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Vai, mísero cavalo lazarento,
Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.
Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal de minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.
Morre em paz; que, em havendo algum dinheiro,
Hei de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra terra este letreiro:
— "Aqui, piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno a não morrer de fome"
Nicolau Tolentino (n. 10 Set 1740 m.
23 Jun 1811)
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Nicolau Tolentino
A carnal tentação desenfreada
Que ao sangue quente alta justiça pede,
Fez com que eu, embrulhando-me na rede
Subisse de uma puta a infame escada.
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Ligeiras pulgas saltam de emboscada
Fartando em mim de sangue humano a sede;
Arde a vela pregada na parede,
Já de antigos morrões afogueada.
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Saiu da alcova a desgrenhada fúria
Respirando venal sensualidade,
Vil desalinho, sórdida penúria:
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Muito pode a pobreza e a porquidade;
Abati as bandeiras à luxúria
Jurei no altar de Vénus castidade.
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Excerto
A carnal tentação desenfreada,
Que ao sangue quente alta justiça pede,
Fez com que eu, embrulhando-me na rede,
Subisse de uma puta a infame escada. Ligeiras pulgas saltam de emboscada
Fartando em mim de sangue humano a sede;
Arde a vela pregada na parede,
Já de antigos morrões afogueada.
Sai da alcova a desgrenhada fúria
Respirando venal sensualidade,
Vil desalinho, sórdida penúria.
Muito pode a pobreza, e a porquidade!
Abati as bandeiras à luxúria,
Jurei no altar de Vénus castidade.
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http://www.wook.pt/ficha/obras-completas-de-nicolau-tolentino-de-almeida/a/id/1457673
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Obras de Nicolau Tolentino de Almeida no
Project Gutenberg USA
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Nicolau Tolentino de Almeida (n. em Lisboa a 10 Set. 1740; m. em Lisboa a 23 Jun de 1811)