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terça-feira, 2 de junho de 2026

Bruno Carvalho - A rapaziada de vermelho




*  Bruno Carvalho

Amanhã, quando ouvires falar mal da rapaziada de vermelho, lembra-te que estão na linha da frente para defender os teus direitos e os dos teus filhos. Lembra-te que és tu, todos nós, que fazemos o país funcionar. 

Apartir desta noite, milhares de mulheres e homens vestidos com coletes vermelhos da CGTP vão estar à porta dos seus locais de trabalho. Não vão apenas perder um dia de salário como todos os grevistas. Vão passar uma noite em branco para esclarecer ainda mais trabalhadores a aderir à greve geral e vão denunciar qualquer ilegalidade cometida pelos patrões. Provavelmente, sem cometerem qualquer crime, alguns serão arrastados, agredidos ou detidos pela polícia a mando daqueles que vivem à custa do suor do nosso trabalho. 

E eis aqui o facto ineludível: se as greves não servissem para nada, não se esforçariam tanto para que não acontecessem, se os sindicatos fossem inúteis, não tratariam de impedir a sua actividade. Através da chantagem e da ameaça, os patrões procuram amedrontar os trabalhadores. Quando não conseguem, chamam a polícia. Por muito que se tape o sol com a peneira, hoje como há um século, vivemos numa permanente guerra de classes. 

Se te portares bem, no fim do ano, eles dão-te uma palmada nas costas e tu dás-lhes uma casa de férias ou um novo Tesla. Luís Montenegro não governa para ti. Governa para eles. É um empregado dos grandes grupos económicos e financeiros. Por isso, amanhã, quando ouvires falar mal da rapaziada de vermelho, lembra-te que estão na linha da frente para defender os teus direitos e os dos teus filhos. Lembra-te que és tu, todos nós, que fazemos o país funcionar. 

Quando o fogo destrói as nossas aldeias, quando a tempestade derruba as nossas casas ou quando os rios arrastam tudo, eles nada fazem. Às vezes parece que nos esquecemos que estamos entregues a nós próprios. À nossa classe. E somos bem mais do que eles. 

«E por mais que nos custe, por mais dor que possa causar, fazer greve é um dever de todo o trabalhador. Outros morreram a fazê-la quando amavam a vida tanto ou mais do que tu, quando precisavam do salário tanto ou mais do que tu, num tempo de fome e miséria.»

A cada madrugada, enchemos autocarros, comboios e metros, apinhados como gado, para encher os bolsos do patrão por uma recompensa miserável. Aumenta a renda, aumenta a conta do gás, aumenta o preço das compras do supermercado, aumenta o combustível, aumenta tudo menos os nossos salários.

Se o Governo quer agora, através do pacote laboral, limitar o direito à greve e a intervenção dos sindicatos nos locais de trabalho, o nosso dever é estar na linha da frente. Com coragem. Por isso, a partir desta noite devemos apoiar os nossos, a rapaziada de vermelho. Ou vestir-nos também de vermelho e engrossar os piquetes como a mais bonita das muralhas humanas.

Quando algum dos nossos os insultar ou disser que não querem é trabalhar, lembra-o que quem não quer trabalhar é o patrão. E por mais que nos custe, por mais dor que possa causar, fazer greve é um dever de todo o trabalhador. Outros morreram a fazê-la quando amavam a vida tanto ou mais do que tu, quando precisavam do salário tanto ou mais do que tu, num tempo de fome e miséria.

Provavelmente, os teus pais ou os teus avós eram operários. Talvez elas fossem costureiras e eles sapateiros, talvez trabalhadores agrícolas, quem sabe operárias numa fábrica de conservas ou metalúrgicos. Muitos deles fizeram greve para conquistar alguns dos direitos que temos hoje e que nos querem tirar. A luta de classes é um continuum histórico de avanços e recuos. Porque eles foram, nós somos. E porque nós somos, outros serão.

Viva a greve geral!
Morte ao Pacote Laboral!

2026-06-02

https://abrilabril.pt/trabalho/rapaziada-de-vermelho?

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Bruno de Carvalho - 25 de Novembro

* Bruno de Carvalho,

E o embaraço dos militares na televisão a tentar explicar porque é que os portugueses são indiferentes ao 25 de Novembro? As ruas completamente vazias são prova disso. De uma Praça do Comércio quase cheia para assistir à iluminação de uma árvore de Natal a uma Praça do Comércio vazia com uma parada militar a imagem é muito óbvia. 

Também tentam esconder factos relevantes. Recordo que, a 25 de Novembro, despediram cerca de 150 jornalistas de meios estatais de forma ilegal num processo de saneamento e perseguição política. Fizeram aquilo que acusaram outros de querer fazer.

O 25 de Novembro não foi uma tentativa de golpe da esquerda. Foi um protesto de um sector das forças armadas contra mudanças na hierarquia militar usado como pretexto para a direita militar iniciar um golpe para esmagar a revolução.

Ninguém saiu à rua para defender o golpe da direita. Os únicos que o fizeram foi para tentar evitar esse golpe. Não tiveram qualquer legitimidade ou apoio popular. De tal forma, que meses mais tarde a direita foi obrigada a aceitar uma constituição que tem o socialismo inscrito no seu preâmbulo. 

50 anos depois podemos dizer que são 50 anos de ruas vazias de qualquer capacidade de celebrar o 25 de Novembro. A direita podia tê-lo feito e nunca tentou porque sabe que seria um fracasso. Ainda assim, é um facto que o 25 de Novembro é a data em que a esquerda militar é derrotada e se inicia um processo contra-revolucionário. 

Quando hoje se fala da data que inscreveu definitivamente a liberdade e evitou um regime comunista, como alega a direita, nunca se diz o que realmente se celebra: o início do processo que empurrou o país para mais desigualdades sociais, pobreza, privatizações, desmantelamento do aparelho produtivo, entrega do poder aos grandes grupos económicos e financeiros e a perda da nossa soberania para a União Europeia.

https://www.facebook.com/pedro.bala/posts/