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domingo, 4 de agosto de 2024

Onofre Varela - O abalar ou o espevitar da consciência



A LIBERDADE QUE ABRIL NOS DEU - A ovelha Dolly e o mito da Eva


* Onofre Varela

No dia 1 Abril de 1997 publiquei no Jornal de Notícias (JN) um texto interrogativo e bem humorado sobre a clonagem da Ovelha Dolly. (Não era uma “mentira de Abril”… a data da publicação foi um acaso!).

Recordando: a ovelha Dolly ficou mundialmente conhecida em Fevereiro de 1997 quando se divulgou a sua existência conseguida por experiência científica bem sucedida, de clonar o primeiro mamífero a partir de células da glândula mamária de uma ovelha adulta. Os seus autores foram os biólogos Keith Campbell e Ian Wilmut, do Instituto Roslin, na Escócia.

Aproveitando o facto científico que demonstrava a possibilidade de se conceber um mamífero dispensando o espermatozoide do pai (os homens que se cuidem… as mulheres não precisam de nós para coisa nenhuma… nem para conceberem filhos!), escrevi no JN uma crónica onde dizia que, muito provavelmente, o primeiro clonador teria sido Deus ao fazer Eva a partir de uma costela de Adão. Entendi que a palavra “costela” podia ser um modo de dizer “célula”.

O meu entendimento era lícito naquela linha de a Bíblia ser um poço a transbordar de possíveis entendimentos. Na Bíblia há textos cujas interpretações servem para alimentar todos os gostos e paladares que enformam as variadíssimas religiões e seitas bíblicas… mas também servem os seus críticos que a lêem divorciados de qualquer formato de fé deífica.

Quando o texto foi publicado… lá tornou a cair o Carmo e a Trindade!…

Naquela altura discutia-se na Assembleia da República a Lei da Liberdade Religiosa e o JN dedicava uma página diária ao assunto, entrevistando personalidades ligadas aos vários cultos da panóplia das igrejas estabelecidas em Portugal. O meu texto saiu ao lado do depoimento de um bispo da “Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica”; logo, todos os interessados em Religião o leram.

O director do JN recebeu recados mal dispostos por permitir “a publicação de tamanha enormidade”! (Para melhor informação digo que o texto não lhe passou pelas mãos antes de ser publicado. Entreguei-o ao sub-director, que o aceitou e enviou directamente para a secretaria da Redacção… a partir daí estava implícita a autorização de o publicar).

Aquele lacaio da seita vaticana Opus Dei, que visitava directores de jornais a horas tardias, estava atento e não desarmava… tinha de estuporar o juízo ao director por deixar passar textos que a Igreja não aprova. A mentira bíblica (ou poema) da criação era intocável e não podia ser aflorada fora do entendimento religioso. A Igreja permite-se imaginar ser dona dos textos arqueológicos que fazem a Bíblia, não aceitando – condenando, até – interpretações diversas das suas.

Para além da possível clonagem de que teria resultado a Eva, permiti-me comentar alguns versículos bíblicos, de entre os quais refiro estes: “Quem violar uma virgem obriga-se a desposá-la”, “Os estrangeiros, as viúvas e os orfãos devem ser respeitados” (Êxodo: 22, 16-20). Isto são conselhos de um deus, ou de um sociólogo?;

“Todos os que toquem as roupas daqueles que têm ferimentos que libertem fluxos, devem lavar-se”. “Homem e mulher, depois de copularem, devem lavar-se. Lavar-se-á também a roupa suja com sémen”, “A mulher menstruada guardará sete dias sem relações sexuais” (Levítico: 15, 2-19). Isto são conselhos de um deus ou de um técnico de saúde?;

“Não oprimirás o teu próximo nem o roubarás. Do mesmo modo não reterás o pagamento devido ao teu empregado” (Levítico: 19-13). Isto é conselho de um deus ou de um legislador? Quantos empregadores nós conhecemos que papam missas e não pagam devidamente, nem no dia certo, aos seus empregados?!

Neste caso de “censura à posteriori”, a minha opinião foi publicada e lida, permitindo a cada leitor fazer a sua própria interpretação do meu texto… e os desmiolados censores que apenas provam a nulidade das suas existências, não puderam retirar as prosas do jornal, onde permanecerão para a posteridade no arquivo das bibliotecas. 

1 Abril de 1997  / agosto 04, 2024

(O autor não obedece ao último Acordo Ortográfico)


https://ponteeuropa.blogspot.com/2024/08/a-liberdade-que-abril-nos-deu-o-velha.html

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Poemas contra a "evidência" (1) António Gedeão



Galileo Galilei - António Gedeão

.
* António Gedeão (Rómulo de Carvalho)
.
Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!
.
Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.
.
Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
.
Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.
.


Blog  Orbis

Astronomia em Portugal no Século XVIIICiência Hermética, da colecção Biblioteca Cosmos, dirigida por Bento Caraça.Gazeta de Fisica, onde publicou diversos artigos de divulgação cientifica, actualização didáctica e orientação pedagógica.
António Gedeão is the nom de plume of Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, a poet and physical chemist, who also wrote on the history of science, and instruction manuals in physics, chemistry, and the natural sciences. He published his first book of poems in 1956 under the pseudonym António Gedeão. In 1964, to commemorate the 4th centenary of the birth of Galileo Galilei, he wrote Poema para Galileo. This poem, set to music and sung by Manuel Freire, became a hit, along with others such as Pedra Filosofal and Lágrima de preta.
I could not find an adequate English translation of Lágrima de preta, although there are some literal translations online. I thus attempted my own poetic translation below:
Lágrima de preta


Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.


Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.


Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.


Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:


Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
                    Tear of a Negro Woman


I found a negro woman
who was weeping,
and begged her for a tear
I could analyze.


I collected the tear
(taking utmost care)
in a test tube
that had been sterilized.


I observed it from one side
to the other, and in front:
it seemed just a drop
of very clear air.


I extracted it with acids,
with alkalines, and salts,
and such substances as used
in these cases.


Probed with ice,
and lit with fire,
it gave the same result
everytime:


Neither blackness
nor anything foul was found,
almost only purely water
and sodium chloride.

I also found in YouTube two versions of Lágrima de preta set to music. I think the first is the one sung by Manuel Freire, although the second one may also be a cover in a faster tempo. In any case, both have the same melancholy feel as Portuguese fado music.
 
.Pedra Filosofal:

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=162500#ixzz1R0UI7T4Z
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives
.

http://stickslip.wordpress.com/2008/02/14/antonio-gedeaos-lagrima-de-preta/ 

quinta-feira, 18 de março de 2010

Galileu O Mensageiro das Estrelas foi escrito para causar sensação e agora está em português


Público - 17.03.2010 - 17:00 Por Ana Machado
  • 1 de 2 notícias em Ciências

Chama-se Sidereus Nuncius ou o Mensageiro das Estrelas. São apenas 60 páginas, mas mudaram o modo de encarar o Universo e o lugar do Homem no século XVII. Hoje a primeira obra de Galileu Galilei é apresentada pela primeira vez traduzida do latim para português, pela mão do físico e historiador da ciência Henrique Leitão, com a chancela da Fundação Calouste Gulbenkian.
Galileu escreveu a obra para mostrar ao mundo as
 observações que 
tinha feito com o telescópio, como as da Lua 
Galileu escreveu a obra para mostrar ao mundo as observações que tinha feito com o telescópio,
como as da Lua (DR)

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É o primeiro livro escrito por Galileu. Depois de ter construído e experimentado o primeiro telescópio, em 1609, o pai da astronomia moderna não conseguiu conter o mundo novo que descobriu do outro lado da luneta. E quis escrever sobre isso. Foi a única vez que escreveu um livro em latim. Portugal esperou 400 anos para o ler em português. Isso é possível a partir de hoje, depois de a Fundação Calouste Gulbenkian ter decidido aceitar um desafio proposto pela organização portuguesa do Ano Internacional da Astronomia (AIA) e pelo físico e historiador da ciência Henrique Leitão para traduzir, pela primeira vez, uma obra de Galileu para o português de Portugal.
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"É um livrinho", descreve Henrique Leitão, folheando as 30 folhas que constituem a primeira obra de Galileu. O livro, hoje lançado às 18h00 na Fundação Calouste Gulbenkian, tem mais folhas que isso, uma vez que conta com a tradução, um estudo crítico e ainda uma nota de abertura de luxo, assinada por Sven Dupré, a maior sumidade mundial em matéria de telescópios de Galileu.
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Mas, sendo "um livrinho", Henrique Leitão não tem dúvidas em afirmar sobre este Mensageiro das Estrelas: "Foi feito para causar sensação. Está escrito como se de notícias rápidas se tratasse, quase em estilo jornalístico. Ele não se dirige às elites. Queria chegar às pessoas comuns. E queria chegar também a toda a Europa. Ele era um divulgador de ciência", diz o investigador, justificando a opção pelo latim. Nas obras seguintes, Galileu optará pelo italiano. "Para além disso, dedicando o livro ao grão-duque Cosme II de Medici, acaba por arranjar emprego, ele que era professor mas que não gostava de dar aulas, que queria dedicar-se à astronomia e à observação do Universo. Daí Sven Dupré dizer, na introdução, que este livro é "uma candidatura a um emprego".
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E é em homenagem ao espírito divulgador de Galileu que Henrique Leitão lança o desafio que espera ser aceite pelo público português: "A minha sugestão é que as pessoas leiam directamente o que Galileu escreveu. E entende-se tudo. Ele escreveu de um modo muito acessível. Pela primeira vez podemos comprovar isso através da leitura em português. E o estudo crítico torna esta leitura ainda mais divertida."
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Um universo desconhecido
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Este é o livro onde Galileu, depois de ter iniciado as primeiras observações com telescópios construídos por si próprio, anotou aquilo que descobriu. E o que Galileu descobriu veio inaugurar a astronomia moderna. "O livro, embora pequeno, abre uma perspectiva infinita para um novo Universo", diz Henrique Leitão. "As descrições das fases da Lua e o facto de ter montanhas e vales, o facto de relacionar o tamanho das estrelas com a distância a que elas se situam e de haver muito mais estrelas do que as 1022 que eram consideradas no catálogo de Ptolomeu. E ainda as "estrelinhas" que andavam à volta de Júpiter, os satélites, a que chamou estrelas mediceias, em homenagem aos Medici. Hoje sabemos que são planetas. Há 65 imagens sobre tudo isto no livro original. Nunca ninguém tinha abordado este problema desta maneira e a evidência visual é muito persuasiva. Num século XVII onde se pensava que o céu era algo absolutamente familiar, ele veio provar que havia um imenso e admirável universo desconhecido."
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Tudo, explica Henrique Leitão, graças a "esse instrumento que veio aumentar os sentidos", ou seja, o telescópio. "Galileu transforma a sua casa numa pequena fábrica de telescópios para conseguir ultrapassar o problema que tinha de validação pelos pares. Como é que ele explicava que havia satélites em torno de Júpiter, se não tornasse possível a todos observarem o mesmo que ele via?"
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É para celebrar esta entrada na astronomia moderna inaugurada pelas primeiras observações com o telescópio de Galileu que João Fernandes, coordenador do Ano Internacional da Astronomia em Portugal, decidiu integrar o lançamento da tradução de O Mensageiro das Estrelas na cerimónia de encerramento do AIA, que decorre hoje na Fundação Calouste Gulbenkian.
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"O AIA marca as primeiras observações feitas com um telescópio por Galileu, em 1609. E em 1610 essas observações continuaram a acontecer, ano em que Galileu escreveu este livro. É uma obra muito importante, marca a metodologia moderna da astronomia. O que hoje fazemos ainda é replicar o que Galileu nos ensinou. Pode-se dizer que esta é a obra fundacional da astronomia moderna", diz João Fernandes, que observa que esta tradução já devia ter acontecido antes e que o trabalho prévio feito por Henrique Leitão no estudo sobre a obra e sobre Galileu tornou possível apresentar O Mensageiro das Estrelas hoje em português.
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Astronomia portuguesa
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Na cerimónia de encerramento é também inaugurada uma mostra - A astronomia no Portugal de hoje -, comissariada pelo astrónomo António Pedrosa, director do planetário do Centro Multimeios de Espinho, onde se faz o retrato da astronomia actual em Portugal. "Temos entre 50 a 60 astrónomos profissionais em Portugal; há 30 anos tínhamos dois ou três. E a astrofísica é a área com mais impacto na produtividade científica nacional", sustenta João Fernandes.
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Há ainda uma maqueta que explica como vai ser o European Extremely Large Telescope ou E-ELT, o telescópio de grandes proporções que a Agência Espacial Europeia está a construir, e como funciona o ESO, o Observatório Europeu do Sul, a que Portugal pertence. No âmbito das palestras que decorreram ao longo do ano, sobre as Fronteiras do Universo, será ainda atribuído um prémio à melhor pergunta de astronomia colocada pelos alunos do básico e secundário que assistiram às palestras.
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Vida de Galileu (Galileo)
1171
Vida de Galileu
Galileo
Ano: 1975
Onde Está: Filmes 202
Formato de Vídeo: 1.85 : 1
Categoria: Drama Biográfico
Pais de Origem: Inglaterra
Duração: 145 min.
Diretor: Joseph Losey
Produção: Barbara Bray (writer), Bertolt Brecht (play)
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Descrição:
A peça mais conhecida dentre todas de Bertolt Brecht ganha uma versão que, se não pode ser chamada de definitiva, chega muito próximo disso (especialmente se forem levadas em conta as várias adaptações de obras teatrais que grassam nos circuitos comerciais de cinema).
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Nesta adaptação vemos o célebre físico Galileu Galilei (interpretado por Topol) comprovar, por meio de instrumentos e verificação científica, a validade das teorias de Copérnico. Suas teorias e o trabalho de Galileu fazem ir abaixo toda uma ordem conceitual que justificava o poder da Igreja Católica na época.
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É lógico que as autoridades eclesiásticas não gostam nem um pouco disso e, mesmo em um primeiro momento comprovando as teorias de Galileu, optam por mantê-lo calado, por meio da força, de modo que suas ideias não se espalhem pelo continente europeu.
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Um filme (e uma peça também, já que Brecht aparece aqui respeitado tanto em forma quanto em conteúdo) absolutamente atual, principalmente se forem levadas em conta as lutas entre a geração que faz parte da Geração Internet e as megacorporações que tentam, através de mecanismos "legais", barrar o avanço humano e científico.
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A realização do homem na sua condição humana.
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http://www.pontocinema.org/acervo/index.php?num=1171
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sábado, 19 de dezembro de 2009

O que vale a pena - Alice Vieira

 

O que vale a pena

O que vale a pena

Jornal de Notícias - 2009-11-21

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Não sou daqueles que andam sempre a rir - até porque, como diz Millor Fernandes, quem anda sempre a rir ou é tolo ou tem a dentadura mal ajustada. Mas também me aborrecem muito os que passam a vida a chorar, a queixar-se, a lastimar-se, os que vêem sempre o copo meio vazio, e têm um discurso onde repetem, à exaustão, "só neste país é que…" Pelo que dizem jornais e televisões, parece que realmente nestes últimos tempos não temos tido motivo para grandes alegrias…
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Mas se calhar os jornais e as televisões não dizem tudo. Porque a verdade é que, apesar de tudo, "este país" já tem muita coisa de que se devia orgulhar, não fosse o caso de sermos irremediavelmente mais propensos à pateada do que às palmas. Há dias, vinha no avião do Funchal para Lisboa a ler a revista da TAP. E, pelo meio de vários artigos mais ou menos turísticos, descubro um artigo do prof. Alexandre Quintanilha sobre o estado actual da investigação científica no nosso país. E, para meu grande espanto, ele não se lastimava de falta de apoio, não pedia subsídios, nem fazia o choradinho do "tão pobrezinhos que nós somos".
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No artigo, o prof. Quintanilha dizia que já era compensador fazer investigação científica no nosso país e que muitos jovens cientistas tinham decidido trabalhar cá e estavam a desenvolver trabalhos de grande importância em laboratórios, universidades e centros de investigação portugueses. Eu bem sei que uma revista que se faz para ser lida enquanto o pessoal anda pelo ar tem de ser uma revista optimista. Mas também sei que o prof. Quintanilha não é nem um "entertainer" nem membro do Governo a puxar a brasa à sua sardinha - e portanto sabe muito bem do que fala. De resto, pouco depois chegava a notícia de que a jovem cientista portuguesa Mónica Bettencourt Dias, a trabalhar no Instituto Gulbenkian de Ciência, tinha sido incluída, pela Organização Europeia de Biologia Molecular, na lista dos mais talentosos jovens cientistas da Europa. (E acrescente-se que já tinha sido, em anos anteriores, distinguida internacionalmente pelas suas pesquisas, que podem levar a novos métodos de diagnóstico e combate ao cancro). E o que se passa na área científica passa-se noutras áreas. É notável o trabalho actual de muitos jovens músicos, compositores e intérpretes - que, infelizmente, não são divulgados pela televisão nem têm direito a grande espaço nos jornais. Mas existem. E estão a trabalhar muito bem. E, se não há condições, eles inventam-nas.
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Tenho a certeza de que se as pessoas entendessem que há vida para lá da chicana política e do futebol, vendia-se muito menos Prozac e os consultórios dos psiquiatras não estavam tão cheios.
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sábado, 5 de setembro de 2009

Galileo Galilei - António Gedeão

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* António Gedeão (Rómulo de Carvalho)

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Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

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Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!

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Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.

.

Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.

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Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

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Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.

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Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

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sábado, 16 de agosto de 2008


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.La Terra vista dallo spazio. Nel suo poema, Lucrezio, fra le altre cose, riprese la teoria epicurea secondo cui l'universo si sia generato dal  vuoto, in seguito all'incontro casuale di atomi.
La Terra vista dallo spazio. Nel suo poema, Lucrezio, fra le altre cose, riprese la teoria epicurea secondo cui l'universo si sia generato dal vuoto, in seguito all'incontro casuale di atomi.

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Não encontro a obra DE RERUM NATURA, sei que existe uma tradução portuguesa de 1850, se alguém tiver informações agradecerei devidamente (nem que seja em latim, que o meu marido traduz).

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Entretanto, só para extasiar, do meu poeta latino favorito:

«A FERIDA OCULTA


Ao possuírem-se os amantes hesitam
Não sabem como ordenar os seus desejos
Abraçam-se com violência
fazem sofrer mordem-se
com os dentes com os lábios
martirizam-se com carícias e beijos
Será porque não é puro o seu prazer
porque secretos aguilhões os levam
a ferirem o ser amado a destruírem
a causa da sua dolorosa paixão?
É que o amor espera sempre
que o mesmo objecto que acendeu a chama
que o devora seja capaz de sufocá-la
Não é assim no entanto. Quanto mais
possuímos mais o nosso peito arde
e se consome
.
Semelhante a um homem que em sonhos
quer apagar a sua sede e não encontra
água para extingui-la e persegue
miragens de nascentes de água e se cansa
vendo que o rio que parecia estar
ao seu alcance se afasta cada vez mais
Assim são os amantes joguetes no amor
dos simulacros de Vénus
Não basta a visão do corpo do desejo
para satisfazê-los nem sequer a posse
pois não conseguem arrancar nada
dessas graciosas formas sobre as quais
passeiam vagabundas e erráticas as suas mãos
.
Por fim quando os membros entrelaçados
saboreiam a flor do seu prazer
pensam que a sua paixão transbordará
e estreitam com cobiça o corpo do
amante misturando alento e saliva
comm os dentes contra a sua boca com os olhos
alagando os seus olhos e abraçam-se
uma e mil vezes até se magoarem
.
Mas é tudo inútil vão o esforço
porque não podem roubar nada desse corpo
que abraçam nem penetrarem-se nem confundirem-se
inteiramente corpo com corpo
que é aquilo que na verdade desejam...
.
E depois quando o desejo condensado
em suas veias desapareceu a chama
desse fogo amortece por instantes
e volta logo com novo e aceso amor
e renasce a fogueira com mais vigor que antes
.
É que eles não sabem que não sabem
o que desejam e continuam no entanto a procurar uma
forma de saciar esse desejo que os consome
sem que possam encontrar um remédio
para essa doença mortal:
De tal forma ignoram onde se oculta
a secreta ferida que os corrói...»
.
Titus Lucretius Carus
.
Enviado por Guilhermina Abreu para o «colectivo» do «grupo»

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WIKIPEDIA

Il poema di Lucrezio inizia con un inno alla dea Venere, simbolo della voluptas

Il poema di Lucrezio inizia con un inno alla dea Venere, simbolo della voluptas


Sobre la naturaleza de las cosas (Latín: De rerum natura) es un poema didáctico, dentro del género de los periphyseos cultivado por algunos presocráticos griegos, escrito en el siglo I a. C. por Titus Lucretius Carus; dividido en seis libros, proclama la realidad del hombre en un universo sin dioses e intenta liberarlo de su temor a la muerte. Expone la física atomista de Demócrito y la filosofía moral de Epicuro.

Characters in the drama

There are several characters in the drama of this epic poem. Epicurus is a teacher who passed to Lucretius the light of understanding. The character Religion is a monster that attacks people from the sky and seeks to destroy truth. Epicurus wins against Religion because he explains to the comprehending person the vast and infinite universe, and brings a sudden realisation of what can be and what cannot be. This sudden understanding of the underlying atoms, void, and possible interactions of the universe will free individuals from the inherited fears of gods and of death.

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Here are the words of Lucretius translated to English by William Ellery Leonard and provided by courtesy of the Gutenberg e-text project. [

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While human kind
Throughout the lands lay miserably crushed
Before all eyes beneath Religion--who
Would show her head along the region skies,
Glowering on mortals with her hideous face--
A Greek [Epicurus] it was who first opposing dared
Raise mortal eyes that terror to withstand,
Whom nor the fame of Gods nor lightning's stroke
Nor threatening thunder of the ominous sky
Abashed; but rather chafed to angry zest
His dauntless heart to be the first to rend
The crossbars at the gates of Nature old.
And thus his will and hardy wisdom won;
And forward thus he fared afar, beyond
The flaming ramparts of the world, until
He wandered the unmeasurable All.
Whence he to us, a conqueror, reports
What things can rise to being, what cannot,
And by what law to each its scope prescribed,
Its boundary stone that clings so deep in Time.
Wherefore Religion now is under foot,
And us his victory now exalts to heaven. (I, 62-79)
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What draws people to religion?

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Lucretius has compassion for those people who do not understand the mechanisms of the universe that gave them birth. He felt these ignorant and unfortunate people need religion to explain where they came from, why good things sometimes occur, and what could possibly shield them from the misfortunes they see fall upon others.

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Nor [is this the place] to pursue the atoms one by one,
To see the law whereby each thing goes on.
But some men, ignorant of matter, think,
Opposing this, that not without the gods,
In such adjustment to our human ways,
Can nature change the seasons of the years,
And bring to birth the grains and all of else.
To which divine Delight, the guide of life,
Persuades mortality and leads it on,
That, through her artful blandishments of love,
It propagate the generations still,
Lest humankind should perish. When they feign
That gods have stablished all things but for man,
They seem in all ways mightily to lapse
From reason's truth: for ev'n if ne'er I knew
What seeds primordial are, yet would I dare
This to affirm, ev'n from deep judgment based
Upon the ways and conduct of the skies--
This to maintain by many a fact besides--
That in no wise the nature of the world
For us was builded by a power divine--
So great the faults it stands encumbered with:
The which, dear Memmius, later on, for thee
We will clear up. Now as to what remains
Concerning motions we'll unfold our thought. (II, 167-183)
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Lucretius wrote this epic poem to "Memmius", who may be the Gaius Memmius who in 58 BC was a praetor, a judicial official deciding controversies between citizens and between citizens and the government. There are over a dozen references to "Memmius" scattered throughout the long poem in a variety of contexts in translation, such as "Memmius mine", "my Memmius", and "illustrious Memmius". Apparently, Lucretius wrote On the Nature of Things in an attempt to convert Gaius Memmius to atomism, but was unsuccessful.


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Contenido del Libro

Literalmente el título se traduce del latín como Sobre la Naturaleza de las Cosas. Aunque a veces se llega a traducir como la Sobre la Naturaleza del Universo, quizás para reflejar la escala real que se trata en el libro. La visión de Lucrecio es bastante austera, pero sin embargo incita a unos cuantos puntos importantes que permiten a los individuos a un escape periódico de sus propios deseos y pasiones para observar con compasión a la pobre humanidad en su conjunto, incluyéndose a sí mismo, pudiedo observar la ignorancia promediada, la infelicidad reinante, e incita a mejorar aunque sólo sea un poco más todo aquello que nos rodea. La responsabilidad personal consiste en hablar sobre la verdad personal que se vive. De acuerdo con La naturaleza de las cosas la proposición de verdad de Lucrecio es dirigida a una audiencia ignorante. Esperando que alguien le escuche, le comprenda y de este forma le pase la semilla de la verdad capaz de mejorar al mundo.

Composición del poema

El poema está compuesto por los siguientes argumentos.

  • La sustancia es eterna.
    • Los átomos se mueven en un infinito vacío.
    • El universo está compuesto de átomos y vacío, nada más. (Por esta razón, Lucrecio es visto como un atomista.)
  • El alma del hombre consiste en átomos diminutos que se disuelven como el humos cuando este muere.
    • Dios existe, pero no inició el universo, y concierne poco a las acciones de los hombres.
  • Existen otros mundos como el universo y son similares a este.
    • Debido a que estamos compuestos de una sopa de átomos en constante movimiento, este mundo y los otros no son eternos.
    • Los otros mundos no están controlados por dioses, al igual que este.
  • Las formas de vida en este mundo y en los otros está en constante movimiento, incrementando la potencia de unas formas y decreciendo la de otras.
    • El hombre debe pensar que desde sus más salvajes inicios ha vivido una gran mejora en habilidades y conocimientos, pero esto pasará y vendrá una decadencia.
  • Lo que llega a saber el hombre proviene sólo de los sentidos y de la razón.
    • Los sentidos tienen dependencias.
    • La razón nos deja la posibilidad de alcanzar motivos ocultos, pero ésta no está libre de fallos y de falsas inferencias. Por esta razón, las inferencias deben ser continuamente verificadas por los sentimientos.
    • (Comparado con Platón, quién creía que los sentidos podrían ser confundidos mientras que la razón no.)
  • Los sentimientos perciben las colisiones macroscópicas e interacciones de los cuerpos.
    • Pero la razón infiere los átomos y el vacío que los sentidos perciben.
  • El hombre evita el dolor y busca todo aquello que le da placer.
    • Una persona normal (media) está impelida siempre para evitar los dolores y buscar los placeres.
  • Las personas nacen con dos miedos innatos: el miedo a los dioses y el miedo a la muerte.
    • Pero los dioses no quieren hacernos daño, la muerte es fácil cuando la vida se ha ido.
    • Cuando uno se muere, los átomos del alma y los átomos del cuerpo continúan su esencia dando forma a las rocas, lagos o a las flores.

Interpretaciones

De las multiples descripciones que se han hecho del poema, pocas son tan luminosas como la realizada por el filosofo y fisico Michel Serres. En su libro El nacimiento de la física en el texto de Lucrecio, Serres sostiene que el poema de Lucrecio no es un texto de metafisica, ni de filosofía moral, sino exactamente una física. Es más, no se trata simplemnte que el poema sea una física matematica y experimental como la nuestra - con modelos, experiencias y aplicaciones-, se trata de que es exactamente nuestra física, no tanto la que se inagura con Galileo y culmina con Newton, si no más bien la que estamos comenzando a hacer hoy mismo, a partir de experiencias como las de Einstein, Heisenberg o Prigogine.

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Numa pesquisa no Google encontrei os seguintes sites que se referem à integralidade da obra.

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De Rerum Natura apud bibliothecam Latinam
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http://www.thelatinlibrary.com/lucretius.html

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OUTRAS VERSÕES

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De la naturaleza de las cosas

http://es.wikipedia.org/wiki/Sobre_la_naturaleza

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Texto completo en la biblioteca virtual Cervantes.
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http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/01383808666915724200802/index.htm


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Project Gutenberg e-text def Sobre la Naturaleza de las Cosas
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http://onlinebooks.library.upenn.edu/webbin/gutbook/lookup?num=785
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IN

On_the_Nature_of_Things
http://en.wikipedia.org/wiki/

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•Project Gutenberg e-text of On The Nature Of Things
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http://onlinebooks.library.upenn.edu/webbin/gutbook/lookup?num=785

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Stanford Encyclopedia of Philosophy article on Lucretius, with extensive discussion of On the Nature of Things
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http://plato.stanford.edu/entries/lucretius/#4

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Traducciones


Edición en castellano

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Lucrecio Caro, Tito (2003), La Naturaleza, Traducción de Francisco Socas Gavilán. Madrid: Editorial Gredos. ISBN 978-84-249-2683-0.
–, De la Naturaleza de las Cosas, Traducción a cargo de Agustín García Calvo. Editorial Cátedra.

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sábado, 17 de maio de 2008

Carta leiloada de Einstein mostra críticas a religião



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15 DE MAIO DE 2008 - 15h59



Uma carta escrita um ano antes de sua morte pelo físico Albert Einstein ao filósofo alemão Eric Gutkind, e que veio à tona recentemente, revela que o cientista era crítico em relação à religião. A carta foi a leilão nesta quinta-feira (15), em Londres, e estima-se que alcance entre 6 mil e 8 mil libras.


A carta foi escrita em 1954, um ano antes da morte de Einstein, em resposta ao livro de Gutkind, Escolha a vida: O chamado bíblico para a revolta (em tradução livre), e passou os últimos 50 anos nas mãos de um colecionador particular.


Nesta quinta-feira (15), o documento será leiloado pela casa de leilões Bloomsbury Auctions, em Londres. A expectativa é que ela alcance entre 6 mil e 8 mil libras (de R$ 20 mil a R$ 30 mil).


"A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis", escreve Einstein que, apesar de judeu, freqüentou uma escola católica na infância.


O cientista, que recebia aulas particulares de judaísmo em casa, declinou o convite do então recém-formado Estado de Israel para ser o segundo presidente do país. Na carta, ele rebate a crença de que os judeus seriam o "povo escolhido".


"Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos."


"Até onde vai minha experiência, eles não são melhores que nenhum outro grupo de humanos, apesar de estarem protegidos dos piores cânceres por falta de poder. Mas além disso, não consigo ver nada de 'escolhido' sobre eles".


A carta levanta nova polêmica sobre as crenças religiosas de Einstein já que, em declarações anteriores, o cientista havia dado a entender que acreditava, ou pelo menos queria acreditar, na existência de Deus.


Segundo o jornal britânico The Guardian, a carta e seu conteúdo eram desconhecidos por alguns dos principais biógrafos do cientista.


O conteúdo da carta difere de declarações anteriores de Einstein, que, segundo historiadores, nunca havia deixado muito clara a sua visão sobre a religião. Nessa seara, o físico era mais lembrado pela frase "A ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega".

Historiadores não costumam retratar Einstein como ateu, mas a imagem pode mudar com a publicação da carta. Sua visão sobre Deus era tida apenas como não-clerical ("Não creio no Deus da teologia que recompensa o bem e pune o mal").

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Albert Einstein - Wikipédia, a enciclopédia livre

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Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. E o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assumi portanto minhas responsabilidades. E no entanto sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de paz. Já que as nações não se resolvem a suprimir a guerra por uma ação conjunta, já que não superam os conflitos por uma arbitragem pacífica e não baseiam seu direito sobre a lei, elas se vêem inexoravelmente obrigadas a preparar a guerra. Participando da corrida geral dos armamentos e não querendo perder, concebem e executam os planos mais detestáveis. Precipitam-se para a guerra. Mas hoje, a guerra se chama o aniquilamento da humanidade. Protestar hoje contra os armamentos não quer dizer nada e não muda nada. Só a supressão definitiva do risco universal da guerra dá sentido e oportunidade à sobrevivência do mundo. Daqui em diante, eis nosso labor cotidiano e nossa inabalável decisão: lutar contra a raiz do mal e não contra os efeitos. O homem aceita lucidamente esta exigência. Que importa que seja acusado de anti-social ou de utópico? Gandhi encarna o maior gênio político de nossa civilização. Definiu o sentido concreto de uma política e soube encontrar em cad homem um inesgotável heroísmo quando descobre um objetivo e um valor para sua ação. A Índia, hoje livre, prova a justeza de seu testemunho. Ora, o poder material, em aparência invencível, do Império Britânico foi submergido por uma vontade inspirada por idéias simples e claras.
Albert Einstein

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Rita Levi Montalcini - entrevista

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Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina
Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina

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Dra. Rita Levi, que tem 96 anos recebeu o Prêmio Nobel de Medicina há 19 anos, quando tinha 77 !!!

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Rita Levi Montalcini, nasceu em Turín, Itália, em 1909, e obteve o título de Medicina na especialidade de Neurocirurgia.

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Eis uma entrevista com a médica no dia 22/12/2005

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- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é no que faço a cada dia.!

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- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos às meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e seus países.
E continuo investigando, continuo pensando.

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- Não vai se aposentar?
- Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros!
Muita gente se aposenta e se abandona...
E isso mata seu cérebro. E adoece.

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- E como está seu cérebro?
- Igual quando tinha 20 anos!
Não noto diferença em ilusões nem em capacidade.
Amanhã vôo para um congresso médico.

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- Mas terá algum limite genético ?
- Não. Meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade. O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!
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- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurônios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!
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-Ajude-me a fazê-lo.

- Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, faca-o trabalhar e ele nunca se degenerará.
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-E viverei mais anos?
- Viverá melhor os anos que viver, é isso o interessante. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões....
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- A sua foi a investigação científica...
- Sim, e segue sendo.
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- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas até que foi reconhecida sua validade e, em 1986, me deram o prêmio por isso.
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- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
- Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.
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- Seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa... Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...
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- Vejo que isso foi um estímulo...
- Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África para ajudar a curar a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, esse é meu grande sonho.
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- E você o tem realizado... com a sua ciência.
- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade, a opressão à mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...
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- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.
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- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas, quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.
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- Por que ainda existem poucas cientistas?
- Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.
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- É verdade?
- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente, há mais mulheres que homens na investigação científica: as herdeiras de Hipatia!
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- A sábia Alexandrina do século IV...
- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela. Claro, o mundo tem melhorado algo...
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- Ninguém tem tentado assassinar você...
- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição dos judeus. E tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu laboratório em meu quarto... E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!
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- Por que existe uma alta porcentagem de judeus entre cientistas e intelectuais?
- A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais: podem proibir tudo, mas não que pensem! E é verdade que há muitos judeus entre os prêmios Nobel...
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- Como você explica a loucura nazista?
- Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!
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- Isto está acontecendo agora?
- Por que você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado o creacionismo e não o evolucionismo?
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- A ideologia é emoção, é sem razão?
- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado: são perfeitos. Nós, não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!
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- Você nunca se casou ou teve filhos?
- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar-lhe todo meu tempo, minha vida!
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- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
- Curar... O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.
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- Qual é hoje seu grande sonho?
- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos cérebros.
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- Quando deixou de sentir-se feia?
- Ainda estou consciente de minhas limitações!
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- O que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais.
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Nota do Editor (VN)
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Victor Nogueira
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Grato ao Júlio Pego [psicoescultura - Psicopintura - psicoarte ].pela partilha desta entrevista (qua 23-04-2008). Para saber mais sobre Rita Levi Montalcini ver Biografia (em inglês).
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Curiosamente comprei um dia destes um livrito editado pelo Jornal de Notícias (nº 8 da Colecção 120 anos JN), duma escritora - Maria Amália Vaz de Carvalho - intitulado «Cartas a Luísa. Dela nada ainda lera e abrindo ao acaso, numa 1ª leitura, deparei-me com a Carta XX - A Emancipação da mulher à luz da fisiologia. E fiquei surpreendido, como uma mulher culta e «pioneira», defende a inferioridade natural da mulher, que levaria séculos a igualar-se ao homem, pretensão que seria um absurdo. Afinal uma defensora da desigualdade entre sexos, reconhecendo a «superioridade» dos machos, com argumentação idêntica à defendida pelo fascismo e marialvas. Também Salazar e as senhoras da «elite» exprimiam posições similares, relativamente às mulheres e à generalidade dos povos português e das colónias, seres arredados do exercício da cidadania e da igualdade que só poderiam alcançar após séculos de «evangelização».
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Dedicado às senhoras e às famílias


"Cartas a Luísa", de Maria Amália Vaz de Carvalho, é a obra que o JN lhe oferece na edição de amanhã. Maria Amália Vaz de Carvalho foi a primeira mulher a entrar para a Academia das Ciências de Lisboa.A obra desta escritora tem um carácter de versatilidade pois, para além de poesia, também escreveu contos, ensaios, biografias e crítica literária . Conviveu com alguns dos maiores nomes da literatura e da cultura portuguesa. "Cartas a Luísa" (1886) é um formoso livro, consagrado às senhoras e famílias, escrito num estilo elegante com a lucidez e genial critério que caracterizam o espírito gentil da sua talentosa autora. Livro sobre a moral, a educação e os costumes.» JN - apresentação do livro e da autora

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