D'ali e D'aqui
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 19 de abril de 2026
Discurso de Chaplin em 'Monsieur Verdoux'
O pecado original de Pacheco Pereira
Pacheco
Pereira não se arrepende do frente-a-frente com Ventura: “Se fosse hoje,
repetiria”
Em
declarações ao DN, José Pacheco Pereira defende sem hesitações a decisão de
desafiar André Ventura para um debate e rejeita as críticas de quem considera
que saiu a perder. Para o historiador, discutir o populismo à distância é um
erro: “Tem mesmo de se meter a mão na massa”, diz, depois de ter enfrentado o
líder do Chega. E recusa uma “espécie de snobismo intelectual”.
16 Abr 2026,
“Estou muito
contente com o que fiz e se fosse hoje repetiria”. José Pacheco Pereira defende
sem reservas a decisão de desafiar André Ventura para um debate e rejeitou as
críticas de quem entende que o historiador perdeu ao aceitar o frente-a-frente
transmitido pela CNN Portugal na noite de 13 de abril, depois de Ventura ter
insistido na tese de que houve mais “presos políticos” após o 25 de Abril do
que em vésperas da revolução, afirmação que Pacheco Pereira classificou
publicamente como uma “comparação absurda”.
“Sim, tem
mesmo de se meter a mão na massa”, afirmou, sublinhando que não aceita a ideia
de que o combate político ao populismo se faça à distância. “Não alinho nessa
posição. Se as pessoas têm pruridos em sujar as mãos, fazem mal. Em casos
destes, é preciso sujar as mãos”, acrescentou.
O historiador
respondeu assim à metáfora, repetida nos últimos dias em artigos de opinião e
comentários nas redes sociais, de que “nunca se deve lutar com um porco”,
fórmula usada por vários observadores para criticar o tom do confronto com o
líder do Chega, com comentadores a argumentarem que o frente-a-frente
acabou por arrastar Pacheco Pereira para o terreno preferido de Ventura.
Mas o antigo
dirigente do PSD recusa a conclusão. “A ideia de que não devemos rebaixar-nos
tem a ver com medo. Há muito medo”, diz o historiador. E vai mais longe: “A
história diz-nos que, nos anos 30 e, mais recentemente, em França, com a Frente
Nacional, esse caminho, inicialmente seguido, foi depois revertido por
uma razão: não se pode deixar que digam certas coisas sem reação.”
Para Pacheco
Pereira, o erro está precisamente em deixar o espaço público livre para esse
tipo de discurso. “Há uma esquerda que assume uma espécie de snobismo
intelectual - eles são maus, discutem à bruta e, portanto, não se fala com
eles. Sabe qual é o efeito que isso tem? Encontro esse efeito na rua, nas
pessoas que me abordam depois daquele debate”, relatou. “É um número muito
significativo de pessoas que vem ter comigo, que saem da mesa do restaurante
para me cumprimentar. Não são apenas pessoas da elite. São pessoas que
não se sentem representadas.”
Segundo o
historiador, a reação popular ao debate mostrou que existe um sentimento de
vazio no campo democrático perante a ascensão do discurso populista. “Vêm ter
comigo com uma certa dose de emoção e essa emoção tem a ver com o facto de não
se sentirem representadas nesses outros debates”, afirmou, defendendo que o
confronto direto é uma forma de responder a esse mal-estar.
Pacheco
Pereira considera ainda que o frente-a-frente teve uma utilidade concreta:
"expor afirmações de Ventura sobre o 25 de Abril que nunca tinha dito. E
só isso foi uma enorme vantagem”, concluiu Pacheco Pereira, sustentando que o
debate permitiu tornar visível, de forma mais nítida, a leitura que o líder do
Chega faz da democracia saída da Revolução dos Cravos. Ainda que lamente: “O
mais grave é que as frases mais significativas que o Ventura disse,
inclusivamente que o 25 de Abril era miserável, ninguém as reproduziu”.
O pecado
original de Pacheco Pereira
Paulo Guinote, Professor do
Ensino Básico
16 Abr 2026
Não sou dos que
acha que não vale a pena “debater com fascistas”, estando em causa André
Ventura. Porque ele é, antes de mais, um político oportunista, demagogo mais do
que populista (ele só promete tudo às “pessoas de bem”, o que reduz muito o
universo…) e porque, em alguns contextos, é essencial desmascarar as mentiras e
mistificações que algumas figuras apresentam como verdades irrevogáveis e,
nesse particular, Ventura está longe de ser o único mistificador no activo.
André Ventura
só é “fascista” nos momentos em que esse tipo de discurso ou atitude se revelam
vantajosos para a angariação de votos. Ou de apoios de bastidores. Ou de
financiamentos. Porque já o vimos ser um pouco de tudo: cristão devoto (mais ou
menos católico), proto-sindicalista empedernido (do apoio a sindicatos de
polícias, ao esquecido anúncio da criação de uma nova federação sindical),
nacionalista dos quatro costados, a par de atlantista bissexto. Pactua com
grupos neo-nazis, desde que isso não ganhe destaque público e é acérrimo
inimigo dos corruptos, a menos que lhe facilitem ancoragem financeira. Ora,
qualquer “fascista” digno desse apodo teria vergonha de colocar cartazes com
mensagens que depois se tentam reinterpretar de forma manhosa.
O “verdadeiro
fascista” não pratica o toca-e-foge ou o desdisse-o-que disse. Ventura é apenas
um simulacro para os tempos que temos, marcados pela promoção de produtos para
consumo mediático de massas, se possível com aroma a “sangue”, não interessando
se é coerente no percurso, desde que pareça “assertivo” de cada vez que faz uma
curva ou inversão de marcha. Se pode ser perigoso, chegando-se muito ao poder?
Sim, se isso corresponder ao abrir de portas à peculiar confederação de
interesses que congregou graças ao seu sucesso no mercado político-mediático.
Pacheco Pereira
sabe isto, pois foi claro quando declarou que nunca qualificou Ventura como
fascista. Mas equivocou-se ao considerar que um debate entre os dois serviria
para algo mais do que produzir audiências ao canal anfitrião. Porque podem
muitos bater no peito que nunca assistiriam a tal confronto que a curiosidade
mórbida vence quase sempre essas proclamações. O único “vencedor” do debate
foi, pois, a CNN Portugal.
Ao desafiar
Ventura, Pacheco Pereira cometeu um duplo erro de cálculo: concedeu ao seu
interlocutor um estatuto de equivalência intelectual que, gostemos mais ou
menos do trajecto de JPP, muito poucos reconhecem e achou que seria possível
uma espécie de “duelo de cavalheiros”. Achou que apresentando “regras”, isso
impediria o atropelamento no discurso ou o escorregar para a luta na lama
retórica. Acreditou que apelando à apresentação de “factos” isso teria o mesmo
significado para o seu oponente. Considerou que levando livros e documentação
variada conseguiria “provar” uma verdade, cuja validade a outra parte não
reconhece. A Ventura chega um punhado de fotocópias para fazer o seu número e
exibir indignação. Pacheco Pereira pensou que a racionalidade calma venceria a
emoção encenada. Enganou-se.
Todos cometemos
erros, por arrogância intelectual, por inconsciência das circunstâncias ou má
avaliação das qualidades, próprias e alheias. Pacheco Pereira parece não ter
percebido que nada tinha a ganhar com este debate e Ventura nada a perder. Foi
esse o seu pecado original.
Escreve sem
aplicação do novo Acordo Ortográfico
https://www.blogger.com/blog/post/edit/7624295442706210520/3893848410623296261
Ventura sabe que mentiu?
Pedro Tadeu, Jornalista
17 Abr 2026,
No debate,
segunda-feira na CNN, com Pacheco Pereira, André Ventura disse que os políticos
“do sistema” não admitem os crimes políticos do pós-25 de Abril e citou
conclusões do Relatório da Comissão de Averiguação de
violências sobre presos sujeitos às autoridades militares”, o chamado
“Relatório das Sevícias” – mas ao fazê-lo desmentiu-se a si próprio.
Esse relatório,
publicado em julho de 1976, foi elaborado por indicação do Conselho da
Revolução no rescaldo do 25 de Novembro de 1975. Este facto foi omitido por
Ventura.
O documento foi
um instrumento político dos vitoriosos desse último golpe e muito do que lá se
diz não está devidamente sustentado, nem inclui a defesa das pessoas e
instituições acusadas de serem autoras das ditas sevícias. É parcial e
duvidoso, mas, sem dúvida, também conterá verdades.
O ponto central
para esta discussão não é esse. O ponto é que, ao contrário do argumento de
Ventura, o regime democrático que o 25 de Abril criou em 1974 já discutia
abertamente, a nível oficial e menos de dois anos depois, os abusos que o
próprio regime teria cometido, coisa que durante 48 anos de fascismo português
nunca aconteceu – de resto, o dito relatório está disponível, para toda a
gente, no site da Presidência da República, não está escondido.
Portanto,
quando André Ventura afirma que em 50 anos de democracia a classe política
dominante não admitiu a existência de abusos de Direitos Humanos no pós-25 de
Abril está a mentir e contradiz-se quando apresenta como prova um relatório que
até foi elaborado por alguns atores do dia 25 de Abril de 1974, como, por
exemplo, o jornalista Francisco Sousa Tavares.
Outra
manipulação de André Ventura é a de dizer que nunca Salazar e Caetano assinaram
ordens de prisão, o que só teria acontecido no pós-25 de Abril.
Nem Salazar,
nem Caetano precisavam de escrever ordens de prisões políticas porque as davam
verbalmente. Por exemplo, Silva Pais, que foi diretor da PIDE a partir de 1962,
aparece mencionado 119 vezes nas agendas de audiências individuais de Salazar,
que saiu do poder seis anos depois. Dá quase 20 vezes por ano.
Ventura
queixou-se de que houve três mil presos políticos a seguir ao 25 de Abril e que
30 mil pessoas fugiram do país.
Em 1974,
segundo a Comissão de Extinção da PIDE/DGS, havia 3000 agentes da polícia
política e mais de 20 mil informadores (os chamados “bufos”). Se a isto
somarmos vários militares, polícias, membros da Legião Portuguesa, muitas
outras autoridades como governadores civis, ministros, secretários de Estado,
altos funcionários públicos, quadros das comissões de censura, juízes dos
tribunais plenários e alguns outros milhares de pessoas que participavam
ativamente, mesmo de forma indireta, nas estruturas de repressão política do
regime fascista, teremos de perguntar: “Poderia uma revolução que deita abaixo
um regime repressor manter as pessoas que exerciam essa repressão em
liberdade?”
Na verdade, até
seria de esperar que houvesse mais prisões e mais fugas, mas, apenas 17 meses
depois, tal como André Ventura acabou por dizer, quase todos estavam livres ou
começavam a voltar. E isso demonstra a tolerância do 25 de Abril.
Mais de 30 mil
resistentes e patriotas não tiveram essa sorte durante o fascismo. Álvaro
Cunhal, por exemplo, amargou mais de 11 anos na cadeia e só se libertou porque
fugiu do Forte de Peniche. Esteve 14 anos fora do seu país... até ao 25 de
Abril.
Como é que se
pode comparar uma coisa com a outra?!
sábado, 18 de abril de 2026
Um poema de Serafino Spiggia?
📝 1. Transcrição (sardo)
Orgosolo
tutta
in s’antigori ona
naschida dae orgosa
sa rocca de su bisorgone
terra luxosa.
De ilighes, de chercos e lidone;
in ischinales friscaos e bentosos
abitaiant chervos e mugrones.
Aias bestiamene e pasturas
in donzi’ addae e in sas arturas.
In sos campos furades a sa matta
b’ant fattu binzas, ortos e cultivos,
ortos de mojòs, mandrias e cuiles;
de caminos b’aiat paga trassa
meda ricos de abba fint sos rios
e in totu pinnetos e capules.
🇵🇹 2. Tradução para português
Orgosolo,
toda
na sua antiguidade,
nascida de rocha,
a rocha do Bisorgone,
terra luminosa.
De azinheiras, de carvalhos e medronheiros;
nos desfiladeiros frescos e ventosos
habitavam veados e javalis.
Eiras, criação de gado e pastagens
em cada vale e nas alturas.
Nos campos lavrados desde a madrugada
fizeram vinhas, hortas e cultivos,
hortas, rebanhos e abrigos pastoris;
de caminhos havia abundância de trilhos,
muito ricos de água eram os rios
e por toda a parte pinhais e matagais.
✔️ Notas de rigor
- “ilighes” → azinheiras
- “chercos” → carvalhos
- “lidone” → medronheiros
- “mugrones” → javalis
- “cuiles” → abrigos de pastores (típicos da Sardenha)
- “abba” → água
quinta-feira, 16 de abril de 2026
"Ditadura" ou "palas nos olhos"? Pacheco Pereira e Ventura: O essencial
Pacheco Pereira acusou o líder do Chega de liderar um partido cruel e "anti-cristão", num debate em que André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda.
14/04/2026
José Pacheco
Pereira acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e liderar
um partido cruel e "anti-cristão", num debate em que André Ventura
associou o historiador à extrema-esquerda e acusou-o de ter "palas nos
olhos".
O debate da
noite de segunda-feira na CNN Portugal partiu de um desafio lançado por Pacheco
Pereira - e que André Ventura aceitou - para uma discussão baseada em
"factos e documentos", após a polémica intervenção do presidente do
Chega no Parlamento durante a sessão solene que assinalou os 50 anos da
Constituição.
O frente a
frente decorreu em tom aceso, com interrupções constantes e durou quase mais 30
minutos do que tinha sido anunciado. Os dois intervenientes tinham documentos
para basear os argumentos que foram referindo, e Pacheco Pereira levou também
uma palmatória, utilizada para castigos corporais.
Os dois
mantiveram as respetivas posições relativamente ao número de presos políticos
antes e depois da Revolução de 1974, com o líder do Chega a procurar justificar
que quis dizer no Parlamento que "no dia antes da Revolução havia menos
presos políticos do que houve uns meses depois", para tentar "acabar
com aquela narrativa" de que "foi tudo mal antes e foi tudo bom
depois".
André Ventura
rejeitou também que todas as pessoas detidas nas antigas colónias fossem presos
políticos e acusou José Pacheco Pereira de só se indignar "com a violência
da direita", enquanto a "violência da esquerda parece-lhe tudo bem e
parece-lhe tudo aceitável", repetindo várias vezes que o seu opositor
tem "palas nos olhos".
"Há
comparações que são elas próprias mentiras, e uma dessas comparações é falar do
que aconteceu no período em 1974, 1975 e 1976 e comparar, que é o que o
André Ventura faz, com o que aconteceu nos 48 anos anteriores",
criticou José Pacheco Pereira, considerando "uma comparação absurda".
O historiador
acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e "dizer que
o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes" do 25
de Abril.
"E essa
comparação coloca-o do lado de antes do 25 de Abril. Sabe
porquê? Porque o que está a fazer, é dizer que a democracia é igual à
ditadura", criticou José Pacheco Pereira.
O antigo líder
parlamentar do PSD considerou também que este não foi "um debate entre
direita e esquerda", mas sim "um debate sobre a História".
Questionado
diretamente se gosta mais do antigo regime ou do atual, André Ventura respondeu
que "o que gostava de ter era uma democracia plena".
"Nós
tivemos uma revolução miserável [...] O que nós devíamos ter tido era
uma transição democrática, não devíamos ter tido comunistas a assaltar o
poder, a expropriar, a matar e a prender", afirmou.
Neste
ponto, Pacheco Pereira contrapôs que a Revolução de 1974 "deu a
liberdade a Portugal" e a "democracia para [Ventura] poder estar
no Parlamento", e acusou o líder do Chega de mostrar
"ignorância e demagogia".
Sobre a
descolonização, o líder do Chega classificou esse processo como "uma
tragédia" e acusou o Estado de ter "abandonado" as famílias que
voltaram de África e os antigos combatentes.
Já Pacheco
Pereira considerou que a "grande responsabilidade do que
aconteceu em África e do tumulto que se gerou depois de 1975 é de
Salazar e Marcelo Caetano".
O historiador
acusou ainda André Ventura de liderar um país cruel e "o mais
anti-cristão", considerando que as posições do Chega contrariam as
defendidas pelo Papa.
No debatem houve ainda tempo para falar sobre corrupção, com o presidente do Chega a considerar que "Sócrates roubou muito mais do que Salazar" e Pacheco Pereira a defender que o antigo primeiro-ministro "foi protegido durante muitos anos, entre outras coisas, pelo PSD" e que o partido de Ventura, ao "associar a corrupção à democracia", está a "lutar contra a democracia".
"Estou
muito contente com o que fiz e, se fosse hoje, repetiria", afirmou o
historiador José Pacheco Pereira sobre o debate com o líder do Chega, André
Ventura, durante o qual foi discutido o 25 de Abril.
16/04/2026
O historiador e antigo deputado do partido Social Democrata (PSD) José Pacheco Pereira afirmou, esta quinta-feira, que está "muito contente" com a sua prestação no debate contra o líder do Chega, André Ventura, e que, "se fosse hoje, repetiria".
O debate,
recorde-se, decorreu na noite de segunda-feira na CNN Portugal na sequência de
um desafio de Pacheco Pereira - e que André Ventura aceitou - para uma
discussão baseada em "factos e documentos", após a polémica
intervenção do presidente do Chega no Parlamento durante a sessão solene que
assinalou os 50 anos da Constituição.
"Estou
muito contente com o que fiz e, se fosse hoje, repetiria", disse o
historiador em declarações ao Diário
de Notícias.
O antigo
deputado do PSD disse ainda que o debate teve o objetivo de "expor
afirmações de Ventura sobre o 25 de Abril que nunca tinha dito" e "só
isso foi uma enorme vantagem".
Pacheco Pereira
sublinhou que não aceita a ideia de que o combate político ao populismo se faça
à distância, defendendo que, "se as pessoas têm pruridos em sujar as mãos,
fazem mal". "Em casos destes, é preciso sujar as mãos", atirou.
"A ideia
de que não devemos rebaixar-nos tem a ver com medo. Há muito medo",
referiu ao jornal. "A história diz-nos que, nos anos 30 e, mais
recentemente, em França, com a Frente Nacional, esse caminho, inicialmente
seguido, foi depois revertido por uma razão: não se pode deixar que digam
certas coisas sem reação."
O antigo
deputado social-democrata defendeu ainda a ideia de que "há uma Esquerda
que assume uma espécie de snobismo intelectual".
E exemplificou:
"'Eles são maus, discutem à bruta e, portanto, não se fala com eles'. Sabe
qual é o efeito que isso tem? Encontro esse efeito na rua, nas pessoas que me
abordam depois daquele debate. É um número muito significativo de pessoas que
vem ter comigo, que saem da mesa do restaurante para me cumprimentar. Não são
apenas pessoas da elite. São pessoas que não se sentem
representadas."
O que foi
dito no debate?
No debate de
segunda-feira, Pacheco Pereira acusou o líder do Chega de liderar um partido
cruel e "anti-cristão", enquanto André Ventura associou o historiador
à extrema-esquerda.
José Pacheco
Pereira acusou o presidente do Chega de "justificar a ditadura" e
liderar um partido cruel e "anti-cristão", num debate em
que André Ventura associou o historiador à extrema-esquerda e acusou-o de
ter "palas nos olhos".
Os dois
mantiveram as respetivas posições relativamente ao número de presos políticos
antes e depois da Revolução de 1974, com o líder do Chega a procurar justificar
que quis dizer no Parlamento que "no dia antes da Revolução havia menos
presos políticos do que houve uns meses depois", para tentar "acabar
com aquela narrativa" de que "foi tudo mal antes e foi tudo bom
depois".
André Ventura
rejeitou também que todas as pessoas detidas nas antigas colónias fossem presos
políticos e acusou José Pacheco Pereira de só se indignar "com a violência
da Direita", enquanto que com a "violência da Esquerda parece-lhe
tudo bem e parece-lhe tudo aceitável", repetindo várias vezes que o seu
opositor tem "palas nos olhos".
"Há
comparações que são elas próprias mentiras, e uma dessas comparações é falar do
que aconteceu no período em 1974, 1975 e 1976 e comparar, que é o que o André
Ventura faz, com o que aconteceu nos 48 anos anteriores", criticou José
Pacheco Pereira, considerando "uma comparação absurda".
O historiador
acusou o líder do Chega de "justificar a ditadura" e "dizer que
o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes" do 25 de
Abril.
"E essa
comparação coloca-o do lado de antes do 25 de Abril. Sabe porquê? Porque o que
está a fazer, é dizer que a democracia é igual à ditadura", criticou José
Pacheco Pereira.
O antigo líder
parlamentar do PSD considerou também que este não foi "um debate entre
Direita e Esquerda", mas sim "um debate sobre a História".
Questionado
diretamente se gosta mais do antigo regime ou do atual, André Ventura respondeu
que "o que gostava de ter era uma democracia plena".
"Nós
tivemos uma revolução miserável [...] O que nós devíamos ter tido era uma
transição democrática, não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder, a
expropriar, a matar e a prender", afirmou.
Neste ponto,
Pacheco Pereira contrapôs que a Revolução de 1974 "deu a liberdade a
Portugal" e a "democracia para [Ventura] poder estar no
Parlamento", e acusou o líder do Chega de mostrar "ignorância e
demagogia".
Sobre a
descolonização, o líder do Chega classificou esse processo como "uma
tragédia" e acusou o Estado de ter "abandonado" as famílias que
voltaram de África e os antigos combatentes.
Já Pacheco
Pereira considerou que a "grande responsabilidade do que aconteceu em
África e do tumulto que se gerou depois de 1975 é de Salazar e Marcelo
Caetano".
O historiador
acusou ainda André Ventura de liderar um país cruel e "o mais
anti-cristão", considerando que as posições do Chega contrariam as
defendidas pelo Papa.
Ventura e
Pacheco Pereira: "Traição" do país e "justificação da
ditadura"
Recorde aqui
AO MINUTO o debate entre o líder do Chega, André Ventura, e o antigo deputado
do PSD, José Pacheco Pereira.
13/04/2026
André Ventura e José Pacheco Pereira
defrontaram-se na CNN num debate proposto pelo historiador e prontamente aceite
pelo presidente do Chega na semana passada. Durante quase 1h30, o debate ficou
marcado por vários momentos de discussão acesa e tensão, com, inclusive, trocas
de acusações entre ambas as partes.
Desde logo, da
parte de André Ventura que acusou Pacheco Pereira de ser "pouco
patriota", afirmando que a "esquerda intelectual" (onde incluiu
o ex-deputado do PSD) tem "palas nos olhos" e que considera que tudo
antes do 25 de Abril foi mau e que tudo depois foi bom. Ventura defendeu ainda
que comparar o antes e o após 25 de Abril é "historicamente justo" e
que Portugal "traiu" os milhões que estavam nas colónias e o próprio
exército português após a revolução.
Já Pacheco
Pereira começou por afirmar que Ventura se estava a meter num
"sarilho". Ao longo do debate, o discurso do historiador passou
explicativo e argumentativo, para acusatório, defendendo que Ventura estava a
"justificar a ditadura" ao comparar os 50 anos de ditadura aos dois
de transição após a revolução e acabando mesmo a considerar que o líder do
Chega "luta contra a democracia".
Destaques
- Ventura: "Não devíamos ter tido comunistas
a assaltar o poder" há 5 dias
- "Sabe onde está a traição? Na crueldade que
o Chega transporta" há 5 dias
- Ventura está "a justificar a
ditadura", acusa Pacheco Pereira há 5 dias
- Comparar antes e pós 25 de Abril é
"historicamente justo", diz Ventura há 5 dias
- "Sabe quem é que era um assassino? Otelo
Saraiva de Carvalho" há 5 dias
- "Há comparações que são elas próprias
erradas", nota Pacheco há 5 dias
- "Ó, André Ventura, você mete-se em cada
sarilho" há 5 dias
Em direto
Fim de
cobertura
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Terminamos aqui
o nosso acompanhamento AO MINUTO do debate entre o líder do Chega, André
Ventura, e o antigo deputado do PSD, José Pacheco Pereira.
Ventura
considera que corrupção é um "problema endémico"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura afirmou
que Portugal perde todos os anos 18.5 mil milhões de euros para a corrupção,
questionando quanto é que se perdia há 50 anos.
"Quando é
corrupção e olhamos para os dados conseguem dizer assim: 'Bom mas o país era
muito diferente'. Mas quando falam de violência e de censura o país já não era
diferente", considerou, atirando que o país é "altamente
corrupto" e que já o era durante a ditadura. "Temos um problema
endémico".
Pacheco
Pereira acusa Ventura de "lutar contra a democracia"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Você não
luta efetivamente contra a corrupção. O que você faz é lutar contra a
democracia", atirou Pacheco Pereira.
"José
Sócrates roubou muito mais do que o Salazar"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura admitiu
que havia corrupção na ditadura, mas não admite que era um regime corrupto. O
líder do Chega afirmou que se vivesse durante a ditadura iria, da mesma forma,
lutar contra a corrupção: "O que eu não tenho é palas, não vejo só
corrupção à direita ou à esquerda. Eu luto contra a corrupção onde ela
existiu".
Ventura citou
depois Mário Soares, que afirmou que Salazar nunca roubou o erário público e
atirou: "José Sócrates roubou muito mais do que o Salazar".
"Sabe
qual é o problema? É uma mistura de ignorância e demagogia"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Sabe qual
é o problema? É uma mistura de ignorância e demagogia", atirou Pacheco
Pereira, notando que a "revolução miserável" a que se refere André
Ventura trouxe a liberdade a Portugal.
"Mas
trouxe coisas más também", interrompeu Ventura.
Ventura:
"Não devíamos ter tido comunistas a assaltar o poder"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura
recordou que Portugal também levou a "fé cristã a muitos povos do
mundo" e que construiu "onde não havia nada para construir",
considerando que o país ajudou desenvolver as colónias.
"O que nós
devíamos ter tido era uma transição democrática. Não devíamos ter tido
comunistas a assaltar o poder. Os senhores como estavam tão cheios de chama do
espírito do comunismo, do ataque a tudo, não olharam a meios".
"Sabe
onde está a traição? Na crueldade que o Chega transporta"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Pacheco Pereira
considerou que a "grande responsabilidade do que aconteceu em Àfrica é de
Salazar e de Marcelo Caetano", afirmando que a violência que aconteceu
depois foi resultado dos atos dos dois governantes de Portugal durante a
ditadura.
O historiador
atirou ainda que só é possível falar da guerra "como André Ventura
fala" se "legitimarmos a guerra" e recusou que a culpa da
violência pós-25 de Abril foi de Mário Soares, Almeida Santos ou de Álvaro
Cunhal. "Foi culpa de António de Oliveira de Salazar e de Marcelo
Caetano"
"Sabe onde
e que está a traição à pátria? É na crueldade que o Chega transporta",
atirou mostrando depois uma publicação do partido onde critica um cartaz do SNS
em criolo.
"Portugal
traiu os milhões que lá estavam e os combatentes"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Portugal
traiu verdadeiramente em muitos aspetos não só os milhões que lá estavam, como
traiu o exército português e os combatentes", atirou Ventura.
"Não tem
que ver com esquerda nem com direita. Tem que ver com errámos, fizemos
mal", acrescentou.
Ventura e
Pacheco Pereira em debate aceso
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura e
Pacheco Pereira entram num momento de debate aceso, não deixando o jornalista
que está a mediar o debate intervir.
Ventura está
"a justificar a ditadura", acusa Pacheco Pereira
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Pacheco Pereira
acusa Ventura de estar a "justificar a ditadura" ao comparar o antes
e o pós do 25 de Abril e "essa comparação coloca-o do lado do antes do 25
de Abril". O historiador disse, aliás, que com o seu discurso Ventura diz
que "a ditadura é igual à democracia".
"Com esse
tipo de afirmações de extrema-direita", Chega é fascista, considerou o
historiador.
Quanto à falta
de ordens para realizar prisões durante a ditadura, Pacheco Pereira recordou
que "havia uma polícia política" que podia fazer o que quisesse:
"Não precisavam de ordens".
Ventura e
Pacheco Pereira começam uma troca acesa de argumentos, falando um por cima do
outro.
Comparar
antes e pós 25 de Abril é "historicamente justo", diz Ventura
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura
defendeu que é "historicamente justo" comparar o antes e depois do 25
de Abril "porque criámos uma classe política dirigente que só conseguiu
ver vantagens no que aconteceu, passou a demonizar uma parte da nossa história
e a fazer uma espécie de elogio permanente à nossa história a seguir".
"Temos
documentos históricos que diz que o presidente do Governo mandou prender",
atirou, referindo-se aos executivos pós-25 de Abril, e notando que durante a
ditadura o primeiro-ministro nunca ordenou nenhuma prisão.
"É uma
comparação absurda", atira Pacheco Pereira
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura afirmou
que não pode aceitar o "desequilíbrio" do "nosso regime"
que continua a dizer que "antes do 25 de Abril foi tudo mau, e depois do
25 de Abril foi tudo bom. E acrescentou que gostava que Pacheco Pereira fosse
capaz de dizer que houve violência, tortura, terrorismo dos dois lados.
Pacheco
respondeu: "Eu nunca neguei, mas eu recuso-me em fazer a comparação que
Ventura faz. É uma comparação absurda. A tortura que aconteceu depois do 25 de
Abril foram casos isolados. É dúplice. Antes tivemos entre 30 mil e 40 mil
presos políticos".
"Sabe
quem é que era um assassino? Otelo Saraiva de Carvalho"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Sabe quem
é que era um assassino? Otelo Saraiva de Carvalho e nós condecorámo-lo",
atirou Ventura.
Pacheco Pereira
tenta depois intervir e inicia-se uma troca de argumentos entre os dois.
"Só se
indigna com a violência da direita, e depois com a da esquerda diz que está
tudo bem", acusa o líder do Chega.
"É preciso
que em televisão pela primeira vez alguém fale da violência que a extrema
esquerda trouxe ao país depois do 25 de abril. E é preciso ser um rapaz de
'83", acrescentou.
"Há
comparações que são elas próprias erradas", nota Pacheco
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Há
comparações que são elas próprios erradas e uma [delas] é falar do que
aconteceu entre 74 e 76 e o que aconteceu nos outros 50 anos antes",
afirmou Pacheco Pereira.
"Houve de
facto violência", admitiu o historiador, referindo-se a presos políticos
portugueses "Não me importo de aceitar para efeito da discussão que houve
violência". Contudo, notou, a maioria dessas pessoas foi libertadas meses
depois, e nem nunca passou pela cadeia.
André Ventura
acusa Pacheco Pereira de viver numa versão "cor-de-rosa do mundo" e
que quando alguém discorda começa a "inventar".
Ditadura
feroz com cento e tal presos? "Coisa estranha"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Uma
grande parte dos presos era pessoas que tinham atacado o Estado
português", argumentou Ventura. "Se considerar isto presos políticos,
eu acho que isto é grave para o Estado português porque é muito pouco
patriota", atira a Pacheco Pereira que nega, de imediato, a acusação,
afirmando que está a ser ofendido.
Ventura
questiona: "Como é que éramos uma ditadura tão feroz e tinha cento e tal
pessoas presas em Lisboa? Coisa estranha, que coisa tão estranha", notou,
comparando com o pós-ditadura numa altura em que houve milhares de presos
políticos.
Ventura
acusa Pacheco Pereira de não gostar do seu país
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Ventura
considera que Pacheco Pereira não gosta do seu país, com o ex-deputado do PSD a
refutar o argumento.
"A guerra
colonial foi uma guerra injusta", diz Pacheco Pereira. Ventura atira que a
guerra "correu mal" porque "os traímos", referindo-se aos
colonatos.
"Ó,
André Ventura, você mete-se em cada sarilho"
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
"Ó, André
Ventura, você mete-se em cada sarilho", começa por dizer Pacheco Pereira.
O historiador
por perguntar a Ventura se acha que houve guerra em África ou no Ultramar ou
guerra colonial, desencadeando uma troca de argumentos entre os dois.
Inicia-se um
debate aceso entre André Ventura e Pacheco Pereira sobre o que está em causa
quando o exército português foi atacado pelos habitantes das colónias, com o
historiador a notar que os prisioneiros nessa altura eram considerados
portugueses, daí a dimensão de presos políticos.
"Gostava
de ter uma democracia plena", diz Ventura
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
O debate começa
pelo tema dos presos políticos, com André Ventura a ter a primeira intervenção.
André Ventura
começa por elogiar a iniciativa do repto de Pacheco Pereira: "Acho que é
muito importante este momento porque acho que isto também define as
democracias".
Já sobre a
questão dos presos políticos, Ventura disse que "no dia antes da revolução
havia menos presos políticos do que havia depois da revolução",
acrescentando que a sua intervenção na assembleia servia para
"acabar" com a teoria de que foi "tudo mau antes e tudo bom
depois".
Questionado se
gostava mais da ditadura de antes ou de a democracia de hoje respondeu que
"gostava de ter era uma democracia plena".
"Eu aceito
toda a discussão e todo o argumento. Não me venham é dizer que as pessoas todas
presas nas colónias eram presos políticos", atirou.
Debate já
começou
Carolina
Pereira Soares há 5 dias
Tem agora
início o debate entre José Pacheco Pereira e André Ventura.
Ventura
aceitou: "Não me escondo e não tenho medo"
Lusa há 5
dias
O presidente do
Chega, André Ventura, disse na quinta-feira, dia 9, que aceitava debater, esta
segunda-feira, com o historiador José Pacheco Pereira. Numa publicação na sua
conta oficial na rede social X, pode ler-se que o líder do Chega "aceita o
desafio de Pacheco Pereira", falando num "grande debate"
agendado para hoje, às 22 horas, na CNN Portugal.
Pacheco
Pereira desafiou, chocado com "todas as formas de mentira"
Lusa há 5
dias
No domingo, dia
5 de abril, no programa O Princípio da Incerteza, no qual é comentador
residente, o historiador José Pacheco Pereira tinha desafiado André Ventura
para um debate baseado em "factos e documentos", após a polémica
intervenção do presidente do Chega no parlamento durante a sessão solene que
assinalou os 50 anos da aprovação da Constituição.
Segundo Pacheco
Pereira, André Ventura recorreu a "todas as formas de mentira", como
a "mentira propriamente dita, a omissão da verdade e a sugestão de
falsidade".
Um dos exemplos
foi a menção à suposta existência de mais presos políticos após a
revolução de 25 de Abril de 1974 do que antes, invocada por André Ventura,
mas que José Pacheco Pereira rejeitou, apresentando dados que apontam
para mais de 12 mil presos políticos entre 1945 e 1974, além de milhares
detidos nas colónias.
No período
pós-25 de Abril, Pacheco Pereira assinalou que uma parte significativa dos
detidos eram agentes da PIDE, classificados como membros de uma organização
criminosa, bem como elementos ligados a episódios específicos como o 28 de
Setembro, o 11 de Março ou organizações como o MRPP.
Gtavura gerada pelo chatGPT.
Pietro Gori - Nostra patria è il mondo intero
Texto principal: "Nostra patria è il mondo intero..." (Nossa pátria é o mundo inteiro).
Contexto: Como mencionei, é um verso de Pietro Gori, um advogado e pensador anarquista que escreveu a canção "Nostra patria è il mondo intero" em 1894.
Nomes: No canto inferior direito da imagem, aparecem os nomes de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do socialismo científico.
Originalmente, os versos faziam parte de um poema intitulado "Sante Caserio", dedicado ao anarquista que assassinou o presidente francês Sadi Carnot, mas a música tornou-se um hino de fraternidade universal.
Letra: Nostra patria è il mondo intero
| Italiano (Original) | Português (Tradução) |
|---|---|
| Nostra patria è il mondo intero | Nossa pátria é o mundo inteiro |
| Nostra legge è la libertà | Nossa lei é a liberdade |
| Ed un pensiero ribelle in cor | E um pensamento rebelde no coração |
| Ci destò la volontà. | Despertou-nos a vontade. |
| Scacciati di terra in terra | Expulsos de terra em terra |
| Costretti a errare andiam | Forçados a vagar vamos |
| Per la giustizia e per l'amor | Pela justiça e pelo amor |
| In esilio noi moriam. | No exílio nós morremos. |
| Ma il dì dell'umana riscossa | Mas o dia do resgate humano |
| Fra poco splenderà | Em breve brilhará |
| Il sol dell'avvenire | O sol do porvir (futuro) |
| Di giustizia e libertà. | De justiça e liberdade. |
| E allora i poveri oppressi | E então os pobres oprimidos |
| Si stringeranno la man | Darão uns aos outros a mão |
| E spunterà la pace | E despontará a paz |
| Per l'umana famigli' | Para a família humana. |
Notas sobre a Canção
O "Sol dell'avvenire": Esta expressão (O sol do porvir) tornou-se uma das imagens mais poderosas da iconografia socialista e anarquista italiana, simbolizando a esperança num novo mundo.
Contexto de Orgosolo: Ao veres este mural na Sardenha, percebes que a letra não é apenas música; é o fundamento da identidade política daquela vila, que sempre se viu como uma comunidade de resistência contra a autoridade central imposta.
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Bertold Brecht - Sobre a Violência (Über die Gewalt).
esse texto faz parte de um poema curto de Bertolt Brecht intitulado "Sobre a Violência" (originalmente em alemão, Über die Gewalt).
Brecht, um dos dramaturgos e poetas mais influentes do século XX, utilizava frequentemente metáforas da natureza para criticar as estruturas sociais e políticas.
O Poema Completo
Embora existam variações na tradução, a versão mais comum em português é:
Sobre a Violência
Do rio que tudo arrasta diz-se que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
A tempestade que fustiga as bétulas é tida como violenta. E a tempestade que faz dobrar os dorsos dos operários na rua?
O Significado
A intenção de Brecht com estes versos é provocar uma reflexão sobre a causa e o efeito:
A Reação vs. O Sistema: O "rio" representa a revolta ou a reação de quem é oprimido. Essa reação é frequentemente rotulada como "violenta" pela sociedade.
A Violência Invisível: As "margens" representam o sistema, as leis, a economia ou a repressão que limita a liberdade do indivíduo. Essa força constante e compressora muitas vezes não é chamada de violência, mas é ela que causa o transbordo do rio.
É uma crítica poderosa à forma como o status quo define o que é ou não aceitável, ignorando a violência estrutural que gera o conflito. (Google Gemini(
José Cid - Tenho a Força de Mil Homens
Tenho a Força de Mil Homens
Autor: José Cid
Tenho a Força de Mil Homens
Autor: José Cid
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há-de vir
Tudo o que eu sofri
Tudo o que eu chorei
Ninguém sabe, ninguém viu
Mas eu sei que não errei
Vou gritar ao vento
Vou gritar ao mar
Que o amor é um momento
Que não pode acabar
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há-de vir
Nas noites de solidão
Nas horas de amargura
Eu sinto no coração
Uma força que perdura
E quando o sol brilhar
E a paz nos envolver
Nós vamos todos cantar
E o medo vai morrer
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há-de vir
Nota: A frase final que referiste anteriormente ("Mantenham-se seguros / Em breve estamos juntos") foi um aditamento pessoal feito pelo próprio José Cid num vídeo viral gravado durante o confinamento de 2020, adaptando a sua música ao contexto da pandemia. Não faz parte da letra original da canção de 1989. Embora a canção seja um clássico da sua carreira, o texto ganhou uma nova vida e um significado emocional profundo durante a pandemia de COVID-19, em 2020. (Google Gemini)
Horácio - Ode 18 (Carpe diem)
Peppino Marotto - Sa Bomba Americana
* Peppino Marotto
Sa Bomba Americana (Versão Completa)
Em Sardo
I
Sa bomba americana
partida terra-terra
dae Perdas de Fogu
colpìdi una columba.
II
Sa bomba americana
si li succede gherra
fenta una tumba
totu su mundu
in sa terra soguiana.
III
Su pastore s’est pesadu
contra a su militare
ca sa terra est de chie
b’est naschidu e l’at traballada.
IV
Non cherimus cannonis
ni bases istranzeras
cherimus pane e pasu
pro sa Sardigna intrea.
Tradução para Português
I
A bomba americana
lançada terra-a-terra
a partir de Perdasdefogu
atingiu uma pomba.
II
A bomba americana
se a guerra acontecer
fará uma tumba
de todo o mundo
nesta terra de sol.
III
O pastor levantou-se
contra o militar
porque a terra é de quem
nela nasceu e a trabalhou.
IV
Não queremos canhões
nem bases estrangeiras
queremos pão e paz
para a Sardenha inteira.
Por que o mural corta o texto?
Os muralistas de Orgosolo, liderados por Francesco Del Casino (que colaborava estreitamente com Marotto), escolhiam frequentemente as estrofes que melhor comunicavam com o desenho.
Neste caso, as duas primeiras estrofes focam-se no terror global e tecnológico (o avião, a bomba, o fim do mundo), o que combina perfeitamente com a imagem inspirada em O Grito. As estrofes seguintes são mais focadas na luta de classes e na posse da terra, um tema que muitas vezes aparece noutros murais da vila acompanhado por figuras de pastores e camponeses.
Peppino Marotto não era apenas um poeta; ele era a "voz
da consciência" de Orgosolo. Ele utilizava estes versos para transformar a
dor local numa luta universal contra a opressão. Foi um pastor e líder operário. Ele acreditava que a arte e a poesia deveriam servir para despertar a consciência do povo. Ele foi tragicamente assassinado em 2007, em Orgosolo, num crime que chocou a ilha.



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