As 'letras' em epígrafe correspondem a dois versos de 'Avante Camarada', da autoria de Luís Cila, em 1967 durante o seu exílio em Paris,Nos murais desta publicação, a letra do hino do PCP não serve apenas para ser cantada em comícios ou festas do Avante!, ela era "gravada" no reboco das paredes para ser lida diariamente por quem passava, garantindo que a mensagem se tornasse parte da paisagem urbana e duma identidade política.
Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.
Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.
Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.
Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.
E CADA VEZ SOMOS MAIS
Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.
Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.
Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.
Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.
Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.
Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.
Por nós trazermos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.
Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.
Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.
Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.
Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.
Sendo o que nós sempre fomos
cada vez seremos mais!
A autoria de Avante Camarada! é do compositor e intérprete português Luís Cília que a compôs durante o seu exílio em Paris em 1967, explicitamente destinada a ser transmitida pela Rádio Portugal Livre. A canção foi incluída no disco "Canções Portuguesas", interpretadas por Luísa Basto "acompanhada pela orquestra Ecran Azul", editado em Moscovo pela editora Melodia em 1967.
Foi esta versão frequentemente transmitida pela Rádio Portugal Livre que se tornou conhecida em Portugal, sendo nas vésperas do 25 de Abril de 1974 um dos mais populares temas da resistência anti-fascista. O arranjo orquestral é do maestro Pedro Osório.
Tuna Académica da Universidade de Coimbra, Orfeon Académico de Coimbra,Coro Misto da Universidade de Coimbra, Coro da Capela da Universidade de Coimbra (interpretação)
José Carlos Ary dos Santos e Amália Rodrigues cantam, do álbum Cantigas de Amigos, a música medieval Vim Esperar o Meu Amigo, Cantiga de Amigo (Tenção) de Bernaldo de Bonaval.
.
- Ai, formosinha se me escutais, longe da vila, que procurais? - Vim esperar o meu amigo.
- Ai, formosinha, se me atendeis, longe da vila, o que fazeis? - Vim esperar o meu amigo.
- Longe da vila que procurais? - Sabei-o, já que o perguntais: Vim esperar o meu amigo.
- Longe da vila o que fazeis? - Sabei-o, já que o não sabeis: Vim esperar o meu amigo.
(Adaptado de uma cantiga medieval, por Natália Correia em 1970)
Consta-se que José Carlos Ary dos Santos, escreveu este Poema em louvor ao Soldado que partia para o Ultramar Português em missão de Serviço. Amália canta divinamente e para mais com música de Alain Oulman.
Cantiga de Amor de Don Denís, Cantiga de mestría (Pergamino Sharrer)
Os diré, con tristeza, lo que nunca pensé que os diría, señora, porque veo que por vos muero, porque sabéis que nunca os hablé de cómo me mataba vuestro amor: porque sabéis bien que de otra señora yo no sentía ni siento temor.
Todo esto me hizo sentir el temor que de vos tengo, y desde ahí por vos dar a entender que por otra moriría, de ella tengo, sabéis bien, algo de temor; y desde hoy, hermosa señora mía, si me matáis, bien me lo habré buscado.
Y creed que tendré gusto de que me matéis, pues yo sé con certeza que en el poco tiempo que he de vivir, ningún placer obtendré; y porque estoy seguro de esto, si me quisierais dar muerte, señora, por gran misericordia os lo tendré.
Dom Dinis ("Dionisio I de Portugal" Lisboa, 1261 - Santarém, 1325)
Intérpretes: Paulina Ceremuzynska
Amigo, queredes vos ir? Si, mia senhor, ca nom poss'al fazer, ca seria meu mal e vosso; por end'a partir mi convem d'aqueste logar; mais que gram coita d'endurar me será, pois m'é sem vós vir!
Amigu', e de mim que será? Bem, senhor bõa e de prez; e pois m'eu fôr daquesta vez, o vosso mui bem se passará; mais morte m'é de m'alongar de vós e ir-m'alhur morar. Mais pois é vós ũa vez ja!
Amigu', eu sem vós morrerei. Nom o queirades esso, senhor, mais pois u vós fôrdes, nom fôr o que morrerá, eu serei; mais quer'eu ant'o meu passar ca assi do voss'aventurar, ca eu sem vós de morrer hei!
Queredes-m', amigo, matar? Nom, mia senhor, mais por guardar vós, mato-mi que m'o busquei.