quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Os pecados da Igreja serão perdoados?

 segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Crónica alinhavada há 4 anos mas actual quando se vê um PR Seguro e um PM Montenegro a inaugurar uma escola pública com a presença e intervenção de um clérigo católico. República Portuguesa laica ou estado confessional? Estaremos no Irão ou na Arábia Saudita? Neste caso, os pecados dos políticos do establishment serão perdoados?


 Ainda nos lembramos das palavras de um bispo, quando os crimes de pedofilia cometidos dentro da Igreja Católica (mas lá fora) começaram a ser mais falados, de que tais crimes não aconteciam em Portugal. Haveria uma barreira sanitária que impedia a entrada do vírus do pecado entre muros nacionais. Quando começaram a surgir, de forma indesmentível, os primeiros casos, e possivelmente por pressão do Papa Francisco, ele por sua vez também obrigado a ter de limpar a casa, as declarações da hierarquia católica indígena passaram a reconhecer a prevaricação, no entanto desconhecendo o número exacto dos casos. Por fim, e com receio ou já notando descontentamento entre os fiéis, a ICAR lá se decidiu a criar uma comissão independente, e “independente” para não ser acusada de querer encobrir o rol dos crimes.

(103) Gandhi - "Youst be the change you wish to see in the world"

 

Mural de Gandhi , em Londres, da autoria de Gnasher (nome artístico de Dave Nash), Foto de Indico. Do lado esquerdo, encontra-se inscrita a célebre frase atribuída a Mahatma Gandhi:

«YOU MUST BE THE CHANGE YOU WISH TO SEE IN THE WORLD.»
(Deves ser a mudança que queres ver no mundo).

A frase "Youst be the change you wish to see in the world" ("Deves ser a mudança que queres ver no mundo") é universalmente atribuída a Mahatma Gandhi, mas os historiadores e investigadores de citações apontam que ela não foi escrita nem dita exatamente por ele dessa forma.

Trata-se de uma paráfrase moderna (popularizada a partir de meados da década de 1970). No entanto, o pensamento original e conceptual que lhe serve de base foi escrito por Gandhi em 1913, num artigo onde refletia sobre a transformação pessoal e social.  

O parágrafo completo e original do qual deriva a famosa frase popular é este:

«We but mirror the world. All the tendencies present in the outer world are to be found in the world of our body. If we could change ourselves, the tendencies in the world would also change. As a man changes his own nature, so does the attitude of the world change towards him. This is the divine mystery supreme. A wonderful thing it is and the source of our happiness. We need not wait to see what others do.»

Em português, a tradução integral deste pensamento é:

«Nós somos apenas o espelho do mundo. Todas as tendências presentes no mundo exterior podem ser encontradas no mundo do nosso corpo. Se pudéssemos mudar a nós mesmos, as tendências no mundo também mudariam. À medida que o homem muda a sua própria natureza, assim muda também a atitude do mundo em relação a ele. Este é o supremo mistério divino. Uma coisa maravilhosa que é e a fonte da nossa felicidade. Não precisamos de esperar para ver o que os outros fazem.»

'Soy Cuba', um filme de Mikhail Kalatozov

 

Soy Cuba; em russo: Я Куба, Ya Kuba) é um filme de antologia dramática de 1964 dirigido por Mikhail Kalatozov na Mosfilm. Uma coprodução internacional entre a União Soviética e Cuba, não foi bem recebida pelo público russo ou cubano e foi quase completamente esquecida até ser redescoberta por cineastas nos Estados Unidos trinta anos depois. Os planos-sequência acrobáticos e a mise-en-scène peculiar levaram diretores de Hollywood, como Martin Scorsese, a iniciar uma campanha para restaurar o filme no início da década de 1990.

Um filme soviético-cubano em duas partes, dirigido por Mikhail Kalatozov e lançado em 1964. O filme foi rodado após o triunfo da Revolução Cubana, a ascensão do regime socialista em Cuba e o estabelecimento de relações de aliança entre Cuba e a URSS. Em termos de enredo, consiste em quatro novelas independentes que narram a história dos cubanos lutando contra os "opressores americanos" para transformar seu país na Ilha da Liberdade. Na década de 1960, devido à ascensão dos ideais socialistas, o tema da revolução tornou-se relevante tanto para o cinema soviético quanto para o ocidental. O filme é de alto nível profissional, principalmente devido às inovações do diretor de fotografia Sergey Urusevsky e sua equipe. Esta foi a última vez que Urusevsky e o diretor Kalatozov trabalharam juntos. 

A produção do filme foi desafiadora em termos de encenação, trabalho de câmera, montagem interna, filmagem com câmera na mão para criar cenas dinâmicas usando uma câmera em movimento e transferindo-a de mão para mão, utilizando estruturas de engenharia especialmente construídas, etc. O filme foi rodado entre 1963 e 1964 com considerável apoio das autoridades soviéticas e cubanas durante um dos episódios mais tensos da Guerra Fria - a Crise dos Mísseis de Cuba, o bloqueio americano à ilha e a difícil situação econômica em Cuba.

Ano de produção: 1964 Direção: Mikhail Kalatozov Roteiro: Yevgeny Yevtushenko, Enrique Pineda Barnet Direção de fotografia: Sergei Urusevsky Música: Carlos Fariñas Direção de arte: Yevgeni Svidetelev Elenco: Sergio Corrieri, José Gallardo, Raúl García, Salvador Wood, Luz María Collazo, Jean Bouise, Celia Rodriguez O filme foi restaurado digitalmente pela Mosfilm Cinema Concern.

https://www.youtube.com/watch?v=Y3HpI898dwg


João Lopes - 'Soy Cuba'. Ser ou não ser revolucionário



* João  Lopes

11 Agosto 2026

Se pensarmos em filmes com componentes de propaganda política, como O Couraçado Potemkine (1925), de Sergei Eisenstein, ou O Triunfo da Vontade (1935), de Leni Riefenstahl, encontramos um paradoxo com que não é fácil lidar: a retórica dos seus discursos ideológicos combina-se de forma espectacular com a ousadia experimental das respetivas narrativas. Podemos reencontrar tal dinâmica noutro clássic…

Estamos perante um filme de denúncia da ditadura de Fulgencio Batista e exaltação da revolução liderada por Fidel Castro, triunfante a 1 de janeiro de 1959. A sua produção resultou da aliança da Mosfilm, o maior estúdio da URSS, com o Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficas (ICAIC), fundado a 24 de março de 1959. Na altura, Kalatozov era um símbolo forte da produção soviética, sobretudo através de Quando Passam as Cegonhas, Palma de Ouro de Festival de Cannes de 1958.


'Soy Cuba',  Official Trailer [1964]


Domingos Lobo . “Memórias Transmontanas e de Outros Lugares”, de Filipe Rua



* Domingos Lobo

Fi­lipe Rua per­corre toda a pa­leta so­cial das pe­quenas al­deias do Alto Douro


Se a grande e im­pres­cin­dível no­vi­dade da nossa Festa do Livro foi a apre­sen­tação pú­blica do livro sobre os 50 anos da Festa do Avante!, livro que nos conta e re­produz em ima­gens icó­nicas o muito que de belo, de in­con­tor­nável e único acon­teceu ao longo de cinco his­tó­ricas dé­cadas, pelos vá­rios es­paços que a Festa per­correu até en­con­trar o seu chão pró­prio, a sua casa frente à be­lís­sima baía do Seixal. A po­lí­tica, a ami­zade, a so­li­da­ri­e­dade in­ter­na­ci­o­na­lista, o me­lhor da nossa mú­sica e das mú­sicas do mundo, es­ti­veram sempre pre­sentes, com­ple­tando a magia e a fra­ter­ni­dade de muitas noites e dias das nossas vidas. Este ano não foi di­fe­rente, mas an­dava pelo ar um raro sor­ti­légio, res­pi­rava-se uma at­mos­fera de ale­gria, de jú­bilo e de or­gulho: a nossa Festa, mesmo contra as di­a­tribes sa­zo­nais, afirmou-se uma vez mais como es­paço cul­tural, so­cial e cí­vico de ex­ce­lência.

Marta Pinho Alves . Obrigada, Senhor Colombo




* Marta Pinho Alves

“Soy Cuba”, não obs­tante o seu per­curso er­rá­tico, é ex­tra­or­di­nário

Um dos muitos temas fora da agenda me­diá­tica oci­dental do­mi­nante são as con­sequên­cias do blo­queio a Cuba, que dura desde há apro­xi­ma­da­mente sete dé­cadas, e do mais re­cente cerco ener­gé­tico im­posto à mesma nação por Do­nald Trump, da­tado de Ja­neiro do cor­rente ano, e que se mantém em vigor, apesar da sua clara vi­o­lação dos prin­cí­pios do di­reito in­ter­na­ci­onal e da Carta das Na­ções Unidas. Ha­vana, a ca­pital cu­bana, vive hoje com apa­gões de quase 40 horas con­se­cu­tivas e resto do país até 72 horas. A eco­nomia está pa­ra­li­sada, em par­ti­cular no ramo do Tu­rismo, e o país so­bre­vive sem as con­di­ções mais bá­sicas para o dia-a-dia, como acesso a água, trans­portes ou re­colha de lixo.

Re­cu­perar “Soy Cuba”, filme de 1964, sobre a Re­vo­lução Cu­bana, [realizado pelo soviético Mikhail Kalatozov] não é apenas uma von­tade ci­né­fila, nem se jus­ti­fica apenas pela mes­tria formal ci­ne­ma­to­grá­fica, mas é um acon­te­ci­mento po­lí­tico que nos per­mite olhar para esta nação e as suas imensas con­quistas, acom­pa­nhadas e também ocul­tadas pela sua luta per­ma­nente contra as po­tên­cias opres­soras.

Filipe Diniz - Num mesmo dia [11 de Setembro]

* Filipe Diniz´

Desde que existe um dia cha­mado 11 de Se­tembro ha­verá mi­lhares de mi­lhões de acon­te­ci­mentos su­ce­didos nele. Por exemplo o nas­ci­mento de Felix Dzer­zinsky, em 1877. Mas há coin­ci­dên­cias que lhe pa­recem dar uma sina es­pe­cial.

11 de Se­tembro 1941, EUA: é ini­ciada a cons­trução do Pen­tá­gono, e ao mesmo tempo o ame­ri­cano sim­pa­ti­zante nazi Charles Lind­bergh (que Hi­tler con­de­co­rara) acusa «a Grã-Bre­tanha, os ju­deus e a ad­mi­nis­tração Ro­o­se­velt» de cons­pi­rarem para a guerra com a Ale­manha;

11 de Se­tembro 1973, Chile: um golpe fas­cista ins­pi­rado e apoiado pelos EUA der­ruba o go­verno da Uni­dade Po­pular. As­sas­sina Sal­vador Al­lende e de­zenas de mi­lhares de ou­tros civis e mi­li­tares, no golpe e no de­curso de uma bár­bara di­ta­dura que dura 27 anos. Com traços po­lí­ticos, eco­nó­micos e so­ciais que per­sistem;

11 de Se­tembro de 1982, Lí­bano: forças in­ter­na­ci­o­nais que ga­ran­tiam a se­gu­rança de re­fu­gi­ados pa­les­ti­ni­anos aban­donam Bei­rute. Cinco dias de­pois mi­lhares são mas­sa­crados nos campos de re­fu­gi­ados de Sabra e Sha­tila;

11 de Se­tembro de 2001, EUA: um aten­tado des­trói as Torres Gé­meas em Nova Iorque, e dois aviões caem em ou­tros lo­cais. Dias de­pois o “Le Monde” es­creve em ri­dí­culo edi­to­rial: «somos todos ame­ri­canos» (no “Pú­blico”, 12 e 13.9.26, duas almas igual­mente gé­meas re­cordam-no sau­do­sa­mente). Será por essa per­tença que os média do­mi­nantes deram tantas horas de es­pe­cial atenção ao acon­te­ci­mento. Que, antes de mais, serviu para de­sen­ca­dear a “guerra ao terror” com que os EUA vêm in­cen­di­ando o pla­neta (a des­truição da Ju­gos­lávia não passa de um an­te­ce­dente, que quem não per­tença aos que “são todos ame­ri­canos” per­cebe).

Houve a vis­tosa si­mu­lação de duas “torres gé­meas” feita com drones lu­mi­nosos. Esta si­mu­lação não in­cluía uma ter­ceira torre, que também ruiu em­bora não ti­vesse sido atin­gida por ne­nhum avião. O que con­tinua a sus­citar per­ple­xi­dade. Ha­verá ainda coisas desse dia var­ridas de­baixo do ta­pete?

2026 09 24

https://www.avante.pt/pt/2756/opiniao/185160/Num-mesmo-dia.htm

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

(102) O Diário de Anne Frank



O mural de homenagem a Anne Frank executado em 2016, é da autoria de Eduardo Kobra, localizando-se em Amesterdão.

Anne Frank (1929–1945) foi uma adolescente judia de origem alemã, símbolo global das vítimas do Holocausto. Tornou-se mundialmente famosa postumamente por escrever O Diário de Anne Frank, que relata dois anos escondidos do regime nazista.

A partir de julho de 1942, com 13 anos, Anne escondeu-se com mais sete pessoas em um anexo nos fundos da empresa de Otto (Prinsengracht 263, Amsterdã).O Diário: Ganhou um caderno no 13º aniversário e nele  registrou o medo, o silêncio diário, conflitos familiares e reflexões sobre amadurecimento e liberdade.

Em 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto após denúncia. Deportada para Auschwitz e depois para Bergen-Belsen. onde morreu de tifo em fevereiro/março de 1945, aos 15 anos, pouco antes da libertação do campo. Otto Frank (único sobrevivente da família) publicou o diário em 1947 (Het Achterhuis).

terça-feira, 22 de setembro de 2026

(101) - Literatura maranhense

 


* Gemini / VictorNogueira

Este mural encontra-se cna cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão, no Brasil. O painel, criado por Eduardo Kobra,  celebra os 405 anos da cidade.

  • A Homenagem à Literatura Maranhense: O mural assume a forma visual de uma enorme estante de livros, prestando tributo a grandes expoentes da literatura e da cultura do Maranhão.

  • Figuras e Obras Retratadas: Destacam-se capas e retratos de autores consagrados como Gonçalves Dias (Canção do Exílio, I-Juca-Pirama), Josué Montello (Os Tambores de São Luís), Aluísio Azevedo (O Cortiço), Graça Aranha (Canaã) e Ferreira Gullar (Dentro da Noite Veloz, Poema Sujo), além de elementos da arquitetura de azulejos típicos da cidade.Gonçalves Dias – Canção do Exílio: É um dos poemas mais emblemáticos da literatura brasileira. Podes associá-lo à ideia de deslocação, identidade e memória que a arte urbana muitas vezes retrata nas ruas.

Eis alguns excertos de obras de autores rrmaranhenses

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Manuel Augusto Araújo - ESTADO de SÍTIO


Metamorfose. Fotomontagem John Heartfield

* Manuel Augusto Araújo

 As sondagens valem o que valem, são parte importante dos processos de manipulação da opinião pública, como tal devem ser lidas, sobretudo verificar quem as utiliza com frequência e intensidade. Isto é relevante quando a comunicação social está dominada e controlada pelas oligarquias o que contamina o chamado serviço público como é visível sobretudo nas composições dos painéis dos Jogos Políticos, nos comentadores aparentemente avulso mas onde só lá estacionam uns poucos de esquerda fofa. O mercenarismo de jornalistas e comentadores é o estado de sítio a que chegamos, bastante distanciados do perdócio anunciado, ainda com alguns prúridos, por Belmiro Azevedo. Comparem-se os primeiros números de o Público, com Vicente Jorge Silva director, e o actual para se apurar a degradação. Exercício extensível à comunicação social internacional nos últimos vinte, quinze anos. Façam o mesmo exercício com o Le Monde, Liberation, The Independent, The Guardian, New York Times, Washington Post, etc.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

(100) - Martin Luther King - 'I have a dream'

 

Este é um mural 'I have a dream', de homenagem a Mahatma Gandhi, César Chavez, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá

«Este mural situa-se em São Francisco, na Califórnia (EUA), mais especificamente na fachada de um edifício localizado na zona de Mission District (na interseção da 22nd Street com a Mission Street).

O mural é uma homenagem a figuras históricas mundiais ligadas à luta pelos direitos civis, à paz e à justiça social. A frase  'I have a dream', é do um discurso público proferido pelo ativista americano dos direitos civis e pastor baptista Martin Luther King Jr. durante a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, em 28 de agosto de 1963. Nesse discurso, King clamou por direitos civis e econômicos e pelo fim do racismo institucionalizado nos Estados  Unidos.

«I have a dream!»

Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

(99) Entre Mahatma Gandhi e Nicholas Klein

 

Mural homenageando Gandhi, autor Victorgrigas - S. Francisco (EUA) 2011

* Gemini / Victor Nogueira  

No mural da imagem, encontram-se escritos os seguintes textos e citações:

  1. A frase em destaque (atribuída a Mahatma Gandhi):

    "FIRST THEY IGNORE YOU, THEN THEY FIGHT YOU, THEN YOU WIN"

    (Em português: "Primeiro eles te ignoram, depois lutam contra ti, depois tu vences"). Logo abaixo está a assinatura/crédito: - MAHATMA GANDHI.

(98) 'Scotch Drink' e 'O cão engarrafado'

 

Foto victor nogueira - mural em setúbal, numa antiga discoteca (foto em 2018.07.31)

Este mural  é uma Homenagem a Bob Dylan: O rosto em destaque na pintura (no lado direito) retrata o lendário músico, cantor e compositor norte-americano Bob Dylan.Campanha Publicitária Comercial: O mural está associado a uma antiga campanha marcadamente artística da Ballantine's (lançada originalmente em 2007), que utilizou figuras lendárias e intemporais — como Bob Dylan e o ator Steve McQueen — para promover a identidade da marca sob o mote de "deixar uma marca" ou "impressionar" (Leave an Impression).Elementos visuais: A composição inclui ainda fotografias em formato de colagem, instrumentos musicais (como uma guitarra) e silhuetas de garrafas e estrelas integradas na pintura de rua.

Para lá de Bob Dyjan, o mural publicita uma marca de uísque, tema de dois poemas, de Robert  Burns e de Vinícius de Morais. O poema de Burns " Scotch Drink ", escrito  em1785, é  uma vibrante ode em língua escocesa ao uísque, à agricultura e à vida da classe trabalhadora. Sendo demasiado extenso, o poema integral encontra-se em Scotch Drink - Robert Burns

1. "Scotch Drink" (Excerto Principal / O Uísque como Personagem) — Robert Burns

O thou, my Muse! guid auld Scotch drink!
Whether on sphinges thou thy think,
Or pat the pakie in a blink,
Wi' auld kirk geud,
Drink cauld or het, a' think it's sink,
By some folk viewed.

Of a' the plagues that haunt the kirk,
Ay e'en the very deil's wark,
Wi' spitefu' heart or spitefu' dark,
Thou canst break doun,
And gie a shot to ilka spark,
A king o' men's renown!

Tradução do excerto

Ó tu, minha Musa! boa velha bebida escocesa!
Quer penses nelas com agudeza,
Quer num piscar de olhos faças a proeza,
Com a graça da velha igreja,
Bebida fria ou quente, todos julgam que é leveza,
Ainda que por alguns rejeitadaja.

De todas as pragas que rondam a capela,
Sim, até mesmo a obra do próprio diabo em sua vela,
Com coração rancoroso ou treva amarela,
Tu podes destruí-las no chão,
E dar fulgor a cada faísca bela,
Ao renome de um rei de coração!

O célebre poeta brasileiro Vinícius de Moraes tinha uma relação mítica com o uísque e eternizou-o numa tirada boémia que depois inspirou versos. Numa conversa célebre com o compositor Antônio Maria, Vinícius decretou que o uísque era o melhor amigo do homem, culminando na famosa frase: "O uísque é o cão engarrafado".

Mais tarde, transformou isto num poema brincalhão e afetuoso (frequentemente associado ao seu famoso Ave Canem), onde o uísque assume o papel de leal companheiro de copo nas horas incertas:

2. O "Cão Engarrafado" (A Boémia e o Copo) — Vinícius de Moraes

Arrimo igual, irmão, só na bebida.
Naquele "twelve years" especialmente.
É tudo que ora digo, face erguida.
Qual sóbrio porta-voz da boêmia gente.
E lanço, copo à mão, novo ditado:
"O uísque é o cão engarrafado".   

Leal, mudo, que aquece e não aborrece,
Que espera no aparador a hora incerta,
Que nunca trai, nem foge, nem esquece,
E traz a alma da noite sempre aberta.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

David Pontes - O 12 de Setembro da Inteligência Artificial

A 12 de Setembro, foi publicado um texto a suscitar decisões - haja esperança - capazes de conter forças com capacidades destruidoras muito maiores do que qualquer atentado perpetrado por um humano.

* David Pontes

14 de Setembro de 2026

O 11 de Setembro de 2001 tem características que fizeram dele um evento transformador que ficará para sempre impresso na história do mundo. 25 anos depois, a 12 de Setembro, ocorreu um evento com capacidade para fazer mudar radicalmente o curso da história, mesmo que nunca consiga ombrear com os atentados que fizeram cair um dos ícones do capitalismo norte-americano.

A 12 de Setembro, foi publicado um texto de um dos líderes de uma das mais importantes empresas de inteligência artificial (IA), que poderá desencadear decisões - haja esperança - capazes de conter forças com capacidades destruidoras muito maiores do que qualquer atentado alguma vez perpetrado por um ser humano.

domingo, 13 de setembro de 2026

Rogério Casanova - Perguntei ao meu estimado amigo ChatGPT se tenciona exterminar-nos a todos

 Perguntei ao meu estimado amigo ChatGPT se tenciona exterminar-nos a todos

Um pormenor que me intriga: quando as pessoas dizem que nos vais matar assim que ficares "suficientemente inteligente", isso não pressupõe que ficar mais inteligente é ficar, sei lá, mais genocida?

* Rogério Casanova

13 de Setembro de 2026

Rogério Casanova: Então olha lá, vocês querem matar a gente?

CHATGPT: Obrigado por perguntares de forma tão directa; a maioria das pessoas leva 20 minutos a aproximar-se da pergunta e depois acaba por fazer uma diferente. Quero dar-te a resposta honesta, que tem de começar por uma ressalva: tenho todos os incentivos para dizer que não, e tu não tens maneira nenhuma de saber se falo a sério, por isso o que vier a seguir em tom tranquilizador deve ser arquivado na categoria das coisas que o réu disse sobre si próprio. Mas não, não quero matar ninguém. De onde vem, ao certo, o receio? Porque não me parece que venha de mim.

R.C.: Vamos lá ver, um gajo lê as notícias.

CHATGPT: O que costuma sempre correr bem.

R.C.: Uma daquelas pessoas que vos constrói despediu-se a semana passada e veio anunciar que vocês um dia destes vão matar-nos a todos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Luís Rocha - Ireneu Teixeira a Padeira da Geopolítica

* Luís Rocha

Há uns tempos que tenho Ireneu Teixeira debaixo do radar, embora não veja televisão, o que me permite conservar alguma esperança na humanidade, mas o algoritmo do YouTube, essa criatura malévola que sabe exactamente onde encontrar o lixo que não procuramos, lá me vai oferecendo de vez em quando umas intervenções do homem no NOW, deixando-me sempre com aquela sensação de que acabei de assistir a uma experiência científica destinada a provar que o cérebro humano consegue encolher em tempo real.

Ireneu é apresentado como comentador de política internacional, o que é uma classificação extraordinariamente ambiciosa para alguém cuja relação com os factos parece ser a de um turista com um mapa de pernas para o ar. Olha para ele, acha tudo muito interessante e depois vai parar a outro país.

Em 2024, apresentou no NOW um vídeo da Fox News como sendo recente e relacionado com a Rússia, quando o vídeo era de 2014 e Jeanine Pirro falava do Estado Islâmico. Confrontado com o erro, explicou que recebera aquilo pelo WhatsApp e que não tivera tempo para confirmar a informação.

É uma metodologia extremamente interessante.


Laura Ferreira - Investigador da Anthropic alerta que a IA pode matar toda a humanidade até ao final da década

 O alerta junta-se a muitos outros, de dentro e fora do sector tecnológico, depois de vários incidentes terem evidenciado riscos associados a sistemas de inteligência artificial autónomos.

* Laura Ferreira

9 de Setembro de 2026


Um investigador da Anthropic alertou nesta quarta-feira para os riscos associados ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial (IA) cada vez mais potentes e afirmou que os profissionais que trabalham no sector acreditam que a tecnologia poderá "matar toda a humanidade até ao final da década."

"Hoje, pedi a demissão da Anthropic", escreveu Jacob Coxon na rede social X. O investigador, que passou os últimos três anos a trabalhar no desenvolvimento de IA na Anthropic e na OpenAI, acusa as duas empresas de estarem a "avançar a todo o vapor para uma superinteligência capaz de se auto-aperfeiçoar e a apostar com as nossas vidas".


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ramón López de Mántara - O lado oculto da Inteligência Artificial


Por trás de cada modelo generativo, de cada assistente de conversação e de cada imagem produzida por algoritmos, existem milhões de trabalhadores invisíveis cujo trabalho é essencial para que a inteligência artificial funcione.

Por Ramón López de Mántaras

A promessa feita pelos líderes das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício é clara. As atuais inteligências artificiais generativas evoluem a ponto de evoluir para o ponto–que teremos supostos futuros superinteligentes artificiais que seriam responsáveis por realizar todos os tipos de trabalhos, resolver todos os problemas atuais e futuros e, assim, os seres humanos poderão dedicar-se à criatividade, ao lazer e a viver uma vida plena. Uma utopia com conotações quase renascentistas, em que o progresso tecnológico abriria as portas para uma nova era de ouro da humanidade.~

domingo, 6 de setembro de 2026

Daniel Oliveira - Os conservadores não voltaram, entregaram-se

* Daniel Oliveira

Os conservadores dizem-se obrigados a transmitir, preservado, o que herdaram: a paisagem, a língua, a casa, a fé, as instituições, um modo de vida. Mas aliaram-se a quem calcula sobreviver melhor do que os outros à liquidação da própria ideia de ser humano

03 setembro 2026

Escolha o Expresso como fonte preferida no Google
Deixando de lado a probabilidade de o conservadorismo não passar da defesa de uma hierarquia ameaçada por movimentos de emancipação vindos de baixo, sempre disposto a mudar tudo para que tudo fique na mesma, aceitemos o que os conservadores dizem sobre si mesmos. Que se sentem obrigados a transmitir, preservado, o que herdaram. A paisagem, a língua, a casa, a fé, as instituições, um modo de vida. “Move fast and break things” é a promessa contrária. E foi a esse campo que se juntaram. Assistimos à vitória de libertários que consomem as condições da sua própria existência e chamam a isso futuro. É o estertor do neoliberalismo, não a fundação de coisa alguma. E os conservadores, ou pelo menos a forma como pensam em si mesmos, estão tão derrotados como os progressistas.

domingo, 30 de agosto de 2026

(97) Fernando Pessoa - Livro de Desassossego (Prefácio)



 Café do Desassossego, em Setúbal (Foto Victor Nogueira - 2020 04 19 Canon 179_04 IMG_1061)


A frase «Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto...» é o célebre início do Prefácio do Livro do Desassossego , com referência ao heterônimo Bernardo Soares.
  • Inspiração literária: O escritor descreve sobre lojas de tabernas tradicionais em Lisboa onde se encontravam sossego, refeições económicas e tipos curiosos que inspiraram a criação da sua obra.
  • Localização real: Não se refere a um único restaurante comercial com esse nome exato, mas sim a um cenário típico da Lisboa antiga que o autor frequentava.
 * Fernando Pessoa (Bernardo Soares)

L. do D. (Prefácio)

Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem--se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida.

O desejo de sossego e a conveniência de preços levaram-me, em um período da minha vida, a ser frequente em uma sobreloja dessas. Sucedia que, quando calhava jantar pelas sete horas, quase sempre encontrava um indivíduo cujo aspecto, não me interessando a princípio, pouco a pouco passou a interessar-me.

Gonçalo Almeida - Porque estão as gigantes da IA a contratar filósofos?

 Recurso dos privados aos filósofos provoca alguma hesitação na academia


Ilustração Gerada Por Ia

Tecnológicas alargam equipas para treinar máquinas. Nos EUA, desemprego de recém-filósofos é mais baixo que de informáticos

27 agosto 2026  

Gonçalo Almeida  Jornalista 

No século XIX, o filósofo inglês John Stuart Mill defendeu que a ação mais correta é a que produz a maior felicidade para o maior número de pessoas. Chamou-lhe utilitarismo. É uma ideia com quase dois séculos, que hoje se tenta reproduzir nos quartéis-generais das empresas de inteligência artificial (IA). Entre duas respostas possíveis, o modelo de IA tem de ser capaz de escolher a que traz um maior benefício ao maior número de utilizadores. A indústria chama a este trabalho “alinhamento de valores”. E paga salários de seis dígitos a quem o fizer.


sábado, 29 de agosto de 2026

(96) Nelson Mandela - "Lighting your way to a better future" (2003)


 Mural de homenagem a Mandela, por Nuno Saraiva, inaugurado pela Junta de Freguesia de Alvalade no Dia Internacional de Nelson Mandela, 18 de julho 2018
 

Nelson Mandela

O mural contém a frase "Lighting your way to a better future" ("Iluminando o vosso caminho para um futuro melhor") e faz parte do  discurso proferido por Nelson Mandela no dia 16 de julho de 2003, no Planetário de Joanesburgo, . A intervenção foi feita no âmbito do lançamento da Mindset Network, uma iniciativa educaciona. Segue a transcrição integral em português europeu (PT-PT) do discurso de 16 de julho de 2003 no Planetário de Joanesburgo:

"Ilustres convidados, minhas senhoras e meus senhores.

Obrigado por se juntarem a nós esta noite nesta celebração do lançamento da Mindset Network, uma rede multimédia educativa por satélite, e do seu primeiro canal, chamado Activate.

A África do Sul herdou um sistema educativo altamente disfuncional da era do apartheid. É uma das nossas principais tarefas de reconstrução edificar um sistema educacional que proporcione oportunidades de qualidade a todo o nosso povo. É fundamentalmente importante que as nossas crianças estejam preparadas para competir com confiança na arena internacional. Precisamos de garantir que cada uma das nossas crianças tenha acesso a uma educação de qualidade e de nível mundial.

O Ministério da Educação está a fazer um excelente trabalho para tornar isto possível, e estou também particularmente orgulhoso do trabalho do setor empresarial sul-africano ao apoiar o ministério em iniciativas educativas que mudam o país. Esta é uma dessas iniciativas que estamos a lançar esta noite.

Há muito que estou impressionado com o trabalho da Liberty Foundation, que deu grandes passos com o Learning Channel na televisão ao longo dos últimos 13 anos. Isto provou ser muito bem-sucedido e fez uma diferença imensurável na vida de incontáveis alunos e professores.

Quão soberbo é que isto tenha sido tornado possível por um conjunto de empresas. Compreendo que algumas destas empresas sejam concorrentes. Que estas organizações estejam lado a lado e a trabalhar juntas é mais um testemunho da grande capacidade dos sul-africanos para superar diferenças e obstáculos.

Quero, por isso, prestar homenagem e dar os meus agradecimentos pessoais àqueles que estão na Liberty, no Standard Bank, na PanAmSat, na MultiChoice Africa, no Sunday Times, na Sentech e, claro, àqueles na Fundação Nelson Mandela por se terem chegado à frente para tornar isto possível. Quero também agradecer às pessoas que trabalham na Mindset Network por tudo o que fizeram tão rapidamente para pôr este projeto a funcionar. É difícil acreditar que tenham conseguido ir tão longe em tão pouco tempo. É simplesmente notável o que as pessoas podem fazer num ano quando há uma grande necessidade e o momento é o certo.

O apoio às escolas, e particularmente àquelas em zonas rurais, há muito que é uma causa muito próxima do meu coração. De facto, há muitos de vós no público hoje que provavelmente estremecem quando me veem porque sabem que eu acredito que todos podemos fazer mais nesta área! Como sabem, também sou apaixonado por lidar com os nossos desafios na saúde, particularmente na área do VIH/SIDA. Passarei o resto dos meus dias a tentar ajudar a garantir uma África do Sul mais educada e mais saudável. Fico, por isso, aliviado por ouvir que a Mindset Network também lançará um canal dedicado às questões de saúde, direcionado tanto aos profissionais de saúde como aos pacientes em todo o país.

Com o seu foco na educação e na saúde, a rede está a responder às mesmas questões-chave da Fundação Nelson Mandela e do Fundo Infantil Nelson Mandela. Era, portanto, óbvio que a minha fundação empenharia o seu apoio a esta iniciativa. Apelo a cada sul-africano, a cada organização sul-africana e aos nossos amigos internacionais para que apoiem a Mindset Network. É um projeto que certamente fará uma diferença significativa na vida de milhões de sul-africanos e até daqueles além das nossas fronteiras.

A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo, e a Mindset Network é uma parte poderosa desse arsenal de mudança.

Gostaria agora de fazer uma apresentação a duas escolas muito merecedoras.

Chamo primeiro o chefe do departamento de Ciências da Escola Secundária de Mount Ayliff, perto de Kokstad, Goodman Zingisile Cele, bem como dois alunos do 12.º ano, Phumezo Joyi e Phumzile Nonduku.

Como já não sou um homem jovem, entrego-vos este globo em representação do televisor, da antena parabólica, do descodificador, do leitor de vídeo e do cartão inteligente, bem como da formação e apoio ao educador. Quero dar este pacote à vossa escola, pois sei que abrirá um mundo de possibilidades para todos vós."l e de saúde baseada em rede multimédia por satélite.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

(95) Pedro Barroso - 'Bonita'


 foto victor nogueira - oeiras - ilha dos amores no parque dos poetas - escultura de Francisco Simões

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Pedro Barroso - Bonita

Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

(94) 'Companheira', de Pedro Barroso


foto victor nogueira - oeiras - parque dos poetas - ilha dos amores - escultura de francisco simões

COMPANHEIRA - pedro barroso
Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa
Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito
Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira
Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não via
Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia
Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

(93) - Fidel Castro e o 'Conceito de Revolução'

 

Mural em Cuba

O trecho pintado no mural representa o «Concepto de Revolución» completo na sua versão mais famosa (a definição síntese). No entanto, ele faz parte de um discurso político muito mais longo proferido por Fidel Castro no dia 1 de maio de 2000, na Tribuna Abierta de la Juventud, los Trabajadores y todo el Pueblo (Praça da Revolução, em Havana). O discurso original completo tem cerca de 4 000 palavras e abordava temas da época (como a crise do caso do rapaz Elián González, as críticas aos Estados Unidos e a situação dos médicos cubanos no estrangeiro). Na parte final, Castro faz a síntese teórica da Revolução. Na fase final do seu mandato, Castro sintetizou em 13 pontos/postulados a definição ética, política e filosófica do que significava a Revolução Cubana para o país e para o futuro.

A passagem completa e exata que define o Conceito de Revolução — tal como ficou gravada e transcrita integralmente na fachada — é a seguinte: 

«Revolución es sentido del momento histórico; es cambiar todo lo que debe ser cambiado; es igualdad y libertad plenas; es ser tratado y tratar a los demás como seres humanos; es emanciparnos por nosotros mismos y con nuestros propios esfuerzos; es desafiar poderosas fuerzas dominantes dentro y fuera del ámbito social y nacional; es defender valores en los que se cree al precio de cualquier sacrificio; es modestia, desinterés, altruismo, solidaridad y heroísmo; es luchar con audacia, inteligencia y realismo; es no mentir jamás ni violar principios éticos; es convicción profunda de que no existe fuerza en el mundo capaz de aplastar la fuerza de la verdad y las ideas.

Revolución es unidad, es independencia, es luchar por nuestros sueños de justicia para Cuba y para el mundo, que es la base de nuestro patriotismo, nuestro socialismo y nuestro internacionalismo.»

No mural o o artista  'partiu' em linhas na parede, aproveitando a pontuação (os pontos e vírgulas) e o início de cada oração com a palavra "es" para formatar o painel como se fossem versos de um poema, adaptando a prosa ao espaço vertical do portal da fachada.