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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Artur Queiroz - Angola | Criaturas de um Deus Menor


< Artur Queiroz*, Luanda >

A liberdade só existe se estiverem reunidas todas as condições que lhe dão expressão concreta: Paz, pão, saúde, educação, trabalho, habitação. Isto quer dizer que no planeta há poucos povos livres. Em Angola a paz social é um mito. O pão falta na mesa de uma grande parte da população. Trabalho com salários dignos é raridade em vias de extinção. Habitação está ao nível do casebre de lata e da cubata. Educação é um sonho para milhões de crianças fora do sistema de ensino. Escolas sem professores são um pesadelo para as comunidades. Uma desilusão para estudantes do ensino superior. Estamos malé, malé, malé. 

Angola nasceu socialista. Mas o socialismo só serviu enquanto foi necessário mobilizar todo um povo contra os invasores estrangeiros. O regime socialista e os valores do socialismo permitiram triunfar na guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial. 

O socialismo foi arma estratégica para derrotar o regime racista de Pretória e a sua unidade especial UNITA. O socialismo foi a ideia libertadora que voou de Angola para a Namíbia Zimbabwe e África do Sul. Quando o regime de apartheid capitulou e a maioria negra triunfou, Angola abandonou a via do socialismo. Mas o MPLA continuou guardião dos valores socialistas no seu Manifesto. Por isso faz parte da Internacional Socialista. 

Angola aderiu à economia de mercado e à democracia representativa, quando o Presidente José Eduardo dos Santos assinou com Jonas Savimbi o Acordo de Bicesse. Os socialistas deram a mão aos fascistas que sobrevieram ao 25 de Abril e à queda do regime de apartheid. Uma coisa contra natura. Para não se notar muito, a democracia popular e o socialismo ficaram para a História. Ou uma nostalgia para muitos que se bateram contra os invasores estrangeiros na Guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial.

A direcção do MPLA tomou esta decisão e as primeiras eleições multipartidárias, em 1992, provaram que tinha razão. O partido ganhou com maioria absoluta e nenhum concorrente se apresentou ao eleitorado defendendo o socialismo. Mau sinal. 

O oportunismo é a doença cancerígena do capitalismo. Está provado com resultados à vista. Descontando a armadilha que nos foi colocada no caminho entre 1992 e 2002 (rebelião armada de Savimbi) os “anos de paz” ainda não foram suficientes para garantir ao Povo Angolano paz, pão, saúde, educação, trabalho, habitação. Tudo se esvai por obra e graça dos oportunistas que pululam no MPLA, da base ao topo. Mas também em toda a sociedade, até nas igrejas. Em 2017 entrámos em retrocesso. E vamos andando de marcha atrás. Os recuos vão continuar até 2026. 

O congresso do MPLA vai responder se as nossas vidas vão continuar a andar para trás ou finalmente o Povo Angolano vai ter a vida que merece. Convém que ninguém esqueça o essencial. A mudança só é possível se formos capazes de explorar e colocar ao nosso serviço, os recursos naturais. Se apostarmos rudo na educação. Se formos capazes de dar máximo protagonismo á investigação científica. 

A ladainha da pobreza e da miséria não leva a lado nenhum. Os senhores bispos da Igreja bem podem pôr um padre desmiolado a perorar sobre miséria e fome. Podem prometer o céu aos famintos. Podem garantir aos mortos o paraíso no Além. Nada disso adianta. O paraíso tem de ser criado cá, nos nossos becos, nas nossas ruas, nos nossos bairros, nas nossas sanzalas, nas nossas casas. A liberdade religiosa é garantida a todos. Mas não enganem os crentes. 

O papel de enganar está reservado â UNITA. Desde sempre. Nasceu no seio do colonialismo. Savimbi, nas suas cartas de traição, reverenciava e elogiava os chefes fascistas de Lisboa. Os cabos de guerra colonialistas (genocidas). Não hesitou em lutar de armas na mão contra a Independência Nacional. 

O Galo Negro é filho do regime fascista e teve sempre uma prática fascista. Centenas de homens armados da UNITA reforçaram os Flechas da PIDE. Quando os Capitães de Abril derrubaram o regime fascista, a UNITA continuou incólume, ainda que fosse uma organização portuguesa ao nível da PIDE, da Legião ou da OPVDCA, as milícias nazis criadas em Angola depois da Grande Insurreição em 15 de Março 1961. O Povo Angolano foi enganado pelos libertadores de Lisboa. Valores mais altos se alevantaram.

Após o 25 de Abril 1974, a UNITA não hesitou em apoiar os independentistas brancos. Uma vez derrotados, Savimbi foi trabalhar directamente com o regime racista de Pretória. Nazis puros e duros. O chefe do Galo Negro mostrou uma coerência de betão. A UNITA nasceu no seio do fascismo. Cresceu ao serviço dos colonialistas. Serviu de armas na mão o regime racista de Pretória. Pratica a xenofobia. Sempre na senda da traição.

Em Portugal ganhou expressão, um partido que congrega os herdeiros dos fascistas derrubados em 25 de Abril 1974. Chama-se Chega. É um antro de fascistas, racistas e xenófobos. A UNITA tem uma ligação umbilical à Carta de Madrid. Faz parte da internacional Fascista. Tal como o Chega. São partidos irmãos. O MPLA em Portugal é irmão do Partido Comunista e do Partido Socialista. Primo direito do PSD. A UNITA é irmã do Chega. Coerência.

A igreja regressou ao passado mais problemático da sua existência, quando pôs a cruz ao serviço dos colonialistas. Benzeu as espadas que mataram civis inocentes. Participou nas Cruzadas. Ateou as fogueiras da Inquisição. Se Deus existe, vai preciar de milénios para vo perdoar. Agora os senhores bispos mandaram este recado pelo padre Pio: “O MPLA está ultrapassado!” Ai sim? Então digam quem está em condições de governar Angola com políticas actualizadas e políticos mais competentes. Mas digam já. É feio baterem e depois esconderem a mão. Foge-lhes sempre a conversa para o reaccionarismo mais primário.

Pobres criaturas de um deus menor!

* Jornalista

at setembro 22, 2025 

https://paginaglobal.blogspot.com/2025/09/angola-criaturas-de-um-deus-menor.html#more

sábado, 10 de maio de 2025

Artur Queiroz - Dia da grande vitória


sábado, 10 de maio de 2025
 

*  Artur Queiroz
 Luanda >

O Presidente Putin disse hoje em Moscovo, Dia da Vitória, que a Federação Russa está novamente a lutar contra o nazismo. Na luta contra o III Reich até à sua queda, todos os combatentes contaram, desde os resistentes franceses aos sitiados de Estalinegrado, a maior batalha da II Guerra Mundial, que decorreu entre 23 de Agosto de 1942 e 2 de fevereiro de 1943. Foi uma espécie de Batalha do Cuito Cuanavale e teve os mesmos resultados. Os nazis e seus aliados fizeram dois milhões e meio de mortos na cidade. O mesmo que toda a população da província de Benguela. 

Depois o Exército Vermelho avançou desde as estepes russas até entrar triunfalmente em Berlim, no dia 2 de Maio 1945. Pelo caminho as tropas soviéticas foram libertando os prisioneiros dos campos de concentração nazis. E os países ocupados.

O melhor é passar a palavra ao embaixador da Federação Russa em Angola, Vladimir Tararov:

 “A Grande Guerra Patriótica do povo soviético contra o Terceiro Reich começou dois anos após o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), sendo parte integrante e o seu teatro de operações principal. Os nossos pais e avós não apenas defenderam a liberdade da URSS, mas também desempenharam o papel fundamental na libertação da Europa da ‘peste castanha´. Graças à façanha do povo da União Soviética foi devolvida a soberania nacional aos países europeus.

Durante a II Guerra Mundial, a maioria dos países europeus estava sob opressão do Terceiro Reich: Áustria, Albânia, Bélgica, Grécia, Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, França, Checoslováquia e Jugoslávia. De facto, os aliados da Alemanha - Hungria e Roménia - perderam a independência, e eram governados por regimes fascistas. A Bulgária e Finlândia, bem como a Itália, estavam dependentes da Alemanha. Nos territórios ocupados os nazis estabeleceram o regime cruel.

Em Março de 1944, perseguindo o inimigo que recuava, o Exército Vermelho cruzou a fronteira soviético-romena, iniciando a libertação dos países da Europa da ocupação alemã. Quilómetro por quilómetro, povoado por povoado, cidade por cidade, as tropas soviéticas avançavam e traziam a esperança para a vida pacífica aos povos oprimidos pelos nazis”.

A União Soviética sofreu as maiores perdas humanas na II Guerra Mundial, 27 milhões de mortos dos quais dez milhões soldados soviéticos e 17 milhões civis. São mais de metade de todos os mortos no conflito.  Os EUA registaram 405 mil mortos em combate.

França e Reino Unido declararam guerra à Alemanha após as tropas nazis invadirem a Polónia. No final do conflito, Londres contou 383.700 militares mortos e 67.200 civis. Paris contou 210.000 militares mortos e 390.000 civis (Resistência). Os dois países tiveram metade dos mortos em Estalinegrado. Alemanha nazi registou cinco milhões de militares mortos e três milhões de civis. Menos de um terço dos mortos soviéticos. Polónia, 240.000 mortos militares e 5.820.000civis quase todos judeus. A República Popular da China perdeu dez milhões de civis e quatro milhões de militares. A Jugoslávia perdeu dois milhões de “partisans”, comandados pelo Marechal Tito. Hitler criou no território, o Estado da Croácia. 

Em 1991, a OTAN (ou NATO) e os oligarcas da União Europeia atacaram a Jugoslávia. Durante dez anos destruíram o país. Os oligarcas europeus e os terroristas da Casa dos Brancos logo no início da guerra vingaram Hitler e tornaram a Croácia “independente”. Hoje faz parte da União Europeia e da OTAN (ou NATO). Instalaram no Kosovo uma base militar e fizeram do bocado um “país”. Os oligarcas de Bruxelas dizem que os russos, após a paz no final da II Guerra Mundial, reacenderam a guerra na Europa em 2023, com a operação militar na Ucrânia.

Mentira. Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos decidiram, em 1991, fazer na Rússia o mesmo que fizeram na Jugoslávia. Guerra militar e guerra económica. A União Soviética tinha acabado. À boleia da “globalização” atacaram e destruíram países com recursos naturais. O objectivo final, declarado, é submeter a Federação Russa. 

Oligarcas de Bruxelas e terroristas dos EUA roubaram os fundos soberanos do Iraque, mataram o Presidente e destruíram o país. Roubam o petróleo. Roubaram fundos soberanos à Líbia, mataram o Presidente, roubam o petróleo. Servem-se do seu “sargento” no Médio Oriente para meter medo e destabilizar a região. Roubaram os fundos soberanos da Venezuela e fazem tudo para destruir o país.

A Federação Russa é o alvo final. Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos impuseram uma guerra económica a Moscovo. Até hoje, Dia da Vitória. Roubaram 350 mil milhões de euros dos fundos soberanos depositados nos EUA e na Europa. Fizeram um atentado terrorista contra o gasoduto Nord Stream II, no mar Báltico, que liga a Federação Russa à Alemanha, com 1.234 quilómetros.  Impõem dezenas de sanções para destruir a economia russa. No passado houve guerras sangrentas por muito menos. 

Os russos aguentam. Mesmo estando sob fogo cerrado dos nazis, como há 80 anos. 

Nazis de Sempre

Hitler ocupou a França logo no início da guerra. Colaboracionismo mas também resistência. A Ucrânia teve um papel importante no III Reich. Os ucranianos serviram na polícia (SS), na administração pública e 250.000 nas forças armadas: Destacamentos Militares Nacionalistas, Irmandades dos Nacionalistas Ucranianos, Divisão SS Galícia, Exército de Libertação Ucraniano e o Exército Nacional Ucraniano. Só no “Reichskommissariat Ukraine”, as SS empregavam 238 mil policiais ucranianos, especialistas em tortura e extermínios. Hoje está tudo na mesma. Obedecem a Berlim, Bruxelas, Paris, Londres e Casa dos Brancos.

A Letónia forneceu à Divisão Waffen SS oficiais e soldados letões. Eram estes que cometiam as mais terríveis crueldades e torturas, nos campos de concentração e extermínio alemães realizando actos de crueldade indescritíveis, nos campos de concentração e extermínio. Verdade histórica: O ditador fascista Kārlis Ulmanis começou a construir campos de concentração muito antes de Hitler, em 1934.

Campos de concentração e extermínio na Letónia: Mezaparks Camp Kaiserwald próximo de Riga,  Daugavpils, Lenta, Liepaja, Strazdu Manor, Dundaga, Jelgava, Valmiera, Salaspils e Jumpravmuita. Mais de 80.000 judeus foram exterminados nestes campos da Letónia. Os nazis estão de regresso ao poder neste país báltico. 

Estónia. Os judeus conseguiram fugir ante da chegada dos tanques dos nazis. Mas 1.500 que se recusaram a abandonar as suas casas e o seu país foram assassinados pelos nazis estónios, aliados do III Reich. Durante a II Guerra Mundial foi criada a Divisão SS e o Batalhão 287 de Polícia. Autênticos exterminadores. Os nazis hoje no poder em Talin anseiam pela vingança. Nunca se conformaram com a vitória dos soviéticos e a consequente derrota do III Reich.

A Estónia tinha muitos campos de concentração e extermínio alemães. Guardas e torturadores eram estónios que rivalizavam em crueldade com os nazis. Tomem nota dos campos de extermínio criados no país durante a II Guerra Mundial: Auvere, Aseri, Dorpat, Ereda, Goldfields, Idu-Virumaa, Illinurme, Jagala, Johvi, Kalevi-Liiva, Kivioli, Klooga, Kukruse, Kunda, Kuremae, Lagedi, Narva, Narva-Joesuu, Petschur, Putki, Saka, Stara Gradiska, Sonda, Soski, Tartu, Vaivara, Viivikonna e Wesenburg. Entre 1939 e 1945 os nazis da Letónia exterminaram os ciganos. Hoje querem exterminar os russos. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, é a nazi estoniana mais famosa.

A Lituânia alinhou com os nazis no extermínio de seres humanos. Os nazis lituanos mataram 220.000 pessoas, sobretudo judeus. Poucos sobreviveram nos campos de concentração e extermínio de Kovno (Kaunas), Kauen, Slobodka, HKP em Vilna e Prawienischken.

Grupos de extermínio começaram a atacar os judeus antes da chegada dos alemães, em Junho de 1941. Os auxiliares lituanos da Einsatzgruppe e a Polícia de Segurança da Lituânia chacinaram cruelmente milhares de pessoas por professarem o judaísmo.

Império da Política

A Rússia nasceu em 882 quando o príncipe Oleg conquistou Kiev Cidade-Estado. As crónicas da época chamam-lhe Rus’Kiev território dos vikings da região e dos eslavos orientais. Essa matriz continuou até aos dias de hoje. O Estado que então se formou, seguiu a Igreja Católica Ortodoxa, originária do Império Romano do Oriente. Essa influência moldou definitivamente a matriz russa. Outro contributo importante veio dos mongóis, que ocuparam o território entre o Século XIII e o final do Século XV, quando Ivan III, o Grande, expulsou os ocupantes.

A Identidade Nacional Russa ganhou nova expressão e a partir da derrota dos mongóis nasceu uma nova visão. O que é a Rússia? A resposta veio com as teorias do Ocidentalismo, do Eslavofilismo e o Eurasianismo. Mas os pilares eram o Czar e a Igreja Ortodoxa. 

O Império Czarista aglutinou todos e durou do século XVI ao Século XX. Caiu com a Revolução de Fevereiro e depois a Revolução de Outubro, em 1917. Assim nasceu a União Soviética e o Patriotismo Soviético. Tudo pela Mãe Rússia! O Comunismo aparece como a ideologia unificadora de todos os povos do mundo. (Proletários de Todos os Países Uni-vos!). 

A União Soviética é hoje Federação Russa. As transformações políticas, económicas e sociais acompanharam a globalização. Uma aproximação de Moscovo ao ocidente, mas a mensagem russa não foi compreendida. O eurocentrismo não deixou as capitais europeias ver as potencialidades da aproximação. 

O aproveitamento abusivo dos EUA para imporem um mundo unipolar, tornou as reformas na Federação Russa dispensáveis e supérfluas. Ma também nasceu a falsa e perigosa ideia de que a Federação Russa é facilmente submetida aos interesses da Casa dos Brancos, da OTAN (ou NATO) e União Europeia.

Assim nasceu o avanço das tropas da OTAN para Leste num cerco de morte à Federação Russa. A propaganda ocidental engana as opiniões públicas e os líderes do ocidente alargado fazem tudo para imporem uma “derrota estratégica” à Federação Russa, numa guerra por procuração passada à Ucrânia. Até desenterraram os velhos fantasmas da “guerra fria”. Vendem um regime político na Federação Russa que não existe. Voltaram ao tempo de proclamar a destruição dos comunistas.

.O partido no poder é o Rússia Unida, do Presidente Putin. Uma maioria esmagadora conquistada em eleições democráticas. O maior partido da oposição é o Partido Comunista da Federação Russa (PKRF), liderado por Gennady Zyuganov. 

 O partido Rússia Unida tem maioria absoluta na Duma (parlamento) e lidera grande parte dos governos regionais.  Outro partido da oposição é o Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR), ultranacionalista. O Partido Comunista da União Soviética (PCUS) foi banido em 1991 pelo então presidente russo Boris Ieltsin. 

Também existe o partido “Comunistas da Rússia”, liderado por Maxim Suraykin. Não tem representação parlamentar. Partido Os Verdes de Andrey Nagibin. Partido Rússia Justa Pela Verdade (socialismo democrático) de Sergey Mironov. Partido Russo da Liberdade e Justiça (social democracia) liderado por Maksim.  Partido Alternativa Verde liderado por Victoria Dayneko. Todos estão representados na Duma.

O partido Rússia Unida (nacionalismo conservador) nas últimas eleições elegeu 343 deputados em 450. O Partido Comunista 48 deputados em 450. O Partido Socialista (RJPV) tem 19 deputado em 450. Os outros elegeram entre 1 e 5 deputados. Registaram votações residuais.

A Alemanha nazi foi derrotada há 80 anos. Até 2023 era o motor económico da União Europeia. Daí para cá o motor gripou. Não funciona. As grandes potências ocidentais estão no mesmo estado. Mas olham para a Federação Russa com os mesmos óculos e os mesmos modelos. Não pode. Ao apostarem tudo na guerra contra a Federação Russa estão a lançar milhões de seres humanos para a miséria, a fome e a morte.

Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos hoje perceberam que o Dia da Vitória em Moscovo provou o seu fracasso total. A Federação Russa não está isolada. A economia russa não sucumbiu às sanções. A parada militar mostrou uma potência que esmaga os inimigos num instante. 

Combatentes das FAPLA que participaram na Guerra pela Soberania Nacional e Integridade Territorial, com o apoio de soviéticos e cubanos, foram a Moscovo e participaram nas comemorações do Dia da Vitória. João Lourenço frequentou uma academia militar soviética. No final deram-lhe um papel de licenciado em História. Feito Presidente cuspiu no prato e ajoelhou aos pés dos terroristas da Casa dos Brancos. Ainda bem que não esteve em Moscovo A comemoração do Dia da Vitória contra os nazis não é para kaxikos.

* Jornalista

at maio 10, 2025 
https://paginaglobal.blogspot.com/2025/05/dia-da-grande-vitoria-artur-queiroz.html

terça-feira, 29 de abril de 2025

Artur Queiroz Apagão da Luz e do Jacinto --

* Artur Queiroz

Abril, 28. 11 horas da matina. 

Mana Fina liga o gerador, a luz foi. Não ouves? Preciso de energia para a internet. Tenho de mandar um texto. Sou o monangambé da escrita. Se falho vou no contrato. Me prendem nas cordas. Me rapam o cabelo. Cabeça de galinha ó Zé. Vai para a tua terra no mato. Aqui não é lugar para gentios. 

Ouviste Mana Fina? Vai ligar o gerador. Esses cabrões da EDP não sabem cuidar da luz. São engenheiros do matongé.

Desta vez enlouqueceste mesmo. Aqui não há Mana Fina nem gerador. Os escribas em Gaza também estão sem luz, medicamentos, água e comida. Levam com bombas nas casas, costados e cabeças. 

As crianças em Gaza morrem despedaçadas pelas bombas dos nazis de Telavive. Só querem mesmo brincar nas ruas sem luz. Brincar. A internacional fascista vai riscar do mapa a Palestina. Depois são riscados todos os que não aceitarem as tarifas da Casa dos Brancos e viverem nos parâmetros da democracia. Abaixo a liberdade. És um felizardo seu burguês alienado. Hoje não te enchem a pança de lixo mediático.

Mana Fina liga o gerador. Falta-me o vício do espectáculo. Quero ver a Kieza reportar do Bairro das Flores em Buenos Aires, mas sem falar com velhos reformados, os mártires das motosserras do nazifascista Milei. 

Mostrem-me os cardeais ajoelhados aos pés de Trump e Zelensky na casa de um deus adormecido há milénios, viciado na boa vida. Ainda bem. Que não acorde do sono eterno. Que nunca veja os crimes que cometem em seu nome.

O colonialismo é genocídio. Sou testemunha. A arma mais usada na matança genocida e na submissão dos africanos foi a cruz de Jesus Cristo, o palestino insubmisso. Tudo virado ao contrário e eu sem luz, como em Gaza.

Na primeira Guerra do Iraque, a coligação ocidental que queria encontrar as armas de destruição maciça (nunca existiram), também me deixou seis dias sem água, luz e comida. Fiquei à rasca. Minha Vovó Ana ensinou-me que fome só ao fim de três dias sem comer. Ao quarto já corremos perigo de morrer. Estava errada. No Iraque só comi ao sétimo dia a ainda aqui ando. 

A minha avozinha também me disse que quando os caminhos ficarem cheios de pedras e capim, a Humanidade vai comer bichos peçonhentos. Os homens vão matar-se na disputa de vermes! Será por isso que apagaram a luz? 

Assim ninguém vê os beiços de Trump escorrendo a gordura do banquete ucraniano. Mas que festim. Um governo de nazis, segundo Bruxelas, Paris, Berlim e Londres, está a defender a democracia na Europa! Os batalhões e brigadas Azovnazis defendem a liberdade dos europeus. E de repente a luz apagou e o povo percebeu. 

A OTAN (ou NATO) perdeu a guerra na Ucrânia contra a Federação Russa. Trump tirou o cavalinho da chuva e só ficou a União Europeia comprometida. Aí Bruxelas, Paris, Berlim e Londres decidiram cortar a luz. Assim os governados aceitam que os governantes desviem os fundos das políticas sociais para financiar a continuação da guerra. E ainda culpam os russos do apagão! Em Portugal o Montenegro e sua tropa de extrema-direita vão culpar também os emigrantes. 

 Eu fiquei sem luz. Mana Fina faz favor, vai ligar o gerador. Faz-me falta, o espectáculo da mentira engalanada, a manipulação decorada, a mentira colorida, a palhaçada desmedida. Estou mesmo a ficar burro com dizia o Mano Ndozi. Aqui não há Mana Fina nem gerador. Se és vítima do imperialismo, aguenta, luta, resiste!

Ai é? Então vou ler o livro do Azulay. Não, esse é para o fim-de-semana. Hoje é dia de ler a Obra Reunida de António Jacinto. A tiragem foi de 400 exemplares e eu sou um dos felizardos que tem uma cópia do livro. 

Mesmo que me castiguem e fique sem luz um ano, vou mesmo dizer a minha verdade. A Obra Reunida de António Jacinto devia ter uma tiragem de 30 milhões de exemplares, uma cópia para cada angolano. E todos os anos deviam fazer uma tiragem para oferecer um exemplar a cada criança que nasce. Um livro de António Jacinto no enxoval. Que maravilha!

Isto quer dizer que o ministro da Cultura do Executivo chefiado por João Lourenço já devia estar fora do governo. E João Lourenço fora do Palácio da Cidade Alta. Para responder por crimes graves contra a Cultura Angolana.

A Obra Reunida de António Jacinto com uma tiragem de 400 exemplares? Pintem a cara de branco e vão governar para a lixeira!

Mana Fina faz favor, vai ligar o gerador. A luz foi. 

A luz voltou! São 22 horas e 22 minutos. Aí vai texto.

* Jornalista

https://ponteeuropa.blogspot.com/2025/04/divagando-entre-o-serio-e-o-frivolo.html

domingo, 16 de março de 2025

Artur Queiroz - Angola | A ÁGUA QUE MATOU ZITA


domingo, 16 de março de 2025

<> Artur Queiroz*, Luanda ---

Oficialmente hoje é o dia da expansão da Luta Armada de Libertação Nacional. Para mim é o dia da Grande Insurreição Popular que varreu o Norte de Angola, de Sacandica aos Dembos. Na minha terra só existia escola primária e tive de ir estudar para a cidade do Uíje, no ensino secundário. Regime de internato. Tínhamos um líder, o Beto Martins, ao qual chamávamos, exactamente por ser um líder, Beto Lumumba. 

Naquele ano tínhamos exame e por isso não fomos a casa nas férias da Páscoa. Aulas de reforço, para não fazermos má figura e o colégio não ter “chumbos” no currículo.

Arlindo era o aluno mais velho do internato, 17 anos. Esteve vários anos sem estudar e retomou os estudos quando os pais puderam pagar-lhe o internato. 

No ano lectivo de 1960/1961 apareceu no internato um menino que ainda andava no ensino primário. Chamava-se Jorge Gonçalves e vinha de Sacandica, onde o pai era comerciante. Adoptado como nosso mascote. Todos o protegíamos. Muitos anos mais tarde ele foi presidente do Sporting Clube de Portugal. As voltas que o mundo dá!

No internato tínhamos um sapateiro que remendava os nossos sapatos. Veio do Cuanza Norte e o seu sonho era chamar a esposa e filhos À noite fazia de guarda. Aos fins de semana saltávamos a janela e íamos para as farras do Candombe. O guarda era conivente com os fugitivos. Um amigo do peito.

Lá na farra dançávamos a noite inteira. As meninas do bairro eram gentis, bonitas e bailarinas elegantes. Uma delas, por feliz coincidência, arranjou trabalho como ajudante da Candidinha, senhora que cozinhava para os alunos internos.

No dia 15 de Março, os guerreiros da UPA atacaram as fazendas do norte e mataram os brancos. Mas também trabalhadores “bailundos”. Nas pequenas vilas isoladas também atacaram com canhangulos, catanas e paus. Avançavam gritando maza, maza, maza quando os colonos disparavam as suas caçadeiras e carabinas sobre os atacantes. Quem aderiu à insurreição recebeu uma muxinga e um pau. Usando aqueles amuletos ficavam invulneráveis. As balas dos brancos eram água!

Essa água matou o sapateiro e guarda do internato. Há quem estivesse na cidade do Uíje e não visse nada. Eu vi mas preferia não ter visto. A água que matou o sapateiro também me matou. 

A Candidinha, no dia 16 de Março, gritava desalmadamente. Fomos saber o que tinha acontecido. A água matou Zita, a menina do Candombe, bailarina, alegre, gentil. A água naquele dia matou centenas de negros nas ruas da cidade do Uíje. Em frente ao internato havia um descampado. Estava juncado de cadáveres. Gente que levava as imbambas. Iam fugir da água. Há quem não tivesse visto nada, vivendo no Uíje. Eu vi. Antes não visse.

O Beto Martins é mestiço. Vivia com os padrinhos brancos. Durante uma semana desapareceu. A água matou-o? Não. Ficou aterrorizado com a fúria assassina das milícias dos colonos. O nosso líder ficou com medo da água. Só queria sair dali. Em Maio saímos todos. Fomos em viaturas militares até à Base Aérea do Negage e apanhámos um avião de carga, o Nordatlas. Em Luanda instalaram-nos num centro de refugiados e retomamos as aulas no Liceu Salvador Correia. Aprovamos todos nos exames!

A água do 15 de Março 1961, data da Grande Insurreição Popular no Norte de Angola matou milhares de inocentes. Pôs milhões em fuga para o Congo. 

Há quem não tivesse visto nada. Eu vi. Antes não visse. 

Hoje é o dia em que me lembro da água que matou Zita. A água que nos matou a juventude.

* Jornalista

at março 16, 2025 

https://paginaglobal.blogspot.com/2025/03/angola-agua-que-matou-zita-artur-queiroz.html

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Artur Queiroz - Memória das Matanças de Paris –

 
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025


Artur Queiroz*, Luanda

Hoje, dia 12 de Janeiro, faz 80 anos que o Exército Vermelho entrou em Berlim e o alto comando das tropas nazis se rendeu. A Europa foi libertada do III Reich. Hitler e alguns colaboradores suicidaram-se. Os outros foram presos e julgados. Hoje os nazis estão no poder na Casa dos Brancos, em Telavive, em Kiev. A internacional fascista domina a União Europeia e praticamente todo os governos dos países da União Europeia. África vive uma segunda onda de libertação. Angola caminha em sentido contrário!

As matanças de Paris em 2015 foram um horror. No dia 7 de Janeiro desse ano, aconteceu o massacre na Redacção do Charlie Hebdo. Menos de dez anos depois, os nazis de Telavive já mataram 150 jornalistas na Palestina. E o ocidente alargado aplaude. 

Na noite de 13 de Novembro de 2015 aconteceram massacres em vários pontos da cidade de Paris. Os mais graves foram na sala de teatro Bataclan. Dezenas de pessoas foram assassinadas a sangue frio, quando ouviam música, viam um jogo de futebol, bebiam um copo ou jantavam. Os assassinos não conheciam as suas vítimas, mataram por matar, sem piedade, sem uma ponta de humanidade.

Os amantes da paz condenaram aquela fúria assassina. Mas há que distinguir entre os que são contra a guerra e os que ficam em silêncio face à eliminação de civis e refugiados na Palestina ou choram lágrimas de crocodilo enquanto alimentam a fornalha da guerra e a dirigem. No dia 14 de Novembro de 2015, a organização Estado Islâmico reivindicou os massacres de Paris! Hoje os assassinos são apresentados como rebeldes e estão no poder na Síria com o apoio entusiasmado do ocidente alargado.

Em Novembro de 2015 o presidente Hollande fez uma declaração que ilustra bem a suprema hipocrisia dos senhores da guerra no Ocidente. Afirmou que depois da matança de Paris, a França está em Guerra. Disse isto sem corar de vergonha. Porque os mortos de Paris são, em boa parte, da sua responsabilidade e do seu antecessor, Nicolas Sarkozy, que está a ser julgado por corrupção em negócios com o Presidente Kadahfi, assassinado pela OTAN (ou NATO) para os estados membros saquearem o petróleo e os Fundos Soberanos da Líbia.  

Foi a Casa dos Brancos, com o apoio entusiasmado da França e outras potências ocidentais, que levou a morte e a destruição ao Iraque, Tunísia, Egipto, Líbia e Síria. Hollande é responsável por crimes hediondos no Mali. Aviões de guerra e militares franceses mataram milhares de civis em África e no Médio Oriente. Milhões de refugiados que chegam à Europa são causados pelas guerras comandadas pela França, Reino Unido, União Europeia, EUA e todos os países da OTAN (ou NATO). Todos. 

As autoridades portuguesas também têm as mãos manchadas de sangue. Um tal Durão Barroso viu as armas de destruição maciça no Iraque. E Paulo Portas, então no governo de Lisboa, apoiou os hediondos massacres contra o povo do Iraque. Mais de um milhão de mortos. Ocidente transformado num bando de assassinos. Primeiro esclavagistas. Depois colonialistas. A seguir genocidas. Agora são isso tudo mais assassinos de civis indefesos.  

Um hospital dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão foi bombardeado por aviões dos EUA. Morreram técnicos de saúde e doentes internados. Alguns eram crianças. No dia seguinte a ONU disse que esta acção militar era indesculpável. Depois até falou em crime de guerra. Uma semana mais tarde esse crime, tão hediondo como as matanças de Paris, caiu no esquecimento.

Convivas em festas de casamentos e baptizados foram  bombardeados por forças da OTAN (ou NATO). Milhares de civis morreram. Os aviões da OTAN (ou NATO) bombardearam durante 80 dias a Jugoslávia. A mais sangrenta acção armada na Europa depois da II Guerra Mundial. Até destruíram à bomba a Embaixada da República Popular da China, em Belgrado. Tudo para criarem uma base militar no Kosovo a fim de controlarem os Balcãs!

Os grupos “rebeldes” apoiados pela Casa dos Brancos, Bruxelas, Londres e Paris mataram milhares de pessoas à bomba em Damasco e outras cidades sírias. Na Líbia e no Iraque. Essas vítimas são ignoradas. Quando muito têm direito a uma notícia de segundos. 

Os mortos de Paris valem tanto como os do Mali, da Tunísia, da Líbia, do Egipto. Da Síria e do Iraque. Do Afeganistão. Os náufragos do Mediterrâneo. Mas ninguém lhes dispensa um segundo de respeito. As suas famílias não têm um átomo de solidariedade. Pelo contrário. São desprezadas e ficam vulneráveis a novos assassinatos em massa.

Os xenófobos agora querem muros na Europa. Exigem estados policiais. Mas é tarde. Os autores da matança de Paris são franceses! Hollande tinha razão: A França está em guerra, desde os primeiros ataques ao Iraque, no início dos anos 90. Desde o Afeganistão. Desde o assassinato, pela OTAN (ou NATO), do Presidente Kadhafi, da Líbia. Desde que começou o roubo do petróleo. 

As potências ocidentais apoiam “até onde for preciso” o genocídio na Palestina. Na Faixa de Gaza já nada mais existe para destruir. Tudo porque as populações elegeram o HAMAS para governar o território. Castigo colectivo! Os nazis de Telavive já mataram (números oficiais e confirmados pela ONU) até final de 2024 mais de 45. 000 civis. Mas se incluirmos os desaparecidos, esse número é ainda maior. Os massacres de Paris, há dez anos, são uma ninharia comparados com os que estão a sofrer os palestinos.

Em África, no Médio Oriente, no Afeganistão há seres humanos iguais aos europeus e norte-americanos. Se líderes ocidentais os tratam como animais, depois não podem admirar-se, quando os sobreviventes lhes devolvem o tratamento.

Dentro de dias a Casa dos Brancos vai ser ocupada pelo líder da internacional fascista. Renasce daa cinzas o novo Hitler. Trump já avisou que vai tornar os EUA maiores, ocupando e anexando países. Mais uma vez os russos vão salvar a Europa! Ironia das ironias. O ocidente alargado apoia os nazis de Kiev. Está de cócoras ante os nazis da Casa dos Brancos. Em 12 de Janeiro de 1945 o Exército Vermelho entrou em Berlim e o regime nazi redeu-se. Faz hoje 80 anos. 

As tropas russas são a única força capaz de derrotar a internacional fascista e salvar a Europa do domínio da Casa dos Brancos, onde habita o novo Hitler. Ironia das ironias!

* Jornalista

at janeiro 13, 2025 
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