* António Gil
E eles são muito mais animais que os outros
Considerando o número de políticos, membros de famílias envolvidos em relações sinistras com Epstein e além disso jornalistas, intelectuais e artistas, a única hipótese que restaria ao ‘Ocidente’ era vassourada total no topo das várias hierarquias (as de sangue, hereditárias, as de conluio intelectual, as de cumplicidade criminosa de políticos) e recomeçar do zero.
Falemos de uma grande cama, onde todos promiscuamente conviviam, no bordel que Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein, por esta ordem, já que ela era a madame patroa, ele era o ‘segurança’ do bordel. A prova desta hierarquia é que ele foi suicidado ela nunca o será porque está bem protegida como acontece sempre com quem está no topo.
Nessa grande cama, dormiram tantos, tantos, dos ditos ‘líderes ocidentais’ dos dois sexos e seus derivados genéricos, acompanhados por todos os seus asseclas: os escribas, os roteiristas, os realizadores de cinema, as estrelas pop da música e das artes performativas e -é claro – os produtores, os que fianaciaram todo aquele filme hardcore.
Uma prova, se ainda necessitássemos de tal coisa, que milhares de pessoas podem guardar longamente um segredo, protegendo-o dos rumores, da má língua, mesmo dos ‘teóricos da conspiração,’ essa ‘raça’ sempre tão desconfiada à qual desde sempre me orgulhei de pertencer.
É muita gente, é gente muito poderosa. Não são pessoas como nós, ninguém os censura, ninguém os cancela, ninguém os desmonetariza e ninguém os castiga da forma como mereceriam. Já viram alguém preso? Algum julgamento marcado, além da madame Maxwell?
Não admira que muitos deles e delas se vejam no papel de deuses e deusas, com poderes exclusivos para disporem de corpos alheios, sejam eles crianças impúberes ou humanos maduros ou anciãos, todos dispensáveis.
Estamos diante disso, agora. E não importa se acreditamos ou não em deuses e deusas, importa sim saber que há humanos arrogando-se tal estatuto e agindo como se tivessem criado o Universo ou mesmo os multiversos.
Não se trata já de resistir a estas criaturas, o desafio é mais radical: ou nos livramos de tais monstros ou, nalgum ponto elas se livrarão de todos os que consideram humanos excedentários. E decerto a maioria esmagadora de nós está nessa categoria, para tais seres aberrantes.
E os que não estão, se não pertencerem a esse clube exclusivo e desapiedado, servirão enquanto tiverem corpos apetecíveis ou produzam prosápia envenenada, para enganar os leitores mais crentes. Depois disso, esgotarão seus prazos de validade e serão jogados no lixo, como todos os outros.
Se a impunidade prevalecer e -como prevejo – não houver outra punição para estas criaturas aberrantes senão o breve embaraço e a ligeira maçada de verem seus nomes publicamente expostos, a mensagem desse laxismo jurídico será clara mas incomodará pouca gente: os poderosos não estão sujeitos às leis que eles mesmos impõem aos outros, não sofrem as legítimas punições e podem, portanto, continuar alegremente a executar suas presas para satisfação de seus mais baixos instintos.
2026 02 02
https://antoniojfgil.substack.com/p/the-pigs-are-in-power?

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