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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

(106) - Mao Zedong e Ho Chi Minh

 


* Victor Nogueira / Gemini

Este mural retrata a união solidária e a cooperação de trabalho entre as Forças Armadas/Militares e o Povo (Trabalhadores e Camponeses). Escrito em laociano está a frase «ຄວາມສຳພັນລະຫວ່າງທະຫານ ແລະ ປະຊາຊົນປຽບເໝືອນປາກັບນ້ຳ», cuja tradução é «A relação entre o exército e o povo é como a do peixe com a água.»

A inscrição do mural laociano — «A relação entre o exército e o povo é como a do peixe com a água» — recupera uma das metáforas centrais das doutrinas de mobilização popular do Sudeste Asiático e da Ásia Oriental. Formada conceptualmente por Mao Zedong (1937) e adaptada e popularizada no Sudeste Asiático por Hồ Chí Minh (1951), a fórmula expressa a dependência umbilical entre as forças armadas e a população civil, tendo sido absorvida como lema oficial pelo Pathet Lao no Laos.


Esta célebre máxima de guerra popular (originalmente de Mao Tse-Tung, foi adaptada pelas forças revolucionárias do Pathet Lao/Lao PDR): as forças armadas ("peixe") não podem sobreviver nem operar sem o apoio direto do povo ("água").

A metáfora original de Mao Zedong provém do seu clássico ensaio político-militar de 1937, Sobre a Guerra de Guerrilhas (Lun Youji Zhan / On Guerrilla Warfare).

No Capítulo 6 dessa obra («A Relação entre a Guerrilha e o Povo»), Mao desenvolve o conceito da guerra popular e cunha a célebre analogia:

«Existem aqueles que não compreendem por que razão o exército e o povo devem ser um só. Podemos usar a metáfora do peixe e da água para ilustrar essa relação. As forças armadas são o peixe e a população é a água. Como poderia um peixe viver ou mover-se fora da água?

Quando as tropas de guerrilha tentam isolar-se do povo ou desrespeitar os seus interesses, tornam-se como um peixe fora de água — a sua sobrevivência torna-se impossível e a derrota é inevitável. Apenas através de uma disciplina rigorosa, do respeito pelas populações locais e de uma causa comum se garante a simpatia e o apoio ativo das massas, indispensáveis à vitória.»

Hồ Chí Minh utilizou repetidamente esta mesma analogia e princípios semelhantes nos seus escritos políticos e militares dedicados à guerra de guerrilha e à mobilização do povo vietnamita (nos movimentos contra os franceses e, mais tarde, contra os americanos).

Embora a formulação sistemática mais famosa da metáfora «o exército é o peixe e o povo é a água» seja frequentemente atribuída a Mao Zedong (pela proximidade ideológica e estratégica da altura), os líderes vietnamitas — incluindo Hồ Chí Minh e o General Võ Nguyên Giáp — adotaram-na e integraram-na plenamente no vocabulário político do Vietname.

Hồ Chí Minh utilizou repetidamente esta mesma analogia e princípios semelhantes nos seus escritos políticos e militares dedicados à guerra de guerrilha e à mobilização do povo vietnamita (nos movimentos contra os franceses e, mais tarde, contra os americanos).

Em vários discursos, directrizes e escritos reunidos nas suas obras completas (focadas na Guerra do Povo e na Unidade Nacional), Hồ Chí Minh sublinhava constantemente que as forças armadas revolucionárias nascem do povo, lutam pelo povo e só sobrevivem com o apoio incondicional das massas populares, usando exatamente esta imagem orgânica da ligação vital entre combatentes e população. 

Huấn thị (Directiva / Discurso) pronunciado na Conferência de Balanço da Campanha da Rota nº 18, publicado a 4 de Maio de 1951 (Obras Completas de Hồ Chí Minh):

«O povo é como a água e o exército é como o peixe. É preciso agir de forma a que o povo ajude as forças armadas com todas as suas forças; só assim seremos capazes de derrotar o inimigo.

O nosso exército vem do povo e luta pelo povo. O exército e o povo são como o peixe e a água: unidos por um só coração, aprendendo e ajudando-se mutuamente. O povo é a base e o sustento dos soldados. Se o exército se afastar do povo, perde a sua força e a sua razão de ser.»

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

(105) Hoàng Hà - O País Repleto de Alegria (Đất nước trọn niềm vui)


O maior muro de flores do Vietnã: quando os muros contam histórias  

Este mural vietnamita celebra a libertação do Vietbame. Na parte inferior da composição, destaca-se em letras douradas em relevo a frase: «Đất nước trọn niềm vui» (que significa em português "O país em plena alegria" ou "País de alegria total"), inspirada no célebre título da canção patriótica homônima do compositor Hoàng Hà que celebra a reunificação do Vietname

A canção "Đất nước trọn niềm vui" (O país em plena alegria), composta por Hoàng Hà, é uma das obras musicais mais emblemáticas e comemorativas da história do Vietname. Escrita e estreada na rádio nacional logo após o anúncio da queda de Saigão a 30 de abril de 1975, a música captura a imensa euforia, o alívio e a alegria transbordante da reunificação do país após décadas de guerra.


ĐẤT NƯỚC TRỌN NIỀM VUI - NSND Trung Kiên

Temas centrais da letra:

  • A celebração da vitória e da paz: O texto descreve as ruas repletas de bandeiras com estrelas douradas, as multidões em marcha e a emoção do reencontro e da libertação de Saigão.

  • A memória e o legado: Evoca a figura inspiradora do Presidente Hồ Chí Minh e a resiliência indómita do povo vietnamita face à destruição causada pelos conflitos.

  • O orgulho nacional: Exalta a soberania recuperada e a beleza de uma pátria unificada. (Gemini)

domingo, 15 de agosto de 2010

O vietnamita e o português

 a page from alexandre de rhodes' 1651 dictionary


Pedro de Oliveira *

Vermelho - 11 de Agosto de 2010 - 0h04

No tempo da colonização francesa, uma lenda afirmava que havia sido um missionário francês -- Alexandre de Rhodes -- quem introduzira o alfabeto latino no Vietnã, o suposto responsável por transformar totalmente a língua vietnamita com os caracteres de tipo chinês para o alfabeto latino. Mas segundo os dados do filólogo francês Jacques Roland, quem foi o protagonista nesta questão foi o missionário português Francisco de Pina.

O especialista em filologia Jacques Roland dedicou décadas de estudo para desvendar este problema, e no fim do ano de 1995 publicou seus estudos em um livro sobre a obra dos pioneiros portugueses na filologia vietnamita até o ano 1650. Em 2002, este livro de Roland foi reeditado e atualizado em francês e inglês. Depois de muitos anos de busca de documentos deixados na Biblioteca do Palácio da Ajuda, de Lisboa, ele descobriu uma carta de sete páginas do Francisco de Pina datada em 1623 para o português jesuíta em Macau, Jeromino Rodriguez, relatando a situação da romanização da língua vietnamita naquela altura.

Francisco de Pina chegou ao sul do Vietnã no início do ano de 1617, primeiro chegando a Da Nang ( atualmente uma cidade muito desenvolvida na região central do Vietnã) e depois viajou para Hoi An (uma cidade cosmopolita perto de Da Nang). Alexandre de Rhodes foi aluno de vietnamita de Francisco de Pina, no início do ano 1625. Entretanto, no dia 15 de dezembro de 1625, Pina morreu num acidente de barco no Mar de Hoi An, onde foi receber encomendas vindas de Macau. Na carta citada acima, Pina escreveu : “Da minha parte, já redigi um pequeno livro sobre o vocabulário e os acentos da língua vietnamita, e comecei a escrever uma obra sobre a gramática. Ao mesmo tempo, estava a pesquisar histórias, lendas populares. Encontrei alguém para me ajudar a transcrevê-los em Português”.

Portanto, o que foi escrito por Pina antes da chegada de Rhodes ao Vietnã revela que Francisco de Pina já havia promovido a romanização da língua vietnamita 1 ano antes. Já no ano 1622 ele havia editado muitos livros em língua vietnamita antes que outros o fizessem. Sobre esta questão Jacques Roland diz: " a compreensão básica do português pode ajudar a simplificar as regras da fonologia que são muito complicadas no vietnamita”.

Por isso , o nascimento da Quoc Ngu (a lingua nacional do Vietnã) cristalizou o encontro histórico entre a lingua Vietnamita de então e o Português. Hoje em dia , todos os estudiosos no Vietnã compreendem que sem a ajuda de intelectuais vietnamitas, dos portugueses missionários como Francisco de Pina e de Alexandre de Rhodes não seria possivel transformar a lingua vietnamita dos caracteres chineses para o alfabeto latino.


* Jornalista e membro do Conselho Editorial da revista Princípios e do Portal Vermelho
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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