalham ser constituída por funcionários públicos que acumulam os dois lados. É todo o SNS que está a ser degradado e sem haver uma resposta de qualidade e à altura por parte do sector privado ou social, estando aí outros casos a comprová-lo: "desde 29 de outubro foram detetados 64 casos de legionella no norte do país", com 6 mortes, não se conhecendo exactamente qual a fonte do contágio. Outros casos surgirão, o concentrar de meios no pretenso combate à pandemia irá fazer com que outras patologias atinjam números que não existiam até agora, estando aí o número de mortes a mais para o atestar.

A pandemia como meio para endurecer as medidas de controlo e de repressão dos trabalhadores

A pandemia é, a par do espantalho do terrorismo, um bom pretexto para endurecer as medidas de controlo e de repressão dos trabalhadores e do cidadão em geral, é com o recolher obrigatório, ainda circunscrito a 121 concelhos em Portugal, mas que facilmente se prevê que será estendido a todo o território continental, visto que o número de infectados aumentará em proporção ao número de testes diários e de mortes, que poderão atingir as 100 por dia, e não será preciso ser matemático para ver isto, já que não se está a proteger os grupos mais vulneráveis, idosos e doentes crónicos que agora vêm as portas do SNS a fechar, e se testa inclusivamente os mortos suspeitos de terem tido contacto com alguém com teste positivo apesar de não sintomático, chegando-se ao cúmulo de se considerar “paciente assintomático” as pessoas saudáveis.

Mais liberdades, direitos e garantias reprimidas pelo governo a nível interno e mais limitação de entrada de imigrantes é a política que vai prevalecer em todos os estados da UE, e as medidas estão aí a começar por alguns países: o presidente francês Macron anunciou reforço de patrulhas fronteiriças e quer reforma de Schengen e o chefe da diplomacia italiana, Luigi Di Maio, propôs um `Patriot Act` europeu, semelhante à lei antiterrorista nos EUA. Qualquer indivíduo pode ser detido por tempo indeterminado desde que acusado de “terrorismo”, sabendo nós que estes grupos de mercenários foram criados pelos países do Ocidente para fazerem o trabalho sujo das suas forças armadas, como ficou bem provado na Síria. Como se acaba com a democracia, sob pretexto de se querer defender a vida dos cidadãos a nível da saúde e da segurança física! Costa já o afirmou, o estado de emergência poderá ir até ao fim da pandemia, e a Ordem dos Médicos concorda com o estado de emergência. Os portugueses ficarão em prisão domiciliária até quando calhar!

A par da repressão pelo cacete, a repressão sobre aqueles que pensam diferente, independentemente de ser por boas ou más razões, há muito, ainda antes da pandemia, se faz sentir: são os facebook ou twitter que fazem censura sobre as opiniões politicamente incorrectas, estejam mais à esquerda ou mais à direita, ou os artigos de opinião pagos a milhares de euros para descredibilizar quem contesta os dados e o discurso apresentados pelo governo, taxando de nagacionistas e de ignorantes e de outros impropérios mais violentos os que desalinham, ou são as televisões do império que cortam a palavra ao candidato que se pretende derrotado. O dito quarto poder cada vez com mais força para controlar a mente e o comportamento dos cidadãos. São as televisões que anunciam oficialmente o candidato vitorioso, ainda antes da instituição do estado que tem essa missão, são as televisões que vendem um candidato Marcelo que ganha sem precisar de fazer campanha no tempo próprio, são as televisões que lançam o impedimento de presidentes democraticamente eleitos quando deixam de ser convenientes para o sistema, são as televisões que amplificam os números deturpados da DGS, são as televisões de difundam o medo e criam o alarmismo, são as televisões que promovem a bufaria, sendo frequente ver pessoas na rua a olhar desconfiadas para outras que não usam a máscara, ou a telefonar para a polícia porque há um grupo de jovens em alegre farra em casa ou em bar já fora de horas. As televisões, nas mãos de grandes grupos económicos financiados com dinheiros públicos ou públicas dirigidas por ex-deputados e dirigentes do partido da oposição são os olhos do Big Brother. Em Dezembro irão receber outros 15 milhões de euros.

A democracia parlamentar burguesa está suspensa e dará lugar ao fascismo brando

É toda uma política económica de impôr a austeridade sobre os trabalhadores, uma política de repressão e de silenciamento, atentatória dos mais elementares direitos individuais, sobre o povo em geral, políticas impostas por um governo, cingindo-nos agora ao nosso país, por um governo que se diz de esquerda e que fará com que o próximo governo seja um governo aberta e formalmente de direita, aproveitando demagogicamente de uma política que facilmente terá sido identificada de “esquerda”, na medida em que foi aplicada por um governo também dito de “esquerda” e apoiado por toda a esquerda bem comportada do regime, pese toda a desculpabilização pela pandemia. Ninguém se admire que este governo PS/Costa não chegue ao fim de mandato por diversas razões, porque a mentira não dura sempre e Costa será escorraçado pela falsidade e pelo agravamento inaudito das condições de vida do povo português e porque Marcelo já em segundo mandato fará a este governo bem pior que o seu antecessor fez ao governo Sócrates/PS e não descansará de pôr na governação o seu partido e mais uns acrescentos. A democracia parlamentar burguesa está suspensa, dará lugar ao fascismo brando, porque o capitalismo se encontra falido.

Os resultados das eleições para a Assembleia Regional dos Açores marcam o princípio do fim de linha do PS,

porque já deixaram indício do que poderá acontecer no Continente, quando a miséria aqui igualar a miséria no arquipélago, esta agora ainda a vários pontos acima no que concerne a privação material severa, beneficiários do RSI e taxa de desemprego, será uma geringonça de direita, com o ainda principal partido da burguesia nacional a aliar-se com a extrema-direita; extrema-direita essa que apenas teve o trabalho de se mostrar porque sempre esteve lá dentro, desde que o PPD foi fundado. E ninguém se admire com a participação do partido de extrema-direita no governo, que irá sendo entretanto normalizado, quer pelo PR Marcelo quer por toda a imprensa de referência, com o seu dirigente-comentador-desportivo-televisivo a sobraçar alguma pasta mais importante, género Administração Interna ou Defesa. Se isto vier a acontecer, a exemplo do que está a suceder por essa Europa fora, devemos agradecer a um PS, com a sua política de direita a destruir a sua base de apoio, e aos partidos de dita “esquerda”, BE, ansioso em ir para o governo, e PCP, com as suas oportunistas abstenções e votos contras a pensar no próximo acto eleitoral, aplanaram o caminho para o fascismo - como já aconteceu no passado. De nada valerão as lágrimas de crocodilo dos falsos democratas nem os abaixo-assinados-cordões-sanitários... porque é da sobrevivência do capitalismo, e da burguesia, que se trata.

À medida que os campos se extremam, a luta de classes se intensifica, a revolução comunista surge como iminente e necessária.

Postado por O BÁRBARO às 10:42 
https://cronicasdobarbaro.blogspot.com/2020/11/a-economia-em-estado-comatoso-o.html? 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Manda quem pode, obedece quem deve

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024



 Com a campanha eleitoral em estado particularmente avançado e atingindo um tom de certo modo encarniçado, saltou para a ribalta mais um caso de suspeita evidente de corrupção envolvendo o chefe do governo regional da Madeira e o presidente da câmara municipal do Funchal, duas figuras gradas do PSD que não sabe bem o que mais prometer a fim de conseguir enfiar a mão no pote após oito longos e impaciente anos de jejum. Fica-se com a sensação de que foi vingança do PS, já que é o governo que manda na polícia judiciária e, depois do farto subsídio, não haverá outro remédio senão responder prontamente.

De boas promessas e de boas intenções está o Inferno cheio

A coisa promete ser renhida até ao fim e ninguém estranhe, como já foi alertado por diversas vezes, que a presente campanha para as legislativas do próximo dia de 10 de Março venha a revelar-se um tanto ou quanto feia; vai valer tudo, arrancar olhos caso seja necessário. Toda a gente espera que o principal homem de mão, na Madeira, do dito “principal partido” da oposição, no Continente, coloque o cargo à disposição, à semelhança de Costa que parece não ter hesitado e por razões aparentemente mais difusas, porque a situação para o Montenegro será a partir de agora cada vez mais preta, e lá se irão as promessas de tudo e mais um par de botas.

Quanto a promessas e de pretensas boas intenções está o Inferno cheio, e não deixa de ser ridículos os leilões de promessas fáceis prometidas por todos os partidos, uma verdadeira feira, desde do que ainda se encontra no governo, passando pelos partidos ditos da “direita moderada” e aos intitulados de “extrema esquerda” e “extrema-direita”, esquecendo-se de que as políticas seguidas nos países da União Europeia são determinadas por Bruxelas. E temos de ser realistas, porque é neste quadro que os partidos portugueses se movem, sendo tudo o resto mera demagogia, e rasca. E o que diz Bruxelas?

Ora, no recente encontro do Fórum Económico Mundial (54º), realizado em Davos, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen não se engasgou nem trincou a língua no seu discurso onde explanou clara e detalhadamente as linhas mestres da política a seguir: os sectores públicos (governos) e privados devem colaborar intimamente; a principal preocupação para os próximos dois anos será o combate à “desinformação e falsa informação” e não o clima; “os próximos anos exigirão que pensemos da mesma forma”, acredita que o poder comum das democracias e dos negócios estará no centro desta forma única de pensar; como a Rússia, no seu entender, está a perder a guerra na Ucrânia e a falhar nos seus objetivos económicos e diplomáticos, o belicismo europeu irá impor-se.

Em relação à forma de cooperação entre governos e empresas serão estas a ditar as leis, promessas de subidas do salário mínimo e médio, seja os mil euros do salário já este ano ou para 2028, seja os 1750 euros do salário médio para o final da legislatura, partindo do princípio que chegará ao fim, o que é pouco provável, os partidos terão de perguntar primeiro se os patrões e as empresas estão dispostos a fazê-lo, já que a cooperação tem que funcionar, e os patrões portugueses já foram explícitos sobre o assunto: o salário mínimo de 1000 euros é difícil sem aumento da produtividade – primeiro venha o porco, quanto ao chouriço logo se vê!

O PSD deixa transparecer que está com a consciência pesada quanto aos idosos, deve ainda estar lembrado dos cortes que efectuou nas pensões e nas idades de reforma para a “peste grisalha”, então desunha-se em promessa de aumentos, complementos e outros apoios. No entanto, os restantes partidos não lhe ficam atrás, até houve um que prometeu reforma mínima igual ao salário mínimo, outros apostam mais na descida da idade para aposentação e o novel chefe socialista uma das primeiras coisas que fez foi visitar centros de terceira idade, também se esquecendo – esta gente come muito queijo! – do número de mortes de idosos abandonados durante a pandemia e em lares ilegais. Para quando uma rede pública de lares ou de cuidados continuados?

Em referência à economia, cujo estado de saúde não está tão bem como o governo o pinta, as promessas são descabeladas: a recauchutada AD jura a pés juntos que a descida gradual do IRC irá garantir um bónus de 5 mil milhões de euros às empresas, o que permitirá subir o PIB em 3,4% até 2028 e à custa predominantemente do aumento da procura interna. Ora, se os salários são baixos, o poder de compra dos portugueses encontra-se continuamente a degradar-se e os patrões não estão abertos à ideia de subir substancial e antecipadamente os salários, como é que isso poderá ser feito?

Aumentar a produção, induzir o crescimento económico, e aqui fala-se do crescimento da riqueza dos patrões, através de aumento das exportações, como se tem tentado fazer até agora, como isso será efectuado se atendermos a  duas razões: primeiro, a União Europeia está a entrar em recessão económica, a denominada “locomotiva da Europa”, a Alemanha, tem a economia estagnada há uma série de trimestres e não se prevêem melhorias, bem pelo contrário; segundo, a economia portuguesa tem-se transformado num prolongamento da economia espanhola desde a entrada no euro, o que explica que nos últimos vinte anos, tempo do euro, o PIB nacional tem crescido a uma taxa média anual de 1%, isto é, metade do da economia do outro lado da fronteira, cada vez menos fronteira. Como é?

A crise da democracia e a crise dos seus órgãos de propaganda

“Para a comunidade empresarial global, a principal preocupação para os próximos 2 anos não será o conflito ou o clima. É desinformação e falsa informação, seguidas de perto pela polarização nas nossas sociedades” – Ursula von der Leyen no 54º Fórum Económico Mundial, 16 Janeiro 2024

A economia capitalista nacional não está lá muito bem, mas o resto não estará lá muito melhor. Se pegarmos no assunto que mais preocupa a senhora von der Leyen, a questão de toda a gente seguir o mesmo pensamento, sem lugar para dissidências ou alternativas, com o objectivo de evitar ou abafar a contestação social, então a situação é calamitosa. Os media mainstream nacionais, propriedade de um pequeno punhado de grupos económicos, estão pela rua da amargura e o caso Global Media Group, adquirido recentemente por um fundo de investimento mafioso, diz bem da realidade, e será apenas a ponta do iceberg. As posições dos diversos partidos do establishment quanto ao apoio a esta imprensa falida e desacreditada diz bem da natureza política e de classe desses partidos.

Antes de mais, devemos lembrar os 15 milhões de euros que o governo do PS/Costa enterrou nos media para, alegadamente, fazer publicidade institucional, mas na prática foi comprar a adesão à política seguida e aplicada quanto ao combate da pandemia, onde se esturricaram alguns milhares de milhões de euros na compra de vacinas, material de protecção, máscaras e serviços aos lóbis da saúde privada e também, com o mesmo pretexto, na recapitalização de empresas falidas ou à beira de tal. E ainda não se falava da crise do Global Media Group e Marcelo defendia o apoio estatal aos media privados, melhor dizendo, aos meios de propaganda do regime. O ex-presidente do Parlamento também já alvitrou a alteração da Lei de Imprensa. Provavelmente, os media mainstream serão benevolentes com o PS nesta campanha eleitoral.

E a seguir, e apontando as medidas defendidas pelos partidos do sistema quanto à forma de salvação de órgãos de informação que o povo português pouco lê ou vê, tirando as telenovelas, e onde pouco ou nenhum dinheiro gasta, porque também o não tem, concluímos que o consenso reina entre todos. O PS e BE são unânimes em enfiar directamente dinheiro nos órgãos de propaganda da burguesia, os restantes também aprovam mas com algumas condições, que são mais de forma do que substância, e o PCP até terá alvitrado a nacionalização do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, dando a entender que são os “alicerces fundamentais da democracia”, como disse uma ex-deputada socialista, chegando a defender um “pacto de regime alargado” sobre os media. Mas pergunta-se, democracia e liberdade de expressão para quem, para os trabalhadores ou para as elites e seus negócios como aponta von der Leyen?

E quanto a democracia, esta não está melhor que os seus órgãos de propaganda, vai-se auto-descridibilizando, e aqui todos os partidos com assento na Assembleia da República estão unidos, e fortemente, incluindo o que se autoproclama de “anti-sistema”. O Parlamento, no seu último plenário, aprovou por unanimidade e em tempo recorde o projecto de lei que alarga ajudas de custo para os próprios deputados… e com retroactivos até agosto de 2023. É o fartar vilanagem! E vêm agora os falsos moralistas do costume gritar aqui d’el rei! que o ex-militante e ex-deputado pelo PSD, agora cabeça de lista do Chega, terá recebido 75 mil euros de subsídios e ajudas de custa por ter dado como residência Angola e não Coimbra ou Lisboa, onde passa a maior parte do tempo. Afinal, são todos subsídio-dependentes, ou seja, mamam todos na mesma teta.

Os cada mais frequentes casos de corrupção, na maior das vezes corrupção passiva de titular de cargo político, quer dizer que os políticos governantes foram corrompidos por alguém, no caso da Madeira os políticos terão sido por gente ligada aos negócios da construção civil e do turismo, acusação geralmente associada a suspeitas de “prevaricação, abuso de poder, participação económica em negócio ou atentado contra o Estado de Direito”, contribuem para descredibilização do regime. Quando esta democracia perfaz meio centenário de existência, vão realizar-se eleições antecipadas para a Assembleia da República e para a Assembleia Regional dos Açores e, muito provavelmente e em breve, também para a Assembleia Regional da Madeira, caso o governo regional venha a cair, como parece vir a acontecer. Não deixa de ser uma forma irónica de confirmar a solidez do regime.

Fica evidente, só não vê quem não quer ou não lhe interessa, que a classe política do regime não passa de uma casta que, para além de parasitária, funciona como gestora dos negócios do capitalismo. São todos uns meros funcionários que de imediato são descartados se não cumprirem com a missão, e logo substituídos por outros. Alguns são mais espertalhaços e não se deixam apanhar; outros, ou por inépcia ou por arrogância e excesso de confiança, são apanhados com a mão na massa. A fila para candidato ao pote parece não ter fim e as eleições servem somente para refrescar as fileiras, e quando é. Nunca foi tão verdadeira como no tempo presente a velha máxima salazarista do “Manda quem pode, obedece quem deve”: manda o poder económico, esteja ele (grande capital financeiro) sedeado em Bruxelas ou situado em Portugal, os políticos avençados obedecem.

Imagem: "Os pica-paus" em henricartoon

Postado por O BÁRBARO às 15:34 

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