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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Adalberto Monteiro: Primeiro de Maio



1 de maio de 2017 - 15h34 


Divulgação

 Recorte de mural de Diego Rivera exposto no Palácio Nacional do México

Fonte: Fundação Maurício Grabois
http://www.vermelho.org.br/noticia/296259-1

sábado, 7 de novembro de 2015

Maiakowski - Canto épico a Lenin e à revolução

6 de novembro de 2015 - 12h24 
Canto épico a Lenin e à revolução
Esta semana Prosa, Poesia e Arte resgata obras importantes de poetas e escritores russos devido às comemorações de 98 anos da Revolução de Outubro, que levou o Partido Bolchevique ao poder e deu início à União Soviética em 1917. O poema Vladimir Ilitch Lênin, publicado por Vladimir Maiakovski em 1924 só chegou ao Brasil na íntegra em 2012, por meio de uma publicação da editora Anita Garibaldi em parceria com a Fundação Maurício Grabois.

Reprodução
Maiakovski foi um dos mais destacados poetas russos, se engajou completamente na revolução e dedicou todo seu talento à construção da União Soviética Maiakovski foi um dos mais destacados poetas russos, se engajou completamente na revolução e dedicou todo seu talento à construção da União Soviética Zoia Prestes aceitou o desafio de traduzir a obra na íntegra, que até então tinha chegado ao país apenas em alguns pequenos fragmentos. Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois, foi o responsável pelo texto de abertura da edição brasileira do livro-poema, que Prosa, Poesia e Arte traz na íntegra aqui. Em uma edição anterior o caderno cultural do Vermelho publicou um trecho do poema, que pode ser lido neste link. 

Leia a introdução de Adalberto Monteiro* ao poema Vladimir Ilitch Lênin na íntegra: 

Este livro-poema foi escrito em 1924 por Vladimir Maiakovski (1893-1930) sob o impacto da morte de Lenin, falecido em 21 de janeiro daquele ano. Em vez de um réquiem, o poeta escreveu um canto forte e flamejante, uma ode à Revolução Socialista de Outubro, ao legado de Lenin e ao Partido Comunista russo. A escolha se deveu ao fato de que a biografia do homenageado não se coadunava com versos enlutados que pretendessem encaminhá-lo ao repouso eterno. O poema proclama que mesmo depois da morte, Lenin/ ainda/ está mais vivo do que os vivos.

Sendo a oficina poética de Maiakovski uma usina soviética de produzir felicidade, essa usina trabalhou por meses seguidos para laborar este livro, em três turnos, por ordens expressas do coração e pelo dever do mandato. É daquelas obras com as quais o autor sofre como uma videira que padece de frio e sede para gestar a uva da qual jorrará o excelente tinto. O talento de Maiakovski foi forçado ao limite. Corpo e alma sugados. Afinal, a Rússia soviética era para ele “a musa das musas”. E Lenin representava a personificação dessa vitória inaugural dos trabalhadores.

Um dado particular demonstra a autenticidade do impulso do poeta: Lenin, no geral, teve uma avaliação comedida sobre o trabalho literário de Maiakovski. Esse juízo, em parte, decorria do conteúdo iconoclasta do futurismo russo em relação aos clássicos e ao passado. Mais adiante, o poeta alterou essa concepção, inclusive enaltecendo Puchkin, ícone sagrado da literatura de sua terra.

Apesar da tensão, Maiakovski escalou bem a montanha. O peso da responsabilidade chegou a atemorizá-lo. Na autobiografia ele reconhece: “(...) Eu tinha muito medo desse poema, era tão fácil descer a paráfrase política. A receptividade do auditório operário me alegrou e me reforçou a certeza da necessidade do poema”.

Na verdade, Maiakovski talvez fosse o único escritor soviético de sua geração cuja trajetória e singularidades conferiam credenciais suficientes para escrever esta homenagem. Ele usou toda a densa poesia, a cultura política e filosófica, e a condição de quem participou diretamente das barricadas que levaram Outubro à vitória.

O militante

Maiakovski aderiu ao Partido socialdemocrata (bolchevique) em 1908, com 15 anos de idade. Aos dezesseis, pela segunda vez seria preso e roeria por 11 meses as grades das cadeias do tsar. Participou diretamente da insurreição. Depois da conquista do poder (1917), de pronto se engajou no Comitê dos artistas. Maiakovski, além de poeta, era pintor, ator de teatro e cinema, roteirista, publicitário e dramaturgo. Colocou toda essa capacidade e diversidade de talentos, literalmente como um operário, em prol da construção da nova sociedade.

Em 1918, “alista-se” na Rosta, uma agência pioneira de propaganda do Estado operário. Transcorriam os anos duríssimos da guerra civil, da fome e da intervenção estrangeira. Exércitos de grandes potências marcharam para esmagar a revolução “no berço”. Como pintor, cria mais de 400 cartazes. Neles e em outras peças escreve 1.600 legendas poéticas. Tratava-se de um tipo especial de propaganda cujo objetivo era alimentar o ânimo dos soldados do Exército Vermelho que padeciam agruras no front.

Passaram-se os anos e Maiakovski se desvincula formalmente do Partido (Porque adquiri muitos hábitos que não são conciliáveis com o trabalho organizado, justificaria.). Diria, no poema “A Plenos Pulmões”, de 1930, que no lugar da carteira do Partido apresentava todos os cem tomos dos meus livros militantes.

O poeta

Gorki o conhecera por volta de 1914, quando o poeta estava ali pela casa dos 19, 20 anos. O autor de A mãe soube ver, de pronto, que estava diante de um diamante graúdo e bruto. Maiakovski, quando escreveu Vladimir Ilitch Lenin, tinha 31 anos de idade e já havia se tornado um poeta maduro e consagrado. A vida e o trabalho intenso o haviam lapidado.

Se a Revolução dos oprimidos foi o sol de sua poesia, a lua dos seus poemas foi o amor pelas mulheres. Paixões explodiram em seu coração como estrondo de tiro de bazuca. Difícil saber que fogo arde mais em seus poemas: beijo ou lança cravada no peito. Neles, o épico e o lírico se entrelaçam e o sarcasmo é a adaga. Como escritor, Maiakovski se lançou nos debates acesos – e por vezes corrosivos – da busca da arte e da literatura soviética. Foi duramente combatido e boicotado pela mediocridade da qual, desgraçadamente, nenhum sistema político está imune.

O mais humano dos humanos

O poema Vladimir Ilitch Lenin enaltece com as notas elevadas de uma sinfonia o protagonista. Contudo, abre as baterias contra a canonização de Lenin. Temo/ que as marchas/ ao mausoléu/ com o estatuto de reverências / inundem/ com o doce fel/ a simplicidade/ de Lenin. (...) Estamos/ enterrando/ a pessoa mais terrestre/ de todas/ que passaram/pela Terra. E dá o testemunho: Ele/ nutria/ pelo companheiro/ um carinho humano. Ele/ se erguia/contra o inimigo/ mais firme que ferro./ Conhecia ele fraquezas que conhecemos,/ como nós/ superava doenças.

Uma conquista para a língua portuguesa

No Brasil, a publicação deste livro-poema é inédita. Alguns trechos dele foram traduzidos por E. Carrera Guerra e publicados no livro Maiakovski – antologia poética. Mas a presente tradução de Zoia Prestes, direta do russo, nos proporciona pela primeira vez o texto integral em língua portuguesa. Nosso idioma se enriquece com este trabalho e a sua comunidade de leitores tem agora a oportunidade de desfrutar, através de um poema emblemático, de uma das faces mais marcantes da obra de Maiakovski: a poesia como canto e arma de um povo, aquela que lhe deu título de Poeta da Revolução. Temos certeza de que esta leitura será um deleite aos amantes da poesia e alimento para os que partilham dos ideais desse grande escritor que no crivo de Haroldo de Campos é o maior poeta russo contemporâneo e um dos inventores da poesia moderna.


Capa do livro-poema de Maiakovski publicado no Brasil 

A tradução desse poema era um sonho de muitos. Não é mero acaso que até hoje não tivesse sido realizada. Os obstáculos são conhecidos. O próprio Maiakovski já alertara: Traduzir poemas é tarefa difícil, especialmente os meus.

Mas Zoia não se curvou ante as dificuldades, de resto, sabidamente pertencentes aos ossos de seu ofício. A tradução preservou rigorosamente o verso escalonado, marcado graficamente, forma que orienta a leitura em voz alta. Entre as pérolas do poema de Maiakovski, colhidas e vertidas por Zoia, destaco esta: 

Diante de milhões de olhos 
e dos meus dois,
apenas caramelos congelados de lágrimas,
grudados
às bochechas.

Mazé Leite, artista plástica e designer, concebeu e realizou o projeto gráfico, criou a capa e ilustrou o livro. E o resultado é esta bela edição condizente com os altos quilates do poema e com o valor que o poeta atribuía à forma tanto de seus versos quanto das publicações que os disseminavam.

Uma poesia que dialoga com o futuro

Em seus poemas, Maiakovski frequentemente se dirige ao futuro, conversa com as gerações de séculos vindouros. Por este e outros motivos, seus adversários diziam que ele padecia de gigantomania. Os desafetos da atualidade assacam-no: sua poesia teria sido enterrada no mesmo túmulo onde jaz a URSS. Mas, a autoprofecia vai se confirmando. Sua poesia, como uma seta, atravessa a carne macia do tempo. Primeiro porque sua poesia brilha com a luz de cem sóis. Segundo, porque seu lirismo só perderá atualidade se os humanos se tornarem assexuados e destituídos da capacidade de amar. Terceiro, o capitalismo, do qual Maiakovski foi crítico e inimigo, convenhamos, não goza de boa saúde nesta segunda década do 21. E os ideais da revolução da qual foi poeta – embora derrotada no final do século passado – agora se revigoraram, vicejam e espalham novamente o verde da esperança neste reino cinzento do capital, de guerras, fome e destruição do planeta e da vida que o habita.

A poesia de Maiakovski segue mantendo aceso o sonho de um mundo regido pela solidariedade e pela luta para realizá-lo. Conforme diz Lenin – que, para o desespero dos opressores, hoje continua lido e valorizado como pensador e revolucionário: É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho. De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles.

E o sonho na visão de Maiakovski é este:

No verão da comuna
os anos se aquecerão,
e a felicidade com o doce 
de frutas enormes
amadurecerá
nas flores
vermelhas de Outubro.



Leia também:



*Adalberto Monteiro é jornalista e poeta, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

http://www.vermelho.org.br/noticia/272432-11

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Vivas a Lênin e Stálin nos 90 anos da Revolução Russa

* José Carlos Ruy, com informações de Adalberto Monteiro,
de Moscou

Na capital da Rússia, com vivas ao socialismo e aos líderes bolcheviques, uma grande manifestação comemorou os 90 anos da revolução socialista de 1917. Na tarde de 7 de novembro uma grande passeata percorreu o trecho entre a avenida Pushkin e o monumento a Karl Marx, nas proximidades da Praça Vermelha, em Moscou: 50 mil pessoas comemoravam ali os 90 anos da Revolução Bolchevique.





A grande bandeira à frente da passeata em Moscou

O “Grande Outubro”, é como os russos chamam aquele grande acontecimento histórico. Pelo calendário gregoriano, que os russos ainda seguiam no momento da revolução, era 25 de outubro.

Convocada pelo Partido Comunista da Federação Russa, a passeata teve uma grande participação de jovens ligados ao Komsomol, a organização juvenil do PCFR e, ao longo do percurso, viam-se nas janelas dos prédios, muitas pessoas aplaudindo a manifestação, disse Adalberto Monteiro (Secretário de Formação do PCdoB) que, juntamente com José Reinaldo Carvalho, Secretário de Relações Internacionais, representaram o PCdoB nas solenidades do aniversário do Outubro Vermelho, e também no Encontro Internacional dos Partidos Comunistas que, este ano, ocorreu em Minsk, capital da República de Belarus (antiga Bielo Rússia) e, com o tema “90 anos da Revolução Socialista de Outubro. A atualidade de suas idéias. Os comunistas na luta contra o imperialismo e pelo socialismo”, homenageou justamente o grande feito dirigido por Lênin e pelos revolucionários russos.


Junto ao monumento a Marx, a passeata transformou-se num ato público grandioso, com o palanque freqüentado pelo presidente do PCFR, Gennady Zyuganov, por lideranças dos camponeses, operários e militares russos, e por delegados dos partidos comunistas da República Tcheca, da Grécia e da Itália, que ali representavam os 70 partidos e organizações que estiveram presentes no encontro de Minsk.


Era de lá que partiam palavras de ordem, que ecoavam nos “ urras” gritados pela multidão: “Viva a nação, Viva o povo, Viva o socialismo”! Urra, para os russos, significa viva!, e era também o grito dos soldados nos campos de batalha. Houve também palavras de ordem que podem causar estranheza para observadores ocidentais, mas que demonstram o apreço do povo russo pelo sistema iniciado em 1917. “Viva Lênin!, Viva Stálin”, diziam. E a massa respondia: urra!, numa homenagem entusiástica àqueles líderes revolucionários.


Em seu pronunciamento, Zyuganov reforçou o legado do Grande Outubro. Destacou a construção da nação e da economia, com a nacionalização de toda riqueza russa que estava em mãos estrangeiras; a criação da base industrial (mais de 9 mil indústrias foram criadas no período revolucionário, disse); e a formação de uma base material voltada para o bem estar do povo. Fez também uma crítica dura ao período pós URSS, sobretudo ao período do presidente Vladimir Putin, marcado pelo desemprego e pelo narcotráfico. O pronunciamento de Zyuganov tem, é certo, um tom eleitoral. Haverão eleições nacionais na Rússia em 3 de dezembro, e seu discurso apresentou lideranças comunistas que compõem a lista do PCFR, um quadro que, em sua opinião, tem condições para governar a Rússia e tirar o país da crise. Finalmente, expressou sua confiança no futuro, na volta dos ideais da Grande Revolução de Outubro que, disse, vai marcar o século 21.

O ato teve um encerramento simbólico, deste ponto de vista: uma jovem de 20 anos leu uma declaração do evento em homenagem ao saldo positivo da Revolução Russa para o país e para o mundo.

VERMELHO .:: A esquerda bem informada ::. 7 DE NOVEMBRO DE 2007 - 21h02