Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Miguel Urbano Rodrigues - Pepetela, um grande escritor imprevisivel
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Pepetela - Vida e Obra
Pepetela
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Índice. |
Vida
Experiência na guerra e primeiras obras
Obras publicadas nos anos 80 e a saída do governo
Novas direções literárias e o Prêmio Camões
Sátira e horizontes estrangeiros no milénio novo
Obras
Romances
- 1973 - As Aventuras de Ngunga
- 1978 - Muana Puó
- 1980 - Mayombe
- 1985 - O Cão e os Caluandas
- 1985 - Yaka
- 1989 - Lueji
- 1992 - Geração da Utopia
- 1995 - O Desejo de Kianda
- 1997 - Parábola do Cágado Velho
- 1997 - A Gloriosa Família
- 2000 - A Montanha da Água Lilás
- 2001 - Jaime Bunda, Agente Secreto
- 2003 - Jaime Bunda e a Morte do Americano
- 2005 - Predadores
- 2007 - O Terrorista de Berkeley, Califórnia
- 2008 - O Quase Fim do Mundo
- 2008 - Contos de Morte
- 2009 - O Planalto e a Estepe
Peças
- 1978 - A Corda
- 1980 - A Revolta da Casa dos Ídolos
Prêmios
Ver também
Ligações externas
- Vidas Lusófonas
- Um breve olhar sobre a representação da mulher em A geração da Utopia, de Shirley Carreira PhD
- Narrar a nação: um projeto muito além da utopia
| Precedido por Eduardo Lourenço | Prêmio Camões 1997 | Sucedido por Antonio Candido |
| ] Prémio Camões | |
|---|---|
| 1989: Miguel Torga • 1990: João Cabral de Melo Neto • 1991: José Craveirinha • 1992: Vergílio Ferreira • 1993: Rachel de Queiroz • 1994: Jorge Amado • 1995: José Saramago • 1996: Eduardo Lourenço • 1997: Pepetela • 1998: Antonio Candido • 1999: Sophia de Mello Breyner • 2000: Autran Dourado • 2001: Eugénio de Andrade • 2002: Maria Velho da Costa • 2003: Rubem Fonseca • 2004: Agustina Bessa-Luís • 2005: Lygia Fagundes Telles • 2006: José Luandino Vieira • 2007: António Lobo Antunes • 2008: João Ubaldo Ribeiro • 2009: Arménio Vieira | |
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- ↑ Laban, Michel. Angola: Encontro com escritores. Lisbon: Fund. Eng. António de Almeida, 1991. p. 778-782.
- ↑ Laban, Encontro p. 774.
- ↑ Laban, Encontro pp.789-790
- ↑ Laban, Encontros p.773.
- ↑ Laban, Encontros p. 789
- ↑ Leite, Ana Mafalda. "Angola" The Post-Colonial Literature of Lusophone Africa. Patrick Chabal ed. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1996. p. 117
- ↑ Leite. "Angola" p. 141
- ↑ Leite, "Angola" p. 118-119
- ↑ Leite. "Angola" p. 116.
- ↑ Martins, Renata. "Pepetela: O cão e os caluandas." August 2006. Nova Cultura. November 21, 2009. <http://www.novacultura.de/0608calus.html>
- ↑ Leite, "Angola" p. 112.
- ↑ Leite, "Angola" pp. 119-120.
- ↑ Cusack, Igor. "Pepetela." Historical Companion to Postcolonial Literatures: Continental Europe and Its Empires. Eds. Prem Poddar, Rajeev S. Patke and Lars Jensen. Edinburgh: Edinburgh UP, 2008. p. 486.
- ↑ Rothwell, Phillip. "Rereading Pepetela's O Desejo de Kianda After 11 September 2001: Signs and Distractions." Portuguese Studies. 20 (2004), pp. 195-207. p. 196
- ↑ Henighan, Stephen. "'Um James Bond Subdesenvolvido': The Ideological Work of the Angolan Detective in Pepetela's Jaime Bunda Novels." Portuguese Studies. 22:1 (2006), pp.135-152. p. 137
- ↑ Henighan. "Jaime Bunda" p. 141.
- ↑ Bartlett, Richard. "Arse of a Detective," 2009. African Review of Books. November 21, 2009. <http://www.africanreviewofbooks.com/Review.asp?book_id=141>
- ↑ Henighan. "Jaime Bunda" p. 144
- ↑ Cusack, "Pepetela." p. 486.
- ↑ Diário de Notícias. "O quase fim do mundo do Pepetela." 11 March 2008. Angola Digital: Arte e Cultura. 21 November 2009. <http://www.angoladigital.net/artecultura/index.php?option=com_content&task=view&id=878&Itemid=39>
Mayombe - Pepetela
Em Mayombe, um de seus inúmeros romances, Pepetela conta a história de um grupo guerrilheiro acampado no meio da mata. É gente sem recursos de toda a espécie. Faltam comida, armas, estratégia. A maior parte dos soldados é analfabeta. Muitos não se entendem, pois pertencem a comunidades diferentes que falam línguas diversas. Até hoje, em Angola, há 36 idiomas, além do português.
Há problemas de hierarquia. Algumas etnias se consideram superiores às outras, e não aceitam receber ordens de comandantes considerados inferiores do ponto de vista cultural ou genético.
A aventura dessa gente, o medo, as superstições, a corrupção, o ambiente político, geográfico e psicológico, compõem uma história de aventura emocionante. Pepetela sabe do que fala. Lutou na guerrilha, como suas personagens. Dá ao leitor o privilégio de conhecer um universo muito particular, pouco divulgado. O da África negra, pobre, abandonada. E de conhecer as raízes de problemas que persistem até os dias atuais.
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Mayombe (1970)
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Escrito em 1970/71, em Cabinda e publicado em 1980. Se outras obras têm o ir buscar à história a explicação para problemas diversos, Mayombe conta história. é um livro de construção da história.
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Pepetela é, com esta obra, um dos primeiros sinais de critica interna no MPLA, ao racismo, corrupção, machismo, isto levou a que vários problemas se levantasse à publicação do livro. O escritor teve que fazer muitas explicações e palestras sobre a obra. Ela foi o primeiro testemunho público e assumido por um militante, de que o MPLA não era perfeito embora tenhamos sempre que ter em conta que é uma crítica feita dentro do limite possível de quem vê as coisas do ponto de vista do participante. Será um livro de história na medida em que é a realidade vivida pelo autor tornada ficção. O único documento escrito que legitima a presença do MPLA em Cabinda é esta obra de Pepetela - diz a história oficial que o MPLA teria mandado os seus melhores guerrilheiros para Cabinda.
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A publicação da obra tem também a sua história. Pepetela havida dado a obra a Agostinho Neto para que este a lê-se, à semelhança do que havia feito com outros trabalhos seus. Durante muito tempo o próprio autor hesitou em publicar a obra, as razões eram políticas, "será que é útil, a revolução era ainda muito recente... Poderia o livro servir os inimigos?" - Pepetela. Quando se decidiu enfim a publicação da obra, a nível interno do MPLA foi importante o facto de testemunhas terem ouvido Neto dizer que concordava politicamente com o conteúdo de Mayombe.
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Quanto ao conteúdo de Mayombe em Mayombe temos o traço filosófico do homem como indivíduo e o seu comportamento como guerrilheiro. É a história do guerrilheiro, da guerrilheira, mas sempre dos indivíduos nas suas ideias.
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Pepetela joga, nesta obra com outro tipo de legados, os culturais. Veja-se a dedicatória do livro: a ogum o prometeu africano - Ogum é Yoruba e foi para o Brasil na rota dos escravos, em Angola não é conhecido. É com estes diversos legados culturais que o autor joga.
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Mayombe é uma grande epopeia, a épica dos guerrilheiros. Relembra alguns escritores franceses que escreveram sobre a guerrilha da Indochina, especialmente " A condição Humana" de André Malraux.
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Mayombe é a primeira obra angolana que dessacraliza os heróis.
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"É uma obra também contra o dogmatismo, o Sem-Medo era um Anarquista, não podia ser mas de facto era. A obra tem já uma série de advertências sobre o partido único mas a grande contribuição do Sem-Medo foi a da religião na política." - Pepetela
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
O Planalto e a Estepe - Pepetela
Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce um amor proibido.
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Baseada em factos verídicos, ficcionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga um ponto perdido de África a outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno.
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Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras.
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
“O Planalto e a Estepe” – Pepetela
04/05/2009 - Rui Azeredo
“O Planalto e a Estepe”, do angolano Pepetela, lançado em Abril de 2009 pela Dom Quixote é, sem surpresa, um livro belíssimo, que se lê quase de um fôlego e que faz jus à capa, daquelas que dá logo vontade de pegar no objecto-livro e folheá-lo.
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A verdade é que a capa merece o miolo e vice-versa. Quem se deixa deslumbrar pela capa não fica desiludido com o que encontra lá dentro, embrulhado em frases coloridas, vivas, quentes, saborosas, mesmo quando relatam situações de tristeza, de drama, de sofrimento. E isso não falta em “O Planalto e a Estepe”, uma história que começa em Huíla, nos Sul de Angola, nos anos 60, e atravessa os tempos até à actualidade, depois de passar pela União Soviética, Mongólia, Argélia e Cuba.
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A descrição dos tempos de meninice de Júlio (o protagonista), logo no início do livro, é das partes mais belas do livro, quando ainda tudo era puro e só havia as brincadeiras, as descobertas, a harmonia, envolvidas naquele acolhedor ambiente africano/angolano, junto da Tundavala.
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É uma história de amor, inevitavelmente, baseada em factos verídicos, entre um homem (Júlio) e uma mulher (Sarangerel), entre esse homem e uma filha que lhe é levada antes de nascer. É uma história de um amor impossível porque vivido numa época e num contexto em que as ideologias estavam acima dos indivíduos e das suas necessidades mais íntimas. É a história de um angolano, branco, filho de português, que se apaixona por uma rapariga mongol quando ambos estudam em Moscovo, na União Soviética. Era um amor proibido, nomeadamente porque ela era filha de um alto dirigente da Mongólia e tinha reservado (ou idealizado) um futuro com alguém importante do seu país. Mas o amor por João, e uma gravidez inesperada, espoletam uma série de acontecimentos que levam ao afastamento de Sarangerel, resgatada de novo para o seu país. Na União Soviética, Júlio não encontra apoio para a sua causa, recuperar a mulher e a criança que com ela partiu para a Mongólia. Outros interesses se levantavam, nada poderia importunar as relações entre soviéticos e os seus parceiros mongóis. Pôde contar com a solidariedade dos seus colegas de estudo, mas ninguém teve força para derrubar os interesses e preconceitos dos soviéticos e dos seus aliados estratégicos. Tudo em nome do colectivo, que assim abafou as individualidades. Já antes disto, Júlio, em conversas com os seus amigos estudantes oriundos de outros países amigos do regime soviético, chegara à conclusão que o idealismo que surgia ligado ao comunismo não passava disso mesmo, de idealismo. Na prática, a tão desejada igualdade não passava de uma ficção, ensombrada, nomeadamente, pelos espiões internos que havia ente os próprios estudantes, sempre atentos a ver se os outros seguiam os preceitos desejados.
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É portanto uma obra sobre a desilusão face a um regime que se autoproclamava quase de perfeito mas que final vivia submerso nos mesmos vícios dos que criticava. Os mesmos vícios, modos diferentes de os viver.
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Esses podres tornaram-se mais evidentes com o desmoronar da União Soviética, mas aí era tarde para Júlio reencontrar o(s) seu(s) amor(es) perdido(s).
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Seguimos então o percurso de Júlio até se tornar um militar de carreira do MPLA, o que nos serve para em paralelo seguir o percurso da própria Angola, um percurso muitas vezes questionado pelo protagonista.
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A descrição dos tempos de meninice de Júlio, logo no início do livro, é das partes mais belas do livro, quando ainda tudo era puro e só havia as brincadeiras, as descobertas, a harmonia, envolvidas naquele acolhedor ambiente africano/angolano, junto da Tundavala.
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