domingo, 19 de abril de 2026

Discurso de Chaplin em 'Monsieur Verdoux'


Aguardando a execução por seus crimes, Verdoux diz a um jornalista: "Um assassinato faz de alguém um vilão... milhões fazem de alguém um herói. Os números santificam meu bom amigo."



Transcrição das declarações finais de Verdoux ao tribunal durante seu julgamento em Monsieur Verdoux :

Juiz: Senhor Verdoux, o senhor foi considerado culpado. Tem algo a dizer antes que a sentença seja proferida?

Verdoux: Sim, senhor, eu tenho. Por mais negligente que o promotor tenha sido em me elogiar, pelo menos admite que eu tenho cérebro. Obrigado, senhor, eu tenho. E por trinta e cinco anos o usei honestamente, depois disso… ninguém o quis. Então fui forçado a abrir meu próprio negócio. Quanto a ser um assassino em massa, o mundo não o incentiva? Não é construir armas de destruição com o único propósito de matar em massa? Não explodiu mulheres e crianças inocentes em pedaços, e o fez de forma muito científica? Como assassino em massa, sou um amador em comparação. No entanto, não quero perder a cabeça, porque muito em breve perderei a cabeça. Mesmo assim, ao deixar esta centelha de existência terrena, tenho isto a dizer… Vejo vocês todos muito em breve… muito em breve…


As seguintes linhas foram suprimidas do discurso, presumivelmente para satisfazer o gabinete de Breen:

Ficar chocado com a natureza do meu crime não passa de uma farsa… uma simulação! Vocês se deleitam no assassinato… vocês o legalizam… vocês o adornam com galões de ouro! Vocês o celebram e o exibem! Matar é a atividade que sustenta o seu Sistema, a base da sua indústria!


Trecho de uma carta do Escritório Breen para Chaplin, parte de uma correspondência relativa à censura "necessária" do filme antes de seu lançamento: "A alegação de Verdoux é, derivativamente, que é ridículo se chocar com a extensão de suas atrocidades, que elas são uma mera 'comédia de assassinatos' em comparação com os assassinatos em massa legalizados da guerra, que são embelezados com galões de ouro pelo 'Sistema'."

Naturalmente, a alegação de Verdoux não foi bem recebida pelos responsáveis ​​pela censura.

https://www.charliechaplin.com/en/articles/244-Speech-from-Monsieur-Verdoux

O pecado original de Pacheco Pereira

Pacheco Pereira não se arrepende do frente-a-frente com Ventura: “Se fosse hoje, repetiria”

Em declarações ao DN, José Pacheco Pereira defende sem hesitações a decisão de desafiar André Ventura para um debate e rejeita as críticas de quem considera que saiu a perder. Para o historiador, discutir o populismo à distância é um erro: “Tem mesmo de se meter a mão na massa”, diz, depois de ter enfrentado o líder do Chega. E recusa uma “espécie de snobismo intelectual”.

Alexandra Tavares-Teles

16 Abr 2026,  

“Estou muito contente com o que fiz e se fosse hoje repetiria”. José Pacheco Pereira defende sem reservas a decisão de desafiar André Ventura para um debate e rejeitou as críticas de quem entende que o historiador perdeu ao aceitar o frente-a-frente transmitido pela CNN Portugal na noite de 13 de abril, depois de Ventura ter insistido na tese de que houve mais “presos políticos” após o 25 de Abril do que em vésperas da revolução, afirmação que Pacheco Pereira classificou publicamente como uma “comparação absurda”.

Sim, tem mesmo de se meter a mão na massa”, afirmou, sublinhando que não aceita a ideia de que o combate político ao populismo se faça à distância. “Não alinho nessa posição. Se as pessoas têm pruridos em sujar as mãos, fazem mal. Em casos destes, é preciso sujar as mãos”, acrescentou.

O historiador respondeu assim à metáfora, repetida nos últimos dias em artigos de opinião e comentários nas redes sociais, de que “nunca se deve lutar com um porco”, fórmula usada por vários observadores para criticar o tom do confronto com o líder do Chega,  com comentadores a argumentarem que o frente-a-frente acabou por arrastar Pacheco Pereira para o terreno preferido de Ventura.

Mas o antigo dirigente do PSD recusa a conclusão. “A ideia de que não devemos rebaixar-nos tem a ver com medo. Há muito medo”, diz o historiador. E vai mais longe: “A história diz-nos que, nos anos 30 e, mais recentemente, em França, com a Frente Nacional, esse caminho, inicialmente seguido,  foi depois revertido por uma razão: não se pode deixar que digam certas coisas sem reação.”

Para Pacheco Pereira, o erro está precisamente em deixar o espaço público livre para esse tipo de discurso. “Há uma esquerda que assume uma espécie de snobismo intelectual - eles são maus, discutem à bruta e, portanto, não se fala com eles. Sabe qual é o efeito que isso tem? Encontro esse efeito na rua, nas pessoas que me abordam depois daquele debate”, relatou. “É um número muito significativo de pessoas que vem ter comigo, que saem da mesa do restaurante para me cumprimentar. Não são apenas pessoas da elite. São pessoas  que não se sentem representadas.”

Segundo o historiador, a reação popular ao debate mostrou que existe um sentimento de vazio no campo democrático perante a ascensão do discurso populista. “Vêm ter comigo com uma certa dose de emoção e essa emoção tem a ver com o facto de não se sentirem representadas nesses outros debates”, afirmou, defendendo que o confronto direto é uma forma de responder a esse mal-estar.

Pacheco Pereira considera ainda que o frente-a-frente teve uma utilidade concreta: "expor afirmações de Ventura sobre o 25 de Abril que nunca tinha dito. E só isso foi uma enorme vantagem”, concluiu Pacheco Pereira, sustentando que o debate permitiu tornar visível, de forma mais nítida, a leitura que o líder do Chega faz da democracia saída da Revolução dos Cravos. Ainda que lamente: “O mais grave é que as frases mais significativas que o Ventura disse, inclusivamente que o 25 de Abril era miserável, ninguém as reproduziu”.

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/pacheco-pereira-no-se-arrepende-do-frente-a-frente-com-ventura-se-fosse-hoje-repetiria#google_vignette

 

Opinião DN

O pecado original de Pacheco Pereira

Paulo Guinote, Professor do Ensino Básico

16 Abr 2026

Não sou dos que acha que não vale a pena “debater com fascistas”, estando em causa André Ventura. Porque ele é, antes de mais, um político oportunista, demagogo mais do que populista (ele só promete tudo às “pessoas de bem”, o que reduz muito o universo…) e porque, em alguns contextos, é essencial desmascarar as mentiras e mistificações que algumas figuras apresentam como verdades irrevogáveis e, nesse particular, Ventura está longe de ser o único mistificador no activo.

André Ventura só é “fascista” nos momentos em que esse tipo de discurso ou atitude se revelam vantajosos para a angariação de votos. Ou de apoios de bastidores. Ou de financiamentos. Porque já o vimos ser um pouco de tudo: cristão devoto (mais ou menos católico), proto-sindicalista empedernido (do apoio a sindicatos de polícias, ao esquecido anúncio da criação de uma nova federação sindical), nacionalista dos quatro costados, a par de atlantista bissexto. Pactua com grupos neo-nazis, desde que isso não ganhe destaque público e é acérrimo inimigo dos corruptos, a menos que lhe facilitem ancoragem financeira. Ora, qualquer “fascista” digno desse apodo teria vergonha de colocar cartazes com mensagens que depois se tentam reinterpretar de forma manhosa.

O “verdadeiro fascista” não pratica o toca-e-foge ou o desdisse-o-que disse. Ventura é apenas um simulacro para os tempos que temos, marcados pela promoção de produtos para consumo mediático de massas, se possível com aroma a “sangue”, não interessando se é coerente no percurso, desde que pareça “assertivo” de cada vez que faz uma curva ou inversão de marcha. Se pode ser perigoso, chegando-se muito ao poder? Sim, se isso corresponder ao abrir de portas à peculiar confederação de interesses que congregou graças ao seu sucesso no mercado político-mediático.

Pacheco Pereira sabe isto, pois foi claro quando declarou que nunca qualificou Ventura como fascista. Mas equivocou-se ao considerar que um debate entre os dois serviria para algo mais do que produzir audiências ao canal anfitrião. Porque podem muitos bater no peito que nunca assistiriam a tal confronto que a curiosidade mórbida vence quase sempre essas proclamações. O único “vencedor” do debate foi, pois, a CNN Portugal.

Ao desafiar Ventura, Pacheco Pereira cometeu um duplo erro de cálculo: concedeu ao seu interlocutor um estatuto de equivalência intelectual que, gostemos mais ou menos do trajecto de JPP, muito poucos reconhecem e achou que seria possível uma espécie de “duelo de cavalheiros”. Achou que apresentando “regras”, isso impediria o atropelamento no discurso ou o escorregar para a luta na lama retórica. Acreditou que apelando à apresentação de “factos” isso teria o mesmo significado para o seu oponente. Considerou que levando livros e documentação variada conseguiria “provar” uma verdade, cuja validade a outra parte não reconhece. A Ventura chega um punhado de fotocópias para fazer o seu número e exibir indignação. Pacheco Pereira pensou que a racionalidade calma venceria a emoção encenada. Enganou-se.

Todos cometemos erros, por arrogância intelectual, por inconsciência das circunstâncias ou má avaliação das qualidades, próprias e alheias. Pacheco Pereira parece não ter percebido que nada tinha a ganhar com este debate e Ventura nada a perder. Foi esse o seu pecado original.

Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico

https://www.blogger.com/blog/post/edit/7624295442706210520/3893848410623296261


Ventura sabe que mentiu?

Pedro Tadeu, Jornalista

17 Abr 2026,  

No debate, segunda-feira na CNN, com Pacheco Pereira, André Ventura disse que os políticos “do sistema” não admitem os crimes políticos do pós-25 de Abril e citou conclusões do Relatório da Comissão de Averiguação de violências sobre presos sujeitos às autoridades militares”, o chamado “Relatório das Sevícias” – mas ao fazê-lo desmentiu-se a si próprio.

Esse relatório, publicado em julho de 1976, foi elaborado por indicação do Conselho da Revolução no rescaldo do 25 de Novembro de 1975. Este facto foi omitido por Ventura.

O documento foi um instrumento político dos vitoriosos desse último golpe e muito do que lá se diz não está devidamente sustentado, nem inclui a defesa das pessoas e instituições acusadas de serem autoras das ditas sevícias. É parcial e duvidoso, mas, sem dúvida, também conterá verdades.

O ponto central para esta discussão não é esse. O ponto é que, ao contrário do argumento de Ventura, o regime democrático que o 25 de Abril criou em 1974 já discutia abertamente, a nível oficial e menos de dois anos depois, os abusos que o próprio regime teria cometido, coisa que durante 48 anos de fascismo português nunca aconteceu – de resto, o dito relatório está disponível, para toda a gente, no site da Presidência da República, não está escondido.

Portanto, quando André Ventura afirma que em 50 anos de democracia a classe política dominante não admitiu a existência de abusos de Direitos Humanos no pós-25 de Abril está a mentir e contradiz-se quando apresenta como prova um relatório que até foi elaborado por alguns atores do dia 25 de Abril de 1974, como, por exemplo, o jornalista Francisco Sousa Tavares.

Outra manipulação de André Ventura é a de dizer que nunca Salazar e Caetano assinaram ordens de prisão, o que só teria acontecido no pós-25 de Abril.

Nem Salazar, nem Caetano precisavam de escrever ordens de prisões políticas porque as davam verbalmente. Por exemplo, Silva Pais, que foi diretor da PIDE a partir de 1962, aparece mencionado 119 vezes nas agendas de audiências individuais de Salazar, que saiu do poder seis anos depois. Dá quase 20 vezes por ano.

Ventura queixou-se de que houve três mil presos políticos a seguir ao 25 de Abril e que 30 mil pessoas fugiram do país.

Em 1974, segundo a Comissão de Extinção da PIDE/DGS, havia 3000 agentes da polícia política e mais de 20 mil informadores (os chamados “bufos”). Se a isto somarmos vários militares, polícias, membros da Legião Portuguesa, muitas outras autoridades como governadores civis, ministros, secretários de Estado, altos funcionários públicos, quadros das comissões de censura, juízes dos tribunais plenários e alguns outros milhares de pessoas que participavam ativamente, mesmo de forma indireta, nas estruturas de repressão política do regime fascista, teremos de perguntar: “Poderia uma revolução que deita abaixo um regime repressor manter as pessoas que exerciam essa repressão em liberdade?”

Na verdade, até seria de esperar que houvesse mais prisões e mais fugas, mas, apenas 17 meses depois, tal como André Ventura acabou por dizer, quase todos estavam livres ou começavam a voltar. E isso demonstra a tolerância do 25 de Abril.

Mais de 30 mil resistentes e patriotas não tiveram essa sorte durante o fascismo. Álvaro Cunhal, por exemplo, amargou mais de 11 anos na cadeia e só se libertou porque fugiu do Forte de Peniche. Esteve 14 anos fora do seu país... até ao 25 de Abril.

Como é que se pode comparar uma coisa com a outra?!

https://www.dn.pt/opiniao-dn/ventura-sabe-que-mentiu

sábado, 18 de abril de 2026

Um poema de Serafino Spiggia?

 

 Mural em Orgosolo, Sardenha, com poema de Serafino Spiggia. Na parte inferior esquerda lê-se: 7 10 2016  A SERAFINO SPIGGIA

🧠 Quem foi Serafino Spiggia  poeta local de Orgosolo escreveu em língua sarda (variante logudoresa) focado em: identidade rural paisagem memória comunitária 👉 Não é um autor “canónico internacional”, mas sim: um poeta de forte enraizamento local — exatamente o tipo que Orgosolo celebra nos murales

❗ Não existe publicação conhecida do poema completo tal como aparece n o mural Depois de cruzar informação disponível sobre Serafino Spiggia, verifica-se que: Ele escreveu poesia, contos e textos etnográficos em sardo, mas os textos estão dispersos em livros, recolhas locais e tradição oral não há base de dados pública com os poemas completos transcritos

👉 A principal obra identificada é Orgosolo racconta  — uma coletânea de histórias e textos ligados à memória local Mas: não há correspondência direta documentada entre esse livro e o poema do mural nem aparece online uma versão integral desse poema específico 🧠 O que isto significa (rigor académico)  O que tens no mural é muito provavelmente: ✔️ 1. Um excerto (ou adaptação) fragmento de um texto maior ou versão adaptada para mural ✔️ 2. Texto de tradição local possivelmente transmitido oralmente depois fixado (ou reescrito) por Spiggia ✔️ 3. Recriação mural Em Orgosolo é comum: textos serem adaptados ao espaço visual não reproduzirem versões “editoriais” fixas

📚 Sobre o autor (confirmação)  Serafino Spiggia foi: poeta e escritor ligado à cultura sarda também pastor e professor profundamente envolvido na preservação da tradição oral 👉 Isto reforça a ideia: o texto do mural pertence mais à memória cultural viva do que a um “poema fixo publicado”

✔️ Conclusão clara ❌ Não é possível localizar uma versão “oficial completa” publicada online ✔️ O mural contém a versão mais completa atualmente acessível do poema ✔️ Trata-se provavelmente de: excerto, adaptação, ou fixação mural de tradição oral
 

📝 1. Transcrição (sardo)

Orgosolo
tutta
in s’antigori ona

naschida dae orgosa
sa rocca de su bisorgone
terra luxosa.

De ilighes, de chercos e lidone;
in ischinales friscaos e bentosos
abitaiant chervos e mugrones.

Aias bestiamene e pasturas
in donzi’ addae e in sas arturas.

In sos campos furades a sa matta
b’ant fattu binzas, ortos e cultivos,
ortos de mojòs, mandrias e cuiles;
de caminos b’aiat paga trassa
meda ricos de abba fint sos rios
e in totu pinnetos e capules.


🇵🇹 2. Tradução para português

Orgosolo,
toda
na sua antiguidade,

nascida de rocha,
a rocha do Bisorgone,
terra luminosa.

De azinheiras, de carvalhos e medronheiros;
nos desfiladeiros frescos e ventosos
habitavam veados e javalis.

Eiras, criação de gado e pastagens
em cada vale e nas alturas.

Nos campos lavrados desde a madrugada
fizeram vinhas, hortas e cultivos,
hortas, rebanhos e abrigos pastoris;
de caminhos havia abundância de trilhos,
muito ricos de água eram os rios
e por toda a parte pinhais e matagais.


✔️ Notas de rigor

  • “ilighes” → azinheiras
  • “chercos” → carvalhos
  • “lidone” → medronheiros
  • “mugrones” → javalis
  • “cuiles” → abrigos de pastores (típicos da Sardenha)
  • “abba” → água
(chatGPT)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

"Ditadura" ou "palas nos olhos"? Pacheco Pereira e Ventura: O essencial


Pacheco Pereira acusou o líder do Chega de liderar um partido cruel e "anti-cristão", num debate em que André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda.

14/04/2026  

José Pacheco Pereira acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e liderar um partido cruel e "anti-cristão", num debate em que André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda e acusou-o de ter "palas nos olhos".

O debate da noite de segunda-feira na CNN Portugal partiu de um desafio lançado por Pacheco Pereira - e que André Ventura aceitou - para uma discussão baseada em "factos e documentos", após a polémica intervenção do presidente do Chega no Parlamento durante a sessão solene que assinalou os 50 anos da Constituição.

O frente a frente decorreu em tom aceso, com interrupções constantes e durou quase mais 30 minutos do que tinha sido anunciado. Os dois intervenientes tinham documentos para basear os argumentos que foram referindo, e Pacheco Pereira levou também uma palmatória, utilizada para castigos corporais.

Os dois mantiveram as respetivas posições relativamente ao número de presos políticos antes e depois da Revolução de 1974, com o líder do Chega a procurar justificar que quis dizer no Parlamento que "no dia antes da Revolução havia menos presos políticos do que houve uns meses depois", para tentar "acabar com aquela narrativa" de que "foi tudo mal antes e foi tudo bom depois".

André Ventura rejeitou também que todas as pessoas detidas nas antigas colónias fossem presos políticos e acusou José Pacheco Pereira de só se indignar "com a violência da direita", enquanto a "violência da esquerda parece-lhe tudo bem e parece-lhe tudo aceitável", repetindo várias vezes que o seu opositor tem "palas nos olhos".

"Há comparações que são elas próprias mentiras, e uma dessas comparações é falar do que aconteceu no período em 1974, 1975 e 1976 e comparar, que é o que o André Ventura faz, com o que aconteceu nos 48 anos anteriores", criticou José Pacheco Pereira, considerando "uma comparação absurda".

O historiador acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e "dizer que o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes" do 25 de Abril.

"E essa comparação coloca-o do lado de antes do 25 de Abril. Sabe porquê? Porque o que está a fazer, é dizer que a democracia é igual à ditadura", criticou José Pacheco Pereira.

O antigo líder parlamentar do PSD considerou também que este não foi "um debate entre direita e esquerda", mas sim "um debate sobre a História".

Questionado diretamente se gosta mais do antigo regime ou do atual, André Ventura respondeu que "o que gostava de ter era uma democracia plena".

"Nós tivemos uma revolução miserável [...] O que nós devíamos ter tido era uma transição democrática, não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder, a expropriar, a matar e a prender", afirmou.

Neste ponto, Pacheco Pereira contrapôs que a Revolução de 1974 "deu a liberdade a Portugal" e a "democracia para [Ventura] poder estar no Parlamento", e acusou o líder do Chega de mostrar "ignorância e demagogia".

Sobre a descolonização, o líder do Chega classificou esse processo como "uma tragédia" e acusou o Estado de ter "abandonado" as famílias que voltaram de África e os antigos combatentes.

Já Pacheco Pereira considerou que a "grande responsabilidade do que aconteceu em África e do tumulto que se gerou depois de 1975 é de Salazar e Marcelo Caetano".

O historiador acusou ainda André Ventura de liderar um país cruel e "o mais anti-cristão", considerando que as posições do Chega contrariam as defendidas pelo Papa.

No debatem houve ainda tempo para falar sobre corrupção, com o presidente do Chega a considerar que "Sócrates roubou muito mais do que Salazar" e Pacheco Pereira a defender que o antigo primeiro-ministro "foi protegido durante muitos anos, entre outras coisas, pelo PSD" e que o partido de Ventura, ao "associar a corrupção à democracia", está a "lutar contra a democracia". 

https://www.noticiasaominuto.com/politica/2972051/ditadura-ou-palas-nos-olhos-o-debate-de-pacheco-pereira-e-ventura

 "Estou muito contente com o que fiz", diz Pacheco Pereira sobre debate

"Estou muito contente com o que fiz e, se fosse hoje, repetiria", afirmou o historiador José Pacheco Pereira sobre o debate com o líder do Chega, André Ventura, durante o qual foi discutido o 25 de Abril.

16/04/2026  

O historiador e antigo deputado do partido Social Democrata (PSD) José Pacheco Pereira afirmou, esta quinta-feira, que está "muito contente" com a sua prestação no debate contra o líder do Chega, André Ventura, e que, "se fosse hoje, repetiria".

debate, recorde-se, decorreu na noite de segunda-feira na CNN Portugal na sequência de um desafio de Pacheco Pereira - e que André Ventura aceitou - para uma discussão baseada em "factos e documentos", após a polémica intervenção do presidente do Chega no Parlamento durante a sessão solene que assinalou os 50 anos da Constituição.

"Estou muito contente com o que fiz e, se fosse hoje, repetiria", disse o historiador em declarações ao Diário de Notícias.

O antigo deputado do PSD disse ainda que o debate teve o objetivo de "expor afirmações de Ventura sobre o 25 de Abril que nunca tinha dito" e "só isso foi uma enorme vantagem".

Pacheco Pereira sublinhou que não aceita a ideia de que o combate político ao populismo se faça à distância, defendendo que, "se as pessoas têm pruridos em sujar as mãos, fazem mal". "Em casos destes, é preciso sujar as mãos", atirou.

"A ideia de que não devemos rebaixar-nos tem a ver com medo. Há muito medo", referiu ao jornal. "A história diz-nos que, nos anos 30 e, mais recentemente, em França, com a Frente Nacional, esse caminho, inicialmente seguido,  foi depois revertido por uma razão: não se pode deixar que digam certas coisas sem reação."

O antigo deputado social-democrata defendeu ainda a ideia de que "há uma Esquerda que assume uma espécie de snobismo intelectual". 

E exemplificou: "'Eles são maus, discutem à bruta e, portanto, não se fala com eles'. Sabe qual é o efeito que isso tem? Encontro esse efeito na rua, nas pessoas que me abordam depois daquele debate. É um número muito significativo de pessoas que vem ter comigo, que saem da mesa do restaurante para me cumprimentar. Não são apenas pessoas da elite. São pessoas  que não se sentem representadas."

O que foi dito no debate?

No debate de segunda-feira, Pacheco Pereira acusou o líder do Chega de liderar um partido cruel e "anti-cristão", enquanto André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda.

José Pacheco Pereira acusou o presidente do Chega de "justificar a ditadura" e liderar um partido cruel e "anti-cristão", num debate em que André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda e acusou-o de ter "palas nos olhos".

Os dois mantiveram as respetivas posições relativamente ao número de presos políticos antes e depois da Revolução de 1974, com o líder do Chega a procurar justificar que quis dizer no Parlamento que "no dia antes da Revolução havia menos presos políticos do que houve uns meses depois", para tentar "acabar com aquela narrativa" de que "foi tudo mal antes e foi tudo bom depois".

André Ventura rejeitou também que todas as pessoas detidas nas antigas colónias fossem presos políticos e acusou José Pacheco Pereira de só se indignar "com a violência da Direita", enquanto que com a "violência da Esquerda parece-lhe tudo bem e parece-lhe tudo aceitável", repetindo várias vezes que o seu opositor tem "palas nos olhos".

"Há comparações que são elas próprias mentiras, e uma dessas comparações é falar do que aconteceu no período em 1974, 1975 e 1976 e comparar, que é o que o André Ventura faz, com o que aconteceu nos 48 anos anteriores", criticou José Pacheco Pereira, considerando "uma comparação absurda".

O historiador acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e "dizer que o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes" do 25 de Abril.

"E essa comparação coloca-o do lado de antes do 25 de Abril. Sabe porquê? Porque o que está a fazer, é dizer que a democracia é igual à ditadura", criticou José Pacheco Pereira.

O antigo líder parlamentar do PSD considerou também que este não foi "um debate entre Direita e Esquerda", mas sim "um debate sobre a História".

Questionado diretamente se gosta mais do antigo regime ou do atual, André Ventura respondeu que "o que gostava de ter era uma democracia plena".

"Nós tivemos uma revolução miserável [...] O que nós devíamos ter tido era uma transição democrática, não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder, a expropriar, a matar e a prender", afirmou.

Neste ponto, Pacheco Pereira contrapôs que a Revolução de 1974 "deu a liberdade a Portugal" e a "democracia para [Ventura] poder estar no Parlamento", e acusou o líder do Chega de mostrar "ignorância e demagogia".

Sobre a descolonização, o líder do Chega classificou esse processo como "uma tragédia" e acusou o Estado de ter "abandonado" as famílias que voltaram de África e os antigos combatentes.

Já Pacheco Pereira considerou que a "grande responsabilidade do que aconteceu em África e do tumulto que se gerou depois de 1975 é de Salazar e Marcelo Caetano".

O historiador acusou ainda André Ventura de liderar um país cruel e "o mais anti-cristão", considerando que as posições do Chega contrariam as defendidas pelo Papa.

https://www.noticiasaominuto.com/politica/2974312/estou-muito-contente-com-o-que-fiz-diz-pacheco-pereira-sobre-debate

Ventura e Pacheco Pereira: "Traição" do país e "justificação da ditadura"

Recorde aqui AO MINUTO o debate entre o líder do Chega, André Ventura, e o antigo deputado do PSD, José Pacheco Pereira.

 13/04/2026  

 André Ventura e José Pacheco Pereira defrontaram-se na CNN num debate proposto pelo historiador e prontamente aceite pelo presidente do Chega na semana passada. Durante quase 1h30, o debate ficou marcado por vários momentos de discussão acesa e tensão, com, inclusive, trocas de acusações entre ambas as partes.

 

Desde logo, da parte de André Ventura que acusou Pacheco Pereira de ser "pouco patriota", afirmando que a "esquerda intelectual" (onde incluiu o ex-deputado do PSD) tem "palas nos olhos" e que considera que tudo antes do 25 de Abril foi mau e que tudo depois foi bom. Ventura defendeu ainda que comparar o antes e o após 25 de Abril é "historicamente justo" e que Portugal "traiu" os milhões que estavam nas colónias e o próprio exército português após a revolução.

Já Pacheco Pereira começou por afirmar que Ventura se estava a meter num "sarilho". Ao longo do debate, o discurso do historiador passou explicativo e argumentativo, para acusatório, defendendo que Ventura estava a "justificar a ditadura" ao comparar os 50 anos de ditadura aos dois de transição após a revolução e acabando mesmo a considerar que o líder do Chega "luta contra a democracia".

Destaques

  • Ventura: "Não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder" há 5 dias
  • "Sabe onde está a traição? Na crueldade que o Chega transporta" há 5 dias
  • Ventura está "a justificar a ditadura", acusa Pacheco Pereira há 5 dias
  • Comparar antes e pós 25 de Abril é "historicamente justo", diz Ventura há 5 dias
  • "Sabe quem é que era um assassino? Otelo Saraiva de Carvalho" há 5 dias
  • "Há comparações que são elas próprias erradas", nota Pacheco há 5 dias
  • "Ó, André Ventura, você mete-se em cada sarilho" há 5 dias

Em direto

Fim de cobertura

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Terminamos aqui o nosso acompanhamento AO MINUTO do debate entre o líder do Chega, André Ventura, e o antigo deputado do PSD, José Pacheco Pereira.

Ventura considera que corrupção é um "problema endémico"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura afirmou que Portugal perde todos os anos 18.5 mil milhões de euros para a corrupção, questionando quanto é que se perdia há 50 anos.

 

"Quando é corrupção e olhamos para os dados conseguem dizer assim: 'Bom mas o país era muito diferente'. Mas quando falam de violência e de censura o país já não era diferente", considerou, atirando que o país é "altamente corrupto" e que já o era durante a ditadura. "Temos um problema endémico".

Pacheco Pereira acusa Ventura de "lutar contra a democracia"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Você não luta efetivamente contra a corrupção. O que você faz é lutar contra a democracia", atirou Pacheco Pereira.

"José Sócrates roubou muito mais do que o Salazar"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura admitiu que havia corrupção na ditadura, mas não admite que era um regime corrupto. O líder do Chega afirmou que se vivesse durante a ditadura iria, da mesma forma, lutar contra a corrupção: "O que eu não tenho é palas, não vejo só corrupção à direita ou à esquerda. Eu luto contra a corrupção onde ela existiu".

Ventura citou depois Mário Soares, que afirmou que Salazar nunca roubou o erário público e atirou: "José Sócrates roubou muito mais do que o Salazar".

"Sabe qual é o problema? É uma mistura de ignorância e demagogia"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Sabe qual é o problema? É uma mistura de ignorância e demagogia", atirou Pacheco Pereira, notando que a "revolução miserável" a que se refere André Ventura trouxe a liberdade a Portugal.

"Mas trouxe coisas más também", interrompeu Ventura.

Ventura: "Não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura recordou que Portugal também levou a "fé cristã a muitos povos do mundo" e que construiu "onde não havia nada para construir", considerando que o país ajudou desenvolver as colónias.

"O que nós devíamos ter tido era uma transição democrática. Não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder. Os senhores como estavam tão cheios de chama do espírito do comunismo, do ataque a tudo, não olharam a meios".

"Sabe onde está a traição? Na crueldade que o Chega transporta"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Pacheco Pereira considerou que a "grande responsabilidade do que aconteceu em Àfrica é de Salazar e de Marcelo Caetano", afirmando que a violência que aconteceu depois foi resultado dos atos dos dois governantes de Portugal durante a ditadura.

O historiador atirou ainda que só é possível falar da guerra "como André Ventura fala" se "legitimarmos a guerra" e recusou que a culpa da violência pós-25 de Abril foi de Mário Soares, Almeida Santos ou de Álvaro Cunhal. "Foi culpa de António de Oliveira de Salazar e de Marcelo Caetano"

"Sabe onde e que está a traição à pátria? É na crueldade que o Chega transporta", atirou mostrando depois uma publicação do partido onde critica um cartaz do SNS em criolo.

"Portugal traiu os milhões que lá estavam e os combatentes"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Portugal traiu verdadeiramente em muitos aspetos não só os milhões que lá estavam, como traiu o exército português e os combatentes", atirou Ventura.

"Não tem que ver com esquerda nem com direita. Tem que ver com errámos, fizemos mal", acrescentou.

Ventura e Pacheco Pereira em debate aceso

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura e Pacheco Pereira entram num momento de debate aceso, não deixando o jornalista que está a mediar o debate intervir.

Ventura está "a justificar a ditadura", acusa Pacheco Pereira

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Pacheco Pereira acusa Ventura de estar a "justificar a ditadura" ao comparar o antes e o pós do 25 de Abril e "essa comparação coloca-o do lado do antes do 25 de Abril". O historiador disse, aliás, que com o seu discurso Ventura diz que "a ditadura é igual à democracia".

"Com esse tipo de afirmações de extrema-direita", Chega é fascista, considerou o historiador.

Quanto à falta de ordens para realizar prisões durante a ditadura, Pacheco Pereira recordou que "havia uma polícia política" que podia fazer o que quisesse: "Não precisavam de ordens".

Ventura e Pacheco Pereira começam uma troca acesa de argumentos, falando um por cima do outro.

Comparar antes e pós 25 de Abril é "historicamente justo", diz Ventura

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura defendeu que é "historicamente justo" comparar o antes e depois do 25 de Abril "porque criámos uma classe política dirigente que só conseguiu ver vantagens no que aconteceu, passou a demonizar uma parte da nossa história e a fazer uma espécie de elogio permanente à nossa história a seguir".

"Temos documentos históricos que diz que o presidente do Governo mandou prender", atirou, referindo-se aos executivos pós-25 de Abril, e notando que durante a ditadura o primeiro-ministro nunca ordenou nenhuma prisão.

"É uma comparação absurda", atira Pacheco Pereira

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura afirmou que não pode aceitar o "desequilíbrio" do "nosso regime" que continua a dizer que "antes do 25 de Abril foi tudo mau, e depois do 25 de Abril foi tudo bom. E acrescentou que gostava que Pacheco Pereira fosse capaz de dizer que houve violência, tortura, terrorismo dos dois lados.

Pacheco respondeu: "Eu nunca neguei, mas eu recuso-me em fazer a comparação que Ventura faz. É uma comparação absurda. A tortura que aconteceu depois do 25 de Abril foram casos isolados. É dúplice. Antes tivemos entre 30 mil e 40 mil presos políticos".

"Sabe quem é que era um assassino? Otelo Saraiva de Carvalho"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Sabe quem é que era um assassino? Otelo Saraiva de Carvalho e nós condecorámo-lo", atirou Ventura.

Pacheco Pereira tenta depois intervir e inicia-se uma troca de argumentos entre os dois.

"Só se indigna com a violência da direita, e depois com a da esquerda diz que está tudo bem", acusa o líder do Chega.

"É preciso que em televisão pela primeira vez alguém fale da violência que a extrema esquerda trouxe ao país depois do 25 de abril. E é preciso ser um rapaz de '83", acrescentou.

"Há comparações que são elas próprias erradas", nota Pacheco

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Há comparações que são elas próprios erradas e uma [delas] é falar do que aconteceu entre 74 e 76 e o que aconteceu nos outros 50 anos antes", afirmou Pacheco Pereira.

"Houve de facto violência", admitiu o historiador, referindo-se a presos políticos portugueses "Não me importo de aceitar para efeito da discussão que houve violência". Contudo, notou, a maioria dessas pessoas foi libertadas meses depois, e nem nunca passou pela cadeia.

André Ventura acusa Pacheco Pereira de viver numa versão "cor-de-rosa do mundo" e que quando alguém discorda começa a "inventar".

Ditadura feroz com cento e tal presos? "Coisa estranha"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Uma grande parte dos presos era pessoas que tinham atacado o Estado português", argumentou Ventura. "Se considerar isto presos políticos, eu acho que isto é grave para o Estado português porque é muito pouco patriota", atira a Pacheco Pereira que nega, de imediato, a acusação, afirmando que está a ser ofendido.

Ventura questiona: "Como é que éramos uma ditadura tão feroz e tinha cento e tal pessoas presas em Lisboa? Coisa estranha, que coisa tão estranha", notou, comparando com o pós-ditadura numa altura em que houve milhares de presos políticos.

Ventura acusa Pacheco Pereira de não gostar do seu país

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Ventura considera que Pacheco Pereira não gosta do seu país, com o ex-deputado do PSD a refutar o argumento.

"A guerra colonial foi uma guerra injusta", diz Pacheco Pereira. Ventura atira que a guerra "correu mal" porque "os traímos", referindo-se aos colonatos.

"Ó, André Ventura, você mete-se em cada sarilho"

Carolina Pereira Soares há 5 dias

"Ó, André Ventura, você mete-se em cada sarilho", começa por dizer Pacheco Pereira.

O historiador por perguntar a Ventura se acha que houve guerra em África ou no Ultramar ou guerra colonial, desencadeando uma troca de argumentos entre os dois.

Inicia-se um debate aceso entre André Ventura e Pacheco Pereira sobre o que está em causa quando o exército português foi atacado pelos habitantes das colónias, com o historiador a notar que os prisioneiros nessa altura eram considerados portugueses, daí a dimensão de presos políticos.

"Gostava de ter uma democracia plena", diz Ventura

Carolina Pereira Soares há 5 dias

O debate começa pelo tema dos presos políticos, com André Ventura a ter a primeira intervenção.

André Ventura começa por elogiar a iniciativa do repto de Pacheco Pereira: "Acho que é muito importante este momento porque acho que isto também define as democracias".

Já sobre a questão dos presos políticos, Ventura disse que "no dia antes da revolução havia menos presos políticos do que havia depois da revolução", acrescentando que a sua intervenção na assembleia servia para "acabar" com a teoria de que foi "tudo mau antes e tudo bom depois".

Questionado se gostava mais da ditadura de antes ou de a democracia de hoje respondeu que "gostava de ter era uma democracia plena".

"Eu aceito toda a discussão e todo o argumento. Não me venham é dizer que as pessoas todas presas nas colónias eram presos políticos", atirou.

Debate já começou

Carolina Pereira Soares há 5 dias

Tem agora início o debate entre José Pacheco Pereira e André Ventura.

Ventura aceitou: "Não me escondo e não tenho medo"

Lusa há 5 dias

O presidente do Chega, André Ventura, disse na quinta-feira, dia 9, que aceitava debater, esta segunda-feira, com o historiador José Pacheco Pereira. Numa publicação na sua conta oficial na rede social X, pode ler-se que o líder do Chega "aceita o desafio de Pacheco Pereira", falando num "grande debate" agendado para hoje, às 22 horas, na CNN Portugal.

Pacheco Pereira desafiou, chocado com "todas as formas de mentira"

Lusa há 5 dias

No domingo, dia 5 de abril, no programa O Princípio da Incerteza, no qual é comentador residente, o historiador José Pacheco Pereira tinha desafiado André Ventura para um debate baseado em "factos e documentos", após a polémica intervenção do presidente do Chega no parlamento durante a sessão solene que assinalou os 50 anos da aprovação da Constituição.

Segundo Pacheco Pereira, André Ventura recorreu a "todas as formas de mentira", como a "mentira propriamente dita, a omissão da verdade e a sugestão de falsidade".

Um dos exemplos foi a menção à suposta existência de mais presos políticos após a revolução de 25 de Abril de 1974 do que antes, invocada por André Ventura, mas que José Pacheco Pereira rejeitou, apresentando dados que apontam para mais de 12 mil presos políticos entre 1945 e 1974, além de milhares detidos nas colónias.

No período pós-25 de Abril, Pacheco Pereira assinalou que uma parte significativa dos detidos eram agentes da PIDE, classificados como membros de uma organização criminosa, bem como elementos ligados a episódios específicos como o 28 de Setembro, o 11 de Março ou organizações como o MRPP.

 

https://www.noticiasaominuto.com/politica/2971907/ao-minuto-pacheco-pereira-enfrenta-ventura-em-direto-acompanhe-aqui 

Gtavura gerada pelo chatGPT. 

Pietro Gori - Nostra patria è il mondo intero


 Mural sobre internacionalismo proletário, em Orgosolo, Sardenha (Itália)

O que está escrito
  • Texto principal: "Nostra patria è il mondo intero..." (Nossa pátria é o mundo inteiro).

  • Contexto: Como mencionei, é um verso de Pietro Gori, um advogado e pensador anarquista que escreveu a canção "Nostra patria è il mondo intero" em 1894.

  • Nomes: No canto inferior direito da imagem, aparecem os nomes de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do socialismo científico.

 Essa canção é um dos hinos mais bonitos e emocionantes do movimento anarquista italiano. Escrita por Pietro Gori em 1894, enquanto ele estava no exílio, a letra reflete o espírito de resistência e a rejeição às fronteiras nacionais.

Originalmente, os versos faziam parte de um poema intitulado "Sante Caserio", dedicado ao anarquista que assassinou o presidente francês Sadi Carnot, mas a música tornou-se um hino de fraternidade universal.


Letra: Nostra patria è il mondo intero

Italiano (Original)Português (Tradução)
Nostra patria è il mondo interoNossa pátria é o mundo inteiro
Nostra legge è la libertàNossa lei é a liberdade
Ed un pensiero ribelle in corE um pensamento rebelde no coração
Ci destò la volontà.Despertou-nos a vontade.
Scacciati di terra in terraExpulsos de terra em terra
Costretti a errare andiamForçados a vagar vamos
Per la giustizia e per l'amorPela justiça e pelo amor
In esilio noi moriam.No exílio nós morremos.
Ma il dì dell'umana riscossaMas o dia do resgate humano
Fra poco splenderàEm breve brilhará
Il sol dell'avvenireO sol do porvir (futuro)
Di giustizia e libertà.De justiça e liberdade.
E allora i poveri oppressiE então os pobres oprimidos
Si stringeranno la manDarão uns aos outros a mão
E spunterà la paceE despontará a paz
Per l'umana famigli'Para a família humana.


Nostra Patria è il mondo intero - Pietro Gori (versione di Franco Trincale)

Notas sobre a Canção

  • O "Sol dell'avvenire": Esta expressão (O sol do porvir) tornou-se uma das imagens mais poderosas da iconografia socialista e anarquista italiana, simbolizando a esperança num novo mundo.

  • Contexto de Orgosolo: Ao veres este mural na Sardenha, percebes que a letra não é apenas música; é o fundamento da identidade política daquela vila, que sempre se viu como uma comunidade de resistência contra a autoridade central imposta.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bertold Brecht - Sobre a Violência (Über die Gewalt).

 


2022 02 05 Foto victor nogueira - Grafito de Frank - ACAF na Estrada da Graça, em Setúbal, com versos de Bertolt Brecht 'Do rio que tudo arrasta se diz que é violento' (2021 05 26 Canon 192_05)

Na Estrada da Graça, em Setúbal, nas cercanias das instalações portuárias, existem uma série de edifícios, hoje abandonados, mas onde outrora funcionavam "boites" destinadas principalmente á marinhagem. Num deles, grafitado, encontra-se um verso dum dos poemas de Brecht.

«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem»

esse texto faz parte de um poema curto de Bertolt Brecht intitulado "Sobre a Violência" (originalmente em alemão, Über die Gewalt).

Brecht, um dos dramaturgos e poetas mais influentes do século XX, utilizava frequentemente metáforas da natureza para criticar as estruturas sociais e políticas.

O Poema Completo

Embora existam variações na tradução, a versão mais comum em português é:

Sobre a Violência

Do rio que tudo arrasta diz-se que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.

A tempestade que fustiga as bétulas é tida como violenta. E a tempestade que faz dobrar os dorsos dos operários na rua?


O Significado

A intenção de Brecht com estes versos é provocar uma reflexão sobre a causa e o efeito:

  1. A Reação vs. O Sistema: O "rio" representa a revolta ou a reação de quem é oprimido. Essa reação é frequentemente rotulada como "violenta" pela sociedade.

  2. A Violência Invisível: As "margens" representam o sistema, as leis, a economia ou a repressão que limita a liberdade do indivíduo. Essa força constante e compressora muitas vezes não é chamada de violência, mas é ela que causa o transbordo do rio.

É uma crítica poderosa à forma como o status quo define o que é ou não aceitável, ignorando a violência estrutural que gera o conflito. (Google Gemini(

José Cid - Tenho a Força de Mil Homens


Foto victor nogueira - Setúbal - Avenida 5 de Outubro, com as buganvílias em flor. (Canon 180_05 2020 05 31 IMG_1505)

"Todo o mundo / há-de ouvir / Todo o mundo / há-de sentir / Tenho a força / de mil homens / para o que há-de vir." "Mantenham-se seguros / Em breve estamos juntos."

Tenho a Força de Mil Homens

Autor: José Cid

Tenho a Força de Mil Homens

Autor: José Cid

 

Todo o mundo há-de ouvir

Todo o mundo há-de sentir

Tenho a força de mil homens

Para o que há-de vir

 

Tudo o que eu sofri

Tudo o que eu chorei

Ninguém sabe, ninguém viu

Mas eu sei que não errei

 

Vou gritar ao vento

Vou gritar ao mar

Que o amor é um momento

Que não pode acabar

 

Todo o mundo há-de ouvir

Todo o mundo há-de sentir

Tenho a força de mil homens

Para o que há-de vir

 

Nas noites de solidão

Nas horas de amargura

Eu sinto no coração

Uma força que perdura

 

E quando o sol brilhar

E a paz nos envolver

Nós vamos todos cantar

E o medo vai morrer

 

Todo o mundo há-de ouvir

Todo o mundo há-de sentir

Tenho a força de mil homens

Para o que há-de vir


Nota: A frase final que referiste anteriormente ("Mantenham-se seguros / Em breve estamos juntos") foi um aditamento pessoal feito pelo próprio José Cid num vídeo viral gravado durante o confinamento de 2020, adaptando a sua música ao contexto da pandemia. Não faz parte da letra original da canção de 1989. Embora a canção seja um clássico da sua carreira, o texto ganhou uma nova vida e um significado emocional profundo durante a pandemia de COVID-19, em 2020. (Google Gemini)

Horácio - Ode 18 (Carpe diem)


foto victor nogueira - Carpe diem  - grafito em setúbal, na rua gil eanes (2020.04.11)
 
«Carpe diem é parte da frase latina carpe diem quam minimum credula postero (literalmente: 'aproveita o dia e confia o mínimo possível no amanhã'), extraída de uma das Odes, de Horácio (65 a.C. - 8 a.C.), e tem numerosas traduções possíveis: "colhe o dia" (tradução literal), "desfruta o presente", "vive este dia", "aproveita o dia" ou "aproveita o momento". 

O poeta latino exorta sua interlocutora, Leuconoe, a desfrutar do prazer que a vida oferece, a cada momento. No contexto da decadência do Império Romano, a frase resumia o ideal horaciano, de origem estoico-epicurista, de aproveitar o que há de bom em cada instante, já que o futuro é incerto. Entretanto a frase é frequentemente repetida, com um sentido (inexato) de convite ao viver alegre e despreocupado.
(...)  Na ode 11 (8 versos) do livro I, o poeta direige-se a Leuconoe (a menina "dos pensamentos ingênuos"), enquanto ela se ocupa de cálculos astrológicos ("os números babilônicos") para saber se eles viverão muito tempo. O conselho dado pelo poeta é não se preocupar se viverão muito ou pouco mas beber e aproveitar o presente, pois o futuro é incerto : carpe diem.

Tu não questiones — é crime saber — o fim que para mim, que para ti
os deuses reservaram, ó Leucônoe, nem mesmo consultes
os números babilônicos. Quão melhor é suportar o que quer que venha!
Quer Júpiter te haja concedido muitos invernos, quer seja o último
o que agora quebra as tirrenas ondas contra as pedras,
sejas sábia, diluas os vinhos e, por ser breve a vida,
limites a longa esperança. Enquanto falamos, foge invejoso
o tempo: aproveita o dia, minimamente crédula no amanhã.» (Wikipedia)

Peppino Marotto - Sa Bomba Americana


Mural pacifista em Orgosolo, Sardenha (Itália)

*  Peppino Marotto 


Sa Bomba Americana (Versão Completa)

Em Sardo

I

Sa bomba americana

partida terra-terra

dae Perdas de Fogu

colpìdi una columba.

 

II

Sa bomba americana

si li succede gherra

fenta una tumba

totu su mundu

in sa terra soguiana.

 

III

Su pastore s’est pesadu

contra a su militare

ca sa terra est de chie

b’est naschidu e l’at traballada.

 

IV

Non cherimus cannonis

ni bases istranzeras

cherimus pane e pasu

pro sa Sardigna intrea.

 

Tradução para Português

I

A bomba americana

lançada terra-a-terra

a partir de Perdasdefogu

atingiu uma pomba.

 

II

A bomba americana

se a guerra acontecer

fará uma tumba

de todo o mundo

nesta terra de sol.

 

III

O pastor levantou-se

contra o militar

porque a terra é de quem

nela nasceu e a trabalhou.

 

IV

Não queremos canhões

nem bases estrangeiras

queremos pão e paz

para a Sardenha inteira.

 

Por que o mural corta o texto?

Os muralistas de Orgosolo, liderados por Francesco Del Casino (que colaborava estreitamente com Marotto), escolhiam frequentemente as estrofes que melhor comunicavam com o desenho.

Neste caso, as duas primeiras estrofes focam-se no terror global e tecnológico (o avião, a bomba, o fim do mundo), o que combina perfeitamente com a imagem inspirada em O Grito. As estrofes seguintes são mais focadas na luta de classes e na posse da terra, um tema que muitas vezes aparece noutros murais da vila acompanhado por figuras de pastores e camponeses.

Peppino Marotto não era apenas um poeta; ele era a "voz da consciência" de Orgosolo. Ele utilizava estes versos para transformar a dor local numa luta universal contra a opressão.  Foi um pastor e líder operário. Ele acreditava que a arte e a poesia deveriam servir para despertar a consciência do povo. Ele foi tragicamente assassinado em 2007, em Orgosolo, num crime que chocou a ilha.