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sábado, 27 de março de 2010

A Queda de Berlim, a Última Batalha - Cornelius Ryan

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009


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Tradução Tenete Cporonel Augusto Pastor Fernandes
Livraria . Bertrand,  Lisboa sd [1966]
“Nas latitudes mais setentrionais, o amanhecer verifica-se muito cedo. Até mesmo quando os bombardeiros se afastavam da cidade, a leste já despontavam os primeiros raios de luz. No meio da tranquilidade da manhã, podiam ver-se grandes colunas de fumo negro a elevarem-se sobre os bairros de Pankow, Weissensee e Lichtenberg, enquanto as nuvens baixas tornavam difícil separar a suave luminosidade da aurora e os reflexos dos incêndios na cidade de Berlim destroçada pelas bombas.
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À medida que o fumo se ia dissipando vagarosamente, por entre as ruínas surgia no seu macabro esplendor a cidade mais bombardeada da Alemanha, enegrecida pela fuligem, crivada de milhares de crateras e decorada com as vigas retorcidas dos edifícios destruídos.
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Tinham desaparecido numerosos quarteirões de prédios de apartamentos no coração da cidade, o mesmo sucedendo com as zonas suburbanas, completamente volatilizadas. Agora, em todo aquele caos, as largas avenidas e as ruas de outrora eram apenas simples veredas cheias de crateras que serpenteavam através de montanhas de destroços. Por toda a parte, acre após acre, só se viam, escancarados para o céu, edifícios descarnados, sem janelas e sem telhados.
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A seguir aos ataques caía do céu uma chuva muito fina de fuligem e de cinzas que polvilhava os destroços, enquanto nos enormes montões de tijolos esmigalhados e vigas de aço torcidas a única coisa que se movia eram os turbilhões de poeira que rodopiavam ao longo da vasta extensão da Unter den Linden, com as suas famosas árvores agora nuas e os rebentos das folhas queimados nos ramos.
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Eram raros os bancos, livrarias ou estabelecimentos elegantes situados no famoso boulevard que não tivessem sofrido estragos; todavia, no seu extremo oeste, o mais famoso monumento de Berlim – a porta de Brandeburgo – com as suas doze colunas dóricas maciças e de altura igual a um edifício de oito andares, embora crivado de profundos golpes, ainda permanecia de pé na via triumphalis. (…)
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(…) Nessa manhã luminosa, os berlinenses dos vinte bairros da capital apareceram à luz do dia como os habitantes das cavernas neolíticas, emergindo dos túneis do metropolitano, dos abrigos situados por baixo dos edifícios públicos e das caves ou pavimentos inferiores dos prémios semidestruídos.
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Fossem quais fossem as suas esperanças ou receios, as suas lealdades ou crenças políticas, todos os berlinenses compartilhavam dum sentimento comum: os que haviam sobrevivido mais uma noite estavam resolvidos a sobreviver mais um dia.
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O mesmo se podia dizer quanto à nação.
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Nesse sexto ano da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler estava a lutar desesperadamente pela sobrevivência. O Reich que havia de durar mil anos tinha sido invadido a oeste e a leste. As forças anglo-americanas estavam a limpar toda a região ao longo do Reno, haviam atravessado o rio em Remagen e precipitavam-se já em direcção a Berlim, da qual só distavam 300 milhas. Na margem oriental do Oder, tinha-se materializado uma ameaça muito mais urgente e infinitamente mais temerosa, traduzida na presença dos exércitos russos, situados apenas a 50 milhas.

Estava-se a 21 de Março de 1945, uma quarta-feira, com a qual se iniciava a Primavera. Nessa manhã, os berlinenses ouviram através dos aparelhos de rádio de toda a cidade o último êxito em canções: Esta Primavera não terá fim. (…)”
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A Última Batalha (A Queda de Berlim) - Cornelius Ryan (1920-1974) - Publicado por Livraria Bertrand, Lisboa, 1967.
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Disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa (Cota ----> H.G. 25078 V.)
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http://torredahistoriaiberica.blogspot.com/2009/02/aberturas-de-grandes-livros-ultima.html


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''Erich Bayer também só pensava numa data especial. Há semanas que o contabilista de Wilmersdorf se sentia preocupado acerca do que deveria fazer na terça-feira, dia 10 de Abril, ou seja, no dia seguinte. O pagamento tinha de ser efectuado nessa data, pois de outro modo poderia resultar para ele uma série de perturbações burocráticas. Bayer possuía o dinheiro. Não era esse o seu problema. Mas teria isso agora qualquer importância? O exército que tomasse Berlim - americano ou russo - importar-se-ia com o pagamento? E se ninguém conquistasse a cidade? Bayer considerou o problema sob todos os aspectos. A seguir, dirigiu-se ao seu banco e levantou 1400 marcos. Depois, entrou na repartição próxima e pagou os seus impostos respeitantes ao ano de 1945.''.

- Cornelius Ryan, in A Queda de Berlim, A última Batalha, Documentos de Todos os Tempos, 1965, ed. Bertrand
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http://lili-one.livejournal.com/1344904.html
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Os últimos dias do III Reich
Este curto relato, pretende dar ao leitor uma pequena ideia, de uma forma cronológica, do que foram os últimos dias do III Reich de Hitler. Não se trata de um trabalho com grande profundidade, para especialistas, mas sim, de um relato sobre o que se passava na frente de batalha às portas de Berlim, e dentro do abrigo do comandante em chefe de um império que devia durar 1000 anos, mas que não chegou sequer a 1000 semanas
De entre os vários livros de História que serviram como base, para o que a seguir se descreve, resalta a obra de Cornelius Ryan, A queda de Berlim, a última Batalha”. No entanto, os factos relatados, e as datas, nem sempre se referem exclusivamente àquela obra. É porém a sua estrutura base, a utilizada para iniciar este relato, que começa quando em 22 de Março de 1945, o General Gothard Henrici, um general desconhecido da maioria dos Alemães, por ter o seu nome ligado, não ás grandes vitórias, mas sim ás retiradas estratégicas e à guerra defensiva, é nomeado Comandante do Grupo de exércitos do Vístula, a última defesa, entre Berlim, e a avalanche de forças russas.
Com inicio em 22 de Março, relata-se a situação desde que o coronel-general Heinrici, é nomeado como comandante do grupo de exércitos do Vístula.
A partir de 16 de Abril, e até 30 de Abril, faz-se um relato diário, onde se incluem mapas da posição da frente de batalha, e/ou fotografias que tenham a ver com os acontecimentos. Ao mesmo tempo, incluem-se pequenos extractos sobre a situação dentro da cidade de Berlim, e sobre os acontecimentos dentro do abrigo de Hitler.
O relato diário, tem o seu fim, quando ocorre a rendição da Alemanha.
A acção, decorre durante o período final da curta vida do III Reich. Depois das grandes conquistas de 1939,1940 e 1941, e do periodo de impasse de 1942 e 1943, veio em 1944 a resposta dos aliados, com a invasão da Normandia e os enormes avanços soviéticos para ocidente.
Em Março de 1945, a situação da Alemanha é desesperada. As forças soviéticas, na sua última ofensiva, haviam atacado com uma força devastadora na Prussia oriental, e haviam tomado toda a Alemanha até ao rio Oder, que se encontrava a apenas 90 quilometros de Berlim. A Oceidente, as forças americanas e britânicas, haviam chegado ao Reno, tendo os americanos tomado uma ponte em Remagen, conseguindo por isso estabelecer uma testa de ponte naquele lugar. No entanto, outras passagens do Reno são eminentes. É perante esta situação que Hitler é convencido a nomear o general Gothard Heinrici para chefe do grupo de Exércitos do Vístula (grupo de exércitos que havia recuado desde o rio Vístula, até ao rio Oder, em frente a Berlim)
Além do diário, estão disponiveis resumos sobre, as principais figuras da batalha, as principais armas da batalha, e sobre o abrigo de Hitler, nos subterrâneos do complexo de edificios da chancelaria.

http://www.areamilitar.net/historia/1945_QuedaBerlim/quedainicio.asp
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Cornelius Ryan

Cornelius Ryan nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1920, onde foi criado. Com pouco mais de vinte anos, cobriu os conflitos da Segunda Guerra Mundial, de 1941 a 1945, para a agência de notícias Reuters e para o jornal britânico London Daily Telegraph. Participou de quatorze missões de bombardeio junto às forças aéreas norte-americanas, do desembarque no Dia D, do avanço aliado através da França e da Alemanha e, após o final dos conflitos em solo europeu, cobriu os últimos meses da campanha no Pacífico, tornando-se um dos mais proeminentes correspon­dentes de guerra da época. Em seu trabalho, baseava-se tanto em fontes oficiais e entrevistas com líderes militares quanto em depoi­mentos de soldados comuns e civis, de modo que toda a sua obra está impregnada de uma for­te tensão humana. Foi com rigor jornalístico de detalhes e informações e com extrema compaixão para com os dramas das pessoas envolvidas que Ryan escreveu a sua trilogia da Segunda Guerra Mundial: The longest day, 1959 (O mais longo dos dias (L&PM POCKET, 2004), sobre o Dia D; The last battle, 1966 (A última batalha, L&PM Editores, 2005), sobre o final da Segunda Guerra Mundial e a queda de Berlim; e A bridge too far, 1974 (Uma ponte longe demais), sobre a malsucedida operação aliada Market Garden.

O mais longo dos dias vendeu cerca de quatro milhões de exemplares em quase 30 línguas e foi levado às telas do cinema em 1962, em uma megaprodução internacional de mesmo nome sob a direção de Darryl F. Zanuck, estrelada por vários dos grandes atores da época, como Robert Mitchum, John Wayne, Sean Connery, Richard Burton, Henry Fonda, Alain Dellon e outros. A bridge too far também foi transformado em filme, em 1977. Em 1973, Cornelius Ryan recebeu a medalha da Legião de Honra do governo francês. Morreu de câncer, em 1976.
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Livros do Autor


MAIS LONGO DOS DIAS, O

Cornelius Ryan
Tradução de William Lagos

Coleção L&PM Pocket
Ref. 363
384 páginas
ISBN-10 85.254.1323-2
ISBN-13 978.85.254.1323-9
R$ 22,00

ÚLTIMA BATALHA, A

Cornelius Ryan
Tradução de Pedro Gonzaga

Outros Formatos
448 páginas
ISBN-10 85.254.1384-4
ISBN-13 978.85.254.1384-0
R$ 56,00

http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=108

quinta-feira, 25 de março de 2010

História da Gestapo, de Jacques Delarue e A Queda de Berlim, de Andrew Tully

2.1.SS: O Esquadrão da Morte

Nenhum grupo foi tão categórico quanto à criar as doutrinas e aplicá-las quanto as SS, sigla de Schutzstaffl, a tropa de elite do regime nazista. A SS em si foi criada em 1925, como um regimento paramilitar. Os soldados SS possuíam entusiasmo político e ideológico, portanto, juravam lealdade absoluta e possuíam a motivação necessária para levar até o limite o regime nazista.
Heinrich Himmler
“Quem vê o nacional-socialismo apenas como um movimento político, não compreende quase nada. Trata-se de uma criação humana nova. Sem uma base e objetivo biológicos, a política é hoje completamente cega”, certa vez disse Adolf Hitler em um de seus discursos em Berlim. O trecho consta no livro “História da Gestapo”, do historiador judeu de ascendência francesa Jacques DeLarue. Frases como estas foram a força motriz para inspirar um personagem primordial do regime nazista: Henirich Himmler.
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Esse líder nazista foi o responsável por gerir a SS em 1939 e foi seu líder máximo até 1945. Mas antes mesmo de ocupar o topo do comando das SS, Himmler já gozava de prestígio em cargos não menos importantes na organização, o que possibilitou muitos dos seus mandos e desmandos. De acordo com o escalão que vigorava no regime, o chefe das SS era o segundo homem na hierarquia nazista. Himmler foi talvez o maior responsável por pregar a cultura do ódio contra as “raças inferiores”.
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“Após séculos de lamentos sobre a defesa dos pobres e humilhados, chegou o momento de nos decidirmos a defender os fortes contra os inferiores. O instinto natural ordena a todos os seres vivos não apenas que vençam os seus inimigos, mas que os exterminem”. Segundo DeLarue, principalmente esta frase dita por Hitler inspirou Himmler a dar início aos seus ideais de sangue, que mais tarde ficariam conhecidos como um único plano com caráter maligno intitulado “Ordem Negra”.
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Assim como em qualquer departamento do nazismo, o “treinamento ideológico” começava desde cedo. De acordo com Jacques DeLarue, “o jovem alemão selecionado para ingressar na SS devia efetuar uma estada obrigatória em um serviço especial para entrar na SS”. Esse serviço especial era denominado Reichsarbeitdienst, que significava “serviço do trabalho”. Nele os jovens aprendiam os valores de sua ideologia racista. “Com o tempo tornou-se indispensável ser membro da SS se o jovem quisesse determinado cargo na administração do estado, ou ingressar em uma universidade”, afirma DeLarue. Desse modo, obrigando qualquer cidadão que queria ter uma vida mais estável – com curso superior e bom emprego – ser submetido à ideologia racista, Himmler foi implantando aos poucos a sua “Ordem Negra”.
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A principal assecla do regime nazista, aquele que levou até os últimos limites os ideais nazistas de eugenia e todo o leque de horroridades advindas dela, foi alvo de diversas análises por parte dos historiadores. Traçando um perfil a respeito de diversos líderes nazistas, DeLarue busca inspiração em um teósofo iluminista, Jacob Boehme. Certa vez, no século XVIII, Boehme disse que “o corpo apresenta a marca das forças interiores que o animam”. Com isso, o historiador francês decreta: “resulta tranquilizador saber que os assassinos ostentam estigmas de sua brutalidade”. Citando alguns exemplos, DeLarue afirma que os principais líderes nazistas obedeciam esta regra. “Roehm tinha semblante de criminoso; a expressão de Bormann não era menos inquietante; Kalterbrunner e Heydrich apresentavam fisionomias de homicidas”, dizia o escritor. No entanto, Himmler deixava DeLarue indignado: “Himmler possuía um rosto uniforme, desesperadamente banal”.
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Porém, se a fisionomia de Himmler não explica muito a respeito da personalidade do próprio, é possível recorrer às suas atitudes para ratificar que sua pessoa era realmente vil. De acordo com o livro “A Batalha de Berlim”, do jornalista americano Andrew Tully, “Himmler fixava cartazes nos campos de concentração com os dizeres ‘uma via conduz à liberdade’”, uma demonstração “horrorosamente cínica” para Tully.
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Jacques DeLarue afirma que essa frase que sempre era seguida por dizeres como obediência, honestidade, aplicação, espírito de sacrifício, e outros, não eram algo cínico promovido por Heinrich Himmler, como muitos pensavam. Na verdade, na visão de DeLarue, estes dizeres “eram uma projeção inconsciente do pai de Himmler”, um professor aplicado que morreu e não viu seu filho, fascinado pela ideologia nazista, perverter seus principais valores.
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Mais tarde, agregando outros regimentos do esquadrão nazista – muitas vezes utilizando a força e expurgando outros líderes -, Himmler obteve poder ilimitado. Em meados da década de 30 foi criada a Waffen SS (um grupo armado desvinculado do exército alemão). Os soldados da Waffen seguiam regras e dogmas ainda mais violentos que os soldados “normais”.
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Os Waffen possuíam, por exemplo, um punhal especial. Em 1935 Himmler lançou um decreto dizendo que o punhal SS “deveria ser lavado a sangue sempre que o empunhador sentir-se afrontado”.
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Um relato contido no livro “História da Gestapo” serve para exemplificar muito bem como esse artefato simbolizava a autonomia sem limites destes soldados especiais. “Em setembro de 1939, um membro das Waffen SS que vigiava um grupo de cinquenta trabalhadores judeus considerou divertido, depois de concluída a tarefa do dia, abater os infelizes, um após outro com seu punhal”, diz trecho do livro de DeLarue. Na época foi aberto um inquérito, mas o soldado ficou impune. “Observava o relatório, a sua qualidade de SS [do soldado] o tornava ‘particularmente sensível a vista de judeus’ e agira apenas ‘de espírito de aventura próprio da juventude’”, relata DeLarue. “Seria muito provável que um indivíduo de escol tão dotado fosse beneficiado por uma promoção rápida”, ironiza o escritor francês de origem judia. Além disso, na ocasião o tribunal também ratificou que os “SS podiam utilizar suas armas, mesmo que o adversário fosse dominável por outros meios”.
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Outro “sistema” criado por Himmler serviu para mostrar quão insanas eram suas ideias, que compunham a Ordem Negra. Chamava-se Lebensborn (“Fonte da Vida”) e consistia em um sistema para conceber crianças originadas de mulheres e homens selecionados criteriosamente pelos seus caracteres nórdicos, sem qualquer união legal entre o casal. DeLarue classifica o sistema como uma espécie de “coudelaria humana”, onde os casais se uniam e copulavam. As crianças quando nascidas eram criadas longe dos pais – na verdade, não se fazia questão nenhuma de manter essa ligação – em centros especiais, onde recebiam alimentação e se desenvolviam “naturalmente”, aprendendo, logicamente, desde cedo os valores nazistas. Essa era a representação máxima de um eugenismo orientado e, teoricamente, essas crianças formariam, na visão de Himmler, a primeira geração de nazistas puros moldados desde o embrião. “A derrocada do regime nazista impediu que a experiência fosse mais longe. Não obstante, 50 mil crianças tinham já nascido por esse sistema. O seu nível intelectual é hoje nitidamente mais baixo que a média e apresentam um taxa de débeis ment
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http://nopassado.wordpress.com/ideologia/ss/
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4.Os braços de Hitler

Foi com palavras desse tipo que Adolf Hitler convenceu o povo alemão de que a guerra era o caminho para a evolução da raça ariana: “Para se desenvolver, os alemães precisam de um grande território. As outras raças da Europa devem ser eliminadas para que os arianos possam se desenvolver sem risco de miscigenação”, disse o líder nazista em um discurso em 1939, às vésperas de invadir a Polônia.
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Não obstante, o regime nazista necessitava de grupos táticos, estratégicos, que colocassem em prática os planos de ataque, bem como organizar e impossibilitar insurgências no regime que enfraquecessem o governo.
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Nesse aspecto, a Gestapo (sigla de Geheime Stadts Polizei, polícia secreta do estado alemão) foi primorosa. “Evitar toda a discussão do dogma nazista, eliminar todos os oponentes por qualquer meio, mesmo aqueles que ousavam duvidar da excelência do regime, tal era a missão da Gestapo”, diz DeLarue. Portanto, enquanto temos SS cuidando da parte ideológica, a Gestapo aparece como a força encarregada de praticamente obrigar que todos seguissem o nazismo.
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Em seu livro “História da Gestapo”, DeLarue explica minuciosamente como a Gestapo controlava qualquer fagulha que havia de subversão – além, é claro, de denunciar todos os malefícios causados pelos policiais da Gestapo, acusado de tortura, assassinatos, atentados e os mais variados crimes.
Mas para dar um breve exemplo de como a Gestapo podia ser eficaz e onipresente, é bom relembrar um breve trecho do livro. Utilizando um sistema de espionagem inimaginável, amparada por tecnologia e parâmetros científicos. “A partir de 1933, a Alemanha ficou dividida em trinta e duas Gaue (regiões administrativas). Cada Gau dividia-se, por sua vez, em Kreise (círculos). Cada Kreis em Ortsgruppens (grupos locais); cada um destes em Zellen (células), cada Zelle em Blocks. Cada uma destas divisões tinha um líder a dirigindo”, explica DeLarue, mostrando como era possível rastrear todas as ligações dos moradores de Berlim. Ou seja, a privacidade era nula na capital alemã.
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Durante o decorrer do regime, muitos outros regimentos surgiram devido as necessidades. Para garantir que a vida do führer fosse zelada, foi criada a Reichessicherheitstahauptant (sigla RSHA: departamento central de segurança do Reich). Antes mesmo de 1939 havia a SA (sigla de Sturmabteilung) uma tropa de assalto muito maior que as SS Porém, esse grupo, apesar de ter centenas de membros a mais que as SS, não tinham a motivação política da “rival”. Quando Himmler assume o poder ele absorve a SA ao seu grupo – após eliminar Röhm, o chefe da SA por causa de seus expurgos contra outros líderes nazistas, Himmler criou a SD: Sicherheitsdienst des Reichsführers. Tratava-se do “Serviço de Segurança do Chefe das SS no Reich”.
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Se na sociedade nazista a Gestapo era responsável por manter a ordem, a Wermatch e Luftwaffe (Exército e Força Aérea alemã) eram os braços de Hitler no campo de guerra. O poderio bélico alemão era um dos maioores do planeta, sem dúvida. Tanques, rifles, bombas, mísseis e todo e qualquer tipo de armamento possuíam os regimentos nazistas. Esses armamentos, somados à táticas minuciosamente ensaiadas, formaram um tipo de ataque letal, capaz de render os adversários em poucos dias.
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Mas alguns grupos nos campos de guerra, que surgiram principalmente durante a derrocada do regime nazista, chamam mais a atenção por seu caráter único. Os Totenkopf (“cabeças de morte”), por exemplo, equivalente aos “Boinas Verdes” americanos, caracterizavam-se por sua violência extrema no campo de batalha. De acordo com Andrew Tully, “tratavam-se de um grupo de regimento que atuava nos campos”. Para ter noção da brutalidade empregada por estes soldados, há um relato que conta que, certa vez, membros desse grupo fizeram prisioneiros soldados soviéticos em uma incursão pela Floresta Negra. Os soldados foram enforcados um a um com cordas de piano. Segundo Tully, o mais forte desses soldados, com corpulência avantajada, demorou mais de 1 hora para morrer.
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Na derrocada final do nazismo, quando os soviéticos bateram ás portas de Berlim, outro grupo se destacou. Era a chamada “Volksturm” (“assalto do povo”). Com o exército alemão às mínguas, o povo teve que ir à luta. Basicamente a Volksturm era formada por homens entre 16 e 60 anos, escalados para defender Berlim da iminente invasão soviética. Mal treinados e com equipamento escasso, o “assalto do povo” foi presa fácil dos experientes soldados do Exército Vermelho. Acredita-se que quase 15 mil “soldados” desse “regimento” morreram na batalha de Berlim. A bem da verdade, alguns garotos foram inclusive condecorados pelo próprio führer em função de sua bravura.
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Já os SS Charlemagne Panzergrenadier eram a prova viva de que havia vida nazista fora das fronteiras alemãs. A divisão SS Cherlemagne (alusão ao lendário rei Carlos Magno), era formada por voluntários franceses fascistas que se alistaram no exército alemão para combater os comunistas do leste. Grupos semelhantes se estabeleceram na Espanha e na Escandinávia também.
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Acredita-se também que havia os Werwölfes (“lobisomens”). Estes, ao contrário dos citados anteriormente, não gozavam nem um pouco do prestigio de Hitler. Supostamente o Werwölves era um grupo paramilitar encarregado de promover ataques terroristas extra-oficiais após a capitulação alemã. O führer via isso como uma ofensa, já que a ideia de capitulação não passava nem perto de ser algo palpável para ele. Inclusive, Hitler não comutava de nenhuma ideia derrotista – o führer preferia a auto-destruição em detrimento da redenção. O caso deste grupo que supostamente estava preparando uma organização clandestina nazista é contado no livro “A Batalha de Berlim”. Porém, para o jornalista Andrew Tully, essa história dos “lobisomens” era fruto da imaginação de homens de Paris, Londres e Washington. Ou seja, de cronistas e jornalistas em busca de uma boa fábula.
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http://nopassado.wordpress.com/bracos/
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A Batalha de Berlim - Andrew Tully

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 A BATALHA DE BERLIM - capa Lima de Freitas

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4.1.Blitzkrieg, o relâmpago nazi

A blitzkrieg (“ataque relâmpago”) era uma tática letal utilizada pelo exército nazista na Segunda Guerra Mundial. Logo no primeiro embate dos alemães, em solo polonês em 1939, o mundo pôde ver uma inovadora tática de campanha nos fronts. Tratava-se de um ataque combinado entre blindados e ataques aéreos, sendo que a velocidade das operações e expansão sobre o território inimigo era sua marca registrada.
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Porém, ao contrário do que se imagina, o “apelido” da nova tática não dizia respeito à agilidade dos ataques. De acordo com Andrew Tully, jornalista e escritor do livro “A Batalha de Berlim”, a tática nazista ganhou o nome “relâmpago” em função do desenho que ela subvertia no terreno inimigo.
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O objetivo da blitzkrieg era penetrar no território por uma determinada linha vital. Daí então, soldados percorriam linhas periféricas, formando ramificações e procurando brechas, como se sucede um relâmpago. Tamanha meticulosidade servia para fazer uma exploração rápida e concisa, destruindo os pontos de comunicação e suprimentos dos adversários.
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A título de curiosidade, esta tática, que existia desde o inicio de 1900, foi concebida por um capitão do exército britânico, mas à época, os exércitos franceses e britânicos repudiaram esta técnica, alegando que era “fantástica” demais e pouco eficiente.
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FONTE: “A Batalha de Berlim”
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título
  A Batalha de Berlim - Ilustrado
autor
  Andrew Tully
editora / data
  Livros do Brasil-lisboa - 1963
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Tradução - Sousa Victorino
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comentários    1ª edição da tradução. Ilustrado com algumas fotos em preto-e-branco. O autor narra os momentos decisivos da grande batalha pela tomada de Berlim. 286 pp.
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4.2.“Queimem tudo!”

Diante da iminência da derrota nazista na Segunda Guerra, frente à invasão dos soviéticos, Adolf Hitler impôs uma ordem incomum aos habitantes de Berlim. “Terra Queimada”: era esse o codinome da ordem de Hitler imposta aos berlinenses. A ordem consistia no seguinte: todos os cidadãos da capital deveriam danificar e neutralizar todas as fontes de abastecimento de alimentos, água e eletricidade para que os russos não tivessem recursos para sobreviver no território alemão. No entanto, muitos comandantes não quiseram estabelecer essas condições ao povo da capital e o plano foi um fracasso
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FONTE: “A Batalha de Berlim”
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http://nopassado.wordpress.com/bracos/queimem/
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Andrew Tully, 78, Author, Columnist And War Reporter

In Broadcatch on Sunday, September 23, 2007 at 3:28 am


September 29, 1993
By RANDY KENNEDY
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Andrew F. Tully Jr., an author who was one of the first American reporters to enter conquered Berlin in April 1945, died on Monday in a nursing home in Silver Spring, Md. He was 78 and lived in Washington.
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The cause was complications from Alzheimer’s disease, said his wife, Molly.
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Mr. Tully’s writing career spanned six decades. His work included several novels and popular nonfiction books on the workings of Washington, where he was a syndicated political columnist for more than 20 years. In 1962, Mr. Tully had both a novel, “Capitol Hill,” and a nonfiction book, “C.I.A.: The Inside Story,” on The New York Times’s best-seller lists.
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He started working for newspapers while still in high school, as a sports reporter for his hometown daily newspaper in Southbridge, Mass. At 21, he bought the town’s weekly newspaper, The Southbridge Press, for about $5,000 with loans from friends, making him the youngest newspaper publisher in America.
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He sold the paper two years later and became a reporter at The Worcester Gazette in Worcester, Mass., leaving there to become a correspondent in Europe for The Boston Traveler during World War II.
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He began writing his own column in 1961, which came to be called “Capital Fare,” and was syndicated in more than 150 newspapers at its peak.
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He was the author of 16 books in all, including “Where Did Your Money Go?” with Milton Britten, an examination of foreign aid, and “Supreme Court,” a novel.
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He is survived by his wife, the former Molly Wood; three sons, Andrew F. 3d, of North Potomac, Md., Mark, of North Anson, Me., and John, of Santa Cruz, Calif.; two daughters, Martha Brown of Washington and Sheila Hamilton of Brunswick, Md., and seven grandchildren.
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http://broadcatching.wordpress.com/2007/09/23/andrew-tully-78-author-columnist-and-war-reporter/
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2.2.1.A morte do “divino”

Quando os soviéticos chegaram à capital alemã, caracterizando a derrota do regime nazista, os principais líderes do nazismo estavam amotinados no bunker de Adolf Hitler. Temendo ser capturado com vida, ou simplesmente não aceitando o fim de seu regime “divino”. Hitler avisou aos amigos mais próximos de que iria se suicidar.
Adolf Hitler
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O führer, que casara com Eva Braun poucos dias antes, decidiu tirar a vida junto com sua esposa no dia 30 de abril de 1945. Seguindo a orientação de um médico da SS, Eva Braun ingeriu uma cápsula de cianeto – um veneno poderoso com potência para matar um homem comum em cerca de 3 segundos. Já Hitler não queria correr o risco de não ser vitimado fatalmente pelo veneno. Além do cianeto, o chefe nazista também disparou um tiro contra seu crânio antes do veneno fazer o efeito completamente.
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Aí então, segundo relatos de historiadores, o corpo de Hitler foi envolto num cobertor por Heinz Linge, seu criado, e juntamente com o de Eva Braun foi ensopado de gasolina e queimado no jardim da chancelaria. “Foi um fim adequadamente wagneriano para um homem que se cria o salvador da raça alemã. O destino de Adolf Hitler consumara-se em chamas, entregue as forças que ele desencadeara sobre o mundo e sobre si mesmo”, relatou o jornalista Andrew Tully.
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Já o historiador Alan Campbell descreve a morte do führer sob uma ótica ainda mais mística. “No dramático cenário da montanha do Broken, observa-se o fenômeno metereológico do anti-hélio: sombras se projetam do sol contra as brumas que cercam o cume da montanha. É o espectro do Broken. Segundo a lenda alemã, é neste local dantesco que os espíritos infernais se reúnem com as feiticeiras para dançarem o medonho Sabá, na última noite de abril, a noite de Alpurgis. Nessa noite, em 1945, nos fundos de sua devastada chancelaria, ateadas pelas mãos de suas dedicadas SS, as chamas consumiam o cadáver de Adolf Hitler”.
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FONTE: “A Batalha de Berlim” e “Hitler”
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http://nopassado.wordpress.com/ideologia/thule/divino/
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