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domingo, 31 de outubro de 2010

Mário Henrique Leiria - extractos e Contos do Gin Tónico e Sofia

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Lurdes Martins
Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.
...
Mário-Henrique Leiria
há 2 horas · GostoNão gosto · 2 pessoas2 pessoas gostam disto.
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Victor Nogueira LOL. A Primavera é que é perita no florescer de amores que muitas vezes desembocam no Verão que já lá foi :-)
há 2 segundos
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MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA, alguns Contos do Gin-Tónico
 
 
CEGARREGA PARA CRIANÇAS
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A Velha dormindo
o rato roendo
a Velha zumbindo
o rato correndo
a Velha rosnando
o rato rapando
a Velha acordando
o rato calando
a Velha em sentido
o rato escondido
a Velha marchando
o rato mirando
a Velha dizendo
o rato escutando
a Velha ordenando
o rato fazendo
a Velha correndo
o rato fugindo
a Velha caindo
o rato parando
a Velha olhando
o rato esperando
a Velha tremendo
o rato avançando
a Velha gritando
o rato comendo

TELEFONEMA
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    Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe se estava em casa.
    Foi então que deu pelo facto. Realmente tinha morrido havia já dezassete dias.
    Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade.
 
ÚLTIMA TENTAÇÃO
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    E então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida.
    Ficaram os dois numa desesperante frustação.
    Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!

RIFÃO QUOTIDIANO
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Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

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http://www2.dem.ist.utl.pt/~jsantos/Literature/Mario_p.html
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página em branco

Uma página para encher de palavras bonitas e de cores do arco-iris

Sexta-feira, Novembro 30, 2007


Porque está de volta...

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Mario Henrique Leiria
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Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
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Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
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Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
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Sophia de Mello Breyner
publicada por Maria Lisboa @ 00:00
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um poema de Jorge de Sena

o
Lurdes Martins
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Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
...una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha

Jorge de Sena
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há 2 horas · GostoNão gosto · 4 pessoas4 pessoas gostam disto.
o
Victor Nogueira Um descanso para a vista esta paisagem primaveril em tempo de outono :-)
há alguns segundos · 
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sábado, 9 de outubro de 2010

Um poema de Miguel Torga

Lurdes Martins
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Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
...A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
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Miguel Torga, in 'Diário VII'
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