sexta-feira, 31 de julho de 2026

(41) Xoto - Setubalense

 

Setúbal, Mural de Explicit Citizens Colectivo no Pavilhão Náutico Municipal ,no Parque Urbano de Albarquel (Foto victor nogueira IMG_8504)


Xoto (IGNIS VERBIS) - SETUBALENSE


* Xoto

Setubalense carrego na alma uma garra uma raiva amarrada a uma corrente irreverente dum rio azul cresci a correr nú pa praia da tróia que saudades meu refúgio meu casulo... azul

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Bruno de Carvalho - [Injluencers ... influenciados por Israel[

 * Bruno Carvalho

 ·
A propagandista Rute Sousa, entre outros, foi a Israel numa viagem paga pelas autoridades daquele Estado. Em várias declarações diz que foram mostrar aquilo que as televisões não querem mostrar e, no entanto, não tem feito outra coisa senão estar nesses mesmos canais por estes dias.
 
Num dos seus últimos vídeos atacou os jornalistas, falou do militante do PCP que esteve como repórter de guerra no Donbass e que teria afirmado que ali não tinha acontecido nada. Esse jornalista sou eu. E é muito curioso porque enquanto jornalista com carteira profissional, com trabalhos publicados em meios nacionais e estrangeiros, eu fui ao lado da guerra onde mais ninguém estava. A propagandista Rute Sousa foi ao lado onde já todos estão. Não há meio conhecido que não tenha enviado alguém a Israel nos últimos anos. Aliás, Israel é tão incrível para este grupo de influencers ao serviço da propaganda de Telavive que não conseguiram explicar porque é que Israel não permite a entrada sem barreiras de jornalistas na Faixa de Gaza. 

Para alguns destes elementos que se gravaram a dançar em cima do chão de um território que está a ser alvo de um genocídio, nunca surgiu a questão sobre porque é que foi aprovada uma pena de morte exclusiva para palestinianos. Tampouco conseguiram explicar porque é que foram assassinados mais jornalistas na Faixa de Gaza do que em qualquer uma das guerras modernas, incluindo a mortífera Segunda Guerra Mundial. Não conseguiram porque esse não é o seu papel. 

Da mesma forma que um publicitário serve para promover uma marca ou um produto, estes influencers são pagos para lavar a cara de Israel no pior momento da sua história. E por muito que o jornalismo esteja a passar por uma grave crise existencial, os jornalistas estão obrigados a cumprir um código ético e deontológico. Quando estive no Donbass, ao contrário do que diz Rute Sousa, nunca disse que ali não tinha acontecido nada. Repeti-o várias vezes: qualquer crime de guerra deve ser condenado e isso aconteceu em ambos os lados. Nunca me pus a defender Putin ou a Rússia, como faz Rute Sousa com Israel, nem me pus a dar a minha opinião ou a fazer análises segundo as minhas crenças religiosas (mesmo sendo ateu) como Rute Sousa. O trabalho de um jornalista não é opinar. 

Noutro tempo, a Alemanha nazi teria feito a mesma operação de charme para atrair influencers, quem sabe para nos convencer de que não havia qualquer genocídio contra judeus, soviéticos e comunistas. Num mundo cada vez mais dominado pelos conteúdos em redes sociais controladas por grandes oligarcas, a tendência será para que os influencers com mais seguidores acabem por determinar a opinião pública. E o problema é precisamente que o algoritmo promova apenas aqueles que pensem como os seus donos. O que disse Rute Sousa, e o seu entourage, poderia perfeitamente ser dito por Elon Musk ou Mark Zuckerberg. 

E o mais grave não é apenas que tenham ido a Israel branquear um Estado assassino. O mais grave é que canais como a CNN e o Now, entre outros meios, legitimem essa operação de turismo de propaganda dando voz à desinformação. É a prova de que o jornalismo gosta de cavar a sua própria sepultura

30 Junho 2026
https://www.facebook.com/pedro.bala/posts/ 

A América que é grande


Vistos deste lado da luta de classes, os 250 anos dos EUA contam uma his­tória de opressão, guerra e de­si­gual­dades. Nas úl­timas muitas dé­cadas, a prin­cipal po­tência im­pe­ri­a­lista do mundo re­pre­sentou, como ainda re­pre­senta, o grande ad­ver­sário das forças da paz, da de­mo­cracia e do pro­gresso so­cial. Mas, se­jamos justos, também ali há – sempre houve! – quem tenha to­mado par­tido pelos que todos os dias lutam pela so­bre­vi­vência e a dig­ni­dade, por quem menos tem, pelos povos opri­midos e agre­didos.

Era norte-ame­ri­cano o cam­peão de boxe Muhammad Ali, que se re­cusou a matar os seus “ir­mãos” vi­et­na­mitas, pois par­ti­lhavam um ini­migo comum – e foi por isso cas­ti­gado e im­pe­dido de de­fender o tí­tulo mun­dial. Como também o era o cantor Paul Ro­beson, que con­fessou ter sido na União So­vié­tica a pri­meira vez que não se sentiu ví­tima de ra­cismo e co­locou a sua mag­ní­fica voz ao ser­viço da paz e dos di­reitos dos povos (a sua in­ter­pre­tação das can­ções da Guerra Civil de Es­panha, num Con­gresso Mun­dial da Paz, emo­ciona).

Eram na­tu­rais dos EUA os mem­bros do Ba­ta­lhão Abraham Lin­coln, que atra­ves­saram o Atlân­tico para in­te­grar as Bri­gadas In­ter­na­ci­o­nais que tra­varam ao lado dos re­pu­bli­canos es­pa­nhóis uma ba­talha de­ci­siva contra o fas­cismo – e muitos por lá fi­caram, mortos. Nas­cido em Oklahoma, Woody Guthrie exaltou os de­ser­dados da Grande De­pressão e cantou um país que de­veria ser para todos, em­pu­nhando a sua gui­tarra – essa má­quina que, avi­sava, “mata fas­cistas”. É também pro­fun­da­mente norte-ame­ri­cano Tom Joad, o per­so­nagem de “As Vi­nhas da Ira”, obra-prima de Stein­beck, que ins­pirou cada luta pelo pão e pela jus­tiça num país di­la­ce­rado pela de­si­gual­dade so­cial e ra­cial.

Era norte-ame­ri­cano o jor­na­lista John Reed, que como ne­nhum outro re­latou ao mundo as epo­peias re­vo­lu­ci­o­ná­rias do Mé­xico in­sur­recto e da Rússia bol­che­vique, com a qual se man­teve so­li­dário até ao fim pre­coce da sua vida, pe­rante a in­vasão de 14 po­tên­cias es­tran­geiras, entre as quais os EUA. Tal como o eram Har­riet Tubman e Fre­de­rick Dou­glass, an­tigos es­cravos que de­di­caram as suas vidas a com­bater a es­cra­va­tura e a apoiar os que não ti­veram as mesmas pos­si­bi­li­dades de eman­ci­pação.

Outro norte-ame­ri­cano, o ve­te­rano da Guerra Civil Henry Reeve, vi­ajou para Cuba para com­bater ao lado dos pa­tri­otas que no sé­culo XIX lu­tavam contra o do­mínio es­pa­nhol, luta essa que via como uma ex­tensão da sua pró­pria, contra a es­cra­va­tura (de origem ir­lan­desa, opunha-se também ao co­lo­ni­a­lismo). Nas fi­leiras do exér­cito re­belde cu­bano, Henry Reeve atingiu o posto de Bri­ga­deiro-Ge­neral antes de morrer em com­bate. Mais de um sé­culo pas­sado, a Re­vo­lução cu­bana honrou o herói in­ter­na­ci­o­na­lista dando o seu nome ao Con­tin­gente Mé­dico In­ter­na­ci­onal es­pe­ci­a­li­zado em si­tu­a­ções de emer­gência na­tural e sa­ni­tária.

Esta Amé­rica sim, é grande!

Avante n.º 2748 (30/07/2026)

(40) - António Maria Eusébio, “o Calafate” - Nunca fui mal procedido

* Victor Nogueira

 
Setúbal - Parque do Bonfim - António Maria Eusébio, “o Calafate” (1819 - 1911), nome pelo qual era conhecido devido à profissão que tinha. foi um poeta  popular analfabeto e apelidado também de “o cantador de Setúbal”, somente aos 84 anos de idade publica os seus versos em folhetos. Este monumento inaugurado em  1968,  é da autoria do escultor Castro Lobo, em bronze e mármore branco 


Nunca fui mal procedido.
Nunca fiz mal a ninguém.
Se acaso fiz algum bem
não estou disso arrependido.
Se mau pago tenho tido,
são defeitos pessoais.
Todos seremos iguais
no reino da eternidade.
Na balança da igualdade
Deus sabe quem pesa mais.

Setúbal Monumento a Calafate, poeta popular (foto victor nogueira  _EDC1040 editada pelo Gemini 

(39) Sebastião da Gama - Naufrágio

* Victor Nogueira

Monumento de Homenagem aos Pescadores de Setúbal” da autoria de António Pacheco, inaugurado em 2006, situa-se na Doca dos Pescadores. (fotos em 2012) A embarcação com a imagem de  "N. Sra da Arrábida" retratada recebeu o nome de "Nossa Senhora Estrela-do-mar" e, numa placa, está contido o poema "Naufrágio", de Sebastião da Gama.

NAUFRÁGIO

Não era por mal …
A onda que vinha
não vinha por mal.

Mas veio, mas veio…
E logo a barquinha
partiu pelo meio.

Nem homem, nem velas.
Quando a bordo ia,
com fé abalara,
morreu já sem ela.

Mas, se a onda veio,
não veio por mal:
era irmã daquela
que chegou à praia,
que embala barquinhos
de meninos pobres.

Os meninos brincam.
Navegam em barcos
Feitos de cortiça,
Feitos de jornal.
Quase à mesma hora,
longe, os pais naufragam
sem nenhuma ajuda.

Mas não é por mal…

      In ‘Cabo da Boa Esperança’
 
Setúbal - Monumento aos pescadores (Foto victor noguera HPIM2955)

quarta-feira, 29 de julho de 2026

(38) Laureano Rocha - Rio Azul




Setúbal Av Luísa Todo Escultura Golfinhos - Rio Azul poema de Laureano Rocha (Fotos victor Nogueira MG_6471  e IMG_6469)

 

Xico da Cana - Rio Azul (Laureano Rocha / Mario Regalado)

Rio Azul

Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguem pode ensinar

Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro

Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.

Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.

(Rio Azul, poema de Laureano Rocha)


Na Rua do Seixal, no Bairro do Troino e à sombra da Igreja de N. Sta da Anunciada, defronte da Tasca do Xico da Cana, encontra-se este mural, com versos da canção "Rio Azul" (Foto victor nogueira IMG_4057)

Setúbal, Mural de Explicit Citizens Colectivo no Pavilhão Náutico Municipal ,no Parque Urbano de Albarquel (Foto victor nogueira IMG_8503)

VER

(37) - Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto


* Victor Nogueira 



O agoiro do bufo, nos penhascos, 
foi o sinal da Paz. 
O Silêncio baixou do Céu, 
mesclou as cores todas o negrume, 
o folhado calou o seu perfume, 
e a Serra adormeceu. 

Depois, apenas uma linha escura 
e a nódoa branca de uma fonte amiga; 
a fazer-me sedento, de a ouvir, 
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir. 

O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou 
e anda agora à procura, pela Serra, 
da verdade dos sonhos que na Terra 
nunca alcançou. 

E outros murmúrios de água escuto, mais além: 
os Poetas embalam sua Mãe, 
que um dia os embalou. 

 (Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto)

 


Monumento evocativo do poeta Sebastião da Gama, com excerto dum poema Fotos Victor Nogueira IMG_6485, IMG_6488 e  IMG_6493)

(36) Bocage - Auto-retrato [Magro, de olhos azuis, carão moreno]

* Victor Nogueira

Em Setúbal o  'Auto-retrato', de Bocage, figura num painel de azulejos e numa exposição efêmera ' Bocage na Rua - 30 + 1 Poemas' 

 

Auto-retrato - Palácio do Salema (Praça de Bocage) (foto victor nogueira editafa pelo chatGPT IMG_0524) 

Auto-retrato

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento. 
 
12. - Terreiro de Santa Maria
casa da avó materna de Bocage
intervenção plástica de Jaf Jaf

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tiago Franco - OS AVENÇADOS DE ISRAEL |



* Tiago Franco

Por achar que já não tenho irritações que cheguem na vida, o algoritmo desta rede passa a vida a bombardear-me com "influencers" portugueses, de extrema-direita, pagos pelo estado de Israel para andarem por Gaza a repetir as narrativas que lhes são ditadas.

Vou deixar de lado esta coisa, muito do século XXI, da malta arranjar sustento a dizer banalidades e transmiti-las para uma geração onde, apesar da informação ao minuto, sobra ignorância. Quando vejo pessoal da minha idade, e mais velhos, a repetirem ideias destes gajos, vou perdendo um pouco a fé na humanidade. 

Não vou fazer publicidade a esta gente, são as novas Ferro Gouveia em potência e provavelmente vocês já os/as terão visto por aí. A gorducha da voz irritante, o anafado do táxi, a cruela da voz rouca e mais umas quantas azedas que por aqui andam.

Também não vou discutir o investimento que Israel faz em publicidade com influencers de vários países. Isso é do conhecimento público e nem aquele estado genocida o nega. 

Até percebo que se tenha que meter comida na mesa e, trabalhar, é algo que a poucos apetece.   Estou solidário nessa parte. Se pudesse andar a bater mundo e alguém me fosse pagando as contas, certamente chegaria mais depressa a alguns dos sonhos que me faltam concretizar. 

Mas não há um limite, de decência vá, para o preço da nossa alma? Por mais ódio e frustração que a vida nos traga, por mais racistas e intolerantes que sejamos, por mais xenófobos, conservadores ou islamofóbicos...não há uma linha vermelha a partir do qual se diz, "tenho que arranjar outra forma de pagar as contas"?

Há algum ser humano com coluna que, vendo o que os colonos na Cisjordânia estão a fazer, consiga encontrar um ponto de vista que justifique aquele terror e a expulsão dos palestinianos?

Alguém, que não siga fanaticamente a vida por um qualquer livro religioso, a bíblia, a tora, o corão ou outra merda qualquer, consegue encontrar uma justificação para as constantes chacinas em Gaza? Ainda se fala no 7 de Outubro como justificação? Os 70 000 (número onde parou a contagem) palestinianos mortos, maior parte deles mulheres e crianças, ainda não chegam para justificar o "direito de defesa" sobre a morte de 800 civis israelitas?

Quando vemos aquele inenarrável ministro de extrema-direita, Ben-Gvir, a entrar por Gaza a dentro, com uma horda de colonos, a gritar "quem diria, há 3 anos, que hoje estaríamos a controlar 70% da faixa de Gaza?", ainda conseguimos procurar uma narrativa que justifique as atrocidades de Israel?

Quase 2 milhões de pessoas, em Gaza, enfiadas num quintal, em condições desumanas e outros tantos na Cisjordânia, a sofrerem um processo de expulsão, patrocinado pelas IDF. E prestam-se estes "influencers", um pouco por todo o mundo, a troco de umas viagens e uns trocos para ficarem em casa a fazer vídeos mais uns meses, a mentir para as suas comunidades, fazendo parte de uma tentativa, à escala global , de limpar a imagem de Israel. 

Mas como? Sim, como meus amigos? Dá para apagar a morte de milhares de mulheres e crianças inocentes? Ou ainda estamos a vender a história de que cada pedra em Gaza era um terrorista do Hamas? Dá para apagar os vídeos diários de novos colonatos na Cisjordânia? Dá para apagar os vídeos do Ben-Gvir a celebrar a pena de morte para palestinianos? 

Também já perdi um pouco a paciência para as discussões das perspectivas ou das opiniões. Não há duas visões em crimes tão óbvios e tão desproporcionais.

Quem, a troco de dinheiro (ou não), se presta ao papel de tentar justificar um estado genocida, está exactamente a entrar no papel de colaboracionista, mas sem aquela desculpa clássica e histórica de quem luta pela sobrevivência. 

São, no fundo e apenas, uns filhos da puta

27 Junho 2026
https://www.facebook.com/tiago.franco.735

(35) Bocage - Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado

* Victor Nogueira

Em Setúbal, o soneto  de Bocage, ' Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado ' é tema num viaduto ferroviário, num conjjunto excujtórico e numa exposição efêmera ' Bocage na Rua - 30 + 1 Poemas' 


Foto victor nogueira - Setúbal EN 10 (CC Allegro) viaduto ferroviário (IMG_9831) . "Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado" (Bocage)



Setúbal, Av. Luísa Todi - Escultura com soneto de Bocage Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado (fotos victor nogueira IMG_6531 / IMG_1629)

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitos, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado:

Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;

E talvez entre impávidas falanges
Testemunhas farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganjes.



5. - Postigo da Ribeira (Avenida Luísa Todi)
intervenção plástica de Wagner Borges

(fotos victor nogueira editadas pelo chatGPT  (IMG_2966 e IMG_2494 )

Daniel Oliveira ~ Smart Glasses are watching you!


* Daniel Oliveira

Os óculos inteligentes da Meta, que gravam sem se notar, são o novo negócio assente na erosão de um luxo que a humanidade levou séculos a conquistar e está a morrer: a privacidade. Já não é o Estado quem nos vigia, mas quem lucra com os nossos dados.

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Dilara, de 21 anos, estava na hora de almoço quando um homem puxou conversa e a filmou. O vídeo foi parar ao TikTok, chegou a 1,3 milhões de visualizações e incluía o número de telefone dela. Foi inundada de chamadas e mensagens, e chegou a ter homens desconhecidos a aparecer no seu local de trabalho. Denunciou o vídeo ao TikTok e a resposta foi que não tinha sido encontrada "nenhuma violação". Kim, de 56 anos, foi filmada numa praia, numa conversa em que partilhou pormenores sobre a entidade patronal e a família que nunca teria revelado se soubesse que a câmara estava ligada. O vídeo ultrapassou os 6,9 milhões de visualizações no TikTok e recebeu mais de 100 mil gostos no Instagram, e Kim descreveu sentir-se "como um pedaço de carne". Nenhuma das duas consentiu.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Daniel Oliveira - Os Estados Unidos eram mesmo um modelo de democracia?

* Daniel Oliveira

"A shining city upon a hill." Era assim que os Estados Unidos se viam e queriam que o mundo os visse — um modelo, um farol, uma democracia exemplar. Durante décadas, o mundo acreditou. Trump não criou as fragilidades que esta narrativa escondia. Mas tornou impossível continuar a ignorá-las. Um exercício de memória e de factos sobre o maior mito político do século XX

"City upon a hill." A expressão vem de um sermão de 1630, antes ainda de existir nação. John Winthrop usou-a para descrever uma comunidade cristã exemplar. Ronald Reagan ressuscitou-a, acrescentou-lhe “shining” e transformou-a em marca geopolítica: os Estados Unidos como farol do mundo livre, modelo que os outros deviam imitar. Durante décadas, o mundo — e os próprios americanos — aceitou a narrativa com uma deferência que raramente se concede a outros países. Havia razões para isso.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Em defesa da língua sarda


Victor Nogueira / ChatGPT

Pesquisei especificamente por transcrições do Prologu assu devotu Letore e do Legendariu de 1627.

O resultado é o seguinte:

  1. Não encontrei uma transcrição integral em acesso livre do prólogo. O que existe é sobretudo o fac-símile da edição original.
  2. Encontrei, porém, vários estudos académicos que citam e transcrevem passagens importantes do prólogo, sobretudo por causa da defesa da língua sarda feita por Garipa.

Entre as passagens mais citadas estão:

(34) - Giovan Matteo Garipa; língua e cultura sardas

 

Este mural em Orgosolo é uma exaltação da língua, cultura e história literária sarda, prestando homenagem a uma das figuras intelectuais mais importantes da história da vila: o padre e escritor Giovan Matteo Garipa (século XVII).

O texto nas paredes é uma citação direta retirada do prólogo da obra Su Legendariu de Santas Virgines et Martires de Jesu Cristu (1627), escrita por Giovan Matteo Garipa e considerada um marco da literatura em prosa sarda:

Entrevista de Alexandra Lucas Coelho ao jornal Ágora

 


* Bruna Ribeiro e Lara Viana 

“O que aconteceu em Gaza representa o maior colapso do jornalismo internacional”

Entre Gaza, Afeganistão, Líbano e Palestina, Alexandra Lucas Coelho fez da reportagem um modo de atravessar conflitos e compreender o ser humano nos seus extremos. Nesta entrevista, aborda o drama de Gaza e considera que o mundo falhou por não pressionar Israel a favor do jornalismo.

 Como se apresentaria hoje: mais jornalista, mais escritora?

Continuo a ser jornalista isso não desaparece, tal como um médico nunca deixa de o ser. Mantenho a carteira profissional e volto à reportagem quando é preciso, como no Líbano e na Palestina depois de 7 de Outubro. Mas há vários anos que o meu trabalho principal são os livros: tenho romances em andamento e é nisso que concentro o meu tempo. Por isso, hoje sou sobretudo escritora, embora nunca deixe de ser jornalista.