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domingo, 24 de agosto de 2008

25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades»- NEGAGE E O PIONEIRO SENHOR JOÃO FERREIRA (34.2)


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Uíge no mapa.

Uíge no mapa.
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Uíge[1] é uma cidade e município de Angola, capital da província do Uíge. Tem cerca de 61 mil habitantes. Em 1955 a Vila do Uíge passou a designar-se Vila Marechal Carmona, em honra do antigo presidente português Óscar Carmona, mantendo-se o distrito de que era sede com o nome Uíge. Depois de ser elevada a cidade, passou a denominar-se simplesmente Carmona. Em 1975 readquiriu o nome original de Uíge.




Vista aérea do NEGAGE - José Melo
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in

sanzalangola.com/galeria/albuo62/Diapositivo10





Uige.O Bar do Piri

Uíge e Negage

Para o sr. Fernando Paula Vicente:

Sendo angolana por adopção, (não conheci outra terra que não aquela onde vivi e cresci) não é de estranhar o amor que por ela sinta…..independentemente de estar a “cair” ou não do ponto de vista das suas infra-estruturas, que aliás, na minha visita há cerca de um mês a Angola, deu para perceber que não está tão decadente como muitas pessoas manifestam, tinha na minha agenda uma visita ao Norte. Eu vivi e conheci bem o Negage.

A dificuldade na logística entre Uíge e Negage, deixou-me sem condições de poder rever numa curta visita as duas cidades….espero que da próxima e já com a rede viária concluída, (creio que até já estava), possa concretizar este meu desejo. Era uma miúda de 7/8 anos quando fui viver para lá. O meu pai foi um dos pioneiros do AB3 numa equipa da qual fazia parte o Engº Gameiro e talvez mais duas ou três pessoas.

As primeiras infra-estruturas daquela unidade foram criadas por estes homens onde se incluía de facto e com bastante orgulho, a pessoa do meu pai. Em Fevereiro de 1961.

Naturalmente que conheci o João Ferreira, assim como a numerosa família Fernando Santos, Senhor Afonso, Congo Agrícola e tantos outros empresários. Quem não se recorda da papelaria do Sr. Horácio (que por acaso vive na mesma cidade que eu em Portugal)…..as nossas famílias são conhecidas e ligadas pela mesma proveniência geográfica, ou seja: a mesma terra!

Conheci bem o João Ferreira e todos os filhos como é natural. O João Ferreira era um transmontano puro e frontal nas suas atitudes e o que tinha para dizer dizia sem qualquer cerimónia. Era assim a sua personalidade, pese o facto de ter sido um dos homens mais ricos de Angola. Não era aquilo que se chama actualmente de homem com maneiras politicamente correctas, era até por vezes um pouco brusco, mas estas imperfeições da sua personalidade não lhe retiravam mérito nem qualidades. Era uma pessoa cuja formação tinha sido a experiência da vida e as dificuldades de uma outra geração que não a minha ou a dos seus filhos. Estes aliás, viveram e estudaram sempre na Europa. Conheci-os em férias e mais tarde já com alguma idade e emancipados, decidiram ficar pelo Negage gerindo o património familiar….O Zé Luís era o filho mais velho, seguindo-se o Carlos e o Fernando (estes dois últimos já falecidos). Não me recordo muito bem se havia uma filha….creio que sim, embora não fosse permanência habitual na cidade. Éramos todos amigos porque a cultura e o princípio da hospitalidade eram uma das características da nossa sociedade de então…..Tirei carta de condução com o Valadares, e quem não se recorda dos bons velhos tempos do Colégio Negage e o Dr. Carvalhosa. A cidade fervilhava de militares, pois todos os ramos das forças armadas estavam ali estacionados, com excepção da marinha claro.
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É sempre com muita emoção que oiço falar ou leio sobre o Negage e de pessoas que eu conheci muitíssimo bem……o AB3 era um dos meus habituais destinos e tenho francamente saudades do barulho logo pela manhã, dos motores dos T-6, das Dorniers, dos P2V5 e dos Noratlas e uma ou outra esquadrilha de helicópteros que por ali faziam escala….são estas narrativas que fazem a história das nossas vidas e nos levam a recordar pessoas que muitas vezes, depois de tantos anos longe delas, nos fazem sentir tão distantes daquele tempo…..

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Obrigada pois ao Fernando Paula Vicente, por trazer a este espaço alguns recortes de uma época que com as suas dificuldades e tristezas, também deixou momentos de alegria e satisfação em muitos de nós….. As minhas cordiais saudações Orkidea Lima/




Histórias do NEGAGE

Senhor Saju Victor Manuel Elias www.portugalclub.org
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Muito obrigado pelo belo texto que me envia, ainda a propósito de João Ferreira. Mas, antes de prosseguir, deixe-me expressar-lhe o prazer de estar, pela primeira vez, em contacto directo consigo, ainda por cima tratando-se de "oficial do mesmo ofício, da mesma organização", a nossa Força Aérea. Eu era ao tempo, piloto, primeiro de PV2 desde o início da guerra (quando esta começou já eu estava em Luanda, como sócio fundador da BA9) e, depois, de Noratlas, pelo que fui inúmeras vezes ao Negage.
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O meu conhecimento da personalidade do Sr. João Ferreira, não o tendo eu conhecido pessoalmente, vem em grande medida do meu sogro: como disse, eram amigos, daquele tipo de amizade que só os pioneiros conseguem forjar melhor que nós, militares. O conceito que dele sempre colhi, sem entrar em pormenores, é que se tratava de uma pessoa de bem. Confesso que, ainda que o meu amigo, permita-me a familiaridade, nada tenha expressado em aberto desabono, e penso que salvaguardei bem esse aspecto, fiquei preocupado que aparecesse na internet o "retrato" algo extravagante, baseado em lendas mais do que em factos, de uma pessoa cuja imagem sempre respeitei. E foi no sentido de aproximar da realidade o referido "retrato" que fiz a intervenção, como disse e repito, com a melhor das intenções. É evidente que, tendo vivido no Negage e tendo conhecido a personagem em causa, a riqueza da sua informação é muito superior à que dela eu tenho, pelo que aceito, com toda a humildade, uma maior exactidão sua em matéria de pormenores. Mas, fiquei muito feliz por concordar comigo que João Ferreira era um homem bem formado, que amava muito os seus filhos, todos os seus filhos. E, em essência, era isso o que que pretendi fosse salvaguardado, que João Ferreira, com os seus defeitos e qualidades, era basicamente uma boa alma. Penso que sobre isso o nosso acordo é total, e ainda bem!
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Cá fico à espera de mais histórias daquelas terras, onde, apesar da estúpida guerra, fomos felizes!
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Aceite, por favor um abraço amigo
Fernando Paula Vicente (mais.... www.portugalclub.org )




NEGAGE, meu NEGAGE
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Senhor Major General Fernando Vicente Paula:
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Quem responde ao seu comentário, que desde já agradeço, é o ROTIVSAILE, aliás, VICTOR ELIAS (o pseudónimo é o nome lido do fim para o princípio), e, ao contrário do Sr. MGen., eu conheço-o pessoalmente, o que seria uma vantagem para mim, mas não o será porque aquilo que escrevi está escrito e nem por sombras tem aquela carga que V.Exª. pretendeu dar a algo que apenas pretende prestar homenagem a alguém tão importante para a história de Angola, nomeadamente do Negage... como foi João Ferreira, um dos fundadores da Vila, como o foram o "Velho" Ginja, o Fernando Santos e tantos outros que retenho como memórias carinhosas do amor de alguém para com uma parcela daquilo que então se chamava Portugal. Por exemplo, o Manuel Agre... que criou o Agre & Ferreira, juntamente com o João, a família Baganha, o Horácio da Papelaria 13, o Fernandes da Shell e do Gaspar & Fernandes, o Manuel Ribeiro Manso, o Jesuíno Dias, o Valadares da Escola de Condução, o Professor Carvalhosa, do Colégio do Negage, foram algumas das figuras que ergueram aquela que veio a ser uma cidade progressiva implantada no meio dos matos do Norte de Angola.
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Sobre o Senhor João Ferreira, muitas histórias se ouviam sobre a sua figura, muitas eram alimentadas por força da admiração que as pessoas por ele nutriam, pois pretendiam fazer dele uma figura de Homem a imitar, que pugnava pelo progresso da terra que ajudou a nascer.
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Por força de um passatempo que tinha, em razão de, na altura em que prestei serviço no Aeródromo Base nº. 3, ter sido nomeado para orientar a recolha das mensagens dos Militares, destinadas aos programas que estavam então em voga em que se mandavam "pérolas de psícola" para descansar as famílias, acabei por ser o responsável pelo programa "AQUI, NEGAGE", emitido pelo Rádio Clube do Uíge, a partir de Carmona.
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Foi então que tive oportunidade de conhecer mais ao pormenor essa figura multifacetada de Transmontano - a origem, humilde, era para ele um título maior, apesar de maltratado pela Justiça daquela época em que havia a deportação inscrita nos Códigos de Justiça -. Com os filhos José Luis e Fernando tinha eu uma amizade alicerçada no respeito mútuo que vim a alcançar na minha relação com o S. João Ferreira. Dele ouvi muitas histórias, relacionadas com caça, com vivência no meio das matas angolanas, das suas aventuras sem expressão, mas que a voz do Povo dava dimensão para além do desejável, muitas vezes.
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Sobre o João Ferreira ter tido ou não um hotel, talvez o Senhor General devesse saber que o estabelecimento do Gaspar & Fernandes foi montado numa parte cedida pelo João Ferreira, ficando o "Avenida" a ser explorado durante algum tempo pelo próprio João Ferreira. O que aconteceu depois, se foi parar também ao património do Gaspar & Fernandes... só depois de 1968, quando regressei à então Metrópole.
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A história do Hotel que teria comprado em Luanda tem a vêr com o tentarem mostrar ser o João Ferreira uma pessoa que tudo fazia para que fosse temida pelos que o rodeavam. Como também a história de que teria perguntado a Salazar quanto é que ele queria para abandonar o Governo, não passa de uma lenda em que se pretendia dizer que ele não tinha medo nem do Presidente do Conselho.
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Mas há muitas histórias que são verdadeiras e estão na ignorância de muitos. Uma delas é a sua generosidade, outra o seu amor pelos filhos e netos - que eram muitos, ninguém duvide, todos dele porque... reconhecidos e tratados como tal -, a quem queria que nada lhes faltasse.
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Um dia, talvez conte algumas histórias verdadeiras que ele me contou... além de que há algumas de que fui testemunha.
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Agora... custa a acreditar que tenha lido alguma coisa, que eu não escrevi, em desabono de João Ferreira!
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Por hoje, tendo a certeza de não ter deixado dúvidas sobre o que escrevi relativo ao "Soba do Negage", como era conhecido João Ferreira, dou por encerrado o meu "escritório" e fico a aguardar as suas prezadas notícias, pelo modo que julgar mais pertinente.
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Sobre a história da criação do Sporting do Negage - O JOSÉ LUIS FERREIRA FOI O 1º. PRESIDENTE -, que foi uma retaliação contra o Desportivo... e que veio a propíciar a construção do Cine-Teatro pelo Faria, com o AMÉN do João Ferreira... qualquer dia conto
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Respeitosamente
Victor Manuel Elias - SAJU FAP Ref.
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sábado, 23 de agosto de 2008

25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades»- NEGAGE E O PIONEIRO SENHOR JOÃO FERREIRA (34.1)

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Negage



From: Carlos Tronco (Sep 07, 2003 05:00 EDT)
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Para quem vinha de Camabatela: primeiro a Igreja, depois o Guedes, em seguida o Felisbelo da Silva, o Melitao, a terceira companhia de caçadores, a escola primaria da Dona Maria Candida, O admistrador...

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From: reinrami@clix.pt (Apr 07, 2004 07:06 EDT)

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.para lembrar ao jovem Carlos Tronco,que deve ser filho do Tronco do Dimuca, que está certo visto de frente, mas por traz ve-se o Desportivo, o campo de jogos, a Camara Municipal e no quintal da Camara as casas do Baganha e do Barros e a repartição de cadastro da Camara, onde eu trabalhava.

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From: zemaria (Oct 14, 2003 11:52 EDT)
Là em baixo ao fundo nao é a escola Silva Freire?


From: ftroncolobomau@aol.com (Oct 14, 2003 15:04 EDT)
...Claro que é! Ao lado do presbitério onde moravam os capuchinhos italianos, mas antes de lhe acrescentarem un primeiro andar que serviu mais tarde de liceu...

From: studio6555@hotmail.com (Mar 16, 2005 04:07 EST)

.Orkidea Embora a tua mensagem tenha o meu email, não fui eu que a escrevi [sorrisos] O nome da rua [principal] era "João Ferreira" João Ferreira [neto]

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From: reinrami@clix.pt (Apr 07, 2004 07:16 EDT)
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A rua principal do Negage era a Rua da Capopa ,principalmente a partir do café Transmontano para os Costas. Fui responsável pela parte tècnica da Camara e realmente não li nos documentos oficiais nenhum nome particular. Se tivésse poderia ser João Ferreira ou Fernando Santos.


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sanzalangola.com/galeria/albuo62/Negage


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Fernando Paula Vicente

MGeneral da Força Aérea Portuguesa (Ref.)

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Não tenho o prazer de conhecer pessoalmente o Sr. Rotivsaile, aparentemente o autor deste texto sobre "Negage", mas permita-me que, com a melhor das intenções, teça algumas considerações sobre o conteúdo do seu artigo sobre o Negage. A informação de carácter geral é correcta, todavia, no que se refere ao Sr. João Ferreira, pioneiro da colonização local, que já não vive para poder defender-se e que, mesmo que fosse vivo, me não teria passado procuração para o defender, creio que há alguns reparos a fazer. Não tive oportunidade de conhecer pessoalmente o Sr. João Ferreira, mas conheci muito bem um seu sócio de muitos anos e muitas outras pessoas que com ele privaram, entre eles o meu sogro, Sr. António Cordeiro de Oliveira, seu contemporâneo e amigo, igualmente pioneiro, fundador da vizinha vila do Songo. E a minha mulher e eu mantemos até uma relação de amizade com uma sua filha. É certo que o Sr. Rotivsaile não deixa de mencionar que poder-se-á tratar de meras lendas à volta desta figura de pioneiro do Norte de Angola. O problema das lendas é que, como as mentiras, à força de serem repetidas acabam por se tornar "verdades" e o Sr. João Ferreira, como cada um de nós, tem direito ao seu bom nome. Para além da informação que já possuía, antes de escrever estas linhas fiz questão de conversar demoradamente com algumas pessoas que conheceram de muito perto o Sr. João Ferreira e, tudo somado, posso assegurar-lhe que, por exemplo, a pretensão de ter um fato confeccionado com a "pele de um, dois ou três negros" é absolutamente falsa e profundamente ofensiva da memória da pessoa. Da mesma forma, a afirmação de que comprava hoteis apenas para colocar os directores no desemprego não tem o menor fundamento: que publicamente se saiba, João Ferreira nunca teve um hotel. Efectivamente, no Negage existiram 3 hoteis: o primeiro, o Avenida (e aqui peço desculpa se troco os nomes, mas há 45 anos que não penso nisso), que era propriedade de Gaspar & Fernandes; o segundo, o Grande Hotel do Negage, comprado pela Força Aérea Portuguesa em 1961 para instalar a Messe de Oficiais, era propriedade de Fernando Santos e o terceiro, o Hotel Tuambuaza (que na língua indígena significa "café"), construído já por volta de 1970, era propriedade de um outro célebre pioneiro do Norte de Angola, o Sr. Costa do Bungo. De facto, o Sr. João Ferreira era rico, mas não era "desmesuradamente podre de rico" e se, durante algum tempo, foi o maior produtor agrícola do Negage, foi posteriormente suplantado por pelo menos duas outras companhias, a maior delas sendo a Companhia Congo Agrícola, cujos proprietários eram (e os que estão vivos ainda são) meus grandes amigos. Também, não teve fora do casamento essa miríade de filhos de todas as cores mencionadas. Pelo que me dizem, teve alguns mulatos. Mas é necessário que se diga que, tanto quanto publicamente corre, num gesto de decência, para a época até muito louvável, tê-los-á perfilhado todos, depois de lhes ter dado a educação disponível, penso que, num caso ou outro, até de nível universitário. Mas tem razão quando escreve que João Ferreira era impetuoso: ele tinha de facto um modo de ser temperamental. Contam-me os meus amigos que, um dia, tendo a senhora sua esposa ido ao talho local para comprar uns lombinhos, e o talho não os tendo na altura, para castigar o talhante abriu o seu próprio talho (o que é substancialmente diferente de comprar um hotel para pôr o director na rua). Ou que, tendo-se zangado com a direcção do Grupo Desportivo do Negage, criou o Sporting Clube do Negage, o que, numa povoação do tamanho do Negage, era uma receita para o desastre do concorrente, por falta de suporte financeiro. Sabe-se também que, ao estilo da época, cometeu alguns excessos no seu relacionamento com a comunidade indígena, mas nada que possa assemelhar-se ao que o Rei Leopoldo praticou na ex-Congo Belga e que tão bem fica retratado no livro "O Fantasma do Rei Leopoldo": o senhor não era propriamente um facínora. Tudo isto para lhe dizer que, em minha opinião, há que exercer um escrupuloso cuidado quando se fala de terceiros sem os conhecer. Mas tem toda razão: a figura de João Ferreira é, não só em relação ao Negage, mas também em relação à colonização do Norte de Angola, uma figura incontornável. Se o senhor tem essa vocação, pesquisar o percurso deste pioneiro, com as suas virtudes e seus defeitos, como todos nós temos, e escrever a sua biografia seria produzir um importante subsídio para a história da colonização do Norte de Angola e da presença portuguesa naquele território.

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Falando ainda do Negage, tomo a liberdade de lhe enviar uma apresentação de slides sobre essa terra, produzida por uma pessoa que eu não conheço pessoalmente, mas que "encontro" com frequência na Internet, o Sr. Vítor Elias, meu camarada da Força Aérea Portuguesa que naquela Unidade serviu uns anos na década de 1960. A fotografia não é a melhor, mas sempre dá para matar saudades. E, já agora, ainda a propósito do Negage, uns amigos de minha mulher visitaram em grupo aquela região (Carmona, Negage e Songo) há uns 4 ou 5 anos e fizeram um longo vídeo do qual eu tenho uma cópia. Das três terras mencionadas, o Negage estava na altura irreconhecivelmente destruído, nomeadamente a Base Aérea, a cujos hangares e outros edifícios foram roubadas as coberturas de chapa, deixando as infraestruturas com aspecto de filme de terror. É pena!

Lisboa, 22 de Agosto de 2008

Fernando Paula Vicente

MGeneral da Força Aérea Portuguesa (Ref.)


2008/8/6 PORTUGALCLUB.ORG www.portugalnoticias.com

Negage

- A cidade do Negage situa-se no Norte de Angola, a cerca de 37 quilómetros da cidade do Uíje - antiga Carmona -, a capital provincial, sendo parte de um sistema montanhoso que a eleva a 1.300 metros de altitude.

* - As suas principais actividades económicas, num passado ainda recente, eram o cultivo e a secagem do café, a agricultura e a pecuária. Foi, no tempo "colonial", uma zona militar por excelência, considerando-se o facto de nela estarem estacionados o Aeródromo Base nº. 3; a 3ª. Companhia de Caçadores do Capitão Xavier; o Pelotão de Apoio Directo nº. 248; o Pelotão de Artilharia Anti Aérea nº. 984; o Pelotão de Intendência nº. 168 ou a Companhia de Artilharia nº. 749.

* - Em 1961, o Negage foi uma das regiões do Norte de Angola mais atingidas pela barbárie da guerra de terror, que colocou toda a zona a ferro e fogo. Muita gente ainda sentirá o pânico que foi verem passar nas ruas verdadeiras hordas de bandidos, armados com canhangulos e catanas, arcos e flechas, para além das armas que iam roubando das Fazendas que haviam atacado indistintamente.

* - Nas imediações do Negage encontram-se os municípios do Quitexe, Puri e Bungo, também martirizados pelo terrorismo.

* - Contam-se muitas histórias àcerca da figura de João Ferreira, um mítico caçador e o maior produtor agrícola do Negage, de entre as quais a historieta de que, por ser um homem desmesuradamente podre de rico, como era, pretenderia mandar confeccionar um fato com a pele de um, dois ou três negros. Não passará de uma das muitas lendas que se contavam sobre este residente, especialmente por parte das facções do MPLA, que jamais veio a ter as boas graças deste Transmontano ricaço, pai de miríades de filhos, brancos, pretos e mulatos, com mais netos que a aldeia poderia suportar, que comprava hotéis só para mandar os directores para o desemprego e tantas outras fantasias que fazem de João Ferreira alguém que se deveria procurar conhecer muito bem.

* - No sentido Negage-Camabatela, logo à saída da cidade, no local onde a estrada faz uma bifurcação com a estrada para a cidade do Uíje, encontra-se o impressionante aglomerado populacional da Aldeia da Missão Católica do Negage. Existiam, igualmente, dois estádios, um pertencente ao Grupo Desportivo do Negage e o outro ao Sporting Clube do Negage, ambos situados à saída da cidade pelo lado da Capoupa, já na estrada para o Quisseque e o Pinganho, onde também havia um campo de Tiro, com fosso olímpico, prancha Trapp, várias máquinas de lançamento de pratos, etc.

* - Sabe-se que hoje, por iniciativa dos vários sectores da sociedade angolana, entre os quais o governo do MPLA, está a ser implementada a reconstrução da cidade, em todos os parâmetros das necessidades locais e com a abertura de novas valências comerciais e industriais. O café já não será o "OURO NEGRO" de que tanto se orgulhava Angola, pois era um produto reconhecido nas quatro partidas do mundo... mas as feridas vão cicatrizando, lentamente, é certo, mas definitivamente.

Rotivsaile (Vitor Elias)

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