Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sábado, 15 de junho de 2024
Carlos Coutinho - NOTÍCIAS da peste
sábado, 17 de fevereiro de 2024
José Pacheco Pereira - A São na campanha do PS
* José Pacheco Pereira
17 de Fevereiro de 2024
Pedro Nuno Santos não é único, a São está por todo o lado nos textos
eleitorais, mas ele pôs-se mais a jeito.
Por que raio quer ele mais a São? Não sei, mas
duvido que haja muitas razões benévolas para isso, e as perversas ficam para as
redes sociais. Repito o plebeísmo, que é sempre apropriado para estas coisas
enquanto não for proibido. Por que raio Pedro Nuno Santos resolveu, logo no seu
primeiro cartaz de propaganda eleitoral, usar uma das palavras que ficaram mais
estragadas com o novo acordo ortográfico? Indiferença é de
certeza, ignorância também, mas fico-me pela primeira, que é, junto com a
inércia, a grande força motora do novo acordo ortográfico, em bom rigor, a
única. Pedro Nuno Santos não é único, a São está por todo o lado nos textos
eleitorais, mas ele pôs-se mais a jeito.
Por que raio Pedro Nuno Santos resolveu, logo
no seu primeiro cartaz de propaganda eleitoral, usar uma das palavras que
ficaram mais estragadas com o novo acordo ortográfico? Indiferença é de
certeza, ignorância também, mas fico-me pela primeira
O Acordo Ortográfico de 1990, pomposamente assinado pela maioria dos países de
língua portuguesa, foi um dos maiores desastres diplomáticos dos últimos anos,
com países como Angola e Moçambique a continuarem na mesma e todos os outros
com diferentes graus de implementação. E, mesmo no Brasil, cada um escreve como
quer, o que é aliás um dos factores do dinamismo do português do Brasil, fruto
da pujança da sociedade brasileira, para o bem e para o mal.
Os resultados do Acordo foram separar
ainda mais, uns dos outros, os países cuja língua oficial é o português e,
dentro de cada um, haver na prática duas ortografias, como se vê neste jornal.
Mesmo quando todos os passos legais para a sua implementação foram dados, quem
escreve português bem, recusa o Acordo. E mais: considera uma questão de
princípio escrever com a ortografia antiga, o que torna muito mais radical a
divisão. Basta comparar os jornais dos vários países da CPLP para perceber
isso, já para não falar de Portugal. Só que em Portugal deu-se um passo, cuja
legalidade é contestada, de obrigar instituições, escolas e outras dependências
do Estado a usar esse abastardamento da língua portuguesa que é o Acordo de
1990. E isso trouxe, como aliás a decisão de fazer o Acordo, muitos interesses
económicos em jogo, que só se têm reforçado e hoje são um lóbi poderoso.
Apesar de uma enorme contestação, por
que razão não se volta a escrever o português que tem a riqueza da memória da
língua? A razão principal é que os nossos governantes, do PSD ao PS, estão-se
literalmente nas tintas para o que é importante na nossa identidade cultural,
mesmo quando se mostram muito indignados com a bandeirinha vermelha e verde,
cuja história também desconhecem, ou se esquecem de colocar no orçamento as
verbas para comemorar o Camões.
(No Arquivo Ephemera não nos ensaiamos nada
para colocar o episódio do Velho do Restelo em painéis pelas cidades com estes
versos em negrito
"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!”
para envergonhar a São…)
A memória de uma língua, que muitas
vezes se traduz na ortografia – e não me venham com o “pharmacia”, que é outra
coisa –, faz parte da sua riqueza, nunca impediu ninguém que fale português no
Brasil, em Angola, em Moçambique, em Cabo Verde ou na Guiné, de ler Camões,
Vieira, Camilo, Eça de Queirós ou Pessoa. Aliás, são mais lidos no Brasil do
que cá. O que atenta contra essa capacidade de ler é outra coisa, é o ataque à
leitura em papel, é a progressiva desaparição dos livros nas escolas, como se
os ecrãs os substituíssem, é a desaparição da herança cultural das histórias da
mitologia clássica ou da Bíblia, que são indispensáveis para ler, por exemplo, Os
Maias, que é suposto ser lido nas escolas e que eu duvido muito se possa
ler sem essas histórias, e, por fim, a progressiva limitação do vocabulário
circulante, que empobrece a capacidade de expressão, logo, o poder de quem fala
ou escreve.
Quando o Ministério Público está a espatifar o
sistema político e a democracia, entre a intencionalidade e a
irresponsabilidade, quando a campanha eleitoral foge de tudo o que é importante
cá dentro e lá fora, quando Trump apela à invasão russa da Europa, quando a
traição à Ucrânia e aos palestinianos mostra a nossa cobardia e vergonha,
quando Putin assassina na cadeia o seu principal opositor, porque é que a São é
relevante? Porque a diferença entre a São e a Acção tem que ver connosco, com a
nossa identidade, com a nossa língua, com a nossa cultura, com a nossa
capacidade de falar bem, logo, de pensar bem, logo, de sermos mais fortes. E
vamos muito precisar de ser mais fortes nos tempos que aí vêm.
O autor é colunista do PÚBLICO
https://www.publico.pt/2024/02/17/opiniao/opiniao/sao-campanha-ps-2080597
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
José Pacheco - A liberdade de Corto Maltese e a inspiração de Spike Lee
Exclusivo
1994 Cong
S.A. Suisse
Em Paris e
Oslo, olha-se para a liberdade desenhada por Corto Maltese. Em Nova Iorque,
Spike Lee abre o baú das suas inspirações
08 FEVEREIRO
2024 22:57
PARIS — OSLO
— AVELLINO — VENEZA
Um dia, uma
amiga da mãe pegou na mão esquerda do rapaz. Olhou e ficou horrorizada. Não
havia ali a linha do destino. O rapaz não pensou muito e foi buscar uma lâmina
de barbear do pai. Inventou na palma daquela mão uma linha profunda e longa.
Pela vida fora, nunca chegaria a acumular tesouros bem fechados. Mas sempre foi
livre.
O rapaz
chamava-se Corto Maltese e tinha nascido na ilha de Malta, no verão de 1887,
filho de uma cigana de Sevilha e de um marinheiro inglês de Tintagel, na
Cornualha. Aliás, o viajante Corto Maltese nasceu para o mundo 80 anos depois,
no livro “A Balada do Mar Salgado”, de 1967. Corto é a grande personagem criada
pelo autor de banda desenhada Hugo Pratt (1927-1995). E viajou por vários
continentes, partindo de La Valletta no veleiro “Vanità Dorata” (ou seja,
Vaidade Dourada). Nos livros de Pratt, Corto viveu apaixonado pela liberdade,
sempre pronto para partir. Era também capaz de declarar amor, perguntando:
“Queres partir comigo?”
Um próximo
destino cortomaltesiano pode ser Paris, onde o Pompidou terá de 29 de maio a 4
de novembro três exposições de banda desenhada em simultâneo. A iniciativa
chama-se “La BD à tous les étages” (A BD em todos os andares), com destaque
para “Corto Maltese, une vie romanesque” (uma vida de romance). Já na capital
da Noruega, Corto Maltese está presente até 22 de março no Istituto Italiano di
Cultura di Oslo, na exposição “Hugo Pratt. Opphavet, verket, livshistorien” (a
herança, a obra, a biografia).
Da biografia de
Pratt faz parte a amizade com o cartoonista Milo Manara, conhecido sobretudo
pelo erotismo e pela beleza de livros de banda desenhada como “O Clic”. E, em
entrevista ao Expresso em 2022, Milo Manara contou que Pratt era Corto Maltese,
mudando o contexto histórico. “Corto Maltese vivia numa época em que não era
preciso pedir autorização para chegar de barco e ancorar num sítio qualquer.
Agora é completamente diferente.” No atual contexto histórico, a cidade de
Avellino está na linha do destino de quem quiser ver a exposição “Milo Manara —
Così fan tutte. Le Metamorfosi d’amore”, que está até 9 de março no Museo
Irpino e parte da ópera “Così fan tutte”, de Wolfgang Amadeus Mozart. De
Avellino, será boa ideia prolongar a linha da sorte até a uma ponta aquática do
mapa de Itália, para caminhar sem destino por Veneza, um dos territórios
importantes para Corto Maltese. Haja liberdade.
NOVA IORQUE
A inspiração de Spike Lee
Sim, poderíamos
ocupar-nos apenas de massa fresca. Mas é essencial lembrar outros aspetos da
História, no contexto atual de propagação da extrema-direita, na Europa e no
mundo. Este póster foi feito em Itália em 1944, durante a II Guerra Mundial.
Contém racismo e pertence à coleção do casal Spike Lee e Tonya Lewis Lee. O
autor do cartaz desenhou-o nos últimos tempos do regime fascista do ditador
Benito Mussolini (1883-1945). E sim, a ideia era que vinham aí os soldados
americanos, preparados para pilhar e violar as riquezas e os corpos de Itália.
Para estimular o medo e a coesão entre a população, era preciso mostrar que,
com uma possível invasão norte-americana, chegaria o caos personificado por
soldados afro-americanos. Agora, este bocado de guerra psicológica faz parte da
exposição “Spike Lee: Creative Sources” (Fontes Criativas), que está até
segunda-feira no Brooklyn Museum, em Nova Iorque. Para ir às fontes de
inspiração do realizador afro-americano Spike Lee, há aqui mais de 400 objetos
fornecidos pelo autor. Haja inspiração.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
Filipe Chinita - estas as curtas viagens.tão diversas.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Bagão Felix - “Óscares” para os cartazes eleitorais
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“Óscares” para os cartazes eleitorais
quinta-feira, 3 de março de 2016
Vasco Cardoso - Uma longa estrada
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- Vasco Cardoso
sábado, 7 de novembro de 2015
Há 98 anos da Revolução Russa, cinco poemas que permanecem atuais
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Ruy Belo - Esplendor na Relva
Ruy Belo: uma poesia que aprendeu a ver com o cinema
segunda-feira, 28 de julho de 2014
françoise sagan - bom dia tristeza
La villa est magnifique, l été brûlant, la Méditerranée toute proche. Cécile a dix-sept ans. Elle ne connaît de l amour que des baisers, rendez-vous, lassitudes. Pas pour longtemps. Son père, veuf, est un adepte joyeux des liaisons passagères et sans importance. Ils s amusent, ils n ont besoin de personne, ils sont heureux. La visite d une femme de coeur, intelligente et calme, vient troubler ce délicieux désordre. Comment écarter la menace? Dans la pinède embrasée, un jeu cruel se prépare. C était l été 1954. On entendait pour la première fois la voix sèche et rapide d un charmant petit monstre qui allait faire scandale. La deuxième moitié du XXe siècle commençait. Elle serait à l image de cette adolescente déchirée entre le remords et le culte du plaisir.










