D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
(95) Pedro Barroso - 'Bonita'
(94) 'Companheira', de Pedro Barroso
(93) - Fidel Castro e o 'Conceito de Revolução'
O trecho pintado no mural representa o «Concepto de Revolución» completo na sua versão mais famosa (a definição síntese). No entanto, ele faz parte de um discurso político muito mais longo proferido por Fidel Castro no dia 1 de maio de 2000, na Tribuna Abierta de la Juventud, los Trabajadores y todo el Pueblo (Praça da Revolução, em Havana). O discurso original completo tem cerca de 4 000 palavras e abordava temas da época (como a crise do caso do rapaz Elián González, as críticas aos Estados Unidos e a situação dos médicos cubanos no estrangeiro). Na parte final, Castro faz a síntese teórica da Revolução. Na fase final do seu mandato, Castro sintetizou em 13 pontos/postulados a definição ética, política e filosófica do que significava a Revolução Cubana para o país e para o futuro.
A passagem completa e exata que define o Conceito de Revolução — tal como ficou gravada e transcrita integralmente na fachada — é a seguinte:
«Revolución es sentido del momento histórico; es cambiar todo lo que debe ser cambiado; es igualdad y libertad plenas; es ser tratado y tratar a los demás como seres humanos; es emanciparnos por nosotros mismos y con nuestros propios esfuerz
os; es desafiar podero sas fuerzas dominantes dentro y fuera del ámbito social y nacional; es defender valores en los que se cree al precio de cualquier sacrificio; es modestia, desinterés, altruismo, solidaridad y heroísmo; es luchar con audacia, inteligencia y realismo; es no mentir jamás ni violar principios éticos ; es convicción profunda de que no existe fuerza en el mundo capaz de aplastar la fuerza de la verdad y las ideas. Revolución es unidad, es independencia, es luchar por nuestros sueños de justicia para
Cuba y para el mundo, que es la base de nuestro patriotismo, nuestro socialismo y nuestro internacionalismo.»
No mural o o artista 'partiu' em linhas na parede, aproveitando a pontuação (os pontos e vírgulas) e o início de cada oração com a palavra "es" para formatar o painel como se fossem versos de um poema, adaptando a prosa ao espaço vertical do portal da fachada.
(92) - Martí e Fidel - Luchar contra lo impossible y vencer
* Gemini
A imagem mostra um mural político e ideológico em Cuba composto por três símbolos principais:
Fidel Castro: Representado à direita, com a sua clássica boina verde e barba, líder da Revolução Cubana.
Busto de José Martí: Fixado na parede, à esquerda acima da bandeira, representando o herói nacional cubano e poeta que inspirou a luta pela independência no século XIX.
Bandeira de Cuba: No centro, onde se une simbolicamente a figura histórica de José Martí ao movimento revolucionário moderno.
para a série «Letras na 'arte urbana'», existem excertos e citações diretas de José Martí e de Fidel Castro que dialogam perfeitamente com a frase e os elementos visuais do mural (luta, superação do impossível, patriotismo e unidade).
terça-feira, 25 de agosto de 2026
(91) John Lennon - 'Give Peace a chance'
* Victor Nogueira / Gemini
A frase escrita na parede remete.nos para a um hino pacifista lançado em 1969 pela Plastic Ono Band, concebido por John Lennon e Yoko Ono durante o famoso protesto Bed-In for Peace em Montreal. A letra enumera de forma acelerada diversos temas sociais, políticos, religiosos e culturais da época para defender que, acima de todas as discussões e ideologias, a prioridade deve ser dar uma chance à paz.
A mensagem central traduz-se no seu célebre refrão:
"All we are saying is give peace a chance"
(Tudo o que dizemos é dêem uma oportunidade à paz)
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
(90) José Régio - Coimbra em Edmundo Betencourt e José Régio
(89) Representações de Álvaro Cunhal 03 - A Imprensa Clandestina e a Fuga de Peniche
Poetas da Imprensa Clandestina (Avante! e O Militante)
Contexto: Nos anos 50 e 60, circulavam no boletim A Voz das Camaradas e no jornal Avante! dezenas de poemas assinados sob pseudónimo ou anonimato por militantes e operários.
Temática: Muitos destes versos eram dedicados a "Duarte" ou "Arnaldo" (os nomes clandestinos de Cunhal) e focavam-se na sua libertação da prisão de Peniche, comparando a sua fuga a uma "brecha na noite" do fascismo.
1. A Imprensa Clandestina e a Fuga de Peniche (Janeiro de 1960)
Nos dias imediatamente a seguir à evasão do Forte de Peniche, versos escritos à pressa por militantes anónimos circularam em edições clandestinas do Avante! e em panfletos distribuídos nas fábricas da Margem Sul e do Porto. Neles, o nome «Duarte» (com o qual Cunhal era conhecido na organização clandestina) surgia como metáfora da própria resistência:
Excerto de poema anónimo militante (circa 1960):
«Caiu a grade, quebrou-se o muro,
rasgou-se o vento na noite fria.
O Duarte volta ao nosso lado,
traz a promessa de um novo dia.
Peniche ruiu na sua vaidade,
a maré alta não guardou a prisão:
quem tem o povo na sua voz
nunca esteve preso na amplidão.»
2. O Boletim «A Voz das Camaradas» (Anos 50)
O boletim interno A Voz das Camaradas era redigido e distribuído clandestinamente por e para as mulheres da organização comunista (muitas delas companheiras de militantes presos ou operárias na clandestinidade). Durante os mais de dez anos em que Cunhal esteve preso (1949–1960), era frequente a publicação de poemas de solidariedade dirigidos aos dirigentes encarcerados:
Versos de uma militante operária (assinado como «Uma Camarada», anos 50):
«Na cela fria onde o tempo para,
não vergam a fibra do teu pensar.
Escreves no escuro, Duarte irmão,
aquilo que o povo há de cantar.
A tua ausência é presença viva
na nossa jornada contra a dor,
por cada grade que te prende a carne,
cresce no peito o nosso amor.»
3. José Dias Coelho e os Artistas na Clandestinidade
José Dias Coelho (esculptor e militante clandestino assassinado pela PIDE em 1961) e a sua companheira Margarida Tengarrinha produziam ilustrações e textos para a imprensa clandestina. Na sequência da fuga de Peniche, multiplicaram-se as estrofes populares escritas para serem cantadas ou declamadas em reuniões clandestinas, celebrando o feito:
Quadras populares clandestinas (1960):
«Peniche já não é fortaleza,
uma porta que se abriu, o camarada
Duarte passou e a noite do fascismo tremeu.
Guardavam-no torres e marés,
guardavam-no armas e sentinelas,
mas a vontade de um povo livre
consegue saltar todas as janelas.»
(Gemini)
(88) Representações de Álvaro Cunhal 02 - Pablo Neruda - 'A làmpada marinha'
Portugal, volta ao homem, ao marinheiro,
à tua razão livre no vento,
de novo
à luz matutina
do cravo e a espuma.
Mostra-nos teu tesouro,
teus homens, tuas mulheres.
Não escondas mais teu rosto
de embarcação valente
posta nas avançadas do oceano.
Portugal, navegante,
descobridor de ilhas,
inventor de pimentas,
descobre o novo homem,
as ilhas assombradas,
descobre o arquipélago no tempo.
A súbita
aparição
do pão
sobre a mesa,
a aurora,
descobre-a,
descobridor de auroras.
Como é isto?
Como podes negar-te
ao céu da luz, tu, que mostraste
caminhos aos cegos?
Tu, doce e férreo e velho,
estreito e largo pai
do horizonte, como
podes trancar a porta
aos novos cachos
e ao vento com estrelas do Oriente?
Proa da Europa, busca
na corrente
as ondas ancestrais,
a marítima barba
de Camões.
Rompe
as teias de aranha
que cobrem teu fragrante arvoredo,
e então
a nós os filhos de teus filhos,
aqueles para os quais
descobriste a areia
até então obscura
da geografia deslumbrante,
mostra-nos que podes
atravessar de novo
o novo mar escuro
e descobrir o homem que nasceu
nas ilhas maiores da terra.
Navega, Portugal, a hora
chegou, levanta
tua estatura de proa
e entre as ilhas e os homens volta
a ser caminho.
Nesta idade conjuga
tua luz, volta a ser lâmpada:
aprenderás de novo a ser estrela.
(87) Representações de Álvaro Cunhal 01 - Eugénia Cunhal - 'Quando vieres'
(86) Fidel Castro - A História me absolverá (1953)
A HISTÓRIA ABSOLVER-ME-Á (frase famosa de Fidel Castro, também traduzida comumente como A história me absolverá).
Textos secundários:
BEM-VINDO FIDEL (repetido duas vezes no muro à esquerda).
Viva Cuba ★ Viva Fidel (manuscrito em pequeno sobre o mapa, à direita).
O Discurso (1953): É a defesa oral proferida por Fidel Castro em tribunal a 16 de outubro de 1953, quando foi julgado pelo assalto ao Quartel Moncada contra o regime de Fulgêncio Batista. A famosa frase fecha a sua intervenção: "Condenai-me, não importa, a História absolver-me-á".
O Livro (1954): Enquanto cumpria pena na prisão da Isla de Pinos, Fidel reconstituiu e redigiu o discurso de memória. O texto foi retirado de forma clandestina da prisão em cartas escritas com sumo de limão (tinta invisível) e publicado em 1954 sob a forma de manifesto/livro, tornando-se o programa político do seu movimento.
A introdução: Onde Fidel critica o julgamento à porta fechada e a violação dos direitos de defesa.
As medidas revolucionárias: Os 5 pontos económicos e sociais propostos para Cuba (reforma agrária, industrialização, habitação, educação e saúde).
O encerramento: A emblemática passagem final onde pronuncia a frase histórica
Rezgar Akrawi - inteligência artificial Revolução ou escravidão silenciosa?
Revolução ou escravidão
silenciosa? Como os algoritmos remodelam a consciência ao serviço do capital
22 de agosto 2026 - 12:51
A submissão da humanidade ao
controlo da máquina já não é uma mera suposição filosófica, pois tornou-se cada
vez mais real perante os avanços da inteligência artificial e a ausência de
controlos jurídicos internacionais eficazes que regulem o seu funcionamento.
* Rezgar Akrawi
domingo, 23 de agosto de 2026
(85) Textos para um mural
O MUNDO É COMPOSTO DE FAZENDA E MUDANÇA (Victor Nogueira)
Cada um de nós é só ele próprio
E a sua boa ou má circunstância,
Procurando em tudo uma substância,
Com arte ou não, o alfa milenário.
Há na terra quem faça santuário
Do sentir ou razão, em abundãncia;
Mas é do cacau terna a fragância
Do fado ter um bom ou mau solário.
O tempo bem diz que é tudo ilusão;
O amor, doçura, felicidade,
Em lixo ou pó substanciando.
Honra, beleza, sentir, no caixão;
Erramos, pelo campo ou na cidade,
No mundo, bem ou mal, vagueando.
Pinhal Novo 1989.09.10




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