segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Devo-te - Victor Matos e Sá

Data: 31/Ago 16:24

MEU BARCO SAIU DO PORTO, CARREGANDO APENAS MEUS SONHOS.....EU FIQUEI AQUI SENTADA Á ESPERA, OS PÉS BALANÇANDO NAS ÁGUAS PARADAS, SORRINDO AO SOL, DANDO O ROSTO Á BRISA E SORRINDO POIS SEI QUE QUANDO ELE RETORNAR IRÁ TRAZER NOVOS SONHOS E DEITOU OS OUTROS Á SAGRADA ÁGUA DO MAR QUE TUDO LAVA E TRANSFORMA EM REALIDADE...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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DEVO-TE
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Devo-te tanto como um pássaro
deve o seu voo à lavada
planície do céu.
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Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silêncio
de uma pálpebra mais nada.
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Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violência dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silêncio
das coisas - estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o pólen
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da própria pressa e entrando
todas em fila no tempo:
com uma pergunta frágil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta - ó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas mãos!
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VÍTOR MATOS E SÁ

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domingo, 30 de agosto de 2009

Um poema de Eugénio de Andrade

"Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."

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Eugénio de Andrade

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Enviado por Gioconda do Porto (hi5)

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Uma mão cheia de nada , outra de coisa nenhuma - Irene Lisboa

Uma Mão Cheia de Nada Outra de Coisa Nenhuma

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Uma mão cheia de nada , outra de coisa nenhuma *
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E se a vida não for isto?
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E se o que estou a viver agora for apenas um sonho, um pesadelo, uma mescla disto e de tudo o mais?
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E se eu for uma pedra, uma árvore ou uma mulher sentada na ombreira duma porta qualquer, os olhos perdidos no fio do horizonte, os lábios gretados e o rosto tão marcado como um tecido velho e rasgado?
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A mulher olha sem ver. E tanto pode ter na sua frente um deserto árido e áspero, como uma outra porta mesmo encostada ao rosto, sem lhe deixar sequer estender as pernas.
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Não tem idade e sonha dia e noite com a minha vida e por isso mesmo vive aparvalhada, sem perceber o que se passa, ao que veio e o que vai ser dela.
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Se isto não for realmente a vida, então assim eu compreendo esta sensação permanente, este mal-estar que dói dentro de mim, este atordoado na minha cabeça, com tantas vozes a falarem ao mesmo tempo, tanta gente que eu não conheço, tantos sítios que vejo e que não posso saber porque nunca lá estive.
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Eu estou aqui e agora mas não estou nunca aqui e agora.
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Metade de mim ficou presa no passado e a outra metade anda perdida no futuro. No futuro da mulher sem idade agachada na soleira da porta a olhar o nada.
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Mas nunca estou a viver o hoje.
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E é terrível! É tão triste não saber saborear aquilo que vem com os dias, o sol, as trovadas secas e a música da chuva.
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É tão triste este viver sem viver e estar sempre com um pé no que foi e outro no que podia vir a ser.
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Às vezes, já nem é uma tristeza, é antes um vazio que gela os ossos, gela tudo o que me rodeia onde quer que esteja porque é como se eu trouxesse comigo o vazio do Universo, o buraco negro do Cosmos.
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A mulher que se calhar sou eu, sentada na soleira da porta, com a saia a comer o pó da terra, não tem olhos, afinal.
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Tem dois buracos negros e em vez de lábios tem uma prega caída, uma em baixo, uma em cima.
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Foram os bichos que lhe devoraram as carnes, de tanto estar queda e imóvel, tomaram-na por morta, por uma pedra ou uma árvore.
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*Titulo de livro de contos de Irene Lisboa, 1955
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sábado, 29 de agosto de 2009

De expugnatione Lyxbonensi (Da captura de Lisboa) -


De expugnatione Lyxbonensi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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De expugnatione Lyxbonensi (em português Da captura de Lisboa) é o nome pelo qual é conhecida uma carta em latim escrita por um cruzado que participou do cerco e conquista de Lisboa em 1147, durante a Segunda Cruzada. A tomada de Lisboa aos mouros foi realizada por uma força conjunta de cruzados oriundos do norte da Europa e portugueses sob comando do rei Afonso Henriques. A carta descreve com riqueza de detalhes as negociações políticas entre o rei e os cruzados estrangeiros, assim como as ações militares que levaram à conquista de Lisboa, sendo a principal fonte histórica da conquista da cidade.

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Índice

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Autoria

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A carta começa com uma fórmula abreviada de saudação: Osb. de Baldr. R. salutem. As ambiguidades do latim medieval fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e quem o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuída a Osb. de Baldr. e é dirigida a R.; porém também é possível que tenha sido escrita por R. e dirigida a Osb.. Este Osb. é Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk). R. é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul.

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Seja quem for o autor, o importante é que era um cruzado de formação religiosa (um clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia, e que foi testemunha ocular dos acontecimentos da tomada de Lisboa aos mouros em 1147. A qualidade do latim empregado por ele e as características do texto indicam que era um homem culto.

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Texto

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Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preparatórias até o período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em junho de 1147. Os cruzados são recebidos pelo bispo do Porto, Pedro Pitões, enviado do rei Afonso Henriques, que tenta convencê-los em ajudar os portugueses na conquista de Lisboa.

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O próprio rei português se encontra com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los de participar na conquista da cidade. Também o condestável inglês, Hervey de Glanville, faz um discurso e termina de convencer as tropas. O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exatidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos (a Reconquista era considerada parte das Cruzadas) quanto à promessa de botim da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras na região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos. O arcebispo de Braga, João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes se recusam. Este último discurso é muito interessante por explicitar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da península Ibérica no século VIII.

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O longo cerco começa em julho de 1147. O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De maneira geral, o autor anglo-normando descreve de maneira favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também é tensa por vezes.

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De expugnatione Lyxbonensi também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, interceptadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Afonso Henriques.

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Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte -, que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo, por parte do rei, e Hervey de Glanville, um dos condestáveis dos anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.

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Finalmente, no dia 25 de outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados. Apesar de que Afonso Henriques ordenou que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram a muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa muçulmana, enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitando os acordos. Já espoliada de seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.

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Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.

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Manuscrito

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O manuscrito latino da carta conserva-se atualmente no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Várias traduções tanto ao português como ao inglês foram publicadas.

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Ver também

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Referências e ligações externas

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Autobiografia - Victor Matos e Sá

Assunto: DOU-VOS A BELEZA...
Data: 27/Ago 15:21

SER POETA! SER O BISTURI DA REALIDADE....CORTANDO SEMPRE MAIS FUNDO O QUE OS OUTROS APENAS PODEM VER A SUPERFÍCIE....E QUANTA BELEZA EU ACHO, QUANTA TRAGO EM MIMHAS MÃOS E A DISTRIBUO AOS AMIGOS E AO MUNDO...A PARTIR DO MOMENTO QUE A TOCO PASSA A SER EU....POR ISSO QUANDO DOU, ESTOU-ME A DAR A MIM PRÓPRIA A QUEM ME LÊ...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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AUTOBIOGRAFIA
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Estive convosco em muitas palavras.
Algumas levaram-me ainda mais perto.
Com outras fiquei apenas mais só.
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De muitas não vi que rosto as guardava.
Por outras me dei a quem não pedia.
Onde foram mentira alguém me faltava.
Mas todas cumpri por quem me cumpria.
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E passaram ardendo em novos combates,
cobriram silêncios, provaram mistérios,
fizeram amigos que nunca terei.
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Por serem verdade me trazem aqui.
E quando as sonhais na vossa esperança,
Um irmão me procura por entre as cidades
com todos os rostos que perdi.
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VÍTOR MATOS E SÁ

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Poesia - Victor Matos e Sá

Assunto: VISITA...
Data: 28/Ago 13:56

VENHO VISITAR-TE, POESIA, QUANDO A VIDA ME É PESADA, QUANDO ESQUEÇO QUE O SOL ESTÁ ATRÁS DAS NEGRAS NUVENS, QUANDO A MINHA ALMA PESA COM A DÔR, QUANDO MEU CORAÇÃO SE APERTA E SUAS GARRAS ME DESLIZAM SOBRE O ROSTO EM FORMA DE LÁGRIMAS...É AÍ, POESIA, QUE TU ALIVIAS AS MINHAS PENAS, E AO CHEGAR AOS MEUS LÁBIOS, ME FAZES SORRIR OUTRA VEZ...EM ANEXO, UM BEIJO

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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POESIA
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é a visita do tempo nos teus olhos,
é o beijo do mundo nas palavras
por onde passa o rio do teu nome;
é a secreta distância em que tocas
o princípio leve dos meus versos;
é o amor debruçado no silêncio
que te cerca e que te esconde:
como num bosque, lento, ouvimos
o coração de uma fonte não sei onde...
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VÍTOR MATOS E SÁ

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Modus vivendi - Poesia

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27 de agosto de 2009

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A manhã

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(gentileza de Amélia Pais)

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A manhã nasce entre as muitas janelas
invadindo meu corpo fatigado,
sede dos meus caminhos sem cancelas,
na luz de muitos astros albergados.

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Casa onde me recolho das mazelas,
dos louros, derroteiros, lado a lado,
para ouvir de mim, franco, das seqüelas:
Ecce Homo! Eis o triste camuflado.

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Essa tristeza de há muito em residência
às vezes se constrói em face alegre,
máscara sem eu mesmo em aparência

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num carnaval escuro no seu frege.
O que me salva, cor nessa vivência,
é saber que a poesia é quem me rege.

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Aníbal Beça

26 de agosto de 2009

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Dança II

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as máscaras de espuma, fende-as a luz; e restitui
os rostos sem defesa
à erosão do mar;
alguns estudos sobre o vento
dizem que não regressará
tão cedo a esta praia;
incapaz de transpor a exalação
de fossas e algas; a muralha
que se prolonga, opaca,
às últimas camadas
onde é possível respirar;
e assim, faltando o vento, essência da leveza, cessa
a progressão aérea
que a dança subentende:

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Carlos de Oliveira

conspiracy of love

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Blessed is the season which engages the whole world in a conspiracy of love.
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Hamilton Wright Mabi

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quino e a Mafalda

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Veja abaixo a Carta Testamento do Presidente Getúlio Vargas:


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"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
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Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
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Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
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Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
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Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.
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E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."
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(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

1 comentários
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Poesia de Manuel de Andrade



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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Modus vivendi - Poesia

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25 de agosto de 2009

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Dança

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Dançam na praia;
na orla onde se vai acumulando
uma primeira espuma;
de que surge a segunda;
que segrega, por sua vez,
o antídoto do mar;
usado sobre os rostos,
contra a acidez do sal, do lodo;
e esse trabalho atrasa mais
o movimento já difícil
de quem dança
desde o crepúsculo; talvez
possam chegar à madrugada;
mas não podem
refugiar-se noutra noite,
ao fim do túnel diurno:

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Carlos de Oliveira

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Learn to labour and to wait.

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Let us, then be up and doing,
With a heart for any fate;
Still achieving, still pursuing,
Learn to labour and to wait.

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Henry Wadsworth Longfellow

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Algarve

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Estas dunas intactas sem cacos
sem restos de gestos e palavras amanhecendo
virgens da sua noite dormida com o vento

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Teresa Rita Lopes

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Diálogo - Albano Martins

Assunto: SEGREDOS...
Data: 24/Ago 14:10
VISITA O RIO NA NASCENTE....PEGA NAQUELAS POUCAS GOTAS DE ÁGUA E SUSSURRA-LHES BAIXINHO TEUS SONHOS E DESEJOS. PELO CAMINHO ELAS VÃO-NOS COLHENDO UM A UM E QUANDO, ENORME, CHEGA AO MAR JÁ OS JUNTOU NUMA ONDA....AÍ SÓ TENS DE ESPERAR QUE ELA CHEGUE - SABERÁS RECONHECÊ-LA PORQUE CONTÉM AS GOTAS DE ÁGUA QUE TIVESTE NAS MÃO - E ESCUTA COM TERNURA E AGRADECIMENTO TUDO O QUE ELA TE DIZ... DEPOIS, VAI FELIZ VIVER A VIDA QUE SEMPRE SONHASTE.
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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DIÁLOGO
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Levarás
pela mão
o menino
até ao rio. Dir-lhe-ás
que a água é cega
e surda. Muda,
não. Que o digam
os peixes, que em silêncio
com ela sustentam
seu diálogo
líquido, de líquidas
sílabas
de submersas
vogais.
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ALBANO MARTINS
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Modus Vivendi - Arte e Poesia

24 de agosto de 2009

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Franz Xavier Winterhalter

Victoria_and_her_cousin%2C_1852Franz%20Xaver%20Winterhalter.jpg

pormenores em tom oitocentista

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Arte Poética

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Dar
ao poema
a forma
o feitio

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o único
certo
feitio

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com que do fundo
do mar
foi expulsado

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seixo tronco
osso
lenho
arrebatado
noutra idade

.

agora
mansa
violentamente
restituído
à praia

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ao litoral
de mim

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Teresa Rita Lopes

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23 de agosto de 2009

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Learn to labour and to wait

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Let us, then be up and doing,
With a heart for any fate;
Still achieving, still pursuing,
Learn to labour and to wait.

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Henry Wadsworth Longfellow

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domingo, 23 de agosto de 2009

Modus Vivendi - Arte e Poesia

23 de agosto de 2009

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Books

Books to the ceiling,
Books to the sky,
My pile of books is a mile high.
How I love them! How I need them!
I'll have a long beard by the time I read them.

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Arnold Lobel

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Os Dias Espaçosos

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Se és meu amigo
oferece-me um barco
e deixa-me no meio do mar
sozinha

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Se gostas de mim
inventa para hoje
uma ilha

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e deixa-me nua
na areia

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Apenas o corpo das dunas
apenas a ansiedade dos juncos
apenas a pressentida viagem dos peixes

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Apenas a alta sombra fresca
dos pássaros
passando

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Teresa Rita Lopes

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22 de agosto de 2009

Franz Xavier Winterhalter

Winterhalter_-_Queen_Victoria_1843.jpg

uma imagem da Rainha Victoria em 1843

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O cúmplice - Jorge Luís Borges

Assunto: O CÚMPLICE
Data: 23/Ago 14:02

....UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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O CÚMPLICE

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.

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JORGE LUIS BORGES

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A kiss is more than a touch of lips - Fernando Pessoa

Olá Víctor,
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Boa Tarde e beijinhos de amizade!
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"A kiss is more than a touch of lips -
it is a touch of two hearts,
of two souls,
of two glowing portions of the life spirit."

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"Un beso es más que un roce de labios -
Es el roce de dos corazones,
De dos almas,
De dos luminosas porciones del espíritu de la vida."

Fernando Pessoa

http://www.fpessoa.com.ar/

"Subway Kiss"


Marty Hatcher

Marty Hatcher is from Dallas, Texas where, she found acceptance and encouragement for her love of art.

http://martyhatcher.com/

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Enviado por Gioconda do Porto

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Precisão - Clarice Lispector

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Assunto: SABOR A INFINITO...
Data: 22/Ago 13:05
QUANDO OLHO PARA O CÉU TENHO A IMPRESSÃO QUE A MINHA ALMA SE VAI ESPALHANDO PELO INFINITO....SINTO-ME ÁGUIA VOANDO SOBRE O MUNDO E OBSERVANDO O QUE SE PASSA AQUI EM BAIXO....QUANDO OLHO O INFINITO SINTO O SABOR DA LIBERDADE E O SEM TAMANHO QUE PODE TER A FELICIDADE...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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PRECISÃO
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O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
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CLARICE LISPECTOR
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sábado, 22 de agosto de 2009

Todas as Vidas - Alexandre O'Neill

Modus vivendi

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(gentileza de Amélia Pais)

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Ao lado do homem vou crescendo

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Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

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Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

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Ao lado do homem vou crescendo

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E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida.

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Alexandre O'Neill

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Há palavras que nos beijam - Alexandre O'Neill

Assunto: VIAGEM...
Data: 20/Ago 17:05
MINHA MÃO ESVOAÇA PELO AR ATÉ CHEGAR AO TEU ROSTO.....E AÍ DESCANSA, ACOMPANHANDO AS RUGAS DO TEU SORRISO E O BRILHO DOS TEUS OLHOS....DEPOIS FAZ O CAMINHO DE VOLTA E DESCANSA NOS MEUS LÁBIOS...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM
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Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
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Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
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De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
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(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
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Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
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ALEXANDRE O'NEILL
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Poesia e Retrato no Modus Vivendi

Modus vivendi

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20 de agosto de 2009

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Haicai

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Pétalas de seda
Flutuam, fazem festa
Borboletas

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Setsuko Geni Oyakawa

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Franz Xavier Winterhalter

Victoria_Princess_Royal_%2C_1857Franz%20Xaver%20Winterhalter.jpg

Victoria, uma princesa real no limiar do poder

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Na Borborema


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O Sol desponta ruivo cor de gema,
Iluminando o pico magestoso,
Do gigantesco dorso sinuoso
Da tão acidentada Borborema.

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No sopé da montanha geme a ema,
E embaixo o terreno podregoso,
Ouve-se o canto ingênuo e harmonioso
Da inocente pernalta, a seriema.

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Chove,troveja, e o vento forte agita,
A flora se sacode, a fauna grita,
Um raio irado desce e a penha abre.

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Agora é tarde, o Sol rubro descamba,
E rodopiando como roda bamba
Apaga a luz detrás da Serra-Jabre.

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Severino Cordeiro de Souza

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

El Crimen fue en Granada - António Machado

Assunto: EL CRIMEN FUE EN GRANADA
Data: 19/Ago 22:04

Em memória de Federico García Lorca, assassinado pelos franquistas a 19 de Agosto de 1936:

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Distribuído por Maria (hi5)

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EL CRIMEN FUE EN GRANADA
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I
EL CRIMEN
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Se le vio, caminando entre fusiles,
por una calle larga,
salir al campo frío,
aún con estrellas, de la madrugada.
Mataron a Federico
cuando la luz asomaba.
El pelotón de verdugos
no osó mirarle la cara.
Todos cerraron los ojos;
rezaron: ¡ni Dios te salva!
Muerto cayó Federico.
_sangre en la frente y plomo en las entrañas_
...Que fue en Granada el crimen
sabed _¡pobre Granada!_, en su Granada...
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II
EL POETA Y LA MUERTE
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Se le vio caminar solo con Ella,
sin miedo a su guadaña.
_Ya el sol en torre y torre; los martillos
en yunque _ yunque y yunque de las fraguas.
Hablaba Federico,
requebrando a la muerte. Ella escuchaba.
"Porque ayer en mi verso, compañera,
sonaba el golpe de tus secas palmas,
y diste el hielo a mi cantar, y el filo
a mi tragedia de tu hoz de plata,
te cantaré la carne que no tienes,
los ojos que te faltan,
tus cabellos que el viento sacudía,
los rojos labios donde te besaban...
Hoy como ayer, gitana, muerte mía,
qué bien contigo a solas,
por estos aires de Granada, ¡mi Granada!"
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III
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Se le vio caminar..
Labrad, amigos,
de piedra y sueño, en el Alhambra,
un túmulo al poeta,
sobre una fuente donde llore el agua,
y eternamente diga:
el crimen fue en Granada, ¡en su Granada!
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Antonio Machado



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Frederico Garcia Lorca
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(/sem título) - Maria do Rosário Pedreira

Assunto: ANDO ´RODA DO SOL...
Data: 19/Ago 11:04

SOU SIMPLESMENTE HABITANTE DESTE PLANETA. RECONHEÇO-ME NA TERRA MOLHADA E FÔFA, DENTRO DE ONDE GERMINA O QUE MAIS TARDE BRILHARÁ AOS NOSSOS OLHOS - AS FLORES...O TRIGO....AS ÁRVORES FRONDOSAS QUE ME DARÃO A APETECIDA SOMBRA.TENHO A ALMA NO MAR... SINTO O CORRER DOS GOLFIHOS E OS GRITOS DAS GAIVOTAS. SENTO-ME NAS ONDAS E BALOIÇO, COMO QUANDO ERA CRIANÇA...E DOCEMENTE A ONDINHA DEPOSITA-ME NA ARIA...O MEU CORAÇÃO VIVE NO AR...CORRE ATRÁS DO VÔO DOS PÁSSAROS, SEGUE AS NUVENS ERANTES E , NOS DIAS DE MAIOR ALEGRIA TRANSFORMA-SE EM ÁGUIA E VAI ATÉ O PONTO MAIS ALTO DA MONTANHA, PARA DAÍ ABARCAR TODO O SEU TERRITÓRIO...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distrbuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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SEM TÍTULO

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Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.

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MARIA DO ROSÁRIO PEDROSA

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Poesia no Modus Vivendi

Modus vivendi
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19 de agosto de 2009

Primavera precoce

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e eis a inspiração do poema...

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18 de agosto de 2009

Sobre a pintura de um ramo florido

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(gentileza de Amélia Pais)

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Quem disse que a pintura deve parecer-se com a realidade?
Quem o disse vê com olhos de não entendimento
Quem disse que o poema deve ter um tema?
Quem o disse perde a poesia do poema
Pintura e poesia têm o mesmo fim:
Frescura límpida, arte para além da arte
Os pardais de Bian Lun piam no papel
As flores de Zhao Chang palpitam
Porém o que são ao lado destes rolos
Pensamentos-linhas, manchas-espíritos?
Quem teria pensado que um pontinho vermelho
Provocaria o desabrochar da primavera?

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Su Dongpo, trad. Adelino Ínsua

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Whoever

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Whoever disenchants
A single Human soul
By failure of irreverence
Is guilty of the whole.

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As guileless as a Bird
As graphic as a star
Till the suggestion sinister
Things are not what they are—

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Emily Dickinson

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17 de agosto de 2009

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Revelação e máscara

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O sorriso esconde a maneira simplificada
de ver a vida escoar. Os dedos apertados
esbranquiçam as juntas. O sorriso é máscara
aderente ao inferno – o pior – por onde passo.

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Finjo. Surpreendo a areia desfeita em passos.
Escondo na revelação a face entrevista.

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Pedro Du Bois

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The Way of Lao-tzu

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I have three treasures. Guard and keep them:
The first is deep love,
The second is frugality,
And the third is not to dare to be ahead of the world.
Because of deep love, one is courageous.
Because of frugality, one is generous.
Because of not daring to be ahead of the world, one becomes the leader of the world.

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Lao-tzu

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Ensaio - Mahatma Gandhi

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Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.

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Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.

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Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.

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Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.

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Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.

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Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.

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Enche-te de esperança
e vive à sua luz.

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Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.

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Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

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Mahatma Gandhi


O nascer dos Ares e dos Pássaros - Pedro Du Bois

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Momento em que o medo
cede seu espaço
some do espírito
e se desintegra
em palavras

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o consolo procurado
na busca terminada
em ideias profusas
ordenadas no escuro
onde se aninham
confiantes

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o restante do tempo
aproveitado em ruas
conquistadas: entrar e sair
com o gosto de avistar
a pedra e dela retirar o pássaro
negro personagem do não chegar.

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Pedro Du Bois

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Ela perguntou-te - Vladimir Holan

Ela Perguntou-te

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Posted: 11 Aug 2009 02:07 AM PDT

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Uma rapariga perguntou-te: O que é a poesia?
Tu querias responder-lhe: Tu também és, ah sim, tu também
- e tu a medo e surpreendido -,
o que prova o milagre,
tenho ciúmes da tua beleza madura,
e porque não posso nem beijar-te nem dormir contigo,
e porque não tenho nada e quem não tem nada para dar
deve cantar...

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Mas tu não respondeste, permaneceste em silêncio
e ela não ouviu a canção.

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Vladimir Holan, trad. Miguel Gonçalves

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in Blog Modus Vivendi
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