quinta-feira, 18 de março de 2010

Esta manhã encontrei o teu nome - Maria do Rosário Pedreira

Assunto: MANHÃ DE DOMINGO
Data: 15/Mar 19:26
SOU UMA MULHER PRÁTICA, SEM TEMPO PARA GASTAR EM FUTILIDADES. A MAIOR PARTE DAS VEZES SÃO RIDÍCULAS. LER UM POEMA, POR EXEMPLO, COM QUE OBJECTIVO? NÃO EXISTE NENHUM. É COMO DESCREVER UM PÔR DO SOL...SE TIVER DE O FAZER, UTILIZO AS PALAVRAS EXACTAS, DECORRENTES DE, NA MINHA IDADE, JÁ TER ASSISTIDO A MUITOS. É COMO NA VIDA. PASSO NELA DE OLHOS ABERTOS, ATENTA, Á DEFESA, DESBRAVANDO O MEU CAMINHO...MAS SEMPRE DE PÉS NA TERRA. NÃO ENTENDO PORQUE PROCURAM PALAVRAS ESPECIAIS PARA DESCREVER ALGO TÃO BANAL. VIVER, FAZ-SE, NÃO SE DIZ, E TENHO A CERTEZA QUE, MESMO SEM PERGUNTAR, TODOS PENSAM COMO EU. QUE OUTRO CAMINHO PODE EXISTIR? NUM JARDIM OLHO OS CANTEIROS.HÁ QUANTO TEMPO O JARDINEIRO NÃO VEM. É ISTO QUE SALTA AOS OLHOS, MAIS NADA. SORRIRAM PARA MIM, PREOCUPO-ME. NÃO CONHEÇO. O QUE É QUE TENHO DE ERRADO? JÁ NÃO ME SINTO Á VONTADE. VOU ANTES PARA ONDE PENSO QUE HÁ POUCA GENTE, A MARGEM DO RIO. ENGANEI-ME. FAMÍLIAS INTEIRAS CAMINHAM. VOU VIRAR AS COSTAS E OLHAR A ÁGUA. QUE HORROR, COMO ESTÁ POLUÍDA, NEM CÔR TEM. QUE ESTOU AQUI A FAZER? QUE IDEIA A MINHA, SAIR DE CASA NESTA MANHÃ DE DOMINGO. TANTA GENTE SENTADA NA RELVA RALA E EMPOEIRADA.VÃO FICAR TODOS SUJOS. QUANTAS CRIANÇAS CORRENDO DE UM LADO PARA O OUTRO, GRITANDO, SEM PARAREM UM MOMENTO. NÃO AGUENTO. VOU-ME EMBORA. VOU DESCANSAR. QUE VOU FAZER QUANDO CHEGAR A CASA? NÃO INTERESSA, LOGO SE VÊ... EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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ESTA MANHÃ ENCONTREI O TEU NOME
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Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
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No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
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foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
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MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
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