quinta-feira, 6 de agosto de 2026

(48) Samer Abu Hawwash - From the River to the Sea


Piauí – Assentamento Lisboa. Foto Lucas Sousa - MST 2024 08


* Samer Abu Hawwash


From the River to the Sea

every street, every house, every room, every window, every balcony, every wall, every stone, every sorrow, every word, every letter, every whisper, every touch, every glance, every kiss, every tree, every spear of grass, every tear, every scream, every air, every hope, every supplication, every secret, every well, every prayer, every song, every ballad, every book, every paper, every color, every ray, every cloud, every rain, every drop of rain, every drip of sweat, every lisp, every stutter, every yamma, mother, every yaba, father, every shadow, every light, every little hand that drew in a little notebook a tree or house or heart or a family of a father, a mother, siblings, and pets, every longing, every possibility, every letter between two lovers that arrived or didn’t arrive, every gasp of love dispersed in the distant clouds, every moment of despair at every turn, every suitcase on top of every closet, every library, every shelf, every minaret, every rug, every bell toll in every church, every rosary, every holy praise, every arrival, every goodbye, every Good Morning, every Thank God, every ‘ala rasi, my pleasure, every hill ‘an sama’i, leave me alone, every rock, every wave, every grain of sand, every hair-do, every mirror, every glance in every mirror, every cat, every meow, every happy donkey, every sad donkey’s gaze, every pot, every vapor rising from every pot, every scent, every bowl, every school queue, every school shoes, every ring of the bell, every blackboard, every piece of chalk, every school costume, every mabruk ma ijakum, congratulations on the baby, every y ‘awid bi-salamtak, condolences, every ayn al- ḥasud tibla bil-‘ama, may the envious be blinded, every photograph, every person in every photograph, every niyyalak, how lucky, every ishta’nalak, we’ve missed you, every grain of wheat in every bird’s gullet, every lock of hair, every hair knot, every hand, every foot, every football, every finger, every nail, every bicycle, every rider on every bicycle, every turn of air fanning from every bicycle, every bad joke, every mean joke, every laugh, every smile, every curse, every yearning, every fight, every sitti, grandma, every sidi, grandpa, every meadow, every flower, every tree, every grove, every olive, every orange, every plastic rose covered with dust on an abandoned counter, every portrait of a martyr hanging on a wall since forever, every gravestone, every sura, every verse, every hymn, every ḥajj mabrur wa sa ‘yy mashkur, may your ḥajj and effort be rewarded, every yalla tnam yalla tnam, every lullaby, every red teddy bear on every Valentine’s, every clothesline, every hot skirt, every joyful dress, every torn trousers, every days-spun sweater, every button, every nail, every song, every ballad, every mirror, every peg, every bench, every shelf, every dream, every illusion, every hope, every disappointment, every hand holding another hand, every hand alone, every scattered thought, every beautiful thought, every terrifying thought, every whisper, every touch, every street, every house, every room, every balcony, every eye, every tear, every word, every letter, every name, every voice, every name, every house, every name, every face, every name, every cloud, every name, every rose, every name, every spear of grass, every name, every wave, every grain of sand, every street, every kiss, every image, every eye, every tear, every yamma, every yaba, every name, every name, every name, every name, every name, every name, every name, every name, all…

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

(47) Alexandrina Pereira - Setúbal é um abraço

* Victor Nogueira

 


 'Burguesa: Aqui o freguês é sempre burguês'  - Foto victor nogueira   (IMG_2604 2023 08 02)


Setúbal é um abraço

Feito de alecrim e mar

E as ruas enfeitadas

Dão mais cor ao nosso olhar 

(Alexandrina Pereira)

Diz a publicidade redigida por Carolina Bico, em 2018 -  Burguesa: a rainha dos hambúrgueres setubalenses 

De carrinha de venda ambulante a restaurante no centro da cidade, o negócio cresceu e reinventou o conceito das hamburguerias tradicionais lisboetas.

O negócio começou com uma carrinha de food truck há três anos. “Só vendíamos hambúrgueres de carnes diferentes em mercados de street food, em Lisboa sobretudo em Cascais e Oeiras. Depois começámos a ter dificuldade em escoar os produtos e como sou setubalense decidi abrir um restaurante na Baixa diferente do que já existia”, contou à NIS, Diogo Carvalho, de 30 anos, responsável pelo espaço.

A Burguesa – Burguer & Gin assume-se como uma hamburgueria, mas com um conceito diferente das hamburguerias da capital. “Em Lisboa oferecem quase sempre as mesmas carnes (vaca e frango) e nós não repetimos carnes. Basicamente, o que nos define é a variedade de carnes em hambúrguer”. (,,,)» in https://newinsetubal.nit.pt/comida/burguesa-a-rainha-dos-hamburgueres-setubalenses

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Alexandrina Pereira é uma poetisa e figura cultural nascida em Setúbal em 1947. Ela liderou a Casa da Poesia de Setúbal por uma década e escreveu versos dedicados à terra natal e à Serra da Arrábida, retratando a cidade com carinho e alma. 

Obra e Poesia
  • Escreveu livros como "Arrábida entre a cor e o verso".
  • Organizou projetos literários como "Liberdade no Feminino".
  • Mostra o amor pela cidade em cada poema.
  • Fala do rio, do mar e da serra com emoção.

 (AI Overview)

terça-feira, 4 de agosto de 2026

(46) Jim Morrison - Wild Chjld

 * Victor Nogueira


Foto victor nogueira - Wild child - Grafito de Egos no Bairro do Troino em Setúbal (HPIM3262)

A canção "Wild Child", lançada em 1969 no quarto álbum dos The Doors (The Soft Parade) e escrita maioritariamente por Jim Morrison, é uma faixa enérgica inspirada pelo espírito rebelde, pelas figuras marginalizadas e pela filosofia do "bom selvagem".

Alright
Wild child, full of grace
Savior of the human race
Your cool face
Natural child, terrible child
Not your mother's or your father's child
You're our child, screamin' wild
An ancient lunatic reigns in the trees of the night
With hunger at her heels
Freedom in her eyes
She dances on her knees
Pirate prince at her side
Starin' into the hollow idol's eye
Wild child, full of grace
Savior of the human race
Your cool face
Your cool face
Your cool face

Wild Child (2017 Remaster)

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Manuel Loff - A “ameaça” comunista

* Manuel Loff

Desengane-se quem julgava que isto era tudo deles e que a esquerda desapareceu do horizonte de futuro.

 Na véspera da comemoração dos 250 anos da Revolução Americana, Trump decidiu retomar a velha máxima macarthista de que “o comunismo é a maior ameaça ao nosso país, incluindo as duas guerras mundiais, Pearl Harbor ou até o 11 de setembro” (CNN. 3.7.2026). Tal como quando, nos anos 50, McCarthy tinha organizado a campanha mais agressiva da história dos EUA contra esquerda norte-americana, não é simplesmente no contexto do momento (início da Guerra Fria, o avanço dos novos “socialistas democráticos” que ganham hoje apoio popular) que há que interpretar o regresso do anticomunismo como discurso agregador. O que McCarthy então e Trump hoje fazem é reproduzir as mesmas teses com que o fascismo da sua época clássica descreveu o comunismo, “o maior problema humano de todos os tempos”, como dizia Salazar.

 Para a historiadora Ruth Ben-Ghiat, “a nova linha [trumpista] consiste em associar os comunistas a todos os crimes, a todas as infrações” para “criar uma sensação de ameaça comunista para justificar a repressão. É o velho manual utilizado em golpes de Estado e tomadas de poder pelos fascistas.” Para os fascistas dos anos 30 e 40, para quem era de moda a tese de que o marxismo era "o filho mais velho do liberalismo", barrar o caminho do comunismo passava por prescindir dos sistemas liberais e impor novas fórmulas autoritárias.​

 As direitas retomam o anticomunismo como discurso mobilizador sempre e quando a resistência social que se lhes opõe o justifica. A hegemonia das classes historicamente dominantes nas Américas sustentou-se sempre sobre uma violência simultaneamente classista e racial, o que faz com que todos os projetos políticos alternativos, desde a radicalidade da Revolução Cubana, até às muitas variantes da “onda rosa” dos governos Lula, Chávez, Kirchner, Morales, sejam descritos com tons apocalípticos.

 Num recente relatório do Departamento de Estado, Cuba é descrita como a “capital do comunismo do século XXI", capaz de criar “uma infraestrutura revolucionária concebida para virar a América contra si própria”. Por mais que os últimos processos eleitorais na América Latina (Chile, Colômbia, Peru) confirmem uma dramática viragem fascizante, em sintonia com as direitas cubanas e venezuelanas no exílio, Trump tem com que se preocupar. Uma sondagem divulgada em março revelou que o apoio ao socialismo está a crescer, com 38% dos inquiridos (incluídos a grande maioria dos votantes democratas, jovens e afro-americanos) a favor de que os EUA “se afastem do capitalismo”.

Em setembro de 2025, a Gallup detetara já que 66% dos eleitores democratas preferiam o socialismo ao capitalismo. Surpresa? Talvez não: as mesmas sondagens davam resultados semelhantes a meio do primeiro mandato de Trump, o que significa que o triunfo político dos Musks deste mundo favorece alguma consciência crítica do capitalismo – da mesma forma que o genocídio que os israelitas praticam impunemente na Palestina ou o desvario belicista a que assistimos nos últimos anos está a exigir voltar a discutir o que é o imperialismo e o belicismo como lógicas de governo mundial.

Desengane-se quem julgava que isto era tudo deles e que a esquerda desapareceu do horizonte de futuro.

2026 07 28 

Antonio Carlos Cortez - ECOS

* Antonio Carlos Cortez

Cf. Luís de Camões e Gastão Cruz

Errar todo o discurso de teus anos
É errar de má sorte amor ausente
Erraste todo o discurso de teus anos
e és agora pedra para sempre

e o amor ausente já presente um dia
acabou por ser a rede do destino
A mão sinistra a mão mais fria
tece as malhas do naufrágio (gume fino)

Perguntas com razão o que fazer
Como ter de novo o verão antigo
Onde o casaco quente no Inverno…

Nem o vento te responde Resta escrever
os erros que trazes só contigo
na certeza de seres teu próprio inferno

© António Carlos Cortez
Aus: À Flor da Pele. Évora: Casa do Sul, 2008
Audioproduktion: Câmara Municipal de Lisboa, 2012
https://www.lyrikline.org/pt/poemas/ecos-7865 

domingo, 2 de agosto de 2026

Onofre Varela - VIDA DEPOIS DA MORTE (1)

*  Onofre Varela

Na colaboração que mantenho com dois jornais regionais (Gazeta de Paços de Ferreira e Semanário Alto Minho) estou a publicar um texto em "episódios" (como as telenovelas) por obrigação do espaço de que disponho. Decidi publicar aqui os mesmos textos, juntando "dois em um", para não maçar o leitor com prosa intensa, por considerar o texto com interesse para uma grande parte de nós.

Portanto, aqui vai a primeira entrega:

VIDA DEPOIS DA MORTE (1)

Por Onofre Varela

Miguel Szymanski - A União Europeia a desintegrar-se de acordo com os planos dos EUA

* Miguel Szymanski
  ·
 
Um chefe de Estado ou de Governo, seja português ou espanhol, não pode, no meio de uma crise cuja solução depende da boa vontade de um país vizinho — um regime policial e autoritário —, apontar-lhe o dedo e acusá-lo daquilo que, de facto, fez, e não pela primeira vez: instrumentalizar nas fronteiras uma multidão de milhares de pessoas desesperadas para fazer avançar a sua agenda. Mas é lamentável que um chefe de Estado na frase com que é citado pareça reforçar a tese central da extrema-direita. Foi o que Seguro fez, ou pelo menos assim é citado, quando um órgão de comunicação social resume a posição nesta crise à exigência de "mão forte contra a imigração ilegal". 

Ângelo Alves - A 'invasão« de migrantes

 `

* Ângelo Alves
 
Alguém pode por favor explicar a alguns comentadores e a outros seres que vendo nos primeiros os deuses da sabedoria, parecem desprovidos dessa incomum capacidade de pensar pela sua própria cabeça, duas coisinhas muito simples? 

1 - Ceuta é um território situado no continente Africano! É um muito pequeno enclave espanhol, que faz fronteira directa com Marrocos. Portanto, por mais que isto entristeça os manipuladores de direita e extrema direita, não,  não houve dezenas de milhares de pessoas a nadar de Marrocos para o continente europeu. E a menos que fossem todos profissionais do maratonismo de natação, nunca conseguiriam e nunca conseguirão fazer essa travessia a nado. O que aconteceu é que uns nadaram contornando um quebra mar e outros pura e simplesmente passaram a pé.

(45) Joyce Lussu - Scarpette Rosse

 

2026 07 25 - Murais em Orgosolo, Sardenha, Itália - Joyce Lussu e memória do Holocausto (pormenor)

Este mural, também situado em Orgosolo, é um poderoso tributo à memória do Holocausto e à figura de Joyce Lussu, aliando a poesia de intervenção ao pacifismo antiautoritário.

(44) Deejay Telio & Deedz B - Não Atendo



Foto Victor Nogueira - Grafito em Setúbal, na Avenida Antero de Quental ( 2021 07 22 Canon 194_07)
Conteúdo partilhado com: Público

O número para qual você ligou, tá desligado
É para informar que eu hoje não atendo
Não atendo, eh
Deixa curtir minha drena, ya
Deixa curtir minha drena (deixa)
Ai hoje eu vou tchilar com meus avilos
Curtir uma drena longe do cubico
Please me liga só se tiveres guita
Hoje só atendo se o assunto for business, ay
Com tanta dama a tua volta só queres vir mesmo me incomodar, ohohoh
Tem lá calma contigo queres dar pra vip pois aqui não dá
Porque eu só quero curtir minha drena
Então deixa eu curtir assim


Deejay Telio & Deedz B - Não Atendo (Video Oficial)

  • A Reivindicação do Espaço e da Linguagem: Esta intervenção num muro de contenção junto a uma escadaria destaca-se pelo contraste entre a estrutura tipográfica azul da peça central e a frase inscrita em tom de desabafo ou manifesto direto: "Deixa curtir nha drena". A utilização do crioulo / calão urbano reafirma a identidade cultural e a apropriação do espaço público pelas dinâmicas da juventude periférica.

  • Técnica e Preenchimento: A peça principal faz uso de um preenchimento em linhas verticais (efeito hachurado a spray azul) com contornos a preto bem marcados e destaques a rosa/laranja na terminação direita, mostrando uma transição entre o throw-up rápido e a preocupação com a tridimensionalidade.

  • A Camada do Palimpsesto: No canto esquerdo, o aparecimento da tag "ENSI!" em formato de balão com uma pequena personagem/caricatura reforça a coabitação de diferentes assinaturas e linguagens visuais no mesmo suporte de betão. (Gemini)



  • sexta-feira, 31 de julho de 2026

    Miguel Sousa Tavares - Sinais de fogo

    *  Miguel Sousa Tavares

    1.  Enquanto a França e a Espanha começavam a arder, no que viriam a ser os piores incêndios de ambos os países em décadas, Luís Montenegro estava em viagem oficial a Itália — que juntamente com Portugal e Grécia, completa o eixo de fogo que todos os Verões, em simultâneo ou à vez, devasta o sul da Europa. Mas em Roma, Montenegro e Meloni conversaram sobre outro tipo de fogo, que de tal forma aqueceu os seus corações que Montenegro declarou mesmo que ali se tinha atingido o ponto mais alto das relações Portugal-Itália, também em décadas. Porém, este novo êxito da nossa diplomacia e esta renovada amizade vêm com um custo: 3,9 mil milhões de euros, que é o preço que iremos pagar pelas três fragatas que encomendámos em Itália para a nossa Marinha de Guerra. O custo representa mais de metade do que Portugal prometeu gastar a armar-se para a anunciada guerra contra a Rússia e para cumprir as ordens de Trump, e é assumido ao abrigo da estratégia consagrada pelo programa de rearmamento europeu SAFE: encomende agora, pague depois. E o depois não será provavelmente apenas um problema financeiro, mas também operacional: quem nos diz que quando as fragatas forem entregues elas ainda farão algum sentido na guerra do mar, se já hoje os drones submarinos e os avanços militares com a IA estão a mudar tudo? (Veja-se como, sem nenhuma fragata, o Irão anda há cinco meses a humilhar a força naval e aérea, carregadas de testosterona, dos Estados Unidos…) Seria mais prudente, pensarão, começar por encomendar apenas uma fragata e esperar para ver, mas tal é impossível, pois que se dá com as fragatas o mesmo que com os submarinos: é preciso comprar três de uma vez, porque enquanto uma está no mar, outra está de prevenção acostada na base e a terceira está no estaleiro em reparação. São brinquedos muito caros. São tão caros e o negócio é de tal maneira rentável para os vendedores — mais ainda que o tráfico de droga — que desta vez anunciaram-nos que seria nomeada uma das tais “comissões independentes”, para tentar garantir “transparência” e seriedade nos negócios em que seremos sempre compradores. Porém, ainda nem a comissão está composta e Montenegro já gastou €3,9 mil milhões sem dar justificações do essencial: porquê fragatas, porquê italianas e porquê a pressa.

    Mais Geografia - inversão da representação cartográfica

    *  Mais Geografia ·
     ·

    🇧🇷 Quem se irrita com o Brasil “de cabeça para baixo” provavelmente não entendeu uma das primeiras lições da geografia: norte para cima não é uma lei da natureza, é apenas uma convenção cartográfica.

    A Terra é uma esfera. No espaço, não existe “em cima” ou “embaixo”. Norte, Sul, Leste e Oeste são apenas referenciais criados para facilitar localização e orientação. Por isso, virar o mapa do Brasil não muda absolutamente nada: os estados continuam no mesmo lugar, as fronteiras permanecem iguais e o país segue exatamente o mesmo.

    O que muda é apenas a forma como enxergamos a representação do espaço.

    Mapas não são o mundo real, mas representações dele. E toda representação envolve escolhas técnicas, culturais e históricas. Durante séculos, os mapas produzidos majoritariamente na Europa colocaram o Norte na parte superior, consolidando essa visão como “natural”. Alguns estudiosos apontam que isso também ajudou a reforçar simbolicamente uma ideia de superioridade do Norte global sobre os países do Sul.

    Existe inclusive um viés psicológico associado a isso: muitas pessoas tendem a relacionar o que está “em cima” com riqueza, desenvolvimento e poder, enquanto associam o que está “embaixo” à pobreza ou inferioridade. Não por acaso, diversos países do hemisfério sul já questionaram essa lógica ao longo do tempo.

    Recentemente, o IBGE publicou novas versões do mapa-múndi com o Brasil no centro e também em perspectiva invertida. Nenhuma dessas representações está “errada”. São apenas diferentes formas de representar o planeta dentro das convenções cartográficas aceitas pela ciência.

    Outro ponto importante: todo mapa possui distorções. A Terra tem formato geoidal, arredondado, e transformar uma esfera em uma superfície plana exige adaptações. Por isso existem diferentes projeções cartográficas, como a projeção de Robinson, muito usada em livros didáticos justamente por buscar maior equilíbrio entre forma e área dos continentes.

    Geografia é ciência, não opinião.

    Entender que mapas são convenções e representações é o básico para compreender o mundo de forma crítica e menos limitada por costumes que muita gente aceita sem questionar.

    2026 Julho 31
    https://www.facebook.com/muitomaisgeografia? 

    (43) - Razão de ser das 'Letras na arte urbana'



    * Victor Nogueira / AI

    No Kant_O Photomatico tenho publicado fotos de minha autoria, designadamente sob as etiquetas 'estatuária' e  'murais', algumas das quais contêm textos literários ou excertos destes. Entretanto no  mesmo blogue fui publicando sob o verbete  fotos retiradas da internet, sobretudo relativas a a murais em Orgosolo, na região da Sardenha que é uma galeria a céu aberto, alguns dos quais reproduzem textos literários. Resolvi publicar no meu blogue 'D'ali e d'aqui', inicialmente agrupadas como 'Mural biblio', que o tempo tornou inadequado, pois as  fotos com textos literários abarcavam outros suportes.  Pensei em 'street art' (arte de rua), mas este termo está mais ligado ao muralismo e grafitismo. Escolhi, finalmente,  um termo mais abrangente: # Letras na 'arte urbana'
     
    Recorri ao chatGPT e ao Gemini para que gerassem três tipos de ilustrações, a saber:

    1. - Uma flâmula com a frase 'Letras na arte urbana' num desenho com um bloco de granito a ser esculpido, um mural a ser pintado, um idoso a escrever numa Remington, um ceramista a colocar azulejos, um calceteiro  a executar calçada à portuguesa, num desenho colorido e a preto e branco, harmonioso

    2. - Uma gravura representando um homem idoso a escrever num computador portátil e, no cenário, a pintura dum mural, o esculpir duma estátua, uma caneta e um pergaminho, uma impressora de Gutenberg- No ar esvoaçam letras de vários tipos.

    3. - Combinando sete fotos de minha autoria

    Eis os resultados obtidos;

    (42) - Henri Estienne - Si jeunesse savait, si vieillesse pouvait (Les Prémices)

     

    Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - 'Se gioventù sapesse, se vecchiaia potesse'


    * Victor Nogueira / Gemini

    Este provérbio — originalmente formulado em francês como «Si jeunesse savait, si vieillesse pouvait» por Henri Estienne nas suas Premices (1594) — resume de forma brilhante uma das maiores contradições e paradoxos da vida humana.

    (41) Xoto - Setubalense

     

    Setúbal, Mural de Explicit Citizens Colectivo no Pavilhão Náutico Municipal ,no Parque Urbano de Albarquel (Foto victor nogueira IMG_8504)


    Xoto (IGNIS VERBIS) - SETUBALENSE


    * Xoto

    Setubalense carrego na alma uma garra uma raiva amarrada a uma corrente irreverente dum rio azul cresci a correr nú pa praia da tróia que saudades meu refúgio meu casulo... azul

    quinta-feira, 30 de julho de 2026

    Bruno de Carvalho - [Injluencers ... influenciados por Israel[

     * Bruno Carvalho

     ·
    A propagandista Rute Sousa, entre outros, foi a Israel numa viagem paga pelas autoridades daquele Estado. Em várias declarações diz que foram mostrar aquilo que as televisões não querem mostrar e, no entanto, não tem feito outra coisa senão estar nesses mesmos canais por estes dias.
     
    Num dos seus últimos vídeos atacou os jornalistas, falou do militante do PCP que esteve como repórter de guerra no Donbass e que teria afirmado que ali não tinha acontecido nada. Esse jornalista sou eu. E é muito curioso porque enquanto jornalista com carteira profissional, com trabalhos publicados em meios nacionais e estrangeiros, eu fui ao lado da guerra onde mais ninguém estava. A propagandista Rute Sousa foi ao lado onde já todos estão. Não há meio conhecido que não tenha enviado alguém a Israel nos últimos anos. Aliás, Israel é tão incrível para este grupo de influencers ao serviço da propaganda de Telavive que não conseguiram explicar porque é que Israel não permite a entrada sem barreiras de jornalistas na Faixa de Gaza. 

    Para alguns destes elementos que se gravaram a dançar em cima do chão de um território que está a ser alvo de um genocídio, nunca surgiu a questão sobre porque é que foi aprovada uma pena de morte exclusiva para palestinianos. Tampouco conseguiram explicar porque é que foram assassinados mais jornalistas na Faixa de Gaza do que em qualquer uma das guerras modernas, incluindo a mortífera Segunda Guerra Mundial. Não conseguiram porque esse não é o seu papel. 

    Da mesma forma que um publicitário serve para promover uma marca ou um produto, estes influencers são pagos para lavar a cara de Israel no pior momento da sua história. E por muito que o jornalismo esteja a passar por uma grave crise existencial, os jornalistas estão obrigados a cumprir um código ético e deontológico. Quando estive no Donbass, ao contrário do que diz Rute Sousa, nunca disse que ali não tinha acontecido nada. Repeti-o várias vezes: qualquer crime de guerra deve ser condenado e isso aconteceu em ambos os lados. Nunca me pus a defender Putin ou a Rússia, como faz Rute Sousa com Israel, nem me pus a dar a minha opinião ou a fazer análises segundo as minhas crenças religiosas (mesmo sendo ateu) como Rute Sousa. O trabalho de um jornalista não é opinar. 

    Noutro tempo, a Alemanha nazi teria feito a mesma operação de charme para atrair influencers, quem sabe para nos convencer de que não havia qualquer genocídio contra judeus, soviéticos e comunistas. Num mundo cada vez mais dominado pelos conteúdos em redes sociais controladas por grandes oligarcas, a tendência será para que os influencers com mais seguidores acabem por determinar a opinião pública. E o problema é precisamente que o algoritmo promova apenas aqueles que pensem como os seus donos. O que disse Rute Sousa, e o seu entourage, poderia perfeitamente ser dito por Elon Musk ou Mark Zuckerberg. 

    E o mais grave não é apenas que tenham ido a Israel branquear um Estado assassino. O mais grave é que canais como a CNN e o Now, entre outros meios, legitimem essa operação de turismo de propaganda dando voz à desinformação. É a prova de que o jornalismo gosta de cavar a sua própria sepultura

    30 Junho 2026
    https://www.facebook.com/pedro.bala/posts/ 

    A América que é grande


    Vistos deste lado da luta de classes, os 250 anos dos EUA contam uma his­tória de opressão, guerra e de­si­gual­dades. Nas úl­timas muitas dé­cadas, a prin­cipal po­tência im­pe­ri­a­lista do mundo re­pre­sentou, como ainda re­pre­senta, o grande ad­ver­sário das forças da paz, da de­mo­cracia e do pro­gresso so­cial. Mas, se­jamos justos, também ali há – sempre houve! – quem tenha to­mado par­tido pelos que todos os dias lutam pela so­bre­vi­vência e a dig­ni­dade, por quem menos tem, pelos povos opri­midos e agre­didos.

    Era norte-ame­ri­cano o cam­peão de boxe Muhammad Ali, que se re­cusou a matar os seus “ir­mãos” vi­et­na­mitas, pois par­ti­lhavam um ini­migo comum – e foi por isso cas­ti­gado e im­pe­dido de de­fender o tí­tulo mun­dial. Como também o era o cantor Paul Ro­beson, que con­fessou ter sido na União So­vié­tica a pri­meira vez que não se sentiu ví­tima de ra­cismo e co­locou a sua mag­ní­fica voz ao ser­viço da paz e dos di­reitos dos povos (a sua in­ter­pre­tação das can­ções da Guerra Civil de Es­panha, num Con­gresso Mun­dial da Paz, emo­ciona).

    Eram na­tu­rais dos EUA os mem­bros do Ba­ta­lhão Abraham Lin­coln, que atra­ves­saram o Atlân­tico para in­te­grar as Bri­gadas In­ter­na­ci­o­nais que tra­varam ao lado dos re­pu­bli­canos es­pa­nhóis uma ba­talha de­ci­siva contra o fas­cismo – e muitos por lá fi­caram, mortos. Nas­cido em Oklahoma, Woody Guthrie exaltou os de­ser­dados da Grande De­pressão e cantou um país que de­veria ser para todos, em­pu­nhando a sua gui­tarra – essa má­quina que, avi­sava, “mata fas­cistas”. É também pro­fun­da­mente norte-ame­ri­cano Tom Joad, o per­so­nagem de “As Vi­nhas da Ira”, obra-prima de Stein­beck, que ins­pirou cada luta pelo pão e pela jus­tiça num país di­la­ce­rado pela de­si­gual­dade so­cial e ra­cial.

    Era norte-ame­ri­cano o jor­na­lista John Reed, que como ne­nhum outro re­latou ao mundo as epo­peias re­vo­lu­ci­o­ná­rias do Mé­xico in­sur­recto e da Rússia bol­che­vique, com a qual se man­teve so­li­dário até ao fim pre­coce da sua vida, pe­rante a in­vasão de 14 po­tên­cias es­tran­geiras, entre as quais os EUA. Tal como o eram Har­riet Tubman e Fre­de­rick Dou­glass, an­tigos es­cravos que de­di­caram as suas vidas a com­bater a es­cra­va­tura e a apoiar os que não ti­veram as mesmas pos­si­bi­li­dades de eman­ci­pação.

    Outro norte-ame­ri­cano, o ve­te­rano da Guerra Civil Henry Reeve, vi­ajou para Cuba para com­bater ao lado dos pa­tri­otas que no sé­culo XIX lu­tavam contra o do­mínio es­pa­nhol, luta essa que via como uma ex­tensão da sua pró­pria, contra a es­cra­va­tura (de origem ir­lan­desa, opunha-se também ao co­lo­ni­a­lismo). Nas fi­leiras do exér­cito re­belde cu­bano, Henry Reeve atingiu o posto de Bri­ga­deiro-Ge­neral antes de morrer em com­bate. Mais de um sé­culo pas­sado, a Re­vo­lução cu­bana honrou o herói in­ter­na­ci­o­na­lista dando o seu nome ao Con­tin­gente Mé­dico In­ter­na­ci­onal es­pe­ci­a­li­zado em si­tu­a­ções de emer­gência na­tural e sa­ni­tária.

    Esta Amé­rica sim, é grande!

    Avante n.º 2748 (30/07/2026)

    (40) - António Maria Eusébio, “o Calafate” - Nunca fui mal procedido

    * Victor Nogueira

     
    Setúbal - Parque do Bonfim - António Maria Eusébio, “o Calafate” (1819 - 1911), nome pelo qual era conhecido devido à profissão que tinha. foi um poeta  popular analfabeto e apelidado também de “o cantador de Setúbal”, somente aos 84 anos de idade publica os seus versos em folhetos. Este monumento inaugurado em  1968,  é da autoria do escultor Castro Lobo, em bronze e mármore branco 


    Nunca fui mal procedido.
    Nunca fiz mal a ninguém.
    Se acaso fiz algum bem
    não estou disso arrependido.
    Se mau pago tenho tido,
    são defeitos pessoais.
    Todos seremos iguais
    no reino da eternidade.
    Na balança da igualdade
    Deus sabe quem pesa mais.

    Setúbal Monumento a Calafate, poeta popular (foto victor nogueira  _EDC1040 editada pelo Gemini 

    (39) Sebastião da Gama - Naufrágio

    * Victor Nogueira

    Monumento de Homenagem aos Pescadores de Setúbal” da autoria de António Pacheco, inaugurado em 2006, situa-se na Doca dos Pescadores. (fotos em 2012) A embarcação com a imagem de  "N. Sra da Arrábida" retratada recebeu o nome de "Nossa Senhora Estrela-do-mar" e, numa placa, está contido o poema "Naufrágio", de Sebastião da Gama.

    NAUFRÁGIO

    Não era por mal …
    A onda que vinha
    não vinha por mal.

    Mas veio, mas veio…
    E logo a barquinha
    partiu pelo meio.

    Nem homem, nem velas.
    Quando a bordo ia,
    com fé abalara,
    morreu já sem ela.

    Mas, se a onda veio,
    não veio por mal:
    era irmã daquela
    que chegou à praia,
    que embala barquinhos
    de meninos pobres.

    Os meninos brincam.
    Navegam em barcos
    Feitos de cortiça,
    Feitos de jornal.
    Quase à mesma hora,
    longe, os pais naufragam
    sem nenhuma ajuda.

    Mas não é por mal…

          In ‘Cabo da Boa Esperança’
     
    Setúbal - Monumento aos pescadores (Foto victor noguera HPIM2955)

    quarta-feira, 29 de julho de 2026

    (38) Laureano Rocha - Rio Azul




    Setúbal Av Luísa Todo Escultura Golfinhos - Rio Azul poema de Laureano Rocha (Fotos victor Nogueira MG_6471  e IMG_6469)

     

    Xico da Cana - Rio Azul (Laureano Rocha / Mario Regalado)

    Rio Azul

    Setúbal, eu tenho pena
    de não te poder cantar.
    Tu és mote de um poema
    que ninguem pode ensinar

    Se há beleza em qualquer lado
    se valesse algum dinheiro
    com a princesa do Sado
    comprava-se o mundo inteiro

    Onde é que existe um rio azul igual ao meu
    que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
    minha cidade é um presépio é um jardim
    queria guardá-la inteirinha só para mim.

    Setúbal terra morena
    onde tudo fica bem,
    tens a beleza serena
    no rosto de minha mãe.

    Ó rio Sado de águas mansas
    que pró mar vais a correr,
    não leves minhas esperanças
    sem esperanças não sei viver.

    (Rio Azul, poema de Laureano Rocha)


    Na Rua do Seixal, no Bairro do Troino e à sombra da Igreja de N. Sta da Anunciada, defronte da Tasca do Xico da Cana, encontra-se este mural, com versos da canção "Rio Azul" (Foto victor nogueira IMG_4057)

    Setúbal, Mural de Explicit Citizens Colectivo no Pavilhão Náutico Municipal ,no Parque Urbano de Albarquel (Foto victor nogueira IMG_8503)

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