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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Paulo Leminsk - Vida e Obra

 

 
 
 Apagar-me
.
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.
 .
 .
 
 DESENCONTRÁRIOS
.
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
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Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
*
 *
Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
.
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
.
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
 
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Sintonia para pressa e preságio
(
incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século")
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Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
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Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.
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Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala. 
 .
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Profissão de Deus
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quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento
 .
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Verdura
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De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que te vi
o dia em que me viste
.
De repente
vendi meus filhos
a uma família americana
eles têm carro
eles têm grana
eles têm casa
a grama é bacana
só assim eles podem voltar
e pegar um sol em Copacabana.
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(Poesia de Leminsk, musicada por Caetano Veloso)

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BIOGRAFIA

Paulo Leminsk nasceu aos 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba, Paraná. Em 1964, já em São Paulo, SP, publica poemas na revista "Invenção", porta voz da poesia concreta paulista. Casa-se, em 1968, com a poeta Alice Ruiz. Teve dois filhos: Miguel Ângelo, falecido aos 10 anos; Áurea Alice e Estrela. De 1970 a 1989, em Curitiba, trabalha como redator de publicidade. Compositor, tem suas canções gravadas por Caetano Veloso e pelo conjunto "A Cor do Som". Publica, em 1975, o romance experimental "Catatau". Traduziu, nesse período, obras de James Joyce, John Lenom, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros, colaborando, também, com o suplemento "Folhetim" do jornal "Folha de São Paulo" e com a revista "Veja". No dia 07 de junho de 1989 o poeta falece em sua cidade natal. Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Seu livro "Metamorfose" foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro.
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Saiba um pouco mais sobre Leminsk

Mestiço de polaco com negra, Paulo Leminski nasceu na cidade de Curitiba, Paraná, em 24 de agosto de 1944. Desde os 18 anos, aproximadamente, esteve envolvido com a literatura, participando de congressos e concursos em todo o Brasil. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais (poema japonês de três versos), trocadilhos, ou brincando com ditados populares. Aos 20 anos, publicou seus primeiros poemas na revista Invenção. Na década de 70, teve poemas e textos publicados em diversas revistas de sua cidade natal - como Corpo Estranho, Muda Código, Raposa - e lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental", em edição particular. Em 1983, o poeta passou a publicar pela editora Brasiliense, o que o fez conhecer o sucesso. Passou, então, a colaborar no Folhetim do jornal Folha de S. Paulo, a resenhar livros de poesia para a revista Veja e a participar do Jornal de Vanguarda da TV Bandeirantes. Como compositor, teve músicas gravadas por Caetano Veloso, Paulinho Boca de Cantor, Itamar Assumpção, Ney Matogrosso, por grupos como A cor do Som e Blindagem, e parcerias com Moraes Moreira. Paulo Leminski foi também faixa-preta e professor de judô, poliglota e tradutor, professor de história e de redação em cursos pré-vestibulares, diretor de criação e redator de publicidade. Para o público infanto-juvenil escreveu em 1986, Guerra dentro da gente e, em 1989, A lua foi ao cinema. O poeta morreu no dia 7 de junho de 1989. Em sua homenagem, foi inaugurado o Espaço Cultural Paulo Leminski, teatro multimídia ao ar livre, na antiga pedreira municipal de Curitiba, no mesmo ano.

Conheça mais sobre o poeta no site: http://users.sti.com.br/efres/Leminski/kamiquase.htm
 

http://pauloleminsk.blogspot.com/
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Leminski: o polaco-negro, o trotskista-budista

Wilson H. Silva
da redação do Opinião Socialista e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU

• Em 1989, pouco antes de morrer, o escritor curitibano Paulo Leminski rabiscou um bilhete com uma de suas frases curtas, irônicas e certeiras: “Nunca estive muito interessado em envelhecer, eu que sempre amei a juventude”.
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Hoje, 20 anos depois de ter sua intensa vida abreviada por uma cirrose que o matou aos 44 anos (em 25 de agosto passado seria seu 65° aniversário), muito provavelmente Leminski iria se sentir rejuvenescido se soubesse que seus fabulosos “haicas” estão circulando pelas ruas através da na nova mania dos jovens, o “twitter”, num formato que já está sendo chamado de “twicais”.
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Em primeiro lugar, é preciso que se diga que chega a ser animador saber que a mais recente novidade da comunicação virtual (que permite troca de mensagens com, no máximo, 140 caracteres) está sendo usada para algo mais do que a troca de futilidades e informações banais. E, melhor ainda, é saber que Leminski esteja na raiz desta história.
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Afinal, acima de tudo, Leminski foi um cultuador e renovador da palavra e de suas possibilidades poéticas. Seja como escritor, ensaísta, crítico tradutor ou poeta, ele sempre se manteve próximo dos princípios da estética “concretista” (que ajudou a divulgar juntamente com gente como os irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari), que tem na sua base o vínculo inseparável e dialético entre a forma e o conteúdo dos textos.
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Uma poética que nunca se recusou a incorporar as novidades (das falas das ruas, à gíria e aos palavrões). Mesclando-a com influências que vinham simultaneamente da cultura popular (como trocadilhos, músicas e a fala coloquial) e do melhor da cultura universal (de “clássicos” como o russo Dostoievski ou de tradições mais “distantes”, como o latim de Petrônio e os curtíssimos haicais, trazidos da poesia japonesa).
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O balaio poético um polaco-negro, trotskista-budista
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Tentar definir Leminski é uma tarefa impossibilitada pela própria vida e obra do poeta. Descendente de poloneses e negros; simpatizante, na juventude, do grupo “Liberdade e Luta” e adepto apaixonado da cultura e religiosidade do Oriente, o escritor fez da “mescla” (sempre instigadora e inteligente) uma de suas principais marcas, o que pode ser exemplificado, na forma e conteúdo, através de seus mais fabulosos haicais: “en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas”.

O mesmo aplica-se à sua obra em prosa. Catatau (1976), Agora é que são elas (1984), Metaformose (1994) e o livro de contos O gozo fabuloso (publicado em 2004) dificilmente podem ser chamados “apenas” de romances ou contos, já que tangenciam, sem muita definição de fronteiras, a poesia, a ficção ou ensaio literário.
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Um estilo com o qual Leminski também impregnou sua série de biografias – reunidas num volume único, intitulado “Vida”, lançado em 1990 – no qual ele reconstitui, de forma maravilhosamente poética a vida de personagens tão distintos como Jesus Cristo, o poeta simbolista negro Cruz e Sousa, o revolucionário russo Leon Trotsky e o poeta japonês, do século 17, Matsuô Bashô, criador dos haicais.
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No caso de Trotsky, é de fato impressionante a relação que Leminski estabelece entre três figuras fundamentais da história da Revolução Russa e os personagens centrais de “Os irmãos Karamazovski”, de Dostoévski. Como também, “Trotski: paixão segundo a revolução”, é fundamental para todos aqueles que queiram entender as concepções do líder revolucionário em questões fundamentais, como as relações entre arte, modo de vida e revolução.

Poesia da vida, vida em poesia
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Foi com essa mesma perspectiva multifacetada, que se recusa a separar a poesia da vida, que também orientou as traduções realizadas pelo escritor. Fluente em diversas línguas (francês, japonês e latim, dentre outras), Leminski verteu para o português obras essenciais, como o Satiricon, de Petrônio, Sol e aço, de Yukio Mishima (ambas de conteúdo fortemente homoerótico); o Supermacho, do alucinado dramaturgo Alfred Jarry; além de poemas e novelas de James Joyce.
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Foi também essa sua enorme capacidade do domínio lingüístico que transformou o poeta curitibano num “improvisado” letrista de músicas em dezenas de parcerias feitas com gente como Caetano Veloso, “A cor do som”, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção.
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Quando morreu, no dia 7 de junho de 1989, o consumo excessivo de álcool e a conseqüente cirrose tinham coberto a vida e obra de Leminski com uma inegável melancolia e um razoável isolamento social, como ele mesmo deixou registrado: “Pariso / Novayorquiso, Moscoviteio / Sem sair do bar./ Só não levanto e vou embora / Porque tem países / Que eu nem chego a Madagascar”. Contudo, passadas duas décadas, é impossível não reconhecer a atualidade e força da obra do poeta.
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Uma vitalidade que, hoje, pode ser conferida na ampla exposição inaugurada em São Paulo – vide box –, com auxílio da poeta Alice Ruiz (com quem foi casado durante 20 anos e teve as filhas Áurea e Estrela, que também estão trabalhando na preservação e resgate da obra do autor), mas que ainda está pulsante na extensa obra deixada pelo escritor.

Apesar de ser difícil imaginar Leminski (que sequer usava máquina de escrever para compor seus textos) “twitando” mundo afora, até mesmo porque ele, certamente, seria um crítico da onda de banalização que cerca esta e outras formas e práticas de escrita do “mundo digital”, não deixa de ser interessante que seja através deste mecanismo que novos leitores estejam descobrindo o autor.
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Afinal, Leminski soube, como poucos sintonizar-se a seu mundo e tempo para transformar as inquietudes, frustrações e também amores e paixões de uma geração, encontrando novas e moderníssimas formas para fazer poesia com palavras e conceitos – como “paixão”, “arte” e “revolução” – que apesar de parecerem distintas e distantes, são inegavelmente inseparáveis, como demonstram tanto a vida e poesia do autor, quanto os sonhos que, todos nós que lutamos por um mundo melhor, alimentamos.
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* Trecho do poema para Liberdade e luta

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[ 20/10/2009 00:54:00 ]
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http://www.pstu.org.br/cultura_materia.asp?id=10860&ida=18
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Poema nº 18 - Paulo Leminsk

Assunto: APELO...
Data: 25/Jan 19:07
LARGUEI COM O BARCO DO PORTO E FIZ-ME, DECIDIDA, AO MAR. DÓI-ME O QUE FICA PARA TRÁS...E QUE NÃO POSSO MUDAR.AQUI TENHO ÁGUA E CÉU E AS ONDAS ME EMBALAM...E SÓ ISTO É INFINITAMENTE MAIS QUE A ATITUDE DO HOMEM PARA COM TODOS OS DEMAIS.ESTOU QUASE DESACREDITANDO, E ANTES QUE ISSO ME ABALE, DECIDI PARTIR PRIMEIRO. NÃO É FUGA OU COBARDIA, APENAS ESTE APELO DE QUIETUDE E PAZ...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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POEMA Nº 18
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Quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência
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vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
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vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
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vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
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então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
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PAULO LEMINSKI
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domingo, 24 de janeiro de 2010

Bem no fundo - Paulo Leminsk

Assunto: UM HOMEM NORMAL...
Data: 24/Jan 16:41
NA VERDADE HÁ QUEM NÃO PENSE NA VIDA....DEIXA-SE LEVAR. TUDO PASSA.MESMO O QUE SAI ERRADO NÃO LHE ENTRA NA PELE.PACIÊNCIA, TINHA QUE SER. SENTE-SE BEM, NÃO PEDE MAIS. SER FELIZ É IGUAL A TUDO O RESTO. NÃO PERDE TEMPO COM ESSAS FILOSOFIAS. ISSO É COISAS PARA POETAS QUE NÃO TÊM MAIS NADA QUE FAZER. ELE NÃO, É OCUPADO,ELE TRABALHA. TODOS OS DIAS REPETE AS TAREFAS DO DIA ANTERIOR? ÓPTIMO!NÃO TEM DE PENSAR. SAI TUDO DIREITINHO.O CHEFE GOSTA.NA RUA, PODEMOS RECONHECÊ-LO. ANDA SEMPRE COM OS OLHOS POSTOS NO CHÃO. A VIDA ESCORRE-LHE ENTRE OS DEDOS COMO AREIA, MAS NÃO DÁ POR ISSO. UM DIA TUDO ACABOU. NO VELÓRIO, AMIGOS E VIZINHOS, POUCOS, COMENTAM EM VOZ BAIXA E RESPEITOSA, COMO ERA HONRADO, BOM PAI, TRABALHADOR. ABANAM AS CABEÇAS EM SINAL DE SURPRESA E INCOMPREENSÃO....TÃO NOVO...QUEM DIRIA QUE TINHA PROBLEMAS DE CORAÇÃO... NUM CANTO, UM COLEGA CONTA COM CONTIDO ENTUSIASMO COMO FOI ENCONTRADO MORTO, A CABEÇA EM CIMA DA SECRETÁRIA, PELA SENHORA DA LIMPEZA. IMAGINEM QUE TODOS OS COLEGAS SAIRAM E NENHUM SABE DIZER SE ESTAVA AINDA VIVO OU NÃO...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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BEM NO FUNDO
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No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
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a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
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extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
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mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
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PAULO LEMINSK
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