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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Manuel Alegre, política e Lisboa - mcor Celeste Ramos

heróis da guerra do Ultramar
Manuel Alegre - um DESERTOR +mcor
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Sr maj-general da FAP
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Não sei o que é FAP (forças armadas portuguesas ?)
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 Escrevi-vos o que pensava (muito pouco) de M.Alegre dizendo que meu irmão – menino – de 18 anos embarcou no 1º barco saído de Alcântara em 1961, tendo eu dito que meu irmão não FUGIU para Paris – foi para o Dondo + Carmona + Nambuangongo + sei lá onde, não quero lembrar-me de mais do que não consigo esquecer – ele fez a guerra, mas também eu fiz OUTRA e tratei dele como sabia – pois NINGUÉM havia para o fazer
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Nem mesmo depois (menos ainda) da construção do mamarracho aos “heróis da guerra do Ultramar” a cujos encontros só começou a ir muito tarde pois nem queria AVIVAR memórias que só ele tinha e guardou em silêncio
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Assim, como entre os que escrevem para os Heróis do Mar há 2 Celeste (eu-celeste ramos – Lisboa – e outra senhora celeste amado que, creio, ser de São Paulo) – mas não tem importância, nem é grave – só esclareço - e escrevo sempre mcor A pouco e pouco cada um vai dando mais “pormenores de quem é quem e onde habita” e o que pensa sobre “como vai este país” – quer habitem o Brasil e/ou Portugal, e até Alemanha, creio
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Assim, tenha eu dito o que disse, não recordo ter chamado DESERTOR, embora não me incomode o termo, mas não quero ser muito “juiz” dos outros com “nome” – mas o artigo de hoje conta timtim por timtim o que foi alegre desde “menino”, sem falar em quantas reformas completas acumula, como se tivesse 5 vidas, (não falo claro do que usufrui do que escreve e publica que não vem aqui para o caso)
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E não guardo os mails que envio – guardo apenas os que recebo
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E embora eu seja altamente crítica desde há muitos anos penso que estará a pensar na Srª D.Celeste Amado (S.Paulo) e não eu
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Assim só quero dizer que fiquei de “boca aberta” com o artigo de hoje (28 janeiro) sobre quem muito de perto conviveu com o poeta – como eu não conheço senão pelo que publicamente MOSTRA e por ser amigo de uma amiga e colega que o acolheu (escondeu) nas sua fuga (era e é amiga dele e minha) e um dia quiz-me dizer “coisas” (quando estive em casa dela de férias – no norte) mas calou-se e eu não quis saber
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Para algumas pessoas basta-me conhecê-las pela OBRA que deixam – não se esconde o que é tão visivel
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Os Heróis do mar como disse no meu 1º mail INVADIRAM-ME o meu mail e como achei graça à designação de Heróis do MAR - respondi praticamente sempre excepto quando não sei sequer o que dizer pois que – da guerra – vivi apenas a RECTAGUARDA – por ter um irmão lá (Angola) e pelas consequências de que nunca se livrou já que, qual stress de guerra qual carapuça, ele até era silencioso, mas ao regressar vi muita coisa que, igualmente continuou a transtornar-me já que era irmão ÚNICO que já cá não está para nos “olharmos e falarmos em silêncio” tal era o nosso entendimento interior
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MAS posso chamar o que me apetecer ao senhor alegre – até parece o programa – como está senhor alegra – como está ser feliz – não si quê não sei quê – o meu país – com o que se tornou um parvalhão brejeiro

Estou cansada e já tenho por hoje q.b. porque o FRIO não me faz nada bem, embora tenha nascido em terra fria de Santarém (e meu irmão fez a tropa na Escola Prática de Cavalaria e um CURSO diabólico de comandos em Lamego
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Mas eu odeio Santarém e marialvas e outras coisas elo que não sairia de Lisboa por nada do mundo, tal me habituei a este clima excepcional de Lisboa que está mudando, e muito, há 2 ou 4 anos e Lisboa é a “cidade do meu encantamento” para onde vim estudar e nunca mais deixei – embora esteja irreconhecível em coisas boas mas muito pior em coisas inacreditáveis, fruto da ignorância e arrogância de quem a tem GOVERNADO e permitido destruir porque isto de ser presidente da municipalidade tem muito que se lhe diga e mesmo tendo arqtº como vereadores + economistas + outras coisas – desfizeram a Cidade porque não sabem ORDENAMENTO urbano e gerem a cidade como um condomínio camarário +++ etc
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Assim, como o sr. coronel, eu também estou na linha da FRENTE para “abalar” e nos dias “não” ,fico mais triste por ver que vou MORRER com a CIDADE que, ela também, nasceu para morrer
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E poderia ser uma das mais belas do mundo, porque é a 1ª cidade moderna do MUNDO que o sr.Marquês sabia entender a quem solicitar como a RESTAURAR e fazer OUTRA, após 1755
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MAS nunca vi um só presidente da CML) nem importa de que partido e vereação – sobretudo do urbanismo – disseram coisas tão parvas como os mais ILETRADOS não dizem, e muito menos fazem
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Por acaso, e como me especializei em “ordenamento urbano” em 1981 de entre 63 equipes concorrentes, fui parte de uma equipe (só eu + 1 arqtº) em que do júri fez parte o arqtº Távora de que ninguém duvida a sua excelência e competência mas também já cá não está
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Hoje todos sabem tudo e improvisam e decidem sem saber (nem estudar mais nem terem equipe interdisciplinar mais competente + etc – ídolos cada um no seu nicho e tão seguros de si mesmos sem se darem conta que outros ficam sem grande qualidade de vida porque têm toas as ideias feitas)
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Assim não é só ver “alegre” como PR pois que todos os PR passam e a CIDADE fica – DESMANTELADA e, que eu saiba, (ou deveria ser), nenhum projecto é executado sem a aprovação da CML e conhecimento de ??? de quem ??’ do presidente ???
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Quando o coronel não conhece os soldados se calhar também é menos coronel do que os que os conhecem, e com eles falam
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Pois é, estamos ambos na “linha da frente” e não teremos tempo de ver o país RESTAURADO em todos os sentidos pois os Free-port são CRIMES ecológicos, os condomínos fechados como o do mau bairro (talvez dos 1ºs da cidade do tempo em que era Presidente da VML João Soares (que subiu de ESCADA e anda lá para as EU – como se os piores fossem xutados pela escada acima, ou para o esconderijo que é a CGDepósitos e a EU ou são MEDALHADOS com as maiores distinções, só porque é “tradição” condecorar os primeiros ministros, mesmo que tenham sido NÓDOAS, como foi quando presidente da CM de Figª da FOZ + de Lisboa + sei lá o quê)
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Cada macaco no seu galho e a pior arrogância é atingir um certo POSTO e não saber olhar para BAIXO e ver quem sabe OUTRAS coisas importantes e que são os OBREIROS do país, já que quem manda, manda, mão não tem a sabedoria de todos os saberes necessários que uma cidade exige, e os seus habitantes, ou seja, não sabe mandar
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Mandam só porque lhes é legalmente permitido e para tanto foram eleitos – mas não são OS eleitos – são uns TRABALHADORES de outro degrau da pirâmide e só pelo lugar pensam que SABEM tudo – pena – pois que não é ASSIM
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O que é que sabe e fez a Helena Roseta que só foi política e já nem bocas diz ?? e percorreu todos os partidos à procura de quê ??
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E são tão viajadas e nem ao menos sabem olhar as belas cidades europeias que não se assassinam como se assasssina LISBOA ??
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E agora o que vão fazer ao RIO ??? e as suas margens , que já está, a margem norte, entulhada de mammarrachos dos arqt. TAÍNHAS (tão bons mas ignorantes do que é o rio e a paisagem e os direitos de TODOS os cidadão e não apenas das “elites” para quem desenham e constroem +++ etc
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Não há nada mais ignorante (e arrogante) do que um arqtº - faz belos edifícios isoladamente – mas no LOCAL mais errado
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É mais grave do que fazer mau edifício em local certo já que, repito, o arqtº passa, tudo passa, e a TERRA fica
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São 04h e falam de Obama e do Afeganistão – os USA não ganharão a GUERRA do Afeganistão nem do Iraque – são outros VIETNAM – programa que é repetido há já alguns dias – não quero VER
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Acho que a mais importante guerra de OBAMA é a saúde e o ensino dos habitantes do seu país, o que tem mais “cadeias” per capita no mundo e ainda têm Pena de Morte – são DEUSES mas não abrandam o CRIME gratuito dos meninos das escolas secundárias que matam professores e colegas
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E Portugal – os meninos – começam a IMITAR, também eles, o pior dos outros países – imitam os MENINOS e os grandes que “mandam” na vida de cada um – RAIS os parte –
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No entanto hoje aconteceu algo bonito com “meninos”
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Por baixo do prédio onde habito há uma bela pastelaria onde vou ler o jornal e, hoje, ao entrar, havia um “bando de meninas e menos meninos” a falar normal, em bicha a tomar a sua vez para pagarem o seu “almoço”
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Como fui professora (part time) de pequenos e grandes, não tenho a menor dificuldade em abordar os Jóvens quando me apetece
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E ao ver tal ordem e depois sentadinhos a comer por impulso perguntei na mesa ao lado que “porcarias” estavam a comer e a beber para almoçar ???
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Foram tão imediatos como eu e lá estivemos em conversa sobre os seus estudos (e notas -se calhar aldrabaram-me mas não faz mal pois o que queria saber não passava por aí) e acabei por falarmos em “enxurradas” e coisas do quotidiano e pareciam uma ESPONJA a ouvir, em silêncio – lindos -  e para já nem sabiam o que era enchurrada – lá expliquei – depois de disseram que era tão simples  o que eu dizia mas lá foram “preocupados” em não entrar tarde na Escola que há aqui no Bairro
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Há muitas escolas neste bairro desde creche até Universidade pelo que de vez em quando há BANDOS de meninos, alguns que se portam muito mal como se não houvesse mais ninguém e os paizinhos (e prof) não lhes tivessem dito que em casa não é igual a estar na rua e que, nem num nem noutro local, é indiferente o comportamento
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Estes “dias e situações como a de hoje” compensam os “alegres”, mas nunca se sabe se, ao crescerem, a atitude muda
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Pois é – quem gosta do país, e dos outros, e das cidades, pelo menos a que habita, quem tem sentido de bem estar e qualidade do colectivo, fica TRISTE ao ver “patetas alegres”
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Pois que o ambiente, tanto quanto consigo perceber, marca mais do que a herança genética que temos
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O “ambiente faz o ladrão” (a ocasião)
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Pois é sr.coronel, acho que não está errado
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Mas se eu quizer pensar em quem poderia “enfrentar” o lugar de PR – não votaria em Marcello
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Andando apenas um bocadinho para trás, votaria em Sampaio que quando presidente da CML até se notou que aprendeu muito, se calhar em coisas em que não tinha tido tempo de pensar já que de origem é advogado, mas vê-se que aprendeu pelo que disse – e FEZ
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E se quizer ir mais atrás ainda, não posso esquecer um homem de honra – EANES – que tão vilipendiado, e maltratado foi pelos “intelectuais” e muito gostaria eu de saber se teriam sido capazes de REGER a orquestra que ele regeu no tempo histórico em que se estava
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E até nem deixou de estudar e ir para a universidade, já bem tarde, mas foi, e não anda por aí a pavonear-se – pena – se calhar ainda tem muito para dar e “ensinar”
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E se alguém deu um PASSO (grande) por TIMOR, foi ELE – e toda a gente esquece
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De pavões só gosto dos pavões de Jardim e de repente lembro que um dia fiz o cenário para exterior de um filme português (amigo que já cá não está) – o cenário de exterior era um JARDIM – que construí dentro da TOBIS, com aquela luz e calor infernal – e tinha um lindo pavão AZUL – majestoso
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Por acaso o filme foi premiado como Leopardo de Oiro de Locarno, o 1º, creio, que o país recebeu – o meu jardim “mereceu” uma quota parte disse – filme OBOBO de Alexandre Herculano transposto para o séc XX
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Nunca tinha feito nada tão imprevistamente atrevido – sozinha com 2 “ajudantes” – o filho de O’Neil e o filho de Fernando Lopes – não quis mais ajudas – fiz tudo no mesmo DIA – de rajada sem ninguém a xatiar e dar bocas – para substituir o HORRIVEL que tinha sido feito por empresa que levou caro, vi o desconsolo na cara do realizador (que já cá não está) que de facto não gostou e a quem, impulsivamente disse se me deixava fazer o que nunca tinha feito – deixou e gostou e nunca abriu a coca senão quando acabei e perguntei – que TAL ??
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E foi por isso que o jardim até mereceu UM PAVÃO AZUL
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Pena mas nunca mais este filme voltou aos écrans
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Alias este realizador tina anteriormente feito, para a Gulbenkian – um filme sobre Vieira da Silva (com entrevista com ela e ArpadZen) fantástico – “Ma femme chamada Bicho” – não foi um filme sobre ela – foi filme sobre arte e história, e Lisboa e a Vieira e seu marido – relíquia da Gulbenkian que o mostrou mais do que uma b«vez – mas terá mais de 40 anos – mas acho que não envelheceu – há coisas “sem tempo” – falam de essências
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Por hoje “estejamos” alegres da forma possível
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mcor    Celeste Ramos - sex 29-01-2010 11:51
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Lendas

Lendas do distrito de Lisboa
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Lenda das Obras de Santa Engrácia
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Simão Pires, um cristão novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai fidalgo que não estava de acordo com o seu amor. Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento. Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha sido visto no local. Apesar de invocar a sua inocência foi preso e condenado à morte na fogueira que se realizaria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado. Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem. Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Revelou-lhe que tinha sido ele o ladrão das relíquias e sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado Simão. Pedia-lhe agora o perdão que Violante lhe concedeu. Entretanto, um facto singular acontecia: as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim. De tal forma que o povo se habitou a comparar tudo aquilo que não mais acaba às obras de Santa Engrácia.
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Lenda da Cova Encantada ou da Casa da Moura Zaida
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Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação com o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela faziam frequentes incursões. Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou. Dia após dia, Zaida visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através do pagamento de um resgate. O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer. O nobre cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os seus dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra. Foi durante esse combate que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma passagem secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma seta e caiu ferida. O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida. Desde então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na noite após um doloroso gemido...
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Lenda dos Sete Ais
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Esta é uma lenda estranha que está na origem do nome de um local do concelho de Sintra e que remonta a 1147, data em que D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos Mouros. Destacado para ocupar o castelo de Sintra, D. Mendo de Paiva surpreendeu a princesa moura Anasir, que fugia com a sua aia Zuleima. A jovem assustada gritou um "Ai!" e quando D. Mendo mostrou intenção de não a deixar sair, outro "Ai!" lhe saiu da garganta. Zuleima, sem lhe explicar a razão, pediu-lhe para nunca mais soltar nenhum grito do género, mas ao ver aproximar-se o exército cristão a jovem soltou o terceiro "Ai!". D. Mendo decidiu esconder a princesa e a sua aia numa casa que tinha na região e querendo levar a jovem no seu cavalo, ameaçou-a de a separar da sua aia se ela não acedesse e Anasir deixou escapar o quarto "Ai!". Pouco depois de se instalar na casa, a princesa moura apaixonou-se por D. Mendo de Paiva, retribuindo o amor do cavaleiro cristão que em segredo a mantinha longe de todos. Um dia, a casa começou a ser rondada por mouros e Zuleima receava que fosse o antigo noivo de Anasir, Aben-Abed, que apesar de na fuga se ter esquecido da sua noiva, voltava agora para castigar a sua traição. Zuleima contou a D. Mendo que uma feiticeira lhe tinha dito que a princesa morreria ao pronunciar o sétimo "Ai!". Entretanto, Anasir curiosa pela preocupação da aia em relação aos seus "Ais", exprimiu o quinto e o sexto consecutivamente, desesperando a sua aia que continuou a não lhe revelar o segredo. D. Mendo partiu para uma batalha e passados sete dias foi Aben-Abed que surpreendeu Anasir, que soltou o sétimo "Ai!", ao mesmo tempo que o punhal do mouro a feria no peito. Enlouquecido pela dor, D. Mendo de Paiva tornou-se no mais feroz caçador de mouros do seu tempo.
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O Cavaleiro Henrique
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Nos primeiros tempos da Reconquista, cerca de treze mil cruzados vieram de toda a Europa para auxiliar D. Afonso Henriques na Reconquista aos Mouros. Entre os muitos que pereceram e que foram considerados mártires, houve um cavaleiro chamado Henrique, originário de Bona, que morreu na conquista de Lisboa e que foi sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora. À memória do Cavaleiro Henrique estão associados muitos milagres, um dos quais deixou vestígios no nome de uma rua de Lisboa.
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A lenda diz que logo que Henrique foi sepultado, dois dos seus companheiros, ambos cavaleiros surdos e mudos de nascença, vieram deitar-se sobre o seu túmulo de forma a que Henrique intercedesse junto de Deus pela sua cura. Em sonhos, Henrique disse-lhes que Deus os tinha curado e quando acordaram verificaram o milagre. Pouco tempo depois, morreu um escudeiro de Henrique dos ferimentos que tinha sofrido na conquista de Lisboa e foi sepultado na Igreja de S. Vicente, mas longe do túmulo do seu amo. O cavaleiro Henrique apareceu em sonhos ao sacristão da igreja e disse-lhe que queria o corpo do escudeiro junto de si. O sacristão não ligou importância ao sonho, nem quando este se repetiu no dia seguinte. Na terceira noite, Henrique, novamente em sonhos, falou-lhe tão irritado com a sua indiferença que o sacristão acordou imediatamente e passou todo o resto da noite a cumprir as suas indicações. Pela manhã e apesar de ter passado toda a noite naquele trabalho, encontrava-se descansado como se tivesse dormido toda a noite. A novidade espalhou-se e os feitos do Cavaleiro Henrique continuaram: segundo a lenda, cresceu uma palma no seu túmulo cujas folhas curavam os males de todos os peregrinos que ali acorriam. Um dia a palma foi roubada mas ficou para sempre na memória do povo através do nome de uma rua, a da Palma, na baixa de Lisboa.
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Martim Moniz
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O nome de Martim Moniz está ligado à conquista de Lisboa aos Mouros e figura na memória da cidade através de uma praça com o seu nome. A lenda conta que D. Afonso Henriques tinha posto cerco à cidade, ajudado pelos muitos cruzados que por aqui passaram a caminho da Terra Santa. O cerco durou ainda algum tempo, durante o qual se travavam pequenas investidas por parte dos cristãos. Numa dessas tentativas de assalto a uma das portas da cidade, Martim Moniz enfrentou os mouros que saíam para repelir os cristãos e conseguiu manter a porta aberta mesmo a custo da sua própria vida. O seu corpo ficou atravessado entre os dois batentes e permitiu que os cristãos liderados por D. Afonso Henriques entrassem na cidade. Ferido gravemente, Martim Moniz entrou com os seus companheiros e fez ainda algumas vítimas entre os seus inimigos, antes de cair morto. D. Afonso Henriques quis honrar a sua valentia e o sacrifício da sua vida ordenando que aquela entrada passasse a ter o nome de Martim Moniz. O povo diz que foi D. Afonso Henriques que mandou colocar o busto do herói num nicho de pedra, onde ainda hoje se encontra, junto à Praça de Martim Moniz.
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A Mula da Rainha Santa
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A Rainha Santa a que se refere esta lenda é D. Mafalda, a filha preferida de D. Sancho I e a irmã favorita de D. Afonso II. A jovem princesa era bela e perfeita como poucas e senhora de uma esmerada educação. Naquele tempo, subiu ao trono de Castela D. Henrique, uma criança de doze anos apenas, facilmente manobrada pelo seu tutor, Álvaro de Lara, que queria governar através do jovem rei. Querendo-lhe dar como esposa uma mulher que o dominasse quando fosse adulto, escolheu D. Mafalda e o casamento celebrou-se. D. Berengária, a mãe de D. Henrique, invocou ao Papa a consanguinidade dos jovens e o divórcio teve lugar antes da súbita morte do rei aos 14 anos. D. Mafalda regressou a Portugal virgem e assim se manteve até ao fim da sua vida, passando desde então a ser tratada por "rainha". Viveu os últimos anos da sua vida no Mosteiro de Arouca, onde recebeu o hábito de monja. Morreu aos 90 anos durante uma cobrança de foros e rendas em Rio Tinto, cujos habitantes queriam que D. Mafalda fosse sepultada nessa mesma terra. Mas em Arouca discordavam, porque era no Mosteiro que ela vivia e na sua igreja deveria repousar o seu corpo para sempre. Estava a discórdia instalada quando alguém se lembrou de dizer que se pusesse o caixão em cima da mula em que a Infanta costuma viajar e para onde o animal se dirigisse seria o local onde seria sepultada. A mula não teve dúvidas e quando chegou à igreja do Mosteiro de Arouca, acercou-se do altar de S. Pedro e aí morreu. O sepulcro de D. Mafalda foi duas vezes aberto no século XVII e tanto o seu corpo como as suas vestes estavam incorruptos. Em 1793, o Papa Pio VI confirmou-lhe o culto com o título de beata.
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Lenda de Santa Joana Princesa
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A princesa D. Joana, filha do rei Afonso V, revelou desde muito tenra idade uma grande vocação religiosa. Esta filha primogénita, apesar de ser obrigada a viver na Corte pela sua posição, afastava-se o mais possível de festas e convívios e passava grande parte do seu tempo a rezar e a meditar. A princesa era, dizia-se, muito bela e teve muitos pretendentes, entre estes muitas cabeças coroadas, mas a todos recusou alegando a sua intenção de se tornar freira. Com a autorização real, entrou D. Joana para Odivelas, mudando-se mais tarde para o Convento de Santa Clara de Coimbra, mas acabando por resolver professar no Convento de Jesus, em Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na opinião geral, indigno de uma princesa. Por outro lado, o povo discordava da vocação da princesa e não queriam que ela professasse. Perante tanta discórdia D. Joana decidiu não professar, mas declarou que usaria o véu de noviça para sempre e insistiu em ingressar no Convento de Jesus, vivendo na humildade e na pobreza e aplicando as rendas que possuía no socorro dos pobres. A sua caridade era tão grande que depressa ficou conhecida como santa. Mas a bela princesa adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem. Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana Princesa, levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a beatificação a esta infanta de Portugal.
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Lendas do distrito do Porto
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O Senhor de Matosinhos
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Segundo a tradição, a imagem do Senhor de Matosinhos é uma das mais antigas de toda a cristandade. A lenda diz que esta imagem foi esculpida por Nicodemos, que assistiu aos últimos momentos de vida de Jesus, sendo por isso considerada uma cópia fiel do seu rosto. Nicodemos esculpiu mais quatro imagens mas esta é considerada a primeira e a mais perfeita. A imagem é oca porque nela teria Nicodemos escondido os instrumentos da Paixão e, nesses tempos de perseguição, os objectos sagrados eram escondidos ou atirados ao mar para escaparem à fogueira. Nicodemos atirou a imagem ao mar Mediterrâneo, na Judeia, e esta foi levada pelas águas, passou o estreito de Gibraltar e veio dar à praia de Matosinhos, perdendo na viagem um braço. A população de Bouças ergueu-lhe um templo e designou a imagem por Nosso Senhor de Bouças, venerando-a durante 50 anos pelos seus muitos milagres. Mas um dia, andava uma mulher na praia de Matosinhos a apanhar lenha para a sua lareira, quando encontrou um pedaço de madeira que juntou aos restantes. Em casa, lançou-o ao fogo mas este pedaço saltou da lareira não só da primeira, mas como de todas as vezes que ela o tentava queimar. A sua filha, muda de nascença, fazia-lhe gestos desesperados para que dizer qualquer coisa e, por fim, balbuciou, perante o espanto da mãe, que o pedaço de madeira era o braço de Nosso Senhor das Bouças. Assombrada pelo milagre a população verificou que o braço se ajustava tão bem à imagem que parecia que nunca dela se tinha separado. No século XVI, a imagem foi mudada para uma igreja em Matosinhos, construída em sua honra, ficando a ser conhecida por Nosso Senhor de Matosinhos.
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Santiago e Caio
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No ano de 44 da era de Jesus Cristo, passeava pela praia de Matosinhos um ilustre cavaleiro da Maia, Caio Carpo Palenciano, com a sua mulher Claudina e vários parentes e amigos. Cavalgava o grupo pelo areal quando alguém vislumbrou uma barca que se dirigia para norte. Os cavaleiros e as damas pararam todos para apreciar o ritmo e a beleza da embarcação, quando inexplicavelmente o cavalo de Caio galopou para dentro do mar, apesar de este o tentar evitar, como se fosse obrigado por uma força desconhecida. Cavalo e cavaleiro imergiram no mar e desapareceram para ressurgirem perto da barca, para onde subiram cobertos de vieiras. Quando perguntaram à tripulação o motivo deste fenómeno e qual a razão da sua viagem, estes explicaram que eram discípulos cristãos de um homem chamado Tiago. Tinham fugido de grandes perseguições, levando o corpo do seu Mestre para terras de Espanha, onde Tiago tinha pregado o Evangelho. Segundo estes homens, o fenómeno ocorrido com Caio e o seu cavalo poderia ser explicado pelo facto de ele ser um escolhido de Nosso Senhor. As vieiras eram o sinal de Santiago que queria ver Caio abraçar a lei de Deus. Comovido, Caio foi ali mesmo baptizado com água do mar e, quando voltou para junto dos seus familiares e amigos, a todos converteu com o extraordinário feito de Santiago. As vieiras ficaram a fazer parte do brasão da nobre família Pimentel de Trás-os-Montes, descendentes, segundo se crê, de Caio Carpo Palenciano.
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Lenda de Valongo e Susão
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Os nomes de Valongo e Susão têm origem nesta lenda que remonta à época em que alguns cristãos perseguidos no Oriente se refugiaram em Cale, foz do rio Douro. Entre eles estava o rico negociante judeu Samuel, recém convertido ao Cristianismo, e a sua filha Susana. Pensavam os fugitivos estarem já livres de perseguições quando foram obrigados a defender-se dos árabes que dominavam a região. Com astúcia, prepararam uma armadilha e capturaram o jovem Domus de cujo resgate esperavam obter a paz. Enquanto decorriam as negociações, Domus e Susana apaixonaram-se e o mouro pediu para ser baptizado para poder casar-se com a jovem. O acordo com os muçulmanos era assim impossível e decidiram todos fugir, deixando Portucale (Porto) em direcção ao Oriente. Chegados ao topo da Serra de Santa Justa depararam com uma paisagem lindíssima e a apaixonada Susana exclamou um elogio sincero ao vale longo que sob os seus olhos se estendia. Desceram ao vale e nele decidiram ficar para sempre, edificando as primeiras casas de uma povoação que se veio a chamar Susão, em memória da bela Susana. O vale que Susana tinha achado belo e longo ficou conhecido como Valongo.
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Lenda do Rei Ramiro
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Uma antiga lenda que remonta ao século X, conta que o rei Ramiro II de Leão se apaixonou por uma bela moura de sangue azul, irmã de Alboazer Alboçadam, rei mouro que possuía as terras que iam de Gaia até Santarém. Influenciado pela sua paixão e com a intenção de pedir a moura em casamento, Ramiro decidiu estabelecer a paz com Alboazer, que o recebeu no seu palácio de Gaia. Apesar de já ser casado, Ramiro pensou que seria fácil obter a anulação do seu casamento pelo parentesco que o unia a D. Aldora. Alboazer recusou terminantemente: nunca daria a irmã em casamento a um cristão e, de todas as formas, esta já estava prometida ao rei de Marrocos. O rei Ramiro, vexado, pareceu aceitar a recusa, mas pediu ao astrólogo Amã que estudasse os astros para decidir qual a melhor altura para raptar a princesa e levou-a consigo nessa data propícia. Dando por falta da irmã, Alboazer ainda chegou a tempo de encontrar os cristãos a embarcar no cais de Gaia. Gerou-se uma luta favorável ao rei cristão, que levou a princesa moura para Leão, a baptizou e lhe deu o nome de Artiga, que tanto significava castigada e ensinada como dotada de todos os bens. Alboazer, para se vingar, raptou a legítima esposa do rei Ramiro, D. Aldora, juntamente com todo o seu séquito. Quando o rei Ramiro soube do rapto ficou louco de raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de barco para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora a quem pediu um pouco de água, aproveitando para dissimuladamente deitar no recipiente da água meio camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D. Aldora mandou buscar o rei disfarçado de pedinte e, por vingança da sua infidelidade, entregou-o a Alboazer. Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer uma morte pública, esperando com astúcia ganhar tempo para poder avisar o seu filho através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal combinado, D. Ordonho acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e o seu povo, para além de destruírem a cidade. Levando D. Aldora e as suas aias para o seu barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. O rei Ramiro voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta e nobre descendência.
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Lenda de Pedro Sem
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A torre medieval que se encontra diante do antigo Palácio de Cristal, no Porto, é ainda hoje conhecida por Torre de Pedro Sem. A história diz que essa torre pertencia a Pêro do Sem, doutor de leis, jurisconsulto e chanceler-mor de D. Afonso VI, no século XIV. Mas a lenda remete para uma data posterior, no século XVI, a existência de um personagem Pedro Sem que vivia no seu Palácio da Torre. Possuindo muitas naus na Índia, Pedro Sem era um mercador rico mas não tinha títulos de nobreza, o que muito o afectava. Era também usurário, emprestando dinheiro a juros elevados, à custa da desgraça alheia, enquanto vivia rodeado de luxo. Estavam as suas naus a chegar, carregadas de especiarias e outros bens preciosos, quando a sua máxima ambição foi realizada através do seu casamento com uma jovem da nobreza, em troca do perdão das dívidas de seu pai. Decorria a festa de casamento, que durou quinze dias consecutivos, quando as naus de Pedro Sem se aproximaram da barra do Douro. O arrogante mercador acompanhado pelos seus convidados subiu à torre do seu palácio e, confiante do seu poder, desafiou Deus, dizendo que nem o Criador o poderia fazer pobre. Nesse momento, o céu que estava azul deu lugar a uma grande tempestade! Pedro Sem assistiu, impotente e encharcado pela chuva, ao naufrágio das suas naus. De seguida, a torre foi atingida por um raio que fez deflagrar um incêndio que destruiu todos os seus bens. Arruinado, Pedro Sem passou a pedir esmola nas ruas, lamentando-se a quem passava: "Dê uma esmolinha a Pedro Sem, que teve tudo e agora não tem...".
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Lenda dos Tripeiros
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No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem...
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Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido, achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.
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in

fernandopacheco.blogs

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

SER DIFERENTE É NORMAL

GRES IMPÉRIO SERRANO - CARNAVAL 2007
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Enredo: Ser diferente é normal: o Império Serrano faz a diferença no carnaval
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Compositores: Arlindo Cruz/Maurição/Aloísio Machado/ Carlos Senna/ João Bosco
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Intérpretes: Maurição, Nilton Sereno, Geraldão e Gustavo Henrique

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EU QUERO VER
O AMOR FLORESCER
SER DIFERENTE É NORMAL
E O IMPÉRIO TAÍ
PRA LEVANTAR SEU ASTRAL
SE LIGA NO MEU CARNAVAL


SERRINHA VEM PEDIR RESPEITO
TEMOS QUE OLHAR DE OUTRO JEITO
QUEM NASCEU DIFERENTE
E VENCEU PRECONCEITO
A GENTE TEM QUE ADMIRAR
HARMONIZAR PRA SER FELIZ
DIFERENÇA SOCIAL, PRA QUÊ?
TÁ NA CARA QUE A BELEZA
ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM VÊ
ROMANTISMO IRRADIA ENERGIA PRA VIVER
NESSE MUNDO ONDE TUDO É RELATIVO
MINHA ESCOLA É MEU MOTIVO
MEU MAIOR PRAZER!

A HISTÓRIA DO SAMBA MUDOU
BATERIA DIFERENTE, OLHA O TOQUE DO AGOGÔ
NO PRIMEIRO DESTAQUE E NA COMISSÃO
AS NOVIDADES VERDE-E-BRANCO, MEU IRMÃO

DIFÍCIL
CONVIVER NA ADVERSIDADE
COM ARTE SER EFICIENTE
FAZER DA PINTURA SUA LIBERDADE
FAZER ESCULTURAS USANDO A PAIXÃO
FEITIÇO DE POETA INVADE O CORAÇÃO
DIVINO É O PODER DA CRIAÇÃO
EU PERGUNTO A VOCÊ
SERÁ QUE EXISTE?
LIMITE ENTRE A LOUCURA E A RAZÃO



SINOPSE



Força inovadora do carnaval desde sua fundação, o Império Serrano foi a primeira escola de samba vinculada a um segmento profissional, os trabalhadores do porto do Rio de Janeiro. Nem por isso se tornou um gueto: a diferença era respeitada e havia lugar para todos.
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Jornalistas, funcionários públicos, donas de casa também opinavam e participavam. Por isso surgiu de forma tão forte e impressionante que se sagrou campeã, provocando violenta cisão na entidade representativa das escolas de samba da época, já que as co-irmãs se recusaram a aceitar a vitória da estreante.
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Em sua origem está a luta pela liberdade de opinião e de expressão, que se mantém até hoje.
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No Império Serrano todo mundo é igual, apesar das diferenças, e o orgulho verde-e-branco recebe de braços abertos todos os interessados em trabalhar unidos em prol de um objetivo comum, numa lição de harmonioso convívio. O resultado está aí: sessenta anos de paixão e glória, fazendo a diferença na história do samba.
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Foi fácil? Não. Nunca é fácil harmonizar o que não é igual. A dificuldade que o ser humano tem de conviver com a diferença (seja ela estética, social, religiosa, étnica ou cultural) é o grande mote do romance Notre-Dame de Paris, que elevou o escritor francês Victor Hugo a figura máxima do espírito literário do romantismo, movimento que valorizava o predomínio do conteúdo sobre a forma. Na torre da catedral de Notre-Dame vive isolado o sineiro Quasímodo, um homem de aparência deformada e feições distorcidas, porém sensível às manifestações de beleza, como as diversas festividades que acontecem em torno da catedral gótica. Adotado por uma autoridade religiosa que fez da rigidez seu modo de vida, apaixona-se por uma cigana e enfrenta uma série de peripécias por conta desse amor não correspondido.
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Aceitar e respeitar o outro como ele realmente é nunca foi tarefa simples, na literatura como na vida real.
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Na cidade alemã de Munique do final do século XIX um menino tímido, pouco sociável e bastante indisciplinado entrou cedo para a abominada lista de repetentes na escola. Alfabetizado somente aos nove anos de idade, apresentando raciocínio lento e aparente falta de memória, a dificuldade de aprendizado levou seus professores a crer que sofria algum tipo de retardo mental. Acabou interessando-se pelos emaranhados de números e cálculos da matemática e pela harmonia sublime da música, chegando a dominar o violino. Revelou-se uma mente brilhante e autor de numerosos trabalhos de física teórica; aplicando a teoria quântica à energia radiante, chegou ao conceito de fótons, que lhe valeu o Prêmio Nobel. Formulou a equação que seria a mais célebre do século XX, abrindo os caminhos para a era atômica e esclarecendo a origem da energia solar.
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Conhecida como teoria da relatividade, marcou profundamente a ciência moderna, mas sua importância só foi reconhecida posteriormente, transformando aquele “menino problema”, Albert Einstein, em um dos maiores cientistas de todos os tempos.
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Além de lidar com a diversidade, há de se lidar também com a adversidade...
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A infância marcada por procedimentos médicos e um terrível acidente forjaram uma mulher fisicamente debilitada e deficiente. Foi quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua cama, na dolorosa convalescença, que Frida Kahlo começou a pintar freneticamente. Sempre pintou a si mesma alegando que “era o assunto que conhecia melhor”. Apaixonadamente passional e extremante vaidosa, cobria-se de jóias, flores e vestidos coloridos, tradicionalmente mexicanos, o que fez dela grande colecionadora de amantes (de ambos os sexos). Frida chocava porque era diferente – e orgulhosa – demais. Embora tenha usado tintas fortes para estampar suas telas e entrado no mundo da vanguarda artística dos surrealistas, dizia que nunca pintou sonhos, pois apenas pintava a própria realidade: uma vida tumultuada por sofrimentos físicos e dramas emocionais.
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Ensinou-nos a pintora mais importante do século XX:
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“ Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”
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O trabalho dignifica o homem, e um gênio negro mostrou seu valor em verdadeiros tesouros. Vivia do produto de suas mãos e um dia descobriu uma doença que o degenerava lentamente. Como continuaria criando sua arte? Teria que enterrar o dom dentro de si? Absolutamente não. Antônio Francisco Lisboa não abandonou seu ofício.
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Quando as mãos se danificaram por completo, amarrou nelas correias de couro para poder segurar seus instrumentos; com os pés atingidos, foi obrigado a andar de joelhos.
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O povo o apelidou de Aleijadinho. Foi difícil obter o reconhecimento de seu talento, pois também não lhe perdoavam a condição de mestiço e, mesmo celebrado como grande escultor e projetista, a cor mulata ainda mantinha erguidas as barreiras do preconceito.
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Suas imagens sacras, profetas, altares e igrejas permanecem como testemunho do desenvolvimento artístico de Minas Gerais no século do ouro. A quantidade e a maestria de suas realizações levaram o biógrafo francês, Germain Bazin, a chamá-lo de “Michelangelo tropical”.
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A sensibilidade e a competência revertem qualquer quadro que se apresente desfavorável à primeira vista.
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Lesionado no queixo pelo fórceps em seu nascimento, o violonista Noel Rosa encarou sua “diferença” com filosofia bem-humorada e irônica como um bom rapaz folgado. Ela nunca impediu seu feitiço de poeta de arrebatar corações apaixonados.
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Sua música tocou as ruas do Rio de Janeiro e ganhou notoriedade ainda muito jovem, mas combatia o constrangimento que o defeito físico lhe causava evitando grandes reuniões sociais e buscando refúgio em bares, botequins e cabarés. Captou e, acima de tudo, criticou as transformações de uma época de transição urbana carioca legitimando seu papel de cronista do samba.
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A modernidade da eletricidade, gramofones, rádios, apitos de fábricas e chaminés compunham um novo cotidiano e um modo de vida “diferente”.
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O talento é realmente soberano, invencível e aleatório: bafeja inclusive os que não se enquadram adequadamente em padrões estabelecidos. Se ele não discrimina, por que discriminar?
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Do manicômio para a liberdade criativa, o estranho mundo de Arthur Bispo de Rosário revelou um mestre das artes plásticas brasileiras com reconhecimento internacional. Seus divinos trabalhos multicoloridos consagraram seu delírio intelectual ao registrar para o Criador o universo ao seu redor. E se “de perto ninguém é normal”, no carnaval se abre o sanatório geral da sociedade, pois nos dias de folia as diferenças se diluem e se igualam como na marcha carnavalesca Exuberante da “verdadeira encarnação da alma musical brasileira”, o louco Ernesto Nazaré:
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“ (...) À folia! À folia!
Ao baile, TODOS
Neste brincar sem fim
À folia! À folia!
TODOS pulando assim (...)”
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Jack Vasconcelos
Carnavalesco
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